22 outubro 2009

Super Bock em Stock 2009


Já há nomes e datas e locais para o nosso South By Southwest.
Esta é a segunda edição do Super Bock em Stock , festival que começou logo com uma fasquia elevada - no ano passado trouxe a Lisboa alguns nomes grandes, a organização foi boa, e deixou água na boca para próximas edições.
Hoje foram conhecidos oficialmente os primeiros nomes, e também os locais. Além do Teatro (Tivoli), Cinema ( São Jorge) e Cabaret (Maxime), este ano também vai haver festas no Restaurante Terraço do Hotel Tivoli e no Parque de estacionamento do Marquês de Pombal.
Mantém-se a proximidade entre as salas onde vão decorrer as actividades - o que antecipa duas noites bem vivas (pelo menos com pessoas a correr dum lado para o outro) na Avenida da Liberdade.
Quanto aos concertos já confirmados, destaques para Little Joy, Voxtrot, Beach House e Patrick Watson.
Os Little Joy são,para este que escreve, a surpresa mais agradável. No ano passado esteve cá Marcelo Camelo, agora vem o Rodrigo Amarante, para mostrar a vida depois dos Los Hermanos. Os Little Joy, que contam também com Fabrizzio Moretti, dos Strokes, têm um som leve e fresco, vindo do sol da Califórnia, mas com raízes muito brasileiras. A expectativa é bastante elevada para esta estreia em Portugal.
De resto, há ainda os Ebony Bones, Wave Machines, Legendary Tigerman, no cartaz do festival, que este ano, inteligentemente, decorre numa 6ª e sábado (4 e 5 de Dezembro)
Estas são as primeiras confirmações, um bom começo, mas espera-se agora que os restantes (diz-se que vai haver cerca de 30 concertos) estejam na mesma linha de qualidade ou, de preferência, acima.
No entanto, é de saudar que o Super Bock em Stock esteja de volta, e não tenha sido um one hit wonder.
Agora, é esperar - até 3 de Dezembro, queremos ser surpreendidos.

21 outubro 2009

Existe uma coisa que edita música chamada Clean Feed e por alguma razão é mais famosa no estrangeiro que o André Sardet



Clean Feed, portanto. Quis fazer um copy/paste de um about us do site ou do myspace ou do blog mas isso ocupa muita tinta e se esta coisa fosse um jornal teria que me controlar nos caracteres então digo, se quiseram vão vocês lá ver, dizia eu, não conheço assim tão bem esta empresa que de empresa tem pouco e é mais uma coisa de paixão presumo mas a verdade é que talvez conheça o suficiente para a recomendar ou publicitar.
Foi fundada em 2001, uns tipos quaisquer, até sei o nome de alguns, conheço-lhes as caras mas que interessa isso? Pedro Costa vá, é quem se destaca mais daquela gente. Dirigem também a loja Trem Azul que fica na Rua do Alecrim em Lisboa e que existe desde 2004. Organizam um já bastante conhecido e conceituado festival de jazz em Nova Iorque chamado Clean Feed Fest há já quatro anos e que este ano terá repercussões em Espanha, Holanda e Eslovénia. Todos os blogs ou reportagens portugueses quando se referem à editora dizem o seguinte: que em 2007 o mais famoso site sobre jazz All About Jazz elegeu a Clean Feed como uma das cinco melhores editoras de jazz em todo o mundo. Quer isto dizer alguma coisa, perguntam-me vós? Sim, mas não vos darei a resposta nacionalista de que todos estão à espera que seria, Quer dizer que Portugal é grande!, não, calem-se, deixem isso para o Cristiano, quer sim dizer que com pouco se pode chegar longe sem que para isso se tenha que oferecer aos consumidores aquilo que seria cliché ou esperado ou comum oferecer mas dando o melhor que se pode para que o progresso continue e há que continuar. A Clean Feed apostou e ganhou. Os seus sócios-fundadores não estarão ricos mas estarão profissionalmente satisfeitos e com perspectivas para verem o sucesso aumentar, digo eu sei lá, se calhar amanhã abrem falência. Acharam que poderiam convidar músicos internacionais a gravarem um disco em Portugal sem o advento de grandes custos para ambas as partes, esses músicos foram respondendo, Olha porque não? e foram vindo e continuam a vir, aproveitam as vinda e dão um concertozinho aqui e ali, os assíduos do ciclo Isto é Jazz? da Culturgest que o digam. Os concertos custam 5 euros e esgotam – pudera – e se muita gente sai de lá com os tímpanos a convulsarem porque não viram ou não deram importância ao ponto de interrogação do título do ciclo tomando-o como uma afirmação, outros – como eu mas vá, eu sou maluco – saem de lá em puro êxtase, dependendo de quem lá toca e naturalmente uns tocam-me mais que outros.
Mas a verdade é que normalmente os concertos organizados pelo Pedro Costa e companhia agradam-me. Eu tão-pouco sei se aquelas experiência – chamemos-lhes experiências – se podem enquadrar no termo jazz – meu deus não lhe chamemos género jazz, pois o jazz é algo tão abrangente... géneros serão o bop, o free jazz, o swing, etc, eu sei lá –, seria retrógrado limitar isto ou isto ou isto ou isto a jazz e inclusive haverá muitas pessoas que ficarão ofendidas por verem recém-blogueiros como eu a enquadrá-las sequer mas...
Nada disto interessa, que queria eu dizer?, ah já sei, queria dizer-vos que apesar de eu gostar de espalhar cultura pelas gentes não quero que vão já amanhã comprar bilhetes para este nem este concerto -- eu sei que não vão – porque a sala é pequena e esgota rápido e eu ainda não comprei o meu. Não conheço nem o duo nem o trio mas as referências apresentadas no texto aguçam-me o apetite. A verdade é que mesmo que os concertos sejam maus, qual é, cinco euros. Ao menos sei que aqueles são músicos que tentam inovar porque se a Clean Feed se caracteriza por alguma coisa que seja é por tentar – sempre – inovar. Procurar caminhos novos na cena jazzística contemporânea, inventar novos termos classificativos do estilo de som, o termo free vai deixando de chegar ou servir.
Nada de mais a declarar, não sou crítico de música não sei o que é uma escala pentatónica mas a publicidade está feita: há uma editora portuguesa entre as melhores editoras de jazz internacionais, há um grupo de tipos que gostam de música e gostam de produzir música para o bem comum e não apenas para o bem pessoal (o bem das moedinhas a cair e a fazerem tlim). Não produzem apenas free jazz, atenção não se assustem, mas também não esperem a maior parte daquela palhaçada de jazz estandardizado que vai aparecendo no hotclube e que é a mesma que aparecia há cinquenta anos atrás. Produzem sim diversas vertentes de todo o bom jazz contemporâneo que por aí há – e a verdade é que há bastante mais do que muita gente imagina. No entanto e para eu próprio enfiar a carapuça, o hotclube vai receber hoje a visita do saxofonista alto Jon Irabagon acompanhados pelo clean-feeder e contrabaixista Hernâni Faustino e o menino-baterista-prodígio da cena jazz contemporânea do momento em Portugal – digo eu - que é o Gabriel Ferrandini. Claro que poderia ter ido ver ontem o concerto com o Alexandre Frazão na bateria mas... qual é a piada?, esse já tem muitos fãs. A verdade é que prefiro ver o Ferrandini. Foi por estas e por outras que decidi deixar aqui um vídeo em que ele e o Faustino tocam com o japonês residente em Portugal – quiçá viva na cave da Trem Azul – Nobuyasu Furuya, uma interessante coligação que aliás deixou marcas num álbum adivinhem editado por quem? Adivinhem, vá!

Ps. Eu bem sei que este é um blog sobre rock, peço desculpa pela intromissão ao falar aqui de jazz contemporâneo e ainda por mais divinizando (mentira) tipos que praticam um estilo de som que para a maior parte das pessoas é apenas barulho. Mas prometo que não tenho paciência para muitos mais posts, esta coisa dos blogues cansa. No entanto se houver por aí alguma alma simpática que goste de jazz aqui vai o link para um site que descobri não há muito e que tem uma agenda bastante completa do que se vai passando por aí em termos de espectáculos em Portugal, ah e o Seixal Jazz anda aí.

17 outubro 2009

Rock e Roll em...Fila para U2

O Rock e o Roll - O Cartoon do Blog

O Rock e o Roll são dois músicos wannabes fanáticos por música.
Rock, o guitarrista e vocalista da banda, trabalha no Macdonalds de Alfragide para juntar guita para cordas e cerveja, enquanto o baterista Roll, ex-roadie dos Xutos - segundo consta, foi despedido por ter aconselhado a banda nacional "a voltar a tocar música punk" -, encontra-se desempregado.
Uma ou duas vezes por mês, estes dois Slackers, vão aparecer no blog com os seus bitaites musicais.
Como são amigos do Fred e curtem o Ico Costa - um bacano que lhes ofereceu ganza no concerto do Neil Young -, decidiram participar.

Espero que gostem deles. Se não gostarem, eles dizem que "se estão a cagar, man".

Em relação à banda, chamam-se" Gina no céu com diamantes" e são, segundo Roll e Roll, um misto de Beatles, Motorhead com valentes doses de vinho tinto e fluidos vaginais.
Já abriram para os Holocausto Canibal e contam já com mil amigos na página do my space.

15 outubro 2009

dóklisbuna

Tem piada que falei aqui no outro dia sobre o filme Gimme Shelter como exemplo de filme que já não se fazia hoje em dia e apesar de tal afirmação poder ser contrariada por qualquer um de vós visto que quem sou eu para afirmar tais coisas, aqui vai uma informação: esse tal filme que se centra à volta do festival de alta-monte cujo nome deu origem para este blog de cordel, será alvo de algumas centenas de pares de olhares e quem sabe de alguns de nós ou vós nos dias 21 e 23 de outubro no cinema São Jorge no âmbito do festival de cinema documental Doclisboa (aí está o programa), na Heart Beat que é uma "secção paralela que apresenta documentários onde a música é um elemento fundamental", palavras deles, ai de mim de proferir tal coisa.
De notar para a gentalha mais pop, dois documentários sobre a Maria Bethânia e outro sobre o Bob Dylan, Don't Look Back do bem-conhecido e bem-bom realizador de documentários musicais D. A. Pennebaker, o mesmo que fez estremecer a sala da Cinemateca há uns quatro anos com o filme sobre o festival de Monterey Pop em que após a actuação contagiante da Janis Joplin com a sua Holding Company o público à minha volta - e eu inclusive - rebentámos em palmas aliviadas ao que de seguida se fez um silêncio constrangedor em todos nos entreolhámos a indagar, A quem é que estamos a bater palmas?, à tela? ao projector? ao projeccionista? à tipa gorda que vende os bilhetes?, não interessa, soube bem.
Nota também para a retrospectiva de Jonas Mekas e da sua presença para uma masterclass, que entre muitos filmes potencialmente interessantes - só vi alguns e gostei - traz consigo na mochila uma curta intitulada Happy Birthday to John sendo que esse John é o mesmo que... aliás, nem é preciso dizer quem é, é ELE mesmo sim, e depois o mundo dantes era pequeno, diz que o Mekas era muito amigo do Andy Warhol então há vários filmecos sobre/com ele, isto falando dos objectos filmados de carácter mais pop, pois ele filmou bastante para lá dessas curiosidades.
Acontece que não tenho muito dinheiro por isso até agora ainda só comprei bilhete para um filme do Mekas sobre a rodagem de um filme do Scorsese, um filme sobre o António Lobo Antunes da Solveig Nordlund, mas a verdade é que as minhas grandes expectativas vão para os filmes já não tão recentes do Kiarostami e o do Kieslowski, mas claro, desses ninguém quer saber.

13 outubro 2009

altamont ou alta-monte, man!

Este blog existe há já algum tempo, não sei precisar, uns anos, chama-se altamont não sei ao certo porquê talvez uma ligação para aquela fastidiosa máxima que já 489574657456459 jornalistas críticos de arte opinionmakers bitaiteiros e bloggers empregaram dizendo que o rock morreu nesse dia digamos também fastidioso em que um tipo foi morto com uma facada por um digamos tipo ou digamos animal membro dos hell’s angels que por lá estava a fazer segurança ou digamos a ter uma oportunidade de espancar tipos ou digamos hippies, e quão eu gostaria de espancar hippies betos se fosse um membro dos hell’s angels mas não sou. Se foi por aí que se deu o nome ao blog, ou seja, para celebrar portanto a morte do rock, ahh... hmm... bem esqueci-me o que ia dizer, estou charrado.
Queria eu sim dizer, ah já agora para quem nunca viu veja o Gimme Shelter, um filme de uns tipos que eram irmãos e fizeram uma coisa interessante que foi lançar questões sobre toda a merda que se passou em vez de simplesmente o mostrar como normalmente se faz na maior parte dos documentários modernos como os que em breve se verão no doclisboa.
Dizia eu, estou sentado a ouvir um álbum de Blind Lemon Jefferson que coitado além de cego era gordo e a ler na internet este poema do bukowski que começa assim

I don't know how many bottles of beer
I have consumed while waiting for things
to get better


e apeteceu-me escrever um pouco também, o meu amigo fred aparece em entoação de janela e diz-me que tenho que ouvir a sua nova playlist, Man you got to. E daí visitei o blog.
Dizia eu, lembro-me de quando ele criou o blog, disse-me que tinha de contribuir com textos ou críticas – já é a segunda vez que quando vou a escrever críticas, escrevo crísticas, terceira vez, não entendo mesmo porquê – ou o-que-o-valha, e desde aí que tenciono fazê-lo. Devo dizer que já o tentei por diversas vezes. Uma vez há já muito muito tempo comecei uma crítica a um álbum de Ali Farka Touré mas encalhei porque não sabia sequer quais os instrumentos que estavam a ser utilizados para além da guitarra, depois ia escrever algo sobre essa maravilhosa banda rock japonesa do fim dos anos 60 os Happy End mas foda-se que sei eu do contexto musical/político/social da altura na puta do Japão (que nem sei onde fica) para poder falar disso, depois pensei numa espécie de reportagem ou digamos ejaculação literária ainda a quente vinda do transe do concerto alucinante que foi o de Aka Moon na Culturgest há um ano ou sei lá eu, mas depois dei-me conta de que não sabia quantas teclas tinha um saxofone ou o que é uma escala pentatónica – não que eles estivessem muito interessados nisso – ou seja, nunca consegui publicar – já se pode chamar publicar a isto? (a isto digo, num blogue – o termo já leva ue no fim?) – aqui ou em qualquer outro blogue um texto sobre música visto que de música eu não percebo nada ou pelo menos não percebo o suficiente. Oiço muita, já-ouvi-mais-já-ouvi-menos, já tentei estudar guitarra e piano e outra vez guitarra e sou um nabo, arranho uns blues na harmónica em jeito autodidáctico mas a verdade é que sou um leigo na matéria, um mero consumidor apesar de já não comprar música à excepção dos discos da editora Clean Feed porque eles mais que merecem e por falar nisso tenho que ir comprar o último álbum do meu amigo – é melhor dizer conhecido não vá ele ler isto e achar Eh-lá essas confianças – Júlio Resende (joguei umas vezes à bola com ele e ainda assim lembro-me de ter levado umas caneladas) e pronto sim sou um consumidor ao nível de concertos se bem que ando sempre à pesca do mais baratinho que há e é uma pena ter terminado o gratuito ciclo Jazz às Quintas no CCB que trouxe cá músicos como o Avram Fefer e o Daniel Levin que podem não ser bons para ti mas são bons para mim e claro continuo a falar do contributo da Clean Feed pois foram eles que estiveram por trás desta iniciativa, bem como do ciclo Isto é Jazz? na Culturgest e do Festival Jazz ao Centro em Coimbra com a tão simpática repercussão no Jazz nos Capuchos onde eu tive o tal orgasmo auricular de que um dia vos falei a ouvir o electrizante Peter Brotzmann a soprar por ali fora com a convicção com que eu sopro a minha harmónica se bem que eu não sei o que é uma escala pentatónica e o Peter sabe (presumo).
Dizia eu, estava aqui a ler uns poemas do Bukowski e a fumar um charro e inicialmente a ouvir o gordo cego mas agora a ouvir no myspace Rudresh Mahanthappa e isto porque ao na Culturgest e na Clean Feed e tal deu-me vontade de relembrar o que fosse daquele revelador concerto de dar cãibras na perna de tanto bater em que esse Rudresh se apresentou com o Steve Lehman há uns tempos que não sei precisar, estou charrado, e estava então a fazer tudo isso quando pensei AH, É DESTA que vou escrever um texto para o blog ou blogue mas mal comecei encalhei e escorreguei nas palavras técnicas como quem escorrega em, não sei o que ia dizer. De novo. Grande seca, tenho que correr, vou à cinemateca ver um filme do Carl Theodor Dreyer, não vos quero dizer o título, conclusões finais: queria portanto pedir-te desculpa fredi o’ fredi por nunca ter escrito uma crítica musical neste blog mas a verdade é que não me sinto com capacidades para tal porque não sei o que é uma escala pentatónica mas admiro bastantes esta gente que por aqui se ocupa a escrever sem o medo de estar a dizer baboseiras ou clichés que já 489574657456459 – repararam que é o mesmo número lá de cima - jornalistas críticos de arte opinionmakers bitaiteiros e bloggers disseram por tudo o que é comunicação social ou não. Seria bom ter mais crónicas ou textos soltos ou playlists ou links para o download ilegal de álbuns de música que não se encontrem em todo o lado mas pronto, há quem nunca tenha ouvido falar de Green Day e precise de um aconchego da crítica para ir a correr comprar-lhes um álbum. De qualquer forma o site está a crescer, tem público, é cada vez mais diversificado e isso apraz-me. Dito isto lá vou ter que investigar o suficiente para num próximo post ou poste divulgar a estas gentes de uma forma mais esclarecedora o que é esse fenómeno de orgulho para o povo português – ou pelo menos aquela parte do povo que é nacionalista; morram – que é a editora/distribuidora/promotora-de-concertos Clean Feed/Trem Azul, cuja fama já percorre uma carrada de países, onde inclusive já se organizam festivais de jazz com o nome próprio da editora, Ah mas... Isto é Jazz? Não sei, mas interessa-me e faz-me acreditar que ainda há quem goste de inovar neste mundo mesmo que esse alguém não tenha suficiente dinheiro para comprar um aston martin ou suficiente fama para figurar em suficientes blogues sobre música como este e outros, fim de pauta.

Moriarty - Gee Whiz But This Is A Lonesome Town (2007)

Já anteriormente aqui referidos no Altamont, Os Moriarty apresentaram-se em Lisboa, sexta feira passada, dia 9 no Instituto Franco-Português no auditório principal. Um concerto que correspondeu, e de que maneira, às expectativas criadas por este grande disco Gee Whiz But This Is A Lonesome Town. Formada por 5 elementos e liderada por uma vocalista com uma grande voz, os franceses Moriarty (embora tenham elementos dos EUA,Vietname e Suiça) trazem um som que não tem um lugar específico. Tanto podemos estar no oeste selvagem em "Jimmy" como na vaudeville em "Lovelinesse". O seu som vai beber ao folk ("Private Lilly", "Tagono-ura"), blues ("Motel"), country ("Cottonflower", "Whiteman's Ballad"), cabaret ("Animals Can't Laugh"), tendo, também, uma boa dose de excentricidade revelada ao vivo através dos seus elementos que trocam constantemente de instrumentos. Imaginem os Vay con Dios indie, mais excêntricos e com maiores influências. Apesar de ter sido editado já em 2007, ainda é o único trabalho desta banda, a qual ficamos à espera de mais. Em Lisboa e, presumo, nas outras cidades portugueses onde tocaram, também ficam à espera de mais. Dois polegares para cima.

Ringo Starr - Ringo (1973)

With a Little Help From My Friends é o cognome do terceiro disco a solo de Ringo Starr. Um disco que pôs, incrivelmente, Ringo como o Beatle com mais sucesso (comercial, entenda-se) após separação da banda em 1970. Depois de dois discos de covers que apesar de terem sido bem aceites faziam crer que Ringo seria apenas lembrado como o baterista que mantinha o compasso certo na famosa banda de Liverpool, eis que o baterista de voz estranha junta um grupo de amigos, Lennon, Harrison e Paul incluídos e grava um dos melhores discos a solo de qualquer Beatle, tirando-o da sombra dos outros três amigos.
Verdade seja dita que Ringo sozinho não conseguiria ter tido um disco tão bom, porém convém não esquecer que a sua carreira foi isso mesmo. Uma pequena ajuda dos seus amigos. O disco começa com a contribuição de Lennon, "I'm the Greatest", que relata a história de Ringo desde os seus primeiros passos em Liverpool até ser um homem realizado. Com Lennon e Harrison no mesmo barco, com Paul substituído pelo amigo de longa data, Klaus Voorman, a nostalgia pairou no ar. Típica música Lennon pós Beatles, soa ainda melhor cantada por ele próprio na Lennon Anthology. "Have You Seen My Baby? (Hold On)" de Randy Newman com a ajuda de Marc Bolan é uma música boogie bastante aprazível. Seguem-se "Photograph" e "Sunshine Life for Me (Sail Away Raymond)" ambas escritas por Harrison, sendo que a primeira também tem a mão de Ringo. A última tem um clima que Harrison sabia muito bem criar, uma espécie de Country-Rock pastoral. No entanto, o single saído desde disco que mais sucesso teve foi a cover, quase pedófila nos dias de hoje, de Richard Sherman, "You're Sixteen ( You're Beautiful and You're Mine)". "Oh My My", "Step Lightly" e "Devil Woman", composições de Ringo, são suficientemente fortes para entrar em luta com as restantes, sobretudo a última. A habitual balada pop de Paul chega finalmente em "Six O'Clock". O disco faz as despedidas, literalmente, com a última das ajudas de Harrison em "You and Me (Babe). Conseguindo-se detectar um grande ambiente na gravação do álbum, nunca mais Ringo conseguiria atingir um nível tão bom de músicas como neste disco. (A reedição em CD em 1992 continha mais 3 músicas single, sendo de destacar "It Don't Come Easy, em parceria com George Harrison.)