14 janeiro 2010

Evil Class - Beware of Man (2009)

O estilo está gasto, dirão alguns. Os cabelos compridos, as roupas negras, a pedaleira dupla, a voz distorcida berrada bem em cima do microfone, os concertos com moshpit e uns tipos de cabeça partida a continuar indiferentes no moshpit. Este tipo de música já não passa na televisão à excepção de quando os Metallica fazem anos e lá são eles obrigados a passar uns videoclips do álbum preto. Até aquele teen-metal manhoso que encheu pavilhões atlânticos de putos-estúpidos há uns anos atrás já está prestes a ser esquecido. Nos media só aquele tipo da antena 3 e da sic radical que continua com o cabelo comprido e continua com as roupas negras e continua gordo é que continua a apresentar um programa semanal de tipos que têm orgulho de não se fazerem bonitos para a televisão e orgulho por se terem mantido fieis ao som e ao modo de vida que os caracteriza. A verdade é que o metal continua por aí. Os bares metal continuam por aí. Os festivais, os eventos, as revistas especializadas, os sites, os blogs, as lojas de roupa e adereços. E a qualidade musical apenas surpreende quem daquilo nada espera.

Nunca fui muito fã de metal. Álbuns só os tive de uma ou outra das bandas mais conhecidas, ao vivo lutei com tipos desconhecidos que depois ajudava a levantarem-se, suei e parti pelo menos a haste de dois óculos ou então foram duas vezes o mesmo. Agora ainda oiço menos metal mas se apanhar pela frente um concerto de malta que sabe tocar, consigo sem dúvida apreciá-los e novamente lutar um bocadinho com desconhecidos e dizer obrigado no fim.

Os Evil Class são uma banda que se afirma entre os estilos thrash metal e metal progressivo e há quem use o termo death & roll para os caracterizar porque meus amigos, classificações há para todos os gostos. A banda é oriunda do concelho de Loures e tiveram que largar o mini-estúdio-garagem na Bobadela porque deixaram de ter dinheiro para o pagar, justamente após a gravação do primeiro EP da banda, Beware of Man. Rodrigo Dias é o líder do grupo, digamos que é o guitarrista o vocalista o compositor o escritor e o produtor. É também o produtor do novo álbum dos PunkSinatra, o mais recente projecto do vocalista dos Peste e Sida, João Pedro Almendra. Claro que se o Rodrigo quisesse fazer mais músicas pop como no seu projecto Fanáticos do Tinto quiçá fosse hoje mais conhecido, mas isso também seria demasiado fácil.



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Pareceu-me muito interessante esta combinação de rock alternativo com folk apresentado pelos Akron/Family. São uma banda já com alguns anos de curriculum, tendo-se formado em 2002 e sendo originários de Brooklyn, podendo ser inseridos numa hipotética cena no bairro de Williamsburg. Lançaram em Maio do ano passado o seu quarto álbum, "Set 'em Wild, Set 'em Free" do qual podem experimentar aqui em baixo "River", uma amostra do mesmo. Quase que aposto que vão andar por aí nos festivais de Verão...



Enjoy!

Jay Reatard 1980-2010

Blog da Semana Cotonete


O altamont.blogspot.com informa que, com grande orgulho, é o blog da semana do site cotonete e candidato a blog do mês de Janeiro. Para votar é só seguir o seguinte link.

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Os anos 00s e agora os 10s vão ser conhecidos pela quantidade de bandas que aparecem e que nunca chegarão ao panteão das imortais como acontecia até aos anos 90. Isto não quer dizer que a qualidade diminuiu, apenas abriram-se portas para muito mais gente e com isso conseguimos contar com concertos quase todos os dias em Lisboa, o que seria impensável há 15 anos atrás. Hoje, dia 14, a ZDB apresenta mais um desses pequenos trunfos. Viking Moses é o seu nome e dele se diz: "Ninguém neste mundo corporiza a canção americana como Brendon Massei. Nómada com uma imensa consciência de pertença musical, Massei é um sulco nervoso onde a poesia afiada de Bob Dylan cicatrizou com a angústia criadora de Kurt Cobain. Por detrás do nome Viking Moses, o músico norte-americano vem vagueando de um sítio para outro numa digressão permanente desde 2004, confessando para quem quiser ouvir canções / feridas abertas de amor e ódio que não são menos que um milagre. Brendon Massei faz música porque não tem outra hipótese.
Em palco, a dimensão folk que caracteriza os álbuns de Viking Moses (e que lhe valeram a admiração de gente como Will Oldham e Devendra Banhart) sucumbe perante a avassaladora catarse rock / não-rock que meia dúzia de pessoas tiveram oportunidade de testemunhar aquando da primeira passagem de Massei pela ZDB, em Abril de 2007."
A primeira parte do concerto é feita pela cantautora norte-americana Golden Ghost.
Aqui fica Werewolves in the City:

13 janeiro 2010

Relacionado #25


O altamont.blogspot.com deixa-vos hoje, dia 13, uma amostra de uma banda que ainda vai dar que falar. Chamam-se Real Estate e vão estar na ZDB dia 19 de Fevereiro. Melhor correrem para comprar o bilhete pois se os XX esgotam em poucos dias para um concerto na Aula Magna, estes norte-americanos de New Jersey poderão também ficar indisponíveis em pouco tempo. Porém também irão estar presentes no Plano B no Porto dia 16 e no Vela Latina em Coimbra dia 17.

12 janeiro 2010

Hootenanny - Ciclo de Blues na Culturgest (30 Janeiro - 5 Fevereiro)

Trata-se de um ciclo de cinema e música em torno das origens do blues. Deverá interessar a quem se interesse tanto pela história como pela música. Há concertos, há palestras, há filmes.
Em baixo a transcrição da apresentação do programa, disponível no site da culturgest.
E mais em baixo ainda uns links de vídeos de alguns músicos que resistiram até aos anos 60, tendo assim a oportunidade de serem filmados já com cabelos brancos ou sem nenhuns. Nos anos 20 ninguém ia gastar película para filmar pretos, não é??

Tecnicamente, trata-se de uma estrutura musical de doze compassos divididos em três frases de quatro compassos que se organizam em torno de três acordes (tónica, subdominante, dominante) alternando a voz ou o instrumento segundo um esquema AAB marcado pela alteração da terceira e sétima nota da escala diatónica (notas blue) cuja origem é habitualmente atribuída à influências das escalas pentatónicas africanas.
Pode ser assim ou não exactamente assim, porque nos blues o essencial são os intérpretes.
Os blues têm uma data de nascimento oficial: 14 de Fevereiro de 1929, quando a editora discográfica Okeh lançou um disco de Mamie Smith com um tema intitulado Crazy Blues. Passou-se isto em Nova Iorque, mas toda a gente está de acordo que os blues se formaram antes, ao longo do século XIX, entre a população negra dos estados do Sul, com destaque para o delta do Mississipi, a que o musicólogo Alan Lomax chama «a terra onde os blues começaram».
Foi também a Lomax que o cantor de blues Leadbelly explicou: «Quando lá pela noite dentro andas dum lado para o outro e nada te deixa contente, faças o que fizeres, então os Velhos Blues apanharam-te».
Em 2009 o Hootenanny foi dedicado a um dos berços da folk branca, as montanhas Apalaches; em 2010 procuraram o que Duke Ellington chamou a «folk music do povo negro», os blues. Começaram no Delta, mas, da Louisiana a Chicago, da pop ao rock, com passagem pela música erudita, são hoje uma influência essencial de toda a música popular, em particular, naturalmente, da que se faz nos Estados Unidos.
Falar-se-á de duas figuras essenciais da história, Josh White e Robert Johnson. Veremos imagens e filmes, ouviremos falar deles, escutaremos a sua música pela voz autorizada de biógrafos: Josh White Jr. e Elijah Wald. Josh White Jr. fará ainda um workshop dedicado à técnica única de guitarra do seu pai. Ouviremos um dos mais prestigiados jovens pianistas de blues, Henry Butler e o grupo do guitarista Corey Harris, um dos mais importantes expoentes da cena de blues actual.
Ouvir-se-á essa estranha e sensual sedução da devil’s music, da música do diabo – dos blues.

Sábado 30
Corey Harris & The Rasta Blues Experience

Segunda 1
Josh White

Terça 2
Josh White Jr

Quarta 3
A propósito de Robert Johnson Cadillac Records

Quinta 4
Elijah Wald

Sexta 5
Henry Butler

Vídeos partilhados pelo ycutube:

Josh White

Pink Anderson

Sleepy John Estes

Son House

Mississippi John Hurt

Skip James

Relacionado #24


Os SoulBizness, estão de volta com mais um volume da série Collectables. "Room 108" é o nome do último single da banda nacional e promete agitar as pistas de dança neste ano que agora começa.