Mostrar mensagens com a etiqueta Albuns. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Albuns. Mostrar todas as mensagens

04 outubro 2011

Álbum Fresquinho: Wild Flag - "Wild Flag"

Constituído por quatro mulheres rockeiras, os Wild Flag não são propriamente uma banda de miúdas novas que se juntaram para tocar rock por ser uma cena indie uma mulher de guitarra. Não. Estas rockgirls já cá andam há muito porém por caminhos separados. Carrie Brownstein e Jane Weiss fazem parte das Sleater-Kinney, Rebeca Cole é baterista dos Minders enquanto Mary Timony era a figura dos Helium. As suas carreiras começaram já em meados dos 90 mas só no início deste século é que começaram a privar entre elas, fosse em parcerias ou em tournées. Em 2010 resolveram começar um projecto que se viria a chamar de Wild Flag que resultou neste disco homónimo editado agora. E que bem que fizeram estas senhoras (Todas com mais de 40 anos) ao gravarem juntas pois Wild Flag é, certamente, um dos melhores discos editados este ano. Uma espécie de punk-rock com pinceladas de psicadelismo, funk e indie. São 40 minutos divididos em 10 músicas que se ouvem de uma ponta à outra relembrando o melhor de um passado que começa nos Clash, um bocadinho de Talking Heads, passa por Patti Smith (óbvio) e dá uma piscadela a Pixies mas sem esquecer nunca o presente onde vivem. Uma das boas surpresas deste ano.
Se todos os ditos "supergrupos" fossem tão consistentes...




29 setembro 2011

Álbum de Estimação: Black Rebel Motorcycle Club - "B.R.M.C." (2001)

Hoje trago como álbum de estimação este B.R.M.C., um álbum da fornada de 2001 que trouxe o garage rock de volta às luzes da ribalta e especialmente aos nossos ouvidos. Salientando que, no meio desta fornada, os Black Rebel foram únicos na mistura de influências que foram buscar para a sua sonoridade, neste álbum é possível ouvir desde Stooges até uns Jesus & the Mary Chain, passando por Velvet Underground, Rolling Stones, T.Rex e naturalmente dos Brian Jonestown Massacre de onde Peter Hayes saiu para formar esta banda. E a meu ver não é fácil esta tarefa de, partindo de influências bastante diversas, conseguir fabricar um álbum bastante coeso como é o caso. Parece que tudo encaixa bem, até quando passamos do punk de "Whatever Happened to My Rock n'Roll?" para a acalmia de uma "Awake". Acalmia mas só inicial, que depois a música cresce e transforma-se numa mescla (que bonita palavra) de psicadelismo e rock à boa moda dos já supracitados Velvet Underground. Até quando passamos de músicas com letras mais introspectivas e obscuras como "Rifles" para músicas mais cheias de esperança como "Salvation". E não podia deixar de falar também de "Love Burns" e "Spread Your Love", músicas cheias de garra. É giro pensar que o som desta banda é tipicamente britânico, mas na realidade é composta por 2 americanos e um britânico exilado nos States.
A toada de rock puro e duro combinada com o shoegaze mantém-se durante todo o álbum e foi bom constatar que, apesar de já lá irem 10 anos, é ainda prazeroso ouvi-lo de enfiada que foi o que fiz nestes últimos dias para preparar este artigo. Para reviver quem já não o ouve há algum tempo e para experimentar quem não conhece basta carregar no play abaixo.

27 setembro 2011

Álbum Fresquinho: Clap Your Hands Say Yeah - "Hysterical"

O fresquinho desta semana vai para uma banda que foi uma das grandes revelações dos anos 2000. Uma banda que ameaçou estremecer com as fundações das editoras discográficas ao gravar, lançar, publicitar o seu primeiro disco, chegando mesmo a lamber os próprios envelopes. A (boa) questão aqui é que o disco, de nome homónimo à banda (Clap Your Hands Say Yeah) provou que se podia realmente fazer boa música à margem da indústria clássica sem dar o mínimo cavaco aos tubarões das editoras. Lançado em 2005, no auge do indie rock, o primeiro disco da banda trazia alguma fogosidade das guitarras mas também o pop carnavalesco meio à imagem de uns indie DIY (Do It Yourself) Talking Heads. A sua performance no festival Super Bock Super Rock (um dos melhores cartazes au courant que passaram por Portugal) mostrou que estava ali uma banda que poderia de alguma forma mostrar o caminho para esta nova geração, pois não se tratava apenas de uma banda que jorrava guitarradas e sintetizadores. No entanto a realidade foi outra. Quem "mandou" nisto foram os Strokes, Arcade Fire, Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, entre outros e os Clap Your Hands Say Yeah  foram ficando para trás esquecidos. O seu segundo disco, editado em 2007, Some Loud Thunder, nunca chegou a pegar e eu, sinceramente, não me recordo de lhe ter dado uma segunda audição. Este ano, para meu espanto pois julgava-os extintos, vi o anúncio de um terceiro disco numa revista da especialidade. Como sempre lhes nutri algum carinho e apreço, quis saber o que nos tinham a dizer passados mais de quatro anos desde o seu último trabalho. Ora Hysterical começa com um misto de sentimentos. Sinto que já ouvi isto antes e gostei mas hoje em dia diz-me pouco, muito pouco. Este som demasiado perto dos Killers não é bem o que esperava quando uma banda decide fazer um hiato de quatro anos e meio. Depois do agri-doce em "Same Mistake", segue-se o mesmo erro (no pun intended) em "Hysterical". Muito sintetizador, muita guitarrada, alguma emoção mas a mesma matriz de "For Reasons Unknown". Muita parra, pouca uva. Em "Misspent Youth" a colagem agora faz-se aos James mas sem grande proveito. A música não chega a descolar, mais ou menos como o resto do disco. Os momentos altos deste disco são "Into Your Alien Arms" que começa com um clima mais atmosférico para em seguida explodir numa guitarrada desenfreada mas que faz sentido, "The Witness's Dull Surprise" que faz lembrar alguns bons momentos do primeiro disco e "Adams Plane" com o seu final algo inesperado a fazer sobressair.
No entanto, faz parecer que, depois deste tempo fora, a banda de brooklyn começa por pôr o pé na água a ver como é que isto está hoje em dia para saber que caminho seguir. Ora o meu conselho é este: rapaziada, assim como está, não vai dar...

22 setembro 2011

Álbum de Estimação: R.E.M. - "Reckoning" (1984)

Primeiro que tudo tenho a dizer que tinha outro álbum planeado para aqui colocar hoje, mas a notícia do dia fez com que mudasse subitamente de planos. E foi então que apareceu outro dilema - escolher qual o álbum de R.E.M. para estimação de hoje. Automatic for the People, que seria um forte candidato, ficou logo à partida excluído uma vez que já foi alvo de análise aqui no Altamont. Out of Time, outro forte candidato, pareceu-me óbvio demais, afinal de contas foi o álbum que os tornou conhecidos em todo o planeta (por acaso seria interessante analisar o percurso de uma banda que ao sétimo álbum é que o fez, fica para futura referência). Murmur, como primeiro álbum e com um som único na altura (1983) e vindo do nada também merecia destaque. Document, o último álbum com selo I.R.S. marcou também uma forte posição por parte da banda e vale nem que seja por incluir a insana, caótica, louca "It's the End of The World as we Know It (And I Feel Fine)". Monster, já mais recente (1994), foi também um álbum que ouvi muitas vezes levado pelo R.E.M. maniac Ricardo que tive como colega de carteira nos 3 anos do secundário, e que me permitiu descobrir a banda bem melhor. Mas a decisão final recaiu neste Reckoning, um grande álbum, o segundo da banda, gravado pouco depois do primeiro, e aproveitando uma onda de grande criatividade (o próprio Peter Buck admitiu que estavama a escrever duas boas músicas por semana e que o álbum devia ser duplo). Para além disso apareceram em Reckoning algumas músicas que a banda já tinha há algum tempo e que tocava ao vivo, casos de "Pretty Persuasion" e "(Don't Go Back to) Rockville". Em cerca de 15 dias os R.E.M. gravaram este álbum, segundo dizem alguns também para fugirem às pressões da I.R.S. que pretendia um álbum mais comercial (como quase todas as editoras que só vêem o lucro à frente...). E é neste ponto que os R.E.M. foram uma pedrada no charco - ao mostrar como é que uma banda underground e inspirada no punk podia avançar na indústria da música sem colocar em causa a sua integridade artística. Várias outras bandas como Pavement e Sonic Youth retiraram daqui lições importantes para a forma de gerir a sua carreira e isto é algo que muita gente hoje não se lembra.
Voltando a Reckoning, não posso afirmar que é o melhor álbum de R.E.M., mas é um álbum importante e que mostra bem o que é a banda a quem só conhece os hits que chegaram nos anos 90. Músicas como "So. Central Rain (I'm Sorry)", "Little America" e "7 Chinese Brothers", para além das duas mencionadas acima merecem ser ouvidas e recordadas.

20 setembro 2011

Álbum Fresquinho: Beirut - "The Rip Tide"

Informação prévia antes de irmos ao álbum em si - Zach Condon, ou simplesmente Zach para os amigos, o senhor por trás da capa Beirut nasceu em 1986. Sabem, o ano em que Portugal juntou-se à CEE, em que Maradona ganhou o Mundial de Futebol, em que o Challenger se desfez à frente dos nossos olhos, no qual a cidade de Chernobyl passou a constar do mapa e de tantas outras coisas que nos lembramos tão bem de ver acontecer. Onde quero chegar com isto? Simples - levar-vos a debruçar sobre o facto de Zach ter 25 anos e ter acabado de lançar o seu terceiro álbum, com mais cinco EP's pelo meio, o que a mim me parece deveras impressionante. E o que impressiona ainda mais - ter um americano a fazer música que é uma mistura do vaudeville francês dos anos 20 com ritmos das balcãs, Bregovic, Kusturicas e afins. Nada como viajar para libertar o espírito.

Ora bem, fast forward então para o início de 2011 onde encontramos Zach numa bifurcação com dois caminhos possíveis pela frente - ir atrás de uns Arcade Fire na tentativa de alargar ao máximo o seu público; ir atrás de um Sufjan Stevens e desbravar novas sonoridades. O último EP, o duplo March of the Zapotec/Holland contém algumas experiências que poderia indiciar o segundo caminho. Mas The Rip Tide não é nem um nem outro, é um seguir em frente, com as mesmas armas de sempre. O próprio Zach numa entrevista confessa que andou em tempo a experimentar um instrumento novo por mês, mas que para este álbum preferiu concentrar-se novamente no triângulo piano-ukulele-trompete, no fundo a fórmula secreta dos Beirut. Temos portanto um Zach amadurecido, com mais bagagem (e mais viagens) no arcaboiço a servir-nos a sua fórmula de sucesso. O que mais poderíamos pedir? Apenas mais tempo do que uns curtos 33 minutos que parecem voar...

23 agosto 2011

Álbum No Ouvido: Junip - "Fields" (2010)

A propósito de uma discussão sobre a qualidade, ou falta dela, de José González, um dos trunfos que usei para sublinhar a dita qualidade deste músico sueco com raízes argentinas, foi o da sua banda, Junip. Banda essa que recentemente descobri ter sido anterior ao seu primeiro disco, Veneer, editado em 2003. Parece, então, que González começou a sua carreira em 2000, ao lado de Elias Araya e Tobias Winterkorn que juntos formaram os Junip. Gravaram um single, lançado pela sua própria editora e cada um seguiu a sua vida. Elias passou a cursar Arte e Winterkorn a dar aulas numa escola, enquanto González arriscou numa carreira a solo com os resultados já conhecidos. Porém, quase seis anos depois, os três companheiros juntaram-se para gravar novamente. No entanto, o resultado final ainda não seria um disco completo. Black Refuge, composto por apenas cinco músicas, uma das quais uma cover de Bruce Springsteen, "The Ghost of Tom Joad", seria apenas um cheirinho do que viria quatro anos mais tarde com este Fields. Aliando a calma e suavidade da voz e guitarra de González com o som mais etéreo dos restantes membros, o resultado final deixa-nos com um sentimento de leveza e vontade de ouvir este disco vezes sem conta. O folk aqui tocado tem pinceladas de progressivo mas com muita calma e leveza, funcionando na perfeição durante o momento de lusco-fusco aquando do festival Super Bock Super Rock no Meco. Ele há coisas assim...

18 agosto 2011

Álbum de Estimação: The Feelies - "Crazy Rhytms" (1980)

Vou começar este artigo com um ponto prévio que demonstra a minha total honestidade para com o Altamont e os seus leitores - nunca tinha ouvido falar numa banda chamada The Feelies até Setembro de 2009, altura em que foram re-editados os seus dois primeiros álbuns, este Crazy Rhytms, de 1980, e The Good Earth, de 1986. Li nessa altura um artigo sobre eles que me fez despertar a curiosidade e em poucos minutos pude começar a ouvi-los, especialmente através do seu álbum de estreia. E desde então que tal tem acontecido com alguma frequência, de tal modo que o tenho hoje como um álbum que merece totalmente ser apelidado como "de Estimação".
Vou tentar explicar por palavras - para já, carreguem abaixo no play. Já começou? Ainda não? Tenham calma. Mais uns segundos que o começo é em crescendo. Primeiro apenas uns sons de sinos de vaca, depois uma guitarra, depois o baixo a definir o ritmo da música, e enfim a bateria a acompanhar. É um começo que impressiona pela forma como os sons se vão sobrepondo e tomando conta da música em si, como que cada um a puxar para uma direcção diferente, mas no fundo a conjugarem-se na perfeição. Isto é "The Boy With Perpetual Nervousness", faixa de abertura. Depois entra "Fa Cé La", único single extraído do álbum e entende-se porquê - é a música mais curta do álbum, de apenas 2 minutos e das poucas que respeita a estrutura convencional verso-refrão. Voltamos depois a uma entrada em crescendo, do qual faz parte um silêncio inicial de vários segundos para "Loveless Love" e o seu riff de guitarra constante e dominador que perdura 3 minutos, altura em que a música toma um rumo diferente, o disco parece que salta para outro ponto. Volta depois a calmia antes de entrarmos na recta final com uma alucinante subida e descida de escala. Diria que é a música que melhor demonstra a forma de estar dos The Feelies, inconstante, incerteza sobre o que vai acontecer a seguir, dando ao disco laivos de uma simples jam session.
"Forces at Work" ainda demora mais a arrancar. Dos seus 7 minutos, o primeiro passa com silêncio total, mas depois arranca e parece que se vai dilatando aos poucos. Depois de "Original Love", música na qual estás mais presente a voz como instrumento complemento do que em qualquer outra, chegamos a "Everybody's Got Something To Hide (Except Me and My Monkey)", cover dos Beatles (presente no seu seminal White Album), à qual os Feelies deram um ritmo abrasivo, descontrolado.
Entrando no terço final, temos "Moscow Nights", "Raised Eyebrows" e o final dá-se com a música que dá nome ao álbum. 9 músicas em pouco mais de 40 minutos que são uma delícia e permitem perceber como terão influenciado bandas como os R.E.M. (Peter Buck devolveu o "favor" ao produzir o segundo álbum dos The Feelies) e Yo La Tengo (originais de Hoboken, onde os Feelies tocavam com grande frequência). Obrigado aos senhores da Domino que decidiram ir buscá-los ao baú a que estavam vetados e mostrá-los de novo ao mundo, nem que seja só por mim, valeu a pena. Mostra que as coisas boas nunca morrem!



09 agosto 2011

Álbum Fresquinho: Marcelo Camelo - "Toque Dela"

Instigado pelo concerto dado no passado sábado, no espaço TMN Ao Vivo, achei por bem aqui colocar o mais recente álbum do Marcelo Camelo, Toque Dela. Depois de 10 anos como uma das forças motoras dos Los Hermanos, e do lançamento de uma carreira a solo com o álbum Sou, de 2008, podemos dizer que Marcelo Camelo não tinha entre mãos uma tarefa fácil, dado o peso da sua herança, o peso de muitos verem nele a grande esperança de continuidade na música brasileira de nomes como Chico, Caetano, Gil. Mas nada como lidar com isso da única forma que ele sabe - com simplicidade e sinceridade acima de tudo. E a meu ver é isso este Toque Dela, um álbum belo de tão simples e sincero, denotando um de ritmo que poderá advir de uma maior influência da vida paulista num carioca de gema, com menos samba e arranjos mais estruturados. Já não se sente a "Copacabana" por perto, música do álbum anterior de êxtase puro, impossível de ouvir sem mexer, agora reina a tranquilidade de um "Pra te acalmar", a segurança de que "Meu Amor é Teu", música que encerra o álbum. Mas pelo meio temos a alegria de "Acostumar, a leveza de "Pretinha, o convite à dança em "Ô ô". E deixo para o fim, por ser para mim a maior demonstração da conjugação do binómio beleza/simplicidade a "Três Dias":

Se faltar carinho, ninho
Se tiver insônia, sonha
Se faltar a paz
Se faltar a paz, Minas Gerais

19 julho 2011

Álbum Fresquinho: Destroyer - "Kaputt"

No meio da velocidade constante do conhecimento a que a internet nos submeteu, os 6 meses que se passaram desde o lançamento deste álbum até o dia de hoje parecem séculos. Mas achei que era mais que merecido este álbum ser destacado aqui no Altamont, tendo também em conta que talvez nem toda a gente deu pela sua chegada.
Kaputt é já o nono (!) álbum de Destroyer, nome de guerra do projecto pessoal de Dan Bejar, também conhecido por ser membro dos The New Pornographers e dos Swan Lake. É portanto um homem de vários ofícios e que não tem receio de experimentar, inovar, arriscar e demonstra isso mesmo neste Kaputt, criando um corte relativamente aos seus anteriores álbuns e atirando-se de cabeça ao lado mais electrónico piscando o olho ao jazz dos anos 80. O próprio Bejar admite ter ouvido muitas coisas de Roxy Music, David Sylvian, Pet Shop Boys, Brian Eno, Prefab Sprout. E depois junta à lista os carismáticos Miles Davis e John Coltrane. É desta mescla de artistas que surge a sonoridade de Kaputt, uma excelente colecção de canções (da qual não queria deixar de destacar "Savage Night at the Opera") que nos deixa a sonhar, que nos retira do carro, casa, escritório, o local que seja em que estamos a ouvi-lo e nos leva para longe. E não será este o poder supremo da música, o conseguir agarrar-nos e fazer-nos viajar?



PS: Agora uma coisa que não entendo e gostava que alguém me conseguisse explicar - o que está este senhor a fazer no cartaz do sudoeste, junto do david guetta e dos scissor sisters e kanye west? Anyone?

07 julho 2011

Álbum de Estimação: Yo La Tengo - "And Then Nothing Turned Itself Inside-Out" (2000)

Os Yo La Tengo são uma banda que ando a descobrir de trás para a frente. Ou seja, comecei em 2007 com uma compra espontânea do álbum mais recente deles na altura, de nome I Am Not Afraid of You and I Will Beat Your Ass. O nome só por si já mereceria gastar uns euros, mas adicionando o facto de ter ouvido aqui e ali uns burburinhos sobre a banda foi mesmo impossível resistir. Depois fui ouvindo. E gostando. Descobrindo música a música. Também em 2007 o IndieLisboa deu-me a possibilidade de assistir a "Old Joy", um filme da neste momento consagrada Kelly Reichardt, cuja banda sonora foi totalmente composta pelos Yo La Tengo. Em 2009 quando saiu o álbum seguinte (e neste momento último), Popular Songs, fui provavelmente a primeira pessoa de Portugal a comprá-lo. Pretensioso? Talvez. Mas o que é certo é que estava em pre-order na amazon e assim que ficou disponível trataram de me enviar. Depois disso e do excelente concerto na Aula Magna o ano passado já não havia dúvidas - estava na hora de ir à conquista dos restantes 25 anos (!!!) e 10 álbuns da banda. E assim está a ser. Dos 10 já levo 4 ouvidos com a devida atenção. E é desses 4 que vou destacar este And Then Nothing Turned Itself Inside-Out que foi o que ganhou um lugar especial. E ganhou-o de uma forma que parece simples - basta uma das mais perfeitas músicas de amor, "Our Way to Fall" (não resisto a colocar aqui a letra da música), duas músicas primaveris perfeitas de nome "You Can Have It All" e "Let's Save Tony Orlando's House", guitarras com distorção a fazerem maravilhas em "Cherry Chapstick". Ou seja uma bela demonstração do que a banda é capaz, da diversidade que almeja e consegue atingir. O trio Ira Kaplan, Georgia Hubley e James McNew apostou neste álbum numa base mais serena, tranquila, a que não é alheia a própria capa do álbum. Vejam como tudo parece calmo e sereno no bairro, tirando o pequeno pormenor/pormaior de estar em curso o que parece ser um sequestro por aliens.
Resumindo, deixa água na boca para continuar a pesquisar mais. E acho que isto é o melhor que pode acontecer a alguém - suscitar a curiosidade por mais. Experimentem já aqui em baixo. Aviso que correm o risco de terem de ir atrás dos restantes trabalhos da banda.

05 julho 2011

Álbum No Ouvido: Osibisa - "Osibisa" (1971)

Na minha senda de desbravar terreno em relação à música africana, especialmente nos ritmos jazzísticos mesclados com rock, funk ou soul, algo na onda do afro-beat, onde é rei Fela Kuti, descobri uma pérola escondida no Gana dos anos 70. Mais um agradecimento ao mundo internet de hoje por permitir descobrir discos que nem no mercado se encontram. Mas vamos ao que realmente nos trouxe aqui, os Osibisa.
Criados pela mente de Teddy Osei, saxofonista, baterista e compositor ganês, tendo estudado música em Londres e daí trouxe alguns instrumentos, ditos ocidentais, para criar um estilo muito próprio. Coisa que muitos africanos fizeram no final dos anos sessenta e inícios dos sessenta, incluindo Fela Kuti. O que parece incrível é o facto de os africanos pegarem em instrumentos ditos de "brancos" e quase instantaneamente criarem algo que parecia impossível. O Jazz é o exemplo disso. Aqui, o Jazz volta à terra onde as suas bases nasceram. Dá-se o circulo completo. Os sons tribais fundem-se com a anarquismo do jazz, pincelados aqui e ali com guitarradas ao bom estilo de Santana, pautados por uma batida só ao nível de quem tem o sangue bastante quente, seja o original africano ou o viajado caribenho. Este não é apenas um disco "estranho" ou world music, é, sim, música numa das suas melhores formas e expressões.

30 junho 2011

Álbum de Estimação: Badfinger - "No Dice" (1970)

A razão deste No Dice dos Badfinger estar aqui não é propriamente por este ser um dos meus discos preferidos. Nem sequer por a banda ser uma das que mais apraz. Nem por ser um disco que marcou a História da música. A verdadeira razão razão deste disco figurar desta rubrica prende-se pelo facto de ser o melhor disco desta banda, para muitos desconhecida, que teve um percurso de vida bastante acidentado, sendo trágico a palavra certa. Mas já lá vamos.  Tudo começou em 1963 em Swansea, País de Gales, liderados Pete Ham, vocalista e guitarrista principal. Por homenagem aos Hollies, passaram a chamar-se The Iveys, e começaram a abrir para bandas como Yardbirds, Spencer Davis Group ou Moody Blues. Porém, não obstante, serem considerados bons músicos, faltava-lhes qualquer coisa. Esse bocadinho a mais veio com a ajuda de um manager, Bill Collins, que os pôs em contacto com Ray Davies dos Kinks que puxou uns cordelinhos para abrir horizontes para a banda galesa. Collins puxou também pela banda, obrigando-os a criar músicas originais. É aqui que se começa a dar a mudança na banda e o início de uma história agri-doce. Em 1968, após terem sobrevivido milagrosamente a um acidente de viação, os Iveys como que agradeceram a benesse e começaram a escrever um largo número de canções, melhorando a sua qualidade a olhos vistos, sendo bem aceites pelo público em concertos. Esta boa onda coincidiu com alguns factores. Os Beatles tinham acabado de lançar a sua própria editora, "Apple", e queriam muito mostrar ao mundo que conseguiam encontrar as novas coqueluches, não só da música, mas da arte em geral. Acontece que Collins, o empresário, era amigo de Mal Evans, assistente da Apple e amigo pessoal dos Beatles. O "caldinho" foi feito e os Iveys gravaram um disco pela Apple. Ora, as expectativas eram altas mas o disco não teve aceitação nenhuma. Parecendo esquecidos na prateleira da Apple, os Iveys receberam com bastante surpresa a notícia que o próprio Paul Mccartney queria que eles fizessem a banda sonora para o filme "The Magic Christian" com Peter Sellers e Ringo Starr, e que gravassem um original de McCartney, "Come and Get It". A sorte batia à porta outra vez dos Iveys que, com a saída de um dos seus elementos, decidiam mudar o nome da banda para Badfinger. Acabaram por não fazer a banda sonora do filme propriamente dita, mas o disco, chamar-se-ia, ironicamente, Magic Christian Music e "Come and Get It" levou ao ponto mais alto da banda. Parecia que tinham chegado finalmente onde ambicionavam. Fizeram parte das gravações do primeiro disco de George Harrison, marcando presença, inclusive, nos concertos de ajuda para o Bangladesh, referidos como "uma banda Apple". Em 1970 lançam o seu "disco". Doze músicas tipicamente pop/rock. Abrindo a rasgar com "I Can't Take It", continuando em "Love Me Do" e "No Matter What", passando pelas baladas em "I Don't Mind", "Midnight Caller" ou a mítica "Without You", tornada famosa nos anos 90 por, imagine-se, Mariah Carey. É um disco que não envergonha ninguém, acertando na mouche em todos os pontos certos do pop/rock. A partir daqui foi sempre a descer. Os discos começaram a não vender, os Beatles separaram-se, deixando a Apple de pantanas, deixando os Badfinger, sempre vistos como uma banda "Apple", à deriva por sua conta e risco. A qualidade começou a baixar, os discos começaram a não vender, as lutas internas a aumentar. Isto bateu forte em Pete Ham, tanto que decidiu acabar com a sua vida em 1975. Os Badfinger tentaram continuar mas em vão. A magia inicial tinha-se ido. Restou o seu legado, aqui no seu mais alto pico com No Dice.

28 junho 2011

Álbum No Ouvido: Tame Impala - "Innerspeaker" (2010)

Abrimos hoje uma nova rubrica aqui no Altamont - o "No Ouvido". Nesta serão incluídos álbuns que já não se podem considerar fresquinhos mas que só recentemente vieram parar às nossas mãos (ouvidos). E para lançar esta rubrica escolhi os Tame Impala, banda que lançou este Innerspeaker há mais de um ano (e há precisamente um ano hoje no Reino Unido o que não deixa de ser uma coincidência engraçada) e só agora ganhou tempo de antena. E vem mesmo a tempo, já que vão ser uma das bandas presentes no Super Bock Super Rock deste ano e merecem o destaque aqui no Altamont.
Começo por introduzir a banda - os Tame Impala são de Perth, Austrália e formaram-se em 2007. Depois de terem lançado dois EP's (Tame Impala e [H.I.T.S. 003]) durante o ano de 2008 lançaram-se então na gravação do seu primeiro LP - este mesmo Innerspeaker que poderão ouvir já já aqui em baixo. Mas primeiro, mais umas palavrinhas para dar mais algum contexto e criar uma maior ansiedade antes de carregarem no play (bem, a este ponto se calhar até já carregaram e já não estão a ligar pêva ao que estou para aqui a escrever mas siga). Eu diria que os Tame Impala conseguiram aqui criar uma excelente mistura entre o psicadelismo do final dos anos 60, mas já incorporando tudo o que se passou no universo da música rock desde então, indo beber especialmente ao britpop, ao shoegaze de forma a trazer alguma frescura à base psicadélica donde partem. A voz do vocalista Kevin Parker, muito semelhante à de John Lennon também ajuda bastante neste capítulo.
Eu pessoalmente fui apanhado pela música 2, "Desire Be, Desire Go", mas o álbum convence pelo seu todo. Enjoy it!

16 junho 2011

Álbum de Estimação: João Gilberto - "Chega de Saudade" (1959)

Passou quase despercebido à grande generalidade dos media (que surpresa...) mas um génio maior da música de língua portuguesa fez no passado dia 10 de Junho 80 anos. Daí eu querer aproveitar a oportunidade e colocar aqui no Altamont, como blog aberto a músicas de todo o mundo, este Chega de Saudade como o álbum de estimação da semana. E porquê estes Chega de Saudade e não outro qualquer de João Gilberto? Pergunta de resposta simples - foi este álbum que gerou uma transformação na música brasileira, dando forma e corpo à bossa-nova.
Faço minhas as seguintes palavras de um dos grandes contribuidores para este álbum, de nome António Carlos Jobim (escreveu várias letras, juntamente com Vinicius de Moraes):

"João Gilberto é um baiano, "bossa-nova" de vinte e seis anos. Em pouquíssimo tempo, influenciou toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores. Nossa maior preocupação, neste "long-play" foi que Joãozinho não fosse atrapalhado por arranjos que tirassem sua liberdade, sua natural agilidade, sua maneira pessoal e intransferível de ser, em suma, sua espontaneidade. Nos arranjos contidos neste "long-playing" Joãozinho participou ativamente; seus palpites, suas idéias, estão todas aí. Quando João Gilberto se acompanha, o violão é ele. Quando a orquestra o acompanha, a orquestra também é ele. João Gilberto não subestima a sensibilidade do povo.
Ele acredita, que há sempre lugar para uma coisa nova, diferente e pura que - embora à primeira vista não pareça - pode se tornar, como dizem na linguagem especializada: altamente comercial. Porque o povo compreende o Amor, as notas, a simplicidade e a sinceridade. Eu acredito em João Gilberto, porque ele é simples, sincero e extraordináriamente musical.
P. S. - Caymmi também acha."

Antonio Carlos Jobim



(grooveshark as soon as possible)

14 junho 2011

Álbum Fresquinho: Arctic Monkeys - "Suck It and See"

E ao quarto disco de originais, os Monkeys demonstram bem o caminho que querem seguir. O seu próprio caminho, sem pressões de editoras para encherem estádios e se tornarem os meninos bonitos que arrastam milhões de teenagers atrás. Após o primeiro disco ter pegado de estaca e ter feito de quatro miúdos de Sheffield uma promissora banda e revelar, em especial, um carismático Alex Turner, os Arctic Monkeys começaram a desbravar o seu próprio caminho, e isso revelou-se nos discos, músicas e, sobretudo, letras seguintes. Não mais Alex Turner escreveria sobre os seus ténis preferidos ou encontros de adolescentes. Tornaram-se homenzinhos e cada vez melhores músicos. Do pujante Whatever People Say I Am, That's What I'm Not, seguido da confirmação de selo de qualidade em Favourite Worst Nightmare, passando pela experimentação em Humbug, os pupilos de Turner chegam-nos agora com Suck it and See, título nada aconselhável para quem poderia querer manter um nível respeitável e de fácil aceitação. Este disco chega-nos dois anos depois de Humbug e apenas um mês após o EP a solo de Alex Turner, Submarine, banda sonora para o filme com o mesmo nome, realizado por Richard Ayoade. É de salutar esta corrente criativa até porque a qualidade de Suck it and See, não aparece de alguma maneira beliscada. Não é um disco fácil. Não cria raízes à primeira como nos dois primeiros discos. Surge na continuação do disco anterior mas com um piscar de olhos ao grunge. Mais crú e seco. Não há nenhuma música que se possa dizer que é "material de single". Tanto "Brick by Brick", cantada também pelo baterista, Matt Helders, como "Don't Sit Down 'Cause I've Moved Your Chair", são secas o suficiente para alienar grande parte do antigo público. É um disco que vai crescendo aos poucos, tornando-se essencial sem atingir as parangonas dos media. Por vezes, é melhor assim...



09 junho 2011

Álbum de Estimação: The Polyphonic Spree - "The Beginning Stages Of..." (2002)

De quando em vez volto a ouvir este disco e todas essas vezes que o oiço um sorriso entreabre-se nos meus lábios. Há qualquer coisa de impoluto, ingénuo mas genuíno neste álbum. Se calhar é a minha costela de hippie a dar de si mas se assim o for, ainda bem. E ainda bem porque este disco merece todos os minutos que lhe dedico. Faz-me "regressar" a um tempo que nunca vivi. Neste mundo dos Spree não há escuridão nem tristeza. E os Spree são isso mesmo. Uma banda cheia de luz e vibrante. Pudera. São doze elementos, todos vestidos com robes como se de uma comunidade Hippie se tratassem. Uma comunidade fundada por Tim DeLaughter (nome sui generis), quase como um "happening", onde faz das suas influências de Beach Boys ou Flaming Lips, músicas de paz de espírito, verdadeiro bálsamo para os ouvidos com toques de gospel e rock orquestral, utilizando dezenas de instrumentos diferentes que vão das teclas aos instrumentos de sopro. Curioso é que conseguiram apanhar esse espaço-temporal dos sixties, transportando todo a aparato de um grande grupo com vários músicos e coros para este disco. Uma boa adição para a colecção de discos....

02 junho 2011

Álbum de Estimação: Television - "Marquee Moon" (1977)

Vou começar por uma referência a um filme - em "Juno", a dado momento, discute-se qual o melhor ano da música. Juno, a personagem principal, mostra como argumentos para defender 1977 os Stooges, a Patti Smith e os Runaways. Mas na minha opinião, se ela queria mesmo defender tanto esse ano era dos Television que tinha que ter falado. Dos Television e especialmente deste Marquee Moon, álbum que hoje, à distância de 34 anos sinto um pouco perdido no esquecimento. Injustamente no esquecimento, injustamente metido nas prateleiras de descontos numa qualquer grande loja de música. Recordemo-nos portanto do caminho desbravado por Tom Verlaine, mentor da banda, no que respeita ao movimento punk - foi ele que convenceu Hilly Kristal, dono dum então desconhecido clube de country, blue grass e blues (para bom entendedor meia palavra basta...) a aceitar bandas rock a tocarem no seu estabelecimento. Corria o ano de 1974. O resto é história da música, nível básico - grupos como Ramones, Blondie, Talking Heads, a própria Patti Smith, saíram desse antro cavernoso para o mundo.
Um aspecto que me intriga bastante é o facto de que, hoje, os Television são quase sempre rotulados como uma banda pós-punk. Agora expliquem-me, como pode uma banda que começou a dar concertos em 1974 e que lançou este álbum em 1977 ser pós-punk? Algo de estranho se passa no mundo dos rótulos (diria que sempre foi assim e a rotulagem de pouco ou nada serve, mas...). Agora uma coisa é certa - a música dos Television é de uma complexidade que em nada tem a ver com os 3 acordes, um refrão, 2 minutos e está feito. Basta pensar que "Marquee Moon", a música, teve de ser cortada para 9:58 minutos para caber no LP. Só com a re-edição em CD de 2003 nos chegou a versão completa com os seus 10:40. Basta pensar nas letras de um Tom Verlaine, que nascido Thomas Miller foi buscar o seu nome artístico ao poeta francês Paul Verlaine. Basta pensar nas variações de ritmo dentro das músicas, na utilização de algumas escalas jazzísticas, no contraste das guitarras ritmo e solo, força motora do álbum. E foi juntando todos estes ingredientes que se fez história.

31 maio 2011

Álbum Fresquinho: Fleet Foxes - "Helplessness Blues"

Não podíamos fechar o mês aqui no Altamont sem mencionar a chegada de um dos álbuns mais aguardados do ano. No início do mês, e depois do EP Sun Giant e do tão aclamado Fleet Foxes já de 2008, chegou-nos Helplessness Blues. Longa foi a espera, resultado de um processo de gravação bastante turbulento - no final de 2009 a banda já tinha um álbum praticamente pronto mas que foi lamentavelmente destruído no processo de mixagem, o que levou a banda a começar novamente do zero. Robin Pecknold, fundador da banda (juntamente com Skyler Skjelset, colega de escola) e líder incontornável não baixou os braços, lançou-se avidamente ao trabalho. Não sei como seria essa tal primeira gravação, mas ouvindo este Helplessness Blues não consigo deixar de pensar que pena seria se nunca o tivessem feito. Inventivo, complexo e com maior nível de detalhe dentro de cada música vale cada um dos seus 50 minutos. Onde antes predominava a tranquilidade, nota-se agora uma maior tensão, súbitas mudanças de tom apanham-nos desprevenidos, mas no final parece que tudo se conjuga tal qual peças de um puzzle maior que é este álbum.
O álbum mostra um Pecknold cheio de dúvidas, preocupações, começando logo na primeira frase que ouvimos, na excelente "Montezuma": "So now, I am older/ Than my mother and father/ When they had their daughter/ Now, what does that say about me?" Este é o tom, e por cada pergunta feita, outras dez surgem, sobre a vida, o sucesso, a sua carreira, e todas estas dúvidas só parecem mesmo resolvidas na música que dá nome ao álbum, onde simplesmente se retrai e deseja apenas uma vida simples(Don't we all?).
Sinto que é um passo à frente muito natural por parte da banda, arriscando mas sem descurar todos os elementos que tanto nos encantaram no seu primeiro álbum e no EP. E isto é muito valioso.



E deixo também o vídeo que é giro. Enjoy it!

26 maio 2011

Álbum de Estimação: Olivia Tremor Control - "Music from the Unrealized Film Script, Dusk at Cubist Castle" (1996)

A pergunta neste álbum coloca-se da seguinte maneira: Como é que ao fim de alguns minutos de pop indie, [influenciada pela escola britânica do psicadélico ligeiro compreendido no período entre 1966-68 na qual fazem parte bandas como os Beatles, Zombies, Nirvana [UK], já aqui referidas neste blog], passamos para um estado meio demencial, um pouco ao estilo de um filme de Robert Rodriguez com nome parecido a este disco dos Olivia Tremor Control. A resposta acertada é lendo a biografia desta banda de nome esquisito. Ora bem, sendo assim vamos então para um pequeno momento de história musical. Originários de uma pequena terra em Los Angeles, o duo que forma esta banda faz parte de uma das mais importantes editoras de pop alternativo/psicadélico, a Elephant 6. Editora essa que conta, ou contou, também com os Of Montreal, Neutral Milk Hotel ou Apples in Stereo. E o que tinha esta editora de tão especial? A seu favor a homogeneidade das bandas, as quais se sentiam uma grande família, partilhando ideias e influências e, mais importante de tudo, poderem escrever e gravar qualquer coisa que lhes fosse à cabeça. Uma espécie de renascimento do movimento psicadélico de São Francisco. E é isto mesmo e ainda mais que este Dusk at Cubist Castle é. Uma mescla de pop psicadélico americano com britânico, com alguns elementos de Kraut-Rock com o dinamismo e inovação de uns Sonic Youth. Neste disco eles criam um ambiente surreal que vai do technicolor ao monocromático e isto tudo dividido em 27 músicas. Pena que tenham decidido fazer um hiato após o segundo disco e esse hiato já dure há 12 anos...

24 maio 2011

Álbum Fresquinho: The Rural Alberta Advantage - "Departing"

Com um dos nomes mais estranhos do panorama musical actual, esta banda de Toronto já anda cá há mais tempo do que se pensa, apesar de me ter passado despercebida durante estes seus seis anos de existência. Mas não mais. Juntos desde 2005 e levando já na bagagem mais dois discos, sendo um deles EP, o seu percurso tem vindo a ser em crescendo e este Departing é o culminar disso mesmo. Nele, o trio norte-americano constrói um ambiente do interior americano intervalando músicas mais depressivas, "Two Lovers", The Breakup" com outras mais épicas: "Under The Knife" ou "Stamp" a fazer lembrar uns Kings of Leon a tocar Arcade Fire. Estes três rapazes (um deles rapariga) conseguem com estas dez músicas criar um ambiente que poderia perfeitamente ser banda sonora para "Fargo", inclusive até na capa do próprio disco. Uma das boas surpresas de 2011.