Merece bastante aqui termos este tesourinho proporcionado pela sempre nossa amiga Blogothèque.
18 junho 2010
16 junho 2010
Broken Social Scene - Forgiveness Rock Record (2010)
Ainda fresquinho, com apenas um mês de vida, venho aqui hoje deixar umas impressões sobre um dos discos que me acompanhou nas recentes férias - Forgiveness Rock Record. O quarto álbum do colectivo (penso que é este o nome mais adequado, uma vez que o número de pessoas que contribuem quer no álbum, quer nos concertos ao vivo passa as duas dezenas e, como tal, banda não seria um nome justo) canadiano chega-nos passados 5 anos do seu último trabalho, Broken Social Scene, para mim uma das melhores coisinhas que me entraram iPod adentro neste novo século, e como tal a fasquia estava elevada. E digo-vos - esta história das fasquias elevadas é uma merda. É inevitável criarmos expectactivas, mas deveríamos ter a capacidade de esquecê-las e conseguir analisar um álbum per se, sem ´"mas o álbum anterior é melhor", sem "aquela música é muito parecida uma do álbum anterior", sem " não variaram nada em relação ao que fizeram antes"... Por isso, a minha avaliação sobre este álbum, e tentando evitar estes condicionalismos descritos acima, fica-se por um álbum com música que me dá muito prazer de ouvir. Se isto for suficiente para vos entusiasmar, carreguem no play no dispositivo abaixo e experimentem, caso contrário sigam a vossa vida como se nada fosse. E chega que hoje tenho mais que fazer. Pim. 14 junho 2010
10 junho 2010
The Drums - The Drums (2010)
Ora aí está um dos álbuns mais aguardados deste ano. Bem, talvez não tanto, mas é, claramente, uma banda que já criou algumas expectativas com o seu EP, Summertime, de 2009. O single "Let's Go Surfing" aliado a "Saddest Summer", pôs muita gente a dançar e a deliciar-se com o som Surf Indie que já não se ouvia há dezenas de anos... Daí a expectativa ser minimamente elevada. Ora bem, The Drums, disco homónimo da banda, não desilude mas também não nos apaixona. Começa bem com "Best Friend" e continua o momento solarengo com "Me and the Moon". É, claramente, um disco para se ouvir nesta época estival. Promete ser um dos pontos altos no festival Alive mas não é um daqueles discos que ficam para a História. De referir que a banda apenas repetiu duas músicas do EP anterior, a óbvia "Let's Go Surfing" e a "la" Phil Spector, "Down by the Water". Em suma, oiçam-no bem, várias vezes até se fartarem. Vai valer a pena. Quando se cansarem, deixem estar. É apenas mais um bom disco...
When You're Strange: A Film About The Doors (2010)
“The movie will begin in five moments
The mindless voice announced
All those unseated will await the next show”
É com esta declamação de Jim Morrison que começa o mais conhecido filme dos Doors, assinado por OIliver Stone em 1991. Passados quase vinte anos, temos um novo filme da banda de “Riders on the Storm” em que na primeira cena vemos o próprio Morrison à deriva, de ressaca e que ao guiar o seu Mustang pelo Deserto. JIm põe o rádio a tocar e ouve as notícias: “O MUNDO ROCK ESTÁ DE LUTO…FALECEU HOJE EM PARIS JIM MORRISON, VOCALISTA DOS DOORS!”
Sem dúvida a melhor cena. Com realização de Tom Dicillo, o filme com pouco menos de hora e meia conta a história que todos conhecemos e que tomou de assalto os anos 60 que nem “uma tempestade” entre 1965 e 1971 (ano da morte de Morrison).
Segundo o teclista Ray Manzarek, Oliver Stone, o realizador do filme “The Doors: O Mito de uma Geração”: “não contou a verdadeira história dos Doors”. E rematou: “talvez um dia façam um filme que reponha a credibilidade dos factos…”.
Passadas duas décadas sobre o filme em que Val Kilmer encarnou a figura do “Rei Lagarto”, “When You´re Strange” é produção independente dos grandes estúdios; um documentário em jeito de “road movie” que tenta repor (através da narração sentida de Johnny Depp) a tal “verdade”. No entanto o resultado fica aquém das expectativas no sentido em que o ângulo da narrativa é muito semelhante ao utilizado por Stone. Apesar de não cair em alguns excessos “hollywoodescos”, a figura do filme acaba por sewr sempre JIm e não a banda.
O recurso a imagens nunca antes vistas (saídas do próprio arquivo pessoal dos Doors sobreviventes) é um bónus (a actuação de “The End” no festival da ilha de Wight ou as imagens do grupo a ensaiar L.A. Woman no estúdio) mas não acrescenta nada ao legado já visto e revisto milhares de vezes espalhado por vários DVD´s ao longo dos anos.
Ainda assim é uma leitura visual que vai de certeza encantar todos os fãs dos Doors e do género cinema “verité”. O mito do Rei Lagarto está bem vivo e promete continuar a crescer…
The mindless voice announced
All those unseated will await the next show”
É com esta declamação de Jim Morrison que começa o mais conhecido filme dos Doors, assinado por OIliver Stone em 1991. Passados quase vinte anos, temos um novo filme da banda de “Riders on the Storm” em que na primeira cena vemos o próprio Morrison à deriva, de ressaca e que ao guiar o seu Mustang pelo Deserto. JIm põe o rádio a tocar e ouve as notícias: “O MUNDO ROCK ESTÁ DE LUTO…FALECEU HOJE EM PARIS JIM MORRISON, VOCALISTA DOS DOORS!”
Sem dúvida a melhor cena. Com realização de Tom Dicillo, o filme com pouco menos de hora e meia conta a história que todos conhecemos e que tomou de assalto os anos 60 que nem “uma tempestade” entre 1965 e 1971 (ano da morte de Morrison).
Segundo o teclista Ray Manzarek, Oliver Stone, o realizador do filme “The Doors: O Mito de uma Geração”: “não contou a verdadeira história dos Doors”. E rematou: “talvez um dia façam um filme que reponha a credibilidade dos factos…”.
Passadas duas décadas sobre o filme em que Val Kilmer encarnou a figura do “Rei Lagarto”, “When You´re Strange” é produção independente dos grandes estúdios; um documentário em jeito de “road movie” que tenta repor (através da narração sentida de Johnny Depp) a tal “verdade”. No entanto o resultado fica aquém das expectativas no sentido em que o ângulo da narrativa é muito semelhante ao utilizado por Stone. Apesar de não cair em alguns excessos “hollywoodescos”, a figura do filme acaba por sewr sempre JIm e não a banda.
O recurso a imagens nunca antes vistas (saídas do próprio arquivo pessoal dos Doors sobreviventes) é um bónus (a actuação de “The End” no festival da ilha de Wight ou as imagens do grupo a ensaiar L.A. Woman no estúdio) mas não acrescenta nada ao legado já visto e revisto milhares de vezes espalhado por vários DVD´s ao longo dos anos.
Ainda assim é uma leitura visual que vai de certeza encantar todos os fãs dos Doors e do género cinema “verité”. O mito do Rei Lagarto está bem vivo e promete continuar a crescer…
Dia de Portugal do Rock!!
A partir desta 5ª feira, o Dia de Portugal 10 de Junho ganha todo um novo significado.
Nasceu o Dia de Portugal do Rock.
Nos jardins do (Instituto Superior) Técnico, começa um festival que celebra o dia de Portugal através do rock, feito, escrito, pensado e cantado na língua de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Pelo palco võa passar os Orphelia - que apresentam a sua peça instrumental de 20 minutos de space rock. Sobre a Matilha e Capitães da Areia não tenho muito a dizer, porque deles pouco sei, tirando a energia e jovialidade.
Os Golpes - talvez a banda rock mais consistente em português - devem apresentar já alguns temas novos, que vão estar num meio disco a editar em breve.
Os Feromona encerram a noite, e apresentam o novo disco, Desoliúde. A par dos Golpes, os Feromona são uma das bandas mais interessantes que apareceu por cá nos últimos tempos.
O dia de Portugal do Rock, primeira edição, começa às 18h, nos jardins do Técnico (com entrada pela Alameda Afonso Henriques), e a entrada custa 5 euros.
Terrakota - São Jorge
10 anos de Terrakota!
09 junho 2010
Orelha Negra - Orelha Negra (2010)
Os Orelha Negra é um projecto português que une Sam The Kid, Francisco Rebelo, João Gomes (ambos dos Cool Hipnoise), Fred Ferreira (Buraka Som sistema) e DJ Cruzfader.
Este primeiro álbum faz lembrar o brilhante instrumental “Beats Vol 1 - Amor”, produzido por Sam The Kid em 2002. Contando, no entanto, com uma maior influência da chamada música negra, com a predominância do Jazz, Funk e Soul.
A primeira faixa do álbum faz a seguinte introdução, "Um, dois... As canções que vamos apresentar têm uma ordem numérica que não obedeceu a nenhum critério especial, mas apenas a um sorteio. Teremos portanto canções de um a doze, além dos títulos respectivos, com o intuito também de estimular os nossos compositores e, simultaneamente, o aparecimento de novas melodias ... Pegar em canções e transformá-las ... é a gente encontrar uma, digamos, uma unidade de expressão de sentimentos para conseguir encontrar-nos aí."
Seguem-se várias faixas, onde se destacam as batidas de “Lord”. “Tanto Tempo”, com a voz de Pac Man dos Da Weasel/Dias de Raiva. A minha faixa preferida é “A Cura”, cujo vídeo está muito bom.
Não estamos perante o típico álbum passageiro. Veio para ficar e marcar o panorama musical nacional.
Como diriam os Cool Hipnoise, “O Funk É Mesmo Bom!”.
Marillion – Script For a Jester's Tear (1983)
O Punk e a New Wave fizeram tanta mossa nos velhos “dinossauros”, que no inicio da década de 80, não sobrava quase pedra sobre pedra das velhas bandas de Rock Progressivo. Os Genesis tinham-se transformado numa banda Pop liderados pelo seu baterista/cantor Phil Collins; os Emerson, Lake & Palmer encerravam actividades após um medíocre “Love Beach”; os Gentle Giant faziam o mesmo e os Yes deixavam-se de músicas de 18 minutos para se juntarem ao produtor Trevor Horn e começarem a passar na Rádio com um single ultra comercial chamado “Owner of a Lonely Heart”!
Mas o que ninguém conseguiu prever é que nos bastidores e mais propriamente no circuito underground, uma banda chamada “Silmarillion” (nome inspirado numa obra de JR Tolkien) recusava enterrar “o machado de guerra”. Munidos de todo um arsenal que uma banda de Prog deve ter (canções longas, letras de ficção cientifica, músicos virtuosos e um “frontman” capaz de contar histórias disfarçado de Girassol), o grupo de Aylesbury, liderado por um excêntrico escocês chamado Derek Dick (nome infeliz, encurtado mais tarde para “Fish”), que absorviam como poucos o legado da geração dos seus “primos” mais velhos (nomeadamente dos Genesis de 1970-75).
Quando assinaram pela EMI (em finais de 1982), a banda já possuía uma base de fãs considerável que viam no grupo uma espécie de “segunda volta” do Progressivo. Com muito carisma (e charme do vocalista), a banda conseguiu gravar (nos lendários Marquee Studios) em menos de 3 meses o seu primeiro disco: “Script for a Jester´s Tear”. Uma espécie de “apanhado” das melhores canções que o grupo vinha desenvolvendo ao vivo e que por “questões editoriais” apenas deixou de fora o épico “Grendel” (deixado para o lado B do single “Marquet Square Heroes”) por este ter (“aprogriadamente”): 18 minutos de duração!
Ainda assim, só couberam (“aprogriadamente”) seis músicas no reportório de “Script”. Começando pelo tema homónimo que é uma espécie de clássico que os Genesis se esqueceram de compor. A voz encantada e trovadoresca de Fish (com um timbre muito “Gabrieliano”), as guitarras de Steve Rothery (com uma destreza tanto timidamente acústicas como mordazmente eléctricas); os teclados ambientais e “Wakemanianos” de Mark Kelly; o baixo firme de Pete Trewavas e a bateria do (quase despedido) Mick Pointer criavam um “oásis progressivo ” no meio de um “deserto” dominado por bandas que absorviam os sintetizadores para música de dança e as guitarras para fingir que sabiam tocar no “Top of the Pops”.
Daí que para 1983, se desse o reverso da medalha. O progressivo passava a ser a contra-corrente de vanguarda e tudo o resto: o mainstream! Os Marillion (apesar de uma imagem Prog) estavam mais em sintonia com a realidade (“o lado cinzento da vida” como Fish dizia nos concertos) graças a temas como “He Knows You Know” (uma viagem ao mundo dos efeito das drogas) ou “Garden Party” (paródia ao snobismo social inglês). Um realismo distorcido é certo, mas ao qual é impossível escapar: “The Web” (sobre a depressão económica) e “Forgotten Sons” (sobre os conflitos na Irlnda do Norte).
Em pouco menos de um ano, o grupo de Fish tornava-se numa das revelações surpreendentes duma Inglaterra deprimida na ressaca das Malvinas e sob o comando de Margaret “Iron” Thatcher. Script” ao mesmo tempo que chamava a realidade (e os seus problemas) era uma obra invulgar tanto pelo som da música, como pelo aspecto da banda que a produzia. Quem é que dizia que o “Prog” não sabia lidar com os problemas do dia-a-dia?
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