Mostrar mensagens com a etiqueta 10s. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 10s. Mostrar todas as mensagens

29 julho 2010

Haken – Aquarius (2010)

Custou, mas foi! Passadas quatro décadas da sua génese e depois de uma longa travessia do deserto, temos de aceitar os factos tal como ele são: o Rock Progressivo está de volta!
E com ele uma nova geração de bandas que apesar de ainda reverenciarem o som dos seus antepassados” dinossauros” (Yes, Genesis, Pink Floyd, King Crimson, etc), dão uma nova leva de “ar fresco” a um movimento que há muito se julgava moribundo ou extinto. É o caso destes londrinos Haken, uma espécie de “Genesis à moda do século XXI”, com pitadas de sangue de metal dos Dream Theater e com alguns laivos pomposos à moda dos Queen ou dos Muse (vai dar exactamente ao mesmo).

Os Haken, formaram em 2007, guiados pela dupla ambiciosa de composição Ross Jennings (voz) e Richard Henshall (guitarra e teclados). A estes juntaram-se depois os talentos de Charles Griffiths (guitarra), Thomas Mclean (baixo); Raymond Hearne (bateria) e Diego Tejeida (teclas). Um sexteto poderoso e que musicalmente gosta de misturar diversos estilos. Com “Aquarius”, o seu lp de estreia, o grupo dá um passo gigantesco rumo a uma carreira a sério.

Claro que não se espera que uma banda destas (cuja maioria dos temas roça a marca dos 10 minutos) venda milhões ou passe na rádio. Mas pelo menos podem ameaçar serem uma banda de “culto”. A música falará por si. Atrevam-se a espreitar o épico “Celestial Elixir”

Quanto a “Aquarius” temos aqui um álbum conceptual que narra a história de uma sereia ameaçada pelo aquecimento global e a progressiva destruição do planeta terra. Segundo o vocalista Ross Jennings “Aquarius” representa no fundo “uma metáfora para as espécies em vias de extinção”.

Preocupações ecológicas à parte, para quem é fã do género progressivo este pode ser bem um dos 20 melhores discos do género da última década. A execução dos músicos é brilhante, a construção dos ambientes e paisagens sonoras é excelente e a apresentação de temas como “Eternal Rain”; “Point of No Return” ou “Drowning in the Pool” fazem-nos pensar que ainda há grandes talentos por aí. Se tiverem os ouvidos apurados e as “antenas bem abertas” escutar este disco pode ser uma experiência bem interessante. Sem mácula.

27 julho 2010

Sun Kil Moon – Admiral Fell Promises (2010)

O Outono ainda vai longe. Mas as melodias mágicas e sonhadoras de Mark Kozelek remetem-nos para uma sensação de frescura, a pensar em dias menos escaldantes. O tonificante certo para se ouvir em noite de céu estrelado (escute-se “Church of the Pines”), apenas com a companhia do vento e da guitarra…


“Admiral Fell Promises” é essencialmente um disco calmo. Em paz consigo próprio. Uma obra quase cinematográfica (pelas sensações que transmite) e que contêm excelentes canções que certamente não envergonhariam um David Sylvian mais visionário; um Neil Young em fase de descoberta criativa de “After the Goldrush” ou até mesmo os ambientes mais soturnos de Tom Waits (se este trocasse o piano pelas cordas de aço).

Editado pela sua “Caldo Verde Records” , Kozelek (mentor dos já extintos Red House Painters) dispensou os habituais músicos que o acompanhavam neste projecto (que foi roubar a sua designação pugilista sul coreano) para se entregar por completo à sua solidão. Uma aventura introspectiva que tem como ponto mais alto a canção “Half Moon Bay”. Se fosse esta canção fosse uma mulher, certamente que seria a mais bela das musas! Inescapável, assim como “Third and Seneca” ou “You Are My Sun”. Canções fáceis de respirar e que quase nos dão uma “alma lavada”.

“The Ocean Beneath me is Loneliness...” canta ele nessa pérola que dá pelo nome de “Australian Winter. As palavras ecoam como se tratassem de pinceladas para retocar um quadro pintado pela guitarra em tons de azul e cinzento.

Com este “Admiral Fell Promises”, Kozelek regressa ao seu patamar mais criativo e gera um dos melhores trabalhos que a Folk poderia contemplar para 2010. Brilhante, soturno, contemplativo. Este é o som para nos abrigarmos do calor do verão, a pensar no outono.

25 julho 2010

Arcade Fire - The Suburbs (2010)

Acabou a espera! Agora estou preparado a (re)começar. Eu e estes senhores. Mais de três anos de espera desde o último trabalho de originais é uma espera e tanto, mesmo para os parâmetros de hoje. No entanto, quantidade não é nem nunca foi sinónimo de qualidade, pelo menos para a maioria das bandas e, por vezes, saber esperar pelo acorde certo, pelo tom mais agudo, pela correcta utilização de instrumentos ou apenas pela altura certa, é, com certeza uma virtude e não está ao alcance de qualquer um. A sofreguidão de lançar disco após disco, apenas para se manter na onda e conseguir ganhar mais uns cobres à conta disso, não se lembrando que podem estar a pôr o futuro a médio prazo da banda em risco, ainda é o que move muitas bandas. Algumas aguentam-se, ou melhor, sobrevivem, outras, pura e simplesmente, morrem. R.I.P. Não faziam muita falta também.

Agora o que realmente interessa: Arcade Fire de volta para mais um disco conceptual. Depois dos dramas fúnebres de Funeral, passando pelos pesadelos e visões terríficas de um presente e futuro negro, chega-nos agora as vivências e consequências da vida nos subúrbios, conotativos ou figurativos. O som, esse, não engana. Estamos perante mais um clássico da banda canadiana. Tudo o que ouvimos em discos anteriores, a emoção, o clímax, a catarse, está tudo aqui outra vez. Começando com a música que dá nome ao álbum, "The Suburbs", notamos aqui uma ligeira mudança rítmica no que costumam ser as músicas dos Arcade Fire. A lembrar músicas mais alegres, mais de verão como a altura da edição deste disco. Pura Ironia. Os subúrbios, 50's Style, são uma perversão, uma capa que dissimula muito do que está errado neste mundo, porém quem lá viveu uma vida toda nunca se vai aperceber de nada. Também sempre presentes, estão as angústias do ser e existir em "Modern Man".

A esquizofrenia volta a aparecer em "Empty Room", uma das músicas que vai estar em repeat em muitas rádios, juntamente com a roqueira "Month of May". Ao todo são dezasseis músicas, 60 minutos de música quase ininterrupta que nos leva mais uma vez a esse mundo tão especial e mágico e ao mesmo tempo tão negro e depressivo que vem da cabeça deste grupo canadiano, encabeçado por um dos génios da era moderna da música, Win Butler. Para os Arcade Fire não há musicas para encher chouriço, não há tempos mortos. Há apenas e só, o compromisso com a Música como uma entidade que merece muito respeito e eles têm-no. Estão de parabéns uma vez mais. Alguém esperaria outra coisa?


12 julho 2010

Sting – Symphonicities (2010)

Depois da aventura que foi a lucrativa tournée dos Police, mas com resultados musicais muito abaixo das expectativas, Sting voltou-se para o caminho da música clássica com contornos Pop. Primeiro foi com o excelente disco de alaúde “Songs from the Labyryth”, depois com o Natalício “If on a Winter´s Night”, que injustamente passou ao lado da maioria do público e agora com este “Symphonicities”. Uma obra em jeito de “best-of”, com uma orquestra de fundo (a Royal Philharmonic Concert Orchestra) a qual ajuda o autor de “Message in a Bottle” a transformar alguns dos seus temas “de sempre” em peças de cariz mais clássico.
No fundo “Symphincities” (título que é uma espécie de antónimo da “Synchonicity” dos Police) faz aquilo que o ao vivo e maioritariamente unplugged “All This Time” fez há dez anos: trocar as voltas às músicas e vesti-las com novas roupagens. Só que desta vez as roupas que Sting trouxe para enfeitar os velhos êxitos como “Roxanne” ou “Englishman in New York” são muito mais refinadas e subtilmente sofisticadas.

Conduzida na maioria dos temas por Rob Mathes, a Royal Phillarmonic dá aqui um ar da sua graça na gestão do cruzamento das sensibilidades clássicas com as melodias mais Rock. O prémio de melhor arranjo vai mesmo o Punk travestido de opereta em: “Next to You”.

Mas aqui nem tudo são virtuosidades. “Every Little Thing She Does is Magic” perde um bocado do seu carácter e acaba por soar a banda-sonora de segunda linha de um filme da Disney. E “When We Dance” soa demasiado colado à versão original o que torna a sua audição completamente dispensável.

Podia ser um disco melhor, se Sting tivesse experimentado dar outro tipo vida a temas como “I Burn for You” ou a ”She´s too Good for Me”. Talvez devesse ter puxado mais pela sua veia de crooner (como no bem conseguido “You Will Be Ain True Love”), ou então partir para caminhos menos óbvios como demonstra o aborrecido easy-listening de “The End of the Game”.

Quem o ouve no início do disco, parecia que Sting estava com vontade de arriscar tal como Peter Gabriel o fez no similar e recente “Scratch My back”. Mas não adianta comparar “o trigo com o joio”. Com Sting já se sabe que é tudo muito certinho, sem azo a grandes riscos ou saltos musicais. Ainda por cima com a reforma quase à porta, nem vale a pena arriscar...

28 junho 2010

The National - High Violet (2010)

Provavelmente o álbum mais esperado do ano, High Violet chegou na altura certa - mesmo antes de ir de férias. Foi então um dos álbuns que me acompanhou nas longas horas de avião, nos passeios de carro, nas esperas no aeroporto, o que permitiu uma maior atenção do que no carro a ir e vir do trabalho, para além de tempo para uma 2ª, 3ª e 4ª audições, que no caso dos The National são vitais. O mesmo já se tinha passado comigo com os anteriores Boxer e Alligator (ouvidos por este ordem e não a cronológica), que foram entrando aos poucos, ganhando o seu cantinho, e quando dei por ela já o "I won't fuck us over, I'm Mr. November" e o "You get mistaken for strangers by your own friends" (só para dar assim exemplos mais flagrantes) não me saíam da cabeça, como tantas outras frases proferidas por Matt Berninger. É muito complicado falar sobre a música dos The National, porque é uma música que se tem mesmo de sentir, não basta deixá-la tocar ao fundo, ou nos deixamos envolver ou nem vale a pena tentar. O Bonifácio diz que este rock é que é o perigoso, e concordo com isso na medida em que ao ouvir as letras vemo-nos num espelho, vemos as nossas angústias, receios e ficamos carregados de uma tensão que parece nunca alivia. Não há aqui um "Abel" ou um "Mr. November" para deitarmos tudo cá para fora, este High Violet deixa-nos a remoer, a pensar na vida. E tudo isto não só com as palavras, mas também com o ritmo das músicas, os magníficos arranjos de guitarras e percussão. Importa referir que para isto contaram também com a participação de Sufjan Stevens e Justin Vernon, que ajuda a alimentar a grandiosidade do álbum. Um álbum que importa ouvir e que acaba com um "I'll explain everything to the geeks." Será preciso dizer mais?

16 junho 2010

Broken Social Scene - Forgiveness Rock Record (2010)

Ainda fresquinho, com apenas um mês de vida, venho aqui hoje deixar umas impressões sobre um dos discos que me acompanhou nas recentes férias - Forgiveness Rock Record. O quarto álbum do colectivo (penso que é este o nome mais adequado, uma vez que o número de pessoas que contribuem quer no álbum, quer nos concertos ao vivo passa as duas dezenas e, como tal, banda não seria um nome justo) canadiano chega-nos passados 5 anos do seu último trabalho, Broken Social Scene, para mim uma das melhores coisinhas que me entraram iPod adentro neste novo século, e como tal a fasquia estava elevada. E digo-vos - esta história das fasquias elevadas é uma merda. É inevitável criarmos expectactivas, mas deveríamos ter a capacidade de esquecê-las e conseguir analisar um álbum per se, sem ´"mas o álbum anterior é melhor", sem "aquela música é muito parecida uma do álbum anterior", sem " não variaram nada em relação ao que fizeram antes"... Por isso, a minha avaliação sobre este álbum, e tentando evitar estes condicionalismos descritos acima, fica-se por um álbum com música que me dá muito prazer de ouvir. Se isto for suficiente para vos entusiasmar, carreguem no play no dispositivo abaixo e experimentem, caso contrário sigam a vossa vida como se nada fosse. E chega que hoje tenho mais que fazer. Pim.     

10 junho 2010

The Drums - The Drums (2010)

Ora aí está um dos álbuns mais aguardados deste ano. Bem, talvez não tanto, mas é, claramente, uma banda que já criou algumas expectativas com o seu EP, Summertime, de 2009. O single "Let's Go Surfing" aliado a "Saddest Summer", pôs muita gente a dançar e a deliciar-se com o som Surf Indie que já não se ouvia há dezenas de anos... Daí a expectativa ser minimamente elevada. Ora bem, The Drums, disco homónimo da banda, não desilude mas também não nos apaixona. Começa bem com "Best Friend" e continua o momento solarengo com "Me and the Moon". É, claramente, um disco para se ouvir nesta época estival. Promete ser um dos pontos altos no festival Alive mas não é um daqueles discos que ficam para a História. De referir que a banda apenas repetiu duas músicas do EP anterior, a óbvia "Let's Go Surfing" e a "la" Phil Spector, "Down by the Water". Em suma, oiçam-no bem, várias vezes até se fartarem. Vai valer a pena. Quando se cansarem, deixem estar. É apenas mais um bom disco...

09 junho 2010

Orelha Negra - Orelha Negra (2010)


Os Orelha Negra é um projecto português que une Sam The Kid, Francisco Rebelo, João Gomes (ambos dos Cool Hipnoise), Fred Ferreira (Buraka Som sistema) e DJ Cruzfader.
Este primeiro álbum faz lembrar o brilhante instrumental “Beats Vol 1 - Amor”, produzido por Sam The Kid em 2002. Contando, no entanto, com uma maior influência da chamada música negra, com a predominância do Jazz, Funk e Soul.
A primeira faixa do álbum faz a seguinte introdução, "Um, dois... As canções que vamos apresentar têm uma ordem numérica que não obedeceu a nenhum critério especial, mas apenas a um sorteio. Teremos portanto canções de um a doze, além dos títulos respectivos, com o intuito também de estimular os nossos compositores e, simultaneamente, o aparecimento de novas melodias ... Pegar em canções e transformá-las ... é a gente encontrar uma, digamos, uma unidade de expressão de sentimentos para conseguir encontrar-nos aí."
Seguem-se várias faixas, onde se destacam as batidas de “Lord”. “Tanto Tempo”, com a voz de Pac Man dos Da Weasel/Dias de Raiva. A minha faixa preferida é “A Cura”, cujo vídeo está muito bom.
Não estamos perante o típico álbum passageiro. Veio para ficar e marcar o panorama musical nacional.
Como diriam os Cool Hipnoise, “O Funk É Mesmo Bom!”.



Stone Temple Pilots – Stone Temple Pilots (2010)

Com a década de 10 a privilegiar cada vez mais o revivalismo dos anos 90, surge mais um nome na lista dos “regressos”. Desta vez são os Californianos (de San Diego) Stone Temple Pilots que decidem por fim a um hiato de quase uma década após o vocalista Scott Weiland ter passado uma parte desse tempo em curas de desintoxicação e a cantar ao lado de ex-membros dos Guns n´ Roses nos Velvet Revolver.
Nunca sendo uma banda de “primeira água” do movimento Grunge, os Pilots podem-se orgulhar de ser uma poucas bandas fora de Seattle que conseguiram se encaixar que nem uma luva (os outros são os clones dos Nirvana, os Australianos Silverhead) nesse movimento sónico que governou por breves anos (1991 – 1994) os media e as audiências Rock da MTV! Com uma série de canções meio Pearl Jam, meio David Bowie ou Zeppelin, a banda dos manos DeLeo nunca conseguiu convencer pela originalidade. Mas é inegável que quem viveu esses anos certamente que não escapou ao rock açucarado de “Interstate Love Song” ou “Plush”.
O tempo passa, mas os Pilots não. Temos em 2010, o sexto de originais é na mesma linha de continuidade dos registos anteriores. O mesmo Rock açucarado, pop e melodioso continua por cá (“Take a Load Off” ou “First Kiss on Mars”) apenas com uma diferença subtil: Weiland trouxe consigo algum do Hard-Rock que experienciou durante a sua estada nos Velvet Revolver. Temos portanto aqui uma série de canções roqueiras que misturam “a sensibilidade pop com algum bom senso Rock”, como atesta o single que abre o disco: “Between the Lines”.
Se a postura heavy segue com “Huckleberry Crumble” (com partilha algumas afinidades com “Same Old Song and Dance” dos Aerosmith) e “Hazy Daze” (o melhor tema Rock do disco), já “Hickory Dicothomy” e “Dare if You Dare” vêem a banda revisitar o seu som mais familiar com algumas incursões pelo universo melódico dos Beatles. Uma influência descarada também em “Bagman” que nos coros faz lembrar por instantes o chavão “Taxman” de George Harrison!
Tirando o dispensável “Cinammon” cantado pelo guitarrista Dan DeLeo, o disco acaba por se safar à justa, mas não passa da mediania ou do estado “morno”. Não é uma obra que vá deixar grandes saudades (a não ser que se seja grande fã incondicional) ou vá acrescentar algo de grandioso ao legado da banda. O que o público sedento de nostalgia dos 90 vai querer ouvir será sempre o material de “Core” ou de “Purple”. Por isso…tudo na mesma a Sul de Seattle…

02 junho 2010

Titus Andronicus - The Monitor (2010)

Lançado no passado mês de Março, The Monitor é já o segundo álbum dos americanos (newjerseyianos, se quisermos ser mais precisos) Titus Andronicus, sendo que o álbum de estreia, The Airing of Grievances, de 2008, já tinha captado a atenção de alguns críticos. Este The Monitor pode ser visto como sendo um álbum conceptual, na medida em que invoca como tema de fundo a Guerra Civil Americana, indo até ao ponto de serem lidas passagens de discursos de Lincoln, ter sido dado o nome de uma importante batalha desta Guerra à música que fecha o disco ("The Battle of Hampton Roads") e a imagem da capa ser da mesma altura desse importante marco da História dos Estados Unidos da América.
A mim, este disco conquistou-me à primeira audição. A abrir temos logo "A More Perfect Union" tema que, sendo mesmo muito sincero, me deixou de tal forma extasiado como há muito não me sentia (diria que talvez desde "Wolf Like Me", já lá vão 5 aninhos...). Uma intensa música de rock, com as suas paragens e avanços, riffs imponentes, 7 minutos de puro deleite e que dá a sensação de ser uma música que não acaba, dado que o álbum é contínuo, não conseguimos descortinar onde acaba e começa uma música, as passagens são muto subtis e baseadas em vários casos nos tais discursos referidos acima (entre os quais se distingue a famosa frase "I am now the most miserable man alive."). Destaco também no álbum a enérgica "Titus Andronicus Forever" e o grand finale - os 14 minutos de "The Battle of Hampton Roads", mas diria que é um álbum bastante compacto e que nos mantém de ouvido atento durante toda a sua duração. Sabem qual a única forma de perceberem do que estou a falar?

25 maio 2010

Hole - Nobody's Daughter (2010)

A seguir a Yoko Ono, o posto de “ maior triste viuvinha” do Rock n Roll vai inteirinho para Courtney Love. Uma das figuras mais controversas do “showbiz”, ninguém pode negar que ela sabe melhor do que ninguém como sobreviver neste “mundo cão”. Já esteve para morrer de overdose várias vezes, já enfrentou a bancarrota; viu membros da sua banda “irem desta para melhor”, perdeu a custódia da sua filha e viu-se abraços em vários processos litigiosos pelo catálogo dos Nirvana. Enfim, Love já viveu quase todas as vidas que tinha para viver, mas ainda lhe sobra uma de reserva. E cá está ela a dar-nos música novamente com a sua banda de sempre. Um regresso que põe fim a 8 anos de “travessia do deserto”.
Felizmente ainda há quem ainda gosta da “Rainha do Rock” e os amigos Billy Corgan (que assina um par de temas) e Linda Perry (a ex-4 Non Blondes que agora se dedica à produção) deram uma ajuda fundamental à construção deste “Nobody´s Daughter”. Uma espécie de regresso à forma (falsa): “Clean and Sober…”
Apesar de já existirem há quase 20 anos, este é apenas o quarto de longa duração das Hole. Digo “das” meramente por simpatia. Porque neste momento o colectivo é maioritariamente masculino (o guitarrista Micko Larkin; o baixista Shawn Dailey e o baterista Stu Fisher completam a formação) e nada tem a haver com a última formação que gravou o último disco (já lá vão 12 anos): “Celebrity Skin”.
Temos assim um disco, feito para Love brilhar e dar e abusar dos seus delírios femininos que se confundem sempre com as suas vivências pessoais. Oiça-se o tema homónimo, que abre o disco e escuta-se que ela está perfeitamente em casa. Grandes harmonias vocais, guitarras muito indie; bateria desfraldada e a eterna voz ” junkie” e ressacada de Courtney (que mais parece) acabada de sair de uma interminável boa noite de copos, drogas e sexo. È o que transparece em “Skinny Little Bitch”.
No entanto os anos passam, e a “Sra. Corbain” já não tem a mesma pedalada e por vezes lá vem uma baladazinha para acalmar um pouco hostes. A acústica “Honey” parece uma daquelas músicas talhadas para as estações “Rock FM” e que poderia ter sido composta a meias com o arqui-inimigo Dave Grohl! Bem mais eficaz são “Pacific Coast Highway” e “Samantha”, esta última poderá ser o single mais que certo para a MTV. No refrão nota-se bem a influência Pumpkininana de Corgan.
O “gás” definitivamente a meio do disco com mais baladas meio comerciais. “"Someone Else's Bed" poderia ser uma boa canção se Courtney não abusasse sempre dos mesmos truques meio Lou Reed, meio Trent Reznor. “For Onde in Your Life” é mais uma baladinha para americano consumir. “Letter to God” soa a lamechas. Felizmente existe a Punk Rocker “Loser Dust” que faz lembrar as Hole dos primeiros tempos. È disto que devia haver mais no disco. Infelizmente não é assim, e a toada morna regressa com os temas que fecham o disco “How Dirty Girls Get Clean” e “Never Go Hungry”. Soa demasiado a “Tom Petty de saias”!
Bem, o disco não é uma desgraça, mas acaba por desiludir depois de um inicio prometedor. Muitas baladas e alguma falta de pachorra para investir em temas mais Rock n Roll matam um pouco o espírito da banda (sé é que tal existe). Esperamos pelas rocalhadas e por mais “gás” na próxima. No entanto e atendendo às atenuantes, já não é mau ter Mrs. Cobain de volta…

20 maio 2010

Gogol Bordello - Trans-Continental Hustle (2010)

Os Gogol Bordello estão de regresso com o seu novo álbum Trans-continental Hustle. Após o seu excelente sucesso do álbum Super Taranta (2007), tiveram nos últimos anos a conquistar fãs, nos melhores festivais de música à volta do globo. Marcando internacionalmente o seu conceito de música, o Gipsy Punk Rock.
Este trabalho contou com a produção de Rick Rubin, ex Dj dos Beastie Boys. Este produtor americano trabalhou com bandas como, Red Hot Chilli Peppers, Johnny Cash, The Cult, Metallica, AC/DC, U2, Jay Z, Run DMC, entre outras. O que veio dar origem a um álbum mais polido que os anteriores.
Para quem não conhece os Gogol Bordello, são um grupo composto por 9 elementos, formado por Eugene Hutz no bairro de Lower East Side de Manhattan, em 1999. São uma banda multi cultural e eclética, pois é composta por pessoas de todos os cantos do mundo, Ucrânia, Rússia, Etiópia, Equador, Israel, etc.
Este álbum tem uma menor influência punk rock, tem um som mais global, misturando vários tipos de música e linguagens. Influência brasileira, do leste europeu e latina. Estando mais presente uma universalidade popular, em relação ao típico gipsy punk rock, apresentado nos quatro álbuns anteriores.
Recomendo as seguintes faixas:
Pala Tute
Mi Compañera
Rebellious Love
Immingraniada
Uma Menina
Break the Spell
É um álbum divertido, puro e simples.
A não perder será o concerto que terá lugar no dia 10 de Julho no Optimus Alive 2010. Trata-se de um regresso, depois de terem estado em 2008 no mesmo festival. Veremos se a onda dos Balcãs virá para ficar em Portugal, como tem estado e marcado as noites por essa Europa fora.

28 abril 2010

Surfer Blood - Astro Coat (2010)

Asia – Omega (2010)

A idade vai apertando. O tempo dos grandes sucessos vai longe. O último disco de estúdio (“Phoenix” de 2008) foi uma desgraça. E ao vivo as vendas de bilhetes também não são famosas. Perante um “cenário tão negro” como este, qualquer boa alma já teria desistido…não sem antes fazer uma pergunta: “mas o que é que vocês ainda andam aqui a fazer?”.
Pelos vistos a vontade de tocar e de fazer música em conjunto é demasiado enorme para desistir. E assim, para estes quatro veteranos que constituem o grupo mais “Pop” do Rock Progressivo, “a saga continua”…
“Omega” é sem dúvida uma boa surpresa, não só porque vem de quem vem, como talvez seja o melhor disco em que John Wetton, Steve Howe, Carl Palmer e Geoff Downes participam em mais de 20 anos.
Aqui recupera-se a aptência para a escrita de boas e curtas canções que apesar de terem uma base algo comercial, vão beber muitas influências às bandas das quais eles emanam (Yes, King Crimsom e Emerson, Lake & Palmer). Desta forma, os Asia renascem das cinzas capazes de agradar não só aos fãs do Rock dos anos 80, como piscam o olho a todos os velhos apreciadores dos anos 70.
Destaque principal, para o vocalista/baixista John Wetton que neste disco parece que os anos não passaram por ele. A julgar pelas fotografias de promoção, uma simples dieta alimentar e o corte total da ração de alcóol devem ter feito maravilhas ao ex-King Crimson que soa uns anos mais novo.
Destaco aqui duas ou três grandes canções do calibre dos Asia dos primórdios. Primeiro “Finger on the Trigger”, uma das grandes canções de “Rock FM” do ano e que tenho a certeza que seria um sucesso caso eles mandassem uns putos fazer o teledisco por eles. Fica a sugestão. Entretanto cabe-me acrescentar que os solos de Steve Howe (numa postura muito mais “Rock” que nos Yes) e Gofff Downes são soberbos.
Seguem-se os épicos “Holy War” e End of the World” que apesar de soarem muito a “anos 80”, têem lá qualquer coisa de muito melódico capaz de prender a nossa atenção. Goste-se (ou não), é impossível dizer que os arranjos de “Through My Veins” ou da balada “There Was a Time” não estão bem escalonados ou executados. O único momento talvez mais fraco seja a faixa “Emily” que com aqueles sintetizadores celestiais soa um pouco a “azeitice”. De resto tudo em ordem.
Com “Omega” os Asia acertam na ordem e conseguem fazer um disco que embora não seja o seu melhor de sempre, ou até mesmo dos melhores de este ano, é pelo menos um retrato honesto e simples das boas capacidades de quatro músicos que aos 60 e tal anos ainda sabem tocar como ninguém. E se o fazem por “puro gozo”, sem preocupações de criticas ou vendas…ainda melhor!

24 abril 2010

Airbourne – No Guts, No Glory (2010)

Imaginem uns AC/DC uns trinta anos mais novos, com a velocidade vertiginosa de uns Motorhead e a vontade de ganhar a vida à moda de uns Motley Crue. Apresento-vos a nova coqueluche do rock “made in terra dos cangurus”: os Airbourne!
Surgidos há meia dúzia de anos no remoto estado de Victoria, numa terriola chamada Warrnambool (tudo muito no espirito “Crocodile Dundee”), não é dificil imaginarmos quatro putos alimentados a uma dieta de Hard Rock e Heavy Metal com ganas de sairem da Australia e tocarem por esse mundo fora espalhando o “gospel” criado pelos manos Young e o seu comparsa de aventuras, o malogrado Bon Scott.
Aliás se há banda que os Airbourne fazem lembrar é os AC/DC da fase de “Let There Be Rock” e “If You Want Blood”. Vê-se que estudaram bem a “cartilha toda” dos seus predecessores. São canções simples sobre temas ainda mais simples como “cars n´ girls” (“Blonde, Bad, Beatiful”), riffs monstruosos de guitarra (“No Way But the Hard Way”). Ou seja: rocalhadas à moda antiga direccionadas para queimarem os fusíveis do nosso cérebro enquanto levamos um bom soco no estômago de tão eficazes que são. Ou seja nada aqui é para pensar mais do que dois segundos. È puramente música para abanar o capacete, o que não tem mal nenhum. Todos nós devemos ter uma experiência de “estupidificação sonora” de tempo em tempos. Mas já que é para ter mais vale que seja com temas abrasivos como “Raise the Flag” (que grande malha de Rock n Roll); “Steel Town” (essa grande canção do cancionário dos AC/DC e que os manos Young nunca escreveram) ou “Born to Kill” (que faz lembrar quando os Motley Crue eram considerados “o futuro do Rock n Roll”).
Sem grandes contemplações, “No Guts. No Glory” é o resultado muito simples e directo de uma banda humilde (mas com “eles” no sitio) mas que podem aspirar a ter grandes ambições (la diz o ditado: “It´s a Long way to the top…if you want to rock n roll”). Pode não ser a coisa mais original á face da Terra, ou até mesmo sequer de Warrnambool, mas lá que sabe bem ouvir um rockzinho estupidificante (e viciante) destes…ah lá isso sabe!

21 abril 2010

Jeff Beck – Emotion & Commotion (2010)

A par de Eric Clapton, Jimmy Page e Pete Townshend, Jeff Beck constitui uma das referências lendárias da guitarra “made in Britain” da sua geração (de 60). Com uma carreira que compreende quase 50 anos de actividade e onde se contam alguns grandes episódios do rock: primeiro com o Jeff Beck Group (entre 1968 e 1970 e que contava com os serviços de Rod Stewart e Ron Wood) , depois com o super-grupo Beck, Bogert & Appice (1972-1973) e mais tarde rumo a solo com algumas experiências bem sucedidas na área do jazz-rock (“Blow by Blow” e “Wired” de 1975 e 76 são essenciais à audição de qualquer aspirante a solista das cordas de aço).
Agora, com quase 66 anos de idade, e depois de uma montanha russa de registos pouco aprecidados ou até mesmo mediocres (nomeadamente na década de 80 e 90), Beck está de volta e atrevo-me a dizer com uma atitude jovem e revigorada. “Emotion & Commotion” é talvez o seu melhor disco desde “Guitar Shop” (editado em 1989).
Com a produção do mago de estúdio Trevor Horn, Beck guia-nos por “avenidas sónicas” que tanto vão beber à fonte do ” jazz-rock” (no qual ele é definitivamente um mestre) como entra de rompante pelos Blues , género que Jeff apadrinhou nos anos 60 quando tocou nos saudosos Yardbirds. Mas também há aqui espaço para umas” rocalhadas dos bons velhos tempos” (“There´s no Other Me” e “Hammerhead”) que confirmam o porquê de muitos lhe chamarem: o “guitarrista dos guitarristas”.
No geral temos aqui um disco maioritariamente instrumental, onde reina uma certa harmonia semi- “new age” saída dos solos da Fender Stratocaster Jeff Beck. Os melhores temas são sem dúvida as versões instrumentais dos standards: “Nessum Dorma” e “Over the Rainbow”.
Mas o disco não vive só das proezas do veterano guitarrista.A estrela de Joss Stone brilha mais alto no bluesy de “I Put a Spell on You” e Imelda May assina com “voz de ouro” o soturno ou melancólico “Lilac Wine”.
Um disco que se ouve muito bem do inicio ao fim, sem grandes preconceitos e que prima pelos arranjos cuidados da produção (até a orquestra soa bem). O que vem não só ajudar a revitalizar a carreira até então “meio-adormecidada” de Beck, como lhe permite lançá-lo de novo na corrida pelo titulo de melhor guitarrista Rock do mundo. A concorrência que se cuide…

11 abril 2010

MGMT - Congratulations (2010)

E a geração de Brooklyn volta a mostrar que o fenómeno que apareceu naquela zona de Nova Iorque não foi apenas um hype passageiro. Após a década de 2010 ter sido estreada com o último disco dos Vampire Weekend, Contra e também o recentemente lançado Odd Blood dos Yeasayer, os MGMT não quiseram ficar para trás e surgem dois anos após o êxito de Oracular Spectacular com Congratulations. Se o primeiro disco do duo Wyndgarden-Goldwasser primou pela sonoridade festiva e inocente expressa em músicas como "Time to Pretend", "Kids" ou "Electric Feel", este segundo trabalho é como um acordar para a realidade e exigências do mundo adulto e todas as suas dificuldades e dores. Congratulations é, essencialmente, um disco muito mais introspectivo mas não fugindo à essência psicadélica dos MGMT, porém agora engane-se quem quer dançar até cair ao ouvir as suas músicas. Este disco é para quem tem um gostinho especial por certas bandas psicadélicas britânicas dos anos 60, em especial os Zombies ou os Nirvana [UK]. A influência de Odessey and Oracle e de Simon Simopath é gritante. O disco abre com uma das melhores músicas do álbum, uma que vai ficar no ouvido durante anos. "It's Working" é o seu nome. "Song for Treacy" mantém o mesmo registo enquanto "Someone's Missing" confere alguma melancolia ao disco. O single que serve de apresentação ao álbum demonstra claramente o caminho que a banda começa a aparentar seguir. Um som psicadélico, meio explosivo e com alguma alienação. Quem não gostar (muitos odiaram) que se vire para outro lado. As experiências continuam no "opus" de 12 minutos de "Siberian Breaks" com constantes mudanças de tempo e ritmos. "Brian Eno", como o nome indica é uma música-homenagem a um dos grandes músicos e produtores de todos os tempos. A música não o irá desapontar, decerto.
Os MGMT estão de volta, e ainda bem, pois estão melhores. A festa foi boa enquanto durou com Oracular Spectacular mas agora é tempo de seguir em frente e Congratulations é, claramente, superior.

31 março 2010

Relacionado #50

Banda de nome curioso, estes Gringo Star são mais que um grupo de miúdos com um nome curioso. O seu som cumpre os requisitos mínimos. Aqui fica "All Y'All".


Music Video: Gringo Star- "All Yall" from Bryan Bankovich on Vimeo.

29 março 2010

Gorillaz - Plastic Beach (2010)


Damon Albarn (Blur) está de regresso com o seu projecto animado Gorillaz. Numa onda com uma maior influência electrónica, hip hop e funk, menos Pop que os dois álbuns anteriores. Conta com a participação de monstros da música da velha guarda, tais como, Snoop Doggy Dogg, Bobby Womack, Mick Jones e Paul Simonon dos Clash, Mark E Smith e os De La Soul (Provavelmente a melhor grupo de Hip Hop Americano).
Apesar das diferenças o presente álbum não é inovador. Copiou a fórmula de sucesso dos dois anteriores, ficando no entanto a faltar temas excepcionais como Clint Eastwood, 19-2000, Feel Good ou Dare. Para compensar a falta de um ou dois temas que marcam um álbum, temos vários temas bons. Bem apoiados pelas bandas convidadas que já citei anteriormente.
Destacam-se as seguintes faixas:
Welcome to the World of the Pastic Beach, introduz o album com uma boa batida, um som funk e o tom Chilly de Snoop Dogg.
White Flag, conta com uma estranha mistura entre a Orquestra Nacional Sinfónica do Líbano e os rappers Kano e Bashy. Dando origem a uma interessante fusão entre Beirut e Londres. Entre o Ocidente e o Oriente. Bastante original.
Stylo é o primeiro single do álbum, conta com a participação de Bobby Womack e Mos Def. Contanto com o equilíbrio da voz de Damon Albarn.
Some Kind of Nature, é a minha preferida do álbum. Onde Lou Reed dá uma excelente contribuição. Fazendo uma excelente combinação com Damon Albarn e com as batidas electrónicas. Muito bom.