10 fevereiro 2010

Talvez Relacionado #39

O último álbum destes senhores, "Post-Nothing", tem gerado muito entusiasmo por onde passa, e agora tem passado por estas bandas. Como tal, aqui deixo à apreciação dos vossos ouvidos (e também olhos, mas pronto, os ouvidos é que interessam mesmo) os Japandroids, com "Young Hearts Spark Fire". São mais uma banda proveniente do Canadá, mas em vez de Montreal ou Toronto de onde têm saído várias coisas interessantes, estes são um "produto" de Vancouver.

Relacionado #39

Do Texas com um cheirinho do Reino Unido, apresento-vos estes Strange Boys, banda que vai para o seu segundo disco. Influenciados pelo Garage Rock do período 64-67 de grupos como os Kinks, Rolling Stones, 13th Floor Elevators ou Electric Prunes, estes norte-americanos tentam recriar o rock honesto e crú que se fazia naquela altura. Deixo-vos com "Be Brave" do segundo disco de originais, a sair este ano, também chamado Be Brave.

Talvez Relacionado #38

"Written in Reverse" serve de primeira amostra do novo álbum dos Spoon, "Transference". Após um muito interessante "Ga Ga Ga Ga Ga", parece-me que a banda original de Austin, Texas, volta em força em 2010!

Enjoy!

09 fevereiro 2010

Relacionado #38

LICHENS
Mais uma vez a ZDB mostra porque é, realmente, uma das melhores casas de concerto em Lisboa. Não só tem uma boa localização e bom ambiente como traz, quase sempre, grandes músicos a preços irrisórios. Amanhã, dia 10, às 22h, é a vez de Lichens, pseudónimo para Robert A. Lowe. Este músico traz consigo na bagagem um projecto experimental com ambientes hipnóticos e psicadélicos com uma grande carga de improviso. Não será apenas mais um concerto. A não perder. Aqui fica um excerto de um concerto em Paris.

Relacionado #37

KATE NASH
Confesso que não sou grande fã de covers, acho-as ou demasiado presas ao original ou então demasiado desconstrutivas, perdendo-se a essência da mesma. Além de que o original é, quase sempre, melhor que covers. Aqui o caso confirma a regra, o original é melhor, no entanto, há qualquer coisa na voz e piano desta senhora, Kate Nash, que acrescenta uma doçura à música dos Arctic Monkeys. De valor.

Chafurdando nos primórdios da música tradicional americana #19: Joseph Spence

Este é um post à parte. À parte porque Joseph Spence não só não é reconhecido como alguém importante na história da música tradicional americana como aliás não é sequer americano.
Spence nasceu nas Bahamas em 1910. Tocava guitarra apesar desse não ser um instrumento muito popular lá nas suas bandas. Algures na sua vida foi contratado para ir alguns meses trabalhar nos campos de algodão no sul dos Estados Unidos e foi lá que tomou conhecimento com a música tradicional americana que se tocava pelo Mississippi, ragtime, blues, folk, etc. Voltou às Bahamas convencido que iria conseguir reproduzir aquelas melodias que tinha na memória, e apenas na memória, e instintivamente influenciado também pelos ritmos caribenhos foi desenvolvendo um estilo musical muito particular que o musicólogo folk Samuel Charters registou pela primeira vez no alpendre da casa do músico em 1958. Tinha a guitarra sempre afinada em Ré e em relação aos grunhidos e murmúrios que tornam qualquer música sua uma experiência senão única ao menos estranha, há quem diga que o fazia por não saber escrever letras e tentar simplesmente imitar as vozes dos músicos do Mississippi ou então por ter sempre um cachimbo na boca que o impedia de cantar propriamente. Mas cá para mim é um estilo e pronto.
Eu não queria incluir este tipo tão cedo nesta rubrica uma vez que falta apresentar tantos músicos mas a verdade é que Spence apenas me foi dado a conhecer no concerto da semana passada de Elijah Wald na Culturgest e fiquei em êxtase e quis partilhar esse êxtase pois é um êxtase muito fixe daqueles à antiga quando conhecíamos aquelas bandas novas e agora pensamos sempre que já não vamos conhecer nada de novo mas depois ouvimos uma ópera de Wagner com 150 anos e ficamos em êxtase e é bom. Pelo menos para mim.

Relacionado #36

OH NO ONODa Dinamarca chega-nos uma daquelas bandas que, provavelmente, vai dar algo que falar. Originários de Aalborg, os Oh No Ono começaram a dar os primeiros passos em 2003, acabando por lançar o seu primeiro disco de originais em 2006 de seu nome Yes. Uma alusão à palavra que fez Lennon se enamorar da artista japonesa. No entanto acabou por passar completamente despercebido. Três anos mais tarde chega-nos, agora, o sucessor, Eggs, gravado em estúdios e igrejas mas também em florestas, praias e fábricas abandonadas, que contêm uma atmosfera que podia ser usada em filmes de Tim Burton, por exemplo. Aqui fica "Swim".

Altamont @ Radar

Caros leitores, seguidores, visualizadores e afins,

Queria aqui anunciar que (e perdoem-me a mudança para o inglês, mas soa-me melhor), "My time has come!". Serei o responsável de cozinha de um bolo cuja receita será transmitida pela Radar no próximo sábado, dia 13 Fevereiro, às 17h (com repetição no domingo da semana seguinte, dia 21 Fevereiro à mesma hora). Acho que a grande maioria deve conhecer a rubrica "Hora do Bolo" da 97.8, mas para quem nunca tenha ouvido falar, trata-se de um programa semanal de uma hora com músicas escolhidas por um ouvinte. Podem seguir o programa na rádio ou online, no próprio site cujo link deixei ali acima. Posteriormente tentarei partilhar aqui a emissão, com a playlist por mim escolhida.

Enjoy!

Owen Pallett - Heartland (2010)

Para algumas pessoas mais distraídas, Owen Pallett poderia surgir como um artista novo, que lança agora em 2010 o seu primeiro álbum. Nada mais longe da realidade, afinal de contas Pallett já aí anda a agitar o universo musical há uns bons tempos, e em várias frentes. Por um lado, a solo, sob a designação de Final Fantasy, com a qual lançou 2 álbuns, "Has a Good Home" (2005) e "He Poos Clouds" (2006), sendo este último o que chamou mais atenção sobre si. No entanto Pallett teve de abandonar o nome/alter-ego Final Fantasy por conflitos de direitos com uma empresa que tem um jogo de consola/PC com o mesmo nome e é esse o motivo que leva a que este "Heartland" seja assinado em nome próprio.
Por outro lado, como contribuidor em vários álbuns marcantes desta década, tais como "Funeral" e "Neon Bible", ambos de Arcade Fire, "The Flying Club Cup", Beirut, "The Age of The Understatement", Last Shadow Puppets, "Yellow House", Grizzly Bear, entre outros. Em todos estes Pallett contribuiu com arranjos para cordas e/ou orquestração, o que demonstra bem a sua elevada capacidade de se desdobrar, que já vem desde os 13 anos, altura em que escreveu a sua primeira composição musical. Para além de tudo isto é também membro da Orquestra de Vancouver, onde mantém intacta a sua formação na escola da música clássica.
Dediquemos pois, alguma atenção a este "Heartland". Primeiro que tudo, o conceito; segundo Pallett, as músicas que constituem o álbum são todas monólogos de um personagem chamado Lewis, um agricultor ultra-violento, que vive num mundo chamado Spectrum, monólogos estes dirigidos ao seu criador, que não é mais que o próprio Owen Pallett. Estranho? Alienado? Um pouco de cada, pois, e a música encaixa também nesta descrição. Mas eu adicionaria os adjectivos densa, nebulosa e cheia de diferentes camadas, que só após algumas audições muito atentas poderemos captar. É que a evolução de Pallett do álbum anterior para este é feita em várias frentes, para além dos tradicionais arranjos para cordas temos também instrumentos eléctricos (baixo, bateria), a ajudarem a compôr a sua nuvem de sons, dando-lhe toques mais pop, e ao mesmo tempo mais bem aprumadinhos. É um tipo de música que ou se ouve uma vez e nunca mais, ou entra e depois é difícil de tirar da cabeça. A mim já me está a ficar, sobretudo as músicas "Tryst with Mephistopheles" e "Midnight Directives". Só há uma forma de descobrir qual vai ser o vosso caso, experimentando já aqui em baixo!

Enjoy!