20 maio 2010

Gogol Bordello - Trans-Continental Hustle (2010)

Os Gogol Bordello estão de regresso com o seu novo álbum Trans-continental Hustle. Após o seu excelente sucesso do álbum Super Taranta (2007), tiveram nos últimos anos a conquistar fãs, nos melhores festivais de música à volta do globo. Marcando internacionalmente o seu conceito de música, o Gipsy Punk Rock.
Este trabalho contou com a produção de Rick Rubin, ex Dj dos Beastie Boys. Este produtor americano trabalhou com bandas como, Red Hot Chilli Peppers, Johnny Cash, The Cult, Metallica, AC/DC, U2, Jay Z, Run DMC, entre outras. O que veio dar origem a um álbum mais polido que os anteriores.
Para quem não conhece os Gogol Bordello, são um grupo composto por 9 elementos, formado por Eugene Hutz no bairro de Lower East Side de Manhattan, em 1999. São uma banda multi cultural e eclética, pois é composta por pessoas de todos os cantos do mundo, Ucrânia, Rússia, Etiópia, Equador, Israel, etc.
Este álbum tem uma menor influência punk rock, tem um som mais global, misturando vários tipos de música e linguagens. Influência brasileira, do leste europeu e latina. Estando mais presente uma universalidade popular, em relação ao típico gipsy punk rock, apresentado nos quatro álbuns anteriores.
Recomendo as seguintes faixas:
Pala Tute
Mi Compañera
Rebellious Love
Immingraniada
Uma Menina
Break the Spell
É um álbum divertido, puro e simples.
A não perder será o concerto que terá lugar no dia 10 de Julho no Optimus Alive 2010. Trata-se de um regresso, depois de terem estado em 2008 no mesmo festival. Veremos se a onda dos Balcãs virá para ficar em Portugal, como tem estado e marcado as noites por essa Europa fora.

Heroes Playlist

E estamos de voltas às playlists temáticas. Depois de "Lost" agora chega-nos a "Heroes".

The Kinks - Arthur (Or the Decline and Fall of the British Empire) (1969)

Numa destas tardes de passeata pela nossa bela Lisboa, que, com este bom tempo convida a ligeiros passeios, acompanhados de bons amigos, umas ginjinhas e umas imperiais, deparei-me com uma ligeira branca aquando da selecção de algo para ouvir no meu iFrod. Por vezes, a quantidade deixa-nos indecisos e periclitantes na escolha do som para o momento. Alguns clicks para cima e para baixo e parei neste álbum. Fiz play e segundos depois já estava a bater o pé ao som de "Victoria" enquanto aguardava o metro na estação do Areeiro. E, de repente, lembrei-me o porquê fiquei tão "amarrado" ao som dos Kinks. A estes Kinks, os do final dos anos 60 que se desprenderam da onda da British Invasion que os fez mais conhecidos. "All Day and All of the Night" ou "You Really Got Me" por muito que sejam grandes músicas ficam a léguas dos álbuns conceptuais mas muito britânicos feitos alguns anos depois. Aqui, em Arthur, os Kinks viajam pelos gloriosos anos do Império Britânico que estava presente nos quatro cantos do mundo. Mais uma vez, e, como é normal num álbum dito conceptual, a audição do mesmo tem que ser do início ao fim. De "Some Mother's Son", passando por "Australia", "Shangri-La" e acabando em "Arthur", os Kinks demonstram porque razão são tidos como uma das bandas que encorpou o verdadeiro sentido britânico. E nisto saí na estação do Rossio, bebi uma ginjinha e lá se passou mais dia...

19 maio 2010

Metallica - Pavilhão Atlântico - 18.05.2010

Os Metallica são uma instituição. Então em Portugal eles são quase uma religião. Ontem perante um Pavilhão Atlântico (transformado em “Catedral de Metal”) a transbordar pelas costuras, os” fieis“ metaleiros gritaram, cantaram, “mosharam” e veneraram todos os acordes, todos os riffs, todas as batidas, todos os solos e letras da maior banda de Heavy Metal do Mundo.
E não é caso para menos, desde a última vez que os vi ao vivo (há dois anos no Rock in Rio) a banda pareceu ganhar uma nova alma com este “Death Magnetic”. Uma espécie de regresso à forma dos velhos tempos e o primeiro bom disco desde o longínquo “Black Album” a reunir o consenso dos fãs mais ferrenhos.
E foi precisamente ao som de “That Was Just Your Life”( tema que abre este último disco) que os Metallica apareceram em palco. Eram 21 e 45 e o Pavilhão quase que ia abaixo. Não só com a reacção esfusiante do público, como pelo som carregado de decibéis (a mais) que arruinou o primeiro quarto de hora do concerto. È lamentável que as pessoas tenham que pagar para ver grandes bandas com um som tão sofrível como este.
Se a audição não era lá grande coisa (a voz de Hetfield parecia um eco gigantesco a deslizar pelo Atlântico, enquanto que as guitarradas eram abafadas pela bateria de Ulrich), visualmente o concerto era compensado por um palco 360º, muito usual nos concertos americanos dos Metallica, mas nunca visto em Portugal. Tudo para grande regozijo dos músicos (este formato dá-lhes maior amplitude de movimentos) que brindavam a plateia dos mais diversos ângulos.
Após mais uma demonstração “decibélica” com “The End of The Line”, Hetfield dirigiu-se pela primeira vez ao público Lisboeta anunciando um “clássico”: “Ride the Lightning”! Uma das melhores músicas da fase Trash (1983 – 1988) e que pôs os fãs mais “old School” ao mosh e com um sorriso na boca!
A viagem ao passado seguiu-se ao som de “Through the Never” do “Black Album”. Um tema que nos meus 6 concertos de Metallica, pouco me lembro de alguma vez o ter escutado ao vivo. Aliás, em abono da verdade o espectáculo de ontem deve ter sido o que mais me surpreendeu a nível do alinhamento, não só pelas músicas de “Death Magnetic” (as demolidoras “Broken, Beat and Scared” e “My Apocalypse”), como também pela escolha em tocarem “clássicos do baú” como “The Four Horsemen” ou “Phantom Lord” do primeiro LP: “Kill Em All”!
Apesar do ambiente de celebração e das condições sonoras terem melhorado à medida que o PA do grupo se instalava nos monitores, chegou a homenagem da noite. O ex-vocalista dos Black Sabbath, Ronnie James Dio, falecido no domingo passado não foi esquecido e o grupo dedicou-lhe “Fade to Black”. A frase “…But Now He´s Gone” fez tanto sentido naquele momento que chegou a arrepiar.
“Vocês querem Heavy”? Perguntava Hetfield antes de introduzir “Sad But True”, o primeiro de uma série imparável de clássicos e êxitos que levou o Atlântico à euforia. Lá vieram as as habituais explosões pirotécnicas do épico “One”; os coros magistrais de “Master of Puppets”; a fúria de “Battery”; a calmaria de “Nothing Else Matters” e o delírio comercial de “Enter Sandman”.
Para os encores, mais uma boa surpresa: a cover de “Stone Cold Crazy” dos Queen! A finalizar o habitual “Seek and Destroy”. Nesta altura voam balões, canta-se os parabéns ao filho de Hetfield, grita-se por Portugal e bebe-se muita cerveja. O recinto mais parece um baile de “Sto. António” do que o “Ritual” exibido duas horas antes. A banda agradece põe a bandeira de Portugal ao pescoço e Lars pergunta: “"should Metallica play in Portugal every year?” A resposta é um estrondoso sim, mas…não no Atlântico!

18 maio 2010

Metallica - Master of Puppets (1986)

Pode ter parecido há séculos, mas houve uma altura em que os Metallica eram provavelmente o porta-estandarte do “Heavy Metal”. Não só porque inventaram (acidentalmente) um género que ficou para a história como Trash Metal, bem como terem sido dos primeiros a levantar a voz contra os impostores do “Falso Metal”, ou seja as bandas Glam de L.A. (Motley; Poison ou Ratt) que dominavam o Rock e os Tops dos anos 80.
Vindos de mais a norte da Califórnia (da Bay Area de San Francisco), os Metallica assustaram muita gente quando publicaram o seu disco de estreia “Kill ´em All”. Um ritmo ultra rápido da bateria de Lars Ulrich; riffs e solos de guitarra a 200 à hora; um baixo virtuoso de Cliff Burton e a voz furiosa (contra tudo e contra todos) de James Hetfield eram receita suficiente para o grupo se afirmar (em inícios da década de 80) como o mais “barulhento e poderoso da América!
A cada disco os Metallica quebravam fronteiras e ganhavam novos adeptos do seu estilo demolidor. Já em “Ride the Lightning” (1984), parecia haver um amadurecimento do seu som Trash, incluindo nesse disco uma semi-balada (“Fade to Black”) que granjeou aos Metallica ainda mais fãs, que tinham perdido o barco ou andavam distraídos da primeira vez.
Mas é com “Master of Puppets”, gravado entre Setembro e Dezembro de 1985, na terra natal de Ulrich (i.e. Copenhaga), que esta “Metal Militia” atinge a maturidade. Sob a batuta do produtor Fleming Rasmunssen, os Metallica voltavam a por o pé no acelerador, reinventando um estilo que rapidamente contagiava outras bandas (Megadeth, Slayer ou Anthrax). Chamemos-lhe “Trash Metal Progressivo”. Porque era isso mesmo que os Metallica eram. Uma banda em constante evolução sonora, sem grandes paragens para contemplarem “os louros do sucesso”.
“A revolução” começa no uso de gentis guitarras acústicas utilizadas na introdução do brutal “Battery”. Como se fossem um pontinho de sol antes de a “embarcação” ir rumo à tempestade. Este efeito “Luz /Sombra”, também é utilizado no tema homónimo, embora aqui ornado com algumas harmonias de baixo saídas do cérebro efusivo de Burton.
Aliás, o último disco que o malogrado baixista grava com a banda tem a sua marca bem presente. O instrumental harmónico “Orion” é a prova viva que Burton podia encaixar as suas influências de Rock mais clássico numa canção trash.
Se Burton é o decorador destas canções, o seu Amo verdadeiro é Hetfield que tem aqui algumas das suas melhores letras sobre a guerra (que ia na sua cabeça): “Disposable Heroes” e uma nova semi-balada “Welcome Home (Sanatarium)”. Ambas um excelente tour de force para quem gosta de gastar um bilhete até a um “Inferno Sonoro”. Há também a versatilidade de “The Thing That Should Not Be”, com o grupo a introduzir um som mais limpo e algo indicativo daquilo que iria surgir na década seguinte.
A finalizar o álbum mais um clássico da banda – “Damage Inc.” – com ´Hetfield em plena fúria guerreira e Kirk Hammett (ainda não tínhamos falado dele) a rubricar um excelente solo de guitarra. Palmas também para Ulrich que tinha (à época) um pedal duplo diabólico!
“Master of Puppets” fica para a história como sendo não só o melhor disco dos Metallica, como também uma despedida “Gloriosa” de Burton que mal sabia que estaria morto um ano depois, num estúpido acidente de autocarro aquando de uma digressão pela Escandinávia. Era o fim de uma era…

16 maio 2010

The Unthanks - CC Olga Cadaval - 10.05.2010



Mazgani - Santiago Alquimista - 06.05.2010


Mais um bom disco português a sair em 2010.
O luso-iraniano Shahryar Mazgani lançou há pouco tempo Song of Distance, o segundo álbum, e apresentou-o ao vivo no Santiago Alquimista.
O disco foi gravado no campo, "entre caminhos de cabra e olivais", mas podia ter sido no Alabama, ou num estado norte americano do interior.
Este disco confirma Mazgani como um dos artistas nacionais mais conscientes do seu rumo e identidade - algo como Rock espiritual musculado. As músicas têm força, principalmente ao vivo - além de ser um frontman com atitude, Mazgani tem consigo grandes músicos.
E de megafone em riste, Mazgani espalha a mensagem.

12 maio 2010

Radiohead - In Rainbows (2007)

E chegamos então a 2007, ano de lançamento de In Rainbows, sétimo álbum da banda. 22 anos se tinham passado desde a data de formação da banda, e 15 desde o lançamento de "Creep", o single que os mostrou ao mundo. E como os Radiohead nunca foram banda de apenas implementar aquilo que a sociedade considera normal, este foi mais um lançamento em estilo. Findo que estava o contrato de seis álbuns com a EMI, os Radiohead optaram por um lançamento independente e inovador - o álbum ficou disponível para download no site da banda, e os compradores é que decidiam o preço a pagar pelo download do mesmo. A meu ver esta foi uma pedrado no charco da indústria da música, adormecida à sombra da bananeira perante a realidade actual e a combater com as armas erradas o acesso sem custos à música. Por falar em música, e sem mais rodeios, analisemos então um pouco melhor este In Rainbows.
O álbum inicia-se com um "15 Step" que é o mais perto que os Radiohead estiveram de ser uma banda de música electrónica, indo, a meu ver, até um pouco além de onde tinham ido em Kid A neste campo, entrando de seguida em "Bodysnatchers", com um poderoso baixo e riff de guitarra a servir de base a tudo o resto, que parece não mais que uma jam session, com entradas e saídas dos outros instrumentos, variações do ritmo e um final apoteótico quando já nada esperávamos. Importa realçar que antes de In Rainbows ver a luz do dia, já Thom Yorke tinha lançado um álbum a solo, The Eraser, onde expandiu toda a sua vontade de experimentação, chegando à produção de In Rainbows um Yorke diferente, menos tenso e mais aberto a ser apenas mais um elemento da banda. E penso que este "Bodysnatchers" carrega sobre si o peso de exhibit A, com todos os elementos da banda em plena utilização das suas capacidades. Vem depois "Nude", música já antiga, dos tempos pré-Kid A, mas que nunca tinha sido incluída em álbum e na qual nos é mostrado um lado doce dos Radiohead, que nos faz fechar os olhos e deixar ir. O mesmo acontece com "House of Cards", música inserida mais lá para a frente no álbum (ninguém vos disse que isto tinha de ser por ordem, nem que ia falar de todas as músicas...). Um sonho. Queria também destacar, a nível pessoal, as duas músicas que me deixam mais encostado no canto do ringue, prostrado, inerte, maravilhado - "Weird Fishes/Arpeggi" e "Jigsaw Falling Into Place". Bastante diferentes uma da outra, mas de uma intensidade bruta. E para acabar, "Videotape". O acabar um álbum é uma arte já demonstrada por A+B na qual os Radiohead são mestres. E como tal não há aqui espaço para desilusão, apenas confirmação.
In Rainbows é, se a minha opinião se pode ficar por uma palavra, brilhante. Sente-se o alívio da pressão a que sempre estiveram sujeitos para inovar e a coisa resulta num belo disco. Desde a inclusão de uma música que não tinha sido aceite pelos parâmetros de qualidade anteriormente impostos, a "House of Cards" onde ouvimos e sentimos uma sensação de relaxamento que nunca estivera presente, tudo neste álbum soa ao fechar de um ciclo aceite por todos e ao atingir de um objectivo que até então estiveram em constante (e incessante) procura.

11 maio 2010

Moonlight Drive Session II

Hey everybody! Venho aqui com o único e exclusivo objectivo de partilhar o setlist da segunda Moonlight Drive Session que ocorreu na passada 6ª feira no Miradouro de São Pedro de Alcântara. A noite ainda não estava de Verão, chegou até a cair uns pingos, e por isso quero dar um forte agradecimento aos que estóicamente se aguentaram por ali a ouvir o som que saía das colunas. Queria destacar também um pedido de um fã especial, que teve o trabalho de se deslocar à "cabine" de som a pedir raggaeton. A seguir a um rotundo não, insistiu com o pedido de uma "espanholada", ao que retribuí que era uma coisa contra a minha religião, e em vésperas da visita do Papa não queria correr riscos. Sem mais demoras, vamos então à lista:

1. Finish Your Collapse And Stay For Breakfast - Broken Social Scene
2. Moonlight Drive - The Doors
3. Femme Fatale - The Velvet Underground
4. Brown Eyed Girl - Van Morrison
5. Everyday - Vetiver
6. It's Alright - Olga
7. A Message To You Rudy - The Specials
8. Airplanes - Local Natives
9. Strange Vine - Delta Spirit
10. Always Like This - Bombay Bicycle Club
11. Floating Vibes - Surfer Blood
12. A Teenager In Love - The Pains of Being Pure at Heart
13. Actor Out Of Work - St. Vincent
14. Trick Pony - Charlotte Gainsbourg
15. Little Honda - Yo La Tengo
16. Vicious - Lou Reed
17. Substitute - The Who
18. Back In The USSR - The Beatles
19. 1969 - The Stooges
20. White riot - The Clash
21. Transmission - Joy Division
22. 1.2.X.U. - Wire
23. O Katrina! - Black Lips
24. A More Perfect Union - Titus Andronicus
25. Titus Andronicus Forever - Titus Andronicus
26. Abel - The National
27. Debaser - Pixies
28. I Wanna Be Sedated - The Offspring
29. She - Green Day
30. Muzzle - Smashing Pumpkins
31. No One Knows - Queens Of The Stone Age
32. Special K - Placebo
33. Cannonball - The Breeders
34. Dirty Boots - Sonic Youth
35. Last Exit - Pearl Jam
36. Aneurysm - Nirvana
37. Midlife Crisis - Faith No More
38. Red Right Hand (Cover) (Bonus) - Arctic Monkeys
39. In the New Year - The Walkmen
40. I Just Don't Know What To Do With Myself - The White Stripes
41. Halo - Bloc Party
42. Dancing Choose - TV On The Radio
43. Y Control - Yeah Yeah Yeahs
44. The Boys Are Leaving Town - Japandroids
45. Drowning Men - Fanfarlo
46. Brian Eno - MGMT
47. Lust For Life - Girls
48. Everybody's Got Something To Hide Except Me And My Monkey - The Feelies
49. Let's Go Surfing - The Drums
50. Friendly Ghost - Harlem
51. Holiday - Vampire Weekend
52. Lisztomania - Phoenix
53. Surprise Hotel - Fool's Gold
54. Saddest Summer - The Drums (a pedido)
55. Can't Stop Feeling - Franz Ferdinand
56. When It Started - The Strokes
57. Rebellion (Lies) - Arcade Fire
58. A Call To Arms - Beirut
59. Nantes - Beirut
60. Heads Will Roll - Yeah Yeah Yeahs