09 fevereiro 2010

Relacionado #37

KATE NASH
Confesso que não sou grande fã de covers, acho-as ou demasiado presas ao original ou então demasiado desconstrutivas, perdendo-se a essência da mesma. Além de que o original é, quase sempre, melhor que covers. Aqui o caso confirma a regra, o original é melhor, no entanto, há qualquer coisa na voz e piano desta senhora, Kate Nash, que acrescenta uma doçura à música dos Arctic Monkeys. De valor.

Chafurdando nos primórdios da música tradicional americana #19: Joseph Spence

Este é um post à parte. À parte porque Joseph Spence não só não é reconhecido como alguém importante na história da música tradicional americana como aliás não é sequer americano.
Spence nasceu nas Bahamas em 1910. Tocava guitarra apesar desse não ser um instrumento muito popular lá nas suas bandas. Algures na sua vida foi contratado para ir alguns meses trabalhar nos campos de algodão no sul dos Estados Unidos e foi lá que tomou conhecimento com a música tradicional americana que se tocava pelo Mississippi, ragtime, blues, folk, etc. Voltou às Bahamas convencido que iria conseguir reproduzir aquelas melodias que tinha na memória, e apenas na memória, e instintivamente influenciado também pelos ritmos caribenhos foi desenvolvendo um estilo musical muito particular que o musicólogo folk Samuel Charters registou pela primeira vez no alpendre da casa do músico em 1958. Tinha a guitarra sempre afinada em Ré e em relação aos grunhidos e murmúrios que tornam qualquer música sua uma experiência senão única ao menos estranha, há quem diga que o fazia por não saber escrever letras e tentar simplesmente imitar as vozes dos músicos do Mississippi ou então por ter sempre um cachimbo na boca que o impedia de cantar propriamente. Mas cá para mim é um estilo e pronto.
Eu não queria incluir este tipo tão cedo nesta rubrica uma vez que falta apresentar tantos músicos mas a verdade é que Spence apenas me foi dado a conhecer no concerto da semana passada de Elijah Wald na Culturgest e fiquei em êxtase e quis partilhar esse êxtase pois é um êxtase muito fixe daqueles à antiga quando conhecíamos aquelas bandas novas e agora pensamos sempre que já não vamos conhecer nada de novo mas depois ouvimos uma ópera de Wagner com 150 anos e ficamos em êxtase e é bom. Pelo menos para mim.

Relacionado #36

OH NO ONODa Dinamarca chega-nos uma daquelas bandas que, provavelmente, vai dar algo que falar. Originários de Aalborg, os Oh No Ono começaram a dar os primeiros passos em 2003, acabando por lançar o seu primeiro disco de originais em 2006 de seu nome Yes. Uma alusão à palavra que fez Lennon se enamorar da artista japonesa. No entanto acabou por passar completamente despercebido. Três anos mais tarde chega-nos, agora, o sucessor, Eggs, gravado em estúdios e igrejas mas também em florestas, praias e fábricas abandonadas, que contêm uma atmosfera que podia ser usada em filmes de Tim Burton, por exemplo. Aqui fica "Swim".

Altamont @ Radar

Caros leitores, seguidores, visualizadores e afins,

Queria aqui anunciar que (e perdoem-me a mudança para o inglês, mas soa-me melhor), "My time has come!". Serei o responsável de cozinha de um bolo cuja receita será transmitida pela Radar no próximo sábado, dia 13 Fevereiro, às 17h (com repetição no domingo da semana seguinte, dia 21 Fevereiro à mesma hora). Acho que a grande maioria deve conhecer a rubrica "Hora do Bolo" da 97.8, mas para quem nunca tenha ouvido falar, trata-se de um programa semanal de uma hora com músicas escolhidas por um ouvinte. Podem seguir o programa na rádio ou online, no próprio site cujo link deixei ali acima. Posteriormente tentarei partilhar aqui a emissão, com a playlist por mim escolhida.

Enjoy!

Owen Pallett - Heartland (2010)

Para algumas pessoas mais distraídas, Owen Pallett poderia surgir como um artista novo, que lança agora em 2010 o seu primeiro álbum. Nada mais longe da realidade, afinal de contas Pallett já aí anda a agitar o universo musical há uns bons tempos, e em várias frentes. Por um lado, a solo, sob a designação de Final Fantasy, com a qual lançou 2 álbuns, "Has a Good Home" (2005) e "He Poos Clouds" (2006), sendo este último o que chamou mais atenção sobre si. No entanto Pallett teve de abandonar o nome/alter-ego Final Fantasy por conflitos de direitos com uma empresa que tem um jogo de consola/PC com o mesmo nome e é esse o motivo que leva a que este "Heartland" seja assinado em nome próprio.
Por outro lado, como contribuidor em vários álbuns marcantes desta década, tais como "Funeral" e "Neon Bible", ambos de Arcade Fire, "The Flying Club Cup", Beirut, "The Age of The Understatement", Last Shadow Puppets, "Yellow House", Grizzly Bear, entre outros. Em todos estes Pallett contribuiu com arranjos para cordas e/ou orquestração, o que demonstra bem a sua elevada capacidade de se desdobrar, que já vem desde os 13 anos, altura em que escreveu a sua primeira composição musical. Para além de tudo isto é também membro da Orquestra de Vancouver, onde mantém intacta a sua formação na escola da música clássica.
Dediquemos pois, alguma atenção a este "Heartland". Primeiro que tudo, o conceito; segundo Pallett, as músicas que constituem o álbum são todas monólogos de um personagem chamado Lewis, um agricultor ultra-violento, que vive num mundo chamado Spectrum, monólogos estes dirigidos ao seu criador, que não é mais que o próprio Owen Pallett. Estranho? Alienado? Um pouco de cada, pois, e a música encaixa também nesta descrição. Mas eu adicionaria os adjectivos densa, nebulosa e cheia de diferentes camadas, que só após algumas audições muito atentas poderemos captar. É que a evolução de Pallett do álbum anterior para este é feita em várias frentes, para além dos tradicionais arranjos para cordas temos também instrumentos eléctricos (baixo, bateria), a ajudarem a compôr a sua nuvem de sons, dando-lhe toques mais pop, e ao mesmo tempo mais bem aprumadinhos. É um tipo de música que ou se ouve uma vez e nunca mais, ou entra e depois é difícil de tirar da cabeça. A mim já me está a ficar, sobretudo as músicas "Tryst with Mephistopheles" e "Midnight Directives". Só há uma forma de descobrir qual vai ser o vosso caso, experimentando já aqui em baixo!

Enjoy!

08 fevereiro 2010

Os Velhos - Cabaret Maxime - 05.02.2010



Os Velhos são uma banda nova, que apareceu há pouco tempo, ainda só têm um EP editado, e mais algumas músicas. São da Amor Fúria, Companhia de Discos do Campo Grande, e praticam rock.
E o mais interessante do concerto no Maxime, a 5 de Fevereiro, foi a vasta legião de fãs que esgotou por completo a lotação do cabaret. A grande parte das pessoas que estavam a assistir, e a cantar fervorosamente as músicas e trautear as melodias, eram jovens adolescentes, imberbes, e...betos. Aquilo a que dantes se chamava queques. Uma franja da sociedade que, há alguns anos e quando tinha esta idade, ia sair à noite para o Whispers ou Maria Bolachas, e vibrava com músicas como Let's Get Loud da J. Lo, ou Walking on Sunshine de Katrina and The Waves. Não que isso seja mau, mas só porque isso era um género de pessoas. E agora, esta mesma franja da sociedade ouve rock, e Strokes, e Arcade Fire, e deixa crescer a barba... (não quero ser tido como preconceituoso aqui, só estou a tentar ilustrar como as coisas mudam). As mesmas pessoas que há uns anos olhavam com ar de nojo para bandas como os Strokes, agora sabem as letras todas de cor. E isso é bom.
E o concerto d'Os Velhos foi um interessante mini laboratório social. É um fenómeno engraçado este.

Do ponto de vista musical, os Velhos, tal como a malta que os ouvia, são uma banda jovem, ainda a dar os primeiros passos. Mas têm potencial. Pelo menos, as bases são boas, as influências são boas - não fazem de certeza música inspirada em Jeniffer Lopez. Têm energia, têm muito por onde crescer. E cantam em português, e de uma forma que não sendo genial, não ofende minimamente, e isso é bom. Hoje em dia são muitas as bandas e cantautores a usar o português, e isso é salutar (aliás, hoje ouvir portugueses a cantar em estrangeiro já me faz alguma espécie).
Mas Os Velhos são mais uma banda deste género a aparecer, e isso é sempre bom, quantas mais melhor. Porque eles podem não ser geniais. Em 9 bandas que apareçam, podem ser todas más, mas se a 10ª for muito boa, valeu a pena. Acho que estamos a assistir ao nascimento de uma corrente, na música portuguesa, e por isso, todos os músicos desta nova geração que estão a aparecer, terão pelo menos o mérito de fazer parte da história, de ter desempenhado um papel importante no “partir pedra”.
Daqui a 10 anos completo este artigo...

iFrod Shuffle 08-02-2010

06 fevereiro 2010

CARTOON













Keith Richards passou por Porugal e foi ver uma banda indie nacional da editora Flor Caveira


05 fevereiro 2010

Arctic Monkeys - Campo Pequeno - 03.02.2010



They grow up so fast.
Os Arctic Monkeys tocaram em Portugal, pela 3ª vez desde 2006, e isso foi só há 4 anos.
E hoje, os Arctic Monkeys estão adultos. E há 4 anos, eram simples adolescentes, com jeito para a música, mas não eram mais do que adolescentes, com tudo o que de bom e de mau isso tem. E passados 4 anos e 3 discos, eles tocam em Lisboa, e dão um concerto que é de guardar na memória.
Campo Pequeno todo lotado, com adolescentes e quarentões, tudo em pulgas para ver os Monkeys. Alguns resistiram ao saber que era no Campo Pequeno, raro é o concerto que tem bom som, e isso estraga logo quase tudo. mas desta vez, alguém se esmerou, e o som só não estava mau, como estava muito bom. Não fazia eco, os instrumentos saíam limpos, nenhum se sobrepunha muito aos outros. Lá está, o som bom na sala, melhora logo quase tudo (por isso quse todos os concertos na aula magna são bons).
Mas neste concerto não havia outra hipótese, o som tinha mesmo de estar bom, porque o novo álbum dos Arctic Monkeys, Humbug, tem uma sonoridade limpa, definida. Neste capítulo, tudo correu bem.

A actuação deles em palco, e a pose deles em palco, e a música deles em palco, provou que eles cresceram, amadureceram, fizeram-se homens.
A diferença do último para este álbum é o que cada membro da banda passou. Nestes anos, desde 2007 quando saiu Favorite Worst Nightmare, os putos de Sheffield viveram muito mais do que tinham vivido até aí - enfiados na sua cidadezinha inglesa, sempre sem sol. Neste processo de crescimento de cada um deles, há uns aspectos a destacar. Nomeadamente a música que começaram a ouvir. Por sua iniciativa, e por iniciativa de um jornalista da Mojo, que lhes deu um molhe de discos e lhes disse "vocês têm de ouvir isto". E fez ele bem. Um artista, para ser melhor no que faz, tem de conhecer o que já foi feito.
E com os Monkeys deu-se isso, ouviram Black Sabbath e Led Zeppelin. E deixaram crescer o cabelo. E foram aos Estados Unidos, e gravaram nos estúdios do Jimi Hendrix. E Gravaram com o Josh Homme, algures no Mojave Desert na Califórnia.
E isso, claro, influencia tanto a pessoa como o músico.

Em palco, no Campo Pequeno, estiveram esses músicos e pessoas, mudados, mais velhos, mesmo que ainda tenham 24 anos. E fizeram um concerto memorável - com direito a uma explosão de confettis no fim. Tocaram as músicas novas, mais melódicas e com menos exuberância rock, tocaram as músicas mais exuberantes rock dos álbuns anteriores, mas fizeram-no de forma adulta. Puseram o Campo Pequeno a cantar, a dançar, e em certas alturas, a fazer moche. Têm energia, boas músicas, um atitude discreta (baixo-perfil), e sabem conquistar o público.
São um caso sério, porque o talento musical está lá, e o potencial para crescer, está lá ainda mais. Principalmente se continuarem a ser bem orientados, e se continuarem a encarar a música como encaram - sem grandes preocupações, e cada vez mais comprometidos com o som. Uma grande banda para os anos 10.