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28 junho 2011

Álbum No Ouvido: Tame Impala - "Innerspeaker" (2010)

Abrimos hoje uma nova rubrica aqui no Altamont - o "No Ouvido". Nesta serão incluídos álbuns que já não se podem considerar fresquinhos mas que só recentemente vieram parar às nossas mãos (ouvidos). E para lançar esta rubrica escolhi os Tame Impala, banda que lançou este Innerspeaker há mais de um ano (e há precisamente um ano hoje no Reino Unido o que não deixa de ser uma coincidência engraçada) e só agora ganhou tempo de antena. E vem mesmo a tempo, já que vão ser uma das bandas presentes no Super Bock Super Rock deste ano e merecem o destaque aqui no Altamont.
Começo por introduzir a banda - os Tame Impala são de Perth, Austrália e formaram-se em 2007. Depois de terem lançado dois EP's (Tame Impala e [H.I.T.S. 003]) durante o ano de 2008 lançaram-se então na gravação do seu primeiro LP - este mesmo Innerspeaker que poderão ouvir já já aqui em baixo. Mas primeiro, mais umas palavrinhas para dar mais algum contexto e criar uma maior ansiedade antes de carregarem no play (bem, a este ponto se calhar até já carregaram e já não estão a ligar pêva ao que estou para aqui a escrever mas siga). Eu diria que os Tame Impala conseguiram aqui criar uma excelente mistura entre o psicadelismo do final dos anos 60, mas já incorporando tudo o que se passou no universo da música rock desde então, indo beber especialmente ao britpop, ao shoegaze de forma a trazer alguma frescura à base psicadélica donde partem. A voz do vocalista Kevin Parker, muito semelhante à de John Lennon também ajuda bastante neste capítulo.
Eu pessoalmente fui apanhado pela música 2, "Desire Be, Desire Go", mas o álbum convence pelo seu todo. Enjoy it!

14 junho 2011

Álbum Fresquinho: Arctic Monkeys - "Suck It and See"

E ao quarto disco de originais, os Monkeys demonstram bem o caminho que querem seguir. O seu próprio caminho, sem pressões de editoras para encherem estádios e se tornarem os meninos bonitos que arrastam milhões de teenagers atrás. Após o primeiro disco ter pegado de estaca e ter feito de quatro miúdos de Sheffield uma promissora banda e revelar, em especial, um carismático Alex Turner, os Arctic Monkeys começaram a desbravar o seu próprio caminho, e isso revelou-se nos discos, músicas e, sobretudo, letras seguintes. Não mais Alex Turner escreveria sobre os seus ténis preferidos ou encontros de adolescentes. Tornaram-se homenzinhos e cada vez melhores músicos. Do pujante Whatever People Say I Am, That's What I'm Not, seguido da confirmação de selo de qualidade em Favourite Worst Nightmare, passando pela experimentação em Humbug, os pupilos de Turner chegam-nos agora com Suck it and See, título nada aconselhável para quem poderia querer manter um nível respeitável e de fácil aceitação. Este disco chega-nos dois anos depois de Humbug e apenas um mês após o EP a solo de Alex Turner, Submarine, banda sonora para o filme com o mesmo nome, realizado por Richard Ayoade. É de salutar esta corrente criativa até porque a qualidade de Suck it and See, não aparece de alguma maneira beliscada. Não é um disco fácil. Não cria raízes à primeira como nos dois primeiros discos. Surge na continuação do disco anterior mas com um piscar de olhos ao grunge. Mais crú e seco. Não há nenhuma música que se possa dizer que é "material de single". Tanto "Brick by Brick", cantada também pelo baterista, Matt Helders, como "Don't Sit Down 'Cause I've Moved Your Chair", são secas o suficiente para alienar grande parte do antigo público. É um disco que vai crescendo aos poucos, tornando-se essencial sem atingir as parangonas dos media. Por vezes, é melhor assim...



31 maio 2011

Álbum Fresquinho: Fleet Foxes - "Helplessness Blues"

Não podíamos fechar o mês aqui no Altamont sem mencionar a chegada de um dos álbuns mais aguardados do ano. No início do mês, e depois do EP Sun Giant e do tão aclamado Fleet Foxes já de 2008, chegou-nos Helplessness Blues. Longa foi a espera, resultado de um processo de gravação bastante turbulento - no final de 2009 a banda já tinha um álbum praticamente pronto mas que foi lamentavelmente destruído no processo de mixagem, o que levou a banda a começar novamente do zero. Robin Pecknold, fundador da banda (juntamente com Skyler Skjelset, colega de escola) e líder incontornável não baixou os braços, lançou-se avidamente ao trabalho. Não sei como seria essa tal primeira gravação, mas ouvindo este Helplessness Blues não consigo deixar de pensar que pena seria se nunca o tivessem feito. Inventivo, complexo e com maior nível de detalhe dentro de cada música vale cada um dos seus 50 minutos. Onde antes predominava a tranquilidade, nota-se agora uma maior tensão, súbitas mudanças de tom apanham-nos desprevenidos, mas no final parece que tudo se conjuga tal qual peças de um puzzle maior que é este álbum.
O álbum mostra um Pecknold cheio de dúvidas, preocupações, começando logo na primeira frase que ouvimos, na excelente "Montezuma": "So now, I am older/ Than my mother and father/ When they had their daughter/ Now, what does that say about me?" Este é o tom, e por cada pergunta feita, outras dez surgem, sobre a vida, o sucesso, a sua carreira, e todas estas dúvidas só parecem mesmo resolvidas na música que dá nome ao álbum, onde simplesmente se retrai e deseja apenas uma vida simples(Don't we all?).
Sinto que é um passo à frente muito natural por parte da banda, arriscando mas sem descurar todos os elementos que tanto nos encantaram no seu primeiro álbum e no EP. E isto é muito valioso.



E deixo também o vídeo que é giro. Enjoy it!

24 maio 2011

Álbum Fresquinho: The Rural Alberta Advantage - "Departing"

Com um dos nomes mais estranhos do panorama musical actual, esta banda de Toronto já anda cá há mais tempo do que se pensa, apesar de me ter passado despercebida durante estes seus seis anos de existência. Mas não mais. Juntos desde 2005 e levando já na bagagem mais dois discos, sendo um deles EP, o seu percurso tem vindo a ser em crescendo e este Departing é o culminar disso mesmo. Nele, o trio norte-americano constrói um ambiente do interior americano intervalando músicas mais depressivas, "Two Lovers", The Breakup" com outras mais épicas: "Under The Knife" ou "Stamp" a fazer lembrar uns Kings of Leon a tocar Arcade Fire. Estes três rapazes (um deles rapariga) conseguem com estas dez músicas criar um ambiente que poderia perfeitamente ser banda sonora para "Fargo", inclusive até na capa do próprio disco. Uma das boas surpresas de 2011.

10 maio 2011

Álbum Fresquinho: Bill Callahan - "Apocalypse"

Qualquer texto sobre um álbum de Callahan deve, fazendo justiça à sua forma de estar, ter poucas palavras e focar-se na música. Esse era o meu plano inicial. Mas as dificuldades que tenho de aceder e partilhar música neste preciso momento não me permitem muitas veleidades (que bela palavra). Sem grooveshark, sem youtube, que condições há para conseguir convencer as pessoas que estão a ler isto a darem tempo de antena a este Apocalypse anunciado por uma das mais belas e intrigantes vozes do nosso tempo? Deixo uma música do álbum. Foi o melhor que consegui arranjar, espero a vossa compreensão. Penso que dentro de uns dias irei conseguir melhorar o post e meter-lhe mais música. A substância que merece ser ouvida com atenção. Ou, neste caso, sentida, inalada, absorvida, engolida, todos os sentidos têm que estar bem alerta para uma melhor apreciação da obra de Callahan.

26 abril 2011

Álbum Fresquinho: The Pains of Being Pure at Heart - "Belong"

Os Pains of Being Pure at Heart conquistaram-me com o seu primeiro álbum, homónimo, de 2009. Foi mesmo daqueles casos de amor à primeira vista (audição, neste caso), que me levou inclusivé a deslocar-me até à simpática (e distante de Lisboa mas distância essa sempre recompensadora) vila de Paredes de Coura para os ver ao vivo. Com mil raios, até afugentei uma jovem espanhola carente de afecto que meteu conversa comigo durante o concerto para os ver com a devida atenção! Acho que desta forma já dá para ter uma ideia do nível de expectativa (ou expetativa? o editor do blog já se pronunciou sobre qual a nossa abordagem ao acordo ortográfico?) que rodeava a chegada deste Belong, álbum que surge depois de um docinho em forma de EP e de nome Higher than the Stars que nos foi oferecido o ano passado. E o que se passou ao meter o CD a girar? Temo dizer que fiquei com um sabor amargo na boca. Eu, de certa forma, sabia que ia acontecer, não ia ser fácil, culpa em parte minha por meter fasquia alta. Principalmente senti que as músicas estavam mais moles, que a voz estava mais melosa, que a dor de ser puro no coração os tinha atingido com maior força desta vez e a energia que tinha sido uma das coisas que me atraiu neles tinha ido abaixo. E quando acabou, passadas apenas 10 músicas, fez lembrar-me a clássica piada do Woody Allen no início do Annie Hall - tão fraco e ao mesmo tempo tão pouco? Decidi que isto não ficava assim, eles não podiam fazer-me isto e resolvi colocar o CD do início outra vez. E foi a meio da 3ª música (a que vos deixo para já abaixo, e mais logo prometo que meto grooveshark) que começou a fazer-se luz. Comecei a ver ali mais qualquer coisa quiçá a meio do refrão "She was the heart in your heartbreak/ She was the miss in your mistake", ou das palmas e do sintetizador intercortado com a guitarra solo. Pode ter sido isso, já não sei bem. Mas o que é facto é que o resto do álbum me soou muito melhor a partir daí, num registo diferente do anterior mas que ao mesmo tempo encaixa bem no ambiente da banda. E suponho que seja isto que todas as bandas querem para o seu 2º álbum.

19 abril 2011

Álbum Fresquinho: The Vaccines - "What Did You Expect From the Vaccines"

O fresquinho de hoje incide sobre uma das bandas que irá estar presente na próxima edição do festival Super Bock Super Rock e têm como nome "The Vaccines. Ora esta banda, de qual já falamos há umas semanas aqui em Recomenda, com o single "Post Break-Up Sex", traz-nos o ambiente perfeito para estes dias mais solarengos. Uma Pop de época ao estilo dos Glasvegas, onde pegam na famosa "Wall of Sound" de Phil Spector para criar uma melodia mais musculada e "all over the place", porém mais veraneante, mais leve e de fácil aceitação, não querendo com isto dizer que é fraquinha.
Abrindo o disco com "Wreckin' bar (ra ra ra)", os Vaccines mostram claramente o rumo e linha da sua música. Não prometem grandes letras nem grandes qualidades musicais, mas sim um bom momento nestes pouco mais de trinta minutos, divididos em 11 músicas. Prometem ser uma das bandas do verão e um dos pontos fortes do Super Bock Super Rock.

29 março 2011

Álbum Fresquinho: The Strokes - "Angles"

"Dez anos é muito tempo, muitos dias, muitas horas a cantar", já dizia Paulo de Carvalho. Para os Strokes, dez anos passaram como um abrir e fechar de olhos desde que o lançamento de Is This It?. Poderia aqui dizer que em dez anos a banda liderou essa vaga do indie rock, fazendo imensos álbuns de qualidade, sempre procurando inovar e com qualidade. Porém, Em dez anos a banda, liderada por Julian Casablancas lançou, contando com este fresquíssimo Angles, apenas 4 discos. Muito pouco para a banda que fez ressurgir o interesse no rock e uma das mais dinamizadoras para o crescimento desse conceito indie. Muito pouco também em termos de banda líder, pois nunca o foi, muito devido ao pouco entendimento entre os elementos, o que resultou em alguns projectos a solo e/ou paralelos. O ambiente nunca foi o melhor e, apesar desse factor nem sempre ser negativo para a criatividade, as sequelas a Is This It? foram sempre piores e Angles é o resultado lógico desta tida falta de interesse da banda ou de Julian para tornar os Strokes melhores do que o foram em 2001. No entanto, apesar de tudo do que acima foi dito, Angles é o disco mais diferente que os strokes fizeram. Não que isso queira dizer que é melhor mas apenas diferente. O resultado final que nos fica a tilintar no cérebro após algumas audições é que tresanda a duas coisas. Sintetizadores e anos 80. Se os realizadores do  filme Tron: Legacy fizeram muito bem em pedir a ajuda dos Daft Punk para a sua banda sonora, este Angles serviria perfeitamente para ser a banda sonora original do primeiro filme tal é a sua roupagem a anos 80. Conseguimos imaginar os casacos de ganga, bandanas na testa e salas de jogos arcade. É um disco mais solarengo, polvilhado aqui e ali com alguma da agressividade dos primeiros discos como em "You're So Right", fazendo também lembrar "River of Brakelights" de Phrases for the Young, disco a solo de Casablancas. Angles é um disco que não acrescenta mais valor à posição dos Strokes na história, é sim, mais um disco de Strokes (são tão poucos, daí a ressalva) que se ouve bem e apraz. Para o que é, para mim chega. Venha o próximo.

15 março 2011

Álbum Fresquinho: Kurt Vile - "Smoke Ring For My Halo"

O Kurt Vile não é um novato aqui no Altamont - em 2009, pouco depois de ter causado sensação no SXSW e pouco antes de ter lançado o seu primeiro álbum pela Matador, Childish Prodigy, lancei-o para cima da mesa. Ora pois bem, chega-nos agora o sucessor, Smoke Ring For My Halo, deste guitarrista/cantor de Filadélfia que a meu ver é mesmo um prodígio como indica o título do seu álbum anterior.
Ao ouvir este álbum fico com a sensação de ser um intruso. De que se trata de um tipo num canto da casa, sozinho com a sua guitarra, exprimindo-se através dela, as suas lamúrias, os seus problemas, os seus statements. A sua melancolia. E nós estamos ali, como que escondidos, a ouvir algo que não é nosso, mas com o qual nos conseguimos facilmente relacionar e criar empatia.
Existe em Vile uma proximidade com alguns dos grandes guitarristas americanos, como Tom Petty, Bruce Springsteen, Bob Seger. Li algures que até há para aqui perdidos uns traços do John Fahey. Mas não sinto que seja uma cópia ou uma tentativa de se parecer com, apenas influências, que no fundo são a história da música pop rock, influências, influências, influências. Acho que merece um pedaço de atenção, da minha mereceu e compensou.
Abaixo, se carregarem no play e deixarem tocar, em princípio conseguirão ouvir o álbum inteiro excepto uma música, "On Tour", que não consegui incluir.
Enjoy!

 

08 março 2011

Álbum Fresquinho: Radiohead - "The King of Limbs"

Um simples "Radiohead have a new album", como fez o meu colega de chafarica Cisto a propósito dos Deerhoof seria mais que suficiente para este The King of Limbs, afinal de contas, é um álbum dos Radiohead. Dispensa apresentações, análises exaustivas, comentários, teorias, comparações, reviews, afinal de contas, é um álbum dos Radiohead. Os próprios membros da banda sabem que quando fazem um álbum o único espectro que os assombra é o das elevadas expectativas que os fãs têm. Mas sosseguem os fãs, afinal de contas é um álbum dos Radiohead. Sou suspeito para vir aqui escrever sobre os Radiohead?  Eu, culpado, me confesso. E sem mais palavras, sem mais demora, passemos à música, que está já já aqui abaixo. Afinal de contas, é um álbum dos Radiohead.

01 março 2011

Álbum Fresquinho: Beady Eye - "Different Gear, Still Speeding"

O ano de 2009 acabou a notícia trágica (ironia, apesar de tudo) da discussão (desta vez, sem volta ou será mesmo assim?) da infame dupla de Manchester, os irmãos Gallagher e consequente desmembramento da banda Oasis, formada no início dos anos 90. Importa dizer que a banda de Manchester teve um sucesso astronómico com o seu primeiro disco, Definitely Maybe, que apesar de ser uma amálgama de influências e mesmo roubos (olá T-Rex em cigarettes and alcohol) de várias bandas, não deixa de ser um álbum poderoso e que marcou o seu lugar na história do pop/rock. A partir daqui foi sempre a descer. What's the Story (Morning Glory) foi um bom álbum, onde sobressaiam as açucaradas "Wonderwall, "Don't Look Back in Anger", "Some Might Say" ou "Champagne Supernova", no entanto, o rasgo criativo começava a desaparecer e isso viu-se logo em Be Here Now, disco muito fraco, cheio de clichés e sucedâneos dos discos anteriores. Aliás, o melhor ficaria escondido em B-sides, que só parte veria reconhecimento anos mais tarde em Masterplan. Com a musa criativa a voltar costas a Noel Gallagher, os episódios alheios à música iam acontecendo. Após a mudança de baterista após o primeiro disco, seriam agora os fiéis sidekicks que abandonariam o barco. Muita confusão ia na cabeça de Noel, o que o fez até dar voz (leia-se escrita) a Liam. O resultado seria pavoroso ("Little James"), no entanto pôs o jovem Gallagher a pensar mais com a cabeça e menos com os tomates. O resultado vê-se hoje em dia. Sim, Liam não é Noel. E Nunca o será. É um arruaceiro, um "bronco", um bully. Alguém que não escolheríamos para amigo. Tem todo o ar que não diz uma frase de jeito, quanto mais escrever uma música decente. No entanto, em pouco mais de dez anos, Liam, com a ajuda do persistente companheiro de banda, Gem Archer, conseguiu desenvolver algo para além daquela voz suja do Rock na qual Liam é um dos últimos timoneiros num mundo heroís pícaros. De facto, esta primeira experiência de Oasis "sans" Noel é, relativamente surpreendente. Sempre fui um "George", como há pessoas que são mais "Paul" ou "John", e, relativamente a Oasis, sempre fui um "Noel". Considerava a voz do Liam como gasta, irritante passadas algumas audições e não acreditava num disco todo liderado por este "selvagem" de Manchester. Apesar das habituais charopadas como em "Kill for a Dream", os Oasis, perdão Beady Eye, continuam a carregar a chama do velho Rock 'n Roll para quem ainda está interessado nele, porque apesar de serem muito mais básicos do que se faz hoje em dia, há sempre um momento em que nos faz bem ouvir guitarradas e solos, cada vez mais em vias de extinção nos dias que correm...

08 fevereiro 2011

Álbum Fresquinho: Ariel Pink's Haunted Graffiti - "Before Today"

Já tem mais de 3 meses, bem sei, o que não devia permitir ser categorizado como fresquinho. Mas pelo facto de eu só o ter apanhado no meu radar no início deste ano e por achar que merece ser falado aqui no Altamont, aqui registo umas breves palavras sobre este Before Today, dos Ariel Pink's Haunted Graffiti.
Nada como começar por falar um pouco do artista - Ariel Pink anda em constante labuta desde o longíquo ano de 1998. Sempre sempre escondido, gravando em casa, pouco divulgando o que ia fazendo. Apenas em 2003 lembrou-se de oferecer um CD-R do próprio a uns tais de Animal Collective. E foi por aí que a coisa começou a esquentar, com muitas atribulações pelo meio, muitas incertezas, concertos que corriam mal, Ariel Pink manteve a sua veia criativa resguardada. Finalmente em 2010 assina com uma label um pouco maior e se permite mostrar o seu trabalho a uma audiência mais alargada, através deste Before Today.
Começo por descrever a minha primeira sensação ao ter esta música a ecoar nos ouvidos: estar a actuar num filme do John Carpenter, ou num qualquer outro filme de anos 80, com aquelas bandas sonoras recheadas de sintetizadores. "Beverly Kills" acho que é o melhor exemplo disto mesmo. Mas ouvindo melhor se calhar até é mais disco dos final anos 70, muito na onda Earth, Wind & Fire. E o estranho é mesmo isto, a cada audição parece uma coisa diferente. Ultrapassada que está a fase da estranheza inicial, encontro-me numa fase de estar com uma vontade constante de descobrir cada pormenor deste álbum. Não sei o que virá a seguir, se enjôo total, se entrada para adoração. Tudo pode acontecer.

Neste preciso momento não estou a conseguir disponibilizar grooveshark, pelo que deixo para já um vídeo e logo que possível o álbum completo.

18 janeiro 2011

Álbum Fresquinho: Fistful of Mercy - "As I Call You Down"

O que acontece quando misturamos o génio criativo de Ben Harper (embora algo escondido nos últimos anos), com o know-how bebido durante anos a fio de um pai Beatle (Dhani Harrison), com a ajuda de um singer-songwriter mais obscuro, Joseph Arthur e polvilhado aqui e ali com os nobres toques do baterista Jim Keltner, ora o resultado é algo dúbio. Se, por um lado, não se poderia ter muita expectativa, porque apesar de tudo não podem ser considerados um supergrupo, por outro, o seu pedigree exigiria talvez mais. Não se pense, no entanto, que este é um disco fraco. Não. É um disco na linha de uns CSN ou CSNY (Crosby,Stills, Nash and Young) mas com a dinâmica despreocupada de uns Traveling Wilburys. Mostra um Ben Harper mais solto e um Dhani a mostrar que não é apenas o filho do pai. As harmonias e temas tipicamente da America profunda fazem dos 40 minutos que dura o disco uma boa companhia.  Pena que em vez de o terem gravado em apenas 3 dias, o pudessem ter levado mais a sério e ter "cozido o bolo por completo". Por agora, já foi bom, mas pede-se mais para a próxima.

11 janeiro 2011

Álbum Fresquinho: Deerhunter - "Halcyon Digest"

Diria que este álbum está no limite do ser ou não fresquinho, dado que foi lançado há já 3 meses, mas derivado do facto de me ter marcado mais do que qualquer outro lançado no último trimestre de 2010 achei que merecia destaque aqui no Altamont.
Os Deerhunter formaram-se em 2001, apesar de só em 2005 terem lançado o seu primeiro álbum, Turn it Up Faggot. Após mais 2 álbums e dois EP's, e vários projectos pessoais dos vários elementos da banda (destacando naturalmente o vocalista Bradford Cox e o seu projecto Atlas Sound) chega-nos então este Halcyon Digest.
Mergulhar neste álbum é mergulhar num mundo onde as nossas memórias reais se misturam com os nossos sonhos, até chegarmos a um ponto em que já não sabemos bem distinguir uma da outra. O próprio Cox refere no site da banda que o título do álbum é uma referência ao facto das nossas memórias estarem constantemente a serem re-escritas, levando à criação de uma memória condensada das nossas próprias vivências. E isto mesmo sente-se não só a nível das letras, mas também a nível sonoro, a utilização de uma alargada palete de instrumentos (guitarra acústica, percussão electrónica, banjo, harpa, harmónica, harmonias vocais e saxofone) cria vários níveis de camadas que são uma delícia de explorar, especialmente com a atenção que só os headphones permitem. Os próprios títulos das músicas, "Revival", "Memory Boy", servem para passar esta mensagem, mas diria que em termos sonoros é em "Desire Lines" que mais se tem esta sensação de andarmos perdidos em sonhos e vivências longíquas. E com a breca, sabe bem!
 Não é um álbum que entra à primeira, mas muitas vezes estes são os que ficam mais tempo nos nossos ouvidos e na nossa cabeça.

30 novembro 2010

Álbum Fresquinho: Les Savy Fav - "Root For Ruin"

Os Les Savy Fav são mais uma banda que andou escondida de meio mundo durante uns bons anos, uma vez que a banda formou-se no já longíquo ano de 1995. Tendo como inspiração inicial bandas como os Fugazi e Pixies, mais viradas para o garage rock, foram-se tornando cada vez mais macios, mais radio friendly. Isto, ao nível de discos, porque ao vivo são um portento de energia, assumindo o vocalista Tim Harrington o papel de cão raivoso, louco, insano, selvagem, caótico, o que lhe quiserem chamar. Já antes neste blog se falou disso mesmo neste post e neste. A grande dificuldade neste caso, é mesmo em conseguir transpôr toda esta energia gerada nos concertos para álbuns e ao mesmo tempo fazer com que as rádios os passassem. Penso que o terão conseguido no excelente Let's Stay Friends, tornando a tarefa do seguinte ainda mais difícil.
Chega-nos então Root For Ruin, passados que estão 3 anos e numa primeira impressão diria que não se safaram mal. Atacam logo de início, com as fortes "Appetites" e "Dirty Knails", deixando para depois coisas mais catchy, como exemplo o single "Let's Get Out of Here". Mas as guitarras fortes nunca nos abandonam, muitas vezes parece que estamos perante um duelo de titãs entre os dois guitarristas Seth Jabour e Andrew Reuland, sendo isto mais notório em músicas como "High and Unhinged" e "Excess Energies".
Em jeito de conclusão, temos um pouco mais do mesmo. O que como sabemos pode ser positivo ou negativo, dependendo da interpretação de cada um. Nada como ouvir e julgar por vocês mesmos.

23 novembro 2010

Álbum Fresquinho: The Brian Jonestown Massacre - "Who Killed Stg. Pepper?"

Anton Newcombe vive em Berlim. Parece determinado a produzir música. Música. Talvez daí ter reduzido o seu website a isso mesmo. Para quem anda farto dos maricas Indies (vide último Fresquinhos), faça o download no iTunes do seu último trabalho. "Who Killed Stg. Pepper?" é duma frescura do caraças.
Para aqueles com ligação lenta, seja por viverem em Moçambique ou em Londres, ouçam apenas a Feel it.

16 novembro 2010

Álbum Fresquinho: Kings of Leon - "Come Around Sundown"

Se na semana passada referi que a luz do  indie rock estava a apagar-se aos poucos, agora falo da luz de uma banda que completamente desapareceu e se tornou num monolito baço sem qualquer pinga de criatividade. Falo de uma das bandas que mais me deu prazer ouvir nos últimos anos e é com pena minha, aliás muita pena minha, que digo que daqui não esperem mais nada. O que é pena.
O que começou como uma banda de quatro miúdos, 3 irmãos e um primo, meio saloios, filhos de um pastor americano, a tocar o rock de camionista mas com muito peso e muita entrega acabou, infelizmente neste Come Around Sundown, álbum muito fraco onde apenas se aproveitam as seguintes músicas: "Radioactive", embora nada do outro mundo, tem aqui e ali algum do som crú que fazia parte da génese da banda. "Back Down South", a melhor música do disco, com uma slide guitar a soar verdadeira e despretensiosa. Simples mas boa. O resto, meus amigos, é pura e simplesmente, chato e desinteressante. Um disco a tentar ser "radio-friendly" mas sem apresentar argumentos de qualidade. Oiçam por vocês próprios. Os amantes de "Use Somebody" vão gostar, provavelmente...

19 outubro 2010

Álbum Fresquinho: Robert Plant - "Band of Joy"

Depois de ter espantado meio mundo ao recusar fazer parte de lucrativa reunião com os Led Zeppelin (após aquele brilhante espectáculo em finais de 2007 que pôs os fãs com “água na boca”) e ter tido um algum sucesso com o melódico “Raising Sand” (co-assinado com a cantora country Alison Krauss), pode-se dizer que o Sr. Robert Plant, inglês, 62 anos e CBE (Commander of the Order of the British Empire) está-se basicamente nas tintas!
Senhor do seu próprio destino, o ex-vocalista dos (imortais) Led Zeppelin prefere hoje em dia fazer discos que lhe dão realmente gozo, do que embarcar em “modas” de reuniões nostálgicas (que muito raramente cumprem as expectativas). Bem pelo contrário, Plant está definitivamente “noutro registo”. Recentemente chegou a afirmar a propósito de um concerto que assistiu dos Them Crooked Voltures (onde milita o seu “ex-colega de armas”, John Paul Jones) que já não tinha qualquer conexão com o rock pesado e que ficou com as “orelhas a sangrar”.
Gostos à parte, o Sr. Plant lá tem as suas razões (o peso da idade pode ser uma delas) para partir para outras “ruas” musicais. Nomeadamente por “avenidas” onde cheira a Country, a Americana, a Gospel, a Folk ou a Blues. Géneros que se mesclam com um “rockzinho”, leve e suave (como demonstra aqui “You Can´t Buy My Love”). Ou seja: música para se ouvir enquanto se retemperam as forças numa soneca depois do almoço.
É esse “estado de alma”, preguiçoso e sonolento que temos este novo “Band of Joy” (nome da antiga banda de Plant e John Bonham antes destes ingressarem nos Led Zeppelin). Se não conhecêssemos Plant de lado algum, nunca adivinharíamos que ele algum dia foi um temerário ”Deus do Rock”. Portanto, não se espere aqui grandes riffs de guitarra, solos dilacerantes, ritmos avassaladores, composições épicas ou vozes de trovão como em clássicos como “Black Dog”, “Whole Lotta of Love”, “Kashmir” ou inevitavelmente “Stairway to Heaven”.
“Band of Joy” está a milhões de anos do tempo em que os “velhos dinossauros do rock” governavam a moda e os tops. No entanto, o disco não deixa de ter os seus méritos. Plant consegue mostrar ainda que está em boa forma vocal em canções como “Angel Dance” ou “House of Cards”. Depois há também lugar a momentos mais sublimes como no soturno “Monkey”, na balada etérea “Silver Rider” ou no excelente blues “Satan Your Kingdom Must Come Down”. Todas elas seriam idílicas se as pudéssemos escutar no final de um dia de Verão, a meio de uma auto-estrada perdida no deserto, algures entre a Califórnia e o Nevada.
A fechar temos o título (algo profético) “Even This Shall Pass Away”. Um caminho mais experimental, um som mais rude e que se calhar é uma forma de Plant nos mostrar o que há-de vir. Mais coração, mais emoção, menos guitarradas e menos distorção. A idade já vai pesando e os ouvidos de “Sir” Robert também. Por isso, (e enquanto a reforma não chega), venha de lá essa “ternura dos sessenta”...



18 agosto 2010

The Black Crowes - Croweology (2010)

Segundo as últimas crónicas, parece que os irmãos Robinson se preparam novamente para partir em direcção a caminhos separados. Desta forma, os Black Crowes, banda que esteve inactiva entre 2002 e 2006 vai voltar a gozar de um novo hiato prolongado.
Assim, e em jeito de” despedida” o grupo deixa-nos este “Croweology”, um trabalho ao vivo e em registo unplugged onde passa em revista aos momentos principais da sua carreira. Uma maneira feliz de terminar um casamento miserável. Ou uma espécie de saída do plateau com a sensação de dever cumprido.
Mas nem sempre foi assim. Durante o final da década de 80 e até “Amorica” (1994), os Black Crowes eram uma “máquina bem oleada de puro Rock n Roll”. Com um visual “retro” copiado de uma banda acabada de sair de “Woodstock”, os Crowes eram apontados como dignos sucessores dos Rolling Stones de “Exile” ou da costela mais sulista dos Allman Brothers Band ou Lynyrd Skynyrd.
Um som que agradou imediatamente os puristas do Rock e que se demarcou dos restantes grupos da época. Foi nessa altura que editaram os seus dois melhores trabalhos, aqueles que ainda hoje fazem parte da lista dos melhores discos da década de 90: “Shake Your Money Maker” e “Southern Harmony Musical Companion”. Duas obras imaculadas que convenceram muita gente de que esta banda de Atlanta iria ser das tais a entrarem no panteão dos ”Deuses do Rock” (Zeppelin, Stones, etc).
Infelizmente, a história não quis assim. E a cada novo registo da banda, a qualidade e a força das canções ia esmorecendo. Apesar de “Amorica”, “Three Snakes and One Charm” e “By Your Side” (editados entre 1994 e 1998) não serem maus discos, não passavam da mediania.
Os Crowes ainda tentaram virar a toada em 2001 com “Lions”, mas já era tarde demais. A oportunidade já tinha passado e os anos acumulados de estrada traziam enormes tensões entre os manos Chris e Rich Robinson para o seio do grupo.
  Agora eles preparam-se para fazer o mesmo. Embora desta vez sem grande mágoa. “Croweology” traz-nos um best of acústico (formato que lhes assenta bem, mas não satisfaz a 100 %) onde encontramos grandes pérolas do Rock como “Jealous Again”; “Soung Singing” e “Remedy” (talvez a melhor música deles de sempre) e algumas baladas que não envergonham ninguém. É o caso de “Wiser Time”; “She Talks to Angels” e “Thorn in My Pride”.
Pelo meio ainda há uma versão de “She”, um original do malogrado Graham Parsons para tornar as coisas mais interessantes. Enfim, casa arrumada, a banda diz “boa noite” e retira-se com dignidade.
“Croweology” até pode nem ser o último disco de sempre dos Black Crowes, mas se fosse seria uma boa maneira de sair pela porta grande.