27 janeiro 2010

Aparentemente Relacionado #2

Em semana de Radiohead no Altamont trago-vos um remix da música Eraser de Thom Yorke. Regra geral não gosto de remix, mas deste gosto e apresenta a vantagem de me fazer querer dançar sem a forte vontade de agredir o meu fígado.

26 janeiro 2010

Bande A Part: Radiohead #2


Este post era só para nascer no final da análise álbum a álbum da carreira dos Radiohead, mas o forte interesse pelo tema, mostrado pelos vários comentários que o post #1 gerou, levou-me a apressar as coisas e apresentar desde já os meus argumentos que sustentam a minha ideia de comparar os Radiohead aos Beatles. Ora então cá estão eles:

Ponto 1: Qualidade da música - Indiscutível. Ao longo de toda a carreira, de todos os álbuns. Pode-se dizer que no início de carreira, tanto uns como outros fizeram coisas mais fracas, mas é isso é mais fácil de dizer depois de ver o que veio a seguir. Lembro-me de na altura gostar do Pablo Honey, quando toda a gente ouvia Oasis e Blur. Hoje penso que foi a onda britpop que influenciou negativamente a banda, e mais tarde conseguiram sair das suas malhas e dar azo a toda a criatividade que têm. Os Beatles também foram, de início, na onda da descoberta do rock n' roll, cantando músicas de outros, mas no tempo certo souberam mostrar que não eram apenas mais uma banda dessas.

Ponto 2: Consenso ao nível da crítica - Vejo e revejo uma lista infindável de tops da década, dos anos, do século que se fazem para aí e quanto a isto não há dúvidas - Beatles e Radiohead aparecem sempre sempre (às vezes com mais do que um disco) no top 10. Naturalmente que este ponto vale o que vale, como bem sabemos em cada um de nós há um crítico, mas que é um ponto em comum entre as duas bandas, parece-me claro.

Ponto 3 (e mais forte de todos): Evolução de carreira - Um começo mais ligado à onda que estava na moda para mais tarde criarem a sua própria onda, única e exclusiva. No caso dos Beatles, a partir de Rubber Soul, ainda mais forte com Revolver e o auge em Sgt Peppers, mantendo mais tarde a bitola com Abbey Road e Let it Be. No caso dos Radiohead a partir de The Bends, ainda mais forte com OK Computer e o auge com Kid A, mantendo mais tarde a bitola com Hail to the Thief e In Rainbows. Souberam amadurecer, procurando novos caminhos, inovando sem rede, desafiando-se a si próprios, confiando apenas e só na sua capacidade. Resistindo a muitas críticas às suas decisões e direcção tomada. Respondendo com qualidade de música, acima de tudo.

Ponto 4: O impacto nas gerações seguintes - Neste aspecto ainda não é comprovado o impacto que os Radiohead irão ter, mas eu sou gajo para apostar que daqui a 30/40 anos vão ser tão lembrados como os Beatles são hoje em dia.

Vou então dar início à análise dos vários álbuns da carreira dos Radiohead, que decorrerá durante as próximas semanas. Estejam atentos!

Talvez Relacionado #36

EFTERKLANG

Os Efterklang são um grupo dinamarquês já com nome no mercado, resultado dos seus 10 anos como banda. A sua musicalidade deambula pelo rock, pós-rock, quase sempre suportado por arranjos orquestrais a acompanhar e pareceu-me bastante interessante este tema, "Modern Drift", que serve como primeira amostra do álbum que irá sair já no próximo mês de Fevereiro, Magic Chairs.



Enjoy!

Relacionado #33

SUN ARAW
Cameron Stallone, também conhecido por Sun Araw, é uma daquelas figuras que nos faz acreditar que o mundo da música não está apenas submetido ao tradicional "banda grava disco, editora lança-o, pessoas compram-no e concertos esgotam". Não. Sun Araw nada tem de convencial nem a sua música. Catalogada como Drone Rock ou que quer que isso queira dizer, as músicas são uma espécie de trip em ácidos misturada com algum experimentalismo. À vossa consideração fica "Horse Steppin'" do álbum Beach Head de 2008.

Keith Fullerton Whitman

Meter isto no ipod e ouvir bem alto com uns bons headphones. Senão nem vale a pena.

25 janeiro 2010

R.E.M. – Automatic for the People (1992)

Com o lançamento de Out of Time, o disco que voltou a pôr o nome da banda nas bocas do mundo, talvez até como nunca o tinha conseguido, os R.E.M. podiam ter feito uma pausa maior ou podiam ter tentado fazer espremer o lado comercial que Out of Time lhes tinha assegurado. Não. A banda de Michael Stipe não perdeu tempo e apenas um ano depois lançou Automatic for the People. As expectativas criadas à volta da banda de Atenas, Georgia eram muito maiores devido ao sucesso de temas como "Losing My Religion" ou "Shiny Happy People", no entanto quem muito esperava acabou por ficar até bastante surpreendido. Não só os R.E.M. melhoraram o lado comercial dando-lhe mais substância como foram mais além ao gravar um disco mais folky com uma atmosfera mais reflexiva sobre envelhecimento, dor e morte. O passar dos anos sobre a banda sente-se e Automatic for the People é, claramente, o último grande disco da banda norte-americana onde consegue aliar a qualidade das letras à qualidade das melodias. Músicas como "Drive", "Try Not To Breathe", "The Sidewinder Sleeps Tonite", "Everybody Hurts", "Man on the Moon" e "Nightswimming" estão entre as melhores músicas de sempre da banda. Um disco que se revela melhor a cada audição. Um dos clássicos dos anos 90.

Palavras ao Ouvido #1- "A Beast For Thee" - Bonnie "Prince" Billy



De frente, parecia um daqueles anões de decorar mansões tristes. Não que o dia fosse curto e a paciência dos meus olhos infinita. Não que me tivesse pedido um monossílabo ou uma manta. Era possível que só tivesse chovido na noite anterior. Ou, apenas alguém tivesse imaginado, como um atrasado mental bem vestido, que ambos tomavam chá num celeiro digno e religioso, coberto por um tempo que nem era o deles. Vá-se lá a ver.

Quase sempre no final das tempestades, o último fôlego nas árvores é não mais do que uma música. O seu ritmo, dedilhado; o céu, o teu. Nesse ritmo há sempre um espaço proporcionado pela animalidade da água. Pensei nisto. A água era bonita porque descartava a sua parte precavida e só tinha o que era de rir: a violência.

Seja como for, não podia ser outra a explicação da ligeira luz que agora iluminava o lado direito da sua fronte.

Mas não. Não era da luz. A língua tinha apenas pouco tento e corria, uma a uma, as ideias que a tarde nos trazia. Que animais nos faziam companhia, havia pouca ideia. Um cavalo desgastado, um porco, um pato talvez.

“Ninguém pediu para gostar de ninguém”. Falávamos de trazer uma cama do sótão para que a humidade destruísse apenas os objectos mais pequenos.

Ou melhor, havia um ruído da madeira que nos sugeria o peso da cama na extremidade dos dedos, a pressão do sangue a querer escapar.

Descontente, falei-lhe da felicidade. E da necessidade do indefinidamente e do infinitamente serem.

Respondeu-me que, nem por um momento, pusera essa hipótese. E meneava a cabeça, sempre sorrindo. Era um anão gentil, a cruzar e a descruzar as pernas.
A cama era grande, com dobras na madeira e verniz barato. Vitoriana que se fartava. Eu acho que pedi fogo quando pensava no alcance de me sorrirem assim.
Ela não me quis as palavras, mas, como Deus, não suportava ”lições de inimizade”.

Cheguei ao fim do chá e não tinha mais nada marcado para aquele dia. O bigode doía-me de tão mal feito.

Calcei as botas com o peso das palavras gentis que a partir daquele momento seriam as nossas vidas.

Sem um vestígio de água matreira, fogo, ou “Deus” (ao menos), saí do celeiro. Um pássaro tinha acabado de pousar numa árvore de fruto, assim verde, em que nunca tinha reparado.

Ou talvez nem fosse um pássaro.

iFrod Shuffle 25-01-2010

Relacionado #32

BUGS IN THE DARK
Bem, Brooklyin continua a ser o centro musical norte-americano do momento e isso é completamente indesmentível. A quantidade de bandas que têm surgido deste burrough nova-iorquino desde há menos de dez anos é impressionante e já foi aqui comentado. Desta vez a escolha não incide em meninos bonitos do indie rock mais comercial mas sim nos tipos que foram buscar inspiração a bandas como Sonic Youth, Blonde Redhead, Pixies ou Sleater Kinney. Bugs In the Dark de seu nome, uma banda que tem vindo a ganhar mais atenção por parte do público. Deixo-vos "Paranoia".