Agenda (bem recheada) da semana:
- Broken Social Scene - Casa Música 8 Nov
- Black Rebel Motorcycle Club - Aula Magna 8 Nov, Hard Club 9 Nov
- !!! - Lux 9 Nov, Sá da Bandeira 10 Nov
- Vampire Weekend - Campo Pequeno 10 Nov
- The Drums - Lux 11 Nov
- These New Puritans - Musicbox 11 Nov
- Interpol + Surferblood - Campo Pequeno 12 Nov
- Márcia - Lux 12 Nov
- Daniel Higgs + David Maranha & Gabriel Ferrandini - ZDB 13 Nov
Concerto destaque: The Walkmen - Coliseu Recreios 14 Nov
08 novembro 2010
06 novembro 2010
Que se foda o fil colíns
Reflectir acerca de space rock é uma actividade chata, pelo menos tão aborrecida como ouvir os riffs do David Gilmour ou vasculhar a dentição da Mrs Archer, bibliotecária de meia idade, com aspecto de ter envelhecido em simultâneo com o contraplacado encortiçado onde terá espetado já mais de um milhão de pioneses, lingua disforme, molares de chumbo, etc.
Quem me trouxe à reflexão foram os Don Caballero, rapazes de Pittsburgh que tocam música instrumental aceitável ao ouvido naqueles dias de Outono em que o grau de exigência esteja ao ponto de nos sentarmos no sofá a ver uma série de ficção americana género Lost.
Para ser sincero, a unica razão que me leva a ouvi-los no meu iPod de vez em quando prende-se com os nomes que dão às musicas, a lembrar a equipa de futebol que formamos no secundário (A Revolta Da Carne de Porco à Alentejana, nome que depois caiu na banalidade gracas ao idiótico Luis Borges e o seu A Revolta dos Pastéis de Nata). De qualquer modo, nomes como Haven't Lived Afro Pop, Details on How to Get ICEMAN on Your License Plate ou A Lot of People Tell Me I Have a Fake British Accent são irresistiveis. A música, em si, faz as delícias de qualquer americano indie cool que tenha tido pouco contacto com Jim O'Rourke, não chegando portanto aos calcanhares de uns Mogwai.
Deixo-vos um Groove com American Don e outros. Digam-me de quem gostam mais.
05 novembro 2010
Altamont Recomenda
As Warpaint são banda já formada em 2004, mas só no passado mês de Outubro lançaram o seu primeiro álbum, The Fool. Esta é uma (boa) primeira amostra do mesmo, "Undertow".
04 novembro 2010
Álbum de Estimação: Black Merda - The Folk from the Mother's Mixer (2005)
Tive que ir aos arquivos para saber se já tinha falado deste álbum, merda, não tinha, há muito que queria fazê-lo. Black Merda. Muito bom. Durou pouco. Uns três aninhos entre 1970 e 1972. Se fosse um jornalista-de-rock-wannabe diria que o seu estilo se situaria entre o adjectivo tal da música do Jimi Hendrix e o adjectivo tal do outro adjectivo da música dos Funkadelic. E poria mais uns pozinhos de outra banda qualquer cujos membros seriam igualmente pretos igualmente de Detroit igualmente amigalhaços dos Black Panthers ou simplesmente da causa negra e igualmente com afros na cabeça e igualmente fumavam coisas ou igualmente usavam calças. É do tipo – só podia dar nisto!
Black Merda. Coitados, o que eles queriam é que o mundo os pronunciasse Murder, Black Murder. Imaginem-se negros americanos e tentem dizer Merda. Dá nisto. Sabiam lá eles que a música chegaria a um país em que Merda significasse Merda e não apenas Merda.
Uma grande merda no bom sentido da palavra – porque o há.
Só ficaram dois álbum, aqui juntos em cd. Visto que esta merda (farto de dizer asneiras) obviamente não estará disponível para venda em Portugal, saquem. É bom, não é nada de muito novo mas é muito bom, é alegre é triste é assim um pouco de tudo o que deveria ser, é azul e vermelho e tem riscas e facas com sangue, tem poeira do vinil e cheira a catinga e aqui em Moçambique tenho-me apercebido que a catinga é bem melhor que suor de taxista lisboeta – mesmo. Mas pessoal... MESMO.
P.S.: Este álbum é de 2005 apenas como compilação dos dois álbuns originais que remetem para 1970 e 1972.
P.S.: Este álbum é de 2005 apenas como compilação dos dois álbuns originais que remetem para 1970 e 1972.
03 novembro 2010
Duas mesas e eu na terceira
As escadas têm sempre o mesmo cheiro
Saí de casa dela
deixando-a com os meus cheiros
e as minhas mágoas,
agora dela.
Talvez daqui a dois meses
nos voltemos a ver
desta forma,
num subir indeciso
por aquelas escadas de quatro da manhã.
E então tudo volta
tudo nos volta.
As carícias esquecidas, os movimentos
de corpos carentes
sob luas desaparecidas.
Agora afastamo-nos
“não te quero ver,
fazes-me sofrer”,
esperamos que o tempo nos resfrie
e nos cure um do outro
porque o tempo dói mas
cura.
E daqui a dois meses
um telefonema
“estás por aí?”
“sobe.”
“são quatro da manhã.”
“não faz mal.” – e tudo recomeça.
Fotoreportagem: Seu Jorge e Almaz - Coliseu dos Recreios: 29-10-2010
Nova vida para a música brasileira.
Seu Jorge juntou 2 tipos da Nação Zumbi (um dos melhores grupos brasileiros dos últimos 20 anos) e fez uma nova banda. Com os Almaz, Seu Jorge deixa de lado o chorinho samba e bossa nova, e vai por caminhos mais próximos do rock, com cheiro a Copacabana. Mantém identidade brasileira, mas vai um bocado mais além do já conhecido. Têm algumas músicas originais e fazem versões, por exemplo, Michael Jackson e Kraftwerk (é sempre engraçado ouvir um brazuca a cantar inglês).
Boa banda, com excelentes músicos, que já têm mais músicas novas e por isso é de esperar novo disco.
02 novembro 2010
Álbum Fresquinho: Wolf Parade - "Expo 86"
Este não é um álbum tão fresquinho como outros que aqui já foram colocados (foi lançado já em Junho deste ano), mas como no iPod e na minha cabeça ainda soa a fresco, achei por bem dedicar-lhe algum tempo de antena aqui no Altamont.
Expo 86 é o terceiro álbum dos Wolf Parade, banda de Vancouver, Canadá, cujos membros são muito promíscuos em relação à música, dada a longa listagem de bandas em que cada um contribui ou já contribuiu no passado (onde se inclui Handsome Furs, Sunset Rubdown, Hot Hot Heat e mesmo Arcade Fire). Talvez toda esta promiscuidade seja factor decisivo para se reunirem como Wolf Parade e fazerem grandes discos de rock, e este Expo 86 é mais um, após os anteriores Apologies to Queen Mary e At Mount Zoomer.
Em relação a estes, este novo álbum parece muito mais cru. A banda admite que houve mudança na sua forma de trabalhar, deixando mais espaço ao improviso e menor trabalho de edição e produção final e isso nota-se, diria até que há momentos que parece estarmos num ensaio. Mas não se pense que com isto ficamos a perder, longe disso, a experiência que vão tendo já lhes permite um maior nível de risco e ousadia e é mantido o principal ingrediente da banda - a energia, que nos é entregue através de riffs, distorção, uivos e uma bateria persistente e por vezes insana. É também um álbum que preza pela regularidade, sempre mantendo um nível forte. Spencer Krug e Dan Boeckner revezam na voz e na composição de músicas e quase não se nota de onde vem cada uma.
Não tomo mais o vosso tempo e atenção, a não ser para enfatizar o poderio de "Cave-o-Sapien", música que, sendo a última, não se limita a fechar o disco, fá-lo de uma forma simplesmente arrasadora. É ouvir.
Expo 86 é o terceiro álbum dos Wolf Parade, banda de Vancouver, Canadá, cujos membros são muito promíscuos em relação à música, dada a longa listagem de bandas em que cada um contribui ou já contribuiu no passado (onde se inclui Handsome Furs, Sunset Rubdown, Hot Hot Heat e mesmo Arcade Fire). Talvez toda esta promiscuidade seja factor decisivo para se reunirem como Wolf Parade e fazerem grandes discos de rock, e este Expo 86 é mais um, após os anteriores Apologies to Queen Mary e At Mount Zoomer.
Em relação a estes, este novo álbum parece muito mais cru. A banda admite que houve mudança na sua forma de trabalhar, deixando mais espaço ao improviso e menor trabalho de edição e produção final e isso nota-se, diria até que há momentos que parece estarmos num ensaio. Mas não se pense que com isto ficamos a perder, longe disso, a experiência que vão tendo já lhes permite um maior nível de risco e ousadia e é mantido o principal ingrediente da banda - a energia, que nos é entregue através de riffs, distorção, uivos e uma bateria persistente e por vezes insana. É também um álbum que preza pela regularidade, sempre mantendo um nível forte. Spencer Krug e Dan Boeckner revezam na voz e na composição de músicas e quase não se nota de onde vem cada uma.
Não tomo mais o vosso tempo e atenção, a não ser para enfatizar o poderio de "Cave-o-Sapien", música que, sendo a última, não se limita a fechar o disco, fá-lo de uma forma simplesmente arrasadora. É ouvir.
Concertos da Semana - 2 a 7 de Novembro
Chega Novembro e chegam também os grandes concertos. Infelizmente Arcade Fire foi cancelado mas nem esse grande rombo é capaz de retirar peso a este mês. Para começar a semana, após feriado, temos hoje, dia 2, o ex-Afghan Whigs, Greg Dulli, no Santiago Alquimista.
Numa onda electrónica, temos os Crystal Castles, no Porto, no teatro Sá da Bandeira, dia 4.
No dia seguinte, o aquário da ZDB apresenta uma proposta bastante interessante. Scout Niblett, Sun Araw e U.S. Girls tudo no mesmo dia. Sem dúvida a não perder.
Numa onda electrónica, temos os Crystal Castles, no Porto, no teatro Sá da Bandeira, dia 4.
No dia seguinte, o aquário da ZDB apresenta uma proposta bastante interessante. Scout Niblett, Sun Araw e U.S. Girls tudo no mesmo dia. Sem dúvida a não perder.
Finalmente, o grande dia da semana chega a 7, na Aula Magna, com a entrada em cena dos Broken Social Scene.
01 novembro 2010
que se foda o fil colíns
Conheci a Colleen (verdadeiro nome Cécile Schott, não confundir, portanto, com o filantropo Fil Colíns) em Palmela no seu afamado Castelo que por tantas vezes se vê de Lisboa, por detrás de uma bruma, quando a há, em 2006. Do que dela sabia eram os dois primeiros albuns, The Gold Morning Breaks e o Everyone Alive Wants Answers (bom título, este, cuja tradução directa seria Todos Os Vivos Querem Respostas, mas o que me fica a martelar na cabeca eh Os Mortos Não Fazem Perguntas, e isso só poderá ser porque esses encontraram já todas as respostas). O que me agrada dos supra citados trabalhos é a delicadeza líquida intra-uterina das composições sem cair na lamechice que por vezes se encontra nalguns projectos nórdicos (Lau Nau, por exemplo, soa a adolescentes tranvestidos pining for the fjords). Os loops de Colleen parecem samplados duma forma antiga, tão antiga como caixas de música (apesar de não terem sido utilizados estes objectos musicais no processo de construção).
De facto era isso que diziam dela, música trazida de uma infância que nunca aconteceu and all that. Corridos esses dois muito aceitáveis discos, Cécile teve a brilhante ideia de começar a fazer musica com justamente caixas de musica - if it sounds like them, it has to have them. O concerto incluíu a participação dos Naja Orchestra - aos quais foi incumbida a tarefa de samplarem a Cécile por cima do que ela ia fazendo - no que acabou por ser uma desgraça do caralho.
Deixo-vos aqui o segundo e terceiro discos de Colleen, Everyone Alive Wants Answers e Colleen Et Les Boites A Musique para o caso de haver por aí algum leitor capaz de sobreviver à ideia de que musica electronica não é equivalente a bunz bunz bunz txiga-bunz bunz e que esteja num dia mais melancólico e num estado de espirito meio parolo, o que, entre vós, não há-de ser ser muito difícil ahahah.
PS: esta música é mais ao jeito de fechar a semana; para a começar sugeria o meu post anterior.
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