14 abril 2010

Blood Red Shoes - Santiago Alquimista - 11.04.2010


Depois da boa recepção em Paredes de Coura, o duo britânico "Blood Red Shoes", voltou ao nosso país.
Na bagagem, tinham o novíssimo "Fire Like This", editado em Março, e desde já, um bom pretexto para me deslocar até ao bar concerto no cu de judas aka Santiago Alquimista.
Antes que apareçam criaturas estranhas como o meu amigo Cisto (que gosto muito), a ladrar a torto e a direito que a banda soa a nada de novo, fiquem sabendo que gosto da sonoridade desta banda. Injustamente comparados com outros duos rapaz-rapariga como os White Stripes ou The Kills, têm um flavour 90s bastante apetecível: Não foi por acaso que foram escolhidos pelas Breeders para uma tourné...
Apesar do duo ser ainda bastante novo, demostra ter uma maturidade musical como ficou provado em grandes malhas como Its Getting Boring By The Sea ou I Wish I Was Someone Better.
Steve Ansell é carismático na bateria, em constantes homages ao Keith Moon, e Laura-Mary - capaz de fazer uma erecção a um morto - tem unhas que cheguem para a sua stratocaster.
Estes garotos vão longe. Podes tocar à vontade na minha Stratocaster, Mary




13 abril 2010

Cartoon: Roll - Wes Anderson Style

Altamont Sounds Presents:

Como não me tem apetecido escrever, ainda não tinha aqui colocado isto. Mas como pedidos de fãs não se podem recusar, aqui vos vou deixar a playlist da Moonlight Drive Session, realizada no Miradouro de São Pedro de Alcântara no passado dia 2 de Abril. Agradeçam à P.! a motivação que me deu! Foi uma boa noite, houve várias pessoas a deslocarem-se até à mesa de som para se mostrarem agradados com a escolha musical, pelo que irão haver mais destas num futuro próximo, por isso há que aparecer, com o tempo a aquecer nada como um espaço ao ar livre para as noites de Primavera/Verão!

1. Finish Your Collapse And Stay For Breakfast - Broken Social Scene
2. Moonlight Drive - The Doors
3. Tell Me What Its Worth - Lightspeed Champion
4. Caring Is Creepy - The Shins
5. Two Weeks - Grizzly Bear
6. All is Love - Karen O and The Kids
7. The Sweetest Thing - Camera Obscura
8. Periodically Triple Or Double - Yo La Tengo
9. Everyone is Guilty - Akron Family
10. Luna - Fanfarlo
11. The Next Time Around - Little Joy
12. Paul Simon - Ölga
13. More Of This - Vetiver
14. Lust For Life - Girls
15. This Love Is Fucking Right! - The Pains Of Being Pure At Heart
16. Brass In Pocket - The Pretenders
17. Gloria - Patti Smith
18. Pulled Up - Talking Heads
19. Radio Free Europe - R.E.M.
20. Jumpin' Jack Flash - The Rolling Stones
21. Get Back - The Beatles
22. Sissyneck - Beck
23. Corner Of My Room - Turner Cody
24. Feel The Pain - Dinosaur Jr.
25. Evidence - Faith No More
26. Motorcycle Emptiness - Manic Street Preachers
27. Gigantic - Pixies
28. Trigger Cut / Wounded-Kite at :17 - Pavement
29. Today - Smashing Pumpkins
30. Long View - Green Day
31. I'll Stick Around - Foo Fighters
32. Drain You - Nirvana
33. Rearviewmirror - Pearl Jam
34. Going nowhere - Therapy?
35. Poison Arrow - Sonic Youth
36. The Rat - The Walkmen
37. Slow Hands - Interpol
38. Neighborhood #2 (Laika) - Arcade Fire
39. Mistaken For Strangers - The National
40. Someday - The Strokes
41. Slow Night, So Long - Kings Of Leon
42. Fluorescent Adolescent - Arctic Monkeys
43. Staring At The Sun - TV On The Radio
44. Disorder - Joy Division
45. Young Hearts Spark Fire - Japandroids
46. One Way Or Another - Blondie
47. Heads Will Roll - Yeah Yeah Yeahs
48. Cousins - Vampire Weekend
49. Saddest Summer - The Drums
50. Huddle Formation - The Go! Team
51. 1901 - Phoenix
52. Islands - The xx
53. Brother Sport - Animal Collective
54. A Call To Arms - Beirut
55. Nantes - Beirut
56. Anyone Else But You - The Moldy Peaches
57. God Only Knows - The Beach Boys

Enjoy!

12 abril 2010

Orphelia - Yuri's Night [IST] - 12.04.2010



Era uma vez um russo, Gagarine, que foi ao espaço a 12 de Abril de 1961. Depois disso, já numa era mais moderna, decidiu-se homenagear esta primeira ida de um humano ao espaço e mais além, e desde há uns anos, celebra-se no mundo todo a Yuri's Night. Este ano, e em Portugal, a Associação de Estudantes do Técnico promoveu conversas, debates e outras actividades, como música. Pediram a 2 bandas para comporem músicas, inspiradas na viagem espacial do sr. Gagarine.
Os Orphelia são uma banda de Lisboa, boa gente, com boas influências. Perante este convite, decidiram compor uma peça de 20 minutos, e que não podia ser mais adequada ao tema. Durante aqueles 20 minutos, estive bastante perto de Oberon, Miranda e Titania.
Um projecto a ter em conta nos próximos tempos.

11 abril 2010

MGMT - Congratulations (2010)

E a geração de Brooklyn volta a mostrar que o fenómeno que apareceu naquela zona de Nova Iorque não foi apenas um hype passageiro. Após a década de 2010 ter sido estreada com o último disco dos Vampire Weekend, Contra e também o recentemente lançado Odd Blood dos Yeasayer, os MGMT não quiseram ficar para trás e surgem dois anos após o êxito de Oracular Spectacular com Congratulations. Se o primeiro disco do duo Wyndgarden-Goldwasser primou pela sonoridade festiva e inocente expressa em músicas como "Time to Pretend", "Kids" ou "Electric Feel", este segundo trabalho é como um acordar para a realidade e exigências do mundo adulto e todas as suas dificuldades e dores. Congratulations é, essencialmente, um disco muito mais introspectivo mas não fugindo à essência psicadélica dos MGMT, porém agora engane-se quem quer dançar até cair ao ouvir as suas músicas. Este disco é para quem tem um gostinho especial por certas bandas psicadélicas britânicas dos anos 60, em especial os Zombies ou os Nirvana [UK]. A influência de Odessey and Oracle e de Simon Simopath é gritante. O disco abre com uma das melhores músicas do álbum, uma que vai ficar no ouvido durante anos. "It's Working" é o seu nome. "Song for Treacy" mantém o mesmo registo enquanto "Someone's Missing" confere alguma melancolia ao disco. O single que serve de apresentação ao álbum demonstra claramente o caminho que a banda começa a aparentar seguir. Um som psicadélico, meio explosivo e com alguma alienação. Quem não gostar (muitos odiaram) que se vire para outro lado. As experiências continuam no "opus" de 12 minutos de "Siberian Breaks" com constantes mudanças de tempo e ritmos. "Brian Eno", como o nome indica é uma música-homenagem a um dos grandes músicos e produtores de todos os tempos. A música não o irá desapontar, decerto.
Os MGMT estão de volta, e ainda bem, pois estão melhores. A festa foi boa enquanto durou com Oracular Spectacular mas agora é tempo de seguir em frente e Congratulations é, claramente, superior.

09 abril 2010

Talvez Relacionado #46

Titus Andronicus, "A More Perfect Union", single de apresentação do novo álbum, The Monitor.

Manifesto Pro-Drogas

Pedro Abrunhosa revela que nunca tomou drogas (excepto um resquício de um charro na adolescência) na vida e que não admite que os seus músicos o façam.

Fez-me lembrar o Hicks

08 abril 2010

Foge Foge Bandido - Aula Magna - 08.04.2010



O maior artista português da nossa geração.
Manel Cruz é um poço criativo, e canta bem. É um tipo relativamente humilde, meio bicho do mato, que se esconde (talvez demasiado) atrás da sua música e das máquinas com que fabrica o seu som.
Na Aula Magna, apresentou praticamente o disco todo - o duplo O Amor Dá-me Tesão/Não Fui Eu Que Estraguei. Cada um dos discos tem 40 faixas (embora nem todas sejam canções), e por isso o concerto tem de ser necessariamente comprido. Houve quem se queixasse de ser demasiado longo, mas na opinião deste escriba não foi aborrecido.
Ele já cá tinha estado, no ano passado, no São Jorge cinema, mas agora trouxe o espectáculo mais bem oleado, com uma banda versátil, com bons músicos, que foram capazes de tocar ao vivo as músicas, que no disco parecem ter sido preparadas em laboratório, com uma imensidão de sons meticulosamente sobrepostos. Talvez este tenha sido o melhor concerto do Bandido enquanto bandido, exactamente porque é difícil tocar ao vivo aquelas músicas, e elas foram tocadas, por instrumentos, e só raramente com samples, e desta vez tudo saíu de forma orgânica, não soou estranho toda aquela camada de sons e barulhos.
Em termos criativos, o Bandido continua a mostrar que sabe escrver letras como poucos. E põe esses poemas cá fora em forma de canções, que não se enquadram num estilo definido, antes, definem um estilo - o do Bandido.
Esta aparição do Manel Cruz em Lisboa volta a colocar na opinião pública (mais do que o PEC, o TGV ou a vinda do Papa) o regresso dos Ornatos Violeta.
O Manel Cruz não parece muito inclinado para esse lado - prefere estar sempre a olhar para a frente, a pensar em novos projectos, e nem se sabe se vai haver continuação do projecto Foge Foge Bandido, talvez apareça aí com outro projecto.
Mas é incontornável não pensar e desejar um regresso dos Ornatos. Foi agora anunciado que vai ser feito um documentário sobre eles, a estrear em 2011. Quando o Manel tocou, no concurso Termómetro, em Lisboa, no início do ano, mal tocou os primeiros 2 acordes de Capitão Romance, o público teve um orgasmo conjunto. Ninguém ficou satisfeito com o fim dos Ornatos, todos queremos ver e ouvir mais, e eles têm muito para dar. Não parece que voltem a juntar-se, nem tão pouco a criar coisas novas. Mas um concerto, num Coliseu dos Recreios, já saciava muitos apetites.

Midlake - The Bowery Ballroom - 07.04.2010

Não estando a escrever nas melhores condições psíquicas nem psicológicas nem muito menos sóbrias, o relato de hoje poderia ser tudo menos o verdadeiro. Não entanto não vos vou defraudar. O que presenciei hoje foi mais um exemplo do que a América ainda tem para nos oferecer. O som dos Midlake tal como foi referido há alguns meses, é absorvente. Não nos deixa indiferentes e cada música é uma espécie de capítulo numa longa história. Mas comecemos pelo prelúdio. Como primeira parte desde concerto surgiu um nome desconhecido. John Grant. Rapaz de barbas longas acompanhado pelo seu piano e por alguns amigos. Barbudos também. John e seus compinchas musicalmente são muito bons, liricamente Grant é um comediante. A sua música e letras são contradições que penso nunca ter assistido recentemente. Grandes músicos, grandes arranjos e letras relativamente patetas e cómicas conseguiram fazer aparecer reacções diferentes do público. Foi bom. Foi mau. "Queen of Denmark" é o nome do disco. Oiçam-no.
Os Midlake estavam logo ali a seguir. E foram tão ou melhores que na audição dos discos. Por eles os anos 80,90,00 e 10s não passaram. os setentas estão lá e que bem que estão. Não lhes tirem isto. Há coisas que a cultura americana tem de tão positivo que muita gente não percebe. Eles podem ter fórmulas para tudo mas a música contemporânea nasceu neste novo mundo e para este há de voltar sempre, mesmo que se refine no Reino Unido. A imagem que fica deste concerto é esta: Uma bateria, um baixo e 5 guitarras a ondular pelo folk-rock. Sete indivíduos a encher um palco e uma plateia. O público, novo e velho, agradece. Nós também.