E já que estamos a falar de Brooklyn, deixo-vos o pequeno "concerto" que os Vampire Weekend deram na "Juan's Basement", rubrica da Pitchfork. Vale a pena.
Concerto completo aqui.
De referir que a série MTV Unplugged está de regresso com a participação da banda nova-iorquina.
09 janeiro 2010
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Mais uma banda de Brooklyn regressa aos discos em 2010. Yeasayer de seu nome com o primeiro single: "Ambling Alp".
08 janeiro 2010
O ipod do Rock -The Black Keys

Crónica da responsabilidade do Rock:
"É pá, foi-me pedido pelo Fellini dos pobres, o baixinho que participa neste blog, que falasse sobre o que tenho ouvido ultimamente.
Aviso já, que não sou um erudito rebuscado como o Cisto - que apesar de ser um bacano, é uma beca estranho - e que a minha escrita é bastante simples e despretensiosa.
Nas aulas de português, enquanto a badocha da professora ensinava, refundia-me no canto, de Walkman da Sony dos antigos da cassete nos ouvidos, a ouvir o "Ten" e o "Nevermind".
Tenho de confessar: A minha única companhia durante as aulas foram o Lennon e Cobain e
nunca liguei a profesores ou a patrões. Sempre escrevi nos cadernos em letras graúdas a máxima do Bob Dylan: "Dont Follow Leaders".
Ao contrário do Roll, que nunca tem guita para raio nenhum e anda sempre a cobrar dinheiro para cerveja quando vamos ao bairro, nunca compro música: Saco à fartzana do pirata bay ou gravo Cds da marca mistal porque são os mais baratos. Um empregado do Macdonalds, bestialmente mal pago, não tem dinheiro para mais, arre porra!
Voltando à música, eu tenho ouvido com insistência os "The Black Keys".
Tomei conhecimento da banda pelo Fred, o amigo do Ico, que me falou deles no bairro.
A conversa foi breve, visto que, infelizmente, o bacano estava lá como aquele mentecapto que eu e o Roll não curtimos nada, mesmo assim, deu para receber altas dicas do nosso amigo e music geek.
Em relação aos Black Keys, uma banda que traz à memória os saudosos Cream (Eric Clpaton no seu melhor) e o psicadelismos dos anos setenta, é constituída por exímios executantes e escritores de boas canções rock.
Apesar de as influências serem óbvias, existe originalidade e prazer nesta banda que ainda arranja tempo para magníficas composições blues com slide guitar ao estilo do deus Robert Johnson.
Segundo consta, as actuações ao vivo são mágicas, o que me leva a passar um atestado de estupidez aos promotores nacionais: para quando os Black Keys em Portugal?"
Aqui vai um cheirinho:
"uns sons esquisitos"
Comecei a participar na introdução de snippets no Altamont que julgo terem sido bem recebidos. O objectivo até agora tem sido mostrar uma espécie de alternativa musical ao pop/rock que é geralmente explorado neste blog, apesar da primeira música deste último snippet seja justamente uma obra-prima do pop-rock: uma quase-provocacão do Jim O'Rourke, músico extraordinário (um dos mais influentes da actualidade) que um dia decidiu mostrar ao mundo que, do mesmo modo que tanto se pode ouvir Stockhausen como Beatles, é possivel, sem grandes pudores, construir melodias pop de manhã e elaborar peças de electronica abstracta pela noitinha.
Mas achei curiosa a observaçao duma amiga minha, S., em relacão ao primeiro aqui introduzido (peças dos compositores Tim Hecker, William Basinski, Steve Reich, Stars of the Lid):
Cheguei ao trabalho, sentei-me à secretaria, abri uma gaveta, afiei dois lápis, abri o computador, fui ao Altamont, cliquei no play do teu snippet e nos primeiros momentos não dei por nada. Depois comecei a ouvir uns sons esquisitos que nem sabia que vinham do blog, senti-me dentro dum aquário com peixinhos a gemer. Meti logo na Radar outra vez. Raul, que merda foi aquela???
Na altura em que S. me dizia isto, girava um vinil de Hawkwind e a malta mastigava uma bolonhesa de características excepcionais enquanto conversas animadas se iam desenrolando a um ritmo aceitável. A dada altura reparei que a camisa de F. tinha exactamente o mesmo padrão que a toalha da mesa. B. pediu um pouco mais de esparguete ao fim de uns meros 5 minutos de refeição. R. rejeitou a salada por ter sal em excesso. L. disse que tinha pouco sal para o seu gosto. S. concordou. F. não exprimiu a sua opinião em relação a este assunto. D. disse que estava frio e perguntou pelo aquecedor. B. empurrou o aquecedor para ao pé de D. E o disco dos Hawkwind por detrás a girar (mas alguém o escutava?).
O comentário de S. fez-me relembrar as palavras de John Cage:
...music isn’t useful, music isn’t, unless it develops our powers of audition. But most musicians can’t hear a single sound, they listen only to the relationship between two or more sounds. Music for them has nothing to do with their powers of audition, but only to do with their powers of observing relationships. In order to do this, they have to ignore all the crying babies, fire engines, telephone bells, coughs, that happen to occur during their auditions. Actually, if you run into people who are really interested in hearing sounds, you’re apt to find them fascinated by the quiet ones. “Did you hear that?” they will say.
07 janeiro 2010
Metallica - Metallica [Black Album] (1991)
Em 1991 aconteceu de tudo um pouco. Morreu Freddie Mercury, talvez o maior (e melhor) frontman da história; e com ele morreu a ideia de que a SIDA só atacava os outros e os pobres. Nasceu o grunge com o Nevermind dos Nirvana e outras bandas que tais, como os Pearl Jam ou os Alice In Chains ou mesmo os Soundgarden; e com eles nasceram os miúdos urbano-depressivos de flanelas vestidos, com cabelos desguedelhados e também os stage dives e o pro choice. E renasceu o metal, travestido de hard-rock e entregue num álbum que ficou para história como a melhor colectânea de canções duronas a chegar ao mercado: o Black Album dos Metallica. Os números não mentem: 15 milhões de álbuns vendidos nos EUA; 22 milhões no Mundo. Doa a quem doer, este é o maior feito de um conjunto metal à data. De uma banda de culto os Metallica passaram a uma religião de massas. Houve quem não gostasse – os puristas que se julgam donos das bandas só porque as seguem desde o início criticaram-nos por terem desacelerado. Já eu, que detesto puristas, estou a borrifar-me para a velocidade e nem conto o número de notas por segundo. E dou-me satisfeito que tenham mudado porque a coisa, assim, tornou-se perceptível. Nada contra os anteriores álbuns, que tinham músicas como "Master of Puppets" ou a "One". Mas com este as letras entendem-se e os solos não se atropelam uns aos outros. Um tipo virtuoso não deixa de o ser só porque os dedos dele deixam de percorrer freneticamente o braço da guitarra como um epiléptico.No Black, apostou-se nos riffs curtos e poderosos. E não há riff como o do "Enter Sandman". Todos sabem de cor e salteado a progressão daquelas cinco notas que abrem a música e o álbum. Depois, seguem-se a "Sad But True", a "Holier Than Thou", a "Unforgiven" e a "Whererever I May Roam". Ouvidas estas, chega-se ao fim da primeira metade do álbum e o pulso está frenético e o pescoço dorido de tanto acompanhar a batida do Ullrich (há melhor baterista, já agora). A segunda metade perde um pouco de força mas tem a "Nothing Else Matters". E aqui é que os metaleiros se foram aos arames. Não é que o bom do Hetfield, debaixo daquela fronha de camionista e do corpo intimidador, é um rapaz (até) dado a coisas do coração? É verdade, sim. E os Metallica fizeram a melhor balada hard-rock alguma vez composta. Outra vez à frente de todos e contra os que os atrasavam. Mérito a Bob Rock, o produtor que os Metallica primeiro recusaram e depois receberam a conselho de Ullrich, que transformou a banda californiana na maior do planeta durante um par de anos. Rock, que havia promovido o glam-rockers Mötley Crue do abastado Tommy Lee, depurou e sugou a alma do quarteto metálico à exaustão. E o resultado ficou à vista e no ouvido. Para sempre.
The Antlers - Hospice (2009)
Para começo de conversa confesso que me senti um pouco desiludido a este propósito. Desiludido com o facto de nenhuma das minhas fontes habituais, tantas e boas que aí andam, não me terem alertado para isto. Parece que andavam a fazer complô, a trocar segredinhos, e só na hora da loucura de listas de melhores do ano é que surgiram os The Antlers, com este "Hospice". E aí, meu amigo, não foi uma ou duas referências, de repente este álbum estava em TODAS as listas que vi por aí. Perguntei para mim mesmo "Mas que raio?", ao mesmo tempo que arranjei forma de fazer o álbum cá chegar. E agora, passados apenas cerca de 7 dias de o ter, estou conquistado. Pela beleza, pelas variações de estados de espírito que o álbum nos cria, por um certo esquecimento de tudo à volta.Os Antlers são uma banda de Brooklyn, mas não se pode dizer que se inserem num propalado movimento criado nesta cidade. Até porque o álbum foi criado pelo seu mentor, Peter Silberman em total reclusão, abrindo apenas portas aos dois restantes membros da banda para a gravação do mesmo. Diria que se aproximam bem mais de uns Bon Iver neste aspecto, do que uma qualquer outra banda saída da fornada de Brooklyn.
"Hospice" não é apenas um conjunto de músicas. É um álbum conceptual, e como tal tem uma história de fundo, uma triste história de um homem que assiste uma mulher padecer de cancro, e que nos vai mostrando, faixa a faixa, o impacto que isto causa no próprio. Nota-se uma dor constante com esta situação, patente no ritmo da maioria das músicas, nos ambientes que cria. E aqui e ali utilizam também esse ritmo para nos mostrar alguns rasgos de esperança. As suas memórias, os seus arrependimentos, o seu pesar, tudo isto está presente neste difícil momento. É um álbum que importa mesmo ouvir como tal, como um álbum, como um todo, do início ao fim. Sem interrupções. Só deixar a música correr. Vale bem a pena.
George Harrison - Living In The Material World (1973)
O que se diz quando um Beatle lança um disco? À partida está tudo ganho. É um Beatle, caramba... No entanto ainda estamos em 1973. Três anos após a despedida final da banda de Liverpool. Três após o seu primeiro disco a solo e dois após o concerto de Bangladesh. A vida para Harrison estava naquele momento certo. Agora ou nunca. Para Harrison foi nunca. A partir daqui ninguém mais quis saber do Quiet Beatle nem das suas músicas intimistas ou pessoais. Muitos sentiram-se ainda mais defraudados em Living in the Material World do que em All Things Must Pass. Será que Harrison deixara de querer ser um Beatle? Seria McCartney o único com juízo na cabeça? Não. Apesar de metade do mundo ainda estar a carpir mágoas com o fim dos Beatles, Lennon e Harrison estavam a fazer aquilo que gostavam. Living in the Material World é exemplo disso mesmo. Continuando na senda do primeiro disco, Harrison canta apenas aquilo que lhe vai na alma e, desta vez, quase tudo por si só, tirando a eterna ajuda de Ringo na bateria. "Give Me Love (Give Me Peace on Earth)" é puro Harrison nas letras e na melodia, até porque aquela slide guitar haveria de perdurar até ao fim dos seus dias. "Sue Me Sue You Blues", crítica às querelas financeiras entre Beatles, demonstra o humor e ironia que celebrizaram George, homenageado pelos próprios Monty Phyton. "The Light That Had Lighted the World", "Don't Let Me Wait Me Too Long","Who Can See It" e "The Lord Loves The One (That Loves The Lord)" demonstram o mais pacato dos Beatles completamente desligado das futilidades terrestres, sempre com algo a dizer sobre o mundo que realmente interessa. Algo que nada tinha a ver com o fase Disco ou Glam que começaria a surgir nesta década. "Be Here Now" é dos melhores exemplos da espiritualidade de Harrison, enquanto "Try Some Buy Some" fala-nos do problema emergente da altura, e, quiçá, hoje em dia, do abuso de cocaína. Enquanto o mundo inteiro na altura estava em êxtase e começava a entrar nas loucuras dos anos 70. Harrison começava a refugiar-se no seu pequeno mundo. A preferir o anonimato e a pacatez.Enquanto a loucura da década acabaria por passar, "Living in the Material World" acabaria por se tornar num dos seus melhores discos com o passar dos anos...
06 janeiro 2010
Agenda de Janeiro
Novo ano, nova vida, novas resoluções... Um novo ano traz sempre esperança de coisas diferentes, inovadoras, e na música espera-se o mesmo. 2010 traz as habituais edições festivaleiras e uma primeira grande confirmação: Pearl Jam, no Festival Alive!. Em relação a concertos em nome próprio os grandes destaques para já vão para Metallica, U2, Arctic Monkeys, The XX, The Fiery Furnaces, Yo La Tengo, La Roux, entre outros. Mas para já Janeiro. O primeiro mês do ano pouco traz de extremamente excitante. O maior destaque vai para a dupla francesa Air de Versailles, que actua dia 16 no Coliseu de Lisboa e para o "homem tigre" que toca dia 23 em Faro. De resto há que descansar a carteira para um bom 2010. Ano de Odisseia. Será?Agenda de Janeiro
13. B Fachada - Bacalhoeiro, Lx
15. Erol Alkan - Lux, Lx
16. Air - Coliseu, Lx
16. Erol Alkan - Teatro Sá da Bandeira, Porto
23. The Legendary Tiger Man - Teatro das Figuras, Faro
23. Lindstrom - Casa da Música, Porto
B Fachada
Vampire Weekend - Contra (2010)
Há alguém aí que seja Contra? O que é ser-se Contra? O que é, realmente, Contra? Segundo algumas leituras existem vários empregos à palavra Contra. O nosso tão português Contra é uma delas. Mas há mais. Na Malásia ou Singapura o acto de Contra em termos económicos é pagar ou vender algo sem que haja dinheiro envolvido nisso. Gosto. Os Vampire Weekend também ao disponibilizarem todo o seu novo disco para audição no seu respectivo myspace. Outra leitura surge com a pouco conhecida Contra Dance. Dizem os entendidos que no final do século XVII as danças britânicas misturaram-se com as francesas no novo mundo da América do Norte, criando um estilo mais desorganizado e acessível a todos, até porque não há pares definidos. É uma mistura de várias danças e ritmos. Está desvendado, então, o segredo por trás de Contra, segundo disco de originais da banda nova-iorquina, Vampire Weekend. Contra, um dos discos mais aguardados deste novo ano, é-o por várias razões. 1) Os Vampire Weekend foram uma das melhores surpresas da década que passou (para alguns ela só acaba este ano, mas adiante). 2) Com o anúncio meses antes de um novo disco na forja, os fãs, os simpatizantes e os detractores ficaram com água na boca para saber o que daí adviria. 3) O primeiro Single "Horchata", apesar de não ser mau, desiludiu por ser demasiado banal. 4) "Cousins", segundo single pôs tanta a gente a mexer-se e com água na boca para Contra. Será que esta estratégia de ir lançando biscoitinhos ao público de tempo a tempo resulta? Confesso que lançar singles muito antes do disco em si pode causar algum cansaço que se reflecte aquando da audição do mesmo. Escolher "Horchata" como primeira música de Contra é erro e será a música mais "skipped" de sempre dos Vampire Weekend. Pondo isto convém falar do disco em si.Há vários testes na vida de uma banda e, como para tudo, está tudo escrito. O primeiro disco é aquele que, à partida, ou mata ou morre. O segundo costuma ser para manter a onda do primeiro sem levantar grandes ondas para não perder o gás do primeiro, mas, geralmente, sem nunca chegar ao nível do anterior, enquanto o terceiro define a banda em questão. Contra vai um pouco na linha deste raciocínio. Apresenta muito boas músicas como a muito Simoniana "White Skies" ou "Holiday", esta muito na onda do primeiro disco. "California English" tem um ritmo muito caribenho mas o tratamento da voz é um pouco irritante, enquanto "Taxi Cab" revela uma melancolia algo inusitada na banda de Brooklyn. Em "Run" os Vampire Weekend empregam verdadeiro significado aos sintetizadores. No entanto a grande pérola deste disco está mesmo em "Cousins". Pena que o resto não esteja neste nível. Os anos 80 muito nova-iorquinos de batidas de rua estão claramente presentes em "Giving Up the Gun" e "Diplomat's Son". O disco fecha com "I Think Ur A Contra", com sintetizadores a lembrar o início de Baba O'Riley. Uma música muito simples, leve e graciosa. Um dos pontos altos do disco. Não sendo uma desilusão, Contra não é brilhante. "A-Punk", "Mansard Roof", "M79" e "Walcott" seriam muito difíceis de bater ou sequer igualar. Contra é um bom segundo disco. Só Isso...
Podem ouvir o álbum completo clicando na música à vossa escolha abaixo. Ou em play all.
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