25 janeiro 2010

iFrod Shuffle 25-01-2010

Relacionado #32

BUGS IN THE DARK
Bem, Brooklyin continua a ser o centro musical norte-americano do momento e isso é completamente indesmentível. A quantidade de bandas que têm surgido deste burrough nova-iorquino desde há menos de dez anos é impressionante e já foi aqui comentado. Desta vez a escolha não incide em meninos bonitos do indie rock mais comercial mas sim nos tipos que foram buscar inspiração a bandas como Sonic Youth, Blonde Redhead, Pixies ou Sleater Kinney. Bugs In the Dark de seu nome, uma banda que tem vindo a ganhar mais atenção por parte do público. Deixo-vos "Paranoia".


24 janeiro 2010

Jandek e eu no Maria Matos, 23 de janeiro de 2010

Jandek, nome estranho. Espécie de Herberto Hélder do Texas, classificado em todos os artigos como “o tipo misterioso que não dá entrevistas” e que por isso há quem pense que ele seja ou um psicopata ou um tipo brilhante, se calhar é apenas um tipo reservado, a verdade é que esse retraimento social faz com que falem dele e façam documentários. Tinha visto uma notícia no jornal sobre o concerto, o Cisto louvou o indiesmo deste senhor, catalogou-o algures entre o folk e o free jazz. Ouvi o que pude ouvir na internet e reconheci o folk – digamos neo-folk, eu sei lá – algures por ali, não reconheci o free jazz, ontem no concerto reconheci o free jazz mas de folk pouco ou nada, gostei da ideia: Jandek não é tipo previsível e ontem senti-me parte de uma experiência no mínimo singular. Isto porque acredito que o próximo concerto de Jandek quer seja em Espanha ou no Japão, certamente não terá o mesmo tempo nem as mesmas músicas nem os mesmos acordes nem o mesmo, continuemos:
Jandek veio portanto ao teatro Maria Matos – sala demasiado grande para a número de espectadores presentes e para o carácter intimista da música tocada – com três músicos locais, digo isto pelo que li visto que os seus nomes ou origens nunca foram pronunciados durante o concerto e as luzes apagaram-se, anunciaram aquela coisa do desliguem os telemóveis e no escuro ficámos por uns bons três minutos de suspense até que como crianças tímidas os músicos lá se foram chegando ao palco e aos seus lugares. Sentaram-se de olhos postos no chão e o tal Jandek começou a arranhar as cordas da sua guitarra, provocando um som monotónico semelhante a tudo o resto que serviria de base para toda a sua actuação. Por detrás ou à sua frente aos restantes músicos era dada a liberdade para improvisar, tendo o pianista e o saxofonista a responsabilidade de serem os elementos mais desconstrutivos do ajuntamento. O concerto não primou por uma elegância instrumental arrebatadora, o cornetista Sei Miguel pouco saiu de um estilo exageradamente milesdavisiano com as suas notas largas agudas lamurientas, nas últimas músicas já nem se levantava da cadeira e apenas abanava a cabeça de olhos fechados como quem engole uma bebedeira pelos ouvidos, o pianista que não vou dizer o nome porque li dois nomes apresentados em diferentes fontes, cumpria uma função claramente percussionista, martelando as teclas com um descuidado ocasional sem grande fulgor e ou ele não sabia mais ou não lhe fora pedida outra coisa senão isso mesmo, o holandês Peter Bastien era quem mais estimulava a atenção do público e apesar de lhe reconhecer a coragem para arriscar nas suas deambulações improvisadas de notas soltas teve a infelicidade de por duas ou três vezes se ter entusiasmado demais e ter tentado ir para lá das suas capacidades mas duvido que muitos lhe tivessem notado a falta de fôlego ou de dedos, o próprio Jandek não mostrava intenções de ir para lá do que a sua música minimalista apresenta e lá foi arranhando massajando mexendo apalpando as cordas numa cadência de quem afina um instrumento mas sem lhe alterar os tons e pelo meio ia narrando pensamentos guturais que pouco variavam de algo como I am alone at this house and I look at the mirror and I say to myself is this me or am I somebody else’s imagination, percebem a onda, e sempre num tom monocórdico e cavernoso e claro que as pessoas iam bocejando e um tipo que estava ao meu lado chamado raul ia olhando para o relógio e juntando as pálpebras dos olhos e às tantas pôs a mão na minha perna mas eu não notei porque estava embriagado com aquela música de cadência atordoante e durante quinze minutos fechei os olhos e abanei a cabeça como o Sei Miguel e a luz era azul e inerte e o escuro tentava impor-se no palco e o Jandek, que já agora parece uma figurinha tirada de um filme do Dreyer, não olhava para os músicos não olhava para o público não falava com ele connosco e claro as pessoas sentindo-se miseráveis porque vinham ali para receber obrigados e quase que parecia que as palmas eram em vão, o raul a meio de uma música sussurra-me, Já reparaste que os sonhos são sempre inacabados, eu não lhe respondi. A dada altura Jandek acaba uma música, os tipos da banda estalam os dedos e os pescoços à espera de um novo pano de fundo para os seus sopros e martelares e o tipo vira-se para trás muito lentamente num jeito de quem tem o pescoço engessado e não pode fazer movimentos bruscos, carrega no botão on/off do amplificador, o público entreolha-se, ele poisa a guitarra, os músicos entreolham-se, já acabou quis alguém perguntar, ninguém o fez, o tipo coloca as mãos sobre as coxas, respira fundo como um velho que contrariado lá tem que se levantar, eleva-se, o Bastien murmurando para ele próprio Poiso o saxofone não poiso o saxofone, o tipo das luzes Ligo as luzes não ligo as luzes, alguém dá uma palmada solta, outro alguém dá outra, damos todos, já o Jandek está do outro lado da cortina quando os aplausos se tornam consensuais, personagem estranha, olho para a coxa e vejo a mão do meu amigo poisada, pergunto-lhe, Que estás a fazer meu, ele abana a cabeça, finge-se desencontrado com o mundo e no dia seguinte pergunta-me como foi o concerto e fala-me de sósias e estranhas dores de cabeça. No fim das contas gostei muito, refiro-me ao concerto.


22 janeiro 2010

George Harrison - Electronic Sound (1969)

Quando em 1968 os Beatles decidiram avançar por conta própria criando a sua própria editora, Apple, o mundo parecia estar sob a sua alçada. Talvez levados por um crecente ego, nomeadamente John e Paul, acharam que podiam ser, ao mesmo tempo, músicos e empresários de sucesso. Em pleno lançamento do Álbum Branco, tínhamos 3 (sim, Ringo não quis saber disto para nada) Beatles a descobrir novos talentos. A premissa era: "Dêem-nos todas as vossas maquetas ou ideias que nós as todas as ouviremos". Erro tremendo, passados uns dias os escritórios da Apple em Savile Row estavam atulhados de cassetes e cartas e afins. Apesar de se terem feito algumas descobertas musicais (Paul descobriu Mary Hopkin e os Badfinger, enquanto George fez aparecer James Taylor), a situação era insustentável e cedo os Beatles desistiram desta ideia, começando a dedicar-se apenas à música, continuando a Apple a ser a sua editora. Uma das boas ideias a surgir da criação de uma editora própria seria a de uma maior liberdade para a criação. Um disco duplo naquele tempo seria, provavelmente, impossível, se os Beatles ainda fossem pertença absoluta de outra editora. Sendo assim a margem de manobra para a experimentação era maior, sendo criada uma "etiqueta" para estes projectos de seu nome Zapple. Encerrada pouco tempo depois de ter sido criada pelo empresário tubarão Allen Klein, a Zapple foi criada para permitir projectos paralelos tanto dos membros dos Beatles como de outros. Lennon lançou, juntamente com Yoko, Unfinished Music Nº2: Life With The Lions, enquanto George lançou este Electronic Sound. Duas músicas apenas fazem o total deste disco: "Under The Mersey Wall" e "No Time or Space". Bastante ajudado pelo compositor californiano Bernie Krause, George sai do mundo do Rock e aventura-se na electrónica mas de uma forma ainda naive. O surgimento dos sintetizadores Moog fizeram despertar um outro tipo de sentimento no Quiet Beatle que o utilizou no próprio Abbey Road. Totalmente ignorado na altura em que saiu, Electronic Sound é, o que podemos definir como, um tesouro escondido, uma faceta desconhecida de George Harrison. A (re)descobrir.

Jandek

Bem sei que Phil Niblock é um osso duro de roer e que muito de vos estao mais preparados para fazer uma endoscopia do que para ouvir música electronica abstracta.
Por isso deixo-vos aqui uma outra sugestão provavelmente mais apropriada aos gostos da malta da música indie com vertente folk. E por falar em música indie (conceito ja tão debatido por estas bandas), haverá indie mais indie que o projecto Jandek?
Jandek nasceu em 1978 (mas o autor de Jandek cre-se ter nascido por volta de 1945).
Nos ultimos 10 anos, Jandek gravou uma média de 3,4 albuns/ano (e e por isso que ja vai com 60 albuns).
Jandek deu duas entrevistas na vida (e por isso é que ninguem sabe nada dele...)
Jandek vem a Portugal, para não perder amanha no Teatro Municipal Maria Matos, acompanhado pelo lisboetas Sei Miguel, André Abel e Peter Bastien. Por favor não faltem. Vão por mim.

Deixo-vos aqui o album Telegraph Melts, em que o free jazz se mescla com o folk de uma maneira particularmente interessante.

Bande A Part: Radiohead #1

Ando a prometer ao administrador deste blog fazer um artigo de fundo aqui no blog e parece-me que está na altura de lançar mãos à obra. A premissa é muito simples mas seguramente polémica, e como tal estou a aguardar comentários inflamados, lutas de ideiais, visões distintas. Mas é disto que também se alimenta um blog, e este não é excepção, portanto acho que os leitores também esperam isto de nós. Não esperem é telenovelas. Cá vai:

"Os Radiohead são os Beatles da nossa geração."

De forma a suportar esta forte afirmação, irei aqui no Altamont, ao longo de algumas semanas, analisar toda a obra dos Radiohead, álbum a álbum. Tenho como meu objectivo pessoal convencer pelo menos 2 pessoas que assim é e conseguir não ser agredido fisicamente pelos que discordam. Para já deixo aqui um vídeo de 1 hora (!) com os Radiohead, numa sessão chamada From the Basement feita na altura do lançamento do último álbum "In Rainbows", mas que contem também algumas músicas de álbuns anteriores. É algo de extraordinário, é o que vos digo. Tem qualidade suficiente para ser visto em Full Screen, mas como compreendo que possa ser dificil a algumas pessoas, experimentem pelo menos colocar no play e fazerem outra coisa qualquer. Porque no fundo, it's all about the music.



Tracklist:

Weird Fishes/Arpeggi; 15 Step; Bodysnatchers; Nude; The Gloaming; Myxomatosis; House Of Cards; Bangers and Mash; Optimistic; Reckoner; Videotape; Where I End And You Begin; All I Need; Go Slowly.

Relacionado #31

FREE ENERGY
De Filadélfia nem sempre o que vem é queijo fundido. Por vezes, também bom som lá surge e estes Free Energy são um bom exemplo. Mais afastados da onda Indie que, naturalmente, assola a música de hoje em dia, o grupo norte-americano vai beber inspiração em bandas como Thin Lizzy, Cheap Trick ou Fleetwood Mac. Os Free Energy fazem parte da editora DFA, sendo que o seu primeiro disco foi produzido por James Murphy dos LCD Soundsystem. Aqui fica "Free Energy".


21 janeiro 2010

Talvez Relacionado #35

É sempre uma maravilha ficar uns tempo sem ir à Blogotheque, chegar mesmo próximo ao limite de me esquecer que existe, e depois um belo dia "Deixa ver o que há lá de novo" e deslumbrar-me com as novidades. É das coisas mais seguras que conheço - há sempre algo com qualidade à nossa disposição! Hoje aconteceu-me isto mesmo - e como tal quero aqui colocar também à disposição dos assíduos leitores deste blog esta pequena maravilha com os The Antlers. Já tinha feito a avalição ao seu álbum "Hospice" aqui, mas não podia deixar de complementar com estas pérolas, filmadas em Paris, o primeiro ("Shiva") numa loja de brinquedos e a segunda ("Two"/"Epilogue") num bar, mas no qual a música é tocada num quarto dos fundos do mesmo. Sem mais palavras, os vídeos. E a música. Uma excelente conjugação dos dois.

Enjoy!

Talvez Relacionado #34

Uma música que apareceu do nada, a meio do filme que visualizei ontem e me deixou de tal forma curioso que tive que ir à procura. Encontrei, gostei mesmo e resolvi partilhar. E foi isto. Abaixo, ao clicarem no botão do play começará a ecoar nas vossas colunas ou fones a voz e guitarra com toques de blues de Turner Cody, com "Corner of My Room". Se vos deixar curiosos podem consultar o myspace para ouvir mais músicas.