25 novembro 2009
24 novembro 2009
Julian Casablancas - Phrazes for the Young (2009)
Eis-nos chegados ao fim da década e quem é que está lá para fechar o que começou? Nada mais nada menos do que Julian Casablancas, vocalista e líder da banda Nova Iorquiana Strokes. Após três discos que ajudaram a definir o som de uma nova geração, especialmente Is This It?; dois discos a solo do guitarrista Albert Hammond, Jr, Yours to Keep e ¿Cómo Te Llama?; e projectos paralelos de Nikolai Fraiture com Nickel Eye e Fabrizio Moretti com os já reconhecidos Little Joy, era de estranhar este estranho silêncio por parte de um dos mais importantes músicos desta década. A expectativa criada, ultimamente, de um quarto disco por parte do quinteto de Nova Iorque começou a crescer no início do ano com revelações do próprio Casablancas de que o som da banda iria mudar um pouco, aproximando-se dos sons de bandas dos anos 70 como Thin Lizzy. No entanto, para o espanto de muitos, Julian revelou que afinal iria lançar um disco a solo. Phrazes for the Young, apenas com oito músicas, título inspirado no "Phrases and Philosophies for the Young" de Oscar Wilde, é, basicamente, Casablancas on his own. Provavelmente, se fosse gravado em nome dos Strokes, seria com toda a certeza, o melhor após Is This It?. Phrazes for the Young é um disco variado, sem nunca perder a alma dos Strokes, até porque, convenhamos, a voz de Casablancas é indissociável do som da banda nova iorquina, porém, aqui, Julian vai a terrenos onde não tinha ido com os seus amigos, especialmente na utilização de orgãos, como em "Out of the Blue", música que abre o disco e que nos fica logo no ouvido ou em "Left & Right in the Dark". O single de estreia "11th Dimension" leva-nos às pistas de dança dos anos 80, polvilhado com o som soturno dos Strokes. "4 Chords of the Apocalypse" é claramente inspirada nos sons dos anos 60 de Phil Spector, enquanto "River of Brakelights", uma das melhores músicas do álbum, poderia ter estado em First Impressions of the Earth. A finalizar surge "Tourist", música com breaks, beats e inspiração nipónica, outro dos pontos altos. Os pontos baixos, são "Ludlow St." e "Glass". Em suma, uma boa estreia de Julian Casablancas a solo, sem se desmarcar completamente da sua identidade mas também sem se colar desnecessariamente. Perspectiva-se um bom futuro dos Strokes na década que aí chega.NE CHANGE RIEN ou éramos apenas sete pessoas na sala e quatro de nós usávamos barba
Talvez fizesse ontem um ano desde a última vez que me teria emocionado tanto numa sala de cinema que não a cinemateca, talvez dois anos, três, juro que não sei, talvez a minha memória ande fraca. Agora as contas voltaram a zero, Ne Change Rien de Pedro Costa é sem dúvida um dos melhores filmes da década. É também sem dúvida um dos melhores filmes de/sobre música alguma vez feitos e tirem-me o teclado das mãos ou ainda acabo a dizer que é o melhor filme português de sempre e depois o João César Monteiro que se revolte e revolva na sua campa.
Falo de um filme num blog sobre tendências auditivas porque como já insinuei, este é um filme sobre música, sobre música (forma de expressão artística) e sobre uma música em concreto (a artista). Chamá-lo de documentário seria sugestionar que uma câmara esteve lá para simplesmente documentar, alheando-se assim da reflexão sobre o próprio cinema que Pedro Costa insiste em imprimir filme após filme. Seria também olhar para ele sem levar em conta a prodigiosa mise-en-scène por ele imposta, sem que no entanto se sinta a câmara de uma forma invasiva. Costa dá-nos a conhecer uma mulher total, sem precisar de a filmar fora da sua concentração na música e das poucas vezes que nos mostra o lado quotidiano da pessoa, fá-lo sempre em off ou pelo menos na escuridão. Conhecemos Jeanne Balibar, actriz francesa que eu desconhecia, através das suas pausas, dos seus bocejos, dos seus olhares para fora de campo, da sua luta para conseguir ser música, ser cantora. E esse seu lado lutador e crente é-nos mostrado da forma mais humilde possível: pelo trabalho. Essencialmente este é um filme sobre o trabalho. Trabalho, aprendizagem, paciência. Exasperação. A repetição como método único para a evolução, provando que o artista não o é enquanto não treinar para sê-lo.
Não sou o cinéfilo mais aplicado mas tendo em conta apenas o que já vi, é-me fácil afirmar que antes deste filme apenas um realizador tinha conseguido uma abordagem séria em relação ao processo criativo da música. Esse realizador é Jean-Luc Godard, que em 1968 realizou o magnífico One Plus One (a.k.a. Sympathy for the Devil), onde em planos-sequência intercalados com uma satírica abordagem aos temas das libertações feminina, da classe negra e da classe operária – chamemos-lhe a contracultura – nos mostrava os Rolling Stones a construírem aos poucos a música Sympathy for the Devil pelo mesmo processo da repetição, da insistência, do trabalho. Desde então os filmes sobre música têm sido pouco mais do que filmes-concerto, o que não é necessariamente mau se a intenção for apenas a música e não o cinema, não as pessoas, não a vida.
Em Portugal o filme apenas está a ser exibido numa sala, em Lisboa, no El Corte Inglés. Todos se queixam do cinema português, que não há qualidade no cinema português. Mas depois existe o Pedro Costa que faz este filme belíssimo e que apesar das excelentes críticas de que tem sido alvo desde a sua estreia em Cannes, se arrisca a ficar para sempre na prateleira do esquecimento pois dificilmente o aguentarão por mais de duas semanas em exibição num centro comercial. Mas há pouco mais de um ano o Miguel Gomes fez um excelente filme chamado Aquele Querido Mês de Agosto, o João Canijo realizou o igualmente bom Mal Nascida e o João Salaviza trouxe a primeira Palma de Ouro de Cannes para Portugal. E ainda assim não se aposta no cinema português e a euforia da crítica será obrigada a votar-se ao silêncio no momento em que o filme já não estiver em exibição. Se ao menos o Pedro Costa filmasse as mamas da Soraia Chaves, talvez aí fôssemos mais de sete pessoas na sala (com ou sem barbas, não interessa).
PS. A questão é saber quantas destas pessoas supostamente interessadas em música têm curiosidade de ir ver o filme e com ele reflectir sobre o que é essa coisa do processo criativo.
23 novembro 2009
Álbuns da Década: #5
Beirut - The Flying Club Cup (2007)
Este é um disco incontornável da década. Um disco que se ouve do início ao fim, vezes e vezes sem conta. Um disco que enche uma sala, um bar, ou um outro qualquer sítio onde seja colocado. Já com o antecessor, "Gulag Orkestar", Zach Condon teve o condão de misturar ritmos da Europa de Leste com música mais ocidental, mas neste "The Flying Club Cup" foi, a meu ver, mais além, influenciado pela cultura francesa, música e filmes, e conseguiu algo que nos faz voltar aos loucos anos 20, quando Paris era a capital do mundo ocidental, com a agitada vaudeville no seu auge. Música que nos faz querer sair a dançar. Os (fenomenais) arranjos ficaram a cargo de Owen Pallett, também responsável pelos arranjos de algumas músicas de Arcade Fire e detentor do seu próprio projecto, Final Fantasy. É, muito provavelmente, o concerto que mais vontade tenho de assistir neste momento, Já esteve marcado em 2008 e foi entretanto cancelado, portanto Zach, se me estás a ouvir, estás em dívida com Portugal!
20 novembro 2009
Talvez Relacionado #23
Antes de fim de semana aqui vos deixo um somzinho agradável e que faz parte do cartaz do Super Bock em Stock deste ano, os Beach House. Lançam já em Janeiro de 2010 novo álbum, intitulado Teen Dream, do qual foi já lançado o novo single, Norway. Deveras interessante...
Enjoy!
19 novembro 2009
Mayer Hawthorne
Era uma vez um branco que pensava que era preto.Era uma vez um tipo do século XXI que pensava estar em 1966’s.
Ele é Mayer Hawthorne, inter-ego de Andrew Cohen, um rapaz de Detroit, que se deu a conhecer ao mundo este ano, com o disco A Strange Arrangement.
Mayer Hawthorne aparece neste 2009, com um álbum feito em 2009, e com a mais pura soul dos anos cinquenta ou sessenta.
Pura soul, porque a música que lhe acompanha a voz vem mesmo de lá, desses tempos. O disco quase podia ter sido feito em karaoke, com ele a cantar por cima de temas dos artistas que o inspiraram (Smokey Robinson, Curtis Mayfield, Martha and the Vandellas, Spinners, Supremes, Temptations...), porque o som dos instrumentos tem essa mesma pureza, leveza na forma de bater na tarola e nos pratos da bateria, a pandeireta sempre por trás a acompanhar, os sopros, as teclas, de vez em quando uns sinos. A cadência é a mesma, a sonoridade é a mesma que se fazia nos idos anos em que as fotografias eram a preto e branco.
Depois há a voz dele, frequentemente em falsete, sempre a falar de amores e de garotas, giras ou feias, fugidias ou apaixonadas, que quebram corações ou que os deixam num banco de jardim.
Se eu mostrar isto a alguém e disser que é um tipo qualquer, que nunca foi muito conhecido e só gravou este álbum, em 1963, as pessoas acreditam. Principalmente se mostrar a alguém que já nessa altura ouvisse música.
Isto tudo para dizer que este disco, A Strange Arrangement, é em tudo, semelhante à tal soul, pura, dos anos puros. Quem diz semelhante pode mesmo dizer igual. Só que é tocada em 2009.
E eu ainda estou a descobrir se isso é bom ou é mau.
É bom, por haver um tipo que nos dias musicais que correm faz este tipo de som. Foi beber influências, e está a criar a sua cena. À primeira vista faz lembrar o que se sentiu quando apareceu a Amy Winehouse, com aquele disco Back to Black. A alma também estava lá (não por muito tempo). Mayer Hawthorne tem alma, e acima de tudo, parece-me ter boas intenções. Diz que “não quis criar um disco retro, isto é música nova para uma nova geração”, e quer que “os putos sintam que esta é a música deles e não a música dos pais”.
Mas o problema é que não há grande diferença desta música para a música dos pais dos putos. Pode falar-se em cópia. E não necessariamente “cópia” no mau sentido.
A questão que me coloco é – se não há grande diferença, então de que serve? Por que hei-de ouvir isto em vez dos clássicos dos sessentas?
Hei-de porque tem alguma qualidade, ou não fosse uma cópia de algo que é bom. Se fosse uma cópia da Tonicha, não seria bom de certeza.
E hei-de ouvir porque é feito agora, e é novo, e pode ser que me farte dentro de pouco tempo, mas ao menos por agora é fresco. E tem a vantagem de ser o primeiro disco.
O que vier a seguir, pode ser bem melhor. Também pode ser bem pior. Mas havendo a perspectiva de haver uma continuação é bom. E se isto for o princípio de uma nova era musical? Podia ser. Como os Strokes fizeram nascer, em 2001.
Mesmo que não seja, não faz mal. Ao menos deu para refrescar.
17 novembro 2009
Girls - Album (2009)
Uma pergunta que assola com certeza muita gente que gosta de música é "Como soaria uma banda dos anos 60 fazendo música nos dias de hoje?" No caso de esta ser uma questão que vos intriga, o disco que vos apresento hoje poderá ajudar a responder a esta pergunta. A meu ver é isso que fizeram os Girls, banda de San Francisco, com este "Album", recriar no século XXI a música de uns Beach Boys pré-Pet Sounds - umas guitarras suaves, uma bateria que mais parece acompanhar as batidas do coração, e uma voz melódica, carregada de emoção, mas sem a inocência da banda de Brian Wilson. É que os tempos são mesmo outros, e isso reflecte-se nesta revisitação ao passado dando-lhe um toque de actual. A meu ver este é um exercício muito interessante por parte da banda, e que merece uma audição, especialmente ao primeiro single, "Lust for Life" (muito arriscado dar este nome de uma música tão conhecida a qualquer coisa que nada tem a ver com a versão iggypopiana) e "Hellhole Ratrace".Enjoy!
16 novembro 2009
Talvez Relacionado #22
Este vem para aqui só pela paródia do momento. Como é que uma banda como os Muse ainda vão a programas que passam na Rai Due para fazerem playback é que eu gostava de saber...
Enjoy!
Enjoy!
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