19 dezembro 2008

Little Joy - Little Joy (2008)

A história dos Little Joy é bastante simples. Lisboa, Julho de 2006, durante o festival Lisboa Soundz, à beira Tejo, no qual a banda carioca Los Hermanos e a norte-americana, Strokes faziam parte do alinhamento, dois dos membros das respectivas bandas, Rodrigo Amarante por parte dos brasileiros e Fabrizzio Moretti, também ele nascido no Brasil, mas radicado muito cedo nos Estados Unidos, começaram uma amizade que viria a dar frutos dois anos mais tarde. Com o hiato das duas respectivas bandas, os membros destas, para não estarem parados, começaram a participar em outros projectos. Marcelo Camelo dos Los Hermanos, lançou um disco a solo, "Sou", recentemente, o qual teve muita aceitação perante o público português durante o festival Super Bock em Stock no início do mês de Dezembro, em Lisboa. Rodrigo Amarante, mudado para Los Angeles, já tinha participado numa música do mais recente disco de Devendra Banhart, "Smokey Rolls Down Thunder Canyon", intitulada "Rosa". Nos Strokes, também o guitarrista Albert Hammond, Jr. seguiu as pisadas de seu pai, lançado já dois álbuns a solo, "Yours to Keep" e "Como te Llama?". Em solo norte-americano o duo brasileiro Amarante-Moretti juntou-se a Binki Shapiro, uma cantora de L.A. e namorada de Moretti. O trio tomou o nome para a banda de uma bebida de um bar perto da casa de Amarante, na mítica zona de Echo Park e começaram a compôr músicas despreocupas e sem grande pretensão. O resultado é uma mistura entre Los Hermanos e Strokes com adição do sol da California. Músicas simples e com estrutura básica como Next Time Around e Brand New Start, transmitem-nos uma sensação de bem estar e relaxamento óptima para contrabalançar os dias de Inverno rigoroso que por aí andam.

26 novembro 2008

I'm From Barcelona - Who Killed Harry Houdini?

Cha la la - A Festa Continua

Este ano de 2008 traz-nos o regresso dos I’m From Barcelona, que depois da apresentação surgem agora com Who Killed Harry Houdini?.
Desta vez, o mentor Emanuel Lundgren tenta encontrar a resposta a esta pergunta, nas (10) canções que compõem o álbum.

O segundo disco da “família feliz” dá continuidade à festa, que norteia o som deste projecto.
Uma banda com cerca de 30 elementos quer, pois, festança, animação, celebração.
Assim, tal como no primeiro álbum, este segundo mantém a essência festiva. Embora nalguns momentos seja mais calmo (quiçá introspectivo), o sentimento continua a ser o mesmo. O cha la la continua a ser o traço dominante, com temas curtos, melodiosos e bem dispostos.
Ao segundo álbum, as expectativas são sempre elevadas e os I’m From Barcelona saíram-se bem, com um registo que, pelo menos, é coerente.

Esta banda faz música de forma despreocupada, para divertir mais do que para reflectir. Não pretendem mudar o mundo, nem acabar coma pobreza, nem falar sobre temas estruturais da sociedade nem revolucionar a música.
Querem apenas entreter. Este som que vem da Suécia é feito por gente feliz, e que está a desfrutar da vida. E quer fazer-nos desfrutar também.
Por isso, com melodias simples, sentam-nos numa cadeira, e contam uma história, dividida em 10 capítulos, sobre a vida de todos os dias.

Em Who Killed Harry Houdini? a temática sobre a qual nos falam mantém os mesmos níveis - depois escrever sobre o drama de não ouvir o despertador ou sobre a varicela, agora cantam sobre aviões de papel.
E o produto que resulta de toda esta atitude é uma música simples, até superficial, mas que, sem querer ser a cura para todo o mal, cumpre plenamente o objectivo de divertir.
Ainda bem que existem bandas como os I’m From Barcelona, que cantam a sustentável leveza do ser.

22 novembro 2008

DiG!

Este documentário já foi referido até pelo Zé Pedro naquele programa radiofónico de Rock n Roll (que, a propósito, foi plagiado de um outro - juro-vos - chamado Joãozinho rockandroll produzido pela Associação Estudantil da CERCIS do Ribatejo, eu sei disso pois tenho lá amigos) mas poucos o viram.
Trata-se da busca das origens da banda THE DANDY WARHOLS, terrivelmente famosos depois de terem vendido o single bohemian like you a uma empresa de telecomunicações. A autora rapidamente se apercebeu ser impossível de traçar o seu percurso sem mencionar uma outra banda, que, além de os influenciar e contagiar, os abraçou como irmão mais velho - THE BRIAN JONESTOWN MASSACRE, e que acaba por ser a banda a que maior atenção é despendida (sem dúvida por ser a mais interessante)
E é isso que vemos nesse documentário nos primeiros minutos: a relação da banda maior do excêntrico do Anton Newcomb com o juvenil Courtney Taylor-Taylor, dos Dandy e a sua evolução em paralelo.
Por um lado temos os BJM guiados por um génio musical, Newcomb, inacreditavelmente prolífico, que acaba por ser ele tudo o que os BJM têm para oferecer ao mundo, mas com curiosas incapacidades de se relacionar com o mesmo, arruinando todos os concertos e contratos musicais com pontapés e insultos infantis. Por outro, temos os DW, nerds racionais e equilibrados que conseguem conquistar sucesso (especialmente na Europa) e fazem de qualquer empresário musical um homem descansado.
No final, a autora do documentário galardoado em Sundance, eventualmente farta do tempero do Anton Newcomb, acaba por insinuar que de pouco serve ser-se genial se não se consegue dar um concerto sem ao fim de três músicas mandar uma cuspidela no baixista, e que os Dandy Warhols são um exemplo de uma banda rock a seguir, um misto de empresários, donos-de-casa e de músicos com algum talento.

a ser continuado

19 novembro 2008

Glasvegas - Glasvegas (2008)

Phil Spector está de volta... Desta vez não pelos maus motivos, aliás, está de volta mas não por feito próprio. O aclamado e, também, controverso produtor, responsável por inúmeros êxitos da história da pop/rock mundial como "Be my baby", "You've lost that loving feeling", isto, para além da produção do álbum Let It Be, está de volta, mas desta vez apenas como influência visível de uma nova banda. Glasvegas de seu nome, junção de Glasgow, cidade natal da banda e Las Vegas. O disco, também chamado de Glasvegas, transporta-nos ao "wall of sound" concebido por Spector. Mistura compacta de instrumentos e coros fazendo a música ganhar corpo e adquirir um toque mágico, no qual Spector era magistral. Obviamente não só do conhecido produtor os Glasvegas vão buscar influências. Jesus and Mary Chain e Smiths também estão claramente presentes no som da banda escocesa. Toda esta mistura junta com a veia escocesa muito particular da banda, resulta num som claramente muito particular e que há algum tempo se sentia falta.

29 outubro 2008

Lynyrd Skynyrd - Pronounced Leh-Nerd Skin-Nerd (1973)

Oriundos de Jacksonville, Florida, e ostentando por toda a parte a bandeira sulista, os Lynyrd Skynyrd são uma das bandas mais importantes do rock sulista, em particular e da música americana em geral. Ao contrário dos Allman Brothers que tendiam em improvisar nas suas músicas, estendendo-as por vários minutos, os Lynyrd eram muito mais focados no seu tipo de música blues,rock e country. Pronounced Leh-Nerd Skin-Nerd, primeiro disco da banda original até à morte de vários elementos, incluindo o guitarista e vocalista Ronnie Van Zant, de acidente de avião, em 1977. Composto por apenas 8 músicas, destacam-se a mítica Free Bird, com o seu longo solo de várias guitarras e as baladas Tuesday's Gone e Simple Man.
Um disco essencial ao lado do seu seguidor Second Helping, que contém a lendária Sweet Home Alabama.

25 outubro 2008

os Los Hermanos... tugas?

Foi com incomparáveis sentido de humor e poder de observação que Eça de Queirós retratou um dia certos portugueses: balofos de mediocridade, afastam-se da sua naturalidade para abraçar cegamente costumes e modas estrangeiras.
Pensei nisto ao ouvir na rádio uma cançoneta-imitação duma banda-myspace portuguesa. Segui-a até ao fim curioso de saber quem seriam esses tailandeses vendedores de malas Gucci em coloridas feiras de toldos de plástico merecedores da atenção dos tipos da Radar. Felizmente para a minha natureza mórbida, após a canção veio uma curta entrevista em que lhes perguntaram
por que é que vocês escolheram esse nome?
ao que um deles respondeu
não sei, queríamos um nome que fosse assim tipo chamativo e que ficasse no ouvido
portanto, conceptuais não são, concluí e tive pena de ninguém lhes ter informado que geralmente os pontos negros ficam no nariz e não no ouvido. No entanto, esta rapaziada tem mérito na escolha do nome: é que, tal como acontece com a ocorrência epidérmica, espremer a sua música resulta numa espécie de merda sebácea.

23 outubro 2008

The Beatles=NSync?

Existe uma tendência em associar o Rock n Roll a um certo grau de marginalidade: o sair da norma terá sido, na opinião de muitos, a própria génese deste género. Um exemplo genial desta relação está patente no filme Back to the Future em que a aborrecida música de salão é substituída pela energia tão vibrante e inesperada quanto irreverente saída da guitarra do Michael J Fox.
Tendo sido os The Beatles e os Rolling Stones a transportar este género para os ouvidos de todo o mundo, será razoável considerá-los a voz de uma juventude que saiu à rua decidida a quebrar as regras impostas pela sociedade, louvando a marginalidade e a procura pela liberdade intelectual, tendo como resultado o período mais fértil e criativo da história da música e arte em geral?

Nem por sombras.

O que os Beatles e os Stones acabaram por fazer foi precisamente o contrário: constituir um importante pilar do capitalismo.
Se por um lado observamos a ausência de mensagem, quer política quer filosófica, gritante especilmente nos primeiros anos, por outro o fenómeno de arrastamento de multidões criado só tem par visual na deslocação migratória de búfalos nas áridas planícies africanas ou nas idas dominicais ao Ikea em época natalícia. Afinal de contas, não se encontram grandes divergências entre as expressões das tontas criaturas que assistiam aos concertos de estádio de futebol e as dos dementes peregrinos que pulavam diante das câmeras de televisão para verem de mais de perto a inauguração da nova igreja em Fátima.
Não será portanto descabido para ninguém a comparação entre a adoração da juventude de 60 por estas duas bandas com a génese das boybands dos anos 90, de natureza predominantemente corporativa e capitalista; a fórmula que McCartney e Associados exploraram tornou-se na base da própria indústria da música, rendendo milhões de dólares aos criativos e aos accionistas das respectivas empresas discográficas e de todas as outras que quiseram também entrar na corrida ao ouro, suportando financeiramente o seu desenvolvimento em troca de publicidade.
Mas os Beatles, tal como os Stones, participaram em acções marginais, dirão ingenuamente alguns, evocando o concerto ilegal trasmitido do telhado ou o aumento os decibeis dos amplificadores para limites não aceitáveis pelas autoridades (sim, alguns polícias farfalhudos terão ficado chateados com estas duas malandrices). Ora, tudo isso foram lérias da entretainment industry cujo objectivo era apenas um: vender mais e mais e mais. e mais.

Não condensem porém o pensamento aqui discorrido (cuja originalidade nao proclamo) em negativismo musical: tal como dum Bush nasce a necessidade de um Obama, do enjoo da globalização floresce subterraneamente a individualidade de pensamento, do padrão aborrecido da normalidade enraíza-se o esforco intelectual de acordar as pessoas. Enfim, dum Paul McCartney às vezes surge um John Lennon, o que é muito bom.

08 outubro 2008

Vinyl

Hoje foram adquiridos mais estes seis discos:


The Stone Roses











Funkadelic - Maggot Brain














Johnny Cash - At San Quentin













The West Coast Pop Art Experimental Band - Part One














The West Coast Pop Art Experimental Band - Vol.2















The Electric Prunes

07 outubro 2008

Foxboro Hot Tubs - Stop Drop and Roll!!! (2008)

Muita gente poderá, neste momento, estar a perguntar-se quem serão estes Foxboro Hot Tubes. Provavelmente mais uma de muitas bandas da cena indie rock que aparecem como cogumelos, vindas do nada. No entanto, para espanto geral, esta banda é composta por três elementos já há muito conhecidos da praça pública. Será que Dookie relembra algo? Exacto. os Foxboro Hot Tubs são, até à data, uma banda paralela aos Green Day, e, onde estes eram sinónimo de Punk, esta nova encarnação liderada por Billie Joe Armstrong é completamente agarrada ao Garage Punk Revival, ou seja, às influências da British Invasion, sendo que até a própria voz está diferente. Stop Drop and Roll!!! é um álbum descontraído e sem pretensões de ser mais do que é. Revela uma nova frescura na banda e um escape para todo o furacão que foi todo o pós American Idiot. Se este for o único exemplar desta roupagem nova dos Green Day, já terá valido a pena.