04 maio 2010

Especial Festival Isle of Wight - Part. I

A Ilha de Wight fica situada no sul de Inglaterra, tem cerca de 380 km2 e a forma de um diamante. É aqui que se realiza agora, anualmente, um dos míticos festivais da Europa.

A sua primeira edição decorreu no ano de 1968. Cerca de 10.000 pessoas assistiram a um único dia de Festival, em que os cabeças de cartaz foram os Jefferson Airplane, antecedidos de Arthur Brown, The Move, Tyrannosaurus Rex, Plastic Penny e dos Pretty Things. No ano seguinte, a organização do Festival foi mais arrojada. Primeiro, alargou o evento para 2 dias e convidou para actuar Bob Dylan, naquele que foi o primeiro concerto após um acidente de mota, numa altura em que muitos duvidavam do regresso de Dylan aos palcos, The Who, que na altura apresentavam no set o seu espectáculo intitulado Tommy, Joe Cocker, The Moody Blues, entre outros. Numa edição mais preparada, estiveram presentes cerca de 150.000 pessoas entre as quais John Lennon e Yoko Ono, Ringo Starr, George Harrison, Keith Richards, Syd Barrett ou Eric Clapton.

Mas ao terceiro ano, em 1970, o festival explodiu com uma audiência impressionante de cerca de 600.000 espectadores (e há quem diga que tenha mesmo chegado às 800.000 pessoas). Este sucesso deveu-se sobretudo a Jimi Hendrix. Não só pelo músico que era, como pelo que representava, como também pelos artistas que facilmente atraiu a aceitarem tocar no Isle of Wight, tais como os Chicago, The Doors, The Who, Joan Baez ou os Free, que não pensaram duas vezes em tocar ao lado do mítico Hendrix. E acabou mesmo por ser o último concerto que Hendrix deu. Contudo 600.000 pessoas num Festival a decorrer numa ilha que tinha apenas 100.000 habitantes não podia correr às mil maravilhas. A Ilha de Wight era conhecida como destino chique de férias e uma invasão de 600 mil hippies não foi bem vista e o Festival deixou de se realizar até 2002.


Jimi Hendrix

The Doors

02 maio 2010

Agenda de Maio

Em mês de Semanas Académicas começamos por destacar uns surpreendentes Franz Ferdinand na Queima do Porto. Provavelmente a maior confirmação até hoje em Semanas Académicas o que prova uma maior aposta neste tipo de eventos. Para além de FF, as Semanas Académicas do País trazem-nos outros artistas como Shaggy, CSS, Gentlemen, Guano Apes ou Mad Caddies. Não está mau. Mas Maio, mês que já cheira a verão, já oferece muita variedade. Rufus Wainwright, Metallica, Au Revoir Simone, The xx são apenas alguns dos bons concertos a que poderemos assistir. Contudo o destaque natural vai para Grizzly Bear, um dos concertos mais aguardados do ano, com primeira parte assegurada por Cibelle. Em Maio decorre igualmente nova edição do Rock in Rio. Deste mediático evento podemos destacar Muse e 2 Many Dj's e pouco mais. Maio já cheira a festa.

Agenda

2. Juana Molina - Santiago Alquimista, Lx
3. Franz Ferdinand - Parque da Cidade, Porto
4. The Horrors + Crystal Castles + Youthless - Coliseu, Lx
6. Shaggy - Faro
6. Aeroplane - Lux, Lx
6. Rufus Wainwright - Coliseu, Porto
7. Rufus Wainwright - Aula Magna, Lx
7. Gotan Project - Coliseu, Lx
8. Gentlemen - Faro
8. Cansei Ser Sexy - Estádio do Restelo, Lx
8. Gotan Project - Coliseu, Porto
10. The Unthanks - Olga Cadaval, Sintra
13. Emir Kusturika & No Smoking Orchestra - Braga
13. A Silent Film - Aula Magna, Lx
14. Guano Apes - Coimbra
14. La Roux - Lux, Lx
18. Metallica - Pav. Atlântico, Lx
19. Metallica - Pav. Atlântico, Lx
20. Digitalism - Lux, Lx
20. Lou Rhodes - Museu do Oriente, Lx
20. Au Revoir Simone - Olga Cadaval, Sintra
21. Au Revoir Simone - Alcobaça
21. Foge Foge Bandido - Parque da Cidade, Porto
22. Lou Rhodes - Braga
22. Au Revoir Simone - Guimarães
25. The xx - Aula Magna, Lx
25. Santana - Pav.Atlântico, Lx
26. Grizzly Bear + Cibelle - Coliseu, Lx
26. The xx - Casa da Música, Porto
27. Muse - Rock in Rio, Lx
27. No Age - Galeria ZdB, Lx
27. Grizzly Bear + Cibelle - Coliseu, Porto
28. Os Pontos Negros - São Jorge, Lx



30 abril 2010

Free - Free Energy (2010)

Sonic Youth - Coliseu - 22.04.2010

A minha preparação para o tão aguardado concerto dos Sonic Youth foi a seguinte: injectaram-me lidocaína no abdómen como quem fura um bolo com um palito para ver se está "pronto" (gani que nem um cão), taparam-mo com um paninho verde garrido, lancetaram-me horizontalmente mesmo abaixo das costelas direitas e espremeram durante 5 minutos o tumor aí alojado, durante os quais apenas pude visualizar os esgares contorcidos do dermatologista (estaria de picha a pingar, acabadinho de comer a avantajada recepcionista de gengivas fumegantes?, pensei). Coseram-me as feridas (dois pontinhos de nylon), taparam-nas com um penso e cobraram-me 240 euros.
Bem melhor foram os caracóis (e coletas) na tasca dos Restauradores, em molho quase perfeito, devidamente acebolado, e com bichos escorregadios, não muito idosos. A fragrância de mofo foi aceite por todos como fazendo parte do preparado. Um empregado atrapalhado que perdeu a conta às imperiais. Uma discussão que opôs o capitalismo ao socialismo. Fulanos de barba e poucas gajas. Em resumo, Lisboa.

Entrou-se no recinto e atentou-se a uma banda portuguesa com boas intenções mas poucas ideias. Certifiquei-me de que o penso estava no sítio. Pausa. Lee Ranaldo chega ao palco. O público anima-se, alguns de nós tinham acabado de o ver ali tão perto na ZDB, com o prolífico Rafael Toral a martelar um bongo com os cuidados de um cirurgião de varizes, de resto, só lhe faltaram umas lupas de dentista para que tivéssemos todos a certeza da precisão milimétrica das pancadas (e garanto-vos que sem isso a coisa ficou um pouco nheh), e parecia tudo tão informal, como deve ser.
Depois os outros chegaram ao palco e, à semelhança do concerto de 2005, descarregaram ali o álbum mais recente, neste caso The Eternal, de uma maneira que diria limpinha. Canções com princípio meio e fim. Em duas delas introduziram um pouco da sua divagação sónica esperada pelos fãs. Mas algo ali começou a soar-me errado. Pelo meio meteram um Schizophrenia, que apenas aumentou a minha desconfiança em relação às outras músicas, por acção do contraste. Ao fim de pouco tempo, saíram do palco. Lembrei-me novamente do outro concerto, e da grandeza das composições do Murray Street. Esse álbum pode ser tocado em repeat durante um ano que não cansa quase ninguém e ao vivo tem algo de épico.
Mas não me mal-entendam: o The Eternal é um grande álbum pop/rock que dá, na minha opinião, dez a zero a quase tudo o que se mete aqui neste blog. Ouvi-lo pela primeira vez é como abrir a janela do quarto da minha avó. Segue o percurso mais recente que teve início no Nurse e que corre ao lado da viragem dos membros da banda para zonas alternativas enquanto artistas individuais. Os Sonic Youth tornam-se agora uma espécie de alívio da intelectualização.
Os encores que se seguiram sem grandes surpresas recaíram nos álbuns dos anos 80, belíssimamente com The Sprawl, Across the Breeze e sobretudo Death Valley 69, a música marada de que todos gostam.
Deu-me a sensação de que as músicas tiveram todas um ponto final. Tal como o concerto teve 3 parágrafos. Mas não foi isso que me fez fascinar com os Sonic Youth in the first place.
Alguém imagina daqui a 20 anos eles tocarem o Malibu Gas Station?

Táxi! Casal Ventoso, se faz favor!

Oub'lá qu'é que 'tás a fazer?
Quero é que tu te bás foder!
Qual é a tu'identidade?
Perdi-a'í p'la cidade!
P'ra qu'é que 'tás tod'à manière?
And'a ber se faç'uma mulher!

Rouba! Rouba! Rouba! Rouba!
Os que te querem bem!
Rouba! Rouba! Rouba! Rouba!
Os que te querem mal!

A triste notícia é que Mão Morta não chegou às novas gerações. Não havia assim tanta gente com menos de 25 anos no concerto de ontem no Coliseu. Não havia sequer tanta gente como eu esperaria. Erro de marketing ou "estou-me a borrifar para o marketing"?
Na minha opinião, a melhor banda de rock portuguesa, talvez a única séria, digo, verdadeiramente séria, digo, uma tentativa constante de  se superarem. Uma banda com um autor que sabe bem o que quer dizer, que é fiel à sua visão amargurada  e desperançada do mundo e das cidades e que usa as palavras como não é muito comum ver-se na atmosfera do rock, e sim com ardor e rouquidão.
Não foram feitos para o Coliseu, não foram feitos para a ribalta. Talvez por isso os adolescentes já não oiçam Mão Morta, estúpidos adolescentes, estúpidos. Talvez se cedessem músicas para telenovelas ou usassem pirotecnia nos concertos ou lançassem mais best of's ou deixassem de fazer álbuns conceptuais ou deixassem as letras negras sujas poeirentas, talvez assim os Mão Morta conquistassem as novas gerações.
Lançaram agora uma caixa com os quatro primeiros álbuns, custa menos de trinta euros, em baixo alguns exemplos. Está dito.

Na indecência da cidade
Fogaréus de mácula
Em cenários de fausto
Arrepiada nudez
De corpos contrafeitos
Dói-me a Alma
Dói-me a Alma
Dói-me a Alma
Dói-me a Alma

Port O'Brien - All We Could Do Was Sing (2008)

29 abril 2010

Obits - I Blame You (2009)

Obits! Nada a ver com os outros pequenos seres que habitavam ou habitam, segundo alguém que passou lá recentemente, a Terra Média. Estes Obits são duros, crús e muito mais agressivos que os pacholas de metro e meio do Shire. Apesar de serem de Brooklyn, eles não pertencem à tribo do Indie Rock. Para eles os tempos de ir tocar para a garagem do único tipo que tinha bateria e cujo pai não lhe ia chagar a cabeça a todo tempo não passaram. Chamam-lhe Garage Rock. Se é Revival ou puro é com vocês. O som é sempre a rasgar e não vos vai desiludir. I Blame You entrou-me logo e penso que o mesmo vai suceder com quem ouvir este disco. Ouve-se de início ao fim sempre de dedo em riste, ou dois. Não adianta referir esta ou aquela música, até porque ninguém quer saber disso. Oiçam o disco. É bom. Mesmo.

28 abril 2010

Surfer Blood - Astro Coat (2010)

Playlists Altamont

Não será novidade para os leitores que, com a chegada das festas Altamont, a actualização de playlists aqui no blog deixou de ser semanal. Com a possibilidade de fazermos a música chegar directamente aos leitores ao vivo e a cores, perde um pouco o impacto estarmos a criar playlists, preferimos guardar as músicas para as colocarmos nas festas, para vermos as reacções às mesmas. Assim sendo, e uma vez que queremos de alguma forma disponibilizar também alguma música aqui no blog, a nossa opção passou por passar a fazer playlists temáticas, de apenas uma hora. Todas as semanas, um tema novo, uma nova playlist. Para lançar a coisa, decidi criar uma playlist com o tema "Lost".