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29 setembro 2011

Álbum de Estimação: Black Rebel Motorcycle Club - "B.R.M.C." (2001)

Hoje trago como álbum de estimação este B.R.M.C., um álbum da fornada de 2001 que trouxe o garage rock de volta às luzes da ribalta e especialmente aos nossos ouvidos. Salientando que, no meio desta fornada, os Black Rebel foram únicos na mistura de influências que foram buscar para a sua sonoridade, neste álbum é possível ouvir desde Stooges até uns Jesus & the Mary Chain, passando por Velvet Underground, Rolling Stones, T.Rex e naturalmente dos Brian Jonestown Massacre de onde Peter Hayes saiu para formar esta banda. E a meu ver não é fácil esta tarefa de, partindo de influências bastante diversas, conseguir fabricar um álbum bastante coeso como é o caso. Parece que tudo encaixa bem, até quando passamos do punk de "Whatever Happened to My Rock n'Roll?" para a acalmia de uma "Awake". Acalmia mas só inicial, que depois a música cresce e transforma-se numa mescla (que bonita palavra) de psicadelismo e rock à boa moda dos já supracitados Velvet Underground. Até quando passamos de músicas com letras mais introspectivas e obscuras como "Rifles" para músicas mais cheias de esperança como "Salvation". E não podia deixar de falar também de "Love Burns" e "Spread Your Love", músicas cheias de garra. É giro pensar que o som desta banda é tipicamente britânico, mas na realidade é composta por 2 americanos e um britânico exilado nos States.
A toada de rock puro e duro combinada com o shoegaze mantém-se durante todo o álbum e foi bom constatar que, apesar de já lá irem 10 anos, é ainda prazeroso ouvi-lo de enfiada que foi o que fiz nestes últimos dias para preparar este artigo. Para reviver quem já não o ouve há algum tempo e para experimentar quem não conhece basta carregar no play abaixo.

22 setembro 2011

Álbum de Estimação: R.E.M. - "Reckoning" (1984)

Primeiro que tudo tenho a dizer que tinha outro álbum planeado para aqui colocar hoje, mas a notícia do dia fez com que mudasse subitamente de planos. E foi então que apareceu outro dilema - escolher qual o álbum de R.E.M. para estimação de hoje. Automatic for the People, que seria um forte candidato, ficou logo à partida excluído uma vez que já foi alvo de análise aqui no Altamont. Out of Time, outro forte candidato, pareceu-me óbvio demais, afinal de contas foi o álbum que os tornou conhecidos em todo o planeta (por acaso seria interessante analisar o percurso de uma banda que ao sétimo álbum é que o fez, fica para futura referência). Murmur, como primeiro álbum e com um som único na altura (1983) e vindo do nada também merecia destaque. Document, o último álbum com selo I.R.S. marcou também uma forte posição por parte da banda e vale nem que seja por incluir a insana, caótica, louca "It's the End of The World as we Know It (And I Feel Fine)". Monster, já mais recente (1994), foi também um álbum que ouvi muitas vezes levado pelo R.E.M. maniac Ricardo que tive como colega de carteira nos 3 anos do secundário, e que me permitiu descobrir a banda bem melhor. Mas a decisão final recaiu neste Reckoning, um grande álbum, o segundo da banda, gravado pouco depois do primeiro, e aproveitando uma onda de grande criatividade (o próprio Peter Buck admitiu que estavama a escrever duas boas músicas por semana e que o álbum devia ser duplo). Para além disso apareceram em Reckoning algumas músicas que a banda já tinha há algum tempo e que tocava ao vivo, casos de "Pretty Persuasion" e "(Don't Go Back to) Rockville". Em cerca de 15 dias os R.E.M. gravaram este álbum, segundo dizem alguns também para fugirem às pressões da I.R.S. que pretendia um álbum mais comercial (como quase todas as editoras que só vêem o lucro à frente...). E é neste ponto que os R.E.M. foram uma pedrada no charco - ao mostrar como é que uma banda underground e inspirada no punk podia avançar na indústria da música sem colocar em causa a sua integridade artística. Várias outras bandas como Pavement e Sonic Youth retiraram daqui lições importantes para a forma de gerir a sua carreira e isto é algo que muita gente hoje não se lembra.
Voltando a Reckoning, não posso afirmar que é o melhor álbum de R.E.M., mas é um álbum importante e que mostra bem o que é a banda a quem só conhece os hits que chegaram nos anos 90. Músicas como "So. Central Rain (I'm Sorry)", "Little America" e "7 Chinese Brothers", para além das duas mencionadas acima merecem ser ouvidas e recordadas.

21 setembro 2011

Altamont Recomenda:

Os Black Lips são daquelas bandas que nos providenciam um rock de pura desbunda. Em Junho lançaram o seu sexto álbum, Arabia Mountain, do qual foi retirado este single "Family Tree". O videoclip é um pouco estranho, faz lembrar um filme gore, mas a música vale uma audição. Ou mais, dependendo da vossa apreciação.

Altamont Recomenda:

Vem aí novo álbum de Atlas Sound, lá para Novembro chega Parallax! Como primeira amostra, uma música com título em português, "Te Amo". É experimentar!

20 setembro 2011

Álbum Fresquinho: Beirut - "The Rip Tide"

Informação prévia antes de irmos ao álbum em si - Zach Condon, ou simplesmente Zach para os amigos, o senhor por trás da capa Beirut nasceu em 1986. Sabem, o ano em que Portugal juntou-se à CEE, em que Maradona ganhou o Mundial de Futebol, em que o Challenger se desfez à frente dos nossos olhos, no qual a cidade de Chernobyl passou a constar do mapa e de tantas outras coisas que nos lembramos tão bem de ver acontecer. Onde quero chegar com isto? Simples - levar-vos a debruçar sobre o facto de Zach ter 25 anos e ter acabado de lançar o seu terceiro álbum, com mais cinco EP's pelo meio, o que a mim me parece deveras impressionante. E o que impressiona ainda mais - ter um americano a fazer música que é uma mistura do vaudeville francês dos anos 20 com ritmos das balcãs, Bregovic, Kusturicas e afins. Nada como viajar para libertar o espírito.

Ora bem, fast forward então para o início de 2011 onde encontramos Zach numa bifurcação com dois caminhos possíveis pela frente - ir atrás de uns Arcade Fire na tentativa de alargar ao máximo o seu público; ir atrás de um Sufjan Stevens e desbravar novas sonoridades. O último EP, o duplo March of the Zapotec/Holland contém algumas experiências que poderia indiciar o segundo caminho. Mas The Rip Tide não é nem um nem outro, é um seguir em frente, com as mesmas armas de sempre. O próprio Zach numa entrevista confessa que andou em tempo a experimentar um instrumento novo por mês, mas que para este álbum preferiu concentrar-se novamente no triângulo piano-ukulele-trompete, no fundo a fórmula secreta dos Beirut. Temos portanto um Zach amadurecido, com mais bagagem (e mais viagens) no arcaboiço a servir-nos a sua fórmula de sucesso. O que mais poderíamos pedir? Apenas mais tempo do que uns curtos 33 minutos que parecem voar...

18 agosto 2011

Álbum de Estimação: The Feelies - "Crazy Rhytms" (1980)

Vou começar este artigo com um ponto prévio que demonstra a minha total honestidade para com o Altamont e os seus leitores - nunca tinha ouvido falar numa banda chamada The Feelies até Setembro de 2009, altura em que foram re-editados os seus dois primeiros álbuns, este Crazy Rhytms, de 1980, e The Good Earth, de 1986. Li nessa altura um artigo sobre eles que me fez despertar a curiosidade e em poucos minutos pude começar a ouvi-los, especialmente através do seu álbum de estreia. E desde então que tal tem acontecido com alguma frequência, de tal modo que o tenho hoje como um álbum que merece totalmente ser apelidado como "de Estimação".
Vou tentar explicar por palavras - para já, carreguem abaixo no play. Já começou? Ainda não? Tenham calma. Mais uns segundos que o começo é em crescendo. Primeiro apenas uns sons de sinos de vaca, depois uma guitarra, depois o baixo a definir o ritmo da música, e enfim a bateria a acompanhar. É um começo que impressiona pela forma como os sons se vão sobrepondo e tomando conta da música em si, como que cada um a puxar para uma direcção diferente, mas no fundo a conjugarem-se na perfeição. Isto é "The Boy With Perpetual Nervousness", faixa de abertura. Depois entra "Fa Cé La", único single extraído do álbum e entende-se porquê - é a música mais curta do álbum, de apenas 2 minutos e das poucas que respeita a estrutura convencional verso-refrão. Voltamos depois a uma entrada em crescendo, do qual faz parte um silêncio inicial de vários segundos para "Loveless Love" e o seu riff de guitarra constante e dominador que perdura 3 minutos, altura em que a música toma um rumo diferente, o disco parece que salta para outro ponto. Volta depois a calmia antes de entrarmos na recta final com uma alucinante subida e descida de escala. Diria que é a música que melhor demonstra a forma de estar dos The Feelies, inconstante, incerteza sobre o que vai acontecer a seguir, dando ao disco laivos de uma simples jam session.
"Forces at Work" ainda demora mais a arrancar. Dos seus 7 minutos, o primeiro passa com silêncio total, mas depois arranca e parece que se vai dilatando aos poucos. Depois de "Original Love", música na qual estás mais presente a voz como instrumento complemento do que em qualquer outra, chegamos a "Everybody's Got Something To Hide (Except Me and My Monkey)", cover dos Beatles (presente no seu seminal White Album), à qual os Feelies deram um ritmo abrasivo, descontrolado.
Entrando no terço final, temos "Moscow Nights", "Raised Eyebrows" e o final dá-se com a música que dá nome ao álbum. 9 músicas em pouco mais de 40 minutos que são uma delícia e permitem perceber como terão influenciado bandas como os R.E.M. (Peter Buck devolveu o "favor" ao produzir o segundo álbum dos The Feelies) e Yo La Tengo (originais de Hoboken, onde os Feelies tocavam com grande frequência). Obrigado aos senhores da Domino que decidiram ir buscá-los ao baú a que estavam vetados e mostrá-los de novo ao mundo, nem que seja só por mim, valeu a pena. Mostra que as coisas boas nunca morrem!



17 agosto 2011

Altamont Recomenda

Depois da loucura insana de "Surprise Hotel", utilizada variadas vezes para o fim das festas Altamont, os Fool's Gold lançaram este ano o seu segundo álbum, de nome Leave no Trace. Aqui vos deixo uma boa primeira amostra do mesmo, "Wild Window".

Altamont Recomenda:

Parece que depois de um segundo álbum menos conseguido, os Dodos estão de volta aos bons tempos de Visiter. No Color, o seu quarto álbum, está aí à mão de semear e daí retirei este "Good".

Enjoy!

10 agosto 2011

Altamont Recomenda:

Esta trouxe-nos o Du na última altamont dj session e achei que valia a pena meter aqui como um recomenda, até tendo em conta que este senhor fez recentemente a sua estreia em palcos portugueses. Infelizmente escolheu o Sudoeste... Ladies and gentlemen, Raphael Saadiq com "Heart Attack".

09 agosto 2011

Álbum Fresquinho: Marcelo Camelo - "Toque Dela"

Instigado pelo concerto dado no passado sábado, no espaço TMN Ao Vivo, achei por bem aqui colocar o mais recente álbum do Marcelo Camelo, Toque Dela. Depois de 10 anos como uma das forças motoras dos Los Hermanos, e do lançamento de uma carreira a solo com o álbum Sou, de 2008, podemos dizer que Marcelo Camelo não tinha entre mãos uma tarefa fácil, dado o peso da sua herança, o peso de muitos verem nele a grande esperança de continuidade na música brasileira de nomes como Chico, Caetano, Gil. Mas nada como lidar com isso da única forma que ele sabe - com simplicidade e sinceridade acima de tudo. E a meu ver é isso este Toque Dela, um álbum belo de tão simples e sincero, denotando um de ritmo que poderá advir de uma maior influência da vida paulista num carioca de gema, com menos samba e arranjos mais estruturados. Já não se sente a "Copacabana" por perto, música do álbum anterior de êxtase puro, impossível de ouvir sem mexer, agora reina a tranquilidade de um "Pra te acalmar", a segurança de que "Meu Amor é Teu", música que encerra o álbum. Mas pelo meio temos a alegria de "Acostumar, a leveza de "Pretinha, o convite à dança em "Ô ô". E deixo para o fim, por ser para mim a maior demonstração da conjugação do binómio beleza/simplicidade a "Três Dias":

Se faltar carinho, ninho
Se tiver insônia, sonha
Se faltar a paz
Se faltar a paz, Minas Gerais

19 julho 2011

Álbum Fresquinho: Destroyer - "Kaputt"

No meio da velocidade constante do conhecimento a que a internet nos submeteu, os 6 meses que se passaram desde o lançamento deste álbum até o dia de hoje parecem séculos. Mas achei que era mais que merecido este álbum ser destacado aqui no Altamont, tendo também em conta que talvez nem toda a gente deu pela sua chegada.
Kaputt é já o nono (!) álbum de Destroyer, nome de guerra do projecto pessoal de Dan Bejar, também conhecido por ser membro dos The New Pornographers e dos Swan Lake. É portanto um homem de vários ofícios e que não tem receio de experimentar, inovar, arriscar e demonstra isso mesmo neste Kaputt, criando um corte relativamente aos seus anteriores álbuns e atirando-se de cabeça ao lado mais electrónico piscando o olho ao jazz dos anos 80. O próprio Bejar admite ter ouvido muitas coisas de Roxy Music, David Sylvian, Pet Shop Boys, Brian Eno, Prefab Sprout. E depois junta à lista os carismáticos Miles Davis e John Coltrane. É desta mescla de artistas que surge a sonoridade de Kaputt, uma excelente colecção de canções (da qual não queria deixar de destacar "Savage Night at the Opera") que nos deixa a sonhar, que nos retira do carro, casa, escritório, o local que seja em que estamos a ouvi-lo e nos leva para longe. E não será este o poder supremo da música, o conseguir agarrar-nos e fazer-nos viajar?



PS: Agora uma coisa que não entendo e gostava que alguém me conseguisse explicar - o que está este senhor a fazer no cartaz do sudoeste, junto do david guetta e dos scissor sisters e kanye west? Anyone?

07 julho 2011

Álbum de Estimação: Yo La Tengo - "And Then Nothing Turned Itself Inside-Out" (2000)

Os Yo La Tengo são uma banda que ando a descobrir de trás para a frente. Ou seja, comecei em 2007 com uma compra espontânea do álbum mais recente deles na altura, de nome I Am Not Afraid of You and I Will Beat Your Ass. O nome só por si já mereceria gastar uns euros, mas adicionando o facto de ter ouvido aqui e ali uns burburinhos sobre a banda foi mesmo impossível resistir. Depois fui ouvindo. E gostando. Descobrindo música a música. Também em 2007 o IndieLisboa deu-me a possibilidade de assistir a "Old Joy", um filme da neste momento consagrada Kelly Reichardt, cuja banda sonora foi totalmente composta pelos Yo La Tengo. Em 2009 quando saiu o álbum seguinte (e neste momento último), Popular Songs, fui provavelmente a primeira pessoa de Portugal a comprá-lo. Pretensioso? Talvez. Mas o que é certo é que estava em pre-order na amazon e assim que ficou disponível trataram de me enviar. Depois disso e do excelente concerto na Aula Magna o ano passado já não havia dúvidas - estava na hora de ir à conquista dos restantes 25 anos (!!!) e 10 álbuns da banda. E assim está a ser. Dos 10 já levo 4 ouvidos com a devida atenção. E é desses 4 que vou destacar este And Then Nothing Turned Itself Inside-Out que foi o que ganhou um lugar especial. E ganhou-o de uma forma que parece simples - basta uma das mais perfeitas músicas de amor, "Our Way to Fall" (não resisto a colocar aqui a letra da música), duas músicas primaveris perfeitas de nome "You Can Have It All" e "Let's Save Tony Orlando's House", guitarras com distorção a fazerem maravilhas em "Cherry Chapstick". Ou seja uma bela demonstração do que a banda é capaz, da diversidade que almeja e consegue atingir. O trio Ira Kaplan, Georgia Hubley e James McNew apostou neste álbum numa base mais serena, tranquila, a que não é alheia a própria capa do álbum. Vejam como tudo parece calmo e sereno no bairro, tirando o pequeno pormenor/pormaior de estar em curso o que parece ser um sequestro por aliens.
Resumindo, deixa água na boca para continuar a pesquisar mais. E acho que isto é o melhor que pode acontecer a alguém - suscitar a curiosidade por mais. Experimentem já aqui em baixo. Aviso que correm o risco de terem de ir atrás dos restantes trabalhos da banda.

06 julho 2011

Altamont Recomenda:

Sempre bom visitar a Blogotheque. Aqui os Wavves com "Post Acid" numa sessão backstage mesmo antes de um concerto.
Enjoy!

04 julho 2011

Playlists: iLex Numbers 04.07.11

Ao contrário da grande maioria dos meus amigos, sempre gostei de Matemática. Dos números. Ao longo da História já houve várias tentativas de misturar música com Matemática. Esta é apenas mais uma. Músicas com números. Será que é desta que passas a gostar de Matemática?



PS: o grooveshark não tem direitos sobre musicas dos Smashing Pumpkins o que me impediu de colocar na lista as músicas "Thirty-Three" e "1979".

29 junho 2011

28 junho 2011

Álbum No Ouvido: Tame Impala - "Innerspeaker" (2010)

Abrimos hoje uma nova rubrica aqui no Altamont - o "No Ouvido". Nesta serão incluídos álbuns que já não se podem considerar fresquinhos mas que só recentemente vieram parar às nossas mãos (ouvidos). E para lançar esta rubrica escolhi os Tame Impala, banda que lançou este Innerspeaker há mais de um ano (e há precisamente um ano hoje no Reino Unido o que não deixa de ser uma coincidência engraçada) e só agora ganhou tempo de antena. E vem mesmo a tempo, já que vão ser uma das bandas presentes no Super Bock Super Rock deste ano e merecem o destaque aqui no Altamont.
Começo por introduzir a banda - os Tame Impala são de Perth, Austrália e formaram-se em 2007. Depois de terem lançado dois EP's (Tame Impala e [H.I.T.S. 003]) durante o ano de 2008 lançaram-se então na gravação do seu primeiro LP - este mesmo Innerspeaker que poderão ouvir já já aqui em baixo. Mas primeiro, mais umas palavrinhas para dar mais algum contexto e criar uma maior ansiedade antes de carregarem no play (bem, a este ponto se calhar até já carregaram e já não estão a ligar pêva ao que estou para aqui a escrever mas siga). Eu diria que os Tame Impala conseguiram aqui criar uma excelente mistura entre o psicadelismo do final dos anos 60, mas já incorporando tudo o que se passou no universo da música rock desde então, indo beber especialmente ao britpop, ao shoegaze de forma a trazer alguma frescura à base psicadélica donde partem. A voz do vocalista Kevin Parker, muito semelhante à de John Lennon também ajuda bastante neste capítulo.
Eu pessoalmente fui apanhado pela música 2, "Desire Be, Desire Go", mas o álbum convence pelo seu todo. Enjoy it!

17 junho 2011

Num DVD perto de si: "Joe Strummer: The Future Is Unwritten" (2007)

Como frontman dos Clash a partir de 1977, este senhor teve um forte impacto na história da música. Há quem diga até que mudou vidas. E vendo este documentário conseguimos percepcionar a extensão da sua influência, em pessoas de todo o mundo ainda hoje, e talvez mesmo mais que em 1977.
Neste "The Future Is Unwritten", do realizador Julian Temple (muito conhecido pela sua envolvência com o mundo da música, do punk em particular, tendo no seu curriculum documentários sobre o festival  Glastonbury, sobre os Sex Pistols, etc), Joe Strummer aparece não só como uma lenda da música, mas também como um comunicador nato, que procura sempre chegar às pessoas de diferentes formas. Desde o seu programa na rádio, ao conceito das fogueiras, sempre procurando o contacto directo com cada um. Passando revista a algumas histórias do nascimento do punk rock, no qual Joe e os Clash tiveram parte crucial, bem como os últimos anos de vida nos quais Julian e Joe criaram uma forte ligação, mostrando o seu projecto com os Mescaleros, acho que é um documentário interessante para quem procura conhecer mais sobre esta figura antes, durante e depois dos The Clash.

16 junho 2011

Álbum de Estimação: João Gilberto - "Chega de Saudade" (1959)

Passou quase despercebido à grande generalidade dos media (que surpresa...) mas um génio maior da música de língua portuguesa fez no passado dia 10 de Junho 80 anos. Daí eu querer aproveitar a oportunidade e colocar aqui no Altamont, como blog aberto a músicas de todo o mundo, este Chega de Saudade como o álbum de estimação da semana. E porquê estes Chega de Saudade e não outro qualquer de João Gilberto? Pergunta de resposta simples - foi este álbum que gerou uma transformação na música brasileira, dando forma e corpo à bossa-nova.
Faço minhas as seguintes palavras de um dos grandes contribuidores para este álbum, de nome António Carlos Jobim (escreveu várias letras, juntamente com Vinicius de Moraes):

"João Gilberto é um baiano, "bossa-nova" de vinte e seis anos. Em pouquíssimo tempo, influenciou toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores. Nossa maior preocupação, neste "long-play" foi que Joãozinho não fosse atrapalhado por arranjos que tirassem sua liberdade, sua natural agilidade, sua maneira pessoal e intransferível de ser, em suma, sua espontaneidade. Nos arranjos contidos neste "long-playing" Joãozinho participou ativamente; seus palpites, suas idéias, estão todas aí. Quando João Gilberto se acompanha, o violão é ele. Quando a orquestra o acompanha, a orquestra também é ele. João Gilberto não subestima a sensibilidade do povo.
Ele acredita, que há sempre lugar para uma coisa nova, diferente e pura que - embora à primeira vista não pareça - pode se tornar, como dizem na linguagem especializada: altamente comercial. Porque o povo compreende o Amor, as notas, a simplicidade e a sinceridade. Eu acredito em João Gilberto, porque ele é simples, sincero e extraordináriamente musical.
P. S. - Caymmi também acha."

Antonio Carlos Jobim



(grooveshark as soon as possible)

02 junho 2011

Álbum de Estimação: Television - "Marquee Moon" (1977)

Vou começar por uma referência a um filme - em "Juno", a dado momento, discute-se qual o melhor ano da música. Juno, a personagem principal, mostra como argumentos para defender 1977 os Stooges, a Patti Smith e os Runaways. Mas na minha opinião, se ela queria mesmo defender tanto esse ano era dos Television que tinha que ter falado. Dos Television e especialmente deste Marquee Moon, álbum que hoje, à distância de 34 anos sinto um pouco perdido no esquecimento. Injustamente no esquecimento, injustamente metido nas prateleiras de descontos numa qualquer grande loja de música. Recordemo-nos portanto do caminho desbravado por Tom Verlaine, mentor da banda, no que respeita ao movimento punk - foi ele que convenceu Hilly Kristal, dono dum então desconhecido clube de country, blue grass e blues (para bom entendedor meia palavra basta...) a aceitar bandas rock a tocarem no seu estabelecimento. Corria o ano de 1974. O resto é história da música, nível básico - grupos como Ramones, Blondie, Talking Heads, a própria Patti Smith, saíram desse antro cavernoso para o mundo.
Um aspecto que me intriga bastante é o facto de que, hoje, os Television são quase sempre rotulados como uma banda pós-punk. Agora expliquem-me, como pode uma banda que começou a dar concertos em 1974 e que lançou este álbum em 1977 ser pós-punk? Algo de estranho se passa no mundo dos rótulos (diria que sempre foi assim e a rotulagem de pouco ou nada serve, mas...). Agora uma coisa é certa - a música dos Television é de uma complexidade que em nada tem a ver com os 3 acordes, um refrão, 2 minutos e está feito. Basta pensar que "Marquee Moon", a música, teve de ser cortada para 9:58 minutos para caber no LP. Só com a re-edição em CD de 2003 nos chegou a versão completa com os seus 10:40. Basta pensar nas letras de um Tom Verlaine, que nascido Thomas Miller foi buscar o seu nome artístico ao poeta francês Paul Verlaine. Basta pensar nas variações de ritmo dentro das músicas, na utilização de algumas escalas jazzísticas, no contraste das guitarras ritmo e solo, força motora do álbum. E foi juntando todos estes ingredientes que se fez história.

31 maio 2011

Álbum Fresquinho: Fleet Foxes - "Helplessness Blues"

Não podíamos fechar o mês aqui no Altamont sem mencionar a chegada de um dos álbuns mais aguardados do ano. No início do mês, e depois do EP Sun Giant e do tão aclamado Fleet Foxes já de 2008, chegou-nos Helplessness Blues. Longa foi a espera, resultado de um processo de gravação bastante turbulento - no final de 2009 a banda já tinha um álbum praticamente pronto mas que foi lamentavelmente destruído no processo de mixagem, o que levou a banda a começar novamente do zero. Robin Pecknold, fundador da banda (juntamente com Skyler Skjelset, colega de escola) e líder incontornável não baixou os braços, lançou-se avidamente ao trabalho. Não sei como seria essa tal primeira gravação, mas ouvindo este Helplessness Blues não consigo deixar de pensar que pena seria se nunca o tivessem feito. Inventivo, complexo e com maior nível de detalhe dentro de cada música vale cada um dos seus 50 minutos. Onde antes predominava a tranquilidade, nota-se agora uma maior tensão, súbitas mudanças de tom apanham-nos desprevenidos, mas no final parece que tudo se conjuga tal qual peças de um puzzle maior que é este álbum.
O álbum mostra um Pecknold cheio de dúvidas, preocupações, começando logo na primeira frase que ouvimos, na excelente "Montezuma": "So now, I am older/ Than my mother and father/ When they had their daughter/ Now, what does that say about me?" Este é o tom, e por cada pergunta feita, outras dez surgem, sobre a vida, o sucesso, a sua carreira, e todas estas dúvidas só parecem mesmo resolvidas na música que dá nome ao álbum, onde simplesmente se retrai e deseja apenas uma vida simples(Don't we all?).
Sinto que é um passo à frente muito natural por parte da banda, arriscando mas sem descurar todos os elementos que tanto nos encantaram no seu primeiro álbum e no EP. E isto é muito valioso.



E deixo também o vídeo que é giro. Enjoy it!