20 fevereiro 2010

Eels - End Times (2010)

Sete meses após Hombre Lobo, os Eels voltaram a editar um álbum. Com o título “End Times”, Mark Everett “Mr E” relata as mágoas provocadas pelas separação da sua mulher. O título do álbum podia ser: Divórcio, uma novela contada em 14 episódios. Mark abre os seus sentimentos, de uma forma cronológica, começando com um primeiro beijo, terminando o último capítulo relatando a tristeza de ter sido rejeitado.
A primeira faixa “The Beginning”, transmite a seguinte mensagem “Everything was beautiful and free, in the beginning”. A última faixa “On My Feet”, termina com a seguinte confissão : “But One Thing I Know That is True in this World, Is the Love that I Felt for You”…
No miolo do disco retiramos bons conteúdos tais como:
“A Line in the Dirt”, é uma boa faixa, muito bem acompanhada ao som de piano.
“Paradise Blues” é um bom rock/blues, com bons ritmos de guitarra e de teclado.
“Unhinged”, trata-se da faixa mais conseguida do álbum. Bom ritmo e uma boa guitarrada.
“Little Bird”, calmo, melancólico e agradável de se ouvir.
O álbum “End Times” é um pouco triste e melancólico, revelando e manifestando a crise de meia idade vivida por “Mr E”. Apesar de não impressionar, vale a pena ouvir e prestar atenção.

Chafurdando nos primórdios da música tradicional americana #5: Sam Chatmon

Continuo sem ir directamente para as grandes celebridades dos blues porque me pareceu que esta entrevista de Sam Chatmon é absolutamente crucial para se perceber um pouco o que foi essa coisa do blues do delta de que toda a gente fala ou pelo menos eu, os enquadramentos sociais da coisa e enquadramentos regionais e políticos e, muda o parágrafo.
A família Chatmon foi muito importante no reconhecimento da música do Mississippi no início do século XX, toda a malta da família tocava e Sam com os irmão Lonnie Chatmon e Bo Carter e Walter Vinson formaram uma das maiores bandas de referência do Mississippi nos anos 30, os Mississippi Sheiks, que gravaram a famosa música Sitting on the top of the World que viria a ser tocada e retocada ao longo das décadas. Sobre Bo Carter e ainda outro irmão dos Chatmons, Charley Patton, vejo-me obrigado a ter que falar um dia. Sobre Sam Chatmon não creio que haja assim tanto mais a dizer, em meados dos anos 30 e por causa da Grande Depressão as companhias discográficas e as rádios foram fechando e tal como tantos outros músicos, passou as três décadas seguintes a trabalhar no campo até vir a ser redescoberto nos anos 60 tal como também outros tantos músicos, vindo a gravar para a Arhoolie Records e a dar concertos por todo o país, não faltando aos mais importantes festivais de blues e folk. Morreu em 1983.



iLex While Dining 20.02.2010

19 fevereiro 2010

Relacionado #42

Já se encontra disponível para visualização e audição o novo single dos Vampire Weekend. É a terceira música a ser extraída do disco Contra. Com um registo mais dançavel e de festa, os Vampire mudam um bocado de faceta sonora. O video conta com a aparição de Jake Gyllenhaal, Lil Jon, Joe Jonas e Jenny Murray num duelo de ténis.

Relacionado #41

O indie rock começa a rumar a outros lados. Agora o filão parece estar na américa dos finais dos anos 50 e início dos 60 onde imperava o surf rock. Tendo já o exemplo dos The Drums, chegam-nos agora da Florida os Surfer Blood. Estreiam-se com "Swim" retirado do disco de 2010 intitulado Astro Coat.

18 fevereiro 2010

Ilustres Desconhecidos: The Great Society


Era uma vez, há muito, muito tempo, uma banda que vivia em São Francisco. E essa mesma banda tinha um sonho. Expandir as mentes das pessoas e dar-lhes felicidade. O que começou como um conto de fadas acabou como...bem o melhor mesmo é começar do início. Tudo começou em 1965, durante o Verão. Influenciados pelos Beatles, um grupo de rapazes de São Francisco quis começar a sua própria banda. Liderada por Darby Slick, a banda continha ainda a ajuda do seu irmão Jerry Slick, David Miner, Bard Dupont e, mais importante, a sua mulher, Grace Slick. Um pouco como o resto das bandas da altura como os Grateful Dead, Kaleidoscope ou Quicksilver Messenger Service, os Great Society também começavam a expandir a mente com drogas alucinogénicas e, obviamente, as letras e sonoridades das suas músicas reflectiam isso mesmo.
Ao fim de pouco tempo a banda começou a ganhar uma certa reputação na cena psicadélica da Bay Area e foi sendo cada vez mais respeitada. Em 1966 já começava a abrir concertos para bandas mais conceituadas como os Jefferson Airplane. É neste ano que a banda lança o seu primeiro single, "Someone to Love", parcialmente produzido por Sylvester Stewart, esse mesmo que viria a lançar-se no mundo da música com Sly & The Family Stone. O destino parecia estar nas mãos da banda californiana. O sucesso estava ao virar da esquina. No momento em que a editora Columbia estava prestes a oferecer um contrato de gravação, Grace Slick foi seduzida pelos Jefferson Airplane e deixou tudo para trás, incluindo o seu marido, Darby. O resto da história é já sobejamente conhecida. Grace levou "Someone to Love", regravado como "Somebody to Love" e "White Rabbit" para a sua nova banda. Ambas as músicas perderam o seu estilo mais improvisado e de influência oriental, ganhando, por outro lado, uma maior profissionalização. Os Jefferson Airplane que já eram uma banda com algum nome na Costa Oeste dos USA, passaram, com estes dois singles e o lançamento do seu segundo disco, Surrrealistic Pillow, a ser uma das bandas mais importantes do movimento psicadélico que começava a surgir. Os Great Society esses não aguentaram o rude golpe que tinham sofrido acabando por separarem-se sem sequer gravarem um disco oficial. Poucos anos mais tarde, foram lançados discos "bootleg" com gravações maioritariamente ao vivo da banda. Desta história trágica ficaram-nos os registos e esses são mágicos. "Sally Go Round the Roses", "Darky Smiling", "Daydream Nightmare", "Someone to Love" e o conto psicadélico de Alice no país das maravilhas em "White Rabbit" na sua versão longa e misteriosa são grandes exemplos de uma banda que acabou por ficar de culto e não apenas nota de rodapé na história de de Grace Slick e dos Jefferson Airplane.

17 fevereiro 2010

Miles Davis - A Tribute to Jack Johnson (1970)

Simplesmente porque hoje pus-me a ouvi-lo e apeteceu-me partilhar convosco, este para mim é um álbum na melhor fase de Miles Davis e os puristas do jazz que me crucifiquem não quero saber deles. Jack Johnson foi o primeiro pugilista negro a ganhar o título de campeão mundial de pesos-pesados, tornando-se uma das primeiras celebridades negras no mundo ocidental, isto bem no início do século numa altura em que os espectadores brancos iam aos combates com faixas que diziam coisas como "Não-sei-quantos, dá cabo do preto que preto não presta", bela aliteração. Claro que como todos os negros num mundo que dizem ser de brancos, Johnson foi injustiçado a vida toda e Miles Davis ter-lhe-á querido prestar homenagem talvez porque sem Johnson não haveria Davis e à parte de tudo isto é um álbum de dar cãibras nas pernas de tanto pezinho bater. Ah e os músicos... John McLaughlin, Herbie Hancock, Michael Henderson, Billy Cobham, Chick Corea, Jack DeJohnette, Sonny Sharrock, Steve Grossman, Dave Holland e meu deus eles deviam fazer fila à porta do senhor só para ter a oportunidade de tocar com ele.

16 fevereiro 2010

Colecção do Roll - Pearl Jam - Ten (1991)


Publico mais uma Crónica do Roll:

Maldito sejas, Eddie Vedder! Arre porra, se há gajo que estou chateado, é com o Eddie Vedder.
Na minha opinião, o Eddie é o Einstein da música e passo a explicar porquê.
Como todos sabemos, o Einstein, graças à sua bestial inteligência, foi o responsável pela descoberta da bomba atómica que provocou a morte de milhares de inocentes.
Efeito semelhante teve Eddie Vedder na música. A quantidade de bandas horrendas (sucessivos massacres musicais) que copiam a tonalidade de voz de Vedder são mais que as mães: " Os sinistros Creed, os merdosos Nickelback, os apaneleirados The Calling e , como todas as sopeiras bem sabem, até o garoto que ganhou os Ídolos tenta lá chegar. Será que conseguem?
Claro que não, arre porra. Pensavam que eu ia dizer mal dos Pearl Jam? Ih, Ca Burros!
Vamos lá ver uma coisa:
Todos que tentam imitar Eddie Vedder não passam de cópias baratas dos ciganos. Porque tentam os palermas? Nunca percebi...
O Eddie além de ser um gajo porreiro como o raio, que faz questão de ir surfar a Ribeira de Ilhas quando tem tempo e até ofereceu uma guitarra a um amigo de um amigo do meu primo , é um óptimo escritor de canções como o Tom Petty ou Neil Young.
Para dizer a verdade, sempre senti asco pelos idiotas que insistiam em comparar Nirvana com Pearl Jam.
Para mim, os dois são basilares no movimento grunge nos anos noventa - tempos em que a música não metia nojo - e cada uma das bandas fez história à sua maneira.
Enquanto os Nirvana seguiram uma postura punk e alternativa, à semelhança dos energéticos Mudhoney, a banda Eddie Vedder piscava o olho ao great american rock de Neil Young ou Bruce Springsteen.
Tal como os seus ídolos, Eddie Vedder nunca esqueceu as preocupações sociais e isso explica-se no concerto de homenagem a Bob Dylan com uma competente interpretação de "Masters Of War". O seu mestre gostou e nós também.
Em relação ao álbum propriamente dito, é bestialmente viciante e dos poucos que não me faz cair na tentação de passar músicas à frente. Sou incapaz de não ouvir o alive até ao fim, o even flow, Jeremy, o black, go, porch ou o raio que vos parta...
Resumindo:Arre porra, o álbum é do camandro.
Ouvi dizer que o Cobain não gostava dos Pearl Jam, mas também ouvi dizer que o Ingmar Bergman não gostava do Michelangelo Antonionni. O que eu quero dizer com isto é o seguinte: Normalmente os gajos bestiais não curtem os seus pares mas isso deve-se ao facto de serem um bocado marados dos cornos. Entenda-se "marados dos cornos" no bom sentido, como os poetas ou pintores que são génios com pancada.
Odeio pontuações chaladas - como os críticos geeks chalados do Ipslon gostam de dar - mas este merece um 9/10 na boa

Um abraço a vocês e ao Cisto que teve um esgotamento.

Assinado: Roll

15 fevereiro 2010

Doug Fieger (1952-2010)

É com profunda tristeza que escrevo estas linhas. Doug Fieger deixou-nos hoje. O líder da banda norte-americana, The Knack. Essa mesma da célebre música "My Sharona" que tanto inspirou músicos nos anos 80. Kurt Cobain foi um deles. Os Knack nunca foram grandiosos, até tinham um quê de piroso, mas eram bons e as suas músicas também. O seu disco de estreia, Get The Knack em 1979, um dos grandes momentos da new wave, é bom do início ao fim. Canções melódicas rasgadas por um sentimento punk. Até sempre Doug...