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22 agosto 2012

Álbum no Ouvido: The Maccabees - Wall of Arms (2009)

Confesso-vos que ultimamente cada vez oiço menos música nova e, por vezes, música at all. Não sei se se deve ao avançar da idade, se ao facto de ter arranjado um cão que no último ano me tem tirado um bom bocado da minha sanidade mental, se ao simples facto de a música no último ano ou dois estar substancialmente abaixo do que se fez no início do século XXI. No entanto, há coisas que tento nunca prescindir: Festivais. Se as bandas que mais conhecemos muitas vezes não fazem grandes concertos, nem há muitas condições para as ouvir com a melhor das atenções (parece que cada vez há mais gente com convites e com menos interesse em ouvir e deixar ouvir os concertos mas isso são contas de outro rosário), não deixa de ser verdade que é nestes eventos que descobrimos algumas bandas que de outra forma poderiam nos passar completamente ao lado. O meu último grande exemplo são os Maccabees. Confesso que esta banda me passou completamente ao lado nos últimos anos talvez por pensar que fossem apenas mais uma "bandazinha" indie que por aí pululam sem acrescentar nada de novo ao mundo musical.
Apesar de ter-me sido dado o "heads up" para esta banda no primeiro dia do festival Alive e prontamente ter descarregado o seu catálogo de discos acabei por não conseguir preparar-me para o dito concerto pelas tais variadas razões anteriormente apontadas adicionando os belos dias de praia na altura do referido festival.
No último dia do Alive, o único do evento com um dia preenchido com boas bandas em ambos os palcos, comecei com o soul man Eli "Paperboy" Reed passei para Paus, fiquei um pouco para Kooks e resolvi dar a espreitadela em Maccabees por descargo de consciência. Deparei-me com um ambiente e aura que já não encontrava num concerto de indie desde o último SBSR de 2007 com Arcade Fire. Muita intensidade e fulgor e boas vibrações. Sim, essas andam um bocado em falta nos dias de hoje e muito orgulhei de ter ido dado a tal espreitadela. Fez-me logo ouvir os álbuns da banda e meter em repeat quase ad eternum este Wall of Arms, segundo disco dos Maccabees, editado em 2009.
Ora e o que podemos encontrar neste disco? O mais simples seria dizer que metemos Maximo Park, Arcade Fire, Walkmen, Bloc Party, Futureheads e Dogs Die in Hot Cars numa liquidificadora e o resultado foi este. Intensidade, muita intensidade, seja nas mais calmas "Love You Better" ou "Wall of Arms", seja nas mais explosivas "One Hand Holding" ou "Can You Give It" ou nas restantes que vão quase todas em crescendo. E o disco é tão intenso que não se consegue deixar de ouvir várias vezes seguidas. É, sem dúvida, um dos discos que mais me agradou no indie nos últimos tempos e não é que o estilo seja original até pela quantidade de bandas que vos referi há pouco mas sim porque realmente entra no coração e é aí mesmo que a música tem que entrar. Mainstream ou Undeground. Os Maccabees já entraram. Espero pelos restantes.



11 agosto 2012

Album Fresquinho: The Vaccines - "Come of Age" (2012)

De quando em vez lá aparecem notícias e entrevistas a músicos que afirmam que o rock morreu. O ano passado o The Guardian falou sobre isso levando a um debate público não só em Inglaterra, a Capital do Rock, como noutros países incluindo Portugal. Não sei porque isso se debate, não só o Rock não vai morrer como nenhum outro estilo musical qualquer, seja Pop, Hip Hop, Indie, Clássica, etc. Posto isto, os Vaccines são a prova disso mesmo. Lançam agora o 2º álbum da carreira intitulado "Come of Age". O Rock está cá todo, seja de forma crua e intensa, no single de abertura "No Hope" ou no lado mais tranquilo, mais viajante de "All in vain". E apareceram eles quase do nada, assim num de repente, a dizer que sim ao Rock.


19 julho 2012

Álbum Fresquinho: The Hives - "Lex Hives"

E cinco anos após o Black and White Album, os Hives regressam para mais uma dose do que melhor sabem fazer, rockar sem apelo nem agravo. E é precisamente isso que eles nos têm dado desde o ano de 1997. Se nos dois primeiros discos, Barely Legal e Veni Vidi Vicious, o som dos Hives era garage punk e crú até ao tutano, a partir de Tyrannossaurus Hives, as músicas começaram a incluir outros elementos mas nunca perdendo o fulgor atacante do punk e Lex Hives é exemplo disso mesmo. Sejamos honestos. Os Hives nunca vão fazer nada diferente disto porque este som está-lhes no DNA. Estes suecos nasceram para nos dar uma boa dose de bom rock e nisso ninguém lhes poderá exigir mais. Para outros tipos e movimentos há outras bandas que o fazem com muito mais mestria. Por isso o melhor que temos a fazer é meter o disco a tocar, ouvir as 12 músicas de uma ponta a outra, aproveitar este calor, e fingir que este rock nos irá salvar um dia. Durante meia hora teremos um sorriso nos lábios. Esperamos que não demore mais cinco anos para termos um novo disco de Hives nas mãos. Até lá, "Everybody, Come On!"

lex hives by Frederico Batista on Grooveshark

22 maio 2012

Álbum No Ouvido: Hooray For Earth - "True Loves" (2011)

Este "True Loves" é o quarto registo do projecto Hooray For Earth, entre EP's e longas-duração e passou despercebido no ano passado. Mas sinceramente não percebo porquê porque de facto está aqui um belíssimo álbum, com uma sonoridade muito própria e muito forte.

Os Hooray For Earth são um colectivo de Nova Iorque, existem apenas desde 2005 mas já tocaram com os Surfer Blood, os The Pains of Being Pure at Heart, Architecture in Helsinki ou Cymbals Eat Guitars. E já colaboradoram também com Twin Shadow. Só por tudo isto já dá para perceber mais ou menos onde os Hooray For Earth se situam no panorama musical. E as influências são muitas, todas bem misturadas e alinhavadas por sintetisadores.

"True Loves" é sem dúvida um excelente álbum mas sobretudo um cartão de apresentação (apesar de, lá está, não ser o primeiro álbum dos nova-iorquinos) para os tempos que virão. Os Hooray For Earth têm o futuro nas mãos.


10 maio 2012

Álbum de Estimação: Reel Big Fish - "Turn the Radio Off"

"Turn the Radio Off" é o segundo álbum da já longa carreira dos Reel Big Fish e é um dos meus álbuns de estimação.

Oriundos da California, terra do sol, surf e muito bom ska, os Reel Big Fish lançaram este segundo longa-duração em 1996, pela Mojo Records. O primeiro single "Sell Out" é a música mais conhecida desta banda, culpa talvez de fazer parte da banda sonora do jogo Fifa 2000, tendo inclusivamente levado a banda a compor uma outra canção, como desabafo, chamada "One Hit Wonderful" (do álbum "We're not happy 'till Your'e not happy" que fala do descontentamento pelos fãs ignoraram outras músicas da banda.

Mas o álbum, como bom disco que se preze, está cheio de boas músicas e não é de facto apenas "Sell Out" que vale a pena ouvir. Pelos Reel Big Fish, actualmente com 6 elementos, já passaram outros 15 músicos e são um dos bons nomes do ska.

reel big fish by Francisco Pereira on Grooveshark

27 abril 2012

Álbum Fresquinho: Patrick Watson - "Adventures in Your Own Backyard" (2012)

Patrick Watson está de volta. São excelentes notícias meus amigos! "Adventures in Your Own Backyard" é o nome do seu novo álbum, acabadinho de sair para o mercado. E o primeiro single a ser lançado chama-se "Into Giants" e é uma grande canção.

Para quem não conhece a obra desta banda (apesar de ter o nome do frontman, Patrick Watson ficou por falta de ideias e tempo para escolher um nome diferente) ponha mãos à obra. Este é já o quarto disco destes canadianos que já passaram diversas vezes por cá (na Aula Magna, no Super Bock em Stock, no SBSR) e é música na mais pureza das concepções. Ideal para se ouvir duma ponta à outra, com aqueles phones que tapam as orelhas totalmente ou para ouvir em alto e bom som pela casa fora. É também imperdível em concerto pois tanto Patrick Watson como os outros elementos da banda, o guitarrista Simon Angell, o flamboyant percursionista Robbie Kuster e o baixista Mishka Stein, são fabulosos em palco, de se lhe tirar o chapéu.

"Adventures in Your Own Backyard" está, para mim, destacadíssimo para a vitória no melhor álbum do ano. Agora deixem-se levar.

Patrick Watson on Grooveshark

03 abril 2012

Álbum no Ouvido: French Films - "Imaginary Future" (2011)

Ao contrário do que o nome possa sugerir, estes French Films não são franceses nem tão pouco fazem bandas sonoras de filmes franceses. Estes tipos são finlandeses, um país que não é lá muito conhecido por dar ao mundo grandes vultos da música (tirando talvez no mundo do Doom-Metal), o que por si só já é um extra, e têm este álbum, "Imaginary Future", que é altamente recomendável.

Historiando um pouco, os French Films juntaram-se em 2010 e lançaram um primeiro EP, de seu nome "Golden Sea", tendo recebido boas críticas. Decidiram avançar para um longa duração e em boa hora o fizeram. Claro que podem os críticos dizer que é mais uma banda indie, mais do mesmo, mas na verdade este "Imaginary Future" é um grupo de óptimas canções que fazem lembrar o melhor dos anos 80, numa rotação actual. Talvez os possamos agrupar a bandas como os The Drums, The Bravery e por aí em diante, mas isso não é mau, antes pelo contrário, é muito bom. É muito difícil ficar quieto e não dançar ao som de "Golden Sea" (que reaparece também neste LP), "Pretty in Decandence", "Convict" ou "This Dead Town".

French Films by Francisco Pereira on Grooveshark

29 março 2012

Álbum de Estimação: Smashing Pumpkins - "Siamese Dream" (1993)

Parece que os Smashing Pumpkins andam para aí a dar concertos. Parece inclusivé que passaram por Portugal e deram um duplo concerto no Campo Pequeno em Dezembro e este ano vêm outra vez à Feira Popular da Belavista. Pudera, se o público português é o melhor para o qual ele já tocou!
Parece que os Smashing Pumpkins andam para aí a fazer álbuns e vai sair um novo já em Junho.
Agora às perguntas:
os Smashing Pumpkins não tinham acabado em 2000? Tinham.
Então esta é uma daquelas reuniões que se fazem passados não sei quantos anos e quando a conta bancária precisa de um achego? Não.
Passemos a explicar então, que isto tudo tem uma explicação muito simples - o nosso amigo Billy Corgan é uma pessoa muito necessitada, precisa de amor e carinho. Após o fim da banda, montou uma nova banda de nome Zwan, mas ninguém lhe ligou. Depois lançou um álbum em nome próprio (TheFutureEmbrace (2005)), mas, outra vez, ninguém lhe ligou. Foi então que anunciou ao mundo que os Smashing Pumpkins estavam de volta, mas com um pequeno pormenor, ninguém da banda original a não ser ele próprio e o baterista Jimmy Chamberlin. Assim lançou um álbum em 2007 (Zeitgeist). Depois correu com o Chamberlin e agora está aí outro álbum na calha. Billy, what the fuck? Isto não é Smashing Pumpkins, és tu e uns gajos que aposto terão zero intervenção no processo criativo. Move on! Fica com a memória do que foram os Smashing Pumpkins, quando há quase 20 anos fizeram este Siamese Dream. Eu sei que foste praticamente tu sozinho que o fizeste, o Jimmy estava sempre drogado e desaparecia durante dias, o James e a D'Arcy andavam às turras e não faziam o que tu querias, e foste tu com o Butch que fizeram noitadas a regravar, a meter faixa em cima de faixa, mas eram os Smashing Pumpkins. Tudo isto eram os Smashing Pumpkins e é isto que merece ser recordado, e não estas tretas que andas para aí a fazer agora. Que nem sei se são boas ou más porque pura e simplesmente não ouvi, não dá meu. Foi bom enquanto durou. Especialmente este pico de densidade, dramaturgia, desespero, neurose, agonia, raiva, rock, shoegaze que está nestas 13 músicas abaixo e que de vez em quando apanho num shuffle. E sabe sempre bem.

13 março 2012

Álbum No Ouvido: The Dodos - "No Color" (2011)

Já ando para escrever umas palavras sobre este álbum há algum tempo, mas por esta, aquela, ou mesmo por aqueloutra razão não deu, não escrevi, e a verdade é que o momento parece já ter passado um bocado. Mas se juntarmos à equação o facto de andar bastante arredado das novidades que vão aparecendo nos últimos tempos, para mim este No Color, apesar de já com 1 ano em cima, até parece um fresquinho.
O principal motivo que me leva a falar deste álbum é sentir que foi injustamente ignorado por uma larga maioria de melómanos. Ao não o ver em nenhuma lista dos melhores álbuns do ano que muitos se prestam a fazer, fiquei a pensar cá comigo - será que não o ouviram ou ouviram e ignoraram? Porque para mim foi mesmo um excelente comeback por parte desta banda, que depois de um vigoroso segundo álbum Visiter foram-se abaixo com Time to Die e quiçá por isso muita gente lhes colocou uma cruz em cima logo aí. E agora deve custar a admitir o erro, suponho, pelo que olha, se ninguém falar pode ser que passe despercebido. Grande erro de quem o fez, No Color é um grande grande álbum, o duo Meric Long e Logan Kroeber esmerou-se para mostrar que o álbum anterior mais não tinha sido que um percalço e voltaram à sua energética performance de conjugação de riffs de guitarra com uma sempre forte percussão a acompanhar, dando um ritmo intenso a toda a melodia, que umas vezes é puxado pela guitarra e tem uma percussão a acompanhar e noutra é a percussão que puxa a guitarra. Não fosse o mundo injusto e depois deste álbum os Dodos teriam a mesma atenção que uns Arcade Fire. E com esta me vou.

The Dodos - No Color by A P on Grooveshark

22 fevereiro 2012

Álbum de Estimação: Mad Caddies - "Quality Soft Core" (1997)

No meio da música alternativa, do indie, do grunge, do rock e outros géneros musicais que para aí andam, há um que sempre me cativou pela sua energia e boa onda: o Ska. Este género acaba por ser uma mistura de Punk com Reggae, como se metêssemos umas cristas e uns casacos de cabedal mais umas rastas numa 1, 2, 3 e temos o Ska. Isto para falar do álbum de estimação que vos transmito, porque, na verdade, a origem do Ska é bem diferente (vem da Jamaica e começou por ser uma fusão da música das caraíbas com o Jazz Americano e os Blues - fica para outras núpcias).

Mas para os Mad Caddies é isso, meio Punk-Rock meio Reggae acelerado, o chamado third-wave ska. E este "Quality Soft Core", de 1997, demonstra isso mesmo: uma incursão pelas guitarras distorcidas neste género, em vez dos ritmos mais suaves dos Blues. E com bastante intervenção da trompete.

"Quality Soft Core" é então o primeiro longa duração desta banda norte-americana que passa por Portugal praticamente anualmente. É composto por 13 canções, todas elas com grande ritmo e que a única coisa que não dão é vontade de ficar parado. Recomendo "No Se", uma das minhas preferidas.

mad caddies quality by Francisco Pereira on Grooveshark

18 fevereiro 2012

Álbum de Estimação: Alan Price - "O Lucky Man!" (1973)


Começo por dizer-vos que este disco está há apenas pouco tempo na minha própria categoria de discos de estimação. Confesso que até há bem pouco tempo não conhecia o sujeito em questão nem tão pouco o filme que originou esta banda sonora. Mas tudo tem um princípio e este surge com a dica de um amigo, Toix da Silva de seu nome, fotógrafo de profissão, exilado em terras de ultra-mar mas que nunca descurou o bom gosto ao longo dos anos.
Foi-me, então, recomendado o visionamento de "um dos filmes mais marados que já vi na vida". "Tem uma banda sonora do caraças, parece-me que é dos Emerson, Lake and Palmer e é com o tipo do Laranja Mecânica". Bastou-me estas poucas palavras para me comprar.
De difícil achamento em lojas da especialidade, fui pelas vias menos legais e consegui tê-lo em minha posse. Visualizei-o há cerca de dois meses e posso dizer que é daqueles filmes que ainda hoje em dia faz a diferença. Um espécie de peça teatral surreal, intervalada aqui e ali com intervenções de sessões de estúdio de Alan Price como se fosse dele dependesse toda a verdade absoluta do mundo.
Ora e quem é este Alan Price? Bem, a sua carreira começou como teclista dos Animals, mas cedo abandonou essa ocupação e atirou-se numa carreira a solo, passando sempre meio despercebido até ter sido o mentor desta banda sonora. São apenas 25 minutos distribuídos por 10 músicas onde o piano e/ou orgão são a força dominante e cada uma, individualmente, relata as peripécias do nosso heroí, Malcom Mcdowell, antigo compinska, aqui um vendedor ambulante de café. Um tipo super motivado em ser o melhor vendedor de sempre, passando por provas verdadeiramente e literalmente surreais. Um filme que hoje em dia, provavelmente, não teria saído da mesa de rascunho dada a sua complexidade e absurdo. 
Para (re)descobrir, tanto o filme como a banda sonora. Por ora, podem começar com a última. Boa viagem...

PS: Toix, a banda sonora não era dos Emerson, Lake and Palmer como podes constatar mas, em tua defesa, fica a informação que a dita banda progressiva também tem uma música com esse nome.



O Lucky man by Frederico Figueiredo on Grooveshark

14 fevereiro 2012

No Ouvido: Cage The Elephant - "Thank You, Happy Birthday" (2011)

Como provavelmente a maioria das pessoas, conheci os Cage The Elephant a partir dos singles "Shake Me Down" e "Aberdeen", duas músicas interessantes, que ficam no ouvido mas que, convenhamos, não serão dois portentos da nova música actual. Demorei por isso a pegar no seu último album, "Thank You, Happy Birthday", de onde se extraem estas duas canções. Mas em boa hora os Cage The Elephant reentraram no meu ipod.

Este meninos de Kentucky não andam a virar frangos há muitos anos (este "Thank You, Happy Birthday" é apenas o segundo registo da banda) mas apresentam um som bem interessante! O primeiro disco destes americanos é de 2008, tem nome homónimo e foi bastante bem recebido pela crítica, tanto nos States como na Europa, mas é já com o segundo álbum que os CTE saltam para a ribalta. A sonoridade que apresentam não é inovadora, podemos até dizer que se tratam de uns novos Arctic Monkeys, embora mais fraquinhos (nem todos podem ter o talento de Alex Turner...) mas dentro do género, do rock post-punk são mais uma excelente opção para figurarem num cartaz festivaleiro deste próximo verão.

cage the elephant - thank you by Frederico Figueiredo on Grooveshark

10 fevereiro 2012

Álbum de Estimação: The Wannadies - "Bagsy Me" (1997)

Os The Wannadies, ou para quem prefira, os Wannadies, nasceram no longínquo ano de 1988, mas para mim (como, penso, para a maioria) apareceram nas nossas vidas com o filme "Romeu & Julieta", aquele com o DiCaprio e a Claire Danes, cheio de tiros e modernices para a altura. Nesse filme (re-)apresentam a "You & Me Song", que na altura me (nos) ficou no ouvido e me levou a procurar um pouco mais. Foi aí que comprei o álbum "Bagsy Me", de 1997, ano em que re-lançaram a tal "You & Me Song". E se esta música ficava nos ouvidos às custas de alguma... fofinhice, o álbum "Bagsy Me" ficou-me na memória como um excelente grupo de canções, bem compostas e bem alinhavadas. Desde logo, uma das minhas músicas preferidas de todo o disco "Hit", uma das músicas que me começou a educar musicalmente (sim, porque até mais ou menos aí ainda andava meio perdido com álbuns e bandas a puxar para o duvidoso). Mas também "Because", "Someone Somewhere" ou "Shorty" me deliciaram repetidamente.
Para quem lhe passou ao lado, "Bagsy Me" é um disco muito bom, editado no meio de uma era dominada pelo grunge e talvez pouco reconhecido por ter estado à sombra da tal canção do Romeu e da Julieta, mas vale a pena ouvir muitas vezes. Do princípio ao fim.


bagsy me by Frederico Figueiredo on Grooveshark

10 novembro 2011

Álbum de Estimação: Blind Zero - "Trigger" (1995)

Depois de um Fresquinho português e um Recomenda português só podia vir um Estimação português para completar o ramalhete. Mas um Estimação português é uma tarefa mais complicada para mim, que, apesar de ter passado a maior parte da minha vida em Portugal, não fui educado tendo a cultura portuguesa como base (e não me peçam mais explicações que este espaço não é para eu andar a contar a minha vida). Música portuguesa lá em casa quase nem vê-la ou ouvi-la. O meu ouvido não foi habituado a ouvir cantar em português e assim não é de estranhar que tenha elegido um álbum de uma banda portuguesa que canta em inglês (e sobre este assunto daria para uma discussão alargada de várias horas mas não aqui, não é o local nem o momento ainda para mais tendo em conta que a minha idade não permite discussões sem um copo de vinho na mão).
Vamos lá então aos Blind Zero, com aquele sentimento de nostalgia dos tempos do secundário, cabelo comprido, a Herculano de Carvalho, paixões arrebatadoras dia sim dia não, o 25A para o trajecto casa-escola, escola-casa, e o Trigger no discman do Tiago a acompanhar (nesta altura discman não era para todos e eu apenas tinha o meu velhinho walkman). Parece que foi ontem e afinal já lá vão 16 anos. Numa altura em que o grunge apresentava já sinais de estar a quebrar, os Blind Zero mais não fizeram do que mostrar que era possível uma banda portuguesa lançar-se nessa sonoridade e não ficar mal na fotografia, o que só por si me pareceu de valor na altura. E muito ouvíamos o Trigger, desde a força bruta de um "Maniac Inland" ou um "Big Brother" até às mais baladeiras "Woman" e à introspectiva "Amen" e sabia sempre bem. Hoje, quanto mais não seja pelo valor nostálgico continua a saber bem. Gostava de ter a opinião de quem nunca ouviu o disco e o experimenta agora, isenta de emoções. Mas também acho que esta análise "isento de emoções" é impossível na música...

08 novembro 2011

Álbum Fresquinho: Capitão Fausto – “Gazela”

Surpreendente!
É uma das primeiras palavras que me sai da boca, ao ouvir os Capitão Fausto.
São 5 rapazes de Lisboa, miúdos, não terão muito mais que 24 anos. Fazem música há mais ou menos 3 anos, e já tinham lançado um EP, e agora estreiam-se com um álbum.
E estreiam-se muitíssimo bem!
Ouvi Capitão Fausto pela primeira vez ao vivo, na festa de apresentação da editora onde agora lançam este disco, no MusicBox (http://www.photoblog.com/olhovivo/2011/07/22/chifre--musicbox.html).Tocaram umas 5 músicas, e fiquei logo embasbacado. Fiquei surpreendido com, sendo eles tão jovenzinhos, mostrarem tanta maturidade, na música e na atitude em palco. Este sábado, a dose repetiu-se, também no MusicBox, mas agora na apresentação oficial do disco. E ainda mais fiquei a achar que estes putos são a melhor revelação deste ano!
A música é coerente, e vai buscar quase todas as referências que importam, de Air a Santana. Tem sempre uma tónica de boa-disposição, de celebração. Há momentos mais introspectos em que os instrumentos sobressaem, há coros e melodias que dificilmente nos saem da cabeça, há teclas vibrantes, momentos ska, solos de prog rock.. Os músicos parecem ser executantes mui competentes, têm a escola certa, e trazem acima de tudo frescura. A música é refrescante, como há algum tempo não se ouvia na música pop(ular) portuguesa. Talvez por serem novos, têm uma abordagem interessante da Música, e parece-me que têm todas as condições para seguir em frente, e seguir bem longe na história musical deste país.
Ao vivo, têm uma força e vitalidade enormes, e enchem a sala com boa energia, e dão um belo espectáculo em palco.
O concerto deste sábado está decerto entre um dos melhores deste 2011.
E o disco Gazela com que se dão a conhecer os Capitão Fausto está concerteza entre os melhores discos do ano. Ganha pelo menos o prémio “Ainda Bem Que Apareceram”!

20 outubro 2011

Álbum no Ouvido: Alex Turner - "Submarine" (2011)

Este álbum quase que poderia ser um fresquinho mas como no momento é o disco que me está mais no ouvido, é mesmo nesta secção que ele entra. Disponível desde março, este mini disco (EP) da autoria do líder dos Arctic Monkeys, Alex Turner, é uma brisa suave e delicada nos ouvidos que contrabalança na perfeição com as guitarras mais ofensivas dos discos dos Monkeys, embora Turner já começasse a criar estes ambientes mais íntimos em Humbug mas mais especificamente neste último Suck It and See. Composto por seis músicas, Submarine serve de banda sonora para o filme do mesmo nome, realizado por Richard Ayoade, o qual recomendo veemente, especialmente para quem é fã do género marcado por Wes Anderson. O filme conta a história de um adolescente de 15 anos durante um período conturbado da sua vida. Por um lado conhece o seu primeiro verdadeiro amor e, por outro, assiste ao ruir do casamento dos seus pais. Como fio condutor e ligando todas as partes do filme temos as músicas acústicas deste menino/senhor Alex Turner, que pode já ser considerado um dos melhores músicos da sua geração. Uma simbiose perfeita entre filme e música. Completamente recomendável.

PS: O garoto da capa não é o próprio Alex Turner. É o actor do filme, bastante parecido, por acaso...




18 outubro 2011

Álbum Fresquinho: Youth Lagoon - "The Year of Hibernation"

Confesso que ultimamente tenho andado arredado de novos sons. Por este ou aquele motivo, ou mesmo aquele outro, não tenho andado com a devida atenção ao que tem chegado ao mercado. Ainda nem sequer tenho os novos álbuns de Feist ou St. Vincent ou Bonnie "Prince" Billy, por exemplo. Daí este ser um fresquinho assumidamente um pouco à pressão, afinal de contas quem manda é o editor e há que postar hoje. Assim sendo, fui ver a lista dos álbuns recentes, cruzei com algumas referências por essa internet, e fui ouvir o que daí saiu. E o que saiu foi o sentimento de ter sido conquistado pelo ambiente inóspito criado por Trevon Powers, miúdo de 22 anos que sob o nome de Youth Lagoon gravou na sua casita em Boise, Idaho (não sabem onde é vão procurar no mapa) este "The Year of Hibernation".
Senti-me transportado para tão longe que nem sei como é que de lá voltei para vir aqui escrever qualquer coisa. Por momentos revi-me naquele tempo em que, sozinho no meu quarto, sonhava com o que havia para conhecer, o mundo que havia por desbravar. Carregar no play abaixo é embarcar numa espécie de viagem nostálgica, pelo que façam-no com o devido cuidado, porque podem não conseguir parar.

13 outubro 2011

Álbum de Estimação: Destroy That Boy! More Girls With Guitars (2009)

Vou confessar-vos aqui uma coisa. Nunca fui o maior fã de grupos liderados por mulheres. Não sei se é (era) uma coisa machista ou apenas porque o rock na minha óptica é um mundo de tipos com guitarras com postura agressiva e sempre achei que o rock só era sério liderado por tipos como Hendrix, Morrison, Lennon ou Cobain. Durante anos estive enganado. Não só as mulheres conseguem rockar tanto como muitos homens, e o exemplo está no último disco de que vos falei, como, por vezes, conseguem outra imagem que só mesmo elas conseguem. Para além das óbvias Janis Joplin, Patti Smith ou Pj Harvey temos Grace Slick, dos Jefferson Airplane, Debbie Harry dos Blondie ou Susan Janet Ballion mais conhecida por Siouxsie Sioux, para além de todos aqueles grupos de miúdas dos anos sessenta dos quais vos falo de alguns nesta compilação que apresento hoje. Destroy That Boy! More Girls With Guitars é a sequela de Girls With Guitars, lançado em 2004 que apresenta uma palete de grupos rock dos anos sessenta compostos só por mulheres. Ora esta sequela traz exactamente mais pérolas desse tempo. O tempo do garage rock e do pré-punk. Enquanto as Ronettes e as Crystals, embelezadas pela produção de Phil Spector, traziam o melhor do pop desta geração, estas miúdas iam buscar inspiração a tipos mais rufias como os Kinks ou os Stones. Um dos melhores exemplos disso é a música que dá nome a esta compilação e abre o disco, "I'm Gonna Destroy That Boy" das What Four. Rock sujo e agressivo que nada fica a dever a qualquer banda cheia de testosterona. Em 24 músicas há alguns baixos mas os altos como "You Don't Love Me" ou "No" provam que estas senhoras não brincavam com as guitarras. Deixo-vos um pequeno gostinho deste disco que, tenho certeza, virá a fazer parte da vossa discografia...



THE WHAT FOUR- I'M GONNA DESTROY THAT BOY por

11 outubro 2011

Álbum Fresquinho: Thurston Moore - "Demolished Thoughts"

Passados que estão 5 meses do lançamento deste álbum já é com dificuldade que se pode enquadrar na classe dos fresquinhos, mas dado que poderá haver muita gente que não o apanhou por uma ou outra razão e também por eu achar que merece destaque, hoje é este o fresquinho - Demolished Thoughts, terceiro álbum a solo de Thurston Moore.
A primeira palavra vai para aqueles que esperavam que este álbum a solo fosse uma continuação do seu trabalho nos Sonic Youth - para essas a surpresa será constante. Em vez do noise rock experimental temos um álbum onde se potencia mais a canção do que o improviso. Mas a mudança chave está mesmo nos arranjos.
Toda a instrumentação é diferente do que é a imagem de marca dos Sonic Youth, com uma ênfase maior nas guitarras acústicas e outras cordas. Moore explora uma palete de sons mais suave de forma entusiástica, mas sempre sem perder o seu lado conceptual. É um álbum que cheira a folk, mas não é só folk, é um folk à maneira muito própria de Moore que mesmo quando dedicado a um estilo diferente não descura um constante explorar dos instrumentos que tem à sua disposição e neste caso temos harpa, violinos, baixo e a conjugação de todos soa-nos familiar e ao mesmo tempo único. Há que salientar também o importante papel que tem Beck, produtor do álbum, no produto final - fico com a sensação que é dele a responsabilidade de não deixar Thurston Moore perder-se no seu experimentalismo, controlando-o sem chicote, dando até talvez uma maior ambição ao projecto mas sem que tal pareça forçado.
Parece-me que com este álbum há claramente um salto em frente neste seu side-project que é a carreira a solo, deixando de ser apenas um entretém nos tempos livres para algo mais consistente. Deixo a música à vossa consideração. São apenas 9 temas e começa com um arrepiante "Benediction". Enjoy!

06 outubro 2011

Álbum de Estimação: Silver Jews: "Tanglewood Numbers" (2005)

Descobri os Silver Jews em 2005, com este álbum. Ou seja, 16 anos depois de se formarem como banda, 11 anos depois do seu primeiro álbum, e já com mais 3 lançados entretanto. Quando os descobri soube que a banda foi criada por David Berman e dois elementos dos Pavement, Stephen Malkmus e Bob Nastanovich o que torna ainda mais vergonhosa a minha desatenção. Mas mais vale tarde que nunca, certo? Até porque chegaram tarde mas ganharam um lugar especial e a audição que fiz hoje de manhã para preparação deste post só serviu para reforçar isso mesmo.
David Berman arrasa-nos com as suas letras únicas, de poeta, e se tivermos em conta que metido neste álbum estão emoções que terá sentido nos difíceis 4 anos que o separam do anterior Bright Flight, onde o abuso de drogas e depressão o levaram a tentar o suícidio, só podemos agradecer por ter dado a volta por cima e partilhar connosco um pouco desse carrossel de sentimentos na forma deste Tanglewood Numbers.
"Punks in the Beerlight", música que abre o álbum fez parte do meu alinhamento da Hora do Bolo. Será que isto só por si prova o valor que dou a esta música? Aquela intensidade de um "I Love you to the MAX!" é algo muito muito especial. Depois vem uma lista de músicas de nome enorme que algumas vezes me deu sustos derivado do facto de que me punha a olhar para o iPod para ler o nome todo e distraído da estrada tudo podia ter acontecido. Todas elas com o seu encanto, a sua magia, as suas metáforas para transmitir a sua nova encontrada fé e um ritmo muito vivo a acompanhar. E não podia deixar também de realçar o grand finale "There is a place", uma música que parece um resumo do álbum, onde tudo se concilia.
Poderia aqui colocar várias frases que se retiram deste álbum e que nos fazem pensar, nos fazem sonhar. Mas prefiro deixar cada um ouvir com a devida atenção e descobrir por si, sentir por si.