22 março 2010
21 março 2010
Relacionado #49
Parece que, finalmente, a música portuguesa está a despertar para patamares de qualidade que estavam adormecidos há bastantes anos. Após o oasis que foi a cena de Leiria e Alcobaça, começaram a surgir, nomeadamente em Lisboa, várias bandas. Essas apoiadas por duas editoras, Flôr Caveira e Amor-Fúria. Mas não só. Em Barcelos surge outra cena. Não um movimento, dado que não estão todos sintonizados no mesmo estilo musical, mas uma "cena", já que começam a surgir imensas bandas por lá. Estes Black Bombaim são exemplo disso. O Stoner Rock está-lhes no sangue e nem vocalista precisam. O resultado é muito bom.
20 março 2010
Joe Bonamassa – Black Rock (2010)
Para quem não sabe vem mais um super-grupo a caminho. Glenn Hughes (Trapeze, Deep Purple, Black Sabbath); Derek Sherenian (Dream Theater), Jason Bonham (Led Zeppelin) e Joe Bonamassa juntaram-se este ano em estúdio para gravar o primeiro disco dos Black Country.Enquanto não conhecemos os resultados desta nova banda (cujo disco só deve sair lá mais para o final do ano), o guitarrista Joe Bonamassa não pára quieto e edita mais um álbum recheado de blues roqueiros ou roques da pesada com cheiro a blues.
Com influências que vão desde os Cream de Eric Clapton, passando pelos Fleetwood Mac de Peter Green até aos Led Zeppelin e Jimi Hendrix, Joe vai pondo "a mão na massa” construindo uma sólida carreira que vai fazendo furor em ambos lados do Atlântico. Há quem já lhe chame o novo Clapton, há quem lhe chame o líder da nova Blues Explosion. O que é certo é que o jovem guitarrista é, a par do conterrâneo John Mayer, um dos grandes responsáveis por uma nova geração descobrir os Blues com uma nova animosidade como já não se ouvia desde que apareceu um tal de Stevie Ray Vaughan.
Quanto a este Black Rock, o nono de estúdio, há aqui algumas faixas que tentam surpreender por novos caminhos. A começar com o melhor tema do disco: a versão do clássico de Leonard Cohen, “Bird on a Wire”. Já “Quarryman's Lament” que faz lembrar a fase bluesy dos Jethro Tull e até tem um solo de flauta a condizer.
Vislumbra-se também que o rapaz também andou a ouvir os últimos registos de Bob Dylan. “Baby You Got to Change Your Mind” é uma das muitas canções que Robert Zimmermann nunca escreveu.
Outros destaques e que também escapam da norma são a acústica “Athens to Athens” e as mais Zeppelinianas como “Blue and Evil” ou “Spanish Boots”. O resto do disco não destoa dos registos anteriores e só com um pouco de paciência é que se atura mais um “boogie-woogie” com travo a Soul como “Night Life” (dueto com B.B. King) ou um velho blues à moda de Chicago como “Look Over Yonders Wall”.
Mas como o pesado “Steal Your Heart Away” é um grande tema, Bonamassa pode dormir descansado que não vai perder os fãs pelos quais andou a trabalhar tantos anos. Afinal de contas, ele é mesmo o melhor “bluesman” branco a aparecer desde Stevie Ray.
19 março 2010
Eric Clapton – 461 Ocean Boulevard (1974)
Após a separação dos Derek and the Dominos em finais de 1970, Eric Clapton, o “Deus da Guitarra”, “Mr. Slowhand”, acabava de completar 25 anos, mas o seu historial parecia o de um homem de 40! Em cinco anos o jovem Clapton tinha um C/V inalcançável: primeiro com os “poppy”Yardbirds (64-65), depois com “os homens de barba rija” de John Mayall's Bluesbreakers (65-66) e mais tarde com os super-grupos Cream (66-69) e Blind Faith (69). Mas o auge é sem dúvida o disco Layla and Other Assorted Love Songs que gravou com os Dominos (sob a batuta do experiente Tom Dowd na produção) no lendários estúdios de Miami, Criteria Sound.
No entanto, o grupo acabou ao final de poucos meses e Clapton retirou-se da cena musical, tornando-se um perigoso heroinomano.
Durante 4 longos e penosos anos, Clapton apenas apareceu em palco duas vezes. A primeira foi no Madison Square Garden (1971), concerto organizado pelo amigo George Harrison a favor da vítimas do Bangladesh. A segunda, no “Rainbow”, Londres (1973), em jeito de “homenagem especial”, organizada por Pete Townshend, e a qual contou também com a presença de outros velhos comparsas como Ronnie Wood ou Steve Winwood.
Basicamente Clapton estava “feito em pedaços”, mal se aguentava em palco e estava todo “carcomido”. O destino fatal que tinha ceifado outras “Rock Stars” estava prestes a bater-lhe à porta. Até que aconteceu precisamente o contrário. Foi o próprio “Junky Clapton” a inscrever-se na clínica de reabilitação.
Meses passaram e o desejo de tocar e gravar voltaram espontaneamente. Chegou 1974, e com ele um “Slowhand” “renascido das cinzas”. Para começar a sua jornada musical voltou ao ponto de partida, ou seja aos estúdios Criteria juntamente com algumas caras familiares (o produtor Dowd e o ex-baixista dos “Dominos”, Carl Radle) e outras novas (a futura diva do “disco sound” Yvonne Elliman, o guitarrista George Terry, o teclista Abhy Galunten e o baterista dos roqueiros James Gang, Jim Fox).
Dai nasceu, “461 Ocean Boulevard”, considerados por muitos seu melhor disco a solo. Basta ouvir os primeiros acordes do enérgico “Motherless Children” para se perceber que a magia tinha voltado às mãos de Clapton. O guitarrista estava vivo e de boa saúde. O pior já tinha passado como mostram os temas sobre a dor e isolamento: as baladas “Give Me Strength” ou “Please Be With Me”. Mas no global, o som e o tom do disco são bastante positivos. Destaca-se aqui a vontade de explorar outras avenidas sónicas como o “reggae” (a versão de “I Shot the Sheriff” de Bob Marley ou “Get Ready”), o country (“Willie and the Hand Jive”) ou o Rock talhados para as estações FM, em plena ascensão nos E.U.A. e Europa (“Mainline Florida”).
No fundo, estão aqui todos os condimentos que seriam a sua “imagem marca” durante o resto das décadas de 70 e 80 e que o tornariam numa estrela global. Daqui para frente não faltariam certamente os discos de platina a adornar a sua sala nem os dólares a encher a sua carteira. No entanto, e tirando algumas raras excepções (algumas partes de “Journeyman de 1989 ou de “No Reason to Cry” de 1976), a carreira criativa de Eric Clapton (apesar do enorme sucesso comercial) não voltaria a chegar a este nível de concretização eficaz como em “461”. Um disco, que se escuta muito bem do início ao fim, sem grandes sobressaltos, cujo o som ainda se mantêm bastante “vigoroso” e “actual”. Uma verdadeira “obra de regeneração”.
No entanto, o grupo acabou ao final de poucos meses e Clapton retirou-se da cena musical, tornando-se um perigoso heroinomano.
Durante 4 longos e penosos anos, Clapton apenas apareceu em palco duas vezes. A primeira foi no Madison Square Garden (1971), concerto organizado pelo amigo George Harrison a favor da vítimas do Bangladesh. A segunda, no “Rainbow”, Londres (1973), em jeito de “homenagem especial”, organizada por Pete Townshend, e a qual contou também com a presença de outros velhos comparsas como Ronnie Wood ou Steve Winwood.
Basicamente Clapton estava “feito em pedaços”, mal se aguentava em palco e estava todo “carcomido”. O destino fatal que tinha ceifado outras “Rock Stars” estava prestes a bater-lhe à porta. Até que aconteceu precisamente o contrário. Foi o próprio “Junky Clapton” a inscrever-se na clínica de reabilitação.
Meses passaram e o desejo de tocar e gravar voltaram espontaneamente. Chegou 1974, e com ele um “Slowhand” “renascido das cinzas”. Para começar a sua jornada musical voltou ao ponto de partida, ou seja aos estúdios Criteria juntamente com algumas caras familiares (o produtor Dowd e o ex-baixista dos “Dominos”, Carl Radle) e outras novas (a futura diva do “disco sound” Yvonne Elliman, o guitarrista George Terry, o teclista Abhy Galunten e o baterista dos roqueiros James Gang, Jim Fox).
Dai nasceu, “461 Ocean Boulevard”, considerados por muitos seu melhor disco a solo. Basta ouvir os primeiros acordes do enérgico “Motherless Children” para se perceber que a magia tinha voltado às mãos de Clapton. O guitarrista estava vivo e de boa saúde. O pior já tinha passado como mostram os temas sobre a dor e isolamento: as baladas “Give Me Strength” ou “Please Be With Me”. Mas no global, o som e o tom do disco são bastante positivos. Destaca-se aqui a vontade de explorar outras avenidas sónicas como o “reggae” (a versão de “I Shot the Sheriff” de Bob Marley ou “Get Ready”), o country (“Willie and the Hand Jive”) ou o Rock talhados para as estações FM, em plena ascensão nos E.U.A. e Europa (“Mainline Florida”).
No fundo, estão aqui todos os condimentos que seriam a sua “imagem marca” durante o resto das décadas de 70 e 80 e que o tornariam numa estrela global. Daqui para frente não faltariam certamente os discos de platina a adornar a sua sala nem os dólares a encher a sua carteira. No entanto, e tirando algumas raras excepções (algumas partes de “Journeyman de 1989 ou de “No Reason to Cry” de 1976), a carreira criativa de Eric Clapton (apesar do enorme sucesso comercial) não voltaria a chegar a este nível de concretização eficaz como em “461”. Um disco, que se escuta muito bem do início ao fim, sem grandes sobressaltos, cujo o som ainda se mantêm bastante “vigoroso” e “actual”. Uma verdadeira “obra de regeneração”.
18 março 2010
Radiohead - Amnesiac (2001)
Amnesiac foi lançado uns breves 8 meses após Kid A, sendo que ambos foram gravados no mesmo processo de criação (à excepção de "Life in a Glasshouse", única música gravada já após o lançamento do álbum anterior). Por essa altura, ainda toda a gente estava a tentar lidar com Kid A, a opinião pública (fãs e críticos, que naturalmente, vale o que vale...) estava completamente dividida, e os primeiros rumores eram de que tinha sido um mero devaneio e que Amnesiac seria, esse sim, o álbum a sério dos Radiohead de Ok Computer. Pois bem, se dúvidas houvesse relativamente à direcção escolhida pela banda, "Packt Like Sardines In A Crushd Tin Box", música de abertura deste álbum, acaba definitivamente com elas. Foi o demonstrar de uma forma clara que "there's no turning back", de uma forma bem simples, com uma batida electrónica, umas mescla de sons ambiente, zero guitarras e várias repetições da frase "I'm a reasonable man, Get off my case." Daqui arrancamos para uma excelente combinação de piano, cordas e voz em "Pyramid Song" (primeiro single a ser lançado desde 1998), que nos fala de um anjo de olhos pretos, de passado e futuro, e a mim me faz sentir num ambiente confortável, calmo, como se num sonho. "Pulk/Pull Revolving Doors" e "Hunting Bears" são os momentos mais abstratos do álbum, quiçá da inteira carreira dos Radiohead. Mas a meu ver, enquanto que a primeira é incómoda aos nossos sentidos, a segunda é um interessante exercício de minimalismo. Temos também no álbum uma versão alternativa de "Morning Bell", já presente em Kid A, "You and Whose Army?", em crescendo, e 2 músicas mais próximas de OK Computer - "Dollars & Cents" e "Knives Out". A terminar, os Radiohead nunca, mas nunca nos desapontam. "Like Spinning Plates" e "Life in a Glasshouse" formam como que um grand finale em duas partes, começando com um sentimento de termos entrando nalgum vortéx, em que tudo à nossa volta gira, para quando já nada esperamos entrar Yorke e a sua voz esplendorosa para nos tentar explicar um pouco o que é esse sentimento - Spinning Plates. Logo a seguir e ainda sem nos apercebermos bem o que foi aquilo, "Life in a Glasshouse" traz-nos um arranque calmo e suave em ritmo de free-jazz e leva-nos depois a um apoteose com trombone, clarinete e trompete a irromper com toda a sua magnitude.
Em resumo, este Amnesiac serviu para consolidar aquilo que Kid A trouxera: uns Radiohead inventivos e breakthrough (não consigo encontrar a palavra perfeita em português para traduzir isto) e que abriram portas para um mundo novo, o do pós-rock. Chega agora a melhor parte - a da audição. Carregando no play abaixo poderão recordar ou descobrir este excelente álbum.
Enjoy!
17 março 2010
Nirvana [UK] - The Story of Simon Simopath (1967)
Há muitos, muitos anos, ainda era eu um garoto imberbe, mesmo não tendo desenvolvido muito mais pilosidade desde então, deparei-me com uns discos esquisitos de uma banda que eu tanto apreciava. Estaríamos por volta de 1996. Nas minhas viagens de autocarro, seguidas de metro até à baixa lisbonense, a emoção era imensa para quem vivia numa espécie de redoma intocável como era a portela. As idas à Virgin às sextas eram míticas. Nunca me canso de apregoar que a Virgin tinha mais impacto do que a Fnac alguma vez o teve. Pela localização, pela quantidade e qualidade dos seus produtos. Muitos discos de exportação, juntando a um grande número de cassetes (sim VHS) de concertos que não se encontravam em lado algum, aliado ao facto de ter inúmeros livros de música e posters, coisa que já não era costume encontrar em Lisboa que vivia em estado comatoso em termos musicais. A fase pimba já tinha deixado as suas marcas na música nacional (morte a ti, Carlos Ribeiro). Enquadrando o tempo e espaço a este review vamos, então, partir para essa descoberta há cerca de 15 anos em pleno Éden nos Restauradores.
Ao correr a letra N à procura de discos de Nirvana de Kurt Cobain, vi umas capas que nunca tinha visto na vida e com os seguintes nomes: The Story of Simon Simopath, All of Us e Orange Blue. Seriam, decerto, "bootlegs" como os sobejamente conhecidos Outcesticides, compostos por demos ou músicas ao vivo. Não lhes liguei muito. Vivia um certo Cold Turkey em relação a Nirvana. Sentia falta deles mas tentava sair dessa fase da minha vida. Essa foi o meu primeiro contacto com esses Nirvana. Noutra incursão à loja de Richard Branson resolvi dar outra espreitadela e tal não foi o meu espanto quando reparei nas datas dos referidos discos. 1967, 1968 e 1996. Muito estranho para uma banda que surgiu no fim dos anos 80 e acabou a meio dos 90. Haveria outra banda chamada Nirvana? Pesquisei em revistas e artigos que guardara ao longo dos meus anos de vício em Nirvana e descobri que estes Nirvana ingleses dos anos 60 tinham processado os homónimos americanos após o lançamento de Nevermind. Ninguém saiu queimado deste caso e os velhinhos Nirvana acabaram por se juntar para gravar "Lithium" como jeito de tréguas.
Continuei sem lhes dar muita atenção, a Britpop estava ao rubro e rapidamente me esqueci, relativamente, de ambos Nirvana. Até que um certo dia resolvi dar uma atenção devida aos originais britânicos e descobri dois grandes álbuns. Muito bons mesmo. All of Us (1968) e este Simon Simopath de 1967.
The Story of Simon Simopath é um disco do seu tempo embora a sua audição nos dias de hoje é, por vezes, refrescante. Gravado para ser um álbum conceitual, Simon Simopath é, a exemplo de Sgt Pepper, uma tentativa de trazer o surreal e o barroco para a música, mas acabando por ser apenas uma colecção de grandes músicas alinhavadas mais por um espírito do que um conceito por si.
Após os dois primeiros álbuns, a banda de Patrick Campbell-Lyons e Alex Spyropoulos andou um pouco à deriva pelos meandros do jazz-rock e rock-experimental tendo um fim rápido, apenas tendo uma breve ressurreição nos anos 80. Mais que um disco essencial ou pérola perdida, Simon Simopath é mais uma boa obra dos anos 60 que merece ser ouvida aqui e ali...
Owen Pallett - Teatro Maria Matos - 11.03.2010
(fotos by Du, texto by Alex)
Owen Pallett @ Teatro Maria Matos, 11.03.2010
Vou começar a crónica deste concerto pela primeira parte. Só na altura descobri que iria haver uma primeira parte, e penso que no concerto do dia anterior tal não tinha ocorrido. Uma banda de nome Ava Infari. A grande maioria das pessoas não gosta das primeiras partes, mas eu por acaso nutro alguma curiosidade. Tento perceber o que fez com que esta banda tenha conseguido este slot, com a convicção de que o artista principal tenha tido algo a ver com aquilo. Pois bem, na passada 5ª feira esta minha ideia foi estilhaçada por um grande erro da casting de alguém (e não me pareceu ser do Pallett, que no seu concerto até gozou com a coisa) que decidiu colocar uma banda de metal doom gothic a abrir este concerto. Seria de chorar a rir, não fosse a total ridicularidade da coisa. 1/3 da sala levantou-se e saiu. Outros conversam a alta voz, ouviam iPods. Desconexão total. Uma tristeza (falarei sobre esse mundo paralelo que é o metal num post futuro).
Bem, vamos ao que interessa: Owen Pallett. Pois muito bem - foi um excelente concerto. Mais uma noite que a memória não esquecerá, pelas maravilhosas canções que nos remetem para um universo imaginário onde tudo pode acontecer. Já não é um one man show, uma vez que se faz acompanhar em vários momentos por Thomas Gill que ajuda (dentro da sua notória timidez) com voz e percussão. Mas é Pallett que controla tudo, o seu violino, a sua voz (voltando a iniciar a música quando não sai quando ele quer), o seu sampler e o seu pequeno órgão e com todas estas peças monta o puzzle que é cada uma das suas músicas. Tudo combinado em melodias pop únicas, com devida interacção com o público, partilhando o seu gosto pelo queijo português, sentindo-se bastante à vontade na cidade que segundo o próprio foi onde escreveu grande parte de "Heartland", o seu mais recente álbum, e naturalmente também o mais tocado. "Keep the Dog Quiet", "Flare Gun" e "This Lamb Sells Condos", com toda a sua intensidade, acompanharam-me desde que saí da sala até casa e no dia seguinte. O violino aparecia, depois juntava-se a voz e assim passei o dia, dividido entre o universo Pallettiano e o mundo real. E soube muito bem.
Bem, vamos ao que interessa: Owen Pallett. Pois muito bem - foi um excelente concerto. Mais uma noite que a memória não esquecerá, pelas maravilhosas canções que nos remetem para um universo imaginário onde tudo pode acontecer. Já não é um one man show, uma vez que se faz acompanhar em vários momentos por Thomas Gill que ajuda (dentro da sua notória timidez) com voz e percussão. Mas é Pallett que controla tudo, o seu violino, a sua voz (voltando a iniciar a música quando não sai quando ele quer), o seu sampler e o seu pequeno órgão e com todas estas peças monta o puzzle que é cada uma das suas músicas. Tudo combinado em melodias pop únicas, com devida interacção com o público, partilhando o seu gosto pelo queijo português, sentindo-se bastante à vontade na cidade que segundo o próprio foi onde escreveu grande parte de "Heartland", o seu mais recente álbum, e naturalmente também o mais tocado. "Keep the Dog Quiet", "Flare Gun" e "This Lamb Sells Condos", com toda a sua intensidade, acompanharam-me desde que saí da sala até casa e no dia seguinte. O violino aparecia, depois juntava-se a voz e assim passei o dia, dividido entre o universo Pallettiano e o mundo real. E soube muito bem.
16 março 2010
Ölga - Teatro Aberto - 13.03.2010
Por incrível que pareça, e apesar de seguir esta banda há já uns bons 6 anos, nunca tinha conseguido ir ver um concerto deles. Ia sempre seguindo o site, atento às (poucas) datas dos concertos (sintomático da aposta que (não) é feita nas bandas nacionais) e cada vez que aparecia uma oportunidade, acabava logo esmagada pela minha impossibilidade por algum motivo. Por isso, foi com grande ansiedade que esperei por este concerto, que teve como motivação adicional o facto de ser o lançamento do novo EP da banda, denominado "Samurai". E tenho a dizer que esteve à altura das minhas expectactivas, deram um concerto bastante competente, e que entusiasmou as 170 pessoas entre fãs e amigos que lá foram conhecer o novo registo, que no fundo representa a 2ª parte de uma trilogia, iniciada com o álbum do ano passado, "La Résistance". A evolução da banda de terrenos no pós-rock de início de carreira para um indie rock psicadélico actualmente tem sido bem cimentada e no palco estão bastante à vontade em qualquer tema, tendo inclusivamente deixado para o final uma música para dançar (não fosse o facto de haver cadeiras e assim seria, vontade não faltou) ao som de "Paul Simon", música virada para o ritmo do cantor que dá nome à música. "Take Us All", "Money" e "Elephants" também foram momentos altos da noite, com a devida intensidade e bem acompanhados pelo trabalho de projecção de Miguel Lopes, que providenciou um bom ingrediente para acompanhar o concerto. Deixou vontade para os ver novamente, assim que a oportunidade surgir!
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