06 junho 2010

Love - Forever Changes (1967)

Considerados um dos marcos da contra-cultura dos anos 60, “Forever Changes” está sempre à espreita quando se fala dos grandes discos de sempre e em particular da década em que foi criado. Isto muito por culpa não só da própria do aspecto dos Love (uma das primeiras bandas multi-raciais a par de Sly a& the Family Stone), mas também pelo próprio som peculiar que o grupo imprimia aos seus discos.
Em abono da verdade os Love não soam, nem nunca soaram como mais ninguém. Com as suas origens nos Rhythm and blues, o grupo abrangia outras áreas como o Jazz, a Folk, o Country , sempre regados com melodias Pop de garagem (geniais) saídas da imaginação de Arthur Lee e com uma pitada alma psicadélica muito em voga em 1967.
Apesar de já terem dado algumas grandes pegadas no predecessor “Da Capo”, é com “Forever Changes” que o grupo atinge a maturidade criativa. Dotado de melodias irresistíveis ao nível de um Mccartney ou de um Wilson, Arthur Lee tinha em Bryan McClean o co-piloto perfeito para dar um colorido especial aos Love. Aliás é desta parceria que nascem algumas das melhores de “Forever Changes”. A começar por “Alone Again Or” uma canção que poderia ser perfeitamente dos Buffalo Springfield: se estes tivessem paciência para tocar com uma orquestra de Mariachis! Um clássico absoluto que foi copiado ao longo dos anos por gente tão díspar como Sarah Brightman, The Damned ou Calexico.
Segue-se “Andmoreagain”, outra pérola da dupla Lee/Mclean com arranjos orquestrais (cortesia do maestro David Angel) delicados e guitarras acústicas herdeiras da tradição da então “Nova Folk” instituída por Baez e Dylan.
Mas não se pense que os Love desaceleravam o seu som e se tornavam “softzinhos”. O grupo continuava na luta, juntamente com os colegas de editora Doors, por serem das bandas mais anti-establishment que LA já produzira. Em títulos mais eléctricos e ácidos como “A House is Not a Motel” ou “Bummer in the Summer” o grupo continuava a fazer o seu “Rock n Roll” mordaz e intrigante.
Apesar dos bons esforços, a banda estava a desintegrar-se. As saídas do teclista Alban Pfisterer e do saxofonista Tjay Cantrelli deixaram brechas difíceis de superar. Com a chegada das drogas e o desinteresse em continuar a gravar, não deram alternativa ao produtor Bruce Botnick em utilizar músicos de estúdio (externos à banda) para acabar o disco. Porém, “Lee e companhia” ficaram tão enojados pelo trabalho dos “session players” que decidiram começar do zero e convencer Botnick e a editora a serem eles próprios a gravar “Forever Changes”.
Os resultados foram melhores que o esperado, oiça-se o “Beatlesco” “The Daily Planet”; o negro “Live and Let Live” ou o falso romântico “The Red Telephone” para se perceber que” o todo” seria muito forte.
A finalizar “You Set the Scene”, um clássico perdido dos anos 60 e com alguns contornos Rock, Ragas Indianas e Jazz. Enfim, há aqui mais que pretextos para ouvirmos este disco muitas vezes sem nunca nos fartarmos. Ele não é nem Indie, nem Rock, nem Pop, nem Jazz, é simplesmente “Forever Changes” um dos melhores discos de sempre da história a par de “Sgt. Pepper” ou “Pet Sounds”. Obrigatório!

05 junho 2010

Fairfield Parlour - From Home To Home (1970)

Chamem-me saudosista, chamem-me nostálgico, chamem-me a merda que quiserem. Eu nunca hei de gostar dos Yuppies que começaram a aparecer a partir dos anos 80. Sinceramente, não há saco para os seus maneirismos musicais. Sim, maneirismos. Eles não gostam verdadeiramente de música. Eles apenas receberam o que lhes era dado sem sequer questionar. Era tudo bom? Não. Era tudo mais ou menos bom? Não. One Hit Wonders desde cedo sempre houve mas os anos 80 fizeram isso tão especial que até começou a ser respeitado. Para essa geração, claro. Por isso, hoje em dia temos rádios tipo M80 (O melhor dos anos 70, 80 e 90). Que risada... Mas eu nem sequer quero saber disso. Os 80 não foram maus mas hoje em dia são uma praga que parece não querer desaperecer. E fala-se dos 80s como se da melhor década se tratasse a nível musical... E, se alguém referir bandas dos anos 60, a reacção destes Yuppies é de estranheza. Como se o que fosse feito antes fosse de muito má qualidade. A verdade é só uma. Os anos 80, por muito bom que tivessem trazido, mataram o cinema e a música como artes mais ou menos puras. As fórmulas começaram a apoderar-se de todos. A inocência foi-se perdendo aos poucos...
Daí, ao ouvir discos como este dos Fairfield Parlour, renascidos das cinzas dos Kaleidoscope [UK], o que me vem à mente é: Eu tenho muito mais a ver com os meus pais do que tenho a ver com qualquer Yuppie dos anos 80. E que continuem a fazer as vossas festinhas dos anos 80 durante 50 anos. Pois serão sempre populares pois os acéfalos irão sempre acompanhar...

Primavera Sound 2010 parte 02

Dia 1


Bis - Os Bis são uma banda de culto que, aparentemente, deixou marcas nas pessoas. Eu fui uma delas. Desde 1994 que estes escoceses de Glasgow faziam uma mistura incomum de punk com pop e uma forte influência de manga e... doces. Mais tarde, viraram-se mais para ritmos disco, com reflexo mais ou menos evidente nos Franz Ferdinand (e, por conseguinte, milhares de outras bandas) - de que é bom exemplo o quasi-êxito Eurodisco. Ficaram ainda conhecidos por produzirem as suas próprias zines, nas quais os membros Steven, Amanda e John apareciam como heróis de banda-desenhada. Original, no mínimo. O Primavera aproveitou a reunião da banda após sete anos de hiato e pôs os Bis a abrir o primeiro dia. Este é daquele tipo de banda que estava no limiar entre a viabilidade numa label, por mais pequena que fosse, e a inviabilidade. E o advento da Internet possibilitou a recuperação dos Bis, uma das melhores bandas do mundo, de entre as que quase ninguém cantou.

Os Bis estavam genuinamente contentes por estar ali. Não vi o set inteiro, mas pareceu-me que a banda se inclinou mais para aquilo em que o indie rock se tornou ao longo dos tempos, do que focar-se nas canções mais rockadas como This Is Fake D.I.Y. e Sweet Shop Avengerz, que eu gosto mais. Mas valeu a pena e soube bem ver aquele sabor a 90s mais uma vez. E há uma grande satisfação em vê-los de volta. E houve a Starbright Boy.



The Wave Pictures - Não vi muitas canções deste trio inglês, confesso. Enquanto que a qualidade está lá, não é bem o meu estilo de coisa. Acho que para qualquer pessoa que toca guitarra há mais de cinco anos, esta banda tem potencial para se tornar aborrecida.



The Fall - É sempre com antecipação que se vê os The Fall e o líder talvez mais fixe da História do rock, Mark E. Smith. Imagino eu, porque nunca os tinha visto antes. Ora, ainda que possa estar a cometer aqui uma heresia, e mesmo que tenha prestado já bastante tempo aos discos deles, e mesmo que ache o Sr. Smith um poeta fenomenal, sempre achei os The Fall uma seca descomunal - excepção feita para a delícia que é o Hex Induction Hour. Em cada música, um poema, em cada música, um loop em trânse durante 7 minutos; foi divertido ver o desdentado e barrigudo Mark E. Smith a berrar coisas interessantes mas incompreensíveis para dentro do microfone, enquanto os músicos da temporada iam acompanhando. Terá sido muito emocionante, mas fartei-me após três músicas.



Circulatory System - Os Circulatory System são o veículo de Will Cullen Hart, dos notáveis Olivia Tremor Control, da também notável editora Elephant 6. Foi um concerto bom, agradável ainda que com uma formação de cinco, para uma banda que estava habituada a imensa gente em palco. Terão tocado a maioria do set baseados no disco do ano passado, que continua a explorar rock mais psicadélico e com vasta influência de Brian Wilson.



The xx - Não sou grande fã dos xx. Admito que seja uma coisa emocional, consideravelmente bonita e até com o potencial de ser profundamente íntima. Compreendo o que uma banda como esta pode fazer. Contudo, nunca os achei terrivelmente interessantes, tirando a tal Crystalized, a única que acho realmente conseguida.

O concerto nunca poderia ser muito longo, até porque eles ainda só têm um disco e não são ávidos improvisadores. Funciona ao vivo? Se aquela gente toda (procurem a outra versão de Crystalized no YouTube se quiserem ter ideia) se manteve silenciosa durante tanto tempo, então sim. Mas, para um não-entusiasta como eu, tornou-se bastante monótono. Não fui o único. Ou seja, para quem gosta, deve ser realmente tocante - mas os xx não me converteram.

Uma pequena nota ainda para a última música. No final, Oliver Sim deixa o baixo, pega em baquetas e, com espectacularidade e acompanhado de luzes strobe e fumo, bate solemente num prato, sozinho, no meio do palco. Quem sabe tocar instrumentos percebe que aquilo não é nada de especial, mas que impressiona quem não compreende música a esse nível, e que parece mostrar grande proficiência e capacidade de improviso. Não mostra. Este problema é revelador e não é nada bom sinal. Ou seja, detrás da sofreguidão toda, há sinais de algum calculismo, o que até pode ser fixe se for auto-irónico - e não há ironia nos xx.

Mas, para alguém que não gosta muito dos xx, assisti ao concerto todo, e isso deve querer dizer alguma coisa.



Superchunk - Mais outra banda histórica que apenas tem editado EPs nos últimos anos e que regressou este ano em força. Infelizmente, e como não dá para ver tudo no Primavera Sound e Tortoise estava quase a começar, vi apenas duas ou três canções dos norte-americanos. Estava muita gente a ver os Superchunk, o que se regista com agrado, porque eles bem merecem e já não era sem tempo. Entre a pressa e as cabeças à minha frente, terei apanhado dois dos momentos-chave da actuação: quando a eles se juntou esse louco chamado Tim Harrington dos Les Savy Fav, e a grande Water Wings (não é este vídeo).



Tortoise - Há quantos anos é que os Tortoise fazem álbuns de boca cheia? Não me lembro, vou ver ao Wikipedia. Ok, já voltei. Há 16. O grupo existe desde 1990 e editou o primeiro álbum, homónimo, quatro anos depois. Mesmo com a fasquia tão elevada, os Tortoise saltaram por cima como se fossem o Sergey Bubka: TNT, Millions Now Living Will Never Die, Standards.
Falar dos Tortoise, liderados pelo talentosíssimo John McEntire, até por já terem actuado em Montreux (e não na parte rock do cartaz), é falar de uma banda jazz. É falar de uma banda indie. Uma banda progressiva. Uma banda experimental. Uma banda que, no fundo, inventou o pós-rock, mais tarde celebrizado pelos Sigur Rós. Um género que, contudo, caiu em vícios monótonos que os Tortoise, felizmente, não têm.

O concerto foi incrível. É pena que não haja ainda muitos exemplos no YouTube. Para uma banda com tantos anos e num festival com tanta qualidade, é incrível como os Tortoise conseguem manter-se entre os mais frescos e surpreendentes. E, apesar de não haver ainda provas em vídeo para postar aqui (o que há online tem-no atrás das teclas), John McEntire é dos melhores bateristas da actualidade. Impressionante.

Adivinhem quem ficou com saudades e vai tirar o pó à discografia?



The Big Pink - Esta é uma banda de que não gosto nada. São os Kasabian, o que seria bom, numa versão mais chav e chungosa e má, o que é, claro, mau. Big Pink, I poop on you. Foi por mero acaso que vi o início do concerto no Primavera. Devo ter visto três minutos ao todo, quando subiram ao palco, mas a entrada, pelo menos, pareceu-me muito melhor do que aquilo que conheço deles. E é só por isso que ponho aqui um vídeo. Por outro lado, como a única coisa com qualidade que se encontra deles é a Dominos, vejo-me obrigado a postar isso. Dominos é uma canção da piça.



Pavement - Não vou dar lições de História em relação aos Pavement. Ficaríamos aqui o resto do dia. Mas é importante dizer que, quando deram o último concerto em 1999, na Brixton Academy em Londres - existe registo em DVD, algemas no microfone e tudo -, as coisas estavam azedas entre o vocalista e compositor principal Stephen Malkmus e o resto da banda. Resultado? Malkmus seguiu em frente com discos geniais e o resto da banda continuou a trabalhar noutros projectos com menor relevância. Mas por óptimos que os discos fossem, os trabalhos dos Pavement não têm comparação. É, para mim e para muitos, a melhor banda da História do mundo e do rock e de sempre for ever and ever, sem itálico. Por razões diferentes, eles e os King Crimson. Nada mau, hein?

Chegamos ao ano de 2009 e ouço inesperadamente que uma amiga tinha acabado de comprar bilhetes para uma reunião dos Pavement em Nova Iorque em Setembro deste ano, a um ano de distância. Boato, certamente, como muitos outros. Nada disso. O mais inteligente seria comprar também e foi o que fiz. Esgotaram online em quatro horas. Mas, como Nova Iorque ainda fica longe e nunca se sabe, e como entretanto marcaram uma digressão mundial, o Primavera Sound colocou-se como uma óptima primeira escolha.

Nem três minutos da banda anterior me afectaram, nervoso que estava por querer um bom lugar. A meia hora do início do concerto, não havia praticamente ninguém à frente do palco. A vinte minutos, quando cheguei, já só consegui ficar a uns 30 metros do palco, à frente do lado do Malkmus. A banda entra, só sorrisos e piadas. Bastou o início da Cut Your Hair, o mais popular semi-êxito dos Pavement, para o entusiasmo rebentar. Dizem que foi o concerto com mais gente no festival inteiro. Eu não sei, não conseguia ver para trás.

Assim se formou imediatamente um mosh e eu, felizmente, que me infiltrei alegremente para tentar chegar à frente, cheguei às primeiras filas. Agora à direita, de frente para Scott Kannberg, era o melhor sítio, até porque SM toca de frente para a banda e, desta forma, de frente para mim também. A partir da Rattled By The Rush, foi visão perfeita e costas em papa, mas costas em papa felizes. E não admira, com este alinhamento:

Cut Your Hair / Trigger Cut / Rattled By The Rush / Father To A Sister Of Thought / In The Mouth A Desert / Kennel District / Grounded / Silent Kid / Ell Ess Two / Spit On A Stranger / Unfair / Starlings Of The Slipstream / Fight This Generation / We Dance / Conduit For Sale! / The Hexx / Here / Stereo / Two States / Range Life // Gold Soundz / Shady Lane / Stop Breathin’

Dificilmente escolheria um alinhamento melhor que este, só faltando talvez ali uma Frontwards - mas estaria a ser picuínhas. Os Pavement foram aonde tinham de ir e Stephen Malkmus continua a fazer os alinhamentos com meras horas de antecedência. Nota-se e sabe a fresco. Podemos ir à net ver as setlists dos concertos anteriores à vontade, que não é isso que vamos ouvir.

Mesmo assim, foi uma escolha equilibrada entre os discos, os singles e as cantadas por Kannberg, mas com pouca relevância para o último disco - a versão escolhida para The Hexx foi a de 1997, a pesada (e a que tem letra mais gira). E um concerto que acabe com Stop Breathin', tocado pelos Pavement, é perfeito. Qualquer uma das canções, noutro concerto e interpretadas desta forma, seriam sempre um momento alto. Este concerto foi feito apenas de momentos altos. Como disse a Pitchfork, que de vez em quando se lembra de ter toda a razão, este não foi só um concerto, nem só motivado pelo dinheiro de uma reunião - foi um love affair.

Com muitos dos músicos do festival a ver o concerto em palco (lá estava de novo Tim Harrington), cientes do momento memorável que era, as participações não faltaram, como os Monotonix a dançar a We Dance com Bob Nastanovich e Kevin Drew dos Broken Social Scene a cantar o refrão da Kennel District. A nível de curiosidade, mais para o final do concerto, Kannberg decidiu descer e tentar fazer crowd surfing. E eu sei, porque tentei sozinho segurar num americano de 120 quilos, sem ajudas. Como naturalmente não consegui, ficou a tocar sentado na grade à minha frente. Posso ter segurado no rabo de outro homem, mas como são os Pavement, não faz mal.

A banda esteve em forma, talvez como nunca esteve. Não diria que estão profissionalmente melhores - isso nunca importou nos Pavement. Estão a tocar com mais ou menos a mesma destreza e tightness que em 1999, com uma diferença: agora lembram-se que gostam uns dos outros e, principalmente, da música. Portanto, uma coisa que era incrível mesmo com 30 a 50 por cento de entrega, agora é amor puro.

Uma pessoa pode olhar para a cara do Stephen Malkmus e achar que está a fazer um verdadeiro frete. Garanto que não; é apenas a postura enfadada e birrenta que lhe dá tanta graça. Os Pavement - todos eles - foram honestos e estavam felizes. E a felicidade deles é a nossa.




Nota: no dia seguinte conheci o baterista Steve West e ele confirmou-me, "Yep, that was a great one..."

Fuck Buttons - O cansaço àquela hora já era imenso. Mesmo assim, ouvi grande parte do concerto de Fuck Buttons, sem a atenção devida, admito. É capaz de ser muito mais interessante do que aquilo que me pareceu. Um homem não é o mesmo com os pés a ferver e, apesar de não ter visto montes de bandas que gostaria de ver (Mission of Burma, Sleigh Bells, Moderat, Delorean, Wild Beasts, etc.), naquele momento, já pouco importava.

Primavera Sound 2010 parte 01




Pois é bitches, o Altamont esteve no Primavera Sound 2010. Ainda que não tenha visto o último dia, devido a casório já em terras nacionais, tive a possibilidade e sorte de estar nos dois primeiros dias de um dos maiores festivais de música indie do mundo. Ainda que a ida a Barcelona fosse principalmente motivada pela actuação dos Pavement como cabeças-de-cartaz no primeiro dia, entre as inúmeras bandas em cartaz, a maioria interessava-me. E é este um dos espíritos com que este festival pode ser encarado.

Antes de falar dos concertos em maior detalhe, devo explicar como o Primavera Sound funciona.

A escolha das bandas funciona em três ou quatro lógicas paralelas: tocam bandas lendárias, ou bandas da moda, ou bandas que estão agora a tornar-se conhecidas. E há ainda as bandas espanholas, como é natural. O cartaz inteiro deste ano encontra-se aqui.

Palco San Miguel:
BisDijous 27 de maig18:00h
Dr. DogDissabte 29 de maig18:45h
Florence + The MachineDissabte 29 de maig20:50h
PavementDijous 27 de maig01:00h
Pet Shop BoysDissabte 29 de maig01:15h
PixiesDivendres 28 de maig01:15h
SpoonDivendres 28 de maig20:20h
SuperchunkDijous 27 de maig22:10h
The Charlatans performing "Some Friendly"Dissabte 29 de maig23:00h
The FallDijous 27 de maig20:10h
The New PornographersDivendres 28 de maig18:15h
WilcoDivendres 28 de maig22:30h


Palco Ray-Ban:
Broken Social SceneDijous 27 de maig23:15h
CocoRosieDivendres 28 de maig21:25h
Fuck ButtonsDijous 27 de maig02:30h
Grizzly BearDissabte 29 de maig21:55h
Marc AlmondDivendres 28 de maig00:05h
Nana GrizolDissabte 29 de maig19:50h
Nueva VulcanoDivendres 28 de maig19:20h
OrbitalDissabte 29 de maig03:00h
Sunny Day Real EstateDissabte 29 de maig00:05h
The Bloody Beetroots Death Crew 77Divendres 28 de maig03:00h
The Wave PicturesDijous 27 de maig19:05h
The XXDijous 27 de maig21:15h


Palco ATP:
ApseDijous 27 de maig02:00h
Beach HouseDivendres 28 de maig21:40h
Beak>Divendres 28 de maig20:20h
Ben FrostDissabte 29 de maig02:00h
Black Math HorsemanDivendres 28 de maig02:00h
Built To SpillDissabte 29 de maig23:00h
Circulatory SystemDijous 27 de maig20:20h
Dj Barry Hogan (ATP)Divendres 28 de maig03:30h
Dj CocoDissabte 29 de maig03:30h
Dr. KikoDijous 27 de maig03:30h
Les Savy FavDivendres 28 de maig23:00h
Liquid LiquidDissabte 29 de maig00:30h
Michael Rother & Friends present NEU! musicDissabte 29 de maig19:00h
PolvoDissabte 29 de maig21:40h
Scout NiblettDivendres 28 de maig19:00h
ShellacDivendres 28 de maig00:30h
Sian Alice GroupDissabte 29 de maig20:20h
The BooksDijous 27 de maig00:30h
The Psychic ParamountDissabte 29 de maig17:45h
TortoiseDijous 27 de maig23:00h
UiDijous 27 de maig21:40h


Palco da Vice:
BigottDissabte 29 de maig17:00h
Boy 8-BitDissabte 29 de maig04:15h
Chrome HoofDijous 27 de maig02:15h
CoheteDivendres 28 de maig17:00h
Condo FucksDivendres 28 de maig20:30h
CrocodilesDijous 27 de maig23:15h
Emilio JoséDijous 27 de maig17:45h
Endless BoogieDissabte 29 de maig18:00h
Gary NumanDissabte 29 de maig00:15h
Half Foot OutsideDijous 27 de maig20:15h
HarlemDivendres 28 de maig18:00h
HEALTHDissabte 29 de maig03:00h
Marc PiñolDijous 27 de maig04:30h
Matt & KimDissabte 29 de maig23:00h
Mission Of BurmaDijous 27 de maig00:45h
ModeratDijous 27 de maig03:30h
MonotonixDijous 27 de maig19:00h
MujeresDivendres 28 de maig04:00h
Panda BearDivendres 28 de maig23:30h
Pony BravoDijous 27 de maig21:45h
The Almighty DefendersDissabte 29 de maig01:45h
The BundlesDissabte 29 de maig20:30h
The CleanDissabte 29 de maig19:15h
The DrumsDissabte 29 de maig21:45h
The King Khan & BBQ ShowDivendres 28 de maig01:00h
Thee Oh SeesDivendres 28 de maig19:15h
WireDivendres 28 de maig22:00h
YeasayerDivendres 28 de maig02:30h


Palco da Pitchfork:
A Sunny Day In GlasgowDivendres 28 de maig18:00h
Atlas SoundDissabte 29 de maig19:15h
Best CoastDivendres 28 de maig19:15h
BiscuitDijous 27 de maig17:00h
Cold CaveDivendres 28 de maig00:15h
DeloreanDijous 27 de maig02:45h
DiploDivendres 28 de maig04:30h
Dum Dum GirlsDissabte 29 de maig00:15h
Fake BloodDissabte 29 de maig04:15h
GangliansDivendres 28 de maig20:30h
Here We Go MagicDivendres 28 de maig21:45h
JapandroidsDivendres 28 de maig23:00h
Joker featuring NomadDivendres 28 de maig02:45h
Lee "Scratch" PerryDissabte 29 de maig01:30h
Lidia DamuntDissabte 29 de maig17:00h
Major LazerDivendres 28 de maig01:30h
No AgeDissabte 29 de maig23:00h
Real EstateDissabte 29 de maig18:00h
Sic AlpsDijous 27 de maig18:00h
Sleigh BellsDijous 27 de maig01:30h
Surfer BloodDijous 27 de maig19:15h
The AntlersDissabte 29 de maig21:45h
The Big PinkDijous 27 de maig00:15h
The FieldDissabte 29 de maig03:00h
The SlitsDissabte 29 de maig20:30h
The Smith WesternsDijous 27 de maig21:45h
Titus AndronicusDijous 27 de maig20:30h
Wild BeastsDijous 27 de maig23:00h
Wild HoneyDivendres 28 de maig17:00h

A estes, juntam-se os concertos no Auditório Rockdelux (Low, Hope Sandoval, Owen Pallett, etc.), fora do festival; no palco Ray-Ban Unplugged (concertos unplugged de bandas de outros palcos como Ganglians e The Wave Pictures); no Salón Myspace 43 e no Adidas Originals (bandas espanholas) e ainda no Minimúsica. Isto nos três dias oficiais, porque o festival espalha pela cidade outros concertos nas semanas que antecedem o Primavera Sound.

A nossa atenção foca-se maioritariamente nos cinco grandes palcos, todos praticamente do mesmo tamanho, com concertos quase sempre em simultâneo; o que, como podem imaginar, inviabiliza que se assista a tudo o que se gostaria. Pode parecer uma redundância, mas tirando os concertos que queremos ver do início ao fim, na maior parte do tempo o festival coloca-se como uma excelente oportunidade de ver muitas bandas relevantes em pouco tempo. E, logisticamente, funciona muito bem, o que torna a experiência global muito mais agradável. Nunca se espera mais de cinco minutos (senão apenas três, até) para comprar bebidas, comer, ir à casa-de-banho ou chegarmos a um palco diferente.

É possível encontrar os artistas do festival com alguma frequência - entre outros, vi os The XX umas quatro vezes, os Yo La Tengo andavam a passear, e ainda conheci o baterista dos Pavement.

É natural que a maioria das pessoas no festival seja melómana. Mas também se sente que há muita gente que não faz ideia do que quer ver, nem que saiba o que está ali a fazer além de saber que deve estar ali. Contudo, nunca chega a ser o ovelhismo dos festivais em Portugal: tirando as bandas históricas, entre as quais muito poucas chegaram a ser super-estrelas (Pixies, Pet Shop Boys), a maioria é relativa ou francamente obscura ou, então, bastante recente. Diria que se pode ir ao festival de consciência tranquila só conhecendo 10% das bandas, o que neste caso já é uma percentagem respeitável. Não existe a obrigatoriedade de conhecer as bandas de antemão, até porque este é um festival, em grande parte, de descobertas. No meu caso, como disse, iria só por Pavement. Mas o resto estava longe de ser irrelevante, sendo apreciador de muitas das bandas, ou apenas tendo curiosidade de ver outras ao vivo.

Seguem-se as révius.

04 junho 2010

Water Playlist

Depois de uns tempos passados numa ilha, nada como fazer uma playlist sobre o que vi à minha volta - água! E parece que há muitas e boas músicas inspiradas pela água nas suas mais variadas formas, tanto que nem consegui fazer apenas 1 hora de música, ficando a versão final da iLex Water Playlist com 1h30m. Aqui vos deixo a mesma (vai ficar também na barra lateral), enjoy it!

02 junho 2010

Talvez Relacionado #**

Parece-me muiro bem esta música mais recente dos The Black Keys, denominada "Tighten Up". É o primeiro single do muito recente álbum Brothers (lançado no passado dia 18 de Maio), o sétimo da banda de Ohio. Um bom aperitivo para um álbum a descobrir.

Titus Andronicus - The Monitor (2010)

Lançado no passado mês de Março, The Monitor é já o segundo álbum dos americanos (newjerseyianos, se quisermos ser mais precisos) Titus Andronicus, sendo que o álbum de estreia, The Airing of Grievances, de 2008, já tinha captado a atenção de alguns críticos. Este The Monitor pode ser visto como sendo um álbum conceptual, na medida em que invoca como tema de fundo a Guerra Civil Americana, indo até ao ponto de serem lidas passagens de discursos de Lincoln, ter sido dado o nome de uma importante batalha desta Guerra à música que fecha o disco ("The Battle of Hampton Roads") e a imagem da capa ser da mesma altura desse importante marco da História dos Estados Unidos da América.
A mim, este disco conquistou-me à primeira audição. A abrir temos logo "A More Perfect Union" tema que, sendo mesmo muito sincero, me deixou de tal forma extasiado como há muito não me sentia (diria que talvez desde "Wolf Like Me", já lá vão 5 aninhos...). Uma intensa música de rock, com as suas paragens e avanços, riffs imponentes, 7 minutos de puro deleite e que dá a sensação de ser uma música que não acaba, dado que o álbum é contínuo, não conseguimos descortinar onde acaba e começa uma música, as passagens são muto subtis e baseadas em vários casos nos tais discursos referidos acima (entre os quais se distingue a famosa frase "I am now the most miserable man alive."). Destaco também no álbum a enérgica "Titus Andronicus Forever" e o grand finale - os 14 minutos de "The Battle of Hampton Roads", mas diria que é um álbum bastante compacto e que nos mantém de ouvido atento durante toda a sua duração. Sabem qual a única forma de perceberem do que estou a falar?

25 maio 2010

Hole - Nobody's Daughter (2010)

A seguir a Yoko Ono, o posto de “ maior triste viuvinha” do Rock n Roll vai inteirinho para Courtney Love. Uma das figuras mais controversas do “showbiz”, ninguém pode negar que ela sabe melhor do que ninguém como sobreviver neste “mundo cão”. Já esteve para morrer de overdose várias vezes, já enfrentou a bancarrota; viu membros da sua banda “irem desta para melhor”, perdeu a custódia da sua filha e viu-se abraços em vários processos litigiosos pelo catálogo dos Nirvana. Enfim, Love já viveu quase todas as vidas que tinha para viver, mas ainda lhe sobra uma de reserva. E cá está ela a dar-nos música novamente com a sua banda de sempre. Um regresso que põe fim a 8 anos de “travessia do deserto”.
Felizmente ainda há quem ainda gosta da “Rainha do Rock” e os amigos Billy Corgan (que assina um par de temas) e Linda Perry (a ex-4 Non Blondes que agora se dedica à produção) deram uma ajuda fundamental à construção deste “Nobody´s Daughter”. Uma espécie de regresso à forma (falsa): “Clean and Sober…”
Apesar de já existirem há quase 20 anos, este é apenas o quarto de longa duração das Hole. Digo “das” meramente por simpatia. Porque neste momento o colectivo é maioritariamente masculino (o guitarrista Micko Larkin; o baixista Shawn Dailey e o baterista Stu Fisher completam a formação) e nada tem a haver com a última formação que gravou o último disco (já lá vão 12 anos): “Celebrity Skin”.
Temos assim um disco, feito para Love brilhar e dar e abusar dos seus delírios femininos que se confundem sempre com as suas vivências pessoais. Oiça-se o tema homónimo, que abre o disco e escuta-se que ela está perfeitamente em casa. Grandes harmonias vocais, guitarras muito indie; bateria desfraldada e a eterna voz ” junkie” e ressacada de Courtney (que mais parece) acabada de sair de uma interminável boa noite de copos, drogas e sexo. È o que transparece em “Skinny Little Bitch”.
No entanto os anos passam, e a “Sra. Corbain” já não tem a mesma pedalada e por vezes lá vem uma baladazinha para acalmar um pouco hostes. A acústica “Honey” parece uma daquelas músicas talhadas para as estações “Rock FM” e que poderia ter sido composta a meias com o arqui-inimigo Dave Grohl! Bem mais eficaz são “Pacific Coast Highway” e “Samantha”, esta última poderá ser o single mais que certo para a MTV. No refrão nota-se bem a influência Pumpkininana de Corgan.
O “gás” definitivamente a meio do disco com mais baladas meio comerciais. “"Someone Else's Bed" poderia ser uma boa canção se Courtney não abusasse sempre dos mesmos truques meio Lou Reed, meio Trent Reznor. “For Onde in Your Life” é mais uma baladinha para americano consumir. “Letter to God” soa a lamechas. Felizmente existe a Punk Rocker “Loser Dust” que faz lembrar as Hole dos primeiros tempos. È disto que devia haver mais no disco. Infelizmente não é assim, e a toada morna regressa com os temas que fecham o disco “How Dirty Girls Get Clean” e “Never Go Hungry”. Soa demasiado a “Tom Petty de saias”!
Bem, o disco não é uma desgraça, mas acaba por desiludir depois de um inicio prometedor. Muitas baladas e alguma falta de pachorra para investir em temas mais Rock n Roll matam um pouco o espírito da banda (sé é que tal existe). Esperamos pelas rocalhadas e por mais “gás” na próxima. No entanto e atendendo às atenuantes, já não é mau ter Mrs. Cobain de volta…

24 maio 2010

Black Sabbath - Black Sabbath (1970)

Tudo tem um inicio. E se o género Heavy (“Bloody”) Metal tem um “inicio”, a sua “Fonte” vem directamente daqui. Do aço, do fogo, da poluição, das fábricas, dos céus cinzentos, da falta de melhores oportunidades, da frustração, da raiva das ruas de Birmingham…
Quatro jovens “operários”, fizeram-se à luta e fundaram os Earth em 1968, mais tarde conhecidos como Black Sabbath, após o baixista Geezer Butler ter visto no cinema um poster do filme de terror “Black Sabbath” com Boris Karloff. A ideia era, se as pessoas pagavam para se assustarem com filmes de terror…porque não fazer uma banda de Rock que tocasse música assustadora.
Após algumas experiências mal (ou bem, depende o ponto de vista se gosta de ver sombras escuras a passarem junto à cama durante a noite) sucedidas com o “Oculto”, os Sabbath gravaram o disco de estreia em apenas dois dias. O suficiente para terem o seu nome escrito na história da popular do século XX! È certo que já havia o som Hard-Rock dos Led Zeppelin, os solos histriónicos de Jimi Hendrix e que os americanos Blue Cheer ou os ingleses Edgar Broughton Band se aventuravam a praticar um som pré-industrial e até mesmo “stoner”, mas foram os Black Sabbath (neste capitulo) os primeiros a por os pés na “Lua de Metal”!
O grupo ia mais longe não só pela música, mas também pelo ambiente que a rodeava. Nunca as bruxas, os feiticeiros, a Igreja de Satã (de Anton Lavey) e mais o “diabo a quatro” tinham tido “algo” que pusesse em notas de música o imaginário do Oculto e da Magia Negra. Aliás nota-se no tema homónimo que aquele “riff”, que ficou conhecido como “do Diabo” e inventado pelo genial Tony Iommi faria “assustar” muito boa gente.
Quanto aos outros Sabbath, temos aqui um grande baterista capaz de rivalizar com o Zeppelin, John Bonham: Bill Ward. E também um jovem Ozzy Osbourne, ainda sem a voz esganiçada e que cantava todos os temas que nem um “Exorcista” a tentar expurgar as almas do Inferno!
Alias, desde cedo que Ozzy avisava que o objectivo do grupo era alertar contra os males de Satã e não defende-los. No entanto, os media e uma boa parte da indústria não entendia assim. Nos E.U.A., cada actuação do grupo era rodeada de fortes medidas de segurança dada a perseguição de alguns grupos Cristãos (maioritariamente Sulistas) mais fundamentalistas. Uma toada que se iria repetir ao longo de toda a história do Heavy Metal, desde os Iron Maiden, passando pelos Kiss, Motley Crue, até aos Judas Priest. Numa América deprimida pelo Vietname e à espera de um “Watergate”, este estilo pesado vinha mesmo a calhar.
Quanto ao disco de origem à maioria dos 300 estilos reconhecidos como ” Metal”, há a destacar além do tema título, o bluesy “The Wizard” (com uma excelente harmónica de Ozzy); o pesado “NIB” (que não quer dizer “Nativity in Black” como muitos pensam, mas que se refere ao estilo de barba usada por Ward) e uma curiosa cover de um grupo americano desconhecido – Crow – chamada “Evil Woman”.
Destaque para a foto da capa da autoria do artista “Keef” de uma casa situada em Mapledurham, ao pé do Rio Tamisa no condado de Oxfordshire. Até hoje ninguém sabe que é a figura de negro que está na capa. Estranho, mas nada fora do normal no mundo do negro Heavy Metal. O que fica para a história é que tudo isto foi como o ”canto do galo” do “Monstro”. Que por muito que queiram abater, ainda é o maior género sobrevivente da música do Rock...