28 junho 2010

The National - High Violet (2010)

Provavelmente o álbum mais esperado do ano, High Violet chegou na altura certa - mesmo antes de ir de férias. Foi então um dos álbuns que me acompanhou nas longas horas de avião, nos passeios de carro, nas esperas no aeroporto, o que permitiu uma maior atenção do que no carro a ir e vir do trabalho, para além de tempo para uma 2ª, 3ª e 4ª audições, que no caso dos The National são vitais. O mesmo já se tinha passado comigo com os anteriores Boxer e Alligator (ouvidos por este ordem e não a cronológica), que foram entrando aos poucos, ganhando o seu cantinho, e quando dei por ela já o "I won't fuck us over, I'm Mr. November" e o "You get mistaken for strangers by your own friends" (só para dar assim exemplos mais flagrantes) não me saíam da cabeça, como tantas outras frases proferidas por Matt Berninger. É muito complicado falar sobre a música dos The National, porque é uma música que se tem mesmo de sentir, não basta deixá-la tocar ao fundo, ou nos deixamos envolver ou nem vale a pena tentar. O Bonifácio diz que este rock é que é o perigoso, e concordo com isso na medida em que ao ouvir as letras vemo-nos num espelho, vemos as nossas angústias, receios e ficamos carregados de uma tensão que parece nunca alivia. Não há aqui um "Abel" ou um "Mr. November" para deitarmos tudo cá para fora, este High Violet deixa-nos a remoer, a pensar na vida. E tudo isto não só com as palavras, mas também com o ritmo das músicas, os magníficos arranjos de guitarras e percussão. Importa referir que para isto contaram também com a participação de Sufjan Stevens e Justin Vernon, que ajuda a alimentar a grandiosidade do álbum. Um álbum que importa ouvir e que acaba com um "I'll explain everything to the geeks." Será preciso dizer mais?

25 junho 2010

iLex Body Playlist 25.06.10

Outra semana se passa, outra playlist aparece. Assim é o Altamont, sempre dinâmico e a agraciar os nossos queridos seguidores com música. Desta feita, o tema que me veio à cabeça (vá-se lá saber porquê, eles apenas aparecem e eu limito-me a procurar, organizar e partilhar) é o corpo. O maravilhoso corpo humano, com os seus variados membros e orgãos que o compõem têm sido alvo de atenção de várias músicas, entre as quais estas que seleccionei. Enjoy it!

24 junho 2010

Slash – Coliseu dos Recreios - 23.06.2010

Era meia-noite em ponto, do palco ouvia-se: “Are You Ready to Go to: Paradise City?” Foi a última frase proferida pelo vocalista Myles Kennedy antes de Slash introduzir a música que levaria (um quase esgotado) Coliseu dos Recreios à beira de um ataque de histerismo digno dos melhores tempos dos Guns n Roses!


Em abono da verdade, quem foi ontem ao concerto de Slash foi puramente para vê-lo tocar os “clássicos solos de guitarra” de algumas das músicas mais famosas da sua ex-banda. Duvido muito se o concerto teria o mesmo impacto se Slash e banda não metessem na set-list temas icónicos de “Appetite for Destruction” como o já mencionado “Paradise City”, “Sweet Child O´Mine” ou um muito bem” sacado do baú”: “Rocket Queen”.

Mas foi ao som de “Ghost” novíssimo álbum (homónimo) de Slash que se escutou os primeiros acordes do espectáculo. Lá estava ele, “Mr.” Saul Hudson, uma lenda do Rock, com a sua Gibson Les Pau, gingando no palco como um Keith Richards, solando como um Jimmy Page e exibindo uma atitude “cool” e cheia de exibicionismos tal como um Jimi Hendrix. Slash é um “cromo” de alto a baixo! Já não se fazem “lendas” que toquem os solos como ele.

Ontem foi uma noite “old school”, chamemos-lhe assim. Slash solou, solou (quase orgásmicamente) e…solou até não poder mais, especialmente no tema instrumental de “Godfather”! Myles Kennedy adoptou todos os trejeitos vocais de Axl Rose e de Scott Weiland (conforme a música) e o resto da banda fez o seu papel competente de dar ao público um concerto dos “velhos tempos”.

Não esquecendo os velhos temas dos Guns e dos Velvet Revolver (destes últimos ainda atacaram um excelente “Slither e uma grande balada chamada “Fall to Pieces”), a banda concentrou-se essencialmente nas músicas do disco a solo. A maioria delas não são nada de especial, embora ressalve-se que soam bem melhor ao vivo do que em estúdio. A excepção vai para “By the Sword”( gravado em estúdio com Andrew Stockdale dos Wolfmother) a sobressair acima da média.

Mas o público que estava lá era inteiramente por outros motivos. E antes que o concerto descambasse para o lado errado da noite, Slash lá puxava dos galões do alto do seu “chapéu de cartola” para por toda a gente a cantar ao som de um “Nightrain” ou “Civil War”.

No final ouviu-se uma boa versão de “Communication Breakdown” dos Led Zeppelin. Com Myles Kennedy (mais uma vez) a provar porque é “campeão” do jogo: “Rock Band”. Não falhou um agudo (à boa moda de Robert Plant). Resta saber é se ele passou na “audição” para futura voz dos Velvet Revolver! Quem sabe?

Quanto ao Slash…por momentos não o vejo…ah lá está ele! Deitado no chão, tocando com a guitarra atrás das costas. Sempre a solar até à última nota da canção! Já não se fazem “cromos” assim…

21 junho 2010

Local Natives - Gorilla Manor (2009)

Os Local Natives são uma banda de Los Angeles, formada em 2008, sendo este Gorilla Manor o seu álbum de estreia. E é, a meu ver, uma estreia deveras interessante. Começaram a chamar a atenção no festival South by Southwest de 2009, onde actuaram por nove vezes (!) e passados 6 meses já tinham álbum pronto a ser lançado. Se quiserem ter uma ideia do estilo de som, têm sido apelidados por aí como os "Grizzly Bear da Costa Oeste", mas eu diria que vão buscar bastante a uns Fleet Foxes, dando um toque mais animado, mais efervescente às melodias. Penso que conseguem transmitir uma sensação de alegria, de juventude, tanto ao nível do ritmo das músicas como nas próprias letras, e penso que nem todas as bandas novas conseguem fazê-lo com genuinidade. Bem sei que genuinidade, em música, é uma coisa cada vez mais rara e difícil de se atingir, e não são estes Local Natives um caso desses, mas acho que conseguem pegar em várias influências e criar uma mistura interessante e digna de audição. Garanto-vos que soa bem logo à primeira audição e vai melhorando de cada vez que o ouvem, é um daqueles que se vai descobrindo música a música e deixa um bom final de boca. O meu destaque pessoal em termos das músicas vai para "Airplanes", "Warning Sign" e "Camera Talk".

Enjoy it!

18 junho 2010

16 junho 2010

Broken Social Scene - Forgiveness Rock Record (2010)

Ainda fresquinho, com apenas um mês de vida, venho aqui hoje deixar umas impressões sobre um dos discos que me acompanhou nas recentes férias - Forgiveness Rock Record. O quarto álbum do colectivo (penso que é este o nome mais adequado, uma vez que o número de pessoas que contribuem quer no álbum, quer nos concertos ao vivo passa as duas dezenas e, como tal, banda não seria um nome justo) canadiano chega-nos passados 5 anos do seu último trabalho, Broken Social Scene, para mim uma das melhores coisinhas que me entraram iPod adentro neste novo século, e como tal a fasquia estava elevada. E digo-vos - esta história das fasquias elevadas é uma merda. É inevitável criarmos expectactivas, mas deveríamos ter a capacidade de esquecê-las e conseguir analisar um álbum per se, sem ´"mas o álbum anterior é melhor", sem "aquela música é muito parecida uma do álbum anterior", sem " não variaram nada em relação ao que fizeram antes"... Por isso, a minha avaliação sobre este álbum, e tentando evitar estes condicionalismos descritos acima, fica-se por um álbum com música que me dá muito prazer de ouvir. Se isto for suficiente para vos entusiasmar, carreguem no play no dispositivo abaixo e experimentem, caso contrário sigam a vossa vida como se nada fosse. E chega que hoje tenho mais que fazer. Pim.     

10 junho 2010

The Drums - The Drums (2010)

Ora aí está um dos álbuns mais aguardados deste ano. Bem, talvez não tanto, mas é, claramente, uma banda que já criou algumas expectativas com o seu EP, Summertime, de 2009. O single "Let's Go Surfing" aliado a "Saddest Summer", pôs muita gente a dançar e a deliciar-se com o som Surf Indie que já não se ouvia há dezenas de anos... Daí a expectativa ser minimamente elevada. Ora bem, The Drums, disco homónimo da banda, não desilude mas também não nos apaixona. Começa bem com "Best Friend" e continua o momento solarengo com "Me and the Moon". É, claramente, um disco para se ouvir nesta época estival. Promete ser um dos pontos altos no festival Alive mas não é um daqueles discos que ficam para a História. De referir que a banda apenas repetiu duas músicas do EP anterior, a óbvia "Let's Go Surfing" e a "la" Phil Spector, "Down by the Water". Em suma, oiçam-no bem, várias vezes até se fartarem. Vai valer a pena. Quando se cansarem, deixem estar. É apenas mais um bom disco...

When You're Strange: A Film About The Doors (2010)

“The movie will begin in five moments


The mindless voice announced

All those unseated will await the next show”

É com esta declamação de Jim Morrison que começa o mais conhecido filme dos Doors, assinado por OIliver Stone em 1991. Passados quase vinte anos, temos um novo filme da banda de “Riders on the Storm” em que na primeira cena vemos o próprio Morrison à deriva, de ressaca e que ao guiar o seu Mustang pelo Deserto. JIm põe o rádio a tocar e ouve as notícias: “O MUNDO ROCK ESTÁ DE LUTO…FALECEU HOJE EM PARIS JIM MORRISON, VOCALISTA DOS DOORS!”

Sem dúvida a melhor cena. Com realização de Tom Dicillo, o filme com pouco menos de hora e meia conta a história que todos conhecemos e que tomou de assalto os anos 60 que nem “uma tempestade” entre 1965 e 1971 (ano da morte de Morrison).

Segundo o teclista Ray Manzarek, Oliver Stone, o realizador do filme “The Doors: O Mito de uma Geração”: “não contou a verdadeira história dos Doors”. E rematou: “talvez um dia façam um filme que reponha a credibilidade dos factos…”.

Passadas duas décadas sobre o filme em que Val Kilmer encarnou a figura do “Rei Lagarto”, “When You´re Strange” é produção independente dos grandes estúdios; um documentário em jeito de “road movie” que tenta repor (através da narração sentida de Johnny Depp) a tal “verdade”. No entanto o resultado fica aquém das expectativas no sentido em que o ângulo da narrativa é muito semelhante ao utilizado por Stone. Apesar de não cair em alguns excessos “hollywoodescos”, a figura do filme acaba por sewr sempre JIm e não a banda.

O recurso a imagens nunca antes vistas (saídas do próprio arquivo pessoal dos Doors sobreviventes) é um bónus (a actuação de “The End” no festival da ilha de Wight ou as imagens do grupo a ensaiar L.A. Woman no estúdio) mas não acrescenta nada ao legado já visto e revisto milhares de vezes espalhado por vários DVD´s ao longo dos anos.

Ainda assim é uma leitura visual que vai de certeza encantar todos os fãs dos Doors e do género cinema “verité”. O mito do Rei Lagarto está bem vivo e promete continuar a crescer…