Eu descobri os The National com o Boxer. Foi por aí que eles entraram, normalmente pelas colunas do carro. Ouvi-o muitas muitas vezes nos quilómetros que separam a minha casa do local de trabalho, sempre a descobrir um bocadinho mais, sempre mais uma música, mais uma frase, mais um arranjo. Foi um daqueles processos de descoberta que duram, mas são saborosos, o assimilamento gradual de que estava perante um grande álbum. Mas quando me apareceu o Alligator fui arrebatado de uma forma que não sabia para onde me virar, se para a tranquilidade de "Daughters of the Soho Riots", se para o êxtase de "Mr. November". Se para as lamentações e pedidos de desculpas de "Baby We'll be Fine", se para a energia de "Lit Up". Se para um Karen, put me in a chair, fuck me and make me a drink em "Karen" ou se para um I wanna go gator around the warm beds of beginners em "City Middle". A dúvida instala-se. E mói, tudo mói, a palete de emoções presente neste disco é de tal forma amplo que não conseguimos digerir bem o fim de um música e início de outra. É brusco demais o corpo não aguenta. Tal como não aguenta bem a voz do Matt a ecoar nos ouvidos. Tal como não aguenta ficar impávido e sereno com a potência avassaladora de "Abel", aqui já abaixo.
Se eu soubesse o que sei hoje (frase muito usada mas um totalmente inconsequente) teria saboreado este Alligator desde o momento que viu a luz do dia, em Abril de 2005, já lá vão 6 anos. Parece impossível.
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19 maio 2011
10 maio 2011
Álbum Fresquinho: Bill Callahan - "Apocalypse"
Qualquer texto sobre um álbum de Callahan deve, fazendo justiça à sua forma de estar, ter poucas palavras e focar-se na música. Esse era o meu plano inicial. Mas as dificuldades que tenho de aceder e partilhar música neste preciso momento não me permitem muitas veleidades (que bela palavra). Sem grooveshark, sem youtube, que condições há para conseguir convencer as pessoas que estão a ler isto a darem tempo de antena a este Apocalypse anunciado por uma das mais belas e intrigantes vozes do nosso tempo? Deixo uma música do álbum. Foi o melhor que consegui arranjar, espero a vossa compreensão. Penso que dentro de uns dias irei conseguir melhorar o post e meter-lhe mais música. A substância que merece ser ouvida com atenção. Ou, neste caso, sentida, inalada, absorvida, engolida, todos os sentidos têm que estar bem alerta para uma melhor apreciação da obra de Callahan.
28 abril 2011
Álbum de Estimação: Miles Davis - "Ascenseur pour l'échafaud OST" (1958)
Já que abrimos um precedente a semana passada e começámos aqui a falar no Altamont sobre bandas sonoras, esta semana trago uma banda sonora histórica para um filme não menos histórico - a preparada por Miles Davis especialmente para o filme Ascenseur pour l'échafaud, de Louis Malle.
A história conta-se em poucas palavras, Jean-Paul Rappeneau, assistente de Malle na altura e grande fã de jazz, lançou a ideia, levando Malle ver Davis tocar num clube em Paris. Este deixou-se convencer a avançar para este projecto após uma sessão de visionamento privada do mesmo, e tal como documenta o vídeo abaixo, gravou tudo enquanto viam as cenas do filme a desenrolar, numa simples sessão de improviso, apenas com algumas estruturas harmónicas básicas previamente delineadas. Assim que se criou uma empatia única entre as emoções que as personagens vão sentindo ao longo do filme com a banda sonora que acompanha, na sua maioria mais soturnas, e melancólicas, mas também muitas vezes de suspense, tudo se acentuado com o trompete de Davis, a remoer dentro de nós, a intensificar cada sentimento, a causar-nos calafrios.
O meu conhecimento do mundo imenso que é o jazz é mesmo muito limitado, mas das poucas obras que conheço esta é uma que me tocou bastante sobretudo pela forma inesperada como apareceu, disfarçada de filme. E que filme. E que Jeanne Moreau. Ela a passear-se pela noite parisiense ao som de Florence Sur Les Champs-Élysées é qualquer coisa de divinal e ficará comigo para sempre.
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26 abril 2011
Álbum Fresquinho: The Pains of Being Pure at Heart - "Belong"
Os Pains of Being Pure at Heart conquistaram-me com o seu primeiro álbum, homónimo, de 2009. Foi mesmo daqueles casos de amor à primeira vista (audição, neste caso), que me levou inclusivé a deslocar-me até à simpática (e distante de Lisboa mas distância essa sempre recompensadora) vila de Paredes de Coura para os ver ao vivo. Com mil raios, até afugentei uma jovem espanhola carente de afecto que meteu conversa comigo durante o concerto para os ver com a devida atenção! Acho que desta forma já dá para ter uma ideia do nível de expectativa (ou expetativa? o editor do blog já se pronunciou sobre qual a nossa abordagem ao acordo ortográfico?) que rodeava a chegada deste Belong, álbum que surge depois de um docinho em forma de EP e de nome Higher than the Stars que nos foi oferecido o ano passado. E o que se passou ao meter o CD a girar? Temo dizer que fiquei com um sabor amargo na boca. Eu, de certa forma, sabia que ia acontecer, não ia ser fácil, culpa em parte minha por meter fasquia alta. Principalmente senti que as músicas estavam mais moles, que a voz estava mais melosa, que a dor de ser puro no coração os tinha atingido com maior força desta vez e a energia que tinha sido uma das coisas que me atraiu neles tinha ido abaixo. E quando acabou, passadas apenas 10 músicas, fez lembrar-me a clássica piada do Woody Allen no início do Annie Hall - tão fraco e ao mesmo tempo tão pouco? Decidi que isto não ficava assim, eles não podiam fazer-me isto e resolvi colocar o CD do início outra vez. E foi a meio da 3ª música (a que vos deixo para já abaixo, e mais logo prometo que meto grooveshark) que começou a fazer-se luz. Comecei a ver ali mais qualquer coisa quiçá a meio do refrão "She was the heart in your heartbreak/ She was the miss in your mistake", ou das palmas e do sintetizador intercortado com a guitarra solo. Pode ter sido isso, já não sei bem. Mas o que é facto é que o resto do álbum me soou muito melhor a partir daí, num registo diferente do anterior mas que ao mesmo tempo encaixa bem no ambiente da banda. E suponho que seja isto que todas as bandas querem para o seu 2º álbum.
21 abril 2011
Álbum de Estimação: "Backbeat OST" (1994)
O estimação de hoje é sobre um disco que ouvi vezes e vezes sem conta na altura que o comprei, por volta de 1997 ou 1998. Tinha visto o filme nessa altura e fiquei deliciado com as versões que tinham feito para esta película. Ora, este Backbeat, de 1994, realizado por Iain Softley, que não faria muito mais filmes de jeito, destacando-se apenas "The Wings of the Dove" e "K-Pax". O filme também não contava nas suas fileiras com actores de renome e as actuações também não foram nada de extraordinário, porém a banda sonora valeu por tudo. Essa tal banda sonora, não era nada menos do que versões de músicas que os Beatles tocaram ainda antes de serem "os" Beatles. A história do filme revolve à volta da figura de Stuart Sutcliffe, membro original da primeira formação da banda de Liverpool, composta ainda pelo baterista Pete Best. Stu era um péssimo músico, mas excelente pintor e o melhor amigo de Lennon. O seu coração não batia pelos ritmos do rock 'n roll como no resto da banda, o que levava McCartney ao desespero e à fúria em relação a Stu. Porém foi Stu que mais fez pelo visual Beatle. Através da recente paixão descoberta na Hamburgo alemã, Astrid. Esta fotógrafa inventou o conceito "cabelo à Beatle" e deu uma nova imagem à banda inglesa. Estes nunca mais largaram este visual até 1966, altura do psicadelismo. Em relação ao que realmente interessa, a banda sonora, esta revolvia à volta dos clássicos anos 50 que Lennon e companhia tocavam em bares de classe duvidosa no red light district de Hamburgo. Em relação à banda que tocou estes covers, foi acima de tudo uma surpresa pelos nomes que vi no "booklet" do cd. Senão vejamos: Dave Pirner dos Soul Asylum, Greg Dulli dos Afghan Whigs, Thurston Moore dos Sonic Youth, Dave Ghrol, Mike Mills dos R.E.M. e Don Fleming dos Gumball. Um verdadeiro "timaço" que pôs todo a sua alma de rock nestes clássicos, dando-lhes uma crueza e velocidade notáveis. Enquanto o filme é mediano, valendo apenas pelo lado histórico, a banda sonora tem um valor inestimável...
19 abril 2011
Álbum Fresquinho: The Vaccines - "What Did You Expect From the Vaccines"
O fresquinho de hoje incide sobre uma das bandas que irá estar presente na próxima edição do festival Super Bock Super Rock e têm como nome "The Vaccines. Ora esta banda, de qual já falamos há umas semanas aqui em Recomenda, com o single "Post Break-Up Sex", traz-nos o ambiente perfeito para estes dias mais solarengos. Uma Pop de época ao estilo dos Glasvegas, onde pegam na famosa "Wall of Sound" de Phil Spector para criar uma melodia mais musculada e "all over the place", porém mais veraneante, mais leve e de fácil aceitação, não querendo com isto dizer que é fraquinha.
Abrindo o disco com "Wreckin' bar (ra ra ra)", os Vaccines mostram claramente o rumo e linha da sua música. Não prometem grandes letras nem grandes qualidades musicais, mas sim um bom momento nestes pouco mais de trinta minutos, divididos em 11 músicas. Prometem ser uma das bandas do verão e um dos pontos fortes do Super Bock Super Rock.
Abrindo o disco com "Wreckin' bar (ra ra ra)", os Vaccines mostram claramente o rumo e linha da sua música. Não prometem grandes letras nem grandes qualidades musicais, mas sim um bom momento nestes pouco mais de trinta minutos, divididos em 11 músicas. Prometem ser uma das bandas do verão e um dos pontos fortes do Super Bock Super Rock.
14 abril 2011
Álbum de Estimação: Nick Drake - "Five Leaves Left" (1969)
Hoje escolhi um álbum sobre o qual é difícil escrever, e portanto não vou mesmo alongar-me muito. Só umas breves palavras para dar a conhecer um pouco da sua história a quem não o conhece e tentar, dentro do vocabulário que conheço, transmitir-vos uma ideia da minha impressão sobre o mesmo.
Five Leaves Left foi o primeiro dos três álbuns que Nick Drake deu ao mundo, numa curta carreira de 5 anos, que terminou com a morte do próprio, aos 26 anos. Isto até pode parecer um cliché, imagino que os que não conheçam já estejam a ver o filme de alguém que teve sucesso rápido e sucumbiu ao mundo das drogas e excessos próprios do meio. Nada mais longe da verdade. Os seus álbuns não venderam mais de 5000 cópias. Não gostava de dar concertos ao vivo nem entrevistas. Manteve-se sempre uma pessoa recatada, com os seus problemas tão patentes nas suas letras, tais como depressão, insónia entre outros. Até que uma overdose de anti-depressivos o levou. Permaneceu durante uns bons anos um tesouro escondido, tendo começado a ser redescoberto após ser citado como influência para alguns músicos nos anos 80, mas manteve-se sempre uma pérola para algumas franjas e um total desconhecido para as massas. Nem todos conseguem ver a beleza mesmo que ela esteja à frente dos seus olhos.
O facto de hoje estarmos a ouvir Nick Drake permite-nos confiar na selecção natural que o passar do tempo faz. E ter esperança que os nossos filhos e netos terão acesso a coisas que mesmo não tendo sido populares no seu tempo, serão guardadas e passadas de geração em geração de uma forma justa, medida pelo mérito dos artistas e não pelo número de discos vendidos.
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31 março 2011
Álbum de Estimação: Belle & Sebastian - "Tigermilk" (1996)
E pensar que este álbum foi feito como um projecto de fim de curso do aluno Stuart Murdoch?
"Sebastian met Isabelle outside the Hillhead Underground Station, in Glasgow. Belle harrassed Sebastian, but it was lucky for him that she did. She was very nice and funny, and sang very sweetly. Sebastian was not to know this, however. Sebastian was melancholy.
He had placed an advert in the local supermarket. He was looking for musicians. Belle saw him do it. That’s why she wanted to meet him. She marched straight up to him unannounced and said, ‘Hey you!’ She asked him to teach her to play the guitar. Sebastian doubted he could teach her anything, but he admired her energy, so he said ‘Yes’.
It was strange. Sebastian had just decided to become a one-man band. It is always when you least expect it that something happens. Sebastian had befriended a fox because he didn’t expect to have any new friends for a while. He still loved the fox, although he had a new distraction. Suddenly he was writing many new songs. Sebastian wrote all of his best songs in 1995. In fact, most of his best songs have the words ‘Nineteen Ninety-five’ in them. It bothered him a little. What will happen in 1996?
They worked on the songs in Belle’s house. Belle lived with her parents, and they were rich enough to have a piano. It was in a room by itself at the back of the house, overlooking the garden. This was where Belle taught Sebastian to put on mascara. If Belle’s mum had known this, she would not have been happy. She was paying for the guitar lessons. The lessons gave Sebastian’s life some structure. He went to the barber’s to get a haircut.
Belle and Sebastian are not snogging. Sometimes they hold hands, but that is only a display of public solidarity. Sebastian thinks Belle ‘kicks with the other foot’. Sebastian is wrong, but then Sebastian can never see further than the next tragic ballad. It is lucky that Belle has a popular taste in music. She is the cheese to his dill pickle.
Belle and Sebastian do not care much for material goods. But then neither Belle nor Sebastian has ever had to worry about where the next meal is coming from. Belle’s most recent song is called Rag Day. Sebastian’s is called The Fox In The Snow. They once stayed in their favourite caf’ for three solid days to recruit a band. Have you ever seen The Magnificent Seven? It was like that, only more tedious. They gained a lot of weight, and made a few enemies of waitresses.
Belle is sitting highers in college. She didn’t listen the first time round. Sebastian is older than he looks. He is odder than he looks too. But he has a good heart. And he looks out for Belle, although she doesn’t need it. If he didn’t play music, he would be a bus driver or be unemployed. Probably unemployed. Belle could do anything. Good looks will always open doors for a girl."
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29 março 2011
Álbum Fresquinho: The Strokes - "Angles"
"Dez anos é muito tempo, muitos dias, muitas horas a cantar", já dizia Paulo de Carvalho. Para os Strokes, dez anos passaram como um abrir e fechar de olhos desde que o lançamento de Is This It?. Poderia aqui dizer que em dez anos a banda liderou essa vaga do indie rock, fazendo imensos álbuns de qualidade, sempre procurando inovar e com qualidade. Porém, Em dez anos a banda, liderada por Julian Casablancas lançou, contando com este fresquíssimo Angles, apenas 4 discos. Muito pouco para a banda que fez ressurgir o interesse no rock e uma das mais dinamizadoras para o crescimento desse conceito indie. Muito pouco também em termos de banda líder, pois nunca o foi, muito devido ao pouco entendimento entre os elementos, o que resultou em alguns projectos a solo e/ou paralelos. O ambiente nunca foi o melhor e, apesar desse factor nem sempre ser negativo para a criatividade, as sequelas a Is This It? foram sempre piores e Angles é o resultado lógico desta tida falta de interesse da banda ou de Julian para tornar os Strokes melhores do que o foram em 2001. No entanto, apesar de tudo do que acima foi dito, Angles é o disco mais diferente que os strokes fizeram. Não que isso queira dizer que é melhor mas apenas diferente. O resultado final que nos fica a tilintar no cérebro após algumas audições é que tresanda a duas coisas. Sintetizadores e anos 80. Se os realizadores do filme Tron: Legacy fizeram muito bem em pedir a ajuda dos Daft Punk para a sua banda sonora, este Angles serviria perfeitamente para ser a banda sonora original do primeiro filme tal é a sua roupagem a anos 80. Conseguimos imaginar os casacos de ganga, bandanas na testa e salas de jogos arcade. É um disco mais solarengo, polvilhado aqui e ali com alguma da agressividade dos primeiros discos como em "You're So Right", fazendo também lembrar "River of Brakelights" de Phrases for the Young, disco a solo de Casablancas. Angles é um disco que não acrescenta mais valor à posição dos Strokes na história, é sim, mais um disco de Strokes (são tão poucos, daí a ressalva) que se ouve bem e apraz. Para o que é, para mim chega. Venha o próximo.
17 março 2011
Álbum de Estimação: The Moody Blues - "Days of Future Passed" (1967)
Entre 1966 e 1968, aproximadamente, houve um fenómeno na música, mais concretamente na britânica, com a tentativa de juntar a pop com elementos clássicos. Uma tentativa de ver a música como um todo, um movimento que chegasse a todos e não se dividisse em grupos, os novos e velhos. A pop tentou tornar-se adulta, requintada, sofisticada e, se calhar, algo snob, até porque muitos elementos destas bandas pop, tinham tido instrução clássica, fazendo, desta feita, valer todos os minutos de aprendizagem árdua. Isso viu-se com os Beatles em Sgt. Pepper, Nirvana [UK] em Simon Simopath, os Zombies em Odessey & Oracle e Aphrodite's Child com 666, entre outros como este Days of Future Passed dos Moody Blues.
Rotulados, na altura, como uma das melhores bandas da invasão britânica nos USA, os Moody são, hoje em dia, conhecidos pelos seus álbuns de rasgo e inovação e tudo começou em 1967 com um certo golpe de sorte.
A sua produtora, Decca, queria uma versão Rock da Sinfonia do Novo Mundo, de Dvorak, para mostrar ao mundo a sua nova tecnologia stereo, no entanto, a História teceu o seu rumo, e um dos produtores conseguiu mudar tudo, juntando as músicas pop que os Moody andavam a desenvolver, juntando-os à London Festival Orchestra e conseguindo este resultado final, metendo a cabeça em água à Decca que não sabia como catalogar nem publicitar o resultado final, temendo um desastre em termos de vendas. O disco, dividido em sete músicas, fala de um dia completo desde o amanhecer até à noite escura em que cada música é um momento diário. Este psicadelismo barroco misturado com outros elementos clássicos não só acabou por ser bastante aceite, tornando a banda muito mais respeitada, como acabaria por ser um campeão de vendas para a Decca, muito por culpa da música final, "Nights in White Satin". Apesar de já ter este disco há uns bons anos, só há pouco tempo o ouvi de início ao fim, e foi o melhor que fiz, pois é daqueles que nos faz sorrir ligeiramente ao ouvir de início ao fim. Não é um disco de singles, embora "Nights" se destaque logo à partida. É um disco pensado para ser um disco e ser ouvido de início ao fim. E é isso que me faz tanto gostar dele. Recomendo vivamente.
Rotulados, na altura, como uma das melhores bandas da invasão britânica nos USA, os Moody são, hoje em dia, conhecidos pelos seus álbuns de rasgo e inovação e tudo começou em 1967 com um certo golpe de sorte.
A sua produtora, Decca, queria uma versão Rock da Sinfonia do Novo Mundo, de Dvorak, para mostrar ao mundo a sua nova tecnologia stereo, no entanto, a História teceu o seu rumo, e um dos produtores conseguiu mudar tudo, juntando as músicas pop que os Moody andavam a desenvolver, juntando-os à London Festival Orchestra e conseguindo este resultado final, metendo a cabeça em água à Decca que não sabia como catalogar nem publicitar o resultado final, temendo um desastre em termos de vendas. O disco, dividido em sete músicas, fala de um dia completo desde o amanhecer até à noite escura em que cada música é um momento diário. Este psicadelismo barroco misturado com outros elementos clássicos não só acabou por ser bastante aceite, tornando a banda muito mais respeitada, como acabaria por ser um campeão de vendas para a Decca, muito por culpa da música final, "Nights in White Satin". Apesar de já ter este disco há uns bons anos, só há pouco tempo o ouvi de início ao fim, e foi o melhor que fiz, pois é daqueles que nos faz sorrir ligeiramente ao ouvir de início ao fim. Não é um disco de singles, embora "Nights" se destaque logo à partida. É um disco pensado para ser um disco e ser ouvido de início ao fim. E é isso que me faz tanto gostar dele. Recomendo vivamente.
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15 março 2011
Álbum Fresquinho: Kurt Vile - "Smoke Ring For My Halo"
O Kurt Vile não é um novato aqui no Altamont - em 2009, pouco depois de ter causado sensação no SXSW e pouco antes de ter lançado o seu primeiro álbum pela Matador, Childish Prodigy, lancei-o para cima da mesa. Ora pois bem, chega-nos agora o sucessor, Smoke Ring For My Halo, deste guitarrista/cantor de Filadélfia que a meu ver é mesmo um prodígio como indica o título do seu álbum anterior.
Ao ouvir este álbum fico com a sensação de ser um intruso. De que se trata de um tipo num canto da casa, sozinho com a sua guitarra, exprimindo-se através dela, as suas lamúrias, os seus problemas, os seus statements. A sua melancolia. E nós estamos ali, como que escondidos, a ouvir algo que não é nosso, mas com o qual nos conseguimos facilmente relacionar e criar empatia.
Existe em Vile uma proximidade com alguns dos grandes guitarristas americanos, como Tom Petty, Bruce Springsteen, Bob Seger. Li algures que até há para aqui perdidos uns traços do John Fahey. Mas não sinto que seja uma cópia ou uma tentativa de se parecer com, apenas influências, que no fundo são a história da música pop rock, influências, influências, influências. Acho que merece um pedaço de atenção, da minha mereceu e compensou.
Abaixo, se carregarem no play e deixarem tocar, em princípio conseguirão ouvir o álbum inteiro excepto uma música, "On Tour", que não consegui incluir.
Enjoy!
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Kurte Vile and The Violators
10 março 2011
Álbum de Estimação: Candlebox - "Candlebox" (1993)
Já há algum tempo que o Altamont não tem aqui um álbum dos good old nineties. E eu como pessoa que cresceu a ouvir música nessa já tão longíqua década, preciso de, de tempos a tempos, exorcizar alguns fantasmas e aos nineties retornar. E retorno com uma banda que, apesar de ter sido integrada na onda do grunge (sim, eu também detesto este nome e este chavão, mas é a forma mais fácil de ilustrar o caso) nem foi muito conhecida na altura. Os Candlebox lançaram este seu álbum homónimo em 1993, já a procissão grunge ia no adro e talvez por isso tenham passado mais despercebido ao grande público. A mim valeu-me a atenção constante do meu colega Pereira que lá ia descobrindo estas coisas e partilhando com os demais colegas. Não consigo precisar um porquê, mas o que é certo é que músicas como "Cover Me", "You", "Far Behind" entre outras, permaneceram sempre na minha memória, sempre ligada a bons tempos de escola secundária, e volta e meia ainda hoje fazem uma aparição no shuffle. E sabe bem. A música também é isto, muitas vezes nada mais que um guilty pleasure.
Para já vou deixar-vos apenas uma música amostra do album e conto brevemente incluir aqui o grooveshark para poderem apreciar o álbum inteiro. Suponho que não vá acrescentar nada a quem nunca o ouviu, mas quiçá muito aos poucos que os conhecem dos bons velhos tempos. Either way, enjoy it!
Para já vou deixar-vos apenas uma música amostra do album e conto brevemente incluir aqui o grooveshark para poderem apreciar o álbum inteiro. Suponho que não vá acrescentar nada a quem nunca o ouviu, mas quiçá muito aos poucos que os conhecem dos bons velhos tempos. Either way, enjoy it!
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08 março 2011
Álbum Fresquinho: Radiohead - "The King of Limbs"
Um simples "Radiohead have a new album", como fez o meu colega de chafarica Cisto a propósito dos Deerhoof seria mais que suficiente para este The King of Limbs, afinal de contas, é um álbum dos Radiohead. Dispensa apresentações, análises exaustivas, comentários, teorias, comparações, reviews, afinal de contas, é um álbum dos Radiohead. Os próprios membros da banda sabem que quando fazem um álbum o único espectro que os assombra é o das elevadas expectativas que os fãs têm. Mas sosseguem os fãs, afinal de contas é um álbum dos Radiohead. Sou suspeito para vir aqui escrever sobre os Radiohead? Eu, culpado, me confesso. E sem mais palavras, sem mais demora, passemos à música, que está já já aqui abaixo. Afinal de contas, é um álbum dos Radiohead.
03 março 2011
Álbum de Estimação: Pink Floyd - "The Final Cut" (1983)
O que dizer de mais um disco de uma banda sobejamente conhecida e apreciada e criticada por esse mundo fora ao longo destes anos todos? Bem, muito pouco, mas, não se tratando de um disco demasiado conhecido no universo Pink Floyd, tomei a liberdade de o trazer, até porque foi um disco que foi crescendo e melhorando com o tempo desde que comecei a ouvir Floyd...Tido como o primeiro disco a solo de Roger Waters, apesar de ainda contar com David Gilmour e Nick Mason (Rick Wright fora despedido ainda antes da conclusão do disco anterior, The Wall), The Final Cut foi mesmo o fim da linha para a banda inglesa. O resto da história já é, por demais, conhecida. Gilmour pegaria no nome da banda, tendo gravado dois discos (fracos) com uma pequena ajuda dos outros membros, Rick e Nick e daria centenas de concertos.
Mas voltemo-nos para o disco em questão. Para Waters, a angústia, dor e drama de Wall não tinha sido suficiente. As suas feridas interiores originadas pela guerra que matou o seu pai e consequente alienação não tinham sido curadas. A sequela viria em Final Cut. "Um requiem para o sonho do pós-guerra" por Roger Waters, dizia o disco. Se The Wall, pese embora fosse uma criação quase 100% de Waters, é uma obra à Pink Floyd, cheia de ornamento, efeitos e grandiosa, Final Cut mostra-nos um lado muito mais crú e vulnerável de Waters, chegando mesmo a ter momentos ternos no meio do lamento de tudo o que a guerra criou e trouxe. Mas a verdade é que, pese embora este seja um trabalho todo feito por e para Waters, à excepção de "Not Now John", parcialmente cantada por Gilmour, Final Cut é um disco que ganhou valor com o tempo, mais do que qualquer um dos primórdios psicadélicos. É um disco adulto, com uma mensagem ainda actual e com uma produção fantástica. Pena que a colaboração de Gilmour não tenha sido tão utilizada como se desejaria mas isso seria uma situação quase impossível dada a quase loucura de Waters com o seu trabalho. Não mais a dupla voltaria a tocar junta até 2005 por altura do Live 8. Deixo-vos com a audição desta semi-ópera rock sobre a guerra, por Roger Waters e cia.
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01 março 2011
Álbum Fresquinho: Beady Eye - "Different Gear, Still Speeding"
O ano de 2009 acabou a notícia trágica (ironia, apesar de tudo) da discussão (desta vez, sem volta ou será mesmo assim?) da infame dupla de Manchester, os irmãos Gallagher e consequente desmembramento da banda Oasis, formada no início dos anos 90. Importa dizer que a banda de Manchester teve um sucesso astronómico com o seu primeiro disco, Definitely Maybe, que apesar de ser uma amálgama de influências e mesmo roubos (olá T-Rex em cigarettes and alcohol) de várias bandas, não deixa de ser um álbum poderoso e que marcou o seu lugar na história do pop/rock. A partir daqui foi sempre a descer. What's the Story (Morning Glory) foi um bom álbum, onde sobressaiam as açucaradas "Wonderwall, "Don't Look Back in Anger", "Some Might Say" ou "Champagne Supernova", no entanto, o rasgo criativo começava a desaparecer e isso viu-se logo em Be Here Now, disco muito fraco, cheio de clichés e sucedâneos dos discos anteriores. Aliás, o melhor ficaria escondido em B-sides, que só parte veria reconhecimento anos mais tarde em Masterplan. Com a musa criativa a voltar costas a Noel Gallagher, os episódios alheios à música iam acontecendo. Após a mudança de baterista após o primeiro disco, seriam agora os fiéis sidekicks que abandonariam o barco. Muita confusão ia na cabeça de Noel, o que o fez até dar voz (leia-se escrita) a Liam. O resultado seria pavoroso ("Little James"), no entanto pôs o jovem Gallagher a pensar mais com a cabeça e menos com os tomates. O resultado vê-se hoje em dia. Sim, Liam não é Noel. E Nunca o será. É um arruaceiro, um "bronco", um bully. Alguém que não escolheríamos para amigo. Tem todo o ar que não diz uma frase de jeito, quanto mais escrever uma música decente. No entanto, em pouco mais de dez anos, Liam, com a ajuda do persistente companheiro de banda, Gem Archer, conseguiu desenvolver algo para além daquela voz suja do Rock na qual Liam é um dos últimos timoneiros num mundo heroís pícaros. De facto, esta primeira experiência de Oasis "sans" Noel é, relativamente surpreendente. Sempre fui um "George", como há pessoas que são mais "Paul" ou "John", e, relativamente a Oasis, sempre fui um "Noel". Considerava a voz do Liam como gasta, irritante passadas algumas audições e não acreditava num disco todo liderado por este "selvagem" de Manchester. Apesar das habituais charopadas como em "Kill for a Dream", os Oasis, perdão Beady Eye, continuam a carregar a chama do velho Rock 'n Roll para quem ainda está interessado nele, porque apesar de serem muito mais básicos do que se faz hoje em dia, há sempre um momento em que nos faz bem ouvir guitarradas e solos, cada vez mais em vias de extinção nos dias que correm...
23 fevereiro 2011
Álbum Fresquinho: Deerhoof - "Deerhoof Vs. Evil"
17 fevereiro 2011
Álbum de Estimação: The Jesus and Mary Chain - "Darklands" (1987)
Corria o ano de 1987 quando este Darklands atingiu os escaparates (sempre gostei desta palavra - escaparates, e não tenho tantas oportunidades de a utilizar no dia-a-dia). Eu era um imberbe miúdo de 8, quase 9 anos (nessa altura o que gostávamos mesmo era de ter quase 9 anos, a milhas de distância de ter 8), a fazer traquinices no externato das freiras, pelo que não dei pelo acontecimento na altura. Nem nos anos subsequentes. Para ser mesmo verdadeiro, assim tipo honestidade acima de tudo, durante a minha adolescência, o movimento shoegaze sempre me pareceu uma coisa absurda, afinal de contas tínhamos 15 anos e quem, no seu perfeito juízo, com 15 anos, perderia o seu tempo a carpir mágoas, deprimido, a ouvir música com letras como “Life means nothing. All things end in nothing" ("Darklands")? Bem, a verdade é que o Kurt com os seu "I hate myself and I want to die" não andava muito longe, mas epá, ao menos a música era a abrir que era o que a malta queria na altura. Isto claro, antes de aparecerem as paixões platónicas, normais também nesta fase da vida, impossíveis de realizar e que requeriam por alguns períodos de introspecção. Mas também não foi aí que os Jesus entraram na minha história. Ainda foi preciso esperar mais uns anos, mais uns 10 anos para ser mais preciso, até a sra. Coppola se lembrar de acabar um dos seus filmes com uma música deles. Aí é que a coisa finalmente pegou, e este Darklands particularmente, de uma forma mais incisiva (neste momento já estou de orelhas vermelhas a ouvir malta a ler isto a dizer que sou uma vergonha por ter demorado tanto tempo, mas que hei-de fazer, cada um tem a sua história e comprometi-me ali acima à honestidade acima de tudo).
Darklands é de facto um álbum devastador no estilo romanticismo gótico, amor platónico impossível de atingir, com as suas letras impregnadas de sofrimento. “I would shed my skin for you, would break my back for you” ("Happy When it Rains"), “Nine million rainy days have swept across my eyes thinking of you, and this room becomes a shrine thinking of you, and as far as I can tell, I’m being dragged from here to hell.” ("Nine Million Rainy Days") são pequenos exemplos. E a música não lhe fica atrás, ajudando a criar este ambiente, esta redoma de vidro, da qual não se sai facilmente. Mesmo não sofrendo destas dores de amor, penso que tornam possível colocarmo-nos no lugar de quem as canta/toca, o que a meu ver é um mérito. Penso que isto é mesmo o as good as it gets do shoegaze.
Darklands é de facto um álbum devastador no estilo romanticismo gótico, amor platónico impossível de atingir, com as suas letras impregnadas de sofrimento. “I would shed my skin for you, would break my back for you” ("Happy When it Rains"), “Nine million rainy days have swept across my eyes thinking of you, and this room becomes a shrine thinking of you, and as far as I can tell, I’m being dragged from here to hell.” ("Nine Million Rainy Days") são pequenos exemplos. E a música não lhe fica atrás, ajudando a criar este ambiente, esta redoma de vidro, da qual não se sai facilmente. Mesmo não sofrendo destas dores de amor, penso que tornam possível colocarmo-nos no lugar de quem as canta/toca, o que a meu ver é um mérito. Penso que isto é mesmo o as good as it gets do shoegaze.
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The Jesus and Mary Chain
10 fevereiro 2011
Álbum de Estimação: The Zutons - "Who Killed...The Zutons" (2004)
Aquando da ideia da fundação deste blog nos fins de 2004 (incrível como já passou tanto tempo...), este era dos discos que mais ouvia no momento. Era a altura dos Coral, Libertines, Franz Ferdinand, entre outros, e estes Zutons fizeram o seu papel nesse tempo. Não me recordando bem de como este disco chegou às minhas mãos, provavelmente alguma dica da "cor-de-rosa" NME, lembro-me perfeitamente de me ter dado prazer instantâneo. Um rock psicadélico mesclado de punk-rock, polvilhado aqui e ali com elementos mais folk, soul ou de tom mais groove, foi o suficiente para me manter agarrado a este disco durante uns bons meses, dando-me sempre um prazer especial quando o volto a ouvir de quando em vez passados estes anos todos. Não será nunca um daqueles 1001 discos essenciais que aparecem em livros especializados na matéria, mas também, não é essa a verdadeira razão porque realmente gostamos de música. Há sempre aquele disco que vos atinge mais aqui ou ali e poderá não dizer nada ao vizinho ao lado. Contundo é, certamente, impossível ficar indiferente ao groove de "Zuton Fever ou de "You Will You Won't". Who Killed...The Zutons é, mais do que um disco essencial, é, sobretudo, uma colecção de boas músicas, algumas mais negras outras mais açucaradas, mas promete 40 minutos de tempo bem passado...
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08 fevereiro 2011
Álbum Fresquinho: Ariel Pink's Haunted Graffiti - "Before Today"
Já tem mais de 3 meses, bem sei, o que não devia permitir ser categorizado como fresquinho. Mas pelo facto de eu só o ter apanhado no meu radar no início deste ano e por achar que merece ser falado aqui no Altamont, aqui registo umas breves palavras sobre este Before Today, dos Ariel Pink's Haunted Graffiti.
Nada como começar por falar um pouco do artista - Ariel Pink anda em constante labuta desde o longíquo ano de 1998. Sempre sempre escondido, gravando em casa, pouco divulgando o que ia fazendo. Apenas em 2003 lembrou-se de oferecer um CD-R do próprio a uns tais de Animal Collective. E foi por aí que a coisa começou a esquentar, com muitas atribulações pelo meio, muitas incertezas, concertos que corriam mal, Ariel Pink manteve a sua veia criativa resguardada. Finalmente em 2010 assina com uma label um pouco maior e se permite mostrar o seu trabalho a uma audiência mais alargada, através deste Before Today.
Começo por descrever a minha primeira sensação ao ter esta música a ecoar nos ouvidos: estar a actuar num filme do John Carpenter, ou num qualquer outro filme de anos 80, com aquelas bandas sonoras recheadas de sintetizadores. "Beverly Kills" acho que é o melhor exemplo disto mesmo. Mas ouvindo melhor se calhar até é mais disco dos final anos 70, muito na onda Earth, Wind & Fire. E o estranho é mesmo isto, a cada audição parece uma coisa diferente. Ultrapassada que está a fase da estranheza inicial, encontro-me numa fase de estar com uma vontade constante de descobrir cada pormenor deste álbum. Não sei o que virá a seguir, se enjôo total, se entrada para adoração. Tudo pode acontecer.
Neste preciso momento não estou a conseguir disponibilizar grooveshark, pelo que deixo para já um vídeo e logo que possível o álbum completo.
20 janeiro 2011
Álbum de Estimação: The Fiery Furnaces - "Gallowsbird's Bark" (2003)
Se o termo punk progressivo não existia nos dicionários da música, então os Fiery Furnaces inventaram-no e com mestria. A banda, composta pelos irmãos Matthew e Eleanor Friedberger, cedo começou a desenvolver o gosto pela música, muito pela influência da sua mãe que tocava piano, guitarra e ainda cantava. Matthew também começara cedo a sua incursão pela música, tocando desde novo contrabaixo. Ao regressarem a casa, após algum tempo ausentes, Matthew e Eleanor aproximaram-se e começaram a querer criar música juntos. Influenciados por bandas como os Mutantes, Captain Beefheart, Velvet Underground, os Who versão Tommy e Quadrophenia e ainda pelo punk, os irmãos, agora chamados The Fiery Furnaces começaram a criar um mundo novo à sua volta. Músicas doces rapidamente interrompidas por outras agressivas, um pára-arranca que me apanhou logo desde a primeira audição há quase dez anos. Já com sete discos em cartel, este Gallowsbird's Bark surge fresco e novo como no primeiro dia que o ouvi. Sem dúvida, um dos melhores discos de estreia de uma banda que nunca baixou a bitola em termos de qualidade e criatividade.
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