Mostrar mensagens com a etiqueta Fresquinhos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fresquinhos. Mostrar todas as mensagens

08 março 2011

Álbum Fresquinho: Radiohead - "The King of Limbs"

Um simples "Radiohead have a new album", como fez o meu colega de chafarica Cisto a propósito dos Deerhoof seria mais que suficiente para este The King of Limbs, afinal de contas, é um álbum dos Radiohead. Dispensa apresentações, análises exaustivas, comentários, teorias, comparações, reviews, afinal de contas, é um álbum dos Radiohead. Os próprios membros da banda sabem que quando fazem um álbum o único espectro que os assombra é o das elevadas expectativas que os fãs têm. Mas sosseguem os fãs, afinal de contas é um álbum dos Radiohead. Sou suspeito para vir aqui escrever sobre os Radiohead?  Eu, culpado, me confesso. E sem mais palavras, sem mais demora, passemos à música, que está já já aqui abaixo. Afinal de contas, é um álbum dos Radiohead.

01 março 2011

Álbum Fresquinho: Beady Eye - "Different Gear, Still Speeding"

O ano de 2009 acabou a notícia trágica (ironia, apesar de tudo) da discussão (desta vez, sem volta ou será mesmo assim?) da infame dupla de Manchester, os irmãos Gallagher e consequente desmembramento da banda Oasis, formada no início dos anos 90. Importa dizer que a banda de Manchester teve um sucesso astronómico com o seu primeiro disco, Definitely Maybe, que apesar de ser uma amálgama de influências e mesmo roubos (olá T-Rex em cigarettes and alcohol) de várias bandas, não deixa de ser um álbum poderoso e que marcou o seu lugar na história do pop/rock. A partir daqui foi sempre a descer. What's the Story (Morning Glory) foi um bom álbum, onde sobressaiam as açucaradas "Wonderwall, "Don't Look Back in Anger", "Some Might Say" ou "Champagne Supernova", no entanto, o rasgo criativo começava a desaparecer e isso viu-se logo em Be Here Now, disco muito fraco, cheio de clichés e sucedâneos dos discos anteriores. Aliás, o melhor ficaria escondido em B-sides, que só parte veria reconhecimento anos mais tarde em Masterplan. Com a musa criativa a voltar costas a Noel Gallagher, os episódios alheios à música iam acontecendo. Após a mudança de baterista após o primeiro disco, seriam agora os fiéis sidekicks que abandonariam o barco. Muita confusão ia na cabeça de Noel, o que o fez até dar voz (leia-se escrita) a Liam. O resultado seria pavoroso ("Little James"), no entanto pôs o jovem Gallagher a pensar mais com a cabeça e menos com os tomates. O resultado vê-se hoje em dia. Sim, Liam não é Noel. E Nunca o será. É um arruaceiro, um "bronco", um bully. Alguém que não escolheríamos para amigo. Tem todo o ar que não diz uma frase de jeito, quanto mais escrever uma música decente. No entanto, em pouco mais de dez anos, Liam, com a ajuda do persistente companheiro de banda, Gem Archer, conseguiu desenvolver algo para além daquela voz suja do Rock na qual Liam é um dos últimos timoneiros num mundo heroís pícaros. De facto, esta primeira experiência de Oasis "sans" Noel é, relativamente surpreendente. Sempre fui um "George", como há pessoas que são mais "Paul" ou "John", e, relativamente a Oasis, sempre fui um "Noel". Considerava a voz do Liam como gasta, irritante passadas algumas audições e não acreditava num disco todo liderado por este "selvagem" de Manchester. Apesar das habituais charopadas como em "Kill for a Dream", os Oasis, perdão Beady Eye, continuam a carregar a chama do velho Rock 'n Roll para quem ainda está interessado nele, porque apesar de serem muito mais básicos do que se faz hoje em dia, há sempre um momento em que nos faz bem ouvir guitarradas e solos, cada vez mais em vias de extinção nos dias que correm...

08 fevereiro 2011

Álbum Fresquinho: Ariel Pink's Haunted Graffiti - "Before Today"

Já tem mais de 3 meses, bem sei, o que não devia permitir ser categorizado como fresquinho. Mas pelo facto de eu só o ter apanhado no meu radar no início deste ano e por achar que merece ser falado aqui no Altamont, aqui registo umas breves palavras sobre este Before Today, dos Ariel Pink's Haunted Graffiti.
Nada como começar por falar um pouco do artista - Ariel Pink anda em constante labuta desde o longíquo ano de 1998. Sempre sempre escondido, gravando em casa, pouco divulgando o que ia fazendo. Apenas em 2003 lembrou-se de oferecer um CD-R do próprio a uns tais de Animal Collective. E foi por aí que a coisa começou a esquentar, com muitas atribulações pelo meio, muitas incertezas, concertos que corriam mal, Ariel Pink manteve a sua veia criativa resguardada. Finalmente em 2010 assina com uma label um pouco maior e se permite mostrar o seu trabalho a uma audiência mais alargada, através deste Before Today.
Começo por descrever a minha primeira sensação ao ter esta música a ecoar nos ouvidos: estar a actuar num filme do John Carpenter, ou num qualquer outro filme de anos 80, com aquelas bandas sonoras recheadas de sintetizadores. "Beverly Kills" acho que é o melhor exemplo disto mesmo. Mas ouvindo melhor se calhar até é mais disco dos final anos 70, muito na onda Earth, Wind & Fire. E o estranho é mesmo isto, a cada audição parece uma coisa diferente. Ultrapassada que está a fase da estranheza inicial, encontro-me numa fase de estar com uma vontade constante de descobrir cada pormenor deste álbum. Não sei o que virá a seguir, se enjôo total, se entrada para adoração. Tudo pode acontecer.

Neste preciso momento não estou a conseguir disponibilizar grooveshark, pelo que deixo para já um vídeo e logo que possível o álbum completo.

18 janeiro 2011

Álbum Fresquinho: Fistful of Mercy - "As I Call You Down"

O que acontece quando misturamos o génio criativo de Ben Harper (embora algo escondido nos últimos anos), com o know-how bebido durante anos a fio de um pai Beatle (Dhani Harrison), com a ajuda de um singer-songwriter mais obscuro, Joseph Arthur e polvilhado aqui e ali com os nobres toques do baterista Jim Keltner, ora o resultado é algo dúbio. Se, por um lado, não se poderia ter muita expectativa, porque apesar de tudo não podem ser considerados um supergrupo, por outro, o seu pedigree exigiria talvez mais. Não se pense, no entanto, que este é um disco fraco. Não. É um disco na linha de uns CSN ou CSNY (Crosby,Stills, Nash and Young) mas com a dinâmica despreocupada de uns Traveling Wilburys. Mostra um Ben Harper mais solto e um Dhani a mostrar que não é apenas o filho do pai. As harmonias e temas tipicamente da America profunda fazem dos 40 minutos que dura o disco uma boa companhia.  Pena que em vez de o terem gravado em apenas 3 dias, o pudessem ter levado mais a sério e ter "cozido o bolo por completo". Por agora, já foi bom, mas pede-se mais para a próxima.

11 janeiro 2011

Álbum Fresquinho: Deerhunter - "Halcyon Digest"

Diria que este álbum está no limite do ser ou não fresquinho, dado que foi lançado há já 3 meses, mas derivado do facto de me ter marcado mais do que qualquer outro lançado no último trimestre de 2010 achei que merecia destaque aqui no Altamont.
Os Deerhunter formaram-se em 2001, apesar de só em 2005 terem lançado o seu primeiro álbum, Turn it Up Faggot. Após mais 2 álbums e dois EP's, e vários projectos pessoais dos vários elementos da banda (destacando naturalmente o vocalista Bradford Cox e o seu projecto Atlas Sound) chega-nos então este Halcyon Digest.
Mergulhar neste álbum é mergulhar num mundo onde as nossas memórias reais se misturam com os nossos sonhos, até chegarmos a um ponto em que já não sabemos bem distinguir uma da outra. O próprio Cox refere no site da banda que o título do álbum é uma referência ao facto das nossas memórias estarem constantemente a serem re-escritas, levando à criação de uma memória condensada das nossas próprias vivências. E isto mesmo sente-se não só a nível das letras, mas também a nível sonoro, a utilização de uma alargada palete de instrumentos (guitarra acústica, percussão electrónica, banjo, harpa, harmónica, harmonias vocais e saxofone) cria vários níveis de camadas que são uma delícia de explorar, especialmente com a atenção que só os headphones permitem. Os próprios títulos das músicas, "Revival", "Memory Boy", servem para passar esta mensagem, mas diria que em termos sonoros é em "Desire Lines" que mais se tem esta sensação de andarmos perdidos em sonhos e vivências longíquas. E com a breca, sabe bem!
 Não é um álbum que entra à primeira, mas muitas vezes estes são os que ficam mais tempo nos nossos ouvidos e na nossa cabeça.

30 novembro 2010

Álbum Fresquinho: Les Savy Fav - "Root For Ruin"

Os Les Savy Fav são mais uma banda que andou escondida de meio mundo durante uns bons anos, uma vez que a banda formou-se no já longíquo ano de 1995. Tendo como inspiração inicial bandas como os Fugazi e Pixies, mais viradas para o garage rock, foram-se tornando cada vez mais macios, mais radio friendly. Isto, ao nível de discos, porque ao vivo são um portento de energia, assumindo o vocalista Tim Harrington o papel de cão raivoso, louco, insano, selvagem, caótico, o que lhe quiserem chamar. Já antes neste blog se falou disso mesmo neste post e neste. A grande dificuldade neste caso, é mesmo em conseguir transpôr toda esta energia gerada nos concertos para álbuns e ao mesmo tempo fazer com que as rádios os passassem. Penso que o terão conseguido no excelente Let's Stay Friends, tornando a tarefa do seguinte ainda mais difícil.
Chega-nos então Root For Ruin, passados que estão 3 anos e numa primeira impressão diria que não se safaram mal. Atacam logo de início, com as fortes "Appetites" e "Dirty Knails", deixando para depois coisas mais catchy, como exemplo o single "Let's Get Out of Here". Mas as guitarras fortes nunca nos abandonam, muitas vezes parece que estamos perante um duelo de titãs entre os dois guitarristas Seth Jabour e Andrew Reuland, sendo isto mais notório em músicas como "High and Unhinged" e "Excess Energies".
Em jeito de conclusão, temos um pouco mais do mesmo. O que como sabemos pode ser positivo ou negativo, dependendo da interpretação de cada um. Nada como ouvir e julgar por vocês mesmos.

23 novembro 2010

Álbum Fresquinho: The Brian Jonestown Massacre - "Who Killed Stg. Pepper?"

Anton Newcombe vive em Berlim. Parece determinado a produzir música. Música. Talvez daí ter reduzido o seu website a isso mesmo. Para quem anda farto dos maricas Indies (vide último Fresquinhos), faça o download no iTunes do seu último trabalho. "Who Killed Stg. Pepper?" é duma frescura do caraças.
Para aqueles com ligação lenta, seja por viverem em Moçambique ou em Londres, ouçam apenas a Feel it.

16 novembro 2010

Álbum Fresquinho: Kings of Leon - "Come Around Sundown"

Se na semana passada referi que a luz do  indie rock estava a apagar-se aos poucos, agora falo da luz de uma banda que completamente desapareceu e se tornou num monolito baço sem qualquer pinga de criatividade. Falo de uma das bandas que mais me deu prazer ouvir nos últimos anos e é com pena minha, aliás muita pena minha, que digo que daqui não esperem mais nada. O que é pena.
O que começou como uma banda de quatro miúdos, 3 irmãos e um primo, meio saloios, filhos de um pastor americano, a tocar o rock de camionista mas com muito peso e muita entrega acabou, infelizmente neste Come Around Sundown, álbum muito fraco onde apenas se aproveitam as seguintes músicas: "Radioactive", embora nada do outro mundo, tem aqui e ali algum do som crú que fazia parte da génese da banda. "Back Down South", a melhor música do disco, com uma slide guitar a soar verdadeira e despretensiosa. Simples mas boa. O resto, meus amigos, é pura e simplesmente, chato e desinteressante. Um disco a tentar ser "radio-friendly" mas sem apresentar argumentos de qualidade. Oiçam por vocês próprios. Os amantes de "Use Somebody" vão gostar, provavelmente...

09 novembro 2010

Álbum Fresquinho: Interpol -"Interpol"

Há uns dias um velho comparsa meu atirou-me para a cara: "os Franz Ferdinand estão datados!". Como não estava à espera de uma intervenção assim fiquei meio estupefacto e tentei rebater a afirmação, ao qual ele me diz: "há quanto tempo não ouves um álbum de FF de início ao fim?". Desarmou-me. De facto, Franz Ferdinand, como o indie rock em geral está a ficar datado. Já são dez (10!) anos de boa música de um estilo que veio "salvar-nos" da mediocridade do pop/rock que vigorava no fim dos anos 90. Pois bem, em dez anos passam-se muitas coisas. O mundo muda, os estilos mudam. Os próprios Beatles nem dez anos duraram. É complicado a uma banda manter-se honesta e no "top of the game" por muito tempo. As pessoas cansam-se e é normal. O indie rock está a morrer aos poucos, lentamente e este último disco dos Interpol é uma das imagens desse falecimento. Tanto a nível estético como lírico.
Apenas intitulado "Interpol", algo que a maior parte das bandas o faz logo no primeiro disco, o que poderá querer significar que o ciclo fechou e a partir de agora ou se entra por outros caminhos ou se começa a apagar lentamente como uma fogueira a qual não alimentamos mais, ou porque não precisamos de mais calor ou porque não temos mais lenha (leia-se ideias). "Interpol", quarto disco de originais da banda nova-iorquina, liderada por Paul Banks, agora com menos um elemento, cheira apenas a competente, o que não é mau, mas não é bom. Não tem a melancolia e estranheza de Turn on the Bright Lights nem a pujança e velocidade de Antics nem sequer o lado mais apelativo de Our Love to Admire. Serve para entreter, para meter lá no meio dos bons mas sem sair muito da estante. O fogo está a apagar-se mas ainda lança algumas labaredas e nos queima como em "Success", "Lights" ou "Barricade" e ainda nos leva a alguma mais distante sombria na trilogia final com "Try It On", "All the Ways" e "The Undoing". Tudo somado não nos deixa desiludidos porque já não estamos mais à espera de muito. Tal como eles, crescemos, expandimos horizontes e já estamos prontos para o futuro pós indie-rock. Falta eles darem o próximo passo ou o fogo apagar-se-á para sempre...

02 novembro 2010

Álbum Fresquinho: Wolf Parade - "Expo 86"

Este não é um álbum tão fresquinho como outros que aqui já foram colocados (foi lançado já em Junho deste ano), mas como no iPod e na minha cabeça ainda soa a fresco, achei por bem dedicar-lhe algum tempo de antena aqui no Altamont.
Expo 86 é o terceiro álbum dos Wolf Parade, banda de Vancouver, Canadá, cujos membros são muito promíscuos em relação à música, dada a longa listagem de bandas em que cada um contribui ou já contribuiu no passado (onde se inclui Handsome Furs, Sunset Rubdown, Hot Hot Heat e mesmo Arcade Fire). Talvez toda esta promiscuidade seja factor decisivo para se reunirem como Wolf Parade e fazerem grandes discos de rock, e este Expo 86 é mais um, após os anteriores Apologies to Queen Mary e At Mount Zoomer.
Em relação a estes, este novo álbum parece muito mais cru. A banda admite que houve mudança na sua forma de trabalhar, deixando mais espaço ao improviso e menor trabalho de edição e produção final e isso nota-se, diria até que há momentos que parece estarmos num ensaio. Mas não se pense que com isto ficamos a perder, longe disso, a experiência que vão tendo já lhes permite um maior nível de risco e ousadia e é mantido o principal ingrediente da banda - a energia, que nos é entregue através de riffs, distorção, uivos e uma bateria persistente e por vezes insana. É também um álbum que preza pela regularidade, sempre mantendo um nível forte. Spencer Krug e Dan Boeckner revezam na voz e na composição de músicas e quase não se nota de onde vem cada uma.
Não tomo mais o vosso tempo e atenção, a não ser para enfatizar o poderio de "Cave-o-Sapien", música que, sendo a última, não se limita a fechar o disco, fá-lo de uma forma simplesmente arrasadora. É ouvir.

26 outubro 2010

Álbum Fresquinho: Best Coast - "Crazy For You"

Os Best Coast já tinham sido alvo de um Recomenda no passado mês de Julho, mas entretanto lançaram o seu primeiro LP, este Crazy For You, e, a meu ver, não foi feita a devida saliência ao mesmo.
Primeiro que tudo, começo por dizer que chamar isto de um Long Play pode parecer um pouco falacioso, uma vez que contando com o bonus track totaliza uns meros 31 minutos. O que chateia um bocado, porque chega ao fim rápido e temos de carregar no play outra vez e outra e outra, até chegarmos a um ponto de saciamento que parece nunca chegar. Sabe bem ouvir este álbum, principalmente por parecer simples. Letras simples sobre relações com rapazes, sobre being lazy, sobre o tempo, arranjos simples e formato standard rock guitarra baixo e bateria. Parece tão simples que até dói. Numa altura que aparecem diariamente bandas novas a ser faladas em blogs, sites, etc, torna-se cada vez mais dificil separar o trigo do joio, mas parece-me que estes Best Coast são mais trigo. Bethany Consentino e o seu parceiro multi-instrumentista Bobb Bruno ganharam pelo menos uma oportunidade de me provar se estarei certo ou errado, enquanto este Crazy For You me for acompanhando por uns tempos próximos com o seu surf-pop-garage-whatever. Play.
      
 

19 outubro 2010

Álbum Fresquinho: Robert Plant - "Band of Joy"

Depois de ter espantado meio mundo ao recusar fazer parte de lucrativa reunião com os Led Zeppelin (após aquele brilhante espectáculo em finais de 2007 que pôs os fãs com “água na boca”) e ter tido um algum sucesso com o melódico “Raising Sand” (co-assinado com a cantora country Alison Krauss), pode-se dizer que o Sr. Robert Plant, inglês, 62 anos e CBE (Commander of the Order of the British Empire) está-se basicamente nas tintas!
Senhor do seu próprio destino, o ex-vocalista dos (imortais) Led Zeppelin prefere hoje em dia fazer discos que lhe dão realmente gozo, do que embarcar em “modas” de reuniões nostálgicas (que muito raramente cumprem as expectativas). Bem pelo contrário, Plant está definitivamente “noutro registo”. Recentemente chegou a afirmar a propósito de um concerto que assistiu dos Them Crooked Voltures (onde milita o seu “ex-colega de armas”, John Paul Jones) que já não tinha qualquer conexão com o rock pesado e que ficou com as “orelhas a sangrar”.
Gostos à parte, o Sr. Plant lá tem as suas razões (o peso da idade pode ser uma delas) para partir para outras “ruas” musicais. Nomeadamente por “avenidas” onde cheira a Country, a Americana, a Gospel, a Folk ou a Blues. Géneros que se mesclam com um “rockzinho”, leve e suave (como demonstra aqui “You Can´t Buy My Love”). Ou seja: música para se ouvir enquanto se retemperam as forças numa soneca depois do almoço.
É esse “estado de alma”, preguiçoso e sonolento que temos este novo “Band of Joy” (nome da antiga banda de Plant e John Bonham antes destes ingressarem nos Led Zeppelin). Se não conhecêssemos Plant de lado algum, nunca adivinharíamos que ele algum dia foi um temerário ”Deus do Rock”. Portanto, não se espere aqui grandes riffs de guitarra, solos dilacerantes, ritmos avassaladores, composições épicas ou vozes de trovão como em clássicos como “Black Dog”, “Whole Lotta of Love”, “Kashmir” ou inevitavelmente “Stairway to Heaven”.
“Band of Joy” está a milhões de anos do tempo em que os “velhos dinossauros do rock” governavam a moda e os tops. No entanto, o disco não deixa de ter os seus méritos. Plant consegue mostrar ainda que está em boa forma vocal em canções como “Angel Dance” ou “House of Cards”. Depois há também lugar a momentos mais sublimes como no soturno “Monkey”, na balada etérea “Silver Rider” ou no excelente blues “Satan Your Kingdom Must Come Down”. Todas elas seriam idílicas se as pudéssemos escutar no final de um dia de Verão, a meio de uma auto-estrada perdida no deserto, algures entre a Califórnia e o Nevada.
A fechar temos o título (algo profético) “Even This Shall Pass Away”. Um caminho mais experimental, um som mais rude e que se calhar é uma forma de Plant nos mostrar o que há-de vir. Mais coração, mais emoção, menos guitarradas e menos distorção. A idade já vai pesando e os ouvidos de “Sir” Robert também. Por isso, (e enquanto a reforma não chega), venha de lá essa “ternura dos sessenta”...



12 outubro 2010

Álbum Fresquinho: The Walkmen - "Lisbon"

Não parece, mas Lisbon é já o sexto álbum dos The Walkmen. E não parece por um motivo muito simples - foram sempre uma espécie de tesouro escondido do rock americano. Num momento em que já vimos o que aconteceu com os Killers e os Kings of Leon é de enaltecer a sabedoria desta banda em saber esconder-se de quem se devia esconder e mostrar-se a quem se devia mostrar, mantendo sempre a sua identidade e filosofia, o que a meu ver é uma forma de estar crucial para a criação de uma certa intemporalidade. Ouvir hoje "The Rat", (do álbum Bows + Arrows) arrebata-nos da mesma forma do que quando foi lançada em 2004 e arrisco-me a afirmar que tanto essa música como a restante obra dos The Walkmen perdurará, que é algo a que poucas bandas de hoje podem almejar.
Fazendo fast forward para 2010 temos então Lisbon. Logo que se soube o nome do álbum lançou-se a dúvida - seria um tributo à cidade ou estaria relacionado com o nome das personagens de "Virgin Suicides", filme de Sofia Coppola? À cidade pois então, que serviu de inspiração derivada da agradável passagem da banda duas vezes pela nossa capital entre Dezembro de 2008 e Agosto de 2009, e ganhou não só o nome do álbum, mas também de uma música, a música que fecha o álbum (não é normal começar a analisar o álbum pelo fim, mas também ninguém disse que isto tinha de ser uma crónica normal, pelo que cá vai). "Lisbon" música é minimalista, quase despida de tudo o que não é essencial, e onde os instrumentos vão aparecendo de forma cadenciada, juntos atingem um clímax e depois um a um desaparecem. É um bom tema para fim de disco,  mas antes de lá chegar Lisbon álbum tem mais e melhor para dar. Tem "Stranded", tema escolhido para single e que dá a impressão de estar encalhado sim, mas num bar algures no México nos anos 50, dado o fundo de cornetas mariachi style constante. Tem "Victory" exclamada a plenos pulmões, mas por nunca estar do lado do narrador e não em tom de celebração. Tem "Juveniles", música de abertura e que logo nos suga para o que vem aí com a sua jovialidade. Tem "Blue is your Blood", onde a voz de Hamilton Leithauser paira acima de um ritmo constante, como de um comboio em movimento. Tem "Woe is Me", excelente música de lamentação. E tem, para mim acima de todas as outras, "Angela Surf City". A intensidade pura que a banda nos foi mostrando ao longo da sua carreira assume diferentes formas e no caso deste tema assume a forma enérgica, onde sentimos o sangue a correr nas nossas veias, num crescendo até ao desespero de ter perdido alguém sem saber como nem porquê, patente no refrão "You took the highway, I couldn't find you!".
O som dos The Walkmen, baseado em instrumentos vintage e que remexe pelo garage rock com toques de rockabilly e surf rock marca quem lhes dê mais atenção. E nada como dar uma oportunidade já no próximo dia 14 de Novembro, quando nos mostrarão este Lisbon no Coliseu dos Recreios.
Enjoy!


05 outubro 2010

Álbum Fresquinho: Wavves - "King of the Beach"

Recuemos a Maio de 2009, aos arredores da bela vila de Barcelona, mais propriamente à edição desse ano do festival indie por excelência - o Primavera Sound. Os Wavves, uma das bandas do cartaz,  vinham granjeando a atenção de críticos e fãs após um bem conseguido segundo álbum (Wavvves), que Nathan Williams gravou em casa apenas suportado pelo baterista Ryan Ulsh, eram mesmo um dos nomes mais aguardados. Mas tudo correu mal nessa noite - uma mistura de ecstasy e Valium transformou o palco num verdadeiro circo, com Nathan a não conseguir tocar. Após insultar fortemente Nathan e despejar-lhe uma lata de cerveja em cima, Ryan abandona o palco, deixando Nathan à mercê de um público que não lhe perdoou a brincadeira. Muitos deram então a banda como acabada, mas Nathan quis mostrar que não era bem assim. E mostrou da melhor forma possível - lançando este excelente King of the Beach, após reformulação da banda (membros da banda do falecido Jay Reatard foram recrutados) e incorporação de vários estilos no seu antes ambiente sonoro exclusivamente lo-fi.
King of the Beach faz-nos ter 18 anos novamente e andar a passear pela Califórnia. Nunca por lá passei, mas no meu imaginário esta seria uma excelente banda sonora para me acompanhar enquanto sentia o ambiente californiano ao meu redor, as praias dos Beach Boys, o pop de Beverly Hills, o sentido de comunidade de Dogtown e os seus skaters, há aqui um pouco de tudo, uma atitude punk sem o ser, o lo-fi, até dá para sentir o soul das Supremes. É aquele sentimento juvenil que tudo está bem enquanto houver ondas para surfar, parques para skate e erva para se fumar que se impregna neste álbum. E que me faz a mim pensar que se calhar, os adultos é que complicam esta merda toda... Está tudo escrito em "Post-Acid", uma das melhores músicas do álbum.

Misery
Will you comfort me?
In my time of need
Would you understand?

Understand, won't you understand?
In my time of need
Would you understand?
That I'm just havin fun (x2)
With you (x4)

Hold my hand
Won't you hold my hand
In my time of need
Would you understand?

25 julho 2010

Arcade Fire - The Suburbs (2010)

Acabou a espera! Agora estou preparado a (re)começar. Eu e estes senhores. Mais de três anos de espera desde o último trabalho de originais é uma espera e tanto, mesmo para os parâmetros de hoje. No entanto, quantidade não é nem nunca foi sinónimo de qualidade, pelo menos para a maioria das bandas e, por vezes, saber esperar pelo acorde certo, pelo tom mais agudo, pela correcta utilização de instrumentos ou apenas pela altura certa, é, com certeza uma virtude e não está ao alcance de qualquer um. A sofreguidão de lançar disco após disco, apenas para se manter na onda e conseguir ganhar mais uns cobres à conta disso, não se lembrando que podem estar a pôr o futuro a médio prazo da banda em risco, ainda é o que move muitas bandas. Algumas aguentam-se, ou melhor, sobrevivem, outras, pura e simplesmente, morrem. R.I.P. Não faziam muita falta também.

Agora o que realmente interessa: Arcade Fire de volta para mais um disco conceptual. Depois dos dramas fúnebres de Funeral, passando pelos pesadelos e visões terríficas de um presente e futuro negro, chega-nos agora as vivências e consequências da vida nos subúrbios, conotativos ou figurativos. O som, esse, não engana. Estamos perante mais um clássico da banda canadiana. Tudo o que ouvimos em discos anteriores, a emoção, o clímax, a catarse, está tudo aqui outra vez. Começando com a música que dá nome ao álbum, "The Suburbs", notamos aqui uma ligeira mudança rítmica no que costumam ser as músicas dos Arcade Fire. A lembrar músicas mais alegres, mais de verão como a altura da edição deste disco. Pura Ironia. Os subúrbios, 50's Style, são uma perversão, uma capa que dissimula muito do que está errado neste mundo, porém quem lá viveu uma vida toda nunca se vai aperceber de nada. Também sempre presentes, estão as angústias do ser e existir em "Modern Man".

A esquizofrenia volta a aparecer em "Empty Room", uma das músicas que vai estar em repeat em muitas rádios, juntamente com a roqueira "Month of May". Ao todo são dezasseis músicas, 60 minutos de música quase ininterrupta que nos leva mais uma vez a esse mundo tão especial e mágico e ao mesmo tempo tão negro e depressivo que vem da cabeça deste grupo canadiano, encabeçado por um dos génios da era moderna da música, Win Butler. Para os Arcade Fire não há musicas para encher chouriço, não há tempos mortos. Há apenas e só, o compromisso com a Música como uma entidade que merece muito respeito e eles têm-no. Estão de parabéns uma vez mais. Alguém esperaria outra coisa?