Parece que o Blog está a ser um sucesso ou pelo menos está a gerar controvérsia. Parece-me que o Vasco não está a aceitar bem uma crítica que não tem que ser necessáriamente negativa. Confesso que, embora não seja um conhecedor de Pixies como os restantes, sou profundo conhecedor de Nirvana para poder opinar neste assunto. Vasco: Não interessa que os Nirvana tenham roubado um riff aqui ou uma batida ali, todos o fazem. Muita da música que se ouve e que se ouviu é reinventada. O que interessa é a criação do que fazes com algo que retiras de outro som. Não tem que ser plágio, apenas recriação, partir de um ponto para nos afastarmos completamente para outro, por isso penso que essas tuas últimas afirmações são um tudo nada rídiculas.
Não quero entrar em mais discussões por isso fico-me por aqui, esperando que contribuam mais porque quem ganha é quem nos lê.
Obrigado
Fred
19 janeiro 2005
18 janeiro 2005
JOHN LENNON
"No dia 4 de Novembro de 1980, a maioria dos eleitores norte-americanos votaram favoravelmente a Ronald Reagan e foi eleito o quadragésimo Presidente dos EUA. A 8 de Dezembro de 1980, 34 dias depois, John Lennon - o ex-beatle que representou o efeito que a música rock pode ter na vida real mais do que qualquer outro artista da sua geração - foi assassinado à porta do seu apartamento em Nova Iorque por um fã, um tal de David Chapman.
A relativa coincidência destes dois eventos marcou o tom da década de cultura pop que se instalou.
A música rock, outrora considerada a banda sonora do movimento da contracultura, modificou-se."
Alec Foege
Não é muito frequente eu gostar de um álbum ao vivo, mas tenho de referir que houve um que me despertou extraordinariamente para a música: From The Muddy Banks of Wishkah. Está lá tudo o que o punkrock quer dizer: o exorcismo da angústia. É assim que eu o vejo, foi assim que ele nasceu.
Ao longo desta compilação cada power chord é uma libertação, cada arranhar de corda vocal, uma elevação espiritual. Trata-se de algo sombrio sujo interior - nada a ver com o gel que o Billie Joe Armstrong dos Green Day usa para espetar o cabelo - que chegou ao âmago de tanta gente.
Viviam-se tempos deprimentes: o alastrar do capitalismo, a descrença generalizada, a morte dos sonhos, o Lionel Ritchie. Claro que haviam coisas boas: a cena toda de Manchester no início da década de oitenta, os Sonic Youth, Ravi Shankar... Mas o pop o consumo imediato os gelados de verão absorviam as massas (encefálicas). Como hoje em dia, de resto. E uma insatisfação latente alastrava pela população ao ritmo duma ruptura familiar.
O Smells Like Teen Spirit é uma música que poderia ter sido banal. Mas não o foi porque surgiu em uníssono com a angústia juvenil do início da décade de noventa, com a necessidade de rejeitar a lama. O Vasco fez um paralelo entre Pixies e Nirvana, tentado compará-los, levando à letra aquilo que o Cobain disse a propósito do roubar a ideia aos Pixies. Por mais incríveis que os Pixies tenham sido, com uma linguagem não totalmente diferente da de Nirvana, não transmitiam a mesma mensagem, e haverá algo de mais importante que a mensagem? Não é isso que é a arte? Não é isso que faz a difreença? Há que não confundir os meios com os fins. E só fica bem a uma banda admitir as suas influências musicais, especialmente a uma banda como os Nirvana, tão dedicada em partilhar, promover outras bandas. Não se entenda que uns têm "melhores mensagens" que outros; simplesmente, umas chegam a mais gente, encontram maior empatia e foi isso mesmo que aconteceu com o Nevermind: empatia. Os Pixies interessavam-se por outras coisas e ainda bem. Vasco, não sejas ingénuo ao ponto de pensar que a glória dos Nirvana foi aleatória, que o mega sucesso que ironizas não teve razão de ser ou que, pior, se baseou num plágio.
O "From The..." revela-nos tudo isto mesmo: a força; a expressão da angústia; Cobain e público em harmonia celestial.
Acho que dá para compreender o beco sem saída em que ele acabou e só as mentes paranóicas é que pensam em assassinato.
A. Dudu
A relativa coincidência destes dois eventos marcou o tom da década de cultura pop que se instalou.
A música rock, outrora considerada a banda sonora do movimento da contracultura, modificou-se."
Alec Foege
Não é muito frequente eu gostar de um álbum ao vivo, mas tenho de referir que houve um que me despertou extraordinariamente para a música: From The Muddy Banks of Wishkah. Está lá tudo o que o punkrock quer dizer: o exorcismo da angústia. É assim que eu o vejo, foi assim que ele nasceu.
Ao longo desta compilação cada power chord é uma libertação, cada arranhar de corda vocal, uma elevação espiritual. Trata-se de algo sombrio sujo interior - nada a ver com o gel que o Billie Joe Armstrong dos Green Day usa para espetar o cabelo - que chegou ao âmago de tanta gente.
Viviam-se tempos deprimentes: o alastrar do capitalismo, a descrença generalizada, a morte dos sonhos, o Lionel Ritchie. Claro que haviam coisas boas: a cena toda de Manchester no início da década de oitenta, os Sonic Youth, Ravi Shankar... Mas o pop o consumo imediato os gelados de verão absorviam as massas (encefálicas). Como hoje em dia, de resto. E uma insatisfação latente alastrava pela população ao ritmo duma ruptura familiar.
O Smells Like Teen Spirit é uma música que poderia ter sido banal. Mas não o foi porque surgiu em uníssono com a angústia juvenil do início da décade de noventa, com a necessidade de rejeitar a lama. O Vasco fez um paralelo entre Pixies e Nirvana, tentado compará-los, levando à letra aquilo que o Cobain disse a propósito do roubar a ideia aos Pixies. Por mais incríveis que os Pixies tenham sido, com uma linguagem não totalmente diferente da de Nirvana, não transmitiam a mesma mensagem, e haverá algo de mais importante que a mensagem? Não é isso que é a arte? Não é isso que faz a difreença? Há que não confundir os meios com os fins. E só fica bem a uma banda admitir as suas influências musicais, especialmente a uma banda como os Nirvana, tão dedicada em partilhar, promover outras bandas. Não se entenda que uns têm "melhores mensagens" que outros; simplesmente, umas chegam a mais gente, encontram maior empatia e foi isso mesmo que aconteceu com o Nevermind: empatia. Os Pixies interessavam-se por outras coisas e ainda bem. Vasco, não sejas ingénuo ao ponto de pensar que a glória dos Nirvana foi aleatória, que o mega sucesso que ironizas não teve razão de ser ou que, pior, se baseou num plágio.
O "From The..." revela-nos tudo isto mesmo: a força; a expressão da angústia; Cobain e público em harmonia celestial.
Acho que dá para compreender o beco sem saída em que ele acabou e só as mentes paranóicas é que pensam em assassinato.
A. Dudu
The Beach Boys - Pet Sounds (1966)
Para todos aqueles que pensam que Beach Boys é apenas e só Barbara-An, Surfin' USA e outras músicas a puxar para o teen dos early 60's aqui fica a prova de que esta banda norteamericana liderada por Brian Wilson também teve os seus momentos geniais e que momentos. Pet Sounds é a melhor resposta do outro lado do Atlântico ao fenómeno Beatles que arrasava os anos 60 de uma maneira inequívoca. Na altura o quarteto de Liverpool tinha lançado Revolver, mais outro marco na história musical, sendo a partir daí que se dá uma mítica competição entre Brian Wilson e Paul McCartney, que leva ao aparecimento de álbuns como Pet Sounds, Smile (só editado em 2004 por Brian Wilson) por parte dos Beach Boys e Sgt Pepper's (1967) por parte dos Beatles. Para quem esta época da música ainda é uma névoa, aqui fica o meu conselho: Oiçam tudo o que de melhor há, pois é provavelmente das melhores coisas que ouvirão certamente.Factos históricos aparte, Pet Sounds é de facto delicioso. Aqui vemos os Beach Boys realmente no seu máximo, apenas suplantados pelo fantástico Smile apenas editado em 2004, mas isso é um assunto que fica para depois. Os habituais coros e as vozes bem trabalhadas são misturadas com uma panóplia de instrumentos e arranjos tão diversificados que impossibilitavam que discos como estes fossem tocados ao vivo. Estávamos realmente em tempos diferentes, tudo se fazia pela originalidade, coisa que muitas vezes não se encontra nos dias de hoje.
Há qualquer coisa que nos Beach Boys nos faz sempre sorrir e penso ser essa uma das grandes características e qualidades das suas músicas, "God Only Knows", "Wouldn't It Be Nice", "Sloop John B", "I'm Waiting For The Day" ou "Here Today" são exemplos disso.
Para quem apenas conhece Beach Boys pelos seus Best Of e não são poucos, realmente aconselho a ouvirem Pet Sounds, um dos melhores álbuns dos anos 60 e um dos melhores de sempre da música Pop/Rock.
17 janeiro 2005
The Thrills - So Much For The City (2003)
So much for the city, nome do 1º álbum do quinteto de Dublin, é claramente um bom cartão de visita. Este LP de 2003 rapidamente nos faz regressar a uma época e a um estilo claramente marcado por bandas da infame West Coast norteamericana, tal como The Band, notando-se ainda certas influências de Beach Boys ou Monkees. No entanto, não deixam de ter a sua própria sonoridade. Referência ainda para o nome da banda ser inspirado pelo disco Thriller de Michael Jackson. Inspirações à parte, partimos então para a análise ao álbum propriamente dito.O uso de instrumentos como o Banjo ou, ainda, a electrónica dão um toque especial e realmente resultam. A média de duração dos temas é o normal nas músicas pop/rock, à volta dos 3:30m, aliás, os Thrills não são uma banda pretensiosa, percebe-se que não estão a querer ser ground-breaking. Fazem a música que gostam, inspirados por um estilo que sentem e isso reflecte-se nos seus temas onde pontificam os sons suaves e melancólicos, por vezes tristes, por vezes alegres e descontraídos.Decerto sentir-se-ão, por vezes, em praias da California nos 60's e 70's ao ouvir estes sons.
Músicas como "Santa Cruz (You're Not That Far)";"Big Sur";"One Horse Town";"Your Love Is Like Las Vegas" são temas de cariz single, no entanto todo o álbum vale por si e é, sem dúvida, uma boa entrada no mundo da música por parte destes irlandeses que já editaram outro álbum em 2004, Let's Bottle Bohemia.
Altamont dia 1
Este blog surge da necessidade que sinto de exprimir a minha paixão pela música. Nele vou, em conjunto com outros amigos, fazer críticas, comentários ou divulgar ideias sobre álbuns antigos,novos, que nos digam alguma,muita ou coisa nenhuma. Não é um blog de opinião. É apenas de expressão de sentimentos em relação à música e aos seus intérpretes. Por isso decidi alarga-lo a mais pessoas, cada uma com o seu gosto pessoal pela música, já que nem todos sentimos a música e os seus diversos movimentos da mesma maneira.
Sendo assim, dou por aberto este blog.
Peace and Love.
Fred
.
Apenas um reparo histórico:
Quite simply, 1969's Altamont Festival was the death of hippiedom. Incredibly stupidly, The Rolling Stones had hired a local chapter of West Coast Hell's Angels to police the event and even more stupidly, paid them with $500 worth of beer.
Tragedy struck during the Stones' set, when the Angels took umbrage to Meredith Hunter, a black man in the crowd, being with a white woman. They attacked him with a knife, and when he drew a gun, hacked and stomped him to death, just yards from a somewhat nervous Mick Jagger. He'd flirted and would flirt again with the Devil - now he was up close to evil for real. He couldn't helicopter out of there fast enough.
Sendo assim, dou por aberto este blog.
Peace and Love.
Fred
. Apenas um reparo histórico:
Quite simply, 1969's Altamont Festival was the death of hippiedom. Incredibly stupidly, The Rolling Stones had hired a local chapter of West Coast Hell's Angels to police the event and even more stupidly, paid them with $500 worth of beer.
Tragedy struck during the Stones' set, when the Angels took umbrage to Meredith Hunter, a black man in the crowd, being with a white woman. They attacked him with a knife, and when he drew a gun, hacked and stomped him to death, just yards from a somewhat nervous Mick Jagger. He'd flirted and would flirt again with the Devil - now he was up close to evil for real. He couldn't helicopter out of there fast enough.
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