04 fevereiro 2010

Beirut: Pompeii

Estava para pôr aqui uma das músicas deste EP, mas as duas têm algo de siamesas, de certa forma complementam-se, e são complicadas de separar. Pompeii, um dos 3 EP de Beirut em 2007, apresenta-nos uma melancolia esperançosa, num registo de Zach Condon diferente do habitual.

03 fevereiro 2010

Arctic Monkeys - Preparação


O propósito deste post é muito simples - proporcionar aos leitores do Altamont fazerem um aquecimento para o concerto de Arctic Monkeys, mais logo no Campo Pequeno. Para tal, nada como clicarem na imagem acima, que vos dará ligação directa à emissão online da Antena3, na qual, a partir das 17h, os Arctic Monkeys farão uma sessão especial acústica.

Enjoy!

Archie Bronson Outfit - Derdang Derdang (2006)

Quando em 2003 foi editado o primeiro álbum dos Kings of Leon, o povo americano pareceu não querer saber muito desta banda com ar rafeiro que ia buscar sonoridades aos anos 70 tipo Lynyrd Skynyrd ou Creedence Clearwater Revival. Foi preciso serem os ingleses a descobrirem aqueles que, uns anos mais tarde, acabariam por encher estádios em nome próprio e uma das maiores bandas destes últimos anos. Dois anos após Youth & Young Manhood, uma nova banda norte-americana também acabaria por ser descoberta apenas pelo mercado britânico. De seu nome Archie Bronson Outfit. O primeiro disco, Fur, foi apenas um começo para aquilo que viria a seguir apenas um ano depois. Derdang Derdang, produzido em Nashville por Jacquire King, o mesmo que produziu discos de Tom Waits e Kings of Leon, é aquilo que se pode chamar de rock sujo e bruto com letras de angústia, como são exemplo as músicas "Cherry Lips", "Kink", "Dart For My Sweetheart" ou "Modern Lovers". São 11 músicas quase sempre a rasgar a fazer relembrar a má fama do antigo Rock. Derdang Derdang está, provavelmente, naquela lista de grandes discos que passaram despercebidos um pouco por todo o lado. Nunca irão, certamente, ter o mesmo sucesso que os Kings of Leon mas, se calhar, ainda bem...

02 fevereiro 2010

Agenda de Fevereiro

E os Arctic Monkeys estão de regresso a Portugal. Os britânicos tocam hoje no Porto e amanhã em Lisboa para apresentarem o mais recente álbum "Hambug". Este é sem dúvida o maior destaque do mês de Fevereiro. Mas hoje também, no LX Factory podemos ver a actuação de Sun O))), um concerto que vale a pena não perder. O segundo mês do ano é também sinónimo do primeiro festival do ano: o Festival para Gente Sentada em Santa Maria da Feira. Nomes como Bill Calahan ou Camera Obscura fazem um cartaz bem simpático. Os outros destaques do mês vão para os Tindersticks que vão dar nada mais nada menos do que 5 concertos, os Australian Pink Floyd Show que regressam para mais dois concertos, Panda Bear que actuará no Lux e os Fiery Furnaces que finalmente se estreiam em Portugal. Um cartaz bem diversificado para este mês que ainda conta com muitos e bons concertos da nova vaga de música portuguesa: Diabo na Cruz, João Coração, Samuel Úria ou os Pontos Negros.

Agenda:

2. Sun O))) - Lx Factory
2. Arctic Monkeys + Mistery Jets - Coliseu, Porto
3. Arctic Monkeys + Mistery Jets - Campo Pequeno, Lx
4. OliveTreeDance - Santiago Alquimista, Lx
5. Fu Manchu - Santiago Alquimista, Lx
5. Tindersticks - Olga Cadaval, Sintra
12. Diabo na Cruz - C.Artes e Espectáculos, Figueira da Foz
12. Panda Bear - Lux, Lx
14. Joss Stone - Coliseu, Porto
15. Joss Stone - Coliseu, Lx
15. Irmãos Catita - Maxime, Lx
18. The Australian Pink Floyd Show - Campo Pequeno, Lx
19. The Australian Pink Floyd Show - Pav.Rosa Mota, Lx
19. Real Estate - Galeria ZdB, Lx
20. João Coração + Samuel Úria - Theatro Circo, Braga
25. The Album Leaf - Santiago Alquimista, Lx
26. Os Pontos Negros - Arcos de Valdevez
26. Fiery Furnaces - Santiago Alquimista, Lx
26. Bill Calahan + Perry Blake - Festival para Gente Sentada
27. Camera Obscura + Dakota Suite + Noiserv - Festival para Gente Sentada



Relacionado #35

MYSTERY JETS
E porque parece que sempre que há uma banda que já tem o peso dos Arctic Monkeys, a primeira parte do concerto é acessório, proponho uma audição dos Mystery Jets que estarão amanhã a abrir para a banda de Sheffield. Aqui fica "Young Love".

iLex Shuffle 02.02.10

01 fevereiro 2010

Samuel Úria - B Fachada - Manel Cruz - LX Factory - 30.01.2010



Lx Factory, 30 para 31 de Janeiro, final do Termómetro (ex Unplugged), 6 bandas finalistas, e uma convidada.
Os convidados não eram uma banda, eram 3 cantos do século XXI, que inspirados nos 3 cantos do século XX (link para arti). Manel Cruz, Samuel Úria e B Fachada.
O concerto que deram foi uma espécie de concerto, porque tocaram 6 músicas (há bandas que tocam mais que isso num showcase na fnac), para gente que esperou até às quatro e mais que meia da manhã. Claro que sabe a pouco, mas encheu as medidas. Cada um tocou duas músicas suas, alternadamente, e o show acabou com Capitão Romance. E aí, a casa veio abaixo. Mais ou menos 2 mil pessoas, a cantar a música, mesmo com vontade, como se já não vissem os Ornatos ao vivo há muito tempo. E não viam. Há tempo demais. A noite girou um bocado em torno da aparição do Manel Cruz, que continua a ser um dom sebastião musical, pelo menos para um grupo mais ou menos grande de adeptos. Porque ele é o lado mais visível dos Ornatos Violeta que, mais uma vez ficou confirmado, são mesmo uma banda de culto. Culto e grosso.

Na noite de sábado, o sebastião tocou ao lado de outros dois cançonetistas promissores, gente da nova vaga de lusitanos que tocam e cantam, e querem encantar, e encantam.
E este concerto teve encanto, porque todos eles são músicos inteligentes, criativos, e têm talento ser mais do que promessas.
O Úria e o Fachada já estão habituados a tocar juntos, mas o Manel foi uma surpresa – e aqui se louva a organização do Termómetro, que promoveu esta tripartida cantaria. E a escolha foi acertada, porque os 3 se encaixam bem na música dos outros, e nas ideias, e é sempre agradável ver este tipo de iniciativas. Só fazem bem à música portuguesa, e devem ser repetidas.
Quanto ao concerto, foi um belo momento musical, intenso, música para ouvir com o interior. Mais do que a performance, fica o sentimento que eles levaram para o palco, num concerto meio improvisado, mas que deu para entreter, e para matar saudades do passado, e abrir o apetite para um eventual futuro.
Valeu a pena por ser raro (não sei se volta a acontecer, espero que sim), e porque trouxe o Manel Cruz cá abaixo, à capital, para nos mostrar que não está parado, e por isso não deve tardar muito até editar novo material.

Radiohead - Pablo Honey (1993)

Quando "Pablo Honey", álbum de estreia dos Radiohead, chegou às lojas, passou despercebido pela maioria dos consumidores e críticos. Alguns meses antes tinha sido lançado o primeiro single do mesmo, denominado "Creep", música que foi banida da Radio 1 da BBC por ser muito deprimente, e como tal ninguém prestou muita atenção ao álbum no Reino Unido. Conta a história que foi em Israel que as coisas começaram a animar-se, "Creep" começou a ser mais e mais ouvidas, e, quiçá pela relações político-económicas próximas, chegou também rapidamente aos EUA. Quando a banda deu por ela, já o single subia nos charts americanos, derivado do facto da letra ultra-depressiva se enquadrar na fabricada "onda grunge" e sem perder mais tempo lá foram eles dar concertos para terras do Tio Sam. No entanto, muita gente começou a vê-los como one hit wonders, em vários concertos as pessoas iam-se embora depois de ouvirem a música que gostavam. Cantavam "What the hell am I doing here, I don't belong here", apercebiam-se que ser "weirdo" não era assim tão giro, davam meia volta e iam comprar felicidade noutras bandas. Poucos foram os que viram nos Radiohead mais do que "Creep" mostrava. O meu colega de secundário Rui Pereira foi um deles e tanto insistiu que me convenceu - "Pablo Honey" é um bom álbum e os Radiohead tinham ali uma boa base para o futuro. Ouvir hoje o álbum leva-me de volta a esses tempos e sabe bem. Não só por isso, mas também. Músicas como "I Can't", "Blow Out", "Thinking About You", "Anyone Can Play Guitar?" e "Vegetable" acho que merecem atenção. Se não acreditar, nada como carregar no play na barra abaixo e experimentar.


Hoje em dia é impossível separar este álbum do resto da carreira e de todos os álbuns extraordinários que os Radiohead já lançaram entretanto, o que pode dificultar tudo, e facilmente entrar-se em comparativos. Que a meu ver não fazem sentido, uma carreira é mesmo assim, tem um início, meio e fim, e para início, este não é nada, mas mesmo nada, mau.

Talvez Relacionado #37

St. Vincent, com "These Days". Para começar bem a semana.