Este é um blogue de música e já lá vou ao que verdadeiramente interessou na edição deste ano do Super Bock Super Rock. No entanto, tudo o que se passou no Meco à parte da música foi mau de mais. Houve pessoas que demoraram duas horas e meia para percorrer os últimos 5 km até chegar ao recinto do festival e duas horas para sair. O local não tem as mínimas condições para receber um festival, que até nem teve tanta gente quanto isso (22 mil pessoas no primeiro dia, 24 mil no segundo e 30 mil no terceiro). Para além disso, a quantidade de poeira tornava o ar irrespirável. Querem que o Super Bock continue no Meco, mas não podemos permitir! É bonito e tem árvores? Quero lá saber! Meu querido Alive, onde vejo os concertos num antigo parque de estacionamento, mas que é um local com todas as condições e acessos para receber um festival...
Vamos à música! Esclarecendo que me foi obviamente impossível assistir a todos os concertos (muitos decorreram ao mesmo tempo) o meu preferido foi o dos Vampire Weekend. Indie-pop refrescante, mostrando que uma banda pode fazer grande música para massas. É natural que cada vez mais gente goste de Vampire Weekend e isso não tem mal nenhum. Os rapazes de Brooklin mostraram como se faz um grande concerto: simples, directo, comunicação q.b. com o público e energia contagiante.
Os Temper Trap já confessaram que um dia sonham ser tão conhecidos como os Coldplay ou os U2. E desta vaga de novas bandas parecem de facto ser dos mais aptos para se tornarem dos preferidos do público "mainstream". O vocalista enche o palco e têm sem dúvida grandes músicas. Também foi um grande concerto.
Numa sonoridade completamente diferente, mais dançável, os Cut Copy também arrasaram. Este foi de resto o festival dos australianos. The Temper Trap, Cut Copy e Empire of The Sun protagonizaram dos melhores concertos. Estes últimos montaram um espectáculo visual fantástico a fechar o festival, misturado com boa música.
Para mim, a grande desilusão do festival foi Julian Casablancas. Ao que parece por culpa de uma indisposição. Segundo nos informou o nosso amigo Dudu, que trabalhou no festival, o vocalista dos Strokes sentiu-se mal, o que levou ao atraso do concerto em 20 minutos, que depois não foi compensado. E apesar de não ter sido um mau concerto, para além de tempo faltou chama.
Quanto a Prince, a principal razão para muitas pessoas terem ido ao Meco, foi o que se esperou. Ele é um entertainer por excelência e mesmo que uma pessoa não seja apreciadora do seu som, acaba por passar um tempo agradável. Foi o que aconteceu.
Para o ano há mais Super Bock! Esperemos que noutro local...
21 julho 2010
20 julho 2010
Super Bock Super Rock em Fotos
Foi o melhor festival do ano. E não é preciso esperar pelos próximos para ter já a certeza.
19 julho 2010
Super Rock Super Bock 2010
Meco. São onze da manhã. Arranco para Lisboa. A meio do caminho da estrada que liga Alfarim ao cruzamento para Fernão Ferro, não posso deixar de reparar no esqueleto moribundo da” cidade SBSR” cujas estruturas se desmontam a passos largos; na quantidade de lixo acumulado no chão; no ar sujo dos carros; no ar cansado das pessoas que procuram um transporte que tarda em chegar. Apesar disso: tudo calmo. O bosque regressa à sua paz natural.
Um cenário bem diferente das horas precedentes em que uma multidão estimada em 50 mil pessoas (e seus respectivos automóveis) entupiram por completo toda a área que circundava o festival. Eu já vou há mais de 10 anos para o Meco e nunca tinha assistido a nada assim. O trânsito parava à porta de minha casa! Bem no centro da Aldeia! Eram oito e meia da noite.
Solução: ir a pé. 5 Quilómetros nunca antes vistos. Num cenário dantesco, (e a lembrar os melhores filmes de Hollywood sobre catástrofes) em que vi pessoas a abandonar os seus carros no meio da estrada para não perderem pitada do que se passava no recinto do festival. Não os censuro. Mas a Organização, (“A Musica no Coração”) terá de pensar melhor na questão dos transportes quando fizer o “SBSR 2011”. Uma entrada e uma saída, aliada á aflição da GNR (incapaz de sustentar o trânsito) deu num pavoroso caos em que cheguei a ouvir relatos de pessoas dizer que “nem sequer ouviram uma música de Prince” porque o carro simplesmente: não passava!
Mau de mais. Felizmente, o ambiente lá dentro foi melhor. Apesar da constante nuvem de pó (outra questão para o Sr. Montez pensar) que nos atormentava a respiração e a tosse (preta), pode-se dizer que as coisas lá iam andando. Os comes e bebes funcionavam, a venda de tabaco também, as casas de banho mais ou menos e uma enorme vontade de ver o “Sexy Motherfucker” estampada no rosto de todos que lá estavam. Já lá vamos…
Há hora que cheguei ao recinto (quase dez da noite) ainda deu tempo parta ver um pouco da actuação dos “The National”. Um concerto morno e que só deve ter aquecido quem gosta a sério dos autores de “Fake Empire”. De resto, o seu rock introspectivo não é para palcos desta envergadura.
Por isso fui espreitar actuação revivalista da norte-americana Sharon Jones e os seus “Dap Kings”. Um grande concerto que transportou o público para o Teatro Apollo, do Harlem dos anos 60! Com um alargado conjunto de músicos, (a fazer lembrar as ”big-bands” que acompanhavam James Brown ou Ray Charles) a enérgica Jones fartou-se de pular, dançar e sobretudo cantar como se fosse a junção das almas de Aretha Franklin e Tina Turner. “Let´s Get on the Soul Train”, gritava ela. Uma maravilha.
Finda a actuação de “Miss Jones”, foi hora de abastecer o estômago e esperar alguns minutos pela actuação dos australianos, “John Butlker Trio”. Mais um grande espectáculo em que esta banda exibiu que os Blues, Funk, combinados com algumas jams à mistura e um “look” surfista podem ser ingredientes q.b para por uma plateia a dançar. Foram apenas prejudicados pelo facto de actuarem quase á hora de um tal de Prince Rogers Nelson!
Foi um corre-corre até lá abaixo ao palco principal, onde já me esperava o famoso “Símbolo” do “Artista” que dava mote ao inicio do concerto. E sem mais demoras. Lá estava ele, “very funky indeed”, a esbracejar e a dançar como um James Brown e a solar na sua telecaster como um Jimi Hendrix. Um autêntico “showman”. Um mestre na arte de representar emoções através da música.
E apesar de ter novo disco em 2010 (“20Ten”), foi com os velhos êxitos que Prince soube cativar e dominar uma plateia encantada com os seus passos e trejeitos. Tocou de rajada os seus primeiros hits, “1999” e “Little Red Corvette”. Mostrou que a sua “versão” de “Nothing Compares 2U” é melhor que a de Sinnead O´Connor. Gritou por Portugal em “Kiss”. Exibiu os seus dotes de dançarino em “U Got the Look” e pôs o povo todo a cantar um fantástico “Cream…Get on Top”!
Antes de fechar com o épico “Purple Rain”, houve tempo ainda para se ouvir cantar o fado pela voz de Ana Moura que curiosamente não cantou um dueto com Prince, mas fez com que este por momentos assumisse um papel “secundário” de mero guitarrista de Alfama com apenas uma diferença: a guitarra eléctrica. Inesquecível. Uma “lição de mestre” de um artista que finalmente está em paz consigo próprio e com, o público. “Deste Prince”, já todos tínhamos saudades…
Acabado o concerto, instalou-se novamente o “caos” fora do recinto. Filas de trânsito dignas do filme “Woodstock” começaram a tomar forma. Foi um “ver se te avias” monumental. Sorte a minha que apanhei boleia com duas enfermeiras que iam para o Meco. Menos afortunadas ficaram as minhas roupas e a minha garganta: cheias de pó!
Adeus e até para o ano…
Um cenário bem diferente das horas precedentes em que uma multidão estimada em 50 mil pessoas (e seus respectivos automóveis) entupiram por completo toda a área que circundava o festival. Eu já vou há mais de 10 anos para o Meco e nunca tinha assistido a nada assim. O trânsito parava à porta de minha casa! Bem no centro da Aldeia! Eram oito e meia da noite.
Solução: ir a pé. 5 Quilómetros nunca antes vistos. Num cenário dantesco, (e a lembrar os melhores filmes de Hollywood sobre catástrofes) em que vi pessoas a abandonar os seus carros no meio da estrada para não perderem pitada do que se passava no recinto do festival. Não os censuro. Mas a Organização, (“A Musica no Coração”) terá de pensar melhor na questão dos transportes quando fizer o “SBSR 2011”. Uma entrada e uma saída, aliada á aflição da GNR (incapaz de sustentar o trânsito) deu num pavoroso caos em que cheguei a ouvir relatos de pessoas dizer que “nem sequer ouviram uma música de Prince” porque o carro simplesmente: não passava!
Mau de mais. Felizmente, o ambiente lá dentro foi melhor. Apesar da constante nuvem de pó (outra questão para o Sr. Montez pensar) que nos atormentava a respiração e a tosse (preta), pode-se dizer que as coisas lá iam andando. Os comes e bebes funcionavam, a venda de tabaco também, as casas de banho mais ou menos e uma enorme vontade de ver o “Sexy Motherfucker” estampada no rosto de todos que lá estavam. Já lá vamos…
Há hora que cheguei ao recinto (quase dez da noite) ainda deu tempo parta ver um pouco da actuação dos “The National”. Um concerto morno e que só deve ter aquecido quem gosta a sério dos autores de “Fake Empire”. De resto, o seu rock introspectivo não é para palcos desta envergadura.
Por isso fui espreitar actuação revivalista da norte-americana Sharon Jones e os seus “Dap Kings”. Um grande concerto que transportou o público para o Teatro Apollo, do Harlem dos anos 60! Com um alargado conjunto de músicos, (a fazer lembrar as ”big-bands” que acompanhavam James Brown ou Ray Charles) a enérgica Jones fartou-se de pular, dançar e sobretudo cantar como se fosse a junção das almas de Aretha Franklin e Tina Turner. “Let´s Get on the Soul Train”, gritava ela. Uma maravilha.
Finda a actuação de “Miss Jones”, foi hora de abastecer o estômago e esperar alguns minutos pela actuação dos australianos, “John Butlker Trio”. Mais um grande espectáculo em que esta banda exibiu que os Blues, Funk, combinados com algumas jams à mistura e um “look” surfista podem ser ingredientes q.b para por uma plateia a dançar. Foram apenas prejudicados pelo facto de actuarem quase á hora de um tal de Prince Rogers Nelson!
Foi um corre-corre até lá abaixo ao palco principal, onde já me esperava o famoso “Símbolo” do “Artista” que dava mote ao inicio do concerto. E sem mais demoras. Lá estava ele, “very funky indeed”, a esbracejar e a dançar como um James Brown e a solar na sua telecaster como um Jimi Hendrix. Um autêntico “showman”. Um mestre na arte de representar emoções através da música.
E apesar de ter novo disco em 2010 (“20Ten”), foi com os velhos êxitos que Prince soube cativar e dominar uma plateia encantada com os seus passos e trejeitos. Tocou de rajada os seus primeiros hits, “1999” e “Little Red Corvette”. Mostrou que a sua “versão” de “Nothing Compares 2U” é melhor que a de Sinnead O´Connor. Gritou por Portugal em “Kiss”. Exibiu os seus dotes de dançarino em “U Got the Look” e pôs o povo todo a cantar um fantástico “Cream…Get on Top”!
Antes de fechar com o épico “Purple Rain”, houve tempo ainda para se ouvir cantar o fado pela voz de Ana Moura que curiosamente não cantou um dueto com Prince, mas fez com que este por momentos assumisse um papel “secundário” de mero guitarrista de Alfama com apenas uma diferença: a guitarra eléctrica. Inesquecível. Uma “lição de mestre” de um artista que finalmente está em paz consigo próprio e com, o público. “Deste Prince”, já todos tínhamos saudades…
Acabado o concerto, instalou-se novamente o “caos” fora do recinto. Filas de trânsito dignas do filme “Woodstock” começaram a tomar forma. Foi um “ver se te avias” monumental. Sorte a minha que apanhei boleia com duas enfermeiras que iam para o Meco. Menos afortunadas ficaram as minhas roupas e a minha garganta: cheias de pó!
Adeus e até para o ano…
16 julho 2010
Red Hot Chili Peppers - One Hot Minute (1995)
Os Red Hot Chili Peppers são uma banda que me divide - por um lado ouço os primeiros álbuns e o registo funk/rap com uma certa veia punk é algo que soa original para a altura, fresco, diferente de tudo o que se ouvia então (talvez com algumas semelhanças com uns Beastie Boys) com especial destaque para Blood, Sex, Sugar, Magik. Depois pega-se nos mais recentes Californication, By The Way e Stadium Arcadium (este falo só conhecendo 1/2 músicas) e são outra coisa, são uma banda virada para aquela geração de 2ª da MTV (tenho uma teoria que há duas gerações MTV, uma que viveu a estação entre 1990-1994 e outras que a viveu entre 1994 e 2002 por aí, mas isso será tema para debater num post futuro) a disparar singles a torto e a direito, com grandes produções de videoclips e com músicas que se digeriam em três tempos. E depois no meio destas duas partes há um alien chamado One Hot Minute.
Penso serem por todos conhecidos os problemas de drogas que envolveram esta banda, desde a morte por overdose do seu primeiro guitarrista Hillel Slovak, à batalha constante de Kiedis e Frusciante com a heroína e cocaína. Pois bem, One Hot Minute foi concebido mesmo no epicentro de todo este furacão. Frusciante tinha abandonado a banda a meio de um tour no Japão e pairou a incerteza quanto ao futuro da mesma, uma vez que foi muito dificil contratarem um novo guitarrista. No final a escolha recaiu sobre Dave Navarro, ex-Jane's Addiction, com uma escola mais próxima do heavy metal, muito diferente do estilo e influências do restantes membros e foi factor crucial para a mudança radical que se operou no som da banda.
Esta diferença torna-se logo notória na música de abertura, "Warped", uma música hard rock que certamente apanhou os devotos fãs de Blood, Sugar, Sex, Magik desprevenidos e que a mim me fez sentir como se alguém me tivesse agarrado, atirado contra uma parede na sala e despejado toda a sua energia em cima de mim (talve ande a ver filmes a mais, bem sei...). De seguida "Aeroplane", música mais soft e com base funk, onde vem mais ao de cima o baixo de Flea, mas também está lá um solo heavy metal do Navarro intermitando com vozes de crianças a cantar. Entra "Deep Kick" e volta a energia ao máximo para logo a seguir quebrar com a calmia e escuridão de "My Friends". É muito nesta base que assenta este disco, num constante pára arranca, pára arranca que desnorteia quem o ouve. Este efeito é ainda mais acentuado nas duas músicas seguintes, "Coffee Shop" seguido de "Pea", música onde se ouve apenas baixo e voz de Flea. E depois sim, em "One Big Mob" e "Walkabout" se consegue ver, assim ao fundo, as influências mais funk no ritmo, e onde Kiedis está mais próximo do estilo rapper que o caracterizou nos anteriores álbuns. Para a entrada na recta final uma música que marcou a minha viagem de finalistas do 12º ano - "Tearjerker". Suspeito até que o meu CD esteja riscado nesta faixa, uma vez que foi ouvida e cantada em conjunto vezes sem conta, música que Kiedis escreveu sobre a morte de Kurt Cobain e a forma como influenciou toda a banda. Mais para o fim temos então rock ("One Hot Minute"), funk puro ("Falling Into Grace"), hard rock bastante próximo de heavy metal ("Shallow Be Thy Game") e uma excelente "Transcending" para fecho de cortina.
Escusado será dizer que o futuro dos Red Hot não passou por aqui, Navarro foi posto a andar em 1998 por "diferenças de criatividade" e de volta apareceu Frusciante, após descida aos infernos do vício e necessária recuperação. Este álbum foi a partir de então renegado pela banda e nenhuma música é tocada ao vivo nos seus concertos o que me parece injusto, dado que apesar de ter desvirtuado um pouco os desígnios e estilo assumido inicialmente, tem boas músicas que muito agradam aos fãs com veia mais rockeira como é o meu caso. E a modos que é isto.
Penso serem por todos conhecidos os problemas de drogas que envolveram esta banda, desde a morte por overdose do seu primeiro guitarrista Hillel Slovak, à batalha constante de Kiedis e Frusciante com a heroína e cocaína. Pois bem, One Hot Minute foi concebido mesmo no epicentro de todo este furacão. Frusciante tinha abandonado a banda a meio de um tour no Japão e pairou a incerteza quanto ao futuro da mesma, uma vez que foi muito dificil contratarem um novo guitarrista. No final a escolha recaiu sobre Dave Navarro, ex-Jane's Addiction, com uma escola mais próxima do heavy metal, muito diferente do estilo e influências do restantes membros e foi factor crucial para a mudança radical que se operou no som da banda.
Esta diferença torna-se logo notória na música de abertura, "Warped", uma música hard rock que certamente apanhou os devotos fãs de Blood, Sugar, Sex, Magik desprevenidos e que a mim me fez sentir como se alguém me tivesse agarrado, atirado contra uma parede na sala e despejado toda a sua energia em cima de mim (talve ande a ver filmes a mais, bem sei...). De seguida "Aeroplane", música mais soft e com base funk, onde vem mais ao de cima o baixo de Flea, mas também está lá um solo heavy metal do Navarro intermitando com vozes de crianças a cantar. Entra "Deep Kick" e volta a energia ao máximo para logo a seguir quebrar com a calmia e escuridão de "My Friends". É muito nesta base que assenta este disco, num constante pára arranca, pára arranca que desnorteia quem o ouve. Este efeito é ainda mais acentuado nas duas músicas seguintes, "Coffee Shop" seguido de "Pea", música onde se ouve apenas baixo e voz de Flea. E depois sim, em "One Big Mob" e "Walkabout" se consegue ver, assim ao fundo, as influências mais funk no ritmo, e onde Kiedis está mais próximo do estilo rapper que o caracterizou nos anteriores álbuns. Para a entrada na recta final uma música que marcou a minha viagem de finalistas do 12º ano - "Tearjerker". Suspeito até que o meu CD esteja riscado nesta faixa, uma vez que foi ouvida e cantada em conjunto vezes sem conta, música que Kiedis escreveu sobre a morte de Kurt Cobain e a forma como influenciou toda a banda. Mais para o fim temos então rock ("One Hot Minute"), funk puro ("Falling Into Grace"), hard rock bastante próximo de heavy metal ("Shallow Be Thy Game") e uma excelente "Transcending" para fecho de cortina.
Escusado será dizer que o futuro dos Red Hot não passou por aqui, Navarro foi posto a andar em 1998 por "diferenças de criatividade" e de volta apareceu Frusciante, após descida aos infernos do vício e necessária recuperação. Este álbum foi a partir de então renegado pela banda e nenhuma música é tocada ao vivo nos seus concertos o que me parece injusto, dado que apesar de ter desvirtuado um pouco os desígnios e estilo assumido inicialmente, tem boas músicas que muito agradam aos fãs com veia mais rockeira como é o meu caso. E a modos que é isto.
15 julho 2010
Altamont recomenda: #4
Mais uma recomendação Altamont, desta feita "Stranded", música que serve de apresentação ao novo álbum dos The Walkmen, que será lançado no próximo mês de Setembro. Realce para o nome do álbum - Lisbon - que se deve ao facto de, segundo a própria banda, terem sido bastante influenciados pelas duas passagens pela nossa capital (Dezembro 2008 no Super Bock em Stock e Julho 2009 no Super Bock Super Rock) durante o processo de composição do novo álbum. A ouvir!
DEEP PURPLE: COLISEU DOS RECREIOS 14.07.2010
Longe vão os tempos em que os Deep Purple eram considerados a “banda mais barulhenta do mundo”! Um título de respeito e que metia medo a temíveis adversários como os Zeppelin ou os Sabbath (sagrada trindade do Hard-Rock). Hoje, passados mais de 40 anos dos míticos “In Rock”; “Machine Head“ ou “Made in Japan”, o grupo transformou-se numa simpática banda de “avozinhos” que tocam por prazer e que não têm ilusões quanto ao conceito de que este: não é definitivamente o seu tempo!
No entanto, isso não quer dizer que não continuem a ser uma grande banda, com um sentido apurado de espectáculo, capaz de atrair (sem qualquer tipo de publicidade ou ajuda dos media) milhares de pessoas que lotaram um Coliseu sedento dos “clássicos” de outrora.
E foi com uma “pontualidade britânica” (21.30), que os cinco veteranos se fizeram ao palco ao som do monstruoso “Highway Star”. A música, que (reza a lenda) foi composta em 1971 num autocarro a caminho de um concerto em Plymouth, cheio de jornalistas, que lhes perguntaram: “como é que vocês compõem uma canção?” Os Purple fizeram-lhes a vontade. Inventaram o tema na hora e estrearam-na no palco nessa mesma noite. Outros tempos…
De volta ao Coliseu, lá estavam eles. O baterista Ian Paice, sólido que nem pedra a imprimir o ritmo. O baixista Roger Glover, sempre com o seu ar Hippie e descontraído. O vocalista. Ian Gillan, envergando uns óculos escuros, cabelo curto e ar de turista inglês a passear em Albufeira. O “novo” recruta, Don Airey (que substituiu Jon Lord em 2002) e finalmente…o director musical, um dos melhores guitarristas do mundo, o homem que conduz com os pés só para poder tocar ainda mais velozmente, o rei da festa: Steve Morse!
Se Ritchie Blackmore já saiu há 17 anos e ninguém pede o bilhete de volta…alguma coisa se passa de “bem” no reino dos Purple! E lá está Morse a solar…ainda melhor que o próprio Blackmore em “Highway Star”.
Destaque também para voz de Gillan, que apesar de já não conseguir atingir muitas das oitavas (vulgo: agudos) que eram a sua trademark esteve sempre em boa forma. Depois “a marinha” seguiu ao som de “Things I Never Said”, uma faixa da edição especial de “Rapture of the Deep”, o último de estúdio (já lá vão 5 anos) e que a par com o tema homónimo desse disco foram os únicos toques de “modernidade” a navegar num “mar de clássicos”.
E lá apareceu o gigante “Strange Kind of Woman” (onde faltou apenas o duelo de “voz/guitarra” imortalizado em “Made in Japan”); o bluesy “Maybe I´m a Leo” (uma das surpresas da noite) e o rápido “Fireball”. Os Purple carregavam no acelerador e não deixavam “prisioneiros para trás”.
Depois lá apareceu o solo de Steve Morse (com numa peça comovente chamada “Contact Lost”: dedicada aos astronautas falecidos no último acidente espacial da nave Challenger em 2002) que antecedeu a entrada da balada “When a Blindman Cries”. Houve quem ainda gritasse por “Child in Time”, mas ainda não foi desta (nem nunca será) que Portugal foi brindado com o épico vocal de Gillan.
A partir daqui foi sempre a subir. Ainda tiveram tempo para sacar do baú, “Mary Long” de “Who Do We Think We Are” e “No One Came” (de “Fireball”). Depois foi um festim de memórias com os habituais “Lazy”, Space Truckin”e a música mais aguardada da noite, o riff que qualquer aspirante a tocar guitarra quer aprender, o imortal: “Smoke on the Water” (com direito a coros bem altos da multidão)!
Houve ainda pelo meio um solo de teclas de Don Airey, que simpaticamente conquistou os portugueses ao tocar o tradicional “Cheira bem, Cheira Lisboa”, antes de introduzir “Perfect Strangers”, a única canção dos anos 80 que os Purple ainda não se envergonham de tocar.
Cumpridas as expectativas, chegou a altura dos encores. Primeiro com “Speed King”, onde Airey e Morse protagonizaram uma troca impressionante de solos e Gilan aproveitou para cantar pelo meio algumas canções de Elvis e Ray Charles. Depois com”Hush”, o primeiro êxito dos Deep Purple, já lá vão 42 anos. E a finalizar (com mais um brilhante coro da assistência), “Black Night”, escrita há quatro décadas atrás depois de uma noite de bebedeira em que a editora (EMI) depois de escutar os resultados das sessões de “In Rock”lhes perguntou: “onde está o single?” Outros tempos…
Os Purple são definitivamente doutra era. Mas, a vontade e a “arte de saber bem tocar” continuam lá e sobrepõem-se a qualquer preconceito que possamos ter pelo facto de estes senhores terem idade para serem nossos “avós”. Tomara a muitas bandas novas chegar a uma alquimia deste calibre. Razão mais que suficiente para os reverenciarmos como uma das bandas míticas, ainda em actividade, com vontade de ir até onde as forças permitirem.
Ou como disse Gillan numa entrevista há uns anos quando lhe perguntavam se considerava os Deep Purple uma banda de “Rock Clássico: “Claro que não! A diferença entre nós e as bandas da nossa altura é que a nossa história ainda está longe de estar concluída!”
(8/10)
No entanto, isso não quer dizer que não continuem a ser uma grande banda, com um sentido apurado de espectáculo, capaz de atrair (sem qualquer tipo de publicidade ou ajuda dos media) milhares de pessoas que lotaram um Coliseu sedento dos “clássicos” de outrora.
E foi com uma “pontualidade britânica” (21.30), que os cinco veteranos se fizeram ao palco ao som do monstruoso “Highway Star”. A música, que (reza a lenda) foi composta em 1971 num autocarro a caminho de um concerto em Plymouth, cheio de jornalistas, que lhes perguntaram: “como é que vocês compõem uma canção?” Os Purple fizeram-lhes a vontade. Inventaram o tema na hora e estrearam-na no palco nessa mesma noite. Outros tempos…
De volta ao Coliseu, lá estavam eles. O baterista Ian Paice, sólido que nem pedra a imprimir o ritmo. O baixista Roger Glover, sempre com o seu ar Hippie e descontraído. O vocalista. Ian Gillan, envergando uns óculos escuros, cabelo curto e ar de turista inglês a passear em Albufeira. O “novo” recruta, Don Airey (que substituiu Jon Lord em 2002) e finalmente…o director musical, um dos melhores guitarristas do mundo, o homem que conduz com os pés só para poder tocar ainda mais velozmente, o rei da festa: Steve Morse!
Se Ritchie Blackmore já saiu há 17 anos e ninguém pede o bilhete de volta…alguma coisa se passa de “bem” no reino dos Purple! E lá está Morse a solar…ainda melhor que o próprio Blackmore em “Highway Star”.
Destaque também para voz de Gillan, que apesar de já não conseguir atingir muitas das oitavas (vulgo: agudos) que eram a sua trademark esteve sempre em boa forma. Depois “a marinha” seguiu ao som de “Things I Never Said”, uma faixa da edição especial de “Rapture of the Deep”, o último de estúdio (já lá vão 5 anos) e que a par com o tema homónimo desse disco foram os únicos toques de “modernidade” a navegar num “mar de clássicos”.
E lá apareceu o gigante “Strange Kind of Woman” (onde faltou apenas o duelo de “voz/guitarra” imortalizado em “Made in Japan”); o bluesy “Maybe I´m a Leo” (uma das surpresas da noite) e o rápido “Fireball”. Os Purple carregavam no acelerador e não deixavam “prisioneiros para trás”.
Depois lá apareceu o solo de Steve Morse (com numa peça comovente chamada “Contact Lost”: dedicada aos astronautas falecidos no último acidente espacial da nave Challenger em 2002) que antecedeu a entrada da balada “When a Blindman Cries”. Houve quem ainda gritasse por “Child in Time”, mas ainda não foi desta (nem nunca será) que Portugal foi brindado com o épico vocal de Gillan.
A partir daqui foi sempre a subir. Ainda tiveram tempo para sacar do baú, “Mary Long” de “Who Do We Think We Are” e “No One Came” (de “Fireball”). Depois foi um festim de memórias com os habituais “Lazy”, Space Truckin”e a música mais aguardada da noite, o riff que qualquer aspirante a tocar guitarra quer aprender, o imortal: “Smoke on the Water” (com direito a coros bem altos da multidão)!
Houve ainda pelo meio um solo de teclas de Don Airey, que simpaticamente conquistou os portugueses ao tocar o tradicional “Cheira bem, Cheira Lisboa”, antes de introduzir “Perfect Strangers”, a única canção dos anos 80 que os Purple ainda não se envergonham de tocar.
Cumpridas as expectativas, chegou a altura dos encores. Primeiro com “Speed King”, onde Airey e Morse protagonizaram uma troca impressionante de solos e Gilan aproveitou para cantar pelo meio algumas canções de Elvis e Ray Charles. Depois com”Hush”, o primeiro êxito dos Deep Purple, já lá vão 42 anos. E a finalizar (com mais um brilhante coro da assistência), “Black Night”, escrita há quatro décadas atrás depois de uma noite de bebedeira em que a editora (EMI) depois de escutar os resultados das sessões de “In Rock”lhes perguntou: “onde está o single?” Outros tempos…
Os Purple são definitivamente doutra era. Mas, a vontade e a “arte de saber bem tocar” continuam lá e sobrepõem-se a qualquer preconceito que possamos ter pelo facto de estes senhores terem idade para serem nossos “avós”. Tomara a muitas bandas novas chegar a uma alquimia deste calibre. Razão mais que suficiente para os reverenciarmos como uma das bandas míticas, ainda em actividade, com vontade de ir até onde as forças permitirem.
Ou como disse Gillan numa entrevista há uns anos quando lhe perguntavam se considerava os Deep Purple uma banda de “Rock Clássico: “Claro que não! A diferença entre nós e as bandas da nossa altura é que a nossa história ainda está longe de estar concluída!”
(8/10)
Altamont recomenda: #3
Hoje deixamos aqui os Depreciation Guild, com o tema "Dream About Me", do seu segundo álbum, Spirit Youth. A arquivar num estilo, acho que se encaixaria em dream pop (whatever that means...).
Enjoy!
14 julho 2010
Foto Reportagem Alive 2010
Alive - 8 julho
Alive - 9 Julho
Alive - 10 Julho
Alive - 9 Julho
Alive - 10 Julho
13 julho 2010
iLex Disease Playlist 13.07.2010
Uns dias atrasada, mas não falha - aqui fica a nova playlist Altamont. Tema - Doenças. Não gostam de falar ou ouvir falar sobre doenças? Não ouçam.
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