15 novembro 2010

Fotoreportagem: The Walkmen - Coliseu: 14/11/2010

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Mais um domingo, mais um grande concerto. E com grande não digo comprido, porque essa foi a meu ver a grande pecha - foi curto. Olhei à minha volta e todos estavam com vontade de mais quando terminou "We've Been Had", anunciada como última música, mas foi mesmo pela hora e meia que se ficou. De qualquer forma tinha sido hora e meia muito muito intensa. Olhem mais abaixo para o setlist e reparem nas 4 primeiras músicas - a calmia de "While I Shovel the Snow" de começo para depois logo de seguida partir a loiça toda com uma sequência infernal de "In The New Year", "Angela Surf City" e "The Rat". A voz de Hamilton Leithauser levada ao limite ali à nossa frente foi de arrepiar. A meu ver os The Walkmen têm na sua voz o elemento arrebatador, e ali ao vivo foi óbvio para toda a gente isso mesmo. Não que falte qualidade aos restantes elementos, pelo contrário, mostraram até versatilidade com várias trocas de instrumentos. Numa palavra, intensidade, intensidade, intensidade. É isso que define os The Walkmen.
Para Os Golpes fica um pedido de desculpas da minha parte por não ter conseguido chegar a tempo de ver a sua performance na íntegra e uma promessa que tentarei apanhá-los assim que possível. Das impressões que recolhi de pessoas que os assistiram recebi nota bastante positiva para eles.

Setlist:
While I Shovel The Snow; In The New Year; Angela Surf City; The Rat; Blue As Your Blood; Victory; On The Water; Everyone Who Pretended To Like Me Is Gone; Canadian Girl; Woe Is Me; Lisbon; All Hands And The Cook; Juveniles
Encore:
Donde Está La Playa; I Lost You; We've Been Had

Concertos da Semana - 15 a 21 de Novembro

Agenda da semana:

- Torche + Men Eater - Santiago Alquimista 17 Nov
- Fucked Up - ZDB 18 Nov
- Efterklang - Musicbox 19 Nov
- Os Capitães da Areia - Maxime 19 Nov

Concerto destaque: The Pains of Being Pure at Heart - Lux 16 Nov

Que se foda o fil colíns

Sou péssimo a tomar boas decisões. No outro dia comprei um livro chamado "como tomar boas decisões". Não ajudou. Continuo a hesitar e sou lançado para o abismo da decisão errada. Às vezes tudo me diz que é a errada mesmo antes de a escolher. Como quem penetra sem preservativo sem saber bem por quê. E o abismo ali tão perto.
O preço de uma casa não nos devia permitir oscilar entre o racional e o emocional, no entanto a maioria das pessoas compra-as com base em fundamentos emotivos (gostar-se do bairro, estar-se perto dos amigos ou família, lembranças de infância).
No dia em que assinei a escritura do meu apartamento estávamos em Setembro e em Lisboa. Havia sol, daquele que há e fica, mas não me recordo de suar. A manhã chegava ao fim e tinha de tratar do gás e água. Na minha mão um par de chaves. Tive a sensação de que ia olhar para a casa pela primeira vez. Tentei, mas não consegui imaginá-la, mais. Não sabia como era. Principiou-se uma ansiedade. Quando entrei estava vazia e eu sem saber o que fazer.
Decidi apanhar ar, vagueei até dar por mim sentado num banco perto do médico do Campo Santana.
Escolhi Boards of Canada e imaginei uma corda no meu pescoço.

12 novembro 2010

Altamont Recomenda

Um presentinho para o final da semana - o mais recente single do álbum Root for Ruin dos Les Savy Fav, denominado "Let's Get Out of Here".

11 novembro 2010

Álbum de Estimação: Portishead - "Roseland NYC Live" (1998)

Os Portishead são uma banda que dispensa apresentações para qualquer pessoa com um ouvido a funcionar bem que passou pelos anos 90, por isso não me vou alongar muito.
Banda de Bristol, onde juntamente com os Massive Attack se lançaram à conquista do mundo com o seu trip-hop, os Portishead basearam a sua estratégia de divulgação na qualidade artística dos seus videoclips. Antes até de lançarem o seu primeiro álbum realizaram uma curta-metragem, To Kill a Dead Man, mas foi a banda sonora criada para a mesma que atraiu atenções, e daí até terem Dummy no mercado foi um pequeno passo. Foi através de uma crescente rotação dos seus clips em programas como Alternative Nation ou Chill-Out Night, da MTV, que foram ganhando público, e no final de 1995 já eram agraciados com vários prémios da indústria da música. Não que isso interesse, naturalmente, mas de facto havia aqui qualquer coisa de diferente do britpop que reinava a solo nessa altura. A intensidade, o dramatismo das melodias, a voz de Gibbons, sempre acompanhadas com o sintetizador de Geoff Barrow e a guitarra de Adrian Utley são únicas.
Provavelmente vão apontar-me o dedo por meter aqui um álbum que não é um álbum de originais mas sim um concerto ao vivo. Pois bem, passo desde já a apresentar o meu argumento - andei durante 2 anos a debater-me se gostava mais do Dummy ou do Portishead. Não conseguindo chegar a uma conclusão definitiva, surgiu em 1999 este Roseland NYC Live que foi a única forma de resolver o problema - decidi que ficava este o meu favorito e pronto. E até hoje assim é. Já conheço melhor estas versões do que as versões originais. Heresia? Sim, admito que possa ser. Mas sigo na minha, herege e feliz com a Orquestra Filarmónica de Nova Iorque no fundo do ouvido a acompanhar o trio Barrow Gibbons e Utley em todo o seu esplendor.

10 novembro 2010

Altamont Recomenda

Não há muitas palavras a dizer sobre isto. São os The Good The Bad, banda dinamarquesa, com a música "030". Mas o videoclip vale por tudo. Just watch it.

Duas mesas e eu na terceira

She Took A Long Cool Look by Syd Barrett on Grooveshark


deixei-a na estação

deixei-a na estação
chovida, molhada
na insegurança dos seus passos trôpegos
de uma bebedeira insolúvel.
os olhos amargos da pior estação do ano
um copo que inclinava
e descaía,
descaía.
entrei na carruagem
e na altura parecia-me decidido,
mentira,
olhámo-nos com olhos sufocantes
estudando quem abandonaria quem
e porquê,
estáticos até o horizonte se transformar
em túnel.

foi triste,

infantil, fomos tão infantis.
perdidos.
abandonados.
         (já tinha dito?)
lá fora chovia e a cidade
matava os desprevenidos e escorraçava as pessoas
e limpava tudo
e ela era uma miúda
e eu deixara-a
entregue a um regresso injusto.
não interessa os passos mal dados,
lá fora chovia e era de noite,
não fizera nada, coitada
sou eu que não gosto de tudo
e pronto.
chegado a casa
deitei-me na cama.
olhei para o tecto
e o tecto olhava para mim.
um silêncio de mudos,
a culpa em mim, a verdade nele.
fumei um cigarro com os olhos, 
esperando o que ele tinha para me dizer:
“malvado,
agora é altura de te arrependeres.”

então aqui
estou
eu.

09 novembro 2010

Álbum Fresquinho: Interpol -"Interpol"

Há uns dias um velho comparsa meu atirou-me para a cara: "os Franz Ferdinand estão datados!". Como não estava à espera de uma intervenção assim fiquei meio estupefacto e tentei rebater a afirmação, ao qual ele me diz: "há quanto tempo não ouves um álbum de FF de início ao fim?". Desarmou-me. De facto, Franz Ferdinand, como o indie rock em geral está a ficar datado. Já são dez (10!) anos de boa música de um estilo que veio "salvar-nos" da mediocridade do pop/rock que vigorava no fim dos anos 90. Pois bem, em dez anos passam-se muitas coisas. O mundo muda, os estilos mudam. Os próprios Beatles nem dez anos duraram. É complicado a uma banda manter-se honesta e no "top of the game" por muito tempo. As pessoas cansam-se e é normal. O indie rock está a morrer aos poucos, lentamente e este último disco dos Interpol é uma das imagens desse falecimento. Tanto a nível estético como lírico.
Apenas intitulado "Interpol", algo que a maior parte das bandas o faz logo no primeiro disco, o que poderá querer significar que o ciclo fechou e a partir de agora ou se entra por outros caminhos ou se começa a apagar lentamente como uma fogueira a qual não alimentamos mais, ou porque não precisamos de mais calor ou porque não temos mais lenha (leia-se ideias). "Interpol", quarto disco de originais da banda nova-iorquina, liderada por Paul Banks, agora com menos um elemento, cheira apenas a competente, o que não é mau, mas não é bom. Não tem a melancolia e estranheza de Turn on the Bright Lights nem a pujança e velocidade de Antics nem sequer o lado mais apelativo de Our Love to Admire. Serve para entreter, para meter lá no meio dos bons mas sem sair muito da estante. O fogo está a apagar-se mas ainda lança algumas labaredas e nos queima como em "Success", "Lights" ou "Barricade" e ainda nos leva a alguma mais distante sombria na trilogia final com "Try It On", "All the Ways" e "The Undoing". Tudo somado não nos deixa desiludidos porque já não estamos mais à espera de muito. Tal como eles, crescemos, expandimos horizontes e já estamos prontos para o futuro pós indie-rock. Falta eles darem o próximo passo ou o fogo apagar-se-á para sempre...

Fotoreportagem: Broken Social Scene - Aula Magna: 07/11/2010

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A expectactiva estava elevada para o passado domingo à noite - os Broken Social Scene vinham pela primeira vez a Lisboa (após já terem passado pelo palco indie por excelência Paredes de Coura em 2006) e escolheram, a meu ver, a sala perfeita para o efeito.