12 outubro 2009
A Hora do Bolo@Rádio Radar by Frederico Batista
Chef: Frederico Batista, 29 anos, Lisboa
Ingredientes:
Johnny Cash - "Folsom Prison Blues"
Bob Dylan - "Love Minus Zero / No Limit"
The Byrds - "Jesus Is Just Alright"
The Velvet Underground - "That's The Story Of My Life"
George Harrison - "My Sweet Lord"
The Kinks - "Victoria"
Rolling Stones - "Rocks Off"
Aphrodite's Child - "The Four Horsemen"
Pink Floyd - "Binding My Time"
Creedence Clearwater Revival - "I Heard It Through The Grapevine"
The Doors - "The WASP"
The Beatles - "I Want You"
10 outubro 2009
Declaração contra a esponjosa cultura pop
A pluridade de opiniões pode ser, por vezes, uma coisa boa. E os blogs exploram precisamente isso: as vozes anónimas subitamente fazem-se ouvir. As vozes daqueles que não são jornalistas nem especialistas da arte de opinar emergiram e isso de certa forma até me parece que terá moldado a própria voz dos tradicionais media. O Altamont é um espaço nesse aspecto saudável: todos falamos, dizemos o que queremos, partilhamos músicas, descobertas, emoções (se quiserem a lamechice da palavra). Como aqui tenho dito, de maneira geral esta partilha aleatória não me interessa muito, mas não deixo de a considerar engraçada.
Quando eu próprio sugiro que os Beatles foram uma arma poderosíssima utilizada pela máquina do capitalismo, explico-o, e não sou contestado com argumentos racionais mas sim com escárnio. Ou quando suspiro que os Led Zeppelin em nada me influenciaram em termos musicais, recebo pedradas ou risos paternalistas. Isto revela que não existe margem de manobra para um pensamento diferente, para um momento sequer de hesitação e reflexão.
Por outro lado, assisto a uma certa passividade perante opiniões muito mais exdrúxulas. Vejamos, este texto não teve nenhum comentário. Elogia-se aqui que um álbum copy/paste de Tom Waits, testemunha da degradação moral dum ex-punker que agora faz anúncios a uma companhia de seguros que, por cúmulo, exclui músicos da possibilidade de serem seus clientes. Um álbum sem ponta por onde se lhe pegue, que apesar de ter o direito de existir (o Iggy diz que lhe deu prazer fazer estas canções) é irrelevante para a história da música pop. Outro exemplo surge com o lamento do Mark Knopfler estar a fazer música soturna e, por isso, chata. A relação causa/efeito é inexplicada. Faz algum sentido em dedicar um post a um tipo que não faz nada de interessante desde o início da década de noventa quando existem tanta música a despontar um pouco por todo o lado?
Mas o incompreensível chega apenas com a análise ao disco dos Air. Mais um cascanço em tudo aquilo que não é igual ao passado. Percebe-se que para muita gente voltar a ver o Knopfler a tocar Dire Straits é ejaculação garantida, mas há limites para essa característica tão portuguesa que é a Nostalgia.
Há depois uma classificação da importância do que se faz com base no sucesso comercial. Como se a gente gostasse de Celine Dion.
Acusa-se o album de Air de ser pretensioso. Parece-me que não há um domínio do conceito de pretensiosimo: se há coisa que os Air não têm é isso - as suas composições são estruturalmente do mais simples que consigo imaginar e mantêm-se fiéis ao seu conceito inicial, como quem assume que não sabe nem quer saber mais do que aquilo. Air para mim tem algo de inocência, qualquer coisa como um cristal pop usado para diluir a espessura do ar numa noite abafada de verão. É música feita com leviendade, até, sem se pensar muito na coisa - não tem nada de intelectual ou que suscite exercícios de metafísica - nada mais do que um som assumidamente superficial, um fenómeno de luz, uma caipirinha francesa.
Depois refere-se à presença de músicas irritantemente instrumentais como se os Air tivessem outro tipo de músicas (ou quase como se as ditas musicas experimentais fossem per se más). Quando se ouve vocals nas músicas de Air, estas não diferem de um outro instrumento qualquer, como um xilofone ou flauta sintetizadas. Sexy Boy é um refrão absurdo, que poderia ser substituído pelo som duma gaita de beiços, por exemplo, ao passo que All I Need é uma anormalidade no percurso deles.
A natureza naif dos Air é aquilo que me atrai neles (e ao mesmo tempo o que me aborrece às vezes). E gostos não se discutem, mas referir-se o pretensiosimo de musicas instrumentais quando ao mesmo tempo se sugeres que tenta atingir a cançoneta de sucesso comercial do passado, é incongruente.
Parece-me que a maior parte do que o André escreve aqui é como tentar um cum shot facial e acertar no candeeiro, o que já aconteceu a todos.
Em suma, este é um post contra a apatia. Contra a perda de tempo em cantores/bandas do passado que nunca conseguiram enveredar por um caminho original e interessante. Contra a cultura Pop. Contra a nostalgia. E a favor da seriedade musical.
Quando eu próprio sugiro que os Beatles foram uma arma poderosíssima utilizada pela máquina do capitalismo, explico-o, e não sou contestado com argumentos racionais mas sim com escárnio. Ou quando suspiro que os Led Zeppelin em nada me influenciaram em termos musicais, recebo pedradas ou risos paternalistas. Isto revela que não existe margem de manobra para um pensamento diferente, para um momento sequer de hesitação e reflexão.
Por outro lado, assisto a uma certa passividade perante opiniões muito mais exdrúxulas. Vejamos, este texto não teve nenhum comentário. Elogia-se aqui que um álbum copy/paste de Tom Waits, testemunha da degradação moral dum ex-punker que agora faz anúncios a uma companhia de seguros que, por cúmulo, exclui músicos da possibilidade de serem seus clientes. Um álbum sem ponta por onde se lhe pegue, que apesar de ter o direito de existir (o Iggy diz que lhe deu prazer fazer estas canções) é irrelevante para a história da música pop. Outro exemplo surge com o lamento do Mark Knopfler estar a fazer música soturna e, por isso, chata. A relação causa/efeito é inexplicada. Faz algum sentido em dedicar um post a um tipo que não faz nada de interessante desde o início da década de noventa quando existem tanta música a despontar um pouco por todo o lado?
Mas o incompreensível chega apenas com a análise ao disco dos Air. Mais um cascanço em tudo aquilo que não é igual ao passado. Percebe-se que para muita gente voltar a ver o Knopfler a tocar Dire Straits é ejaculação garantida, mas há limites para essa característica tão portuguesa que é a Nostalgia.
Há depois uma classificação da importância do que se faz com base no sucesso comercial. Como se a gente gostasse de Celine Dion.
Acusa-se o album de Air de ser pretensioso. Parece-me que não há um domínio do conceito de pretensiosimo: se há coisa que os Air não têm é isso - as suas composições são estruturalmente do mais simples que consigo imaginar e mantêm-se fiéis ao seu conceito inicial, como quem assume que não sabe nem quer saber mais do que aquilo. Air para mim tem algo de inocência, qualquer coisa como um cristal pop usado para diluir a espessura do ar numa noite abafada de verão. É música feita com leviendade, até, sem se pensar muito na coisa - não tem nada de intelectual ou que suscite exercícios de metafísica - nada mais do que um som assumidamente superficial, um fenómeno de luz, uma caipirinha francesa.
Depois refere-se à presença de músicas irritantemente instrumentais como se os Air tivessem outro tipo de músicas (ou quase como se as ditas musicas experimentais fossem per se más). Quando se ouve vocals nas músicas de Air, estas não diferem de um outro instrumento qualquer, como um xilofone ou flauta sintetizadas. Sexy Boy é um refrão absurdo, que poderia ser substituído pelo som duma gaita de beiços, por exemplo, ao passo que All I Need é uma anormalidade no percurso deles.
A natureza naif dos Air é aquilo que me atrai neles (e ao mesmo tempo o que me aborrece às vezes). E gostos não se discutem, mas referir-se o pretensiosimo de musicas instrumentais quando ao mesmo tempo se sugeres que tenta atingir a cançoneta de sucesso comercial do passado, é incongruente.
Parece-me que a maior parte do que o André escreve aqui é como tentar um cum shot facial e acertar no candeeiro, o que já aconteceu a todos.
Em suma, este é um post contra a apatia. Contra a perda de tempo em cantores/bandas do passado que nunca conseguiram enveredar por um caminho original e interessante. Contra a cultura Pop. Contra a nostalgia. E a favor da seriedade musical.
09 outubro 2009
I want you so bad it's driving me mad
Há um tempo já que não escrevo neste placard, por me achar um erro de casting: as minhas opiniões não são nunca partilhadas por ninguém e as sugestões musicais ignoradas, tal como o vento ignora farinha de padeiro.
Por outro lado, a maioria das analises que aqui leio são superficiais e contém um entusiasmo desajustado ao tipo de musica que se ouve - medíocre, no geral - e como tal surge uma certa certa noção de absurdo.
Mas como me encontro neste momento de forceps na mão à espera do senhor Wilkins, que desconfio que terá fingido uma diarreia para se refugiar nos lavabos, decidi, por tédio, partilhar mais um suspiro com os leitores.
Surgiu-mo após audição do agradável conjunto de canções com que o Frederico Batista cozinhou o pão-de-ló da hora-do-bolo na Radio Radar.
E' evidente que a audição da mescla foi influenciada pelo facto de momentos antes me ter entrado nos tímpanos o quarto andamento do Zaratustra do Mahler, mas mesmo assim consegui apreciar uma musica chamada Biding My Time dos Pink Floyd. Trata-se de uma faixa de estrutura ingénua, simples, bluesy, mas que funciona muito bem e, apesar de previsível, me traz uma certa noção de harmonia, equilíbrio. Dá para sentir que aquela rapaziada fazia algo de importante. Logo a seguir surge-nos Doors com Wasp e Beatles com o fabuloso I want you, em que toda a irreverência discreta de George Harrison se faz ouvir como um sopro no coração.
Logo a seguir surge uma música totalmente diferente, que por ignorância do pop/rock actual não soube identificar com precisão, mas diria ser Franz Ferdinand ou algo do género.
Percebe-se o que é que o nosso Frederico queria fazer: juntar musicas velhinhas com umas mais recentes, criando um bolo de consistência coesa, tentando apontar que aqui e ali se continua a fazer pop/rock como antigamente e que tudo é uma questão de estarmos atentos.
Mas se uma trinca na primeira fatia resulta em jubilo calmo das papilas gustativas, logo a seguir surge uma espécie de amêndoa azeda que nos faz indagar: mas afinal que raio de bolo vem a ser este, caralho?
Gosto do Frederico como de um irmão coxo, como ele sabe, e prezo a sua busca por musicas que sejam importantes, significativas. Mas, meus amigos, o Pop/Rock esta' morto e ja era tempo de assumirem isso. E' um género limitadíssimo e não há mais pontas por onde pegar. Ouvir Doors, Beatles e Pink Floyd diz-nos isso mesmo: o melhor já esta feito. Não vale a pena insistir.
E não: Franz Ferdinand nao vale mais que Britney Spears.
Álbuns da Década: #9
Smile podia ter sido um dos álbuns da década de 60, dado ter sido o projecto dos Beach Boys, pós Pet Sounds, a que Brian Wilson, em colaboração com o letrista Van Dyke Parks, dedicou-se de corpo e alma, no entanto, devido ao deterioramento da sua condição psicológica e contínua falta de paciência dos restantes elementos da banda, o disco nunca foi completado, acabando por ser desmantelado em músicas a vulso em álbuns posteriores. Pode dizer-se que foi a partir deste disco que Brian Wilson partiu para um sítio muito longe psicologicamente. O mau abuso de substâncias psicadélicas aliadas a um já estado frágil da sua mente ajudaram ao isolamento do líder dos Beach Boys em relação ao mundo e à sua banda em particular. A banda começara a contratar músicos para tocar em digressões enquanto Brian Wilson ficava por casa a tentar compôr novas músicas mas já sem a veia criativa de há alguns tempos. Essa tinha ficado quase irremediavelmente perdida algures nas gravações de Smile. Ao longo de quase 40 anos a lenda foi sendo criada relativamente a este disco perdido. Para muitos era o Holy Grail da música ou a fonte da juventude, impossíveis de encontrar. No entanto, para alguns, o disco estava disponível em versão "bootleg" apesar da sua falta de qualidade audio e de rigor como álbum. Muitas era músicas "demo" partidas aqui e ali mas suficiente para o fã mais ávido do santo graal. Dado como amaldiçoado durante as suas gravações por ter praticamente provocado um incêndio no prédio ao lado durante a música "Mrs. O'leary's Cow", foi, para surpresa geral, que o próprio Brian Wilson anunciou estar a re-gravar o disco todo. Para ainda maior surpresa o disco é realmente muito bom, conciso e recaptura toda a essência das gravações amaldiçoadas dos anos 60. E mais, traz Brian Wilson de volta ao mundo dos vivos, com uma alegria que não era notada há anos e anos. Como uma redenção à música, Wilson traz de volta o pop psicadélico criado em Pet Sounds, dando uma história e estrutura que só uma cabeça como Wilson o poderia fazer. Smile vale pelo seu conjunto todo, não se pode identificar esta ou aquela. Apenas "Good Vibrations", aqui com a letra original, tem cariz de "single". O santo graal foi encontrado e tem que ser bebido do início ao fim...
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Brian Wilson
Talvez Relacionado #19
Bom som esta "All is Love", preparada por Karen O dos Yeah Yeah Yeahs para a banda sonora de "Where the Wild Things Are". Ela é uma das responsáveis pela banda sonora do filme de Spike Jonze que estará para aí a chegar a qualquer momento. Relembro que a banda sonora inclui, por exemplo, Arcade Fire. Promete. Filme e banda sonora.
Enjoy!
Enjoy!
07 outubro 2009
Eels - Hombre Lobo (2009)
Esta banda de rock americano gira em torno de Mark Everett, “Mr E”. Desde 1995 tem colaborado com diferentes músicos que dão identidade aos EELS. Após singles de sucesso como “Novocaine for the Soul”, “Your Lucky Day in Hell”, “Souljacker part I” e “Hey Man (Now You´re Really Living)”, lançaram um novo álbum em Junho deste ano. Este projecto começou a ser trabalhado em 2001, girando à volta da barba do líder da banda e da música “Dog Faced Boy”. Até 2009 “Mr E” deixou crescer a barba (ao estilo ZZ Top) e resolveu dedicar um álbum ao seu Alter Ego “Dog Faced Boy”, com o nome “Hombre Lobo”. Durante as faixas “Hombre Lobo” vai contando a sua missão em encontrar a sua cara metade, apesar de todas as dificuldades que vai encontrando pelo caminho. Antes de ouvirmos qualquer disco ou concerto de EELS, nunca sabemos o que vamos encontrar. Tanto podemos ter umas horas de baladas, como de rock puro e duro. Este album tem faixas muito próximas de “Your Lucky Day in Hell”, bem como outras que se assemelham a “Souljacker part I”. O disco recebe nota suficiente dos fãs de Eels, mas muito dificilmente conseguirá cativar novos adeptos. Sinal mais para as faixas, “That Look You Give That Guy”, “All the Beautifull Things” e “Fresh Blood”.Fica o último e excelente vídeo da banda, bem como a questão: Quanto tempo é que a barba vai durar?
Para mais informações sobre a barba de E visitar o seguinte link.
Hora do Bolo
Sábado e Domingo, dia 10 e 11 às 17h, Hora do Bolo ALTAMONT na Rádio Radar 97.8
06 outubro 2009
The Stone Roses - The Stone Roses (1989)
Se há coisa que os ingleses adoram é eleger o "the next big thing". Uma coisa que não se vê tanto com a imprensa americana. Tanto seja a nível de música, como cinema ou desporto. Há algo de intrínseco e enraizado na cultura inglesa ou britânica que faz disparar todas as "luzinhas" da imprensa, tabloíde ou séria, ou da opinião pública. A necessidade de alguém em quem se agarrar, seja por um mês ou uma década ou mais. Viu-se com os Beatles, Rolling Stones, Sex Pistols, Smiths, Stone Roses, Oasis ou Arctic Monkeys. Viu-se com Sean Connery, Pierce Brosnan ou Clive Owen. Jogadores de futebol são tantos que ser-me-ia impossível mencionar todos. No entanto, apesar de aqui e ali serem mais hypes que realmente qualidade, é de louvar a qualidade que a maior parte destes "the next big thing" realmente tinham ou têm. Os Stone Roses são um exemplo disso. A sua estreia há vinte anos com o seu disco homónimo é das melhores coisas que surgiram da famosa era da "Madchester". Misturando o Rock bóemio com drogas alucinogénicas típicas da cena rave que se assistia na década em Inglaterra, sobretudo em Manchester, os Roses fizeram uma geração e deram frutos para que eclodissem milhares de novas bandas, entre as quais os Oasis, sempre mal comparados aos Beatles. Ian Brown, vocalista da banda cantava de uma moda despreocupada, quase que levitando, algo a que sempre ambicionou Liam Gallagher. O som dos Stone Roses é de facto bastante aprazível e fácil de entrar. O pop dos sixties veio para os anos oitenta e ficou mais dançável. "She Bangs the Drums" e "Waterfall" são duas faixas que traduzem bem este conceito apenas contrariado pela estranha "Elizabeth My Dear". "I Wanna Be Adored" e "Made of Stone" continuarão a ser hinos em qualquer parte do mundo. Apesar de terem apenas editado mais um disco e de menor qualidade, os Stone Roses permanecem como uma das bandas de maior culto.
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