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06 abril 2010

Lisa Germano e Phil Selway - CCB - 06.04.2010



O baterista dos Radiohead vai lançar um disco a solo. Escreveu uma data de canções, em que canta e toca guitarra. Tem a companhia de algusn amigos, nomeadamente Lisa Germano, e apresentou algumas músicas neste concerto. Lisa Germano também tocou alguns temas seus.
O concerto no Pequeno Auditório do CCB foi uma bela ocasião para levar uma caompanheira feminina, que se esteja a tentar engatar, mas nesta caso, não na esperança que rolassem beijinhos ou outros carinhos. Um homem apenas podia esperar que ela encostasse a cabeça no nosso ombro e dormisse uma sesta. Pouco mais.
O Phil Selway fará melhor se continuar só como O baterista dos Radiohead.

02 abril 2010

Heavy Trash/Legendary Tigerman/Bloodshot Bill - Lux - 31.03.2010

Talvez devido ao facto de ser um music geek, são poucos os concertos que ainda me surpreendem.
No entanto, o dia muito pouco primaveril de 31 de Março foi ávido em boas surpresas: Depois de sair banzado do cinema com o filme "Tony Manero", uma quase obra prima, desloquei-me até ao Lux para uma noite de pura bonanza Rock Rolleira.
Nunca tinha visto Jon Spencer ao vivo, uma lacuna grave eu sei, e estava expectante em relação ao recente projecto do mentor dos grandes, dos enormes, dos orgásmicos "Jon Spencer Blues Explosion Band".
Passava pouco das dez da noite quando entra em palco a one band de Bloodshot Bill.
Eu cá gostei da onda old school rockabillie deste senhor, sempre a pentear a sua longa franja com gel, que manteve as minhas solas dos sapatos bem activas.
O senhor que se segue, Legendary Tiger Man, mostrou que vale a pena acreditar neste país periférico à beira mar plantado.
Destaco a música final "Big Black Boat", interpretada de forma superior, e onde houve lugar para de tudo um pouco: Rock apunkalhado, slide guitar e até noise guitar extravaganza "a la" Sonic Youth.
Finalmente, ainda antes da meia-noite, entraram em palco os Heavy Trash de Jon Spencer.
Spencer, um autêntico Elvis on Acid, deu o litro, para não dizer "litradas".
Rodeado por uma banda de exímios executantes - magistral o trabalho do contrabaixo e vozes de suporte -, levaram-nos até ao Mississippi com alguns momentos psicadélicos, experimentais e, por vezes, de energia punk.
A forma como Jon Spencer consegue agarrar as raízes do blues para as transformar, deixa-me de sorriso nos lábios.
Nesta noite tivemos de tudo um pouco: blues, rock, punk e uma entrega total de grandes e sinceros músicos.
O final foi apoteótico. Jon Spencer junta-se ao público e com todos sentados no chão discursa sobre a importância do rock e do amor.
Só mais uma coisa: O Nando, o amigo do Ico, devido à excitação do concerto, perdeu a carteira. Se alguém encontrou a carteira, por favor comunique ao altamont...

25 março 2010

Tangerine Dream - Coliseu - 25.3.2010



Concerto de 3 horas (para os resistentes), com um Coliseu a 25%.
Uma banda que já terá sido grande e importante, mas já não estamos nos anos 70.
O Coliseu foi mal escolhido para este concerto, demasiado grande e com demasiadas cadeiras vazias.
Um cocktail de drogas ajudaria a suportar melhor esta actuação..

17 março 2010

Owen Pallett - Teatro Maria Matos - 11.03.2010


(fotos by Du, texto by Alex)

Owen Pallett @ Teatro Maria Matos, 11.03.2010

Vou começar a crónica deste concerto pela primeira parte. Só na altura descobri que iria haver uma primeira parte, e penso que no concerto do dia anterior tal não tinha ocorrido. Uma banda de nome Ava Infari. A grande maioria das pessoas não gosta das primeiras partes, mas eu por acaso nutro alguma curiosidade. Tento perceber o que fez com que esta banda tenha conseguido este slot, com a convicção de que o artista principal tenha tido algo a ver com aquilo. Pois bem, na passada 5ª feira esta minha ideia foi estilhaçada por um grande erro da casting de alguém (e não me pareceu ser do Pallett, que no seu concerto até gozou com a coisa) que decidiu colocar uma banda de metal doom gothic a abrir este concerto. Seria de chorar a rir, não fosse a total ridicularidade da coisa. 1/3 da sala levantou-se e saiu. Outros conversam a alta voz, ouviam iPods. Desconexão total. Uma tristeza (falarei sobre esse mundo paralelo que é o metal num post futuro).

Bem, vamos ao que interessa: Owen Pallett. Pois muito bem - foi um excelente concerto. Mais uma noite que a memória não esquecerá, pelas maravilhosas canções que nos remetem para um universo imaginário onde tudo pode acontecer. Já não é um one man show, uma vez que se faz acompanhar em vários momentos por Thomas Gill que ajuda (dentro da sua notória timidez) com voz e percussão. Mas é Pallett que controla tudo, o seu violino, a sua voz (voltando a iniciar a música quando não sai quando ele quer), o seu sampler e o seu pequeno órgão e com todas estas peças monta o puzzle que é cada uma das suas músicas. Tudo combinado em melodias pop únicas, com devida interacção com o público, partilhando o seu gosto pelo queijo português, sentindo-se bastante à vontade na cidade que segundo o próprio foi onde escreveu grande parte de "Heartland", o seu mais recente álbum, e naturalmente também o mais tocado. "Keep the Dog Quiet", "Flare Gun" e "This Lamb Sells Condos", com toda a sua intensidade, acompanharam-me desde que saí da sala até casa e no dia seguinte. O violino aparecia, depois juntava-se a voz e assim passei o dia, dividido entre o universo Pallettiano e o mundo real. E soube muito bem.  

16 março 2010

Ölga - Teatro Aberto - 13.03.2010


Por incrível que pareça, e apesar de seguir esta banda há já uns bons 6 anos, nunca tinha conseguido ir ver um concerto deles. Ia sempre seguindo o site, atento às (poucas) datas dos concertos (sintomático da aposta que (não) é feita nas bandas nacionais) e cada vez que aparecia uma oportunidade, acabava logo esmagada pela minha impossibilidade por algum motivo. Por isso, foi com grande ansiedade que esperei por este concerto, que teve como motivação adicional o facto de ser o lançamento do novo EP da banda, denominado "Samurai". E tenho a dizer que esteve à altura das minhas expectactivas, deram um concerto bastante competente, e que entusiasmou as 170 pessoas entre fãs e amigos que lá foram conhecer o novo registo, que no fundo representa a 2ª parte de uma trilogia, iniciada com o álbum do ano passado, "La Résistance". A evolução da banda de terrenos no pós-rock de início de carreira para um indie rock psicadélico actualmente tem sido bem cimentada e no palco estão bastante à vontade em qualquer tema, tendo inclusivamente deixado para o final uma música para dançar (não fosse o facto de haver cadeiras e assim seria, vontade não faltou) ao som de "Paul Simon", música virada para o ritmo do cantor que dá nome à música. "Take Us All", "Money" e "Elephants" também foram momentos altos da noite, com a devida intensidade e bem acompanhados pelo trabalho de projecção de Miguel Lopes, que providenciou um bom ingrediente para acompanhar o concerto. Deixou vontade para os ver novamente, assim que a oportunidade surgir!

15 março 2010

Yo La Tengo - Aula Magna - 14.03.2010

(fotos by Du, texto by Alex)

A vontade de fazer aqui estas análises do concerto leva-me a ir pensando no que escrever no dia seguinte sobre o mesmo. E a grande palavra que me veio à cabeça para definir este concerto e a própria banda foi versatilidade. Por um lado versatilidade dos elementos da banda, acaba uma música e troca tudo, o guitarrista (Ira Kaplan) passa para os teclados, a baterista (Georgia Hubley) passa para a guitarra e o baixista James McNew para a voz. Outra música, outra mudança. Todos tocam um pouco de cada instrumento, facto a que não será alheia a experiência acumulada ao longo dos 25 anos de carreira que já levam. Por outro lado, versatilidade no próprio som da banda, é impossível colocar-lhes um rótulo. Num concerto (e também num álbum) de Yo La Tengo temos momentos lo-fi, momentos de guitarras frenéticas, momentos acústicos, momentos dançaveis. E saltamos de um para outro com a maior naturalidade do mundo, porque realmente faz sentido para quem sabe tocar várias cordas. Foi uma noite também marcada pelo momento "No you won't..." frase proferida por McNew ao aperceber-se do que estava Kaplan a preparar, nada mais nada menos do que uma música tocada sentado na confortável cadeira da 1ª fila. São pequenos momentos como este que nos fazem lembrar dos concertos que assistimos!

O setlist foi mais focado no álbum mais recente, "Popular Songs", como seria de esperar, o que para mim foi uma boa opção dado que já conheço bem os últimos 3 álbuns e estou a descobrir pouco a pouco os mais antigos. O rock forte em "Nothing to Hide", as baladas "I'm on My Way" e "Avalon or Someone Very Similar" e a mais pop "Periodically Triple Or Double" que abriu o concerto, junto com a "Our Way to Fall" foram para mim os momentos mais altos. Se bem que aquela devastação de som, guitarras desafinadas, teclados que compõem "The Story of Yo La Tango" (não é gralha, é mesmo Tango), antes do primeiro encore foi algo de estonteante.

Deixo aqui a memória de um post altamont relacionado com esta banda. Algo para a posterioridade. Whatever that is...

05 março 2010

Seguramente Relacionado com o post anterior

E depois metem-me dois grande concertos no mesmo dia. A passada 6ª feira foi marcada por concertos de Bill Callahan (Festival Gente Sentada) e The Fiery Furnaces (Santiago Alquimista). O que é que aconteceu? Arrastei a díficil decisão de optar por um deles e quando dei por mim estavam os dois esgotados e fiquei a ver navios. Isto não se faz. Metam alguém a gerir a agenda a nível nacional para que isto não volte a acontecer, pelo bem da minha saúde. Para carpir mágoas, nada como deixar-me perder nos dois vídeos que aqui vos deixo. Bill Callahan com "Eid Ma Clack Shaw", a frase que diz tudo, e The Fiery Furnaces em registo Blogothèque.

Enjoy!



Concertos em Portugal

Aqui venho apresentar o meu manifesto sobre a situação em que se encontra a indústria de organização de concertos no nosso país. Acho que é um assunto onde claramente podemos inquirir: "Não há quem ponha mão nisto?"
Para começo de conversa, parece que estamos perante uma situação de oligopólio, no qual duas majors, Everything is New e Música no Coração, dominam o mercado a seu bel prazer, tirando alguns eventos mais apontados a nichos de mercado (Paredes Coura sendo o mais representativo) e tirando o supermercado aos fins de semana que se denomina de Rock in Rio. Aonde é que isto nos leva - a uma guerra entre as tais majors, que se mais não fazem do que preocupar-se única e exclusivamente em roubar público à outra, que tem como consequência a repetição até à exaustão de concertos por estas bandas. Evidence A - os concertos de xx e La Roux nos festivais e em nome próprio separados apenas por 2/3 meses. E o público que deseja concertos diferentes, novas bandas? "Que se lixem esses, eles não sabem o que querem, nós, a Nobreza da organização dos concertos em Portugal é que sabemos!" Pois bem, sinto poder falar em nome próprio e tenho a dizer o seguinte - Não brinquem comigo! O que eu quero é inovação, novidade e bandas de música a sério.
Senhores do Super Bock - The National já cá vieram 4 vezes nos últimos 3 anos. Cut Copy já cá vieram, John Butler Trio e Temper Trap idem. Palma's Gang? Nem vou comentar... 
Senhores do Optimus - Faith No More vieram cá o ano passado. Gossip agora é todos os anos? Gogol Bordello ainda há 2 anos. LCD Soundsystem e Pearl Jam maravilha, mas mesmo assim, cromos repetidos. Kasabian - repetidos.
Olhar para estes cartazes faz mesmo lembrar aquele sentimento de criança de abrir as carteirinhas dos cromos e serem todos repetidos, uma tristeza. Onde andam os Foals, os Fanfarlo, os Spoon, os Pavement reunidos, os Fleet Foxes, os Japandroids, os Girls, os Them Crooked Vultures, os Broken Social Scene (já cá vieram mas há muitos anos e em Coura, só podia), os Noah & The Whale, os Ra Ra Riot, os Black Kids, os Delta Spirit, o Bon Iver, o Beirut, os Akron Family, os Dinosaur Jr.?
Sou eu que estou mal, admito. Ao reler este post é a conclusão a que chego. No fundo não quero que estas bandas venham cá em festivais, que se lixem os festivais, quero concertos em nome próprio em locais amistosos como Aula Magna e Coliseu. Será que há espaço para uma produtora de concertos independente em Portugal, que me veja como um nicho de mercado e faça os concertos que eu quero, onde eu quero?

04 março 2010

Diabo na Cruz - São Jorge - 03.03.2010



Boa noite nós somos o diabo na cruz, diz o Jorge, também cruz, nas boas vindas ao São Jorge. Muita gente, sala quase esgotada, para ver o primeiro grande concerto em Lisboa.
O grupo é o Jorge Cruz, Bernardo Barata, B Fachada, João Gil e João Pinheiro, cada um deles já com trabalhos e vários anos de música. A música que fazem está entre o rock punk e o lore, folclore, tradição lusitana. Alguém classificou esta banda como "quinta do bill meets zeca afonso". Também é uma boa definição. Há várias definições, mas isso não é o que interessa. Interessa sim o som que resulta dali, músicos com passados e contextos musicais diferentes, com uma ideia mais ou menos definida, e com o firme pensamento de Há Meninas à Espera Vamos Lá Pôr Isto a Andar.
Já conhecia o disco, e já tinha visto ao vivo no Musicbox, mas o concerto de ontem superou tudo isso. Tocaram músicas novas, e também as do disco, donas ligeirinhas e afins, e mostraram que estão aí, chegaram.
Pelo que me pareceu ontem, este diabo pode ir longe, tem o potencial para se tornar um caso sério. Pegam na tradicionalidade lusitânica juntam-lhe guitarras frenéticas, umas teclas versáteis - às vezes fazia lembrar "Riders on the Storm", outras lembrava quase Daft Punk. A bateria é a convencional, mas depois tem um enorme bombo, rufo, cujo som faz lembrar tempos medievais.
E o som que do palco sai às vezes leva-nos a esses tempos, idade média, tiro com arco, bobos da corte..
Essa lusitanidade é muitas vezes transformada em puro rock, seattle anos 90, londres anos '70, '80, 2030...
O que me faz elevar o diabo na cruz a superbanda é não só a qualidade e a agradibilidade da música, mas também é a versatilidade, não se fecham num só conceito, e querem inovar. Mesmo que não inovem na música em geral - eu acho que sim, poucas coisas terei ouvido na vida que me soassem assim - inovam na sua música. No concerto de ontem percebi isso com duas ou três músicas novas.
Deixo, portanto, a recomendação de uma boa banda, um bom projecto, que pode vir a bem maior e deixar marca.

Talvez Relacionado #43

Os Foals estão de volta! Depois do excelente "Antidotes", vão no dia 10 de Maio lançar "Total Love Forever", o seu segundo álbum e a partir de hoje está disponível uma primeira amostra, de nome "Spanish Sahara". Algo diferente do registo anterior, não deixa de me deixar ainda mais intrigado com o que aí vem... Ò senhores dos festivais, porque é que andamos a repetir ano após ano bandas que já cá vieram e ninguém se lembra destes? Cambada...

22 fevereiro 2010

US Girls + Real Estate - ZDB - 19.02.10


À entrada para este concerto, e enquanto mostrava os bilhetes para entrar, o mesmo porteiro que me permitiu passagem barrava 5/6 pessoas derivado de estar lotação esgotada. Fiquei algo surpreendido com este facto, afinal de contas os Real Estate são uma banda bastante recente, tendo lançado o seu primeiro álbum no final do ano passado, mas serve para provar que temos público que está ao corrente do que se passa no mundo da música.
Subindo as escadas, passando o bar e o pequeno pátio, começamos a ouvir uns sons estranhos. Um arranhar de um qualquer instrumento, uns berros, mas ninguém no palco. Pensava eu. Estava lá agachada, à volta de uma caixinha de música e agarrada ao microfone não as, mas a U.S. Girls. Uma banda de elemento só que muito berrou ao microfone, muito mexeu na sua caixinha, mas espremendo bem a coisa, a meu ver pouco sumo de lá saiu.
Quando os Real Estate subiram ao palco já o espaço era diminuto para os nossos braços, quanto mais para tentarmos acompanhar o ritmo da banda. A sua "onda" que é descrita pela wikipedia como "psychedelic surf pop", começou numa toada calma, à medida do que é o seu album homónimo, mas que pensei que ao vivo fosse um pouco mais animado. Alguma interacção com o público, constantando o facto de serem de New Jersey, de aquela ser a última noite da tour europeia, pedindo até voluntários para lhes dar um tour de Lisboa. E depois lá arrancavam com mais uma música, embalando o público. O melhor para mim foi mesmo o final. Na última música e nas duas do encore a energia subiu um pouco mais, quiçá pelo sentir que se aproximava mesmo o final da tour, e puxaram um pouco mais pelas guitarras e o ritmo foi mais animado. "Fake Blues", a música que vos deixo aqui abaixo, foi para mim o ponto alto do concerto que foi engraçado de ver e ouvir, mas do qual senti que poderiam ter dado um pouco mais. E a modos que é isto.

11 fevereiro 2010

Lichens + Xamã - ZDB - 10.02.2010

Absorto. É o sentimento em que me sinto no momento em que escrevo estas linhas. Houve qualquer coisa de muito real mas ao mesmo tempo muito etérea e imaginária que se passou em cerca de duas horas na Galeria Zé dos Bois. Um colectivo "fantasma" de seu nome Xamã e, como prato principal, Lichens. Mas comecemos pelo início da aventura onírica.

Com uma ZDB mais tranquila que em outros concertos que este escriba já assistiu, inclusive o facto da sala ser em lugares sentados, a noite começou por volta das 22:30 com a entrada de um trio português intitulado Xamã.
Deles se diz que são um "colectivo fantasma de geometria variável em estreia na Zé dos Bois sob a forma de tríada eléctrica. Constituído por alguns dos mais generosos e talentosos músicos nacionais, a banda - qual mito urbano - afasta-se do percurso a que são frequentemente associados os seus membros para abraçar a surpresa T-O-T-A-L."
Hoje, um power trio com bateria, baixo e guitarra eléctrica. Até aqui nada de especial. Enganem-se. Atentando com mais rigor nos elementos da banda e repara-se que todos têm a face tapada. O baterista com uma máscara de luchador, os outros elementos com panos ou lenços na cara, completando o anonimato com um gorro de camisola por cima da cabeça. Quem seriam estes tipos? Ao sinal dos primeiros sons, deixámos todos para trás aquela excentricidade. Que interessava realmente ver a cara daqueles tipos? Provavelmente não passariam de mais 3 cabeludos e barbudos. Ah mas o som... 20 minutos, mais coisa menos coisa, durou o set destes 3 incógnitos. Terão tocado 2 músicas, quem sabe 3. Não interessava. Um rock instrumental de origens ácidas. "Stoner Rock" poderia ser um dos nomes mas não, não chega. "Experimental Rock" talvez... O que interessa é, mais uma vez, realçar que as pessoas não devem perder as primeiras partes de concertos só porque são demasiado preguiçosas. Eu quero mais destes senhores e, por mim, podem ficar o resto da vida disfarçados. O som é que tem que sair cá para fora...

O senhor que se seguia também se encontrava "escondido por uma máscara". Lichens ou Robert Aiki Aubrey Lowe, veio a Lisboa mostrar um pouco do seu trabalho a solo. Ex-membro dos 90 Day Men e colaborador em outras bandas, nomeadamente os Om, Robert Lowe é, basicamente, um desenhador. Tanto visual como auditivo. As camadas de sons que, sozinho, faz, conseguem preencher uma tela inteira. Os seus constantes loops hipnóticos e, por vezes, oníricos, conseguem fazer-nos parar a olhar para o infinito durante minutos a fio, perdendo-nos do resto do mundo ao nosso lado para acordarmos com um pequeno toque no pé ou no braço de um qualquer espectador ao lado (Tá quieto, oh Vasco). Um set que, supostamente, era constituído por uma só música e aqui o termo música nada tem a ver com a música que conhecemos. Aliás, não lhe chamemos música. Chamemos-lhe Tela. Lichens desenhou-nos durante cerca de 40 minutos uma tela. Algo irrepetível e foi só para nós. Nós gostámos tanto e pedimos mais. Algo exausto e cansado, Robert voltou, pintou outra tela, esta já formato A5 e foi-se embora como veio, misterioso. A tela, essa, ficou marcada cá dentro...

Ps: Um exemplo do que não passou em Lisboa:

09 fevereiro 2010

Relacionado #38

LICHENS
Mais uma vez a ZDB mostra porque é, realmente, uma das melhores casas de concerto em Lisboa. Não só tem uma boa localização e bom ambiente como traz, quase sempre, grandes músicos a preços irrisórios. Amanhã, dia 10, às 22h, é a vez de Lichens, pseudónimo para Robert A. Lowe. Este músico traz consigo na bagagem um projecto experimental com ambientes hipnóticos e psicadélicos com uma grande carga de improviso. Não será apenas mais um concerto. A não perder. Aqui fica um excerto de um concerto em Paris.

08 fevereiro 2010

Os Velhos - Cabaret Maxime - 05.02.2010



Os Velhos são uma banda nova, que apareceu há pouco tempo, ainda só têm um EP editado, e mais algumas músicas. São da Amor Fúria, Companhia de Discos do Campo Grande, e praticam rock.
E o mais interessante do concerto no Maxime, a 5 de Fevereiro, foi a vasta legião de fãs que esgotou por completo a lotação do cabaret. A grande parte das pessoas que estavam a assistir, e a cantar fervorosamente as músicas e trautear as melodias, eram jovens adolescentes, imberbes, e...betos. Aquilo a que dantes se chamava queques. Uma franja da sociedade que, há alguns anos e quando tinha esta idade, ia sair à noite para o Whispers ou Maria Bolachas, e vibrava com músicas como Let's Get Loud da J. Lo, ou Walking on Sunshine de Katrina and The Waves. Não que isso seja mau, mas só porque isso era um género de pessoas. E agora, esta mesma franja da sociedade ouve rock, e Strokes, e Arcade Fire, e deixa crescer a barba... (não quero ser tido como preconceituoso aqui, só estou a tentar ilustrar como as coisas mudam). As mesmas pessoas que há uns anos olhavam com ar de nojo para bandas como os Strokes, agora sabem as letras todas de cor. E isso é bom.
E o concerto d'Os Velhos foi um interessante mini laboratório social. É um fenómeno engraçado este.

Do ponto de vista musical, os Velhos, tal como a malta que os ouvia, são uma banda jovem, ainda a dar os primeiros passos. Mas têm potencial. Pelo menos, as bases são boas, as influências são boas - não fazem de certeza música inspirada em Jeniffer Lopez. Têm energia, têm muito por onde crescer. E cantam em português, e de uma forma que não sendo genial, não ofende minimamente, e isso é bom. Hoje em dia são muitas as bandas e cantautores a usar o português, e isso é salutar (aliás, hoje ouvir portugueses a cantar em estrangeiro já me faz alguma espécie).
Mas Os Velhos são mais uma banda deste género a aparecer, e isso é sempre bom, quantas mais melhor. Porque eles podem não ser geniais. Em 9 bandas que apareçam, podem ser todas más, mas se a 10ª for muito boa, valeu a pena. Acho que estamos a assistir ao nascimento de uma corrente, na música portuguesa, e por isso, todos os músicos desta nova geração que estão a aparecer, terão pelo menos o mérito de fazer parte da história, de ter desempenhado um papel importante no “partir pedra”.
Daqui a 10 anos completo este artigo...

05 fevereiro 2010

Arctic Monkeys - Campo Pequeno - 03.02.2010



They grow up so fast.
Os Arctic Monkeys tocaram em Portugal, pela 3ª vez desde 2006, e isso foi só há 4 anos.
E hoje, os Arctic Monkeys estão adultos. E há 4 anos, eram simples adolescentes, com jeito para a música, mas não eram mais do que adolescentes, com tudo o que de bom e de mau isso tem. E passados 4 anos e 3 discos, eles tocam em Lisboa, e dão um concerto que é de guardar na memória.
Campo Pequeno todo lotado, com adolescentes e quarentões, tudo em pulgas para ver os Monkeys. Alguns resistiram ao saber que era no Campo Pequeno, raro é o concerto que tem bom som, e isso estraga logo quase tudo. mas desta vez, alguém se esmerou, e o som só não estava mau, como estava muito bom. Não fazia eco, os instrumentos saíam limpos, nenhum se sobrepunha muito aos outros. Lá está, o som bom na sala, melhora logo quase tudo (por isso quse todos os concertos na aula magna são bons).
Mas neste concerto não havia outra hipótese, o som tinha mesmo de estar bom, porque o novo álbum dos Arctic Monkeys, Humbug, tem uma sonoridade limpa, definida. Neste capítulo, tudo correu bem.

A actuação deles em palco, e a pose deles em palco, e a música deles em palco, provou que eles cresceram, amadureceram, fizeram-se homens.
A diferença do último para este álbum é o que cada membro da banda passou. Nestes anos, desde 2007 quando saiu Favorite Worst Nightmare, os putos de Sheffield viveram muito mais do que tinham vivido até aí - enfiados na sua cidadezinha inglesa, sempre sem sol. Neste processo de crescimento de cada um deles, há uns aspectos a destacar. Nomeadamente a música que começaram a ouvir. Por sua iniciativa, e por iniciativa de um jornalista da Mojo, que lhes deu um molhe de discos e lhes disse "vocês têm de ouvir isto". E fez ele bem. Um artista, para ser melhor no que faz, tem de conhecer o que já foi feito.
E com os Monkeys deu-se isso, ouviram Black Sabbath e Led Zeppelin. E deixaram crescer o cabelo. E foram aos Estados Unidos, e gravaram nos estúdios do Jimi Hendrix. E Gravaram com o Josh Homme, algures no Mojave Desert na Califórnia.
E isso, claro, influencia tanto a pessoa como o músico.

Em palco, no Campo Pequeno, estiveram esses músicos e pessoas, mudados, mais velhos, mesmo que ainda tenham 24 anos. E fizeram um concerto memorável - com direito a uma explosão de confettis no fim. Tocaram as músicas novas, mais melódicas e com menos exuberância rock, tocaram as músicas mais exuberantes rock dos álbuns anteriores, mas fizeram-no de forma adulta. Puseram o Campo Pequeno a cantar, a dançar, e em certas alturas, a fazer moche. Têm energia, boas músicas, um atitude discreta (baixo-perfil), e sabem conquistar o público.
São um caso sério, porque o talento musical está lá, e o potencial para crescer, está lá ainda mais. Principalmente se continuarem a ser bem orientados, e se continuarem a encarar a música como encaram - sem grandes preocupações, e cada vez mais comprometidos com o som. Uma grande banda para os anos 10.

03 fevereiro 2010

Arctic Monkeys - Preparação


O propósito deste post é muito simples - proporcionar aos leitores do Altamont fazerem um aquecimento para o concerto de Arctic Monkeys, mais logo no Campo Pequeno. Para tal, nada como clicarem na imagem acima, que vos dará ligação directa à emissão online da Antena3, na qual, a partir das 17h, os Arctic Monkeys farão uma sessão especial acústica.

Enjoy!

01 fevereiro 2010

Samuel Úria - B Fachada - Manel Cruz - LX Factory - 30.01.2010



Lx Factory, 30 para 31 de Janeiro, final do Termómetro (ex Unplugged), 6 bandas finalistas, e uma convidada.
Os convidados não eram uma banda, eram 3 cantos do século XXI, que inspirados nos 3 cantos do século XX (link para arti). Manel Cruz, Samuel Úria e B Fachada.
O concerto que deram foi uma espécie de concerto, porque tocaram 6 músicas (há bandas que tocam mais que isso num showcase na fnac), para gente que esperou até às quatro e mais que meia da manhã. Claro que sabe a pouco, mas encheu as medidas. Cada um tocou duas músicas suas, alternadamente, e o show acabou com Capitão Romance. E aí, a casa veio abaixo. Mais ou menos 2 mil pessoas, a cantar a música, mesmo com vontade, como se já não vissem os Ornatos ao vivo há muito tempo. E não viam. Há tempo demais. A noite girou um bocado em torno da aparição do Manel Cruz, que continua a ser um dom sebastião musical, pelo menos para um grupo mais ou menos grande de adeptos. Porque ele é o lado mais visível dos Ornatos Violeta que, mais uma vez ficou confirmado, são mesmo uma banda de culto. Culto e grosso.

Na noite de sábado, o sebastião tocou ao lado de outros dois cançonetistas promissores, gente da nova vaga de lusitanos que tocam e cantam, e querem encantar, e encantam.
E este concerto teve encanto, porque todos eles são músicos inteligentes, criativos, e têm talento ser mais do que promessas.
O Úria e o Fachada já estão habituados a tocar juntos, mas o Manel foi uma surpresa – e aqui se louva a organização do Termómetro, que promoveu esta tripartida cantaria. E a escolha foi acertada, porque os 3 se encaixam bem na música dos outros, e nas ideias, e é sempre agradável ver este tipo de iniciativas. Só fazem bem à música portuguesa, e devem ser repetidas.
Quanto ao concerto, foi um belo momento musical, intenso, música para ouvir com o interior. Mais do que a performance, fica o sentimento que eles levaram para o palco, num concerto meio improvisado, mas que deu para entreter, e para matar saudades do passado, e abrir o apetite para um eventual futuro.
Valeu a pena por ser raro (não sei se volta a acontecer, espero que sim), e porque trouxe o Manel Cruz cá abaixo, à capital, para nos mostrar que não está parado, e por isso não deve tardar muito até editar novo material.

31 janeiro 2010

Norberto Lobo - Culturgest, 5 e 6 de Março, 5 euros

Norberto é bom e o primeiro dia está esgotado e o segundo eventualmente também ou se não está está quase e isto porque ele é bom e dentro de mim a sua música faz-me lembrar nuvens a passar no céu com alguma velocidade a passar a passar a passar a p

28 janeiro 2010

The Fish - Culturgest 25 Fevereiro, 5 euros

THE FISH
... e já que estamos numa de confidências, este é o concerto que vou ver no dia 25 de fevereiro.
É um som bucólico, que me faz lembrar calmaria, campo, um rio que escorre lento com a paciência das eternidades umas a seguir às outras, um cigarrinho pendurado no lábio e uma andorinha a sobrevoar-me no adejo gracioso de quem só tem de voar para se sentir viva... recosto-me na espreguiçadeira e digo ahhhh...

24 janeiro 2010

Jandek e eu no Maria Matos, 23 de janeiro de 2010

Jandek, nome estranho. Espécie de Herberto Hélder do Texas, classificado em todos os artigos como “o tipo misterioso que não dá entrevistas” e que por isso há quem pense que ele seja ou um psicopata ou um tipo brilhante, se calhar é apenas um tipo reservado, a verdade é que esse retraimento social faz com que falem dele e façam documentários. Tinha visto uma notícia no jornal sobre o concerto, o Cisto louvou o indiesmo deste senhor, catalogou-o algures entre o folk e o free jazz. Ouvi o que pude ouvir na internet e reconheci o folk – digamos neo-folk, eu sei lá – algures por ali, não reconheci o free jazz, ontem no concerto reconheci o free jazz mas de folk pouco ou nada, gostei da ideia: Jandek não é tipo previsível e ontem senti-me parte de uma experiência no mínimo singular. Isto porque acredito que o próximo concerto de Jandek quer seja em Espanha ou no Japão, certamente não terá o mesmo tempo nem as mesmas músicas nem os mesmos acordes nem o mesmo, continuemos:
Jandek veio portanto ao teatro Maria Matos – sala demasiado grande para a número de espectadores presentes e para o carácter intimista da música tocada – com três músicos locais, digo isto pelo que li visto que os seus nomes ou origens nunca foram pronunciados durante o concerto e as luzes apagaram-se, anunciaram aquela coisa do desliguem os telemóveis e no escuro ficámos por uns bons três minutos de suspense até que como crianças tímidas os músicos lá se foram chegando ao palco e aos seus lugares. Sentaram-se de olhos postos no chão e o tal Jandek começou a arranhar as cordas da sua guitarra, provocando um som monotónico semelhante a tudo o resto que serviria de base para toda a sua actuação. Por detrás ou à sua frente aos restantes músicos era dada a liberdade para improvisar, tendo o pianista e o saxofonista a responsabilidade de serem os elementos mais desconstrutivos do ajuntamento. O concerto não primou por uma elegância instrumental arrebatadora, o cornetista Sei Miguel pouco saiu de um estilo exageradamente milesdavisiano com as suas notas largas agudas lamurientas, nas últimas músicas já nem se levantava da cadeira e apenas abanava a cabeça de olhos fechados como quem engole uma bebedeira pelos ouvidos, o pianista que não vou dizer o nome porque li dois nomes apresentados em diferentes fontes, cumpria uma função claramente percussionista, martelando as teclas com um descuidado ocasional sem grande fulgor e ou ele não sabia mais ou não lhe fora pedida outra coisa senão isso mesmo, o holandês Peter Bastien era quem mais estimulava a atenção do público e apesar de lhe reconhecer a coragem para arriscar nas suas deambulações improvisadas de notas soltas teve a infelicidade de por duas ou três vezes se ter entusiasmado demais e ter tentado ir para lá das suas capacidades mas duvido que muitos lhe tivessem notado a falta de fôlego ou de dedos, o próprio Jandek não mostrava intenções de ir para lá do que a sua música minimalista apresenta e lá foi arranhando massajando mexendo apalpando as cordas numa cadência de quem afina um instrumento mas sem lhe alterar os tons e pelo meio ia narrando pensamentos guturais que pouco variavam de algo como I am alone at this house and I look at the mirror and I say to myself is this me or am I somebody else’s imagination, percebem a onda, e sempre num tom monocórdico e cavernoso e claro que as pessoas iam bocejando e um tipo que estava ao meu lado chamado raul ia olhando para o relógio e juntando as pálpebras dos olhos e às tantas pôs a mão na minha perna mas eu não notei porque estava embriagado com aquela música de cadência atordoante e durante quinze minutos fechei os olhos e abanei a cabeça como o Sei Miguel e a luz era azul e inerte e o escuro tentava impor-se no palco e o Jandek, que já agora parece uma figurinha tirada de um filme do Dreyer, não olhava para os músicos não olhava para o público não falava com ele connosco e claro as pessoas sentindo-se miseráveis porque vinham ali para receber obrigados e quase que parecia que as palmas eram em vão, o raul a meio de uma música sussurra-me, Já reparaste que os sonhos são sempre inacabados, eu não lhe respondi. A dada altura Jandek acaba uma música, os tipos da banda estalam os dedos e os pescoços à espera de um novo pano de fundo para os seus sopros e martelares e o tipo vira-se para trás muito lentamente num jeito de quem tem o pescoço engessado e não pode fazer movimentos bruscos, carrega no botão on/off do amplificador, o público entreolha-se, ele poisa a guitarra, os músicos entreolham-se, já acabou quis alguém perguntar, ninguém o fez, o tipo coloca as mãos sobre as coxas, respira fundo como um velho que contrariado lá tem que se levantar, eleva-se, o Bastien murmurando para ele próprio Poiso o saxofone não poiso o saxofone, o tipo das luzes Ligo as luzes não ligo as luzes, alguém dá uma palmada solta, outro alguém dá outra, damos todos, já o Jandek está do outro lado da cortina quando os aplausos se tornam consensuais, personagem estranha, olho para a coxa e vejo a mão do meu amigo poisada, pergunto-lhe, Que estás a fazer meu, ele abana a cabeça, finge-se desencontrado com o mundo e no dia seguinte pergunta-me como foi o concerto e fala-me de sósias e estranhas dores de cabeça. No fim das contas gostei muito, refiro-me ao concerto.