Seu Jorge juntou 2 tipos da Nação Zumbi (um dos melhores grupos brasileiros dos últimos 20 anos) e fez uma nova banda. Com os Almaz, Seu Jorge deixa de lado o chorinho samba e bossa nova, e vai por caminhos mais próximos do rock, com cheiro a Copacabana. Mantém identidade brasileira, mas vai um bocado mais além do já conhecido. Têm algumas músicas originais e fazem versões, por exemplo, Michael Jackson e Kraftwerk (é sempre engraçado ouvir um brazuca a cantar inglês).
Boa banda, com excelentes músicos, que já têm mais músicas novas e por isso é de esperar novo disco.
Este não é um álbum tão fresquinho como outros que aqui já foram colocados (foi lançado já em Junho deste ano), mas como no iPod e na minha cabeça ainda soa a fresco, achei por bem dedicar-lhe algum tempo de antena aqui no Altamont. Expo 86 é o terceiro álbum dos Wolf Parade, banda de Vancouver, Canadá, cujos membros são muito promíscuos em relação à música, dada a longa listagem de bandas em que cada um contribui ou já contribuiu no passado (onde se inclui Handsome Furs, Sunset Rubdown, Hot Hot Heat e mesmo Arcade Fire). Talvez toda esta promiscuidade seja factor decisivo para se reunirem como Wolf Parade e fazerem grandes discos de rock, e este Expo 86 é mais um, após os anteriores Apologies to Queen Mary e At Mount Zoomer.
Em relação a estes, este novo álbum parece muito mais cru. A banda admite que houve mudança na sua forma de trabalhar, deixando mais espaço ao improviso e menor trabalho de edição e produção final e isso nota-se, diria até que há momentos que parece estarmos num ensaio. Mas não se pense que com isto ficamos a perder, longe disso, a experiência que vão tendo já lhes permite um maior nível de risco e ousadia e é mantido o principal ingrediente da banda - a energia, que nos é entregue através de riffs, distorção, uivos e uma bateria persistente e por vezes insana. É também um álbum que preza pela regularidade, sempre mantendo um nível forte. Spencer Krug e Dan Boeckner revezam na voz e na composição de músicas e quase não se nota de onde vem cada uma.
Não tomo mais o vosso tempo e atenção, a não ser para enfatizar o poderio de "Cave-o-Sapien", música que, sendo a última, não se limita a fechar o disco, fá-lo de uma forma simplesmente arrasadora. É ouvir.
Chega Novembro e chegam também os grandes concertos. Infelizmente Arcade Fire foi cancelado mas nem esse grande rombo é capaz de retirar peso a este mês. Para começar a semana, após feriado, temos hoje, dia 2, o ex-Afghan Whigs, Greg Dulli, no Santiago Alquimista.
Numa onda electrónica, temos os Crystal Castles, no Porto, no teatro Sá da Bandeira, dia 4.
No dia seguinte, o aquário da ZDB apresenta uma proposta bastante interessante. Scout Niblett, Sun Araw e U.S. Girls tudo no mesmo dia. Sem dúvida a não perder.
Finalmente, o grande dia da semana chega a 7, na Aula Magna, com a entrada em cena dos Broken Social Scene.
Conheci a Colleen (verdadeiro nome Cécile Schott, não confundir, portanto, com o filantropo Fil Colíns) em Palmela no seu afamado Castelo que por tantas vezes se vê de Lisboa, por detrás de uma bruma, quando a há, em 2006. Do que dela sabia eram os dois primeiros albuns, The Gold Morning Breaks e o Everyone Alive Wants Answers (bom título, este, cuja tradução directa seria Todos Os Vivos Querem Respostas, mas o que me fica a martelar na cabeca eh Os Mortos Não Fazem Perguntas, e isso só poderá ser porque esses encontraram já todas as respostas). O que me agrada dos supra citados trabalhos é a delicadeza líquida intra-uterina das composições sem cair na lamechice que por vezes se encontra nalguns projectos nórdicos (Lau Nau, por exemplo, soa a adolescentes tranvestidos pining for the fjords). Os loops de Colleen parecem samplados duma forma antiga, tão antiga como caixas de música (apesar de não terem sido utilizados estes objectos musicais no processo de construção).
De facto era isso que diziam dela, música trazida de uma infância que nunca aconteceu and all that. Corridos esses dois muito aceitáveis discos, Cécile teve a brilhante ideia de começar a fazer musica com justamente caixas de musica - if it sounds like them, it has to have them. O concerto incluíu a participação dos Naja Orchestra - aos quais foi incumbida a tarefa de samplarem a Cécile por cima do que ela ia fazendo - no que acabou por ser uma desgraça do caralho.
Deixo-vos aqui o segundo e terceiro discos de Colleen, Everyone Alive Wants Answers eColleen Et Les Boites A Musiquepara o caso de haver por aí algum leitor capaz de sobreviver à ideia de que musica electronica não é equivalente a bunz bunz bunz txiga-bunz bunz e que esteja num dia mais melancólico e num estado de espirito meio parolo, o que, entre vós, não há-de ser ser muito difícil ahahah.
PS: esta música é mais ao jeito de fechar a semana; para a começar sugeria o meu post anterior.
A discussão desta semana roda à volta da eterna luta Concertos vs Festivais.
1)Preferem ver um concerto de uma banda, a qual prepara um set maior e, talvez, mais intimista ou um festival onde podem ver algumas das vossas bandas favoritas tocar um set pequeno mas, em compensação, descobrir aqui e ali algumas bandas que, caso contrário poderiam nem sequer ouvir falar delas.
2)Qual o ambiente que mais vos agrada? O do festival, geralmente de verão, onde, por vezes, há uma misturada de tribos, e decorre, por norma, durante 3/4 dias ou o do concerto onde se vai apenas para uma banda e já está.
Ficam aqui as perguntas. Espero, então, a vossa opinião.
Anda por aí um novo álbum dos Deerhunter, de nome de dificil pronúncia - Halcyon Digest. Não sei o que quer dizer, mas queria deixar aqui uma boa amostra do que estes senhores andam a fazer. Parece-me que tem o seu q de interesse (depois se apetecer a alguém que se disponibilize a explicar aqui abaixo na caixinha dos comentários o que quer dizer esta expressão "q de interesse" porque eu uso-a mas não sei bem explicar a coisa) Dito isto, enjoy!
No ano 2000 saía da cabeça, e dos dedos, de Ian Parton um projecto ao qual chamou The Go! Team. Nome irónico, porque na altura a equipa era só ele, e a sua maquinaria. Só em 2004 se formou banda, quando foi preciso tocar num festival e Ian Parton viu que precisava de mais gente para dar um concerto. Foi recrutando pessoas, algumas por anúncios no jornal, e assim formou o grupo, um sexteto.
O primeiro disco, Thunder Lightning Strike, é lançado em 2004, e entra de rompante na cena musical internacional, tão rompante como a música deste disco e como o próprio título indicia.
Este álbum entra na categoria dos incategorizáveis. Não pertence a nenhum género específico, não se cola a nenhuma época concreta. É antes um emaranhado de sons e vozes, que fazem deste um álbum de PresentePassadoFuturo. Tudo ao mesmo tempo.
O som dos Go! Team é uma manta de retalhos. Tudo começa num trabalhoso processo de corta e cola, com uma série de samples, dos mais variados possíveis, desde temas de anúncios da televisão dos anos 70, excertos de músicas de Dolly Parton a Quincy Jones, temas de filmes, e por aí em diante, até onde a imaginação levar. Com esta base, são depois introduzidos instrumentos – guitarras, secção rítmica, sopros, teclas – e vozes.
O resultado é uma salada sonora, com músicas anacrónicas, que representam exactamente todos os tempos verbais – são feitas no presente, com técnicas do futuro, e muitas vezes remetem para um passado (feito com muito soul e funk ). Cada música é uma construção que leva várias camadas de sons e outros elementos.
O tom é basicamente de festa, descarga de energia, instantânea, que sai de cada nota directamente para a cabeça e para o corpo. Músicas como “Huddle Formation” ou “Junior Kickstart” são dessas, frenéticas, que fazem os pés e as pernas abanar. Há no disco um ou outro momento mais calmo (“Feelgood by Numbers”), que serve para descansar o corpo, antes de voltar à algazarra dançante. Depois, é voltar ao início. Este é um disco para ouvir em repeat, com 11 músicas em pouco mais de 30 minutos.
Um primeiro disco é quase sempre um disco de estimação, ou porque os seguintes são bons, ou porque os seguintes são maus. Neste caso o seguinte é igualmente bom, mas menos ingénuo, e por isso guarda-se com estima esta primeira aventura.
Grande actuação de uma grande banda. Lotação esgotada no São Jorge, não para ver um filme, mas para ver a sua banda sonora.
Os Dead Combo são uma dupla, guitarra e contra-baixo. As músicas são instrumentais, e quando há voz, não é para cantar, mas antes para falar, ou recitar, ou simplesmente vociferar.
Os Dead Combo já tinham provado que são um projecto diferente no panorama nacional, não são mais do mesmo. Trazem frescura e uma abordagem western à canção portuguesa (uma das músicas é fado eléctrico não cantado), e já tinham mostrado que são dois músicos cultos.
Agora, surgem ao vivo com a Royal Orquestra das Caveiras - 3 sopros, bateria e piano - que vem dar ainda mais densidade e impacto ao filme sonoro que se apresneta em palco, com os realizadores, Tó Trips e Pedro Gonçalves, encarregam-se de gritar luzes camera acção.
Esta nova abordagem que os Dead Combo fizeram à sua própria música, ao incluir uma royal orquestra, veio refrescar aquilo que podia começar a entrar numa espiral de repetição - mesmo com todo o virtuosismo que há naqueles 10 dedos, 2 instrumentos de cordas, sozinhos, acabam por esgotar as possibilidades de exploração.