10 junho 2010

The Drums - The Drums (2010)

Ora aí está um dos álbuns mais aguardados deste ano. Bem, talvez não tanto, mas é, claramente, uma banda que já criou algumas expectativas com o seu EP, Summertime, de 2009. O single "Let's Go Surfing" aliado a "Saddest Summer", pôs muita gente a dançar e a deliciar-se com o som Surf Indie que já não se ouvia há dezenas de anos... Daí a expectativa ser minimamente elevada. Ora bem, The Drums, disco homónimo da banda, não desilude mas também não nos apaixona. Começa bem com "Best Friend" e continua o momento solarengo com "Me and the Moon". É, claramente, um disco para se ouvir nesta época estival. Promete ser um dos pontos altos no festival Alive mas não é um daqueles discos que ficam para a História. De referir que a banda apenas repetiu duas músicas do EP anterior, a óbvia "Let's Go Surfing" e a "la" Phil Spector, "Down by the Water". Em suma, oiçam-no bem, várias vezes até se fartarem. Vai valer a pena. Quando se cansarem, deixem estar. É apenas mais um bom disco...

When You're Strange: A Film About The Doors (2010)

“The movie will begin in five moments


The mindless voice announced

All those unseated will await the next show”

É com esta declamação de Jim Morrison que começa o mais conhecido filme dos Doors, assinado por OIliver Stone em 1991. Passados quase vinte anos, temos um novo filme da banda de “Riders on the Storm” em que na primeira cena vemos o próprio Morrison à deriva, de ressaca e que ao guiar o seu Mustang pelo Deserto. JIm põe o rádio a tocar e ouve as notícias: “O MUNDO ROCK ESTÁ DE LUTO…FALECEU HOJE EM PARIS JIM MORRISON, VOCALISTA DOS DOORS!”

Sem dúvida a melhor cena. Com realização de Tom Dicillo, o filme com pouco menos de hora e meia conta a história que todos conhecemos e que tomou de assalto os anos 60 que nem “uma tempestade” entre 1965 e 1971 (ano da morte de Morrison).

Segundo o teclista Ray Manzarek, Oliver Stone, o realizador do filme “The Doors: O Mito de uma Geração”: “não contou a verdadeira história dos Doors”. E rematou: “talvez um dia façam um filme que reponha a credibilidade dos factos…”.

Passadas duas décadas sobre o filme em que Val Kilmer encarnou a figura do “Rei Lagarto”, “When You´re Strange” é produção independente dos grandes estúdios; um documentário em jeito de “road movie” que tenta repor (através da narração sentida de Johnny Depp) a tal “verdade”. No entanto o resultado fica aquém das expectativas no sentido em que o ângulo da narrativa é muito semelhante ao utilizado por Stone. Apesar de não cair em alguns excessos “hollywoodescos”, a figura do filme acaba por sewr sempre JIm e não a banda.

O recurso a imagens nunca antes vistas (saídas do próprio arquivo pessoal dos Doors sobreviventes) é um bónus (a actuação de “The End” no festival da ilha de Wight ou as imagens do grupo a ensaiar L.A. Woman no estúdio) mas não acrescenta nada ao legado já visto e revisto milhares de vezes espalhado por vários DVD´s ao longo dos anos.

Ainda assim é uma leitura visual que vai de certeza encantar todos os fãs dos Doors e do género cinema “verité”. O mito do Rei Lagarto está bem vivo e promete continuar a crescer…

Dia de Portugal do Rock!!



A partir desta 5ª feira, o Dia de Portugal 10 de Junho ganha todo um novo significado.
Nasceu o Dia de Portugal do Rock.
Nos jardins do (Instituto Superior) Técnico, começa um festival que celebra o dia de Portugal através do rock, feito, escrito, pensado e cantado na língua de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Pelo palco võa passar os Orphelia - que apresentam a sua peça instrumental de 20 minutos de space rock. Sobre a Matilha e Capitães da Areia não tenho muito a dizer, porque deles pouco sei, tirando a energia e jovialidade.
Os Golpes - talvez a banda rock mais consistente em português - devem apresentar já alguns temas novos, que vão estar num meio disco a editar em breve.
Os Feromona encerram a noite, e apresentam o novo disco, Desoliúde. A par dos Golpes, os Feromona são uma das bandas mais interessantes que apareceu por cá nos últimos tempos.
O dia de Portugal do Rock, primeira edição, começa às 18h, nos jardins do Técnico (com entrada pela Alameda Afonso Henriques), e a entrada custa 5 euros.

Terrakota - São Jorge

10 anos de Terrakota!


09 junho 2010

Orelha Negra - Orelha Negra (2010)


Os Orelha Negra é um projecto português que une Sam The Kid, Francisco Rebelo, João Gomes (ambos dos Cool Hipnoise), Fred Ferreira (Buraka Som sistema) e DJ Cruzfader.
Este primeiro álbum faz lembrar o brilhante instrumental “Beats Vol 1 - Amor”, produzido por Sam The Kid em 2002. Contando, no entanto, com uma maior influência da chamada música negra, com a predominância do Jazz, Funk e Soul.
A primeira faixa do álbum faz a seguinte introdução, "Um, dois... As canções que vamos apresentar têm uma ordem numérica que não obedeceu a nenhum critério especial, mas apenas a um sorteio. Teremos portanto canções de um a doze, além dos títulos respectivos, com o intuito também de estimular os nossos compositores e, simultaneamente, o aparecimento de novas melodias ... Pegar em canções e transformá-las ... é a gente encontrar uma, digamos, uma unidade de expressão de sentimentos para conseguir encontrar-nos aí."
Seguem-se várias faixas, onde se destacam as batidas de “Lord”. “Tanto Tempo”, com a voz de Pac Man dos Da Weasel/Dias de Raiva. A minha faixa preferida é “A Cura”, cujo vídeo está muito bom.
Não estamos perante o típico álbum passageiro. Veio para ficar e marcar o panorama musical nacional.
Como diriam os Cool Hipnoise, “O Funk É Mesmo Bom!”.



Marillion – Script For a Jester's Tear (1983)

O Punk e a New Wave fizeram tanta mossa nos velhos “dinossauros”, que no inicio da década de 80, não sobrava quase pedra sobre pedra das velhas bandas de Rock Progressivo. Os Genesis tinham-se transformado numa banda Pop liderados pelo seu baterista/cantor Phil Collins; os Emerson, Lake & Palmer encerravam actividades após um medíocre “Love Beach”; os Gentle Giant faziam o mesmo e os Yes deixavam-se de músicas de 18 minutos para se juntarem ao produtor Trevor Horn e começarem a passar na Rádio com um single ultra comercial chamado “Owner of a Lonely Heart”!
Mas o que ninguém conseguiu prever é que nos bastidores e mais propriamente no circuito underground, uma banda chamada “Silmarillion” (nome inspirado numa obra de JR Tolkien) recusava enterrar “o machado de guerra”. Munidos de todo um arsenal que uma banda de Prog deve ter (canções longas, letras de ficção cientifica, músicos virtuosos e um “frontman” capaz de contar histórias disfarçado de Girassol), o grupo de Aylesbury, liderado por um excêntrico escocês chamado Derek Dick (nome infeliz, encurtado mais tarde para “Fish”), que absorviam como poucos o legado da geração dos seus “primos” mais velhos (nomeadamente dos Genesis de 1970-75).
Quando assinaram pela EMI (em finais de 1982), a banda já possuía uma base de fãs considerável que viam no grupo uma espécie de “segunda volta” do Progressivo. Com muito carisma (e charme do vocalista), a banda conseguiu gravar (nos lendários Marquee Studios) em menos de 3 meses o seu primeiro disco: “Script for a Jester´s Tear”. Uma espécie de “apanhado” das melhores canções que o grupo vinha desenvolvendo ao vivo e que por “questões editoriais” apenas deixou de fora o épico “Grendel” (deixado para o lado B do single “Marquet Square Heroes”) por este ter (“aprogriadamente”): 18 minutos de duração!
Ainda assim, só couberam (“aprogriadamente”) seis músicas no reportório de “Script”. Começando pelo tema homónimo que é uma espécie de clássico que os Genesis se esqueceram de compor. A voz encantada e trovadoresca de Fish (com um timbre muito “Gabrieliano”), as guitarras de Steve Rothery (com uma destreza tanto timidamente acústicas como mordazmente eléctricas); os teclados ambientais e “Wakemanianos” de Mark Kelly; o baixo firme de Pete Trewavas e a bateria do (quase despedido) Mick Pointer criavam um “oásis progressivo ” no meio de um “deserto” dominado por bandas que absorviam os sintetizadores para música de dança e as guitarras para fingir que sabiam tocar no “Top of the Pops”.
Daí que para 1983, se desse o reverso da medalha. O progressivo passava a ser a contra-corrente de vanguarda e tudo o resto: o mainstream! Os Marillion (apesar de uma imagem Prog) estavam mais em sintonia com a realidade (“o lado cinzento da vida” como Fish dizia nos concertos) graças a temas como “He Knows You Know” (uma viagem ao mundo dos efeito das drogas) ou “Garden Party” (paródia ao snobismo social inglês). Um realismo distorcido é certo, mas ao qual é impossível escapar: “The Web” (sobre a depressão económica) e “Forgotten Sons” (sobre os conflitos na Irlnda do Norte).
Em pouco menos de um ano, o grupo de Fish tornava-se numa das revelações surpreendentes duma Inglaterra deprimida na ressaca das Malvinas e sob o comando de Margaret “Iron” Thatcher. Script” ao mesmo tempo que chamava a realidade (e os seus problemas) era uma obra invulgar tanto pelo som da música, como pelo aspecto da banda que a produzia. Quem é que dizia que o “Prog” não sabia lidar com os problemas do dia-a-dia?

Stone Temple Pilots – Stone Temple Pilots (2010)

Com a década de 10 a privilegiar cada vez mais o revivalismo dos anos 90, surge mais um nome na lista dos “regressos”. Desta vez são os Californianos (de San Diego) Stone Temple Pilots que decidem por fim a um hiato de quase uma década após o vocalista Scott Weiland ter passado uma parte desse tempo em curas de desintoxicação e a cantar ao lado de ex-membros dos Guns n´ Roses nos Velvet Revolver.
Nunca sendo uma banda de “primeira água” do movimento Grunge, os Pilots podem-se orgulhar de ser uma poucas bandas fora de Seattle que conseguiram se encaixar que nem uma luva (os outros são os clones dos Nirvana, os Australianos Silverhead) nesse movimento sónico que governou por breves anos (1991 – 1994) os media e as audiências Rock da MTV! Com uma série de canções meio Pearl Jam, meio David Bowie ou Zeppelin, a banda dos manos DeLeo nunca conseguiu convencer pela originalidade. Mas é inegável que quem viveu esses anos certamente que não escapou ao rock açucarado de “Interstate Love Song” ou “Plush”.
O tempo passa, mas os Pilots não. Temos em 2010, o sexto de originais é na mesma linha de continuidade dos registos anteriores. O mesmo Rock açucarado, pop e melodioso continua por cá (“Take a Load Off” ou “First Kiss on Mars”) apenas com uma diferença subtil: Weiland trouxe consigo algum do Hard-Rock que experienciou durante a sua estada nos Velvet Revolver. Temos portanto aqui uma série de canções roqueiras que misturam “a sensibilidade pop com algum bom senso Rock”, como atesta o single que abre o disco: “Between the Lines”.
Se a postura heavy segue com “Huckleberry Crumble” (com partilha algumas afinidades com “Same Old Song and Dance” dos Aerosmith) e “Hazy Daze” (o melhor tema Rock do disco), já “Hickory Dicothomy” e “Dare if You Dare” vêem a banda revisitar o seu som mais familiar com algumas incursões pelo universo melódico dos Beatles. Uma influência descarada também em “Bagman” que nos coros faz lembrar por instantes o chavão “Taxman” de George Harrison!
Tirando o dispensável “Cinammon” cantado pelo guitarrista Dan DeLeo, o disco acaba por se safar à justa, mas não passa da mediania ou do estado “morno”. Não é uma obra que vá deixar grandes saudades (a não ser que se seja grande fã incondicional) ou vá acrescentar algo de grandioso ao legado da banda. O que o público sedento de nostalgia dos 90 vai querer ouvir será sempre o material de “Core” ou de “Purple”. Por isso…tudo na mesma a Sul de Seattle…

08 junho 2010

Led Zeppelin - Led Zeppelin (1969)

Façam o seguinte exercício de imaginação. Pensem numa banda qualquer que exista em 2010. Acabaram agora de se formar. Só têm 36 horas para gravar um disco. Possuem um som que ainda está por inventar ou forjar. O disco sai e cai que nem “uma bomba” na crítica e no público. Passados seis meses após do lançamento do disco de estreia já são considerados o maior fenómeno desde que Elvis e os Beatles inventaram a Pop e o Rock n Roll. Vendem milhões de discos, enchem estádios e têm os Sete Continentes na palma da mão.
Conhecem alguma banda que faça isto actualmente? Acho que grupos assim já nem se fabricam! Mas foi precisamente isto que aconteceu aos lendários: Led Zeppelin.
Nascidos das cinzas dos Yardbirds, dos quais Jimmy Page foi o último de uma série de guitarristas ilustres (Eric Clapton e Jeff Beck), os Led Zeppelin (nome inventado por Keith Moon quando este imaginou qual seria a sua banda ideal: “Lead Zeppelin!!”) eram a junção dos talentos de dois experientes músicos de estúdio (Page e o multi-instrumentista John Paul Jones) e dois ”putos” de Birmingham que tocavam numa banda local (Band of Joy) de seus nomes: Robert Plant (voz) e John Bonham (bateria).
Após uma curta tournée pela Escandinavia (ainda sob o nome “The New Yardbirds”), o grupo concentrou-se nos Olympic Studios, Londres, em Outubro para a gravação do “Lp” de estreia. Graças aos serviços do seu manager, o sempre astuto e feroz Peter Grant, foi forjado em três tempos um contrato milionário com a Atlantic Records (de Ahmet Ertgun) sem a editora ouvir sequer uma nota ou demo!
Sob a batuta dos talentos de produção de Page, a engenharia de som de Glyn Johns, o grupo ergueu uma obra para a eternidade. Nota-se logo pela abertura de “Good Times Bad Time” que este não era um mero grupo de Rock. Nem eram demasiado Blues como os Cream, nem demasiado cósmicos como Hendrix. Antes pelo contrário, os Zeppelin tinham um “som de chumbo” com os pés bem assentes na terra. Nascia assim o género Hard-Rock, com Riffs bem potentes, solos dilacerantes, baixo bem vincado, uma batida poderosa e uma voz que alternava entre a melhor tradição dos blues do Mississípi e o histerismo operático.
O vocalista Robert Plant, com o seu aspecto de “Viking disfarçado de Hippie”, tinha só 19 anos quando gravou este disco, mas a sua voz já era potente demais para a mesa de mistura. Foi necessário colocar “painéis” à volta da sua cabine para que o som que saia da sua laringe fosse minimamente controlado. No entanto, quem parecia “fora de controlo” era Jimmy Page que a meio de “Good Times Bad Times” protagoniza um momento de revelação: a “arte do shredding “, sempre utilizado por milhões de guitarristas ao serviço da causa “Heavy-Metal”.
Mas os Zeppelin não eram apenas uma banda “Heavy”. O grupo demonstrava aqui que a Folk e as guitarras acústicas também cabiam neste Rock. A balada “Babe I´m Gonna Leave You” com as suas constantes alternâncias entre a delicadeza e a brutalidade é talvez o melhor exemplo daquilo que os Zeppelin iriam imprimir a todos os seus discos da sua carreira.
Contudo o “tour-de-force” chega sob a forma do épico “Dazed and Confused”. Aqui remetido a uns curtos, (mas intensos) 6 minutos de duração. Ao vivo poderia chegar quase à marca da meia hora de duração. È aqui que se sente que este grupo era uma máquina poderosa, bem oleada capaz de por à prova todos os nossos limites de audição através de variações e vibrações emocionalmente sónicas.
Chegamos ao lado B onde aparece o vibrante órgão de John Paul Jones com “Your Time is Gonna Come”. Depois vem o instrumental “Black Mountain Side” com page novamente nas guitarras acústicas e um tocador de tabla indiano (Viram Jasani). Um prelúdio calmo antes da tempestade sonora que é “Communication Breakdown”. Um clássico do género “Hard n Heavy” que em 2 minutos e meio resume o “Poder” que era ser “tocado” por uma banda deste calibre, numa altura em que o Rock enfrentava enormes mutações!
A fechar vem ao de cima a sua paixão pelos blues. Não é alheio que as duas versões de Willie Dixon, primeiro com “You Shook Me” e depois com “I Can´t Quit You Baby”. Um ambiente onde a banda se sente à vontade o suficiente para poder compensar o facto de ainda não terem muitas canções compostas por si à data. Inclusive o tema final – “How Many More Times” – creditado a Page, Jones e Bonham mas que é uma cópia de “How Many More Years” de Howlin Wolf. Ou como reflectiu Robert Plant (anos) mais tarde sobre esta situação: “nesta grande família musical somos todos pedintes ou ladrões”!
Larápios ou não, o que é certo é que uma geração inteira estava á espera e disposta a aceitar este novo som: intenso, pesado e mordaz! Na viragem da década de 60 para 70, os Led Zeppelin eram” o maior balão musical” capazes de rebentar com a Indústria Rock!

07 junho 2010

Revisão da matéria dada

O artigo que se segue é um apanhado de alguns concertos que vi recentemente mas cujas fotos não tive ocasião de publicar.
Segue agora, por ordem cronofónica.
(ao clicar numa qualquer foto, abre o slideshow, noutra janela, e em maior qualidade)



Gil Scott-Heron na Aula Magna.
Um momento quase histórico. Depois de andar em ruas mais obscuras, Gil Scott-Heron está de volta, tem um disco novo, e quero acreditar que vai ter mais discos novos nos próximos tempos. A vinda dele a Portugal, para um concerto íntimo na Aula Magna, foi também uma revisão da matéria dada. Tocou algumas músicas novas, e outras mais antigas, e trouxe consigo uma formação que incluía uma teclista, um percussionista e um animador de hostes/tocador de harmónica. Ele, Gil, tocava piano, cantava, palrava, e às vezes tentava lançar piadas. A formação que estava em palco não dava para grandes desvarios, e à falta de uma bateria e um baixo, deu um concerto mais espiritual, a buscar bastante ao blues e jazz de ambiente de fumo. Mais que um grande concerto, foi uma bela ocasião, para ver uma lenda viva.




Grizzly Bear no Coliseu de Lisboa.
Outro grandioso momento. Uma das maiores banda de hoje em dia, no que à pop diz respeito. São uma banda consistente, que já toca junta há alguns anos. São sublimes, pode usar-se esse adjectivo tão forte, são sublimes na forma de fazer música. São arquitectos musicais, e cada música é uma construção eficiente, em que cada elemento sonoro é lá posto com toda a cautela, não há nada fora do lugar. Na forma de fazer música, e de fazer a música soar tão musical e melódica, são sublimes.
Quanto aos sentimentos e sensações que provocam com a sua música, são magnânimos. E uso aqui magnânimos no mesmo sentido e na mesma proporção em que essa palavra pode ser aplicada aos Arcade Fire. A música dos Grizzly Bear tem magnitude e parece-me que, tal como os Arcade Fire ou os Radiohead, vai deixar marcas na história da música. O concerto (para gente que estava sentada) no Coliseu foi estrondoso, até porque era a primeira vez deles cá, e acho que quiseram dar o melhor. Em Julho, voltam, num registo para gente em pé, no Super Bock Super Rock.




A Naifa no Castelo de São Jorge.
Não quero ser repetitivo, mas creio que começo por escrever que este concerto também foi um grande momento. Aliás, foi uma grande experiência.
O Castelo de São Jorge tinha um palco montado (creio que vai ficar assim durante as festas do fado), e uma plateia de cadeiras. O tecto é o céu de uma noite amena de Junho. A Naifa esteve um ano quieta, sem golpear, enquanto lambia os seus próprios golpes, cortes fundos, com a morte do João Aguardela, em Janeiro do ano passado.
Mas depois de um ano de luto, a Naifa volta à luta. E lançou-se por auditórios deste Portugal, com uma série de concertos a tocar as músicas antigas, numa espécie de arrumar a casa, antes de seguir em frente, e começar a construir novas qualquercoisasquesejam. Esta digressão foi um resumo dos primeiros anos da banda, com o Aguardela, para que agora, e depois de o homenagearem de forma subliminar, poderem prosseguir caminho, sem ele.
E pelo que vi em palco, parece-me que este processo de renovação espiritual interior correu bem, e deu à banda novo fôlego para continuar.
Nunca tinha visto um concerto d'A Naifa, e fiquei arrebatado. Guitarra portuguesa, baixo, bateria e voz. Com 4 elementos apenas se escreve a palavra Portugal dantes e d'agora. Não é fado nem música ligeira nem música tradicional, é um bocado de Portugal num barco, a passar por tempestades e cabos das esperanças. A enegria que corre em palco é de uma força arrebatadora. Olhar nos olhos de cada músico que está em palco dá para perceber ou sentir um pouco da energia que ali corre. Não são meninos acabados de sair do conservatório, são Homens e Mulheres, por quem o tempo já passou e - para o bem ou para o mal - deixou marca.
Para adensar a misticidade do concerto no São Jorge, a Naifa convidou Celeste Rodrigues, irmã de outra fadista que está no panteão. A Celeste Rodrigues tem 65 anos de fado, e 356 de vida. E ver uma Mulher destas a cantar canções da Naifa, tem o seu quê de intenso.
Eu não conhecia mais do que 3 músicas da Naifa, mas pelo que vi neste concerto, creio que são uma das minhas bandas preferidas.