21 janeiro 2010
The Rising Sun Experience - Musicbox - 20.01.10
Os anos 90 foram passear aos 70s e o resultado é...Esquisito. Esta podia muito bem ser a síntese desta banda pelo que se viu neste concerto de hoje. Já aqui referenciados no blog, este sexteto oriundo de Lisboa mostra grande vontade mas o resultado final é apenas satisfatório. Uma mistura entre Grunge e Hard Rock é estranha e nem sempre funciona muito bem. Isto tudo apesar de terem bons músicos, especialmente o guitarrista Nuno Cardinho e terem um vocalista com grande voz, mas mais numa onda anos noventa, Stone Temple Pilots. A verdade é que P.A. do musicbox não é fenomenal e o som sai muito compacto, no entanto o som psicadélico fica muito aquém do prometido e o que tivemos foi apenas um bom som Hard Rock. Nota-se uma tentativa dos Rising Sun Experience de não fazer um som mais do mesmo, porém nem sempre dá para misturar vários géneros. Quando encontrarem um melhor equilíbrio entre estilos musicais, poderão fazer melhor.
20 janeiro 2010
Muse - Showbiz (1999)
“I have played in every toiletbut you still want to spoil it
to prove i’ve made a big mistake”
Muscle Museum
Em 1999 andava a ouvir como um louco o Ok Computer dos Radiohead – chegou-me tarde mas chegou-me para ficar rendido. E na mesma altura num zapping pelos canais de música que a parabólica me deixava curtir, dou por mim a ouvir e ver um videoclip daqueles. Foi como um soco no estômago: velhos, novos, gajas boas, gajos pintas, todos eles sorrisos e todos eles choros enquanto avançava uma lenga-lenga na guitarra suportada por um baixo saltitante. Era a "Muscle Museum" do álbum Showbiz dos Muse. E tudo aquilo me soava a Bends e a Radiohead. Comprei o CD e devorei-o até ficar com uma congestão. Sabia-me a Tom Yorke com uns temperos – ainda agora os Muse mantêm esse registo (acho), mas queria sempre mais. E este Showbiz, a estreia dos Muse, tem momentos sublimes, como a "Muscle Museum" ou a "Falling Down" – e nesta o Bellamy consegue cantar como o Jeff Buckley sobre uma chave básica de blues. Não há como não nos rendermos à voz dele. E não há como não nos rendermos à "Unintended", a balada das baladas de uma banda que era indie e que foi puxada para o mainstream porque mereceu. E não fizeram cedências pelo caminho. Apenas apostaram em tornar-se maiores, pujantes, operáticos.
to prove i’ve made a big mistake”
Muscle Museum
Em 1999 andava a ouvir como um louco o Ok Computer dos Radiohead – chegou-me tarde mas chegou-me para ficar rendido. E na mesma altura num zapping pelos canais de música que a parabólica me deixava curtir, dou por mim a ouvir e ver um videoclip daqueles. Foi como um soco no estômago: velhos, novos, gajas boas, gajos pintas, todos eles sorrisos e todos eles choros enquanto avançava uma lenga-lenga na guitarra suportada por um baixo saltitante. Era a "Muscle Museum" do álbum Showbiz dos Muse. E tudo aquilo me soava a Bends e a Radiohead. Comprei o CD e devorei-o até ficar com uma congestão. Sabia-me a Tom Yorke com uns temperos – ainda agora os Muse mantêm esse registo (acho), mas queria sempre mais. E este Showbiz, a estreia dos Muse, tem momentos sublimes, como a "Muscle Museum" ou a "Falling Down" – e nesta o Bellamy consegue cantar como o Jeff Buckley sobre uma chave básica de blues. Não há como não nos rendermos à voz dele. E não há como não nos rendermos à "Unintended", a balada das baladas de uma banda que era indie e que foi puxada para o mainstream porque mereceu. E não fizeram cedências pelo caminho. Apenas apostaram em tornar-se maiores, pujantes, operáticos.
Elton John - Madman Across The Water (1971)
Sim, eu sei - é Elton John. Mas não é o Elton John da Nikita ou o do Lion King. Este é o Elton John da Tiny Dancer. Sim, eu sei – a música do Almost Famous. E, sim, também eu sei – é uma música fácil. Porque é orelhuda, porque segue o esquema clássico para um hit pop que nunca chegou a ser. Mas, digo eu, também é uma grande canção. E é esta Tiny Dancer que abre o Madman Across The Water de 1971, o quarto álbum de Elton John, o pior classificado do inglês à data. E, vá lá, para sermos justos, o Madman Across The Water não é grande coisa. Não fosse a Tiny Dancer e eu provavelmente nem me daria o trabalho de ouvir o que resta do álbum. Que me parece não saber para onde ir – do piano à guitarra acústica, das melodias “larger than life” a algumas piroseiras ao estilo Lionel Ritchie. Mas, ainda assim, safa-se bem: a Levon é uma boa música, tal como a Goodbye, que fecha o disco com o Elton ao seu melhor estilo: ele, com o piano dele, as progressões dele, com a voz dele e as letras do Taupin. Tem também a Holiday Inn, com um banjo a acompanhar o teclado e um refrão daqueles que ficam: “Slow Down John”. E a Madman Across The Water, que dá o título ao álbum e que não é nada má – o refrão, lá está, entra no ouvido e a orquestração ajuda-o a lá manter…Bom, se calhar fui injusto quando disse que não era grande coisa. O Elton dos 70’s era um mestre na construção melódica, com uma voz e um instinto brutais e pouco dado às mariquices (sem ofensa) da diva que se viria a tornar. Para Axl Rose, Elton é a sua música clássica. Para mim, é um dos grandes compositores do século XX.
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CATE LE BON
A Folk alternativa cada vez mais começa a dar as suas cartas e, até, a ganhar folêgo em relação ao indie rock. Senão vejamos os mais recentes casos: Fleet Foxes, Vetiver, Akron/Family, Real Estate ou Devendra Banhart. Uma das mais recentes descobertas vem de uma voz feminina, Cate Le Bon. Esta irlandesa merece perder alguns minutos a escutar as suas canções. Aqui fica "Me Oh My".19 janeiro 2010
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Da colaboração entre a filha de Serge Gainsbourg, Charlotte e Beck surge um disco de originais de seu nome IRM que é editado hoje no resto do mundo, pois já tinha sido em França. Aqui fica, então, o primeiro single extraído desse disco "Heaven Can Wait". Promete.Talvez Relacionado #33
Vejam lá, no vídeo abaixo, o que vos parece o recentemente disponibilizado videoclip da música "Warm Heart of Africa", do álbum com o mesmo título lançado o ano passado dos The Very Best". A mim parece-me um som interessante vindo das profundezas de África, que faz o corpo ganhar vida própria e começar a mexer-se sem darmos por isso.
Sigur Rós - Ágaetis byrjun (1999)
Ao contrário do que muitos pensam, "Ágaetis Byrjun" não é o primeiro álbum dos Sigur Rós. Na realidade, esta banda islandesa formou-se 5 anos antes do lançamento deste álbum, período no qual lançou "Von" e uma colecção de remixes baseada no mesmo, "Von brigði". Mas foi com "Ágaetis Byrjun" que conseguiram atingir, definitivamente, outro nível. Este álbum é de uma beleza sufocante, arrebata-nos constantemente, umas vezes pelos crescendos intensos, outras pela introspecção das suas baladas. Diria que são muito poucos os álbuns que mexem com as nossas emoções como este, sendo que aqui tudo é conseguido sem percebermos uma única palavra do que é dito. Isto porque 2 das músicas são cantandas em Vonlenska ("língua" criada por Jónsi Birgisson, consistindo apenas de sons e fonemas, e que é utilizada pela banda em várias músicas e mesmo em álbuns inteiros) e as restantes em islândes e sinceramente, nem é preciso saber o que é cantado. É desnecessário pela universalidade das emoções que as músicas geram e que nelas estão incutidas. As emoções sentem-se mesmo assim, com esta harmonia perfeita dos vários instrumentos (órgão, violinos, piano, flauta, oboé, baixo, xilofone, entre outros) e voz. O sentimento dominante que me fica de ouvir este álbum é o de ser transportado para um local longíquo, noutro tempo, distante. E agora ainda mais, depois de não ter resistido a ir descobrir esse local, a terra onde esta música é feita, e sentir tudo ainda com mais intensidade porque tudo faz sentido, tudo se conjuga. Andar pelas estradas islandesas, por pequenas aldeias e vilas com nomes impronunciáveis com a música de Sigur Rós no fundo foi uma experiência única e inesquecível, que potenciou fortemente o impacto que esta música tem em mim. E que acho difícil não ter em qualquer pessoa. O álbum deve ser vivenciado como um todo, pouco importa as músicas, porque a passagem de uma para outra é tão suave que nem se sente, mas na minha opinião o ponto alto chega-nos já perto do fim, na música com o mesmo nome do álbum e que cria uma áurea ao nosso redor e parece que tudo desaparece para ficarmos só nós e a música. E a meu ver esse é o sentimento perfeito, o objectivo final que qualquer músico devia ter.
Duração Álbum 71:51, Editora: Fat Cat/Smekkleysa, Produtor: Ken Thomas
18 janeiro 2010
Air - Coliseu dos Recreios - 16.01.10
Foi um ar morno que passou pelo Coliseu dos Recreios, que rebentou pelas costuras para ver os franceses Air.
Foi um ar morno porque o concerto não foi mau, mas também não foi excelente.
Ar morno, que vinha do palco para o público, que proporcionou alguns bons momentos, mas alternou esses com outros, mais mortiços.
Os Air já têm vários discos editados, uns bons, outros mais ou menos, e os concertos ao vivo nunca foram o seu forte. Dantes, actuavam em quinteto, agora só em trio, com um baterista a acompanhar Nicolas Godin e Jean Benoit Dunkel – que se encarregam de tocar tudo, com enfoque nas teclas, mas também há uma ou outra guitarra ou um baixo de vez em quando. Os Air preferem tocar ao vivo com esta formação, dizem que é mais próximo dos álbuns, porque aí também são eles os dois que tocam tudo.
Foi assim que se apresentaram no Coliseu, poucos meses depois de editar o novo disco, Love 2. Porém, não foi esse o prato forte do concerto. Eles não optaram por despejar as canções novas, e guardar os clássicos para os encores.
Também porque não vêm cá muito frequentemente (e por um lado ainda bem, porque hoje em dia há bandas que vêm cá 1 vez por ano, ou 3 vezes em 2 anos, e acaba por cansar, porque deixa de ter o efeito novidade, e passa a ser mastigado). Assim, os Air deram um concerto abrangente, que passou por quase todos os discos da carreira. Tocaram alguns temas do novo disco (entre eles, não o single que apresentou este Love 2), e depois foram passeando pelos anteriores, Talkie Walkie, Pocket Symphony e Moon Safari.
Em cerca de hora e meia, optaram por levar o público numa viagem quase hipnótica, com muitos temas instrumentais, alguns menos conhecidos, em vez de tocar só singles e canções em formato canção. A escolha não foi errada de todo, mas também terá sido por aí que o concerto não chegou nunca a “explodir”. Porque ao escolher hipnotizar, fizeram-no com canções mornas, que talvez fossem melhor ouvidas num concerto sentado. Com o Coliseu cheio como nunca o tinha visto, acho que aquelas pessoas queriam mais festa.
Ainda assim, no que toca à hipnose, não pode dizer-se que tenha sido mau. Bons momentos para ouvir de olhos fechados, para relaxar e deixar-se ir com o som. Bastava apenas estar nessa onda, à partida.
Na perspectiva pessoal deste que escreve, o concerto teve mais de bom do que de mau, embora pudesse ter sido bem melhor.
Em suma, um bom concerto para começar o ano, um começo em velocidade cruzeiro, à espera dos outros mil já marcados para este 2010.
Los Hermanos - 4 (2005)
Elevados aos píncaros no Brasil com o seu primeiro single, "Anna Júlia", cedo a banda brasileira tentou livrar-se dessa imagem mais pop e adolescente. O seu primeiro disco datado de 1999 era um projecto mais Ska do que propriamente Pop. Porém era um Ska com letras e instrumentos completamente diferente do que é o normal. Letras sobre amores sofridos engrandecidas com uma banda de sopros que lhe dava um toque muito próprio. Bloco do Eu Sozinho(2001) e Ventura(2003) começaram a mostrar a banda, originário do Rio de Janeiro, mais adulta e afastada do comercial brasileiro. Influências de bandas que começavam a emergir em Inglaterra ou Estados Unidos misturadas com o jeito MPB brasileiro conferiam um estilo muito próprio à banda carioca. Essa evolução desaguou na melhor forma em 2005 com 4, o, até agora, disco final da banda de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante. O ambiente do disco é muito mais calmo que os anteriores, mais adulto com letras mais reflexivas onde o indie rock se funde com a Bossa Nova. Começava já aqui a notar-se o início da cisão da banda com Marcelo Camelo mais acústico, em "Fez-se Mar", "Morena" e "Sapato Novo" e Rodrigo Amarante mais eléctrico com "Primeiro Andar", "O Vento" e "Condicional". Os projectos seguintes de cada um vieram confirmar isso mesmo. Se os Los Hermanos acabaram por aqui resta então dizer que acabaram bem porque melhor iria ser mais complicado. Um grande álbum de umas das melhores bandas brasileiras.
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