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02 janeiro 2010
Vietnam War Music
Por mais absurda que seja qualquer guerra há sempre algo de valor a nível cultural que dela advém, seja na pintura, escultura, poesia, cinema ou música. Em relação à guerra do Vietname a música foi, sem dúvida alguma, a banda sonora perfeita. Aqui ficam alguns exemplos do bom som que surgiu durante 1960 e 1975.
31 dezembro 2009
Relacionado #17
Aqui fica a minha banda sonora para este fim de ano, os Iron Butterfly com In - A - Gadda - Da - Vida de 1968.
18 dezembro 2009
The Doors - L.A. Woman (1971)
Há algo de tão triste mas no entanto tão belo quando o melhor álbum de uma banda é o último. Chamemos-lhe o canto do cisne, o pôr do sol, etc, mas há algo que nos atinge quando realmente nos apercebemos que a partir dali não virá mais nada e, se calhar, ainda bem. Quem aqui poderá discordar desta afirmação quando temos Abbey Road, L.A. Woman ou In Utero como exemplos? O último disco gravado pelos Beatles é, provavelmente, o seu melhor. O modo como as guerras internas deram lugar a um disco tão solarengo e tão cheio de energia é de facto notável. Provavelmente nenhum dos quatro elementos se virou um para o outro e disse: é desta, é o último. Mas isso sente-se em todo o disco. É a despedida, ao menos que seja em grande. Saltando 25 anos no tempo deparamo-nos com outra situação. A fragilidade psicológica de Kurt Cobain. Ninguém no seu perfeito juízo imaginaria um futuro na banda de Seattle. O suicídio, embora nunca admitido, era algo com que muitas pessoas já começavam a adivinhar num futuro um pouco mais distante. Aconteceu pouco depois do último disco ter sido lançado. No entanto, o que nos ficou foi, claramente, a procura da honestidade musical do último grande ídolo do Rock. In Utero não é um Nevermind, não é de fácil digestão e ainda bem. In Utero é Kurt despido e o mais honesto possível face ao monstro que o começava a engolir. O fim estava mesmo ali à porta.O que nos leva outra vez à pressão que os media e fãs podem exercer em alguém. Jim Morrison sempre foi uma personagem à parte. Um "damaged good" como dizem os anglo-saxónicos. Alguém que adorava a honestidade mas também chocar. Jim foi sempre um "heavy drinker". Era o que o fazia sair da realidade chata com que se deparava dia após dia. Era preciso romper com a normalidade com que as pessoas viviam e Jim era o escape. L.A. Woman surge após Morrison Hotel, o regresso à forma dos Doors com o próprio Jim Morrison a tornar-se mais responsável e empenhado. No entanto, cada vez mais agastado com a mediatização com que se via envolvido, Morrison queria sair, fugir, partir para outros sítios, dedicar-se à poesia e viver outra vida com Pamela Courson. A despedida, nunca oficial, e irreversível após noite fatídica em Paris em 71, surge com este L.A. Woman, onde Jim e os restantes Doors se despedem como grupo a 4 com um dos melhores álbuns de sempre. As constantes deambulações de Jim pelo universo americano e a suas origens estão sempre presentes. "L.A. Woman" leva-nos a uma viagem de carro nocturna pela louca Los Angeles, com os seus clubes bóemios e de strip, enquanto "Riders on the Storm" traz-nos o obscurantismo que tanto agradava a Morrison. Aparte da mais comercial "Love Her Madly", todo o resto do álbum é um misto de blues ("Car Hiss By My Window" e "Hyancith House") e Rock embebido em Bourbon e alucinogénicos como "L'America", "Crawling King Snake", "The Changeling" ou "The Wasp". Após este disco e a consequentemente morte de Jim, os restantes Doors, Ray Manzarek, Robbie Krieger e John Densmore, tentaram, em vão, continuar uma carreira sem Jim. Era impossível. O Rock Poet estava morto, não havia nem haverá substituto...
10 dezembro 2009
George Harrison - All Things Must Pass (1970)
"Uff..." deve ter dito George Harrison no dia que acabou de gravar All Things Must Pass. 23 músicas, uma delas cover de Dylan "If Not For You", onde George dá um toque muito mais emotivo do que o próprio Bob Dylan, são o resultado de anos de tampão ao serviço dos Beatles onde George apenas poderia colaborar com 2/3 músicas por álbum. A dupla Lennon/McCartney exigia respeito e não cedia por dá aquela palha. Para cada colaboração de Harrison para um disco de Beatles, ensaiavam-se 10 de Paul e John, muitas inferiores ao denominado "Quiet Beatle". Porém, a verdade é esta, George começou apenas por ser o guitarrista dos Beatles, o homem da guitarra principal, o homem dos solos. Não escrevia, apenas ajudava, cantando aqui e ali músicas covers ("Roll Over Beethoven", "Chains") ou originais de Lennon e McCartney ("Do You Want To Know A Secret"). A primeira música a solo surge logo no segundo disco With The Beatles com "Don't Bother Me", um razoável cartão de visita para o que faria poucos anos depois, pois com a crescente Beatlemania, George escondeu-se só voltando a aparecer em Help!, desta feita com duas colaborações, "I Need You" e "You Like Me Too Much", mais duas músicas que em nada faziam à força que já era a dupla supra citada. A partir deste momento o resto é história, George começa a interessar-se pela cultura oriental, em especial a indiana, toma contacto com a meditação e Ravi Shankar e, também, com psictrópicos. "If I Needed Someone", "Taxman", "Within Without You", "While My Guitar Gently Weeps", "Something" e "Here Comes The Sun" são dos melhores exemplos do que este tinha para oferecer à que foi considerada a melhor banda de todos os tempos mas nem isto seria capaz de antecipar o que George faria no mesmo ano que os Beatles fecharam a loja para nunca mais a abrirem. O resultado está à vista num álbum triplo onde George revela toda a sua espiritualidade, humanidade e como diriam os anglo-saxónicos "awareness". Ajudado pelo mesmo produtor que conseguiu unir o que parecia impossível para aquilo que se tornou conhecido como Let It Be, Phil Spector construiu aquilo que denominou como "Wall of Sound", musculando as músicas com uma ambiência não antes vista. O resultado é, para muitos, considerado um dos melhores discos de sempre. Os temas são os recorrentes de Harrison: Espiritualidade em "My Sweet Lord", "Art of Dying" e "Hear Me Lord"; Amor em "I'd Have You Anytime", "What Is Life" ou "I Dig Love", enquanto "Isn't It a Pity", "Beware of Darkness" e "All Things Must Pass" revelam um George maturo e conselheiro no que toca às relações amorosas ou agruras da vida em geral. Até tempo houve para uma bicada em Paul com "Wah Wah". Pena que este talento tenha estado tão escondido debaixo da sombra de Paul e John...09 dezembro 2009
Lynyrd Skynyrd - Gimme Back My Bullets (1976)
“I’m not tryin’ to put down no big citiesBut the things they write about us is just a bore
Well you can take a boy out of ol’Dixieland
But you’ll never take ol’ Dixie from a boy”
Ronnie Van Zant, “All I Can Do Is Write About It”
Em 1976, os Ramones editam o “Ramones”, os Aerosmith o “Rocks”, os Queen o “A Day At the Races”, os Kiss o “Destroyer”, os Led Zeppelin o “Presence” os AC/DC o “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”. É tempo de rock punk, operático, duro ou mesmo um poucochinho piroso (o dos Kiss, obviamente). Não era um bom ano para purismos ou coisas simples e directas. Não era um bom ano para os Lynyrd Skynyrd. E acabou mesmo por não ser um bom ano para eles. Em 1976, os rapazinhos sulistas de cabelo comprido e de bandeiras de confederação estampadas nas pickups lançaram o quarto álbum em outros tantos anos. Depois de “Pronounced… (1973)”, “Second Helping (1974)” e “Nuthin’ Fancy (1975)”, chegava o “Gimme Back My Bullets”. E a crítica arrasou-os de cima a baixo, porque, consideravam os analistas, faltava-lhe peso – não havia duelos nem solos de guitarra sobrepostos. Era mais leve. E por isso, vendeu menos. Bom, o “Gimme Back My Bullets” não chega, mesmo, para o primeiro de todos. Toda a gente esperava hinos desde a “Free Bird” mas músicas dessas não aparecem quando um homem quer. Mas honra seja feita a Ronnie Van Zant por manter-se fiel aos seus princípios: o tipo nasceu no Sul, gostava do Sul e cantava o Sul. Contra a corrente urbana, contou histórias da terrinha dele com a alma de sempre. Sim, o “Gimme…” é mais fraco que os outros trabalhos anteriores. Mas não deixa de ser bonzinho. Principalmente a “All I Can Do Is Write About It”, em que Van Zant volta a atirar-se aos meninos da cidade e a quem critica os hillbilly como ele – já o fizera na “Sweet Home Alabama” contra Neil Young. Nos finais da Guerra do Vietname, em que se cantavam “protest songs” e de consciência social, Van Zant preferia descrever as paisagens do Tennessee. Eram opções. Honestas. E mesmo assim, o “Gimme…” chegou ao Ouro. Depois viria o acidente de avião que tornou os Lynyrd numa convenção sulista mítica, sem fim aparente. E ainda bem que alguém canta coisas simples. Para mim, a música ou é boa ou é má. Independentemente da produção, dos arranjos ou de ser ou não ser vanguardista. Sou pelo rock progressivo dos Pink Floyd mas também oiço Cash. Que é sempre igual.
04 dezembro 2009
The Kinks - Lola vs. the Powerman & the Money-Go-Round, Pt. 1 (1970)
The Kinks. Uma banda que muitos já ouviram falar aqui e ali. A banda que trouxe ao mundo "You Really Got Me", uma das músicas mais emblemáticas da dita "British Invasion", no entanto os Kinks nunca tiveram a importância dos Beatles ou Stones. Ficaram sempre um bocado na escuridão das grandes bandas esquecidas. Porém, e olhando para trás e vendo o legado que nos deixaram, podemos considerar os Kinks como uma das melhores bandas britânicas de sempre. E é com discos como este que essa afirmação mais faz sentido. Possivelmente um dos álbuns com nome mais bizarro, Lola vs. the Powerman & the Money-Go-Round, Pt. 1, é, sem qualquer dúvida, um dos melhores discos dos anos 70. Aqui, os Kinks demonstram o porquê de serem considerados uma das bandas inglesas mais típicas. Na senda de Arthur (Or the Decline and Fall of the British Empire), também neste disco Ray Davies e seu irmão Dave criam uma espécie de projecto conceptual. Agora sobre a indústria da música e as agruras que daí advêm. Seja em "Denmark Street", "The Moneygoround" ou em "The Top of the Pops" e "Powerman" ou então a sociedade em geral em "Apeman". "Strangers" e "This Time Tomorrow" que fizeram parte da banda sonora desse grande filme de Wes Anderson: "The Darjeeling Limited", são outros marcos neste disco. Apesar de aqui e ali o tal projecto conceptual falhar, este Lola vs. the Powerman & the Money-Go-Round, Pt. 1 tem um dos alinhamentos mais fortes, contendo mesmo uma história trágico-cómica sobre um encontro com um transexual em "Lola". Sem dúvida, um disco que revelou Ray Davies como um dos melhores compositores do Pop/Rock. Imprescindível...03 dezembro 2009
Bruce Springsteen - Born To Run (1975)
“There were ghosts in the eyesOf all the boys you sent away”
Thunder Road
Houve tempos em que ser-se americano era fixe. E depois vieram os tempos em que ser-se americano deixou de ser fixe. Agora, com Barack, ser-se americano é outra vez cool. E com Barack regressou Bruce Springsteen, provavelmente o ideal do sonho americano. Se há working class hero, ele é Springsteen, The Boss. Pode discutir-se o gosto do homem a vestir-se – as mangas cavas a exibir bíceps tonificados não lembram ao Diabo mas ao Angélico – mas a música dele é irrepreensível. E ao ler as letras e ao ouvir as canções dele, desejamos ser americanos, nem que seja por um dia. E que melhor álbum para nos sentirmos americanos que o “Born To Run”, de 1975. Com ele, Bruce chegou ao estrelato – do rapaz pobre de New Jersey para uma estrela rock, um Bob Dylan com sintetizadores a cantar a crise e a depressão urbanas com um vocabulário do povo. “All the redemption I can offer girl is beneath this dirty hood”, diz Bruce Springsteen na “Thunder Road”, a melhor música do album- e uma das melhores do seu reportório (talvez a “The River” esteja uns furinhos acima). Mas a mais emblemática é mesmo aquela que dá nome ao disco. Nela, Bruce Springsteen escreve sobre carros, auto-estradas, coisas sem pulso, e envolve-as com metáforas (quase) eróticas – “Strap you legs round these velet rims and strap your hands across my engines” – com uma sensibilidade inalcançável para outros. É uma quase-poesia, quase-narrativa citadina, dos subúrbios e dos problemas do Zé Ninguém. E ninguém os (d)escreve como ele.
25 novembro 2009
Creedence Clearwater Revival - Cosmo's Factory (1970)
Digam-me que são básicos, que são quadrados, que são orelhudos, que são tradicionais. E eu digo-vos que sim, que são básicos, e quadrados, e orelhudos, e tradicionais. Mas, raios que os partam, são bons, são muito bons, são excelentes. E soam como poucos e todos batem o pé ao som deles. Os Creedence Clearwater Revival marcaram não só o meu pai, o teu, ou o do outro. Marcaram os filhos do meu pai, do teu pai, ou do outro gajo que ninguém conhece mas que de certeza baterá o pezinho se os ouvir. E os CCR fizeram-no com canções directas e simples, cantadas por um homem directo e simples, com uma voz que era (e é) tudo menos simples. Para mim, o melhor álbum dos Creedence é o Cosmo’s Factory (gravado em 1969). E eu, que até sou contra versões, deixo isso de lado com o “Before You Accuse me”, do Bo Diddley, ou o “Heard It Thorugh The Grapevine”, original de Norman Whitfield aveludado pela voz de Marvin Gaye. E se bem que Gaye fez da “Grapevine” uma grande música, o Fogerty fez dela uma coisa ainda melhor. Lá está, uma questão de voz. Fogerty não é tão refinado como Gaye mas parece mais honesto nas palavras convictas que cospe ao microfone. Como na “Travelin’ Band”. Experimentem cantarolá-la no tom em que ele a canta sem rasgar a garganta ou furar o tímpano de um transeunte. Difícil. Tão difícil como escolher outra música entre as compõem o álbum. Talvez “Long I Can See The Light”, porque Fogerty também é capaz de cantar o amor. E safar-se com isso sem parecer um lamechas que (só) por acaso nasceu com uma voz do caraças. E mais não digo porque também mais não sei. Só quero continuar a ouvir o álbum enquanto aqui o jornal está a fechar as páginas e chove lá fora. “Who’ll Stop the rain?” Só ele.13 outubro 2009
Ringo Starr - Ringo (1973)
With a Little Help From My Friends é o cognome do terceiro disco a solo de Ringo Starr. Um disco que pôs, incrivelmente, Ringo como o Beatle com mais sucesso (comercial, entenda-se) após separação da banda em 1970. Depois de dois discos de covers que apesar de terem sido bem aceites faziam crer que Ringo seria apenas lembrado como o baterista que mantinha o compasso certo na famosa banda de Liverpool, eis que o baterista de voz estranha junta um grupo de amigos, Lennon, Harrison e Paul incluídos e grava um dos melhores discos a solo de qualquer Beatle, tirando-o da sombra dos outros três amigos.Verdade seja dita que Ringo sozinho não conseguiria ter tido um disco tão bom, porém convém não esquecer que a sua carreira foi isso mesmo. Uma pequena ajuda dos seus amigos. O disco começa com a contribuição de Lennon, "I'm the Greatest", que relata a história de Ringo desde os seus primeiros passos em Liverpool até ser um homem realizado. Com Lennon e Harrison no mesmo barco, com Paul substituído pelo amigo de longa data, Klaus Voorman, a nostalgia pairou no ar. Típica música Lennon pós Beatles, soa ainda melhor cantada por ele próprio na Lennon Anthology. "Have You Seen My Baby? (Hold On)" de Randy Newman com a ajuda de Marc Bolan é uma música boogie bastante aprazível. Seguem-se "Photograph" e "Sunshine Life for Me (Sail Away Raymond)" ambas escritas por Harrison, sendo que a primeira também tem a mão de Ringo. A última tem um clima que Harrison sabia muito bem criar, uma espécie de Country-Rock pastoral. No entanto, o single saído desde disco que mais sucesso teve foi a cover, quase pedófila nos dias de hoje, de Richard Sherman, "You're Sixteen ( You're Beautiful and You're Mine)". "Oh My My", "Step Lightly" e "Devil Woman", composições de Ringo, são suficientemente fortes para entrar em luta com as restantes, sobretudo a última. A habitual balada pop de Paul chega finalmente em "Six O'Clock". O disco faz as despedidas, literalmente, com a última das ajudas de Harrison em "You and Me (Babe). Conseguindo-se detectar um grande ambiente na gravação do álbum, nunca mais Ringo conseguiria atingir um nível tão bom de músicas como neste disco. (A reedição em CD em 1992 continha mais 3 músicas single, sendo de destacar "It Don't Come Easy, em parceria com George Harrison.)
17 agosto 2009
Relacionado #16
Raul Seixas - Dentadura Postiça
Krig-ha Bandolo (1973)
Krig-ha Bandolo (1973)
08 maio 2009
Derek and the Dominos - Layla and Other Assorted Love Songs (1970)
Se há álbum de amor, coração partido e respectivo carpir de mágoas então, a escolher um, seria Layla and Other Assorted Love Songs sem pensar muito, se calhar nem duas vezes...Layla, pseudónimo para Pattie Harrison, mulher do Beatle George, inspirou um disco composto na sua maioria por Eric Clapton, numa das piores fases da sua vida.Eric sempre fora um músico que não gostava de ficar parado. As suas incursões por várias bandas ao longo da sua carreira foram disso exemplo, senão vejamos: Yarbirds, John Mayall's Bluesbreakers, Cream, Blind Faith. Todas estas participações fizeram que fosse considerado um dos melhores guitarristas da sua geração, no entanto, continuava a preferir esconder-se entre um grupo do que lançar-se às feras a solo.
Derek and the Dominos surge em meados de 1969 com o ruir de duas bandas. Blind Faith, formada por Clapton, Steve Windwood, Ginger Baker e Ric Grech e Delaney, Bonnie & Friends, que contava com os músicos Bobby Whitlock, teclista, Carl Radle no baixo e o baterista Jim Gordon. A Clapton, Whitlock,Radle e Gordon associou-se o guitarrista dos Allman Brothers, Duane.
Não sendo um disco quase a solo como muitas pessoas o referenciam, Layla and Other Assorted Love Songs é uma extensa carta de amor e dor de Clapton, em parceria com os restantes elementos da banda.
O disco é essencialmente marcado pelos blues. Algumas músicas mais melódicas: "Bell Bottom Blues", "I Am Yours", outras mais puro blues: "Nobody Knows You When You're Down and Out", "Have You Ever Loved a Woman?" e ainda outras mais rock: "Keep on Growing", "Anyday", "Why Does Love Got to be So Sad?", mas nunca fugindo ao mesmo tom e tema do álbum.
A cereja em cima do bolo chega com a versão de "It's Too Late" de Chuck Willis, tocada de forma tão emocional por parte de Clapton que é impossível ficar indiferente e Layla, o clímax do disco.
No entanto, é um disco/grupo que fica marcado por tragédias, abuso de drogas e desilusões, vindo a terminar ao fim de pouco tempo.
Durante as gravações do disco, Clapton ficou atordoado com a morte do seu "rival" Jimi Hendrix, decidindo incluir a versão de "Little Wing" que tinham gravado uns dias antes, acabando por tornar-se numa das melhores músicas do disco.
Após alguns concertos pelos EUA recheada de drogas e álcool, a banda preparava-se para a sua primeira tour a sério, quando mais uma tragédia se abateu. Duane Allman morre num acidente de moto. A estas tragédias juntou-se o facto de o álbum não ter sido um êxito. Clapton levou este facto a peito e decidiu que estava na altura de se assumir, sair da zona segura escondido atrás de bandas. Derek sempre fora Eric Clapton e Layla era Pattie Harrison.
Nunca chegou a haver segundo disco, a banda simplesmente dissolveu-se entre sessões de gravação.
Carl Radle viria a falecer em 1980 devido a problemas no fígado, potenciandos pelo abuso de drogas e álcool.
Jim Gordon, sofredor de esquizofrenia não diagnosticada matou a sua mãe com um martelo em 1983, vindo, no ano seguinte, a ser internado numa instituição mental onde ainda hoje permanece.
Bobby Whitlock lançou, pouco tempo depois do fim da banda, um álbum a solo com algum sucesso e tem tido uma carreira decente.
Clapton, esse, viria a tornar-se num recluso, entregue às drogas e, ainda, sem Pattie(viria a conquistar o seu amor apenas em 1979, escrevendo "Wonderful Tonight" em sua autoria), apenas aparecendo, ainda que uma sombra de si próprio, durante o concerto para Bangladesh, organizado por Harrison e no Rainbow Concert, organizado por Pete Townshend para ajudar Clapton a reconstruir a sua vida e voltar a aparecer como um dos reis da guitarra.
Anos mais tarde, a história viria a dar valor e a colocar Layla and Other Assorted Love Songs num pedastal como um dos discos mais importantes da música.
17 abril 2009
Death - For the Whole World to See (2009)
Bem, a real dificuldade deste post é a decisão sobre qual etiqueta colocar - 70's ou 00's. Porque esta banda é de 1974, mas só em 2009 foi editado o álbum "For The Whole World To See..." E passo a contar a história.Estamos em Detroit, 1974. Cidade do funk e r&b da Motown, mas também do rock n' roll dos The Stooges e Alice Cooper. Os Death eram os irmãos Hackney, 3 jovens músicos negros, apanhados nessa mistura de estilos. Influenciada nas doses certas por cada um destes movimentos, acabaram por criar o punk, antes de o próprio punk existir, com todo o seu vigor. É só ouvirem e rapidamente perceberão isso. Mas nada disto passou de um single, com a música que apresento abaixo "Politicians In My Eyes", porque a editora cismou que a banda teria que mudar de nome, e como tal não aconteceu rompeu o contrato. Ficaram portanto 7 músicas guardadas num sótão qualquer durante 35 anos e só agora tiveram a possibilidade de ser editadas, num álbum de nome "For The Whole World To See...". O som é estrondoso e vai com certeza deixar-vos com vontade de conhecer mais...
Enjoy!
02 abril 2009
Various Artists - Nigeria Rock Special (2008)
Quem diria que em pleno coração de África, poderia surgir uma colecção de músicas psicadélicas de tamanha qualidade. Nigéria, anos 70, músicos locais utilizados por Ginger Baker, ex baterista dos Cream, no seu mais recente disco - Ginger Baker's Air Force - foram expostos a sons e instrumentos que não conheciam. Dada a sua forte veia rítmica, facilmente conseguiram reiventar o som psicadélico que europeus e americanos fizeram uma década antes, tornando-o mais ritmado, mais selvagem, aliando os instrumentos ocidentais, como o orgão Hammond, a instrumentos africanos, misturando-os com a sua forma de ser. O resultado final é delicioso, as músicas são viciantes, cheias de ritmo, cor e espelham o ambiente que se deveria estar a viver no estúdio. O próprio Santana deverá estar satisfeito. Esta colecção de 15 músicas de 15 bandas diferentes é o resultado da pesquisa de Miles Claret, Dj inglês, fundador da Soundway Records e responsável por editar compilações de música africana.Um disco indispensável em qualquer prateleira de música africana, e não só...
11 fevereiro 2009
03 fevereiro 2009
Hawkwind

Premissa: estes tipos são loucos. O nome da banda, Hawkwind, deriva de umas práticas escatológicas do flautista/saxofonista (Nik Turner) que fez parte do grupo original. Segundo rezam as crónicas, o bom do Nik, um londrino até bem-parecido, tinha a mania de pigarrear (hawking) e de - não há outra forma de dizê-lo - flatular-se profusamente (winding). Enfim, perde-se todo o encanto por um nome à partida bastante "cool". Mas que isto não nos faça perder a perspectiva e o respeito por um conjunto formado em 1969 e que se encontra ainda no activo.
A onda deles era, basicamente, psicadélica, temperada com (muitos) pozinhos estelares da ficção científica - o escritor sci-fi Michael Moorcock (o apelido é, igualmente, sugestivo) foi intenso colaborador e emprestou a sua voz a algumas músicas. Não vou discorrer sobre a extensa discografia dos Hawking, que chegaram a editar álbuns à razão de um por ano até meio dos 80's do século passado, ou sobre a composição do grupo (muito variável) e concertos (que incluíam dançarinas... exóticas). Vou, isso sim, dar a opinião sobre os álbuns aos quais tive acesso (cortesia do nosso incansável Mr. Mustard).
Experimentem ouvi-los à noite, no escuro. Foi o que fiz. O objectivo era adormecer ao som de uma banda desconhecida e evitar, assim, trautear as músicas para me perder no mundo onírico. Não cumpri a meta e só me lembro de isto ter acontecido quando, nos mesmo moldes, experimentei o Kid A dos Radiohead. A música dos Hawkwind está "way out there": fantástica - do substantivo fantasia-, louca, complexa, (a)variada, instrumental, sei lá que mais. Sabem aquele smile - : - que nos transmite incredulidade? Foi assim mesmo que fiquei. Aqui e ali, claro, sentimo-nos próximos dos Pink Floyd ou de outros seus contemporâneos, mas a loucura dos Hawkwind empurra-os para fora de qualquer formato mais tradicional. Os refrões ("catchy" em inglês; "orelhudos", convencionou-se chamar em Portugal) puramente não existem, as guitarras viajam com o vento e tu também.
Agora, tenho que experimentar ouvir isto à noite, mas ébrio.
A onda deles era, basicamente, psicadélica, temperada com (muitos) pozinhos estelares da ficção científica - o escritor sci-fi Michael Moorcock (o apelido é, igualmente, sugestivo) foi intenso colaborador e emprestou a sua voz a algumas músicas. Não vou discorrer sobre a extensa discografia dos Hawking, que chegaram a editar álbuns à razão de um por ano até meio dos 80's do século passado, ou sobre a composição do grupo (muito variável) e concertos (que incluíam dançarinas... exóticas). Vou, isso sim, dar a opinião sobre os álbuns aos quais tive acesso (cortesia do nosso incansável Mr. Mustard).
Experimentem ouvi-los à noite, no escuro. Foi o que fiz. O objectivo era adormecer ao som de uma banda desconhecida e evitar, assim, trautear as músicas para me perder no mundo onírico. Não cumpri a meta e só me lembro de isto ter acontecido quando, nos mesmo moldes, experimentei o Kid A dos Radiohead. A música dos Hawkwind está "way out there": fantástica - do substantivo fantasia-, louca, complexa, (a)variada, instrumental, sei lá que mais. Sabem aquele smile - : - que nos transmite incredulidade? Foi assim mesmo que fiquei. Aqui e ali, claro, sentimo-nos próximos dos Pink Floyd ou de outros seus contemporâneos, mas a loucura dos Hawkwind empurra-os para fora de qualquer formato mais tradicional. Os refrões ("catchy" em inglês; "orelhudos", convencionou-se chamar em Portugal) puramente não existem, as guitarras viajam com o vento e tu também.
Agora, tenho que experimentar ouvir isto à noite, mas ébrio.
29 janeiro 2009
Television
Quem conhece, reconhece que foram uma das bandas mais influentes dos anos 70, especialmente na explosão do fenómeno punk nova-iorquino no final dessa década, do qual os Ramones, Blondie e Patti Smith são as caras mais visíveis e o (infelizmente já fechado) CBGB's o centro das atenções. Quem não conhece, está na hora de conhecer. Seja qual for o motivo, aqui vos deixo esta grande música "Marquee Moon" dos Television.
Enjoy!
23 janeiro 2009
Pink Floyd - Obscured by Clouds (1972)
Não sendo precisamente o típico álbum de Pink Floyd, "Obscured by Clouds, banda sonora para o filme La Valée, de Barbet Schroeder, é uma espécie de tesouro escondido. É um disco mais calmo, pausado, com imagens pastorais, um pouco ao estilo do que a banda estava a fazer, nomeadamente em Atom Heart Mother e Meddle. Músicas como "Burning Bridges" e "Wot's...Uh the Deal " trazem das melhores interpretações voz-guitarra de David Gilmour, especialmente a última.É em "Obscured by Clouds" que Roger Waters começa a dar os primeiros passos para a sua visão mais intimista e psicótica em relação ao mundo. "Free Four", encoberta por uma melodia mais pop a fazer lembrar os Kinks ou T-Rex, esconde no seu interior letras sobre morte, envelhicimento, cinísmo e tristeza que iriam ser muito exploradas nos discos seguintes da banda.
Juntando alguns números instrumentais bem conseguidos, este disco, esquecido pela crítica e público, consegue ser mais do que uma banda sonora a um filme mediano, vivendo por si próprio.
29 outubro 2008
Lynyrd Skynyrd - Pronounced Leh-Nerd Skin-Nerd (1973)
Oriundos de Jacksonville, Florida, e ostentando por toda a parte a bandeira sulista, os Lynyrd Skynyrd são uma das bandas mais importantes do rock sulista, em particular e da música americana em geral. Ao contrário dos Allman Brothers que tendiam em improvisar nas suas músicas, estendendo-as por vários minutos, os Lynyrd eram muito mais focados no seu tipo de música blues,rock e country. Pronounced Leh-Nerd Skin-Nerd, primeiro disco da banda original até à morte de vários elementos, incluindo o guitarista e vocalista Ronnie Van Zant, de acidente de avião, em 1977. Composto por apenas 8 músicas, destacam-se a mítica Free Bird, com o seu longo solo de várias guitarras e as baladas Tuesday's Gone e Simple Man.Um disco essencial ao lado do seu seguidor Second Helping, que contém a lendária Sweet Home Alabama.
02 outubro 2008
The Knack - Get the Knack (1979)
De 1979, em plena New Wave, chega-nos a estreia dos Knack. Um disco que rapidamente chegou aos tops muito por causa do hit, My Sharona. Música essa, que o próprio Kurt Cobain disse ter sido uma das razões pela qual formou uma banda.Pegando na pop dos anos 60, mais ao nível de Kinks ou The Who, os Knack moldaram-na ao estilo dos tempos, a New Wave, tão em voga em bandas como Blondie, Elvis Costello ou Squeeze. Um grande álbum que acabaria por ser o seu único de registo, já que a partir daqui foi sempre a descer.
31 janeiro 2005
Yes - Close To The Edge (1972)
Rick Wakeman uma vez disse: “Quando gravamos esse álbum, os que já gostavam passaram a gostar mais…os restantes passaram a ter-nos um ódio de morte…”Uma frase que rotula perfeitamente a música dos Yes em particular, e o Rock Progressivo em geral. Quem detesta grandes demonstrações de virtuosismo e não suporta ouvir a voz angélica de Jon Anderson, sem ter no mínimo um ataque epiléptico…pode parar de ler por aqui!
Os outros façam o favor de me acompanhar até 1972 aos Advision Studios em Londres onde cinco músicos de alto gabarito compunham um dos álbuns mais aventureiros da história do rock.
Jon Anderson, Steve Howe; Chris Squire; Rick Wakeman e Bill Bruford constituíam em 1972 a par dos Emerson Lake & Palmer; King Crimson e Genesis um dos maiores super-grupos do chamado Rock Sinfónico.
O disco abre com "Close to the Edge" uma suite de quase 20 minutos, dividida em 4 movimentos. O som de pássaros misturado com uma poderosa entrada "jazz-rock" de bateria, baixo e guitarra dão “A Solid Time of Change" (1º movimento) uma das intros mais estranhas e poderosas de sempre.
È sobre esta divagação multi-instrumental que Jon Anderson começa a cantar aos 5 minutos, no 2º movimento em "Total Mass Retain". Somos imediatamente transportados para um universo para lá da via láctea, com letras inspiradas em povos e planetas já desaparecidos.
A toada mantém-se num crescendo até “I Get Up, I Get Down”. Aqui descobrimos pela 1ª vez um Wakeman inspiradíssimo que compõe uma sinfonia espacial em órgão de igreja acompanhado de um dos instrumentos que mais caracterizam o rock da época: o Moog.
O tema ganha uma proporção quase dramática interrompida subitamente pela secção rítmica de Bruford e Squire que nos introduz a última parte: “Seasons of a Man”. Os Yes voltam á carga com toda a força aproximando-se um pouco dos ambientes mais tarde criados pelos seus discípulos Dream Theater.
Em linguagem “viniliana“ acabava o lado A e começava o Lado B com “And You And I”. O grupo introduz-nos nas suas raízes folk, revelando-nos um Steve Howe bastante hábil nos temas acústicos que marcariam com sucesso o resto da carreira da banda. O tema evolui espantosamente para um uma sinfonia que faz pensar o que seria se Stravinsky tivesse vivido dentro da cultura Hippie.
Em “Siberean Khatru” (último tema do disco) o grupo revela um lado mais bluesy e rockeiro com alguns ecos à moda de Jimi Hendrix. Menção honrosa aqui mais uma vez a Rick Wakeman, que consegue por o povo a “rock n rollar” ao som de um cravo do Séc. XVIII.
Já não se fazem discos assim…
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