17 fevereiro 2010

Miles Davis - A Tribute to Jack Johnson (1970)

Simplesmente porque hoje pus-me a ouvi-lo e apeteceu-me partilhar convosco, este para mim é um álbum na melhor fase de Miles Davis e os puristas do jazz que me crucifiquem não quero saber deles. Jack Johnson foi o primeiro pugilista negro a ganhar o título de campeão mundial de pesos-pesados, tornando-se uma das primeiras celebridades negras no mundo ocidental, isto bem no início do século numa altura em que os espectadores brancos iam aos combates com faixas que diziam coisas como "Não-sei-quantos, dá cabo do preto que preto não presta", bela aliteração. Claro que como todos os negros num mundo que dizem ser de brancos, Johnson foi injustiçado a vida toda e Miles Davis ter-lhe-á querido prestar homenagem talvez porque sem Johnson não haveria Davis e à parte de tudo isto é um álbum de dar cãibras nas pernas de tanto pezinho bater. Ah e os músicos... John McLaughlin, Herbie Hancock, Michael Henderson, Billy Cobham, Chick Corea, Jack DeJohnette, Sonny Sharrock, Steve Grossman, Dave Holland e meu deus eles deviam fazer fila à porta do senhor só para ter a oportunidade de tocar com ele.

16 fevereiro 2010

Colecção do Roll - Pearl Jam - Ten (1991)


Publico mais uma Crónica do Roll:

Maldito sejas, Eddie Vedder! Arre porra, se há gajo que estou chateado, é com o Eddie Vedder.
Na minha opinião, o Eddie é o Einstein da música e passo a explicar porquê.
Como todos sabemos, o Einstein, graças à sua bestial inteligência, foi o responsável pela descoberta da bomba atómica que provocou a morte de milhares de inocentes.
Efeito semelhante teve Eddie Vedder na música. A quantidade de bandas horrendas (sucessivos massacres musicais) que copiam a tonalidade de voz de Vedder são mais que as mães: " Os sinistros Creed, os merdosos Nickelback, os apaneleirados The Calling e , como todas as sopeiras bem sabem, até o garoto que ganhou os Ídolos tenta lá chegar. Será que conseguem?
Claro que não, arre porra. Pensavam que eu ia dizer mal dos Pearl Jam? Ih, Ca Burros!
Vamos lá ver uma coisa:
Todos que tentam imitar Eddie Vedder não passam de cópias baratas dos ciganos. Porque tentam os palermas? Nunca percebi...
O Eddie além de ser um gajo porreiro como o raio, que faz questão de ir surfar a Ribeira de Ilhas quando tem tempo e até ofereceu uma guitarra a um amigo de um amigo do meu primo , é um óptimo escritor de canções como o Tom Petty ou Neil Young.
Para dizer a verdade, sempre senti asco pelos idiotas que insistiam em comparar Nirvana com Pearl Jam.
Para mim, os dois são basilares no movimento grunge nos anos noventa - tempos em que a música não metia nojo - e cada uma das bandas fez história à sua maneira.
Enquanto os Nirvana seguiram uma postura punk e alternativa, à semelhança dos energéticos Mudhoney, a banda Eddie Vedder piscava o olho ao great american rock de Neil Young ou Bruce Springsteen.
Tal como os seus ídolos, Eddie Vedder nunca esqueceu as preocupações sociais e isso explica-se no concerto de homenagem a Bob Dylan com uma competente interpretação de "Masters Of War". O seu mestre gostou e nós também.
Em relação ao álbum propriamente dito, é bestialmente viciante e dos poucos que não me faz cair na tentação de passar músicas à frente. Sou incapaz de não ouvir o alive até ao fim, o even flow, Jeremy, o black, go, porch ou o raio que vos parta...
Resumindo:Arre porra, o álbum é do camandro.
Ouvi dizer que o Cobain não gostava dos Pearl Jam, mas também ouvi dizer que o Ingmar Bergman não gostava do Michelangelo Antonionni. O que eu quero dizer com isto é o seguinte: Normalmente os gajos bestiais não curtem os seus pares mas isso deve-se ao facto de serem um bocado marados dos cornos. Entenda-se "marados dos cornos" no bom sentido, como os poetas ou pintores que são génios com pancada.
Odeio pontuações chaladas - como os críticos geeks chalados do Ipslon gostam de dar - mas este merece um 9/10 na boa

Um abraço a vocês e ao Cisto que teve um esgotamento.

Assinado: Roll

15 fevereiro 2010

Doug Fieger (1952-2010)

É com profunda tristeza que escrevo estas linhas. Doug Fieger deixou-nos hoje. O líder da banda norte-americana, The Knack. Essa mesma da célebre música "My Sharona" que tanto inspirou músicos nos anos 80. Kurt Cobain foi um deles. Os Knack nunca foram grandiosos, até tinham um quê de piroso, mas eram bons e as suas músicas também. O seu disco de estreia, Get The Knack em 1979, um dos grandes momentos da new wave, é bom do início ao fim. Canções melódicas rasgadas por um sentimento punk. Até sempre Doug...

iFrod Shuffle 15-02-10

13 fevereiro 2010

Crónica do Roll - Ídolos?

O novo reality show da sic " Os Ídolos" é a prova que Portugal está sujeito às piores epidemias mundiais.
Quando respirava de alívio com o desaparecimento da gripe A - da qual saí ileso sabe Deus como - vejo por mim, durante um dos meus solitários zappings nocturnos, a assistir a um dos programas mais deturpadores e enganadores do verdadeiro espírito da música.
O que são os Ídolos? - Perguntaram todos aqueles, que ao contrário de mim, têm uma vida preenchida.
É um reality show, pestilento QB, que consiste em humilhar garotos com sonhos e iludí-los com a ideia que podem ser grandes estrelas cantando covers de bandas pop.
A julgá-los, de forma grotesca, temos um painel de figuras abjectas como aquela gaja responsável pelo pior festival do mundo, um tipo bestialmente obeso que, certamente, come mais do que ouve música e mais dois que ninguém conhece e, para dizer a verdade, nem interessam ao menino Jesus. Onde está a credibilidade desta gente?
Arre porra, com mil diabos, vamos lá ver uma coisa:
Se querem ser estrelas peguem na merda duma guitarra, baixo e bateria e ponham-se dentro duma garagem quente a sofrer. Sim, ouviram bem, eu disse "sofrer".
Quem quer ser músico tem que estar preparado para a dificuldade imensa de criar, inovar, fazer sonhar e comover. Foi assim que fizeram Dylan, Cobain, Hendrix, Elliot Smith, Vinicius, Miles Davis, you name it...
Lembrem-se: Músicos não são papagaios nem como disse o outro "poetas de karaoke".
Prefiro gramar um filme pornográfico como anões octogenários do que voltar a assistir aos "Ídolos".
Deixo-vos as palavras sábias de um músico que também não come trampa:

iLex Hora do Bolo 13.02.2010

12 fevereiro 2010

Desrelacionado #3

Cinema e música sempre andaram de mão dada como o bucha e o estica ou Lennon e MCcartney.
Deixo-vos esta sugestão cinematográfica produzida pelo nosso Paulo Branco (das poucas coisas de jeito que deu ao trabalho de parir).
Aqui fica um excerto encantador do filme "Dans Paris" de Chistophe Honoré:

Pink Floyd - A Saucerful of Secrets (1968)

Após The Piper at the Gates of Dawn, os Floyd chegaram a uma encruzilhada. Com o seu líder, Syd Barrett, perdido algures na sua própria mente, a banda ficou algo perdida. Que futuro poderia ter uma das bandas mais underground do psicadelismo inglês? Para muitos era Syd a luz que iluminava a banda. Era o motor que os mantinha a andar. Era a estrela que os guiava pelas encruzilhadas da imaginação. Com o líder "desaparecido em combate", Waters, Wright e Mason procuraram ajuda num velho conhecido de Syd, David Gilmour. Este, muito mais talentoso musicalmente, não era um génio a nível de letras nem tinha aquele brilho que Barrett ostentava sempre que aparecia em palco, pelo menos até a sua demência começar a aparecer. Gilmour foi contratado para ser uma espécie de músico de suporte para Syd, no entanto, este começou a desaparecer aos poucos até sair de cena. Gilmour tomou o seu lugar e o resultado estava à vista apenas dez meses depois. Não sendo completamente groundbreaking em relação ao primeiro disco, A Saucerful of Secrets faz a transição entre o undeground psicadélico de Syd e as viagens cósmicas de Gilmour e Waters que se seguiriam depois. De realçar que o disco contém a última música de Barrett em álbuns de originais dos Floyd, a semi-inocente "Jugband Blues", onde Syd, apesar da sua condição psicológica, sabe claramente o seu triste fado no futuro da banda. A influência de Syd sente-se, ainda, em "Let There Be More Light", "Remember A Day", "Corporal Clegg" e "See Saw". Enquanto álbum transição, é notório o crescimento de Waters com a espacial "Set the Controls for the Heart of the Sun", uma das preferidas dos fãs. A música que dá nome ao disco é o início da era Floyd-Gilmour. Música instrumental longa com grandes laivos de rock espacial e progressivo. A partir daqui a influência de Syd deixaria de ser musical para ser apenas psicológica...

Relacionado #40

Celebrando as músicas para o movimento dos direitos humanos, Bob Dylan fez uma, raríssima, aparição na Casa Branca. Aqui fica "The Times They Are A-Changing. Um evento que Barack Obama fez questão de organizar.