Anda por aí um novo álbum dos Deerhunter, de nome de dificil pronúncia - Halcyon Digest. Não sei o que quer dizer, mas queria deixar aqui uma boa amostra do que estes senhores andam a fazer. Parece-me que tem o seu q de interesse (depois se apetecer a alguém que se disponibilize a explicar aqui abaixo na caixinha dos comentários o que quer dizer esta expressão "q de interesse" porque eu uso-a mas não sei bem explicar a coisa) Dito isto, enjoy!
29 outubro 2010
Altamont Recomenda
28 outubro 2010
Álbum de Estimação: The Go! Team – "Thunder, Lightning, Strike" (2004)

No ano 2000 saía da cabeça, e dos dedos, de Ian Parton um projecto ao qual chamou The Go! Team. Nome irónico, porque na altura a equipa era só ele, e a sua maquinaria. Só em 2004 se formou banda, quando foi preciso tocar num festival e Ian Parton viu que precisava de mais gente para dar um concerto. Foi recrutando pessoas, algumas por anúncios no jornal, e assim formou o grupo, um sexteto.
O primeiro disco, Thunder Lightning Strike, é lançado em 2004, e entra de rompante na cena musical internacional, tão rompante como a música deste disco e como o próprio título indicia.
Este álbum entra na categoria dos incategorizáveis. Não pertence a nenhum género específico, não se cola a nenhuma época concreta. É antes um emaranhado de sons e vozes, que fazem deste um álbum de PresentePassadoFuturo. Tudo ao mesmo tempo.
O som dos Go! Team é uma manta de retalhos. Tudo começa num trabalhoso processo de corta e cola, com uma série de samples, dos mais variados possíveis, desde temas de anúncios da televisão dos anos 70, excertos de músicas de Dolly Parton a Quincy Jones, temas de filmes, e por aí em diante, até onde a imaginação levar. Com esta base, são depois introduzidos instrumentos – guitarras, secção rítmica, sopros, teclas – e vozes.
O resultado é uma salada sonora, com músicas anacrónicas, que representam exactamente todos os tempos verbais – são feitas no presente, com técnicas do futuro, e muitas vezes remetem para um passado (feito com muito soul e funk ). Cada música é uma construção que leva várias camadas de sons e outros elementos.
O tom é basicamente de festa, descarga de energia, instantânea, que sai de cada nota directamente para a cabeça e para o corpo. Músicas como “Huddle Formation” ou “Junior Kickstart” são dessas, frenéticas, que fazem os pés e as pernas abanar. Há no disco um ou outro momento mais calmo (“Feelgood by Numbers”), que serve para descansar o corpo, antes de voltar à algazarra dançante. Depois, é voltar ao início. Este é um disco para ouvir em repeat, com 11 músicas em pouco mais de 30 minutos.
Um primeiro disco é quase sempre um disco de estimação, ou porque os seguintes são bons, ou porque os seguintes são maus. Neste caso o seguinte é igualmente bom, mas menos ingénuo, e por isso guarda-se com estima esta primeira aventura.
27 outubro 2010
Fotoreportagem: Dead Combo - Cinema São Jorge: 26-10-2010
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| (clickar aqui para mais fotos do concerto) |
Grande actuação de uma grande banda. Lotação esgotada no São Jorge, não para ver um filme, mas para ver a sua banda sonora.
Os Dead Combo são uma dupla, guitarra e contra-baixo. As músicas são instrumentais, e quando há voz, não é para cantar, mas antes para falar, ou recitar, ou simplesmente vociferar.
Os Dead Combo já tinham provado que são um projecto diferente no panorama nacional, não são mais do mesmo. Trazem frescura e uma abordagem western à canção portuguesa (uma das músicas é fado eléctrico não cantado), e já tinham mostrado que são dois músicos cultos.
Agora, surgem ao vivo com a Royal Orquestra das Caveiras - 3 sopros, bateria e piano - que vem dar ainda mais densidade e impacto ao filme sonoro que se apresneta em palco, com os realizadores, Tó Trips e Pedro Gonçalves, encarregam-se de gritar luzes camera acção.
Esta nova abordagem que os Dead Combo fizeram à sua própria música, ao incluir uma royal orquestra, veio refrescar aquilo que podia começar a entrar numa espiral de repetição - mesmo com todo o virtuosismo que há naqueles 10 dedos, 2 instrumentos de cordas, sozinhos, acabam por esgotar as possibilidades de exploração.
Há vitalidade nos Dead Combo.
Duas mesas e eu na terceira: Quando escutado no momento certo
Hoje a tipa bazou de casa.
Adeus.
Não te quero ver mais, és feia e és doente e guardas a escova de dentes
no quarto.
Não cheiras mal mas apetecia-me dizer que
cheiras mal.
Quando te sentes mal
dizes “Estou doentxinha”
num sorriso demencial.
É espanhola mas aprendeu português no Brasil,
lhe disse que não
não podia levar a cama da casa que deixara
de pagar.
Dizia que a cama já tinha a forma dela
e achou-me um ditador satânico por não deixá-la
levar a cama.
Adeus.
O meu melhor amigo nesta cidade
apaixonou-se por ela
apesar dela ser louca e guardar a escova de dentes
no quarto
e não usar o bengaleiro
nem deixar os sapatos na despensa
nem a toalha na casa de banho
nem nunca ter deixado uma mola de cabelo ou umas chaves
na mesa da sala,
apaixonou-se apesar de ter namorada
e apesar do único contacto que quer ter com ela é em forma de
festinhas no braço,
barriga no máximo
e gosta da tipa apesar dela nunca ter dito uma frase de jeito
e apesar do único contacto que quer ter com ela é em forma de
festinhas no braço,
barriga no máximo
e gosta da tipa apesar dela nunca ter dito uma frase de jeito
em três meses de convivência.
Tenho uma empregada chamada Nafta
que anda no 6º ano da escola e com quem tenho conversas mais interessantes
do que com ela
e então deixei de ter o meu amigo
porque ao zangar-me com ela zanguei-me com
Ao invés tenho uma casa com três quartos,
uma liquidificadora uma tostadeira uma panela de teflan um wok e uma faca de cozinha
daquelas boas.
Ela levou a mangueira da botija de gás
e hoje não posso cozinhar.
Levou também o boião onde tinha o açúcar
e o caixote do lixo da cozinha
e o da casa-de-banho
e mais algumas coisas.
Acho que fiquei com o mais importante,
que acham?
E como este é um blog sobre música
eu digo:
neil young é maningue nice
quando escutado no momento certo.
Etiquetas:
Duas mesas e eu na terceira,
Ico Costa,
Neil Young
26 outubro 2010
Álbum Fresquinho: Best Coast - "Crazy For You"
Os Best Coast já tinham sido alvo de um Recomenda no passado mês de Julho, mas entretanto lançaram o seu primeiro LP, este Crazy For You, e, a meu ver, não foi feita a devida saliência ao mesmo.
Primeiro que tudo, começo por dizer que chamar isto de um Long Play pode parecer um pouco falacioso, uma vez que contando com o bonus track totaliza uns meros 31 minutos. O que chateia um bocado, porque chega ao fim rápido e temos de carregar no play outra vez e outra e outra, até chegarmos a um ponto de saciamento que parece nunca chegar. Sabe bem ouvir este álbum, principalmente por parecer simples. Letras simples sobre relações com rapazes, sobre being lazy, sobre o tempo, arranjos simples e formato standard rock guitarra baixo e bateria. Parece tão simples que até dói. Numa altura que aparecem diariamente bandas novas a ser faladas em blogs, sites, etc, torna-se cada vez mais dificil separar o trigo do joio, mas parece-me que estes Best Coast são mais trigo. Bethany Consentino e o seu parceiro multi-instrumentista Bobb Bruno ganharam pelo menos uma oportunidade de me provar se estarei certo ou errado, enquanto este Crazy For You me for acompanhando por uns tempos próximos com o seu surf-pop-garage-whatever. Play.
25 outubro 2010
Concertos da Semana - 25 a 31 de Outubro
Ora bem, a apenas uma semana de começar um dos meses mais empolgantes em Portugal, mais concretamente em Lisboa, no que diz respeito a concertos, esta não é o que se pode chamar uma semana muito rica, especialmente em comparação com o que vem aí.
Deste modo o destaque desta semana vai, essencialmente para uma série de concertos a realizar na sala principal do cinema São Jorge. Começa a 26 com os Dead Combo ajudados com Royal Orquestra das Caveiras. Seguem-se os Virgem Suta a 27 e os Orelha Negra, uma das boas surpresas nacionais, a 28. Nos últimos dias do mês, os Moonspell apresentam, também no São Jorge, "Sombra", um espectáculo "semi-acústico"das suas canções mais conhecidas.
A nível internacional passarão, também, por cá nomes como os A Flock of Seagulls, acabadinhos de regressar dos anos 80, esta banda "one hit wonder", tentará chamar o público português, hoje na Aula Magna, à conta do seu êxito com quase 30 anos, "I Ran (So Far Away)"
Com mais interesse assistiremos ao regresso dos britânicos Tindersticks no Coliseu, dia 28 e do brasileiro Seu Jorge no Coliseu, a 29.
Para fechar o mês, celebrando o Halloween, Manel João Vieira, propõe uma festa no seu espaço, Maxime, com a sua banda, Irmãos Catita.
(para mais concertos, ver Agenda na barra lateral)
Deste modo o destaque desta semana vai, essencialmente para uma série de concertos a realizar na sala principal do cinema São Jorge. Começa a 26 com os Dead Combo ajudados com Royal Orquestra das Caveiras. Seguem-se os Virgem Suta a 27 e os Orelha Negra, uma das boas surpresas nacionais, a 28. Nos últimos dias do mês, os Moonspell apresentam, também no São Jorge, "Sombra", um espectáculo "semi-acústico"das suas canções mais conhecidas.
A nível internacional passarão, também, por cá nomes como os A Flock of Seagulls, acabadinhos de regressar dos anos 80, esta banda "one hit wonder", tentará chamar o público português, hoje na Aula Magna, à conta do seu êxito com quase 30 anos, "I Ran (So Far Away)"
Com mais interesse assistiremos ao regresso dos britânicos Tindersticks no Coliseu, dia 28 e do brasileiro Seu Jorge no Coliseu, a 29.
Para fechar o mês, celebrando o Halloween, Manel João Vieira, propõe uma festa no seu espaço, Maxime, com a sua banda, Irmãos Catita.
(para mais concertos, ver Agenda na barra lateral)
23 outubro 2010
Que se foda o fil colíns
Imaginemos o homem na pré-historia quando descobriu que as construções não são apenas as feitas de pedras, paus e colmo mas também dos sons que surgem dum tronco oco de árvore antiga. Ou mesmo dos sons que vem dos pulmões dos homens (quando ainda não havia nome para a caverna que existe no interior do peito), que emergem em murmúrios durante as caminhadas. Terá pensado em silencio nas imensas possibilidades da sua descoberta? Terá a musica precedido a linguagem? E sem linguagem terá conseguido formular no seu cérebro este tipo de descobertas? Terá apenas explorado sem preocupações intelectuais?
Paul Gauguin no auge do período industrial apercebendo-se da sua própria sujidade interior tentou, primeiro nas aldeias perdidas da Bretanha e mais tarde nas colónias francesas da Polinésia, atingir um estado mais selvagem, considerado por ele um estado mais puro. Não encontrou esse estado primordial com que sonhou e acabou ate por morrer de doença de homem branco, transmitida num coito lamacento, na certeza de que não existe já um espírito que seja que esteja livre da corrupção.
Indicações: A altura ideal para escutar esta obra nipónica é precisamente nos vossos escritórios ou na comuta (perdoem-me o inglesismo) diária se for feita de metro ou comboio. Em alternativa, durante um concerto de Green Day ou de uma banda tributo aos Led Zepellin. Ponham headphones, claro. E não estou a brincar.
Eu sugeria sacarem esta el paso inferior, ou, melhor, comprarem-na online, do que estarem a ouvi-la aos bocados no youtube.
22 outubro 2010
Discussão à 6ª: O Fade-out
O tema que queria lançar para cima da mesa/vosso monitor de computador hoje é o do Fade-out, aquela opção que os músicos têm de acabar uma música pura e simplesmente baixando o som da mesma até se atingir o silêncio. Temos muito e muitos casos de artistas que optam por esta solução. Será preguiça? Desleixo? Ou opção técnica e assumida como melhor? Na minha opinião, todas as músicas deveriam ter um ponto final em vez de 3 pontos, porque o final realmente marca, fica no ouvido e acaba por ser uma referência. Apresento-vos em baixo um caso muito recente que a mim me surpreendeu, porque a música parece que ganha ali uma nova vida e depois acaba.
E outra da mesma banda do mesmo álbum com um fim aparentemente mais trabalhado, pensado e que a meu ver tem maior impacto.
É bastante complicado discutir arte, mas neste caso específico gostava de saber qual a vossa opinião sobre o Fade-out? Vale como opção ou eles deviam pensar em algo mais?
Altamont Recomenda
Não é uma banda nova, mas apenas um video novo para uma excelente música do último álbum e acompanha o anúncio que vêm cá em Maio de 2011 pelo que me pareceu relevante de aqui colocar também.
Enjoy!
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