14 junho 2009

Filthy Dukes - Nonsense in The Dark (2009)

"Nonsense in the dark", do trio britânico Filthy Dukes, é o meu disco preferido dos últimos tempos. O primeiro álbum da banda mistura vários tipos de música, do house ao funk, passando pelo acid, rock e punk. Antes eram só dois e ficaram conhecidos por fazer remisturas fabulosas para bandas como The Rakes, Hot Chip, Mylo, Late of The Pier ou LCD Soundsystem. Mas agora ganharam vida própria. E com todo o mérito. Os Filthy Dukes ainda não têm data marcada para Portugal, mas de certeza que estará para breve. Se não conhecerem, ouçam o disco, que vale mesmo a pena!

05 junho 2009

a propósito dos AC DC em Alvalade

Lembro-me da primeira vez que fui a um concerto de Rock com triste nitidez. Havia a preocupação do blusão de ganga e da aparência geral de libertinagem (fui com o meu pai e algumas pessoas do trabalho dele, funcionárias de uma empresa de contabilidade em cujos escritórios se fumavam até as beatas esquecidas dos colegas o que impregnava as paredes de um cheiro a papel fumo unhas e tupper-wares perdidos): lenço na cabeça, mochila bem recheada para o que desse e viesse (no seu interior encontrar-se-iam uma sandes de fiambre e a camisa que fora usada nesse dia), t-shirt da banda e um mascar de pastilha elástica desafiante como quem diz, Agora é tempo de curtir; de abanar o capacete.
Não entendi imediatamente a causa de tamanha transformação nos que me rodeavam, mas achei interessante e tentei juntar-me à causa. Era o momento em que todas aquelas pessoas que com o tempo se haviam tornado chatíssimas mostravam que eram muito mais do que parecem no dia-a-dia e que na verdade não seria excessivo considerá-las grandes malucas, no sentido não-patológico do termo. Uma ilusão de libertação.
Do topo do Estádio de Alvalade via-se a morna sossegada noite lá fora e uma multidão cá dentro. Uma multidão de priveligiados, de grandes malucos que deviam ter mais juízo visto que amanhã era dia de trabalho mas ao invés estavam ali, a testemunhar um evento raro e certamente enriquecedor. A Cátia vestia uma t-shirt de alças branca com a cara do Mark Knopfler estampada, esbracejava lentamente, o que nos expunha uma soberba axila, vincada de suor e peles, o cigarro numa das mãos, a sweat-shirt à cintura, com os olhos fechados baloiçava a gordura abdominal a um ritmo inventado por si mas que estava convencida ser ao da Sultans of Swing, o que lhe ia na cabeça naquele momento? Era a pergunta que me fazia a mim mesmo, enquanto adormecia desconfortavelmente.

Hoje em dia sinto saber a resposta.

Estes concertos fantasma de bandas nostálgicas exploram de uma maneira obscena o vazio das vidas das pessoas, no meu entender. São a banha da cobra e a demonstração da pobreza cultural e social na qual a população está mergulhada.

Talvez Relacionado #6

Esta música é engraçada. Acho que é o adjectivo que melhor a define. Cai bem no ouvido. E com certeza passará ao esquecimento depressa. Mas enquadra-se bem no momento. E experimentá-la não custa nada. Telekinesis, com "Tokyo".



Enjoy!

30 maio 2009

Butthole Surfers - The Locust Abortion Technician (1987)

“I would kill only after violating the little children's sphincters”

Os Aerosmith, grupo de vanguarda do Rock Progressivo dos anos 60, não seriam para aqui chamados se não fosse o facto de em 1970, um jovem estudante de Biomimética ter tentado convencer o problemático (“Atum Saldanha”) Andreas Fincter de que ele era a voz certa para a banda, após a saída de Rudy Von para os RRRE.
Fincter recusou os serviços do espirituoso Magnus Vass assim como o de outro jovem músico chamado Bartholomeus Kan Smith (mais tarde conhecido como Mariah Carey).
Só Deus sabe o que teria sido dos destinos da banda, se os dois tivessem ingressado nas fileiras. Contudo a audição para os The Byrds não foi em vão. O letrista e produtor da banda, Peter Threesum, tomou nota do talento de Fincter e quando surgiu a oportunidade de assinar uma banda para a recém formada “X.U. Records”, os Butthole Surfers (nome inspirado numa marca de carne que proliferava pela França) pareciam a banda ideal.
Ninguém soava como eles e ninguém se parecia com eles. A banda era constituída por: Gibby na voz; o talentoso guitarrista Phil Manzenera; o virtuoso baterista Teresa e o tenista Brian Feno. Quanto á questão do contabilista, o lugar foi ocupado por uma dezena de cavalheiros ao longo da carreira, sem fazerem “oficialmente” parte da banda (como foi o caso de John Wayne, mas que depois morreu, gerando uma grande confusão com o cunhado de John Cena, que mais tarde seria o baixista dos...dos King Crimson! Nem mais.)
Quanto ao som dos Butthole era uma amálgama de sons que iam desde o buzz do despertador de Teresa, ao correr da água nos esgotos da cidade de Flaubert, até ao Rock Progressivo dos Bon Jovi.
Foi o próprio Fincter que produziu este disco de estreia, que em 1989 fez furor, muito também graças ao (hit) single de estreia: “USSA”. Uma das melhores músicas dos anos 80 e que sintetizava tudo aquilo que havia de bom na música dos Butthole Surfers.
Mas foquemo-nos no álbum, cujo título me interessa do ponto de vita antropológico: The Locust Abortion Technician. Contêm onze músicas, todas assinadas por Ruth Vanda, mas que soam como um esforço colectivo de uma banda a fervilhar de ideias sobre “o futuro da pedofilia”.
De destacar logo a música de abertura – “Sweat Loaf” – um exercício de virtuosismo em que se discute a possibilidade de se amar sexualmente uma ave. Se escutarem bem há bocadinhos fragmentados de Beatles (“Day Tripper”); Henry Mancini (“Peter Gunn”) e até mesmo da célebre “Cavalgada das Valquírias” de Ozzy Osbourne.
Este fantástico album introduz-nos a pergunta: todos os padres são reais? “Graveyard” (título que nos empurra para o nosso destino final), onde a pedido do compositor, Gibby e Teresa criam um “minuete de chantilly” muito avant-garde para época e que hoje ainda soa a “nata”.
A par disso, a música dos Butthole Surfers tem um caracter morfológico. Muito presente em temas como “Human Canonball” (“To Humphrey Bogart” leia-se); “The O Man” (inspirado na anca da estátua de David”) e “22 going on 23” que vai buscar referências também aos joelhos de Elvis Presley.
Aos ouvidos de hoje, “The Locust Abortion Technician” pode não ecoar a “sopinha”, mas cheira a “Vinho do Porto”, ou seja, docinho.

28 maio 2009

Discussão: Ainda sobre o indie

Duas referências da cena Indie, Vicent Gallo e Kim Gordon dos Sonic Youth, a promoverem uma das maiores marcas americanas de roupa.

1- Concordo. Têm contas para pagar.

2- Não concordo. São duas rameiras.



ipod? - mais uma boa discussão

Qual o gadget reprodutor de música que preferem: iPod ou Walkman?

27 maio 2009

Talvez Relacionado #6

Uma banda a descobrir melhor - Les Savy Fav, no vídeo abaixo com "Raging in The Plague Age" ao vivo no Pitchfork Festival do ano passado. Um bom som, uma performance com energia, lama, um fato bem justinho, e está feita a festa.

Se deixarem a coisa correr, conseguem ver o concerto na sua totalidade.

Enjoy!