Para mim é um facto inquestionável - "Is This It?" foi um pedrada no charco. Apareceu numa altura que o rock estava morto, praticamente não apareciam bandas novas rock e reinavam os tempos das trevas do nu-metal. Apesar de, só por este papel de "salvador" já merecer um lugar muito importante na História da música, o que é facto é que "Is This It?" atingiu-me a mim e a uma camada de pessoas ávidas pelo regresso do rock directamente no estômago, deixando-nos com uma resposta clara à pergunta tema do álbum: "This is definitely it!". E apesar de, agora à distância, haver por aí muitos a desvalorizarem-nos, a chamá-los one hit wonders por causa do tão rodado "Last Nite", eu continuo fã da banda e gosto dos seus restantes álbuns. Não tenho dúvidas que este álbum tem para mim muito mais sumo que "Last Nite", músicas como "Someday", "Barely Legal", "Hard to Explain" e "New York City Cops" ("When it Started" nome alternativo da mesma música) marcaram-me e continuam a soar muito fresco, rock puro e despreocupado. Já lá vão 8 anos desde que foi lançado e sabe sempre bem ouvi-lo de uma ponta a outra.
Texto do Roll (Tinha erros à fartazana mas eu corrigi alguns)
Arre porra, garotos! Este é daqueles que todos vocês deviam ter.
Este álbum do Jimi Hendrix, lançado em 1968, durante o auge da época dourada da música, é dos melhores de sempre.
Mesmo se fores um gajo bestialmente deficiente mental, como um gajo que eu cá sei, vais gostar desta maravilha. Está cientificamente provado por uns gajos da Nasa ou de uma cena parecida. Está no wikipedia, caraças.
Gostava de destacar as seguintes faixas:
1- Crosstown Traffic - Banda sonora ideal para todos aqueles que guiam um buick dos clássicos quando estão parados no trânsito de Nova Iorque num dia de verão: Apesar no calor, a guitarra do mestre, refresca-nos . Não tenho um Buick mas gostava de ter.
2- Voodoo Child - Que riff, com mil diabos! Com fortes influências tribais, o pedal wah do mestre leva-nos para uma dimensão nunca antes alcançada.
3- Long Summer Night - Arre porra, outra vez! Um gajo depois de levar porrada supersónica com a Voodoo Child, inchamos ainda mais dos punhos mágicos do Deus da guitarra, incansável como um coelhinho fodilhão, em "Long Summer Night". Está carregada de soul, funk e amor pelo próximo.
4- Gypsy Eyes - Uma das mais psicadélicas do álbum, tem efeitos de voz de outro planeta e acordes inovadores e distorcidos para a época. Dava um dedo para ter ouvido isto no Woodstock 69.
5- All Long The Watchtower - Este original do Bob Dylan é tão bem recriado - sim , ouviram bem - RECRIADO: Deuses: recriam, Copistas: Copiam - que o cantor folk fez questão de oferecer a música ao Jimi.
Segundo reza a lenda, o autor de Foxy Lady agradeceu e acabaram os dois na cavaqueira a fumarem ganzas.
Tudo foi pensado com a ousadia dos deuses, até a excitante capa, cheia de raparigas de voluptuosos seios, onde vemos em lugar de destaque, o mestre, o guru, o deus - JIMI MOTHA FUCK#N HENDRIX!
Aposto que as comeu todas com o seu membro avantajado.
Portanto, além de ficarem extasiados com as sonoridades do mestre, sempre podem usar a capa do disco para se masturbarem.
Apesar de estas faixas serem as minhas preferidas, o álbum está recheado de momentos mágicos. São dezasseis faixas que fizeram história: Jimi não tocava guitarra eléctrica. Jimi era a guitarra eléctrica!
Está muito em voga em Lisboa a tentativa de fazer Folk Music com sabor a sardinha assada e galo de Barcelos. Tentativa quanto a mim absurda, em termos conceituais, e definitivamente falhada. A razão pela qual não existe, nunca existiu nem nunca existirá Rock cantado em português é porque o Rock and Roll por definição é anglo-saxónico, da mesma forma que o Folk (que se pretende imitar) é americano. Se querem música tradicional portuguesa, ouçam fado ou, melhor ainda, ouçam Carlos Paredes.
Mas se se pretende enaltecer jovens talentos portugueses que se destacam nessa espécie de registo indie sugiro-vos que ouçam a Cláudia Zafre em vez de imitadores pseudo-intelectuais metrosexuais como os da Flor Caveira. Uma songwriter excepcional com um potencial inacreditável. Para quem não a conhece, garanto-vos que é uma mistura de Chan Marshall com Tom Waits: a voz delicada da primeira com a bebedeira do segundo. Na verdade, ouvi-la faz-me lembrar a minha Lisboa à noite, um corpo meio imóvel descaído numa esquina qualquer da escadaria de Santo António, onde se encontram beatas e restos de filtros de papel no entrecortado da calçada, húmida de cerveja e mijo. Canções como "Eu Não Queria Dizer Nada Mas Tens Um Pau Espetado No Cu" ou "Portugal Chupa" têm mais autenticidade do que qualquer peido do Bernardo Fachada. A Cláudia Zafre canta a sua geração como ninguém. Chequem o seu My Space e estejam atentos a próximos concertos.
A semana passada passei pela Fnac e comprei a compilação 3 pistas Vol 2. Tinha gostado muito do Vol 1, desta compilação promovida pela Antena 3, de apoio a artistas nacionais. Como tal, não hesitei. Ainda não passei da primeira faixa, onde temos os Clã, a interpretar Golden Skans dos Klaxons. Muito bom.
Há os supergrupos como os Cream ou Blind Faith, CSNY ou os Traveling Wilburys. Há ainda os Audioslave ou ainda mais recentemente os Raconteurs e os Them Crooked Vultures. A nível nacional houve, entre outros, os Resistência e os Humanos. No dia de hoje celebrou-se o aparecimento de mais um um "supergrupo". Exageros à parte, dado que obviamente que não estamos na presença de nenhum consagrado na música, nem nenhum virtuoso ou génio musical, aquilo que se ouviu hoje em pleno Musicbox foi o que já não se sentia desde, pelo menos, a digressão (infelizmente única) dos Humanos. A Portugalidade no seu melhor. Orgulho em estar a ouvir cantar em português. A métrica das letras não soa mal, não é desajustada, não é foleira. Entretém e apraz. O som medieval misturado com o rock faz todo o sentido. E ainda bem. Diabo na Cruz, mais uma banda lançada pela editora de Tiago Guilul, Flor-Caveira, é, provavelmente, uma das melhores apostas desta editora nacional. Jorge Cruz criou os Diabo na Cruz chamando o Barata dos Feromona, o Gil dos V.Economics, o Pinheiro dos TV Rural e o B. Fachada. Juntos eles transformam o Rock em Roque ou Folc'roque. Com um Musicbox à pinha como há muito já não se via, como referiu Bernardo Fachada, algo ou muito alterado (cuidado com as sobredosagens), o público assistiu a um bom momento de uma banda que poderá entreter muito durante o próximo ano. Músicas corriqueiras e "catchy" dão o mote ao álbum que acabou de ser lançado agora, "Virou!", que tem tudo para ser um sucesso, ou quase, ao nível dos Humanos. "Dona Ligeirinha" e "Os Loucos Estão Certos" são, claramente, músicas para ficar. Um bom projecto nacional, sim senhor!
A Estreia dos Killers no mundo da música surge em 2004 com Hot Fuss e, em tudo teve a ver com a sua cidade natal, Las Vegas. Músicas muito flashy, cheias de côr e movimento mas ao fim e ao cabo sem muito sumo para se extrair. Apenas e só um bom divertimento, como costuma ser o resultado final em qualquer casino do estado do Nevada. No entanto, dois anos se passaram e algo aconteceu à banda de Brandon Flowers. O look mais bonitinho e fashion deu lugar a um visual muito à americano sulista. Cabelos grandes e barbas ou bigodes fartos, Flowers incluído. Marketing de imagem disseram uns; maturação adiantaram outros. Imagens à parte porque o que realmente mais interessa é a música em si e nisso os Killers estiveram em grande. Apesar das suas letras serem, por vezes, do mais piroso possível, Brandon Flowers consegue transmitir e emocionar como os U2 faziam quando realmente gostavam de música. A parte instrumental essa subiu vários pontos acima do disco anterior, daí se ter falado num amadurecimento da banda. Exemplos disso são "Sam's Town", "When You Were Young", "For Reasons Unknown" ou "Read My Mind". A partir de Sam's Town o destino estava traçado. Já sabiamos que iriamos perder os Killers para o grande público FM como acabaria por acontecer com o último disco, Day and Age...
O concerto no Super Bock em Stock, não me encantou, tanto a nível de som, como na excessiva postura de rockstar do artista, mas deixou-me curiosidade para ouvir melhor o seu último álbum. Apesar de não apreciar a capa do mesmo, o conteúdo é bom. Paulo Furtado AKA The Legendary Tigerman, lançou Femina no presente ano. O seu 5º álbum conta com a participação de várias artistas. O seu primeiro single “Life Ain´t Enough for You” entra facilmente na cabeça. No vídeo temos a voz e a presença da actriz italiana Asia Argento, disfarçada de Rita Redshoes… “These Boots Are Made for Walking”, letra escrita por Lee Hazlewood, conta com uma surpreendente representação de Maria de Medeiros, no papel de Nancy Sinatra. A mostrar que tem voz, para além do cinema. “She's a Hellcat” é das minhas preferidas, um típico rock blues com o excelente apoio de Peaches. Trata-se de um som mais agressivo que rompe com a faixas anteriores. “No Way to Leave on a Sunday Night”, é um género de balada com a companhia da excelente voz e guitarra de Becky Lee. Na faixa número 5, Furtado e Rita Redshoes pegam no êxito de Baker Knight, “Lonesome Town” para um som melancólico, demasiado… Tornando-se cansativo. “Radio & Tv Blues” corta com as baladas anteriores, obrigando o nosso “one man show” a puxar por si. Contando com o coro de Cais do Sodré Cabaret. Gosto muito de “The Saddest Thing to Say”, onde Lisa Kekaula dá a sua excelente voz. Para interpretar um bom tema. Com uma boa batida e uma boa guitarrada. “My Stomach Is The Most Violent of All of Italy”, começa com a voz sexy de Asia Argento. Com a guitarra de fundo, temos um monólogo delirante da actriz italiana. “Light Me Up Twice”, conta com a presença de Cláudia Efe. Gosto muito da parte instrumental, mas falta qualquer coisa para a tornar numa excelente faixa. “& Then Came The Pain”, trata-se de um diálogo entre Paulo Furtado e Phoebe Killdeer. Bastante acelerado e ritmado. "I Justa Wanna Know", conta com a colaboração da brasileira Cibelle. Gosto muito de a ouvir cantar em português. No entanto, não gosto da sua voz nesta faixa. Tal como, na música escrita por Daniel Johnston, "True Love Will Find You In The End". Desculpa lá Cibelle, prefiro ver-te a viver no Samba. “Old Fashioned Man”, soa a um típico American Blues, com a voz, guitarra e foot stomping de Becky Lee & Drunkfoot. “Hey, Sister Ray” é um som calmo, onde o casal Paulo Furtado e Rita Redshoes canta tendo o som do piano como fundo. “Thirteen”, é uma letra de Glenn Danzig, onde a voz de Paulo Furtado é acompanhada pelo violino de Mafalda Nascimento. Nota mais para Femina! Para quem gosta de música de Natal, no dia 25 pode contar com o Legendary Tigerman na galeria Zé dos Bois, o título do cartaz é Fuck Christmas, I Got the Blues.
"Uff..." deve ter dito George Harrison no dia que acabou de gravar All Things Must Pass. 23 músicas, uma delas cover de Dylan "If Not For You", onde George dá um toque muito mais emotivo do que o próprio Bob Dylan, são o resultado de anos de tampão ao serviço dos Beatles onde George apenas poderia colaborar com 2/3 músicas por álbum. A dupla Lennon/McCartney exigia respeito e não cedia por dá aquela palha. Para cada colaboração de Harrison para um disco de Beatles, ensaiavam-se 10 de Paul e John, muitas inferiores ao denominado "Quiet Beatle". Porém, a verdade é esta, George começou apenas por ser o guitarrista dos Beatles, o homem da guitarra principal, o homem dos solos. Não escrevia, apenas ajudava, cantando aqui e ali músicas covers ("Roll Over Beethoven", "Chains") ou originais de Lennon e McCartney ("Do You Want To Know A Secret"). A primeira música a solo surge logo no segundo disco With The Beatles com "Don't Bother Me", um razoável cartão de visita para o que faria poucos anos depois, pois com a crescente Beatlemania, George escondeu-se só voltando a aparecer em Help!, desta feita com duas colaborações, "I Need You" e "You Like Me Too Much", mais duas músicas que em nada faziam à força que já era a dupla supra citada. A partir deste momento o resto é história, George começa a interessar-se pela cultura oriental, em especial a indiana, toma contacto com a meditação e Ravi Shankar e, também, com psictrópicos. "If I Needed Someone", "Taxman", "Within Without You", "While My Guitar Gently Weeps", "Something" e "Here Comes The Sun" são dos melhores exemplos do que este tinha para oferecer à que foi considerada a melhor banda de todos os tempos mas nem isto seria capaz de antecipar o que George faria no mesmo ano que os Beatles fecharam a loja para nunca mais a abrirem. O resultado está à vista num álbum triplo onde George revela toda a sua espiritualidade, humanidade e como diriam os anglo-saxónicos "awareness". Ajudado pelo mesmo produtor que conseguiu unir o que parecia impossível para aquilo que se tornou conhecido como Let It Be, Phil Spector construiu aquilo que denominou como "Wall of Sound", musculando as músicas com uma ambiência não antes vista. O resultado é, para muitos, considerado um dos melhores discos de sempre. Os temas são os recorrentes de Harrison: Espiritualidade em "My Sweet Lord", "Art of Dying" e "Hear Me Lord"; Amor em "I'd Have You Anytime", "What Is Life" ou "I Dig Love", enquanto "Isn't It a Pity", "Beware of Darkness" e "All Things Must Pass" revelam um George maturo e conselheiro no que toca às relações amorosas ou agruras da vida em geral. Até tempo houve para uma bicada em Paul com "Wah Wah". Pena que este talento tenha estado tão escondido debaixo da sombra de Paul e John...
Hoje a rubrica Talvez Relacionado traz aos leitores do Altamont o tema "In the NA", dos The Hidden Cameras.
Trata-se do single de apresentação do mais recente álbum da banda (já o quinto), "Origin:Orphan", lançado no passado mês de Setembro e trata-de de um indie pop interessante, que dá uma ligeira vontade de dar algum movimento ao corpo. Care to try?