10 fevereiro 2005

The Coral - Nightfreak and the sons of Becker (2004)

OS FILHOS DE BORIS BECKER

Nightfreak and the Sons of Becker é a história do patinho feio que se tornou cisne. Não é um álbum dito oficial, pois nem sequer foi considerado um álbum, antes mais um mini-álbum, um bonus-cd do segundo disco de originais da banda, Magic and Medicine. Banda essa que, para quem ainda não sabe, tem o nome The Coral, originária dessa terra tão prolífera, Liverpool, e é composta por 6 amigos, malta amiga lá do bairro, supostamente todos filhos ilegítimos de Boris Becker que agora se vingam do próprio fazendo shows em todo o lado. Ora, este tal de mini-álbum, "apenas" composto por 11 faixas, gravado somente numa semana, conseguiu a incrível façanha de se equiparar aos seus irmãos álbuns, oficialmente lançados pela banda. Apesar do seu som ser muito influenciado por bandas dos anos 60 ou 70, com um ar muito psicadélico mas não só, os The Coral pegam também em sons recentes, criando um estilo muito próprio. São também muito experimentalistas, utilizando uma variedade notável de instrumentos nos seus temas, tornando-os muito diferentes de outras bandas. Nightfreak and the sons of Becker vem ao encontro disto mesmo. Podendo pensar-se que estaríamos na presença de temas esquecidos de álbuns anteriores, deparamo-nos com um disco de eleição, certamente merecedor de álbum oficial e não o tal patinho feio. O disco realmente vale por si, sendo que músicas como "Precious Eyes", "Song of the Corn" e "Keep me Company" fazem a cereja em cima do bolo. Um "álbum" a não perder.

08 fevereiro 2005

Sonic Nurse



No final dos anos setenta ninguém se importava de morar em Nova Iorque, a América vivia tempos apáticos, de ressaca dos anos sessenta, e foi então que um movimento artístico, avant-garde, enclausurado na insanidade individual, subitamente habitou o bairro de Lower East Side e ficou conhecido como NO WAVE (por oposição à popular New Wave). Do nada, proliferaram bandas interessadas no extremo, na anarquia, na experimentação ruidosa, conferindo a Nova Iorque uma paisagem apocalíptica, avassaladora. O No Wave explorou a anarquia e amadorismo do punk-rock britânico, mas abordou-o dum ponto de vista demencial transformando-o num jogo cubista interior, rejeitando todas as fórmulas rítmicas do rock and roll, uma amalgamação de free jazz, auto-destruição, caos paródico, ruído e silêncio, a nota errada na altura certa, a dissonância (rítmica?) enquanto técnica, a ausência da técnica.
Apesar de nenhum dos artistas do No Wave alguma vez ter tido sucesso junto de públicos mais amplos (o extenso fecundo trabalho de Lydia Lunch, que pudemos ouvir recentemente na Galeria ZDB e as deambulações do brasileiro Arto Lindsay serão ténues excepções), as suas influências repercutiram-se em vários artistas como os The Residents, The Birthday Party e os Sonic Youth, que transportaram o No Wave pelos anos oitenta adentro e ainda hoje conseguimos sentir a reverberação do movimento novaiorquino nas dissonâncias abrasivas de vários artistas.
Os SONIC YOUTH, juntos desde 1981, emergiram deste palco americano, conseguindo fundir a cacofonia distorcida com as meditativas explorações sonoras do compositor Glenn Branca, adicionando uma estrutura melódica ao som, e tornaram-se numa das bandas mais influentes e inovadoras do seu tempo.
Depois de vinte e três anos de criatividade sónica, de experimentação e inconformismo, lançam em 2004 o décimo-nono albúm, Sonic Nurse. Supondo que não conseguirei dizer nada que lhe seja justo, arrisco dizer que se trata de um trabalho de certo modo amadurecido em relação aos anteriores, o culminar de uma antiga busca da melodia, reinventando-a, ditando-a. Brilhante.
Vão simplesmente até ao site sonicyouth.com e ouçam a sua inefável beleza; valerá mais que mil palavras.

06 fevereiro 2005

3 Anos de Amor e Morte



“Please Allow me to introduce myself, I’m a man of wealth and taste...” vociferava um alucinado Mick Jagger enquanto em seu redor, se dava a machadada final, quase literalmente, na geração Paz e Amor. Era o fim da inocência...
“This is the beat generation” afirmava, duas décadas antes, Jack Kerouac ao descrever o seu círculo social. Era o surgimento de uma nova corrente, um estilo diferente, claramente associado aos artistas e escritores boémios e consumidores de droga.
O conceito de Beat Generation era apenas este: liberdade criativa e espontânea. Daqui saíram obras primas como Howl de Ginsberg ou On the road do próprio Kerouac.
O seu interesse na experimentação, nomeadamente nas drogas e sexo, aliado à confrontação à autoridade influenciaram muitos que sentiram estar aí a resposta, surgindo, nomeadamente nos anos 60, aquilo a que se acabou por chamar de uma contra-cultura. Uma oposição ao sistema, especialmente por parte da população jovem.
O mundo estava a mudar, Kennedy era assassinado em Dallas enquanto Martin Luther King tinha o “Sonho” de ver uma America livre de preconceitos. Estávamos no auge da Guerra Fria, o perigo nuclear era iminente e os USA invadiam o Vietname.
Com estes acontecimentos todos, uma derivação da tal contra-cultura apareceu. “All you need is love” cantavam estes jovens um pouco por todo o mundo, mas essencialmente em Inglaterra e USA.
Estávamos em 1967 e vivíamos o auge da geração Hippie. O infame Summer of Love, que não era mais que uma descrição de todo o sentimento que se vivia em San Francisco durante esse Verão.
Influenciados por uma nova mentalidade, tanto cultural, como musical e até de drogas e por Timothy Leary, famoso médico que incitava à experimentação de ácidos, como o LSD, milhares de jovens amontaram-se em Haight-Ashbury, em San Francisco, para apenas partilharem o seu gosto pela vida, pelas drogas, pela experimentação e sobretudo para tentar mudar o mundo. Exemplo maior disso terá sido a aglomeração de hippies em frente ao Pentágono norte-americano em claro movimento contra a guerra do Vietname. Estes jovens pretendiam levantar, apenas com a força da mente, o tal edíficio militar.
Albuns como Sgt Pepper’s dos Beatles, Pet Sounds dos Beach Boys ou Surrealistic Pillow dos Jefferson Airplane tiveram enorme influência nestes jovens. Eles acreditavam que seria possível mudar o mundo apenas com Paz e Amor, sendo o maior exemplo disso o festival que se realizou dois anos depois no estado de Nova Iorque. O Woodstock Festival. “An Aquarian Exposition with an arts fair, crafts and food”. Três dias de Paz e Música, assim prometia o cartaz. Pois bem, o festival que hoje todos conhecemos por ter sido um marco único na história, de milhares e milhares de jovens amontoados em frente ao palco até ao fugir da vista, não pretendia ter sido o que foi. Começou por ser um festival supostamente pago para cerca de dez mil a vinte mil pessoas, havendo realmente gente que pagou o seu bilhete. 400 mil migraram de várias partes dos USA, invandindo e fazendo transbordar todo o recinto destinado ao evento.
Não havia condições mínimas para tamanho número de pessoas. Para piorar o cenário chovia copiosamente. Muitos temeram o pior. A mistura de álcool, droga e a própria aglomeração de tanta gente convidava à violência e à tragédia. Não aconteceu.
Debaixo de um dilúvio, milhares e milhares de pessoas, muitas apenas como vieram ao mundo, dançavam e abraçavam-se, tentando atingir o sentido da vida ou apenas o conforto da existência humana. Isto tudo ao som de uma banda sonora composta por gente tão ilustre como Joe Cocker, Creedence Clearwater Revival, Crosby, Stills, Nash and Young, Jimi Hendrix, Jefferson Airplane, Janis Joplin, Santana ou os The Who.
O Woodstock foi um hino à geração hippie, onde se acreditou que tudo seria possível, apenas acreditando no poder da mente e na harmonia entre os homens, não havendo nada de cliché nesta afirmação. Era realmente o espírito da população jovem daquela época.
Talvez motivados por os Beatles estarem em vias de se separarem, os Rolling Stones sentiram estarem no topo do mundo. Resolveram então fazer eles próprios o seu “Woodstock”. Em Dezembro desse mesmo ano, 1969, tentaram realizar um festival que contava com bandas como os Grateful Dead ou os Jefferson Airplane, estes últimos estavam em todas, personificando fielmente o retrato hippie daquela altura. Com várias dificuldades para conseguir arranjar um bom sítio para o festival, os Stones apenas conseguiram, praticamente em cima da hora, com prenúncio de cancelamento por parte dos organizadores, arranjar um lugar para o dito evento. Altamont Speedway era o seu nome. Como seguranças foram contratados os motoqueiros Hells Angels. Formados em 1948 na California, os Hells Angels retiraram o seu nome do famoso filme com o mesmo nome, realizado por Howard Hugues, personificado por Leonardo di Caprio, em The Aviator, realizado por Scorsese.
Convém referir que este grupo de motoqueiros esteve sempre relacionado com roubo, violações, racismo ou assassínio. A sua mota era mais importante para si do que qualquer outra coisa no mundo.
Diz-se que apenas por 500$ em cerveja, os Hells Angels aceitaram ser os seguranças do concerto.
Por estar tão perto e tão baixo, o palco era constantemente invadido por jovens loucos que queriam estar ao pé dos seus ídolos. Claramente alcoolizados, os violentos motoqueiros começaram por tratar do assunto à sua maneira. Tacos de snooker e soqueiras incluídas, tudo valia para pôr ordem no espaço. Até membros dos Jefferson Airplane foram agredidos por estes Hells Angels. A confusão reinava muito antes dos Stones terem subido ao palco. Quando se pensava que tudo estaria sob controle, qualquer pequena querela reacendia o rastilho dos seguranças, que não tinham qualquer problema em espancar quem quer que fosse. O caos estava lançado. Não estávamos de facto em Woodstock.
Quando chegou a vez de os Stones entrarem em palco, a situação estava completamente descontrolada, então Mick Jagger tentou dar a performance da sua vida para se fazer o centro das atenções e terminar os tumultos. Até que, durante a alucinante performance de Jagger em Sympathy for the devil, os tumultos recomeçaram, tendo-se passado algo muito grave, pois rapidamente foram chamados médicos e ambulâncias. Um afro-americano tinha sido esfaqueado e pontapeado por elementos dos Hells Angels. Acabaria por falecer no Hospital mais tarde.
A machadada na dita contra-cultura e na geração hippie tinha sido dada e de repente o festival de Woodstock parecia ter sido há imenso tempo.
“Pleased to meet you, hope you guessed my name”. No mínimo irónico…

31 janeiro 2005

Yes - Close To The Edge (1972)

Rick Wakeman uma vez disse: “Quando gravamos esse álbum, os que já gostavam passaram a gostar mais…os restantes passaram a ter-nos um ódio de morte…”
Uma frase que rotula perfeitamente a música dos Yes em particular, e o Rock Progressivo em geral. Quem detesta grandes demonstrações de virtuosismo e não suporta ouvir a voz angélica de Jon Anderson, sem ter no mínimo um ataque epiléptico…pode parar de ler por aqui!
Os outros façam o favor de me acompanhar até 1972 aos Advision Studios em Londres onde cinco músicos de alto gabarito compunham um dos álbuns mais aventureiros da história do rock.
Jon Anderson, Steve Howe; Chris Squire; Rick Wakeman e Bill Bruford constituíam em 1972 a par dos Emerson Lake & Palmer; King Crimson e Genesis um dos maiores super-grupos do chamado Rock Sinfónico.
O disco abre com "Close to the Edge" uma suite de quase 20 minutos, dividida em 4 movimentos. O som de pássaros misturado com uma poderosa entrada "jazz-rock" de bateria, baixo e guitarra dão “A Solid Time of Change" (1º movimento) uma das intros mais estranhas e poderosas de sempre.
È sobre esta divagação multi-instrumental que Jon Anderson começa a cantar aos 5 minutos, no 2º movimento em "Total Mass Retain". Somos imediatamente transportados para um universo para lá da via láctea, com letras inspiradas em povos e planetas já desaparecidos.
A toada mantém-se num crescendo até “I Get Up, I Get Down”. Aqui descobrimos pela 1ª vez um Wakeman inspiradíssimo que compõe uma sinfonia espacial em órgão de igreja acompanhado de um dos instrumentos que mais caracterizam o rock da época: o Moog.
O tema ganha uma proporção quase dramática interrompida subitamente pela secção rítmica de Bruford e Squire que nos introduz a última parte: “Seasons of a Man”. Os Yes voltam á carga com toda a força aproximando-se um pouco dos ambientes mais tarde criados pelos seus discípulos Dream Theater.
Em linguagem “viniliana“ acabava o lado A e começava o Lado B com “And You And I”. O grupo introduz-nos nas suas raízes folk, revelando-nos um Steve Howe bastante hábil nos temas acústicos que marcariam com sucesso o resto da carreira da banda. O tema evolui espantosamente para um uma sinfonia que faz pensar o que seria se Stravinsky tivesse vivido dentro da cultura Hippie.
Em “Siberean Khatru” (último tema do disco) o grupo revela um lado mais bluesy e rockeiro com alguns ecos à moda de Jimi Hendrix. Menção honrosa aqui mais uma vez a Rick Wakeman, que consegue por o povo a “rock n rollar” ao som de um cravo do Séc. XVIII.
Já não se fazem discos assim…

20 janeiro 2005

The La's - The La's (1990)

A história dos The La's confunde-se com a do seu primeiro álbum. Exactamente por ter sido o seu único. The La's, álbum homónimo da banda de Liverpool, reeditado em 2001 com músicas extra, dá-nos a conhecer um projecto de um grupo tumultuoso que deveria ter continuado a escrever mais material, dado à qualidade significativa do seu primeiro e único disco.
Muitos neste momento devem estar a comentar quem serão esses tais de La's que nunca ouvi falar. Pois, confesso que a primeira vez que ouvi falar dos La's foi na Vh-1, quando ainda tinha alguma qualidade, com o single There She Goes. Esse mesmo que ouvimos há pouco tempo, numa cover(mais uma) dos Sixpence None The Ritcher(copistas). There She Goes é um dos lados dos The La's, mais pop é certo, mas com qualidade. Ao ouvirmos o álbum conseguimos ver de onde veio inspiração para algumas bandas Britânicas, nomeadamente os Oasis por Noel Gallagher e The Coral, mais um grupo de Liverpool que conta já com três albuns de grande qualidade.
Percebe-se, então, que os La's tiveram um bom marco na história da música, apesar da sua curta carreira discográfica, a fazer lembrar os The Verve.
Fica-nos a sua música que, apesar de escassa, marcou uma série de bandas posteriores.
Para fãs da Britpop e não só, recomenda-se a audição. Não se vão arrepender.

Smoke on the Water: The Deep Purple Story - Part II



1970 era o ano da consagração dos Deep Purple! Em Outubro, o grupo gravava com a prestigiada Royal Philarmonic Orchestra o "Concert for Group & Orchestra", uma composição clássica de Jon Lord dividida em três "movimentos" que recebeu inúmeros prémios da imprensa britânica. A fechar o ano, o single "Black Night" atingia o top dos singles mais vendidos de Inglaterra.
A "Purplemania"alastrava por toda Europa, EUA, Japão e Austrália. Mas atrás do sucesso vem sempre algum problema. Apesar de se complementarem 100 % musicalmente, Ian Gillan e Ritchie Blackmore eram o "ying" e o "yang" do rock n roll. Muitas das suas discussões transportadas para o palco eram o melhor dos espectáculos, porém em estúdio, a tensão era insuportável.
Em meados de 1971 o grupo gravava o álbum "Fireball". O álbum apesar de ter mais sucesso que"In Rock", musicalmente não era tão forte. Alguma da imprensa acusava os Purple de serem demasiado experimentais em faixas como "Fools" e "Demon´s Eye" e demasiado comerciais em "Strange Kind of Woman" e "Fireball".
Contudo, a melhor maneira de calar as críticas é dar-lhes uma grande resposta. "Machine Head" de 1972, foi o álbum mais dificil que os Purple gravaram, mas também certamente o mais inspirado.
O disco estava para ser gravado inicialmente num teatro do "Casino de Montreaux," mas na véspera o local ardeu durante um concerto do Frank Zappa, ao qual o próprio grupo assistia.
Em 10 minutos o fogo espalhou-se por todo o complexo, tendo ardido mais de um terço da baixa da cidade. No dia seguinte, o baixista Roger Glover ao acordar na varanda do seu hotel, olha para a cidade destruída á beira do lago Geneva e exclama "Smoke on the Water".
Ao inicio o grupo estava relutante em usar a ideia de Glover. Mas quando o riff de Blackmore apareceu e as palavras de Gillan começaram a sair...nascia a lenda! Smoke on the Water, vendeu mais de três milhões de singles nos EUA, tendo sido entre 1972/1973 a canção mais passada nas rádios Fm!
Entretanto em Agosto 1972 a banda em tourné pelo Japão era convidada pela editora local a fazer um álbum ao vivo. Gravado em dois espectáculos em Osaka e um em Tokyo (o famoso Budokan), "Made in Japan" é considerado por muitos um dos melhores álbuns ao vivo de sempre da história do rock.
Do início de "Highway Star", passando pelo épico "Child in Time" e indo até "Space Truckin", os Purple fazem-nos viajar por milhões de escalas e notas musicais capazes de porem a nosso cérebro a andar á roda. Se fumarem um "porrozito" a ouvirem isto garanto-vos uma viagem de ida e volta a Marte com paragens em Saturno e Titâ.
Nesse disco, a versão de "Strange Kind of Woman" é soberba...a uma certa altura a troca de solos entre a voz e a guitarra fazem-nos pensar se a voz de Gillan não é uma "Fender Stratocaster" igual á de Blackmore!!
Infelizmente toda esta química não estava para durar. Em Julho de 1973, depois da saída do álbum "Who Do We Think We Are", Ian Gillan anunciava a sua saída do grupo. O vocalista farto das pressões da industria; da vida "mundana" das digressões norte americanas e das birras de Ritchie Blackmore, não voltaria a tocar ao vivo até 1976.
A saída de Gillan deixava uma posição dificíl de preencher. Contudo os restantes membros não baixaram os braços e começaram a procurar um substituto á altura...
Durante as audições para um novo vocalista, Roger Glover era despedido da banda por questionar "demasiado" o rumo musical que a banda estava a tomar. O castelo de cartas dos Purple parecia-se estar a desmoronar aos poucos...
Sem vocalista e baixista, Blackmore, Lord e Paice pensaram em separar-se de uma vez por todas, mas quando ouviram Glenn Hughes num bar em Los Angeles, o caso mudou de figura.
Glenn Hughes era o baixista e vocalista de uma banda inglesa chamada "Trapeze", pioneiros de um estilo que depois imortalizou os ZZ TOP: o Boogie Rock! A sua voz não ficava nada atrás dos agudos de Gillan e o seu estilo de baixo era mil vezes mais virtuoso que o de Glover. Tentem imaginar um Flea dos Red Hot Chilli Peppers com visual de metaleiro e um vozeirão misto de Stevie Wonder e Robert Plant. Parecia um casamento feito no céu...
Porém o enigmático Blackmore, não se sentia satisfeito com o "dois em um"! Ritchie preferia uma voz mais "bluesy", com um registo mais grave.
Quatrocentas e vinte audições depois e dois meses de agonia, aparece um "puto" vindo do noroeste de Inglaterra: David Coverdale!
Coverdale nunca tinha cantado profissionalmente e trabalhava como vendedor de" jeans" numa boutique em Redcar. Um amigo da loja, viu no jornal "Melody Maker" que os Purple precisavam de um vocalista e lembrou-se de David poderia candidatar-se ao cargo, já que o mesmo tinha gravado á pouco tempo uma "demo-tape" com o grupo "Fabulosa Brothers"! Quando a demo chegou aos escritórios dos Purple em Londres, Blackmore e Lord não hesitaram em contratar o "puto"...
Com esta nova formação e entusiasmo rejuvenescido, o grupo volta a Montreaux para gravar o álbum " Burn" em finais de 1973. No dia 29 de Dezembro desse ano, o grupo recebia a informação da revista Billboard de que todos os seus álbuns de estudio se encontravam no top 200 e que "Made in Japan" era dos 5 mais vendidos nos EUA.
1974 seria mais um ano em grande para os Purple. A 6 de Abril o grupo tocava para mais de 400 mil pessoas no festival "California Jam" em conjunto com os Black Sabbath, Eagles e Emerson, Lake & Palmer. O grupo era uma máquina de fazer dinheiro: cobrava 40 mil dólares por espectáculo e as vendas de discos cifravam-se nos 18 milhões.
Mas como nem tudo são rosas...no final de 1974, o imprevisível Blackmore anunciava a sua saída do grupo, após a gravação de "Stormbringer". Felizmente para os fãs, uma digressão europeia já estava marcada e o guitarrista era obrigado a cumprir os contratos.
Algumas destas datas de despedida foram das melhores de sempre em que o grupo actuou. Os shows de Paris e Berna haveriam de resultar no álbum "Made in Europe". Oiça-se com atenção os solos de voz e guitarra de "Mistreated", que fazem chorar as pedras da calçada. Ou mesmo as guitarras potentes e ferozes de "Burn" e "Stormbringer" para pular e gritar por mais.
No final da digressão, Blackmore formaria os Rainbow com o vocalista Ronnie James Dio, partindo para outros voos de "peso". Os outros começavam a fazer contas á vida...
A primeira reacção foi desistir. Como dizia e bem Jon Lord: "Ritchie era a fábrica de músicas da banda". Era impensável continuar sem o "mestre das cordas de aço"...o homem dos "riffs de fogo".
Coverdale pensava de maneira diferente. Para quê desistir? Se o génio "morreu", arranje-se outro. Esse outro encontraram-no na praia de Malibu no verão de 75, sob o nome de Tommy Bolin.
Thomas Richard Bolin, era um nativo do mid-west americano, descendente de indios sioux. O seu primeiro instrumento foi uma bateria. Mas quando tinha 14 anos, depressa percebeu que o seu futuro estava numa viola electrica "fender". O seu jeito rápido, a sua capacidade de improvisação (ora rock, ora Jazz) fizeram-no um dos guitarristas mais procurados pelos estúdios da América no inicio dos anos 70.
Bolin tocou com todos os mestres do Jazz-Rock: John McLaughlin; Billy Cobham; Jan Hammer; Otis Rush; Jeremy Steig, Jeff Beck, entre outros. No entanto o rock e o dinheiro falavam mais alto e em finais de 73, Bolin juntava-se ao colectivo James Gang, muito popular na altura nas terras do tio Sam.
Em Junho de 1975, Bolin estava desmpregado e tentava desesperadamente obter um contrato para gravar um álbum a solo. Quando Coverdale e Hughes o convidaram para fazer parte da banda, Tommy não hesitou.
O álbum "Come Taste the Band" foi o disco menos vendido dos Purple nos anos 70. Apesar disso, ele revelava uma grande capacidade de inovação (pouco comum em bandas Hard Rock). Escute-se os calmos "You Keep on Moving" e "This Time Around"; os funky "Gettin Tighter" e "Love Child" ou até o "Heavy" "Comin Home", para se perceber que este era uma quimica de músicos excepcionais e que o génio de Bolin não ficava nada a dever ao de Blackmore.
A tempestade estava para vir depois, quando o grupo iniciou nos finais de 1975 uma digressão mundial...
Tommy começava a revelar o seu lado negro. Recém chegado a um mundo onde as drogas se podem comprar em qualquer lado e em qualquer momento, Bolin tornou-se um viciado em Heroína. Muitas das suas "performances" deixavam muito a desejar nas digressões Asiática e Australiana. Para ajudar a este problema, Glenn Hughes tornava-se um dependente da Cocaína.
Muitas histórias e peripécias se contam desta tournée, mas quando o "circo" chegou ao continente norte- americano as coisas piaram doutra forma.
O álbum ao vivo "On the Wings of a Russian Foxbat" mostra o grupo na sua melhor forma, capaz de rivalizar com a formação dos tempos de Ian Gillan.
Apesar deste "breve" regresso á forma, o excesso de drogas, alcóol e egos á mistura continuavam a ser o dia-a dia da banda.
Em Maio de 1976, Coverdale anunciava inesperadamente a sua saída da banda num concerto em Liverpool. Jon Lord e Ian Paice cansados de mais uma mudança na formação, comunicavam aos managers e à imprensa, o fim dos Deep Purple...
(continua...)

Smoke on the Water: The Deep Purple Story Part I



"Dah Dah Dah Dah Darah Da Da Da Da da Rah". Quem nunca ouviu este riff ponha o dedo no ar, pegue numa faca, corte o braço aos bocadinhos e deite numa panela a ferver! Não se assutem... estou a brincar!
Estou a falar claro, de Smoke on the Water um dos hinos mais aclamados do Rock! Os seus autores são uns rapazes chamados Deep Purple que andam por aí há mais de 35 anos e que já venderam mais de 150 milhões de discos!
Formados em 1968, por dois músicos sedentos de fama e glória - Jon Lord (o mago do Hammond Organ) e Ritchie Blackmore (o feiticeiro da Fender Stratocaster) - os "Roundabout" (primeiro nome da banda) eram inicialmente financiados por John Coletta, um milionário americano disposto "a gastar umas massas no negócio da industria musical".
Em poucos meses foram adicionados mais três membros: o vocalista "Tom Josiano" Rod Evans; o baixista Nick Simper e um baterista capaz de rivalizar com John Bonham dos Led Zeppelin - Ian Paice.
Esta primeira formação gravou três excelentes álbuns de música psicadélica - "Shades of Deep Purple" (1968); " The Book of Taliesyn" (1969) e "Deep Purple"(1969) - que foram muito bem acolhidos nos EUA e muito ignorados no resto do mundo, especialmente no Reino Unido.
A falta de sucesso no país de origem, foi o tónico principal para a primeira mudança de formação! Saiam Rod Evans e Nick Simper e entravam em Julho de 1969 o vocalista Ian Gillan e o baixista Roger Glover ambos provenientes de uma banda folk chamada "Episode 6".
Em 1969, Londres vivia a ressaca da festa psicadélica dos anos anteriores. Os Beatles estavam nas últimas; os Stones perdiam Brian Jones e o LSD não era só visões de "árvores cor de laranja e céu de marmelada"! Vários sons e várias bandas estavam a nascer: os progressivos ( ELP; Yes; King Crimson e Genesis) e os "rockeiros" (Black Sabbath; Led Zepplein e Uriah Heep)!
Foi nesta última que acabaram por se integrar os Deep Purple. Ajudados por Ian Gillan, um vocalista capaz de ir do suspiro ao grito numa escala de notas e por um baixista extremamente hábil em produzir no estudio, os resultados não se fizeram esperar.
"Deep Purple in Rock" saído em Julho de 1970 foi um marco na banda. O disco vendeu mais de 1 milhão de exemplares na Europa e mais de 500 mil no Reino Unido. Curiosamente a editora EMI, ao inicio quando ouviu as gravações achou que o álbum não ia vender nada e esteve quase para os depedir. Felizmente as coisas não deram para o torto...
(Continua...)

19 janeiro 2005

Iron Maiden - A Dama De Ferro



Bom...já que está tudo na onda de falar das suas bandas favoritas, eis-me q dedicar algumas linhas (que nunca são demais) a esta grandiosa banda que conta já com quase 30 anos de carreira. No meio dos anos 70, um jovem do East end de Londres, decidiu formar uma banda á qual deu o nome de Iron Maiden ("Dama de Ferro", que tem duas conotações: 1, uma alusão á primeira ministra Tatcher, e ao instrumento de tortura). Esse jovem chamava-se Steve Harris, e 30 anos depois ainda é o baixista e um dos grandes mentores deste projecto da NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal). Com quase 15 álbuns de estúdio, vários gravados em espectáculos ao vivo, algumas coletctâneas e 3 ou 4 Dvd's, continuam com a força e a garra de sempre. Passaram por muitas mudanças de formação é certo (Harris é o único membro dessa longinqua formação inicial que ainda se encontra na banda); tiveram já 3 vocalistas diferentes desde o lançamento do 1º álbum ("Iron Maiden"), mas isso nunca foi razão para parar ou desistir. O Som da banda foi-se naturalmente alterando, mas nunca deixou de ter o caracteristico som de "Maiden"; a legião de fãs foi-se renovando, e tornando-se cada vez mais fiel e maior (No Rock In Rio 2001, tocaram para "apenas" 250.00 espectadores), lotando os inumeros espectáculos um pouco por todo o mundo (e vários em Portugal). Reunindo sempre um grande conjunto de músicos, criaram autênticos hinos do Heavy Metal (que mesmo "não-fãs" de Maiden reconhecem): "Fear Of The Dark", "Be Quick Or Be Dead", "The Number Of The Beast", "Hallowed Be Thy Name", "Iron Maiden" entre muitissimos outros. Elemento caracteristico da banda, são os chamados "Solos Duplos", com os 2 guitarristas (agora são inclusivé três) a solarem ao mesmo tempo com notas ou escalas diferentes, algo que veio a influenciar as bandas que se formaram depois dos Maiden. Outro elemento tipico da banda são os poderosos concertos e espectaculos cénicos em palco, contando sempre com aparições de Eddie, a mascote e uma das "caras" da banda presente na capa de todos os álbuns. Depois do abandono do carismático vocalista Bruce Dickinson, muita gente pensou que a história terminaria ali; não só não terminou como prosseguiu sempre em força e culminando inclsuivamente com o regresso do Lead singer á foamação no inicio do século XX1. Virado mais um ano, eis-me ansiosamente á espera do regresso aos palcos portugueses (será no dia 16/06/2005 no Pavilhão Atlântico....o Dia dos MEUS ANOS!!!!!) e de mais um álbum de originais. Para quem gosta será certamente uma compra a realizar. Para quem não gosta, pelo menos que respeite e tenha em consideração que uma banda deste género (e de qualquer outro género musical), que dure trinta anos, é porque são na realidade muitissimo bons. Para mim, tão lá em cima e a par de mais uma ou duas bandas, são os únicos que me fazem gastar 20 euros em cd's originais. Fã é fâ e tem que ter toda a discografia. UP THE IRONS.
Para mais informações sobre a banda, consultar o site www.ironmaiden.com

Saber, ou não, reagir bem à crítica

Parece que o Blog está a ser um sucesso ou pelo menos está a gerar controvérsia. Parece-me que o Vasco não está a aceitar bem uma crítica que não tem que ser necessáriamente negativa. Confesso que, embora não seja um conhecedor de Pixies como os restantes, sou profundo conhecedor de Nirvana para poder opinar neste assunto. Vasco: Não interessa que os Nirvana tenham roubado um riff aqui ou uma batida ali, todos o fazem. Muita da música que se ouve e que se ouviu é reinventada. O que interessa é a criação do que fazes com algo que retiras de outro som. Não tem que ser plágio, apenas recriação, partir de um ponto para nos afastarmos completamente para outro, por isso penso que essas tuas últimas afirmações são um tudo nada rídiculas.
Não quero entrar em mais discussões por isso fico-me por aqui, esperando que contribuam mais porque quem ganha é quem nos lê.
Obrigado
Fred