Vejam lá, no vídeo abaixo, o que vos parece o recentemente disponibilizado videoclip da música "Warm Heart of Africa", do álbum com o mesmo título lançado o ano passado dos The Very Best". A mim parece-me um som interessante vindo das profundezas de África, que faz o corpo ganhar vida própria e começar a mexer-se sem darmos por isso.
19 janeiro 2010
Talvez Relacionado #33
Sigur Rós - Ágaetis byrjun (1999)
Ao contrário do que muitos pensam, "Ágaetis Byrjun" não é o primeiro álbum dos Sigur Rós. Na realidade, esta banda islandesa formou-se 5 anos antes do lançamento deste álbum, período no qual lançou "Von" e uma colecção de remixes baseada no mesmo, "Von brigði". Mas foi com "Ágaetis Byrjun" que conseguiram atingir, definitivamente, outro nível. Este álbum é de uma beleza sufocante, arrebata-nos constantemente, umas vezes pelos crescendos intensos, outras pela introspecção das suas baladas. Diria que são muito poucos os álbuns que mexem com as nossas emoções como este, sendo que aqui tudo é conseguido sem percebermos uma única palavra do que é dito. Isto porque 2 das músicas são cantandas em Vonlenska ("língua" criada por Jónsi Birgisson, consistindo apenas de sons e fonemas, e que é utilizada pela banda em várias músicas e mesmo em álbuns inteiros) e as restantes em islândes e sinceramente, nem é preciso saber o que é cantado. É desnecessário pela universalidade das emoções que as músicas geram e que nelas estão incutidas. As emoções sentem-se mesmo assim, com esta harmonia perfeita dos vários instrumentos (órgão, violinos, piano, flauta, oboé, baixo, xilofone, entre outros) e voz. O sentimento dominante que me fica de ouvir este álbum é o de ser transportado para um local longíquo, noutro tempo, distante. E agora ainda mais, depois de não ter resistido a ir descobrir esse local, a terra onde esta música é feita, e sentir tudo ainda com mais intensidade porque tudo faz sentido, tudo se conjuga. Andar pelas estradas islandesas, por pequenas aldeias e vilas com nomes impronunciáveis com a música de Sigur Rós no fundo foi uma experiência única e inesquecível, que potenciou fortemente o impacto que esta música tem em mim. E que acho difícil não ter em qualquer pessoa. O álbum deve ser vivenciado como um todo, pouco importa as músicas, porque a passagem de uma para outra é tão suave que nem se sente, mas na minha opinião o ponto alto chega-nos já perto do fim, na música com o mesmo nome do álbum e que cria uma áurea ao nosso redor e parece que tudo desaparece para ficarmos só nós e a música. E a meu ver esse é o sentimento perfeito, o objectivo final que qualquer músico devia ter.
Duração Álbum 71:51, Editora: Fat Cat/Smekkleysa, Produtor: Ken Thomas
18 janeiro 2010
Air - Coliseu dos Recreios - 16.01.10
Foi um ar morno que passou pelo Coliseu dos Recreios, que rebentou pelas costuras para ver os franceses Air.
Foi um ar morno porque o concerto não foi mau, mas também não foi excelente.
Ar morno, que vinha do palco para o público, que proporcionou alguns bons momentos, mas alternou esses com outros, mais mortiços.
Os Air já têm vários discos editados, uns bons, outros mais ou menos, e os concertos ao vivo nunca foram o seu forte. Dantes, actuavam em quinteto, agora só em trio, com um baterista a acompanhar Nicolas Godin e Jean Benoit Dunkel – que se encarregam de tocar tudo, com enfoque nas teclas, mas também há uma ou outra guitarra ou um baixo de vez em quando. Os Air preferem tocar ao vivo com esta formação, dizem que é mais próximo dos álbuns, porque aí também são eles os dois que tocam tudo.
Foi assim que se apresentaram no Coliseu, poucos meses depois de editar o novo disco, Love 2. Porém, não foi esse o prato forte do concerto. Eles não optaram por despejar as canções novas, e guardar os clássicos para os encores.
Também porque não vêm cá muito frequentemente (e por um lado ainda bem, porque hoje em dia há bandas que vêm cá 1 vez por ano, ou 3 vezes em 2 anos, e acaba por cansar, porque deixa de ter o efeito novidade, e passa a ser mastigado). Assim, os Air deram um concerto abrangente, que passou por quase todos os discos da carreira. Tocaram alguns temas do novo disco (entre eles, não o single que apresentou este Love 2), e depois foram passeando pelos anteriores, Talkie Walkie, Pocket Symphony e Moon Safari.
Em cerca de hora e meia, optaram por levar o público numa viagem quase hipnótica, com muitos temas instrumentais, alguns menos conhecidos, em vez de tocar só singles e canções em formato canção. A escolha não foi errada de todo, mas também terá sido por aí que o concerto não chegou nunca a “explodir”. Porque ao escolher hipnotizar, fizeram-no com canções mornas, que talvez fossem melhor ouvidas num concerto sentado. Com o Coliseu cheio como nunca o tinha visto, acho que aquelas pessoas queriam mais festa.
Ainda assim, no que toca à hipnose, não pode dizer-se que tenha sido mau. Bons momentos para ouvir de olhos fechados, para relaxar e deixar-se ir com o som. Bastava apenas estar nessa onda, à partida.
Na perspectiva pessoal deste que escreve, o concerto teve mais de bom do que de mau, embora pudesse ter sido bem melhor.
Em suma, um bom concerto para começar o ano, um começo em velocidade cruzeiro, à espera dos outros mil já marcados para este 2010.
Los Hermanos - 4 (2005)
Elevados aos píncaros no Brasil com o seu primeiro single, "Anna Júlia", cedo a banda brasileira tentou livrar-se dessa imagem mais pop e adolescente. O seu primeiro disco datado de 1999 era um projecto mais Ska do que propriamente Pop. Porém era um Ska com letras e instrumentos completamente diferente do que é o normal. Letras sobre amores sofridos engrandecidas com uma banda de sopros que lhe dava um toque muito próprio. Bloco do Eu Sozinho(2001) e Ventura(2003) começaram a mostrar a banda, originário do Rio de Janeiro, mais adulta e afastada do comercial brasileiro. Influências de bandas que começavam a emergir em Inglaterra ou Estados Unidos misturadas com o jeito MPB brasileiro conferiam um estilo muito próprio à banda carioca. Essa evolução desaguou na melhor forma em 2005 com 4, o, até agora, disco final da banda de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante. O ambiente do disco é muito mais calmo que os anteriores, mais adulto com letras mais reflexivas onde o indie rock se funde com a Bossa Nova. Começava já aqui a notar-se o início da cisão da banda com Marcelo Camelo mais acústico, em "Fez-se Mar", "Morena" e "Sapato Novo" e Rodrigo Amarante mais eléctrico com "Primeiro Andar", "O Vento" e "Condicional". Os projectos seguintes de cada um vieram confirmar isso mesmo. Se os Los Hermanos acabaram por aqui resta então dizer que acabaram bem porque melhor iria ser mais complicado. Um grande álbum de umas das melhores bandas brasileiras.17 janeiro 2010
Phil Niblock em Lisboa
Para quem ficou curioso com o meu post acerca de Phil Niblock, têm uma oportunidade única de ver um dos mais influentes compositores contemporâneos em... Lisboa. Perdê-lo seria como terem perdido Stockhausen.Quarta, 20 de Janeiro às 22.00h na ZDB
PHILL NIBLOCK & MANUEL MOTA & DAVID MARANHA
O.BLAAT (US)
PHILL NIBLOCK
Convidados: David Maranha & Manuel Mota
Phil Niblock, proeminente compositor minimalista e artista multimédia nova-iorquino, explora as possibilidades microtonais e texturais do drone pela sobreposição de intrumentos acústicos. Influenciou várias gerações de músicos incluindo Jim O'Rourke, Glenn Branca, Ryoji Ikeda, Rafael Toral.
Para esta apresentação, Niblock irá interpretar "Purce" (2008), peça que resulta de uma colaboração com a violoncelista Arne Deforce e ainda "Stosspeng" (2007), com a participação de David Maranha e Manuel Mota nas guitarras.
O.BLAAT
Keiko Uenishi (o.blaat) é uma artista sonora e compositora baseada em Brooklyn, Nova Iorque. Membro principal do colectivo SHARE, é reconhecida por criar ambientes sonoros diversificados resultantes da sua infatigável procura em eliminar a presença física do performer, alterando em última instância as situações de escuta.
o.blaat irá reinterpretar "Car Décalé (Légèrement) / Because Shifted (Slightly)", peça que desafia a percepção sonora dos espectadores, reflectindo as propriedades acústicas do espaço e objectos envolventes. Para esta performance, para além do seu computados, servir-se-á de um transmissor FM, um controlador Nintendo Wii e de objectos do quotidiano ou simplesmente encontrados na natureza.
Entrada: €5
16 janeiro 2010
Relacionado #29
Após ter visto o filme Lars and the Real Girl decidi ir ao imdb para saber mais sobre o filme e sobre os actores, especialmente o actor principal, Ryan Gosling. Acabei por ser surpreendido ao saber que este tinha lançado um disco com um amigo Zach Shields. O projecto tem o nome de Dead Man's Bones e foi criando primeiramente para fazer a banda sonora de um projecto teatral, mais tarde abandonado para dar lugar a um disco. O ambiente estilo casa assombrada polvilhado aqui e ali por elementos à la Arcade Fire ou Beirut fazem deste disco uma boa surpresa.
15 janeiro 2010
Relacionado #28
E como recordar é viver, aqui fica um daqueles vídeos que é tão absurdo de tão bom. No início dos anos 90 a MTV era uma estação de televisão a sério. Inocente e sem as formatações e fórmulas que hoje a fazem um canal televisivo insuportável. Nirvana e Smashing Pumpkins num daqueles momentos puros. Aqui fica esse registo.
Relacionado #27

O nome da banda – The Rising Sun Experience – dizem, é uma homenagem ao famoso guitarrista Jimi Hendrix. A banda nacional vai estar dia 20 no Musicbox para apresentar o seu primeiro trabalho Under The Same Sun. O seu estilo musical mistura funk, grunge, blues e electrónica. Uma espécie de Rock-Psicadélico mas com outros ingredientes à mistura. Os anos 70 regressam a Lisboa dia 20. A não falhar.
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