15 março 2010

Yo La Tengo - Aula Magna - 14.03.2010

(fotos by Du, texto by Alex)

A vontade de fazer aqui estas análises do concerto leva-me a ir pensando no que escrever no dia seguinte sobre o mesmo. E a grande palavra que me veio à cabeça para definir este concerto e a própria banda foi versatilidade. Por um lado versatilidade dos elementos da banda, acaba uma música e troca tudo, o guitarrista (Ira Kaplan) passa para os teclados, a baterista (Georgia Hubley) passa para a guitarra e o baixista James McNew para a voz. Outra música, outra mudança. Todos tocam um pouco de cada instrumento, facto a que não será alheia a experiência acumulada ao longo dos 25 anos de carreira que já levam. Por outro lado, versatilidade no próprio som da banda, é impossível colocar-lhes um rótulo. Num concerto (e também num álbum) de Yo La Tengo temos momentos lo-fi, momentos de guitarras frenéticas, momentos acústicos, momentos dançaveis. E saltamos de um para outro com a maior naturalidade do mundo, porque realmente faz sentido para quem sabe tocar várias cordas. Foi uma noite também marcada pelo momento "No you won't..." frase proferida por McNew ao aperceber-se do que estava Kaplan a preparar, nada mais nada menos do que uma música tocada sentado na confortável cadeira da 1ª fila. São pequenos momentos como este que nos fazem lembrar dos concertos que assistimos!

O setlist foi mais focado no álbum mais recente, "Popular Songs", como seria de esperar, o que para mim foi uma boa opção dado que já conheço bem os últimos 3 álbuns e estou a descobrir pouco a pouco os mais antigos. O rock forte em "Nothing to Hide", as baladas "I'm on My Way" e "Avalon or Someone Very Similar" e a mais pop "Periodically Triple Or Double" que abriu o concerto, junto com a "Our Way to Fall" foram para mim os momentos mais altos. Se bem que aquela devastação de som, guitarras desafinadas, teclados que compõem "The Story of Yo La Tango" (não é gralha, é mesmo Tango), antes do primeiro encore foi algo de estonteante.

Deixo aqui a memória de um post altamont relacionado com esta banda. Algo para a posterioridade. Whatever that is...

14 março 2010

Broken Bells - Broken Bells (2009)

Broken Bells é o primeiro álbum homónimo da nova banda de James Mercer (The Shins).
Para quem estava a salivar por um novo álbum dos Shins, este trabalho vai certamente matar saudades.
No entanto, James Mercer soube inovar com este projecto paralelo. Broken Bells tem um flavour electrónico e experimental - Brian Eno como referência, segundo consta - que o distancia, na positiva, do indie pop inspirador dos Shins.
Em jeito de trivialidade inútil como gosto de fazer, Michael Moore, o brilhante documentarista, ficou fã da banda durante a sua recente hospitalização. Segundo o realizador, em entrevista no late night, o seu médico usou "Broken Bells" como banda sonora durante o operatório e isso ajudou muito na recuperação do sua apendicite.
Ainda estou refastelado no sofá a digerir este agradável "Broken Bells" e certamente voltarei a ele brevemente.

13 março 2010

Isto é Potente

Relacionado #48

Já está disponível para audição, embora sem vídeo oficial, o primeiro single do novo disco dos MGMT. Não se afastando muito do espírito do primeiro disco, Oracular Spectacular, a banda de Brooklyn soa mais madura e confiante. Um dos bons regressos previstos para este 2010. Aqui fica "Flash Delirium".

12 março 2010

Radiohead - Kid A (2000)

Ano 2000. Já tinha passado a possibilidade de o mundo acabar na mudança de milénio, e o pânico lançado pelo "montanha pariu um rato" bug Y2K. Já a população do mundo e especialmente a que habita os Estados Unidos da América pensava que tudo não tinha passado de uma grande esquema para alarmar o pessoal, levá-los a frenesim consumista de armazenamento de bens de primeira necessidade, quando, já o ano ia em Outubro, acontece o verdadeiro choque que abanou a Terra - o lançamento deste Kid A. Ninguém estava à espera de uma mudança tão radical de registo após OK Computer e como tal este álbum foi encarado como tendo apenas um objectivo - diminuir a sua base de fãs e com isso conseguir reduzir o desgaste causado pelo sucesso, as tours, as necessidades de promoção, com as quais Thom Yorke nunca lidou bem. Mas isto não passou de uma primeira reacção histérica, que eu próprio, posso admitir, também senti quando primeiro coloquei os ouvidos neste Kid A. É que na realidade este ábum faz todo o sentido e encaixa totalmente na evolução de uma banda que nunca foi de fazer mais do mesmo, mas sim de procurar caminhos diferentes para evoluir, experimentar, sem receios de que críticos e fãs deixassem de gostar deles. Mas esta não foi (mais uma vez) uma decisão consensual no seio da banda, e chegou mesmo a ameaçar que a mesma terminasse, uma vez que enquanto Yorke e Jonny Greenwood queriam ir por algo cada vez mais experimental, os restantes membros estavam mais virados para um seguimento simples de Ok Computer. No fundo, os Radiohead dão a ideia que precisam deste conflito interno para trazer ao de cima o melhor deles mesmo, e o processo de gravação de Kid A não foi diferente dos anteriores. O resultado, esse sim, é que foi diferente. Afinal de contas, o mundo também já estava bastante diferente.
 Este experimentalismo, inovação, está presente nas várias faixas do álbum. No ambiente sónico com várias vozes sampladas à volta da voz de Yorke em "Everything In Its Right Place", voz esta que foi totalmente transfigurada para "Kid A", a acompanhar uma melodia com aparência infantil. O baixo no ínicio de "The National Anthem", acompanhado com o som de um Ondes Martenot usado por Jonny Greenwood que desaguam numa forma de free-jazz bastante intenso. O exercício de "Treefingers", que mais não é do que o feedback da guitarra de Ed O'Brien trabalhado e organizado por Yorke no seu computador. O atirarem-se para fora de pé, mais concretamente ao campo da música electrónica com uma forte influência de uns Aphex Twin em "Idioteque", para depois terminar o álbum com a tranquilidade aparente de "Morning Bell" e "Motion Picture Soundtrack", esta última uma música que foi escrita para "Pablo Honey" e foi sendo sucessivamente adiada a sua presença em disco.
É um disco que a cada ano que passa me parece melhor, realmente inovador e que serviu para virar uma página na história da banda. E da história da música também.

Talvez Relacionado #44

Aqui está o hype do momento - a nova música dos The National, mostrada anteontem ao vivo no Jimmy Fallon. Chama-se "Terrible Love" e é a primeira amostra de "High Violet", disco que irá sair em Maio próximo.

10 março 2010

Half of what I say is meaningless, but I say it just to reach you Someone-who-certainly-is-not-in-this-room(or-eventualy-is-but)

Peço desculpa ao André Sousa. Exaltei-me, por vezes sou um tipo emotivo.
No entanto a minha opinião em relação ao que me expressei mantém-se, e por não ser capaz de pertencer a algo com o qual não me identifico, deixo assim de escrever neste blog.
Qualquer rubrica pendente será deixada a cargo desta pessoa.


09 março 2010

Norberto é Lobo e é bom.

Queria fazer uma crítica ao último álbum dele mas não tenho categoria para fazê-lo, não tenho conhecimentos não domino a coisa não sei o que é um fá sustenido nem sei se existem fás sustenidos ou se isso foi apenas uma coisa que ouvi dizer por aí, o que sei é que o concerto de Norberto Lobo no último sábado na culturgest foi das coisinhas mais emocionantes que já presenciei e durante aquela hora e pouco senti o meu corpo entregue às probabilidades das coisas e é isso que se quer quando se entra numa sala de espectáculos ou uma sala de cinema, ou o que o valha, queremos deixar-nos ir e voar por cima de tudo o que para nós é memória e desejos de futuro e imaginarmos que aquele que toca está a tocar para ti.

Mudar de bina é o primeiro álbum dele a solo e Pata Lenta é o segundo, ele que antes já integrou e integra noutros projectos como os Munchen, os Norman, os Tigrala ou os Xamã, a primeira banda leva trema mas eu tremas não sei fazê-los. Ao ouvir Norberto penso em John Fahey e inevitavelmente em Paredes e em tudo o que é português e rural e penso em vídeos mudos de super-8 caseiros com os putos a darem voltas em triciclos e penso também em ervas daquelas altas a abanarem ao vento, mas estamos dentro do carro por isso não se ouve o vento mas pensa-se no vento.

E também no dia seguinte, penso em todos os dias seguintes.

E sendo assim deixo aqui um exemplo e um convite para o concerto na sexta-feira na zdb.


08 março 2010

Kasabian - West Ryder Pauper Lunatic Asylum (2009)

Após o êxito de singles como Club Foot, L.S.F. Cutt Off e Empire, estão de volta com um álbum que serve com um óptimo aperitivo para os festivais de verão.
Com a saída de Chris Karloff, teclista, guitarrista e compositor da maioria das músicas de Kasabian, aguardava-se com expectativa qual seria o rumo a seguir por esta banda inglesa. No álbum Empire, Karloff, chegou a escrever três músicas.
O disco começou a ser trabalhado em 2007, ano em que saíram dois singles, Fast Fuse e Thick As Thieves, que fazem parte do trabalho lançado em 2009.
Recomendo vivamente o presente álbum, nomeadamente as faixas “Underdog”, “Where Did All the Love Go?”, “Fast Fuse”, “Vlad the Impaler” e “Fire”.
Eleito como melhor álbum, pelo NME Awards no dia 24 de Fevereiro de 2010. Teremos oportunidade de ouvir os Kasabian no Optimus Alive no dia 8 de Julho de 2010.