22 dezembro 2009

Talvez Relacionado #27

E agora mais algum tempo de antena dedicado à música portuguesa (fora da esfera Flor Caveira, que parece ter adormecido tudo e todos com os seus baladeiros, de tal forma que muitas pessoas se estão a esquecer que já existia, existe e existirá sempre música portuguesa sem ser a deles). Hoje partilho aqui Minta, nome artístico/alter-ego como lhe queiram chamar, de Francisca Cortesão. Lançou este ano o seu primeiro álbum, "Minta & The Brook Trout", e pelo que tenho ouvido no myspace, é algo que tenho de adicionar rapidamente à minha biblioteca. São músicas cativantes, daquelas que caem tão bem em dias de Inverno como o de hoje, em que só apetece deixar-nos ficar em casa com uma mantinha e uma bebida quente na mão. Porque a música também serve para aquecer, e este é um bom exemplo disso mesmo. Fica o videoclip lançado recentemente de "A Song To Celebrate Our Love".

Enjoy!

21 dezembro 2009

Curiosidade : New Moon Soundtrack - 2009

A minha dúvida é a seguinte: Como é que um filme tão calino consegue parir uma banda sonora destas:

Faixas

  1. "Meet Me on the Equinox" (Death Cab for Cutie) – 3:44
  2. "Friends" (Band of Skulls) – 3:09
  3. "Hearing Damage" (Thom Yorke) – 5:04
  4. "Possibility" (Lykke Li) – 5:06
  5. "A White Demon Love Song" (The Killers) – 3:34
  6. "Satellite Heart" (Anya Marina) – 3:33
  7. "I Belong to You" [New Moon Remix] (Muse) – 3:12
  8. "Rosyln" (Bon Iver e St. Vincent) – 4:49
  9. "Done All Wrong" (Black Rebel Motorcycle Club) – 2:49
  10. "Monsters" (Hurricane Bells) – 3:16
  11. "The Violet Hour" (Sea Wolf) – 3:32
  12. "Shooting the Moon" (OK Go) – 3:18
  13. "Slow Life" (Grizzly Bear feat. Victoria Legrand)[18] – 4:21
  14. "No Sound But the Wind" (Editors) – 3:48
  15. "New Moon (The Meadow)" (Alexandre Desplat) – 4:09[19]

Talvez Relacionado #26

A de hoje é esta - os Silversun Pickups, com "Substitution". Dizem as estatísticas que o movimento no blog dispara quando há gajas boas metidas ao barulho. Vamos lá testar as estatísticas.


(o vídeo está a demorar um pouco a carregar mas não consigo encontrar um melhor, pelo que sugiro que cliquem play e depois pause, deixem carregar até ao fim e depois sim vejam o vídeo. Um apelo à vossa paciência, acho que vale a pena e podem ir fazendo outras coisas enquanto o vídeo carrega)

Álbuns Década: #1

Arcade Fire - Funeral (2004)

E pronto é este. Não havia muito que pensar, "Funeral", é O álbum que marca definitivamente a década, tal como os Arcade Fire são A banda que marca definitivamente a década. Não tendo sido uma década muito forte em termos de História da Música, a meu ver, muito causado pela constante chegada de coisas novas, a tomada da indústria pela internet, novas formas de ouvir música, há que destacar quem merece. E este é um caso exemplar de quem merece, o grupo canadiano faz música carregada de emoções (não só neste "Funeral", mas também no seguinte "Neon Bible"), dá concertos extasiantes (falhei o histórico em Paredes de Coura, mas não faltei ao do SBSR em 2007), e desaparece das notícias quando não há noticias para fazer. It's all about the music, e isso nota-se em todos os momentos vividos desta banda.

"Funeral" em si, é cheio de energia, sentimento, que tanto pode ser servido de uma forma animada, ritmada (em "Neighborhood #2 (Laika)", "Neighborhood #3 (Power Out)) e noutras mais introspectivas ("In the Backseat", "Haiti"). E depois há aquelas que não dá para descrever em palavras, como "Rebellion (Lies)" e "Wake Up", apenas que nos dá vontade de sair a cantá-las em plenos pulmões rua fora. E aquele final do "Un Anée Sans Lumiére"? E a transição da calmia inicial para a insanidade em "Crown of Love"? Não sei, não há mesmo palavras. É ouvir. E degustar.

19 dezembro 2009

Os Tornados@Santiago Alquimista - 18/12/09


Chamem-lhes os novos Ekos, chamem-lhes os novos Shadows, chamem-lhes os novos Animals ou os novos Monks. Chamem o que quiserem, a verdade é que Os Tornados são, seguramente uma das melhores bandas a tocar em Portugal. Musicalmente são quase perfeitos. Eles sabem o que tocam, quando tocam e quando não devem tocar. Seis elementos constituem esta banda nortenha de cariz retro. Porém aqui não nos deparamos com os anos oitenta. O dito Indie Rock que bebe dos anos 80. Não. Os Tornados vão mais atrás, vão ao início da bela história que foi os anos sessenta. Imaginem o período de tempo entre 1964 e 1966. Os Tornados seriam, se fossem da altura, uma das melhores bandas, certamente.

18 dezembro 2009

Álbuns da Década: #6

Arctic Monkeys - Whatever People Say I Am, That's Why I'm Not (2006)




Já muito se disse sobre os Arctic Monkeys e o modo como se tornaram num grande fenómeno mundial. O boca a boca e a internet serviram para difundir uma banda sem editora que acabou por tomar conta de toda os meios de comunicação social. Se muitos pensavam que seria só mais um hype provocado por uma banda de garotos imberbes, Whatever..., primeiro disco da banda de Sheffield provou o contrário. Mostrou pujança, força, rigor e muita maturidade para quem vinha do nada. Provavelmente desde o Definitely Maybe dos Oasis que o mercado inglês e, mais tarde, americano, não sentiam uma vibração tão grande. Alex Turner, guitarrista, vocalista e compositor, demonstra ser um novo Paul Weller. As suas letras são pessoais e falam do dia a dia da pessoa normal. Um novo Working Class Hero. As músicas essas falam por si. "The View From the Afternoon", "I Bet You Look Good on the Dancefloor" ou "A Certain Romance" são hinos para uma juventude à procura de um novo líder do Rock. Heroí pícaro mais que Deus do Rock, Alex Turner entrou definitivamente para essa lista exclusiva dos grandes heroís do Rock...

The Doors - L.A. Woman (1971)

Há algo de tão triste mas no entanto tão belo quando o melhor álbum de uma banda é o último. Chamemos-lhe o canto do cisne, o pôr do sol, etc, mas há algo que nos atinge quando realmente nos apercebemos que a partir dali não virá mais nada e, se calhar, ainda bem. Quem aqui poderá discordar desta afirmação quando temos Abbey Road, L.A. Woman ou In Utero como exemplos? O último disco gravado pelos Beatles é, provavelmente, o seu melhor. O modo como as guerras internas deram lugar a um disco tão solarengo e tão cheio de energia é de facto notável. Provavelmente nenhum dos quatro elementos se virou um para o outro e disse: é desta, é o último. Mas isso sente-se em todo o disco. É a despedida, ao menos que seja em grande. Saltando 25 anos no tempo deparamo-nos com outra situação. A fragilidade psicológica de Kurt Cobain. Ninguém no seu perfeito juízo imaginaria um futuro na banda de Seattle. O suicídio, embora nunca admitido, era algo com que muitas pessoas já começavam a adivinhar num futuro um pouco mais distante. Aconteceu pouco depois do último disco ter sido lançado. No entanto, o que nos ficou foi, claramente, a procura da honestidade musical do último grande ídolo do Rock. In Utero não é um Nevermind, não é de fácil digestão e ainda bem. In Utero é Kurt despido e o mais honesto possível face ao monstro que o começava a engolir. O fim estava mesmo ali à porta.
O que nos leva outra vez à pressão que os media e fãs podem exercer em alguém. Jim Morrison sempre foi uma personagem à parte. Um "damaged good" como dizem os anglo-saxónicos. Alguém que adorava a honestidade mas também chocar. Jim foi sempre um "heavy drinker". Era o que o fazia sair da realidade chata com que se deparava dia após dia. Era preciso romper com a normalidade com que as pessoas viviam e Jim era o escape. L.A. Woman surge após Morrison Hotel, o regresso à forma dos Doors com o próprio Jim Morrison a tornar-se mais responsável e empenhado. No entanto, cada vez mais agastado com a mediatização com que se via envolvido, Morrison queria sair, fugir, partir para outros sítios, dedicar-se à poesia e viver outra vida com Pamela Courson. A despedida, nunca oficial, e irreversível após noite fatídica em Paris em 71, surge com este L.A. Woman, onde Jim e os restantes Doors se despedem como grupo a 4 com um dos melhores álbuns de sempre. As constantes deambulações de Jim pelo universo americano e a suas origens estão sempre presentes. "L.A. Woman" leva-nos a uma viagem de carro nocturna pela louca Los Angeles, com os seus clubes bóemios e de strip, enquanto "Riders on the Storm" traz-nos o obscurantismo que tanto agradava a Morrison. Aparte da mais comercial "Love Her Madly", todo o resto do álbum é um misto de blues ("Car Hiss By My Window" e "Hyancith House") e Rock embebido em Bourbon e alucinogénicos como "L'America", "Crawling King Snake", "The Changeling" ou "The Wasp". Após este disco e a consequentemente morte de Jim, os restantes Doors, Ray Manzarek, Robbie Krieger e John Densmore, tentaram, em vão, continuar uma carreira sem Jim. Era impossível. O Rock Poet estava morto, não havia nem haverá substituto...