Mostrar mensagens com a etiqueta 10s. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 10s. Mostrar todas as mensagens

22 agosto 2012

Álbum no Ouvido: The Maccabees - Wall of Arms (2009)

Confesso-vos que ultimamente cada vez oiço menos música nova e, por vezes, música at all. Não sei se se deve ao avançar da idade, se ao facto de ter arranjado um cão que no último ano me tem tirado um bom bocado da minha sanidade mental, se ao simples facto de a música no último ano ou dois estar substancialmente abaixo do que se fez no início do século XXI. No entanto, há coisas que tento nunca prescindir: Festivais. Se as bandas que mais conhecemos muitas vezes não fazem grandes concertos, nem há muitas condições para as ouvir com a melhor das atenções (parece que cada vez há mais gente com convites e com menos interesse em ouvir e deixar ouvir os concertos mas isso são contas de outro rosário), não deixa de ser verdade que é nestes eventos que descobrimos algumas bandas que de outra forma poderiam nos passar completamente ao lado. O meu último grande exemplo são os Maccabees. Confesso que esta banda me passou completamente ao lado nos últimos anos talvez por pensar que fossem apenas mais uma "bandazinha" indie que por aí pululam sem acrescentar nada de novo ao mundo musical.
Apesar de ter-me sido dado o "heads up" para esta banda no primeiro dia do festival Alive e prontamente ter descarregado o seu catálogo de discos acabei por não conseguir preparar-me para o dito concerto pelas tais variadas razões anteriormente apontadas adicionando os belos dias de praia na altura do referido festival.
No último dia do Alive, o único do evento com um dia preenchido com boas bandas em ambos os palcos, comecei com o soul man Eli "Paperboy" Reed passei para Paus, fiquei um pouco para Kooks e resolvi dar a espreitadela em Maccabees por descargo de consciência. Deparei-me com um ambiente e aura que já não encontrava num concerto de indie desde o último SBSR de 2007 com Arcade Fire. Muita intensidade e fulgor e boas vibrações. Sim, essas andam um bocado em falta nos dias de hoje e muito orgulhei de ter ido dado a tal espreitadela. Fez-me logo ouvir os álbuns da banda e meter em repeat quase ad eternum este Wall of Arms, segundo disco dos Maccabees, editado em 2009.
Ora e o que podemos encontrar neste disco? O mais simples seria dizer que metemos Maximo Park, Arcade Fire, Walkmen, Bloc Party, Futureheads e Dogs Die in Hot Cars numa liquidificadora e o resultado foi este. Intensidade, muita intensidade, seja nas mais calmas "Love You Better" ou "Wall of Arms", seja nas mais explosivas "One Hand Holding" ou "Can You Give It" ou nas restantes que vão quase todas em crescendo. E o disco é tão intenso que não se consegue deixar de ouvir várias vezes seguidas. É, sem dúvida, um dos discos que mais me agradou no indie nos últimos tempos e não é que o estilo seja original até pela quantidade de bandas que vos referi há pouco mas sim porque realmente entra no coração e é aí mesmo que a música tem que entrar. Mainstream ou Undeground. Os Maccabees já entraram. Espero pelos restantes.



11 agosto 2012

Album Fresquinho: The Vaccines - "Come of Age" (2012)

De quando em vez lá aparecem notícias e entrevistas a músicos que afirmam que o rock morreu. O ano passado o The Guardian falou sobre isso levando a um debate público não só em Inglaterra, a Capital do Rock, como noutros países incluindo Portugal. Não sei porque isso se debate, não só o Rock não vai morrer como nenhum outro estilo musical qualquer, seja Pop, Hip Hop, Indie, Clássica, etc. Posto isto, os Vaccines são a prova disso mesmo. Lançam agora o 2º álbum da carreira intitulado "Come of Age". O Rock está cá todo, seja de forma crua e intensa, no single de abertura "No Hope" ou no lado mais tranquilo, mais viajante de "All in vain". E apareceram eles quase do nada, assim num de repente, a dizer que sim ao Rock.


19 julho 2012

Álbum Fresquinho: The Hives - "Lex Hives"

E cinco anos após o Black and White Album, os Hives regressam para mais uma dose do que melhor sabem fazer, rockar sem apelo nem agravo. E é precisamente isso que eles nos têm dado desde o ano de 1997. Se nos dois primeiros discos, Barely Legal e Veni Vidi Vicious, o som dos Hives era garage punk e crú até ao tutano, a partir de Tyrannossaurus Hives, as músicas começaram a incluir outros elementos mas nunca perdendo o fulgor atacante do punk e Lex Hives é exemplo disso mesmo. Sejamos honestos. Os Hives nunca vão fazer nada diferente disto porque este som está-lhes no DNA. Estes suecos nasceram para nos dar uma boa dose de bom rock e nisso ninguém lhes poderá exigir mais. Para outros tipos e movimentos há outras bandas que o fazem com muito mais mestria. Por isso o melhor que temos a fazer é meter o disco a tocar, ouvir as 12 músicas de uma ponta a outra, aproveitar este calor, e fingir que este rock nos irá salvar um dia. Durante meia hora teremos um sorriso nos lábios. Esperamos que não demore mais cinco anos para termos um novo disco de Hives nas mãos. Até lá, "Everybody, Come On!"

lex hives by Frederico Batista on Grooveshark

03 abril 2012

Álbum no Ouvido: French Films - "Imaginary Future" (2011)

Ao contrário do que o nome possa sugerir, estes French Films não são franceses nem tão pouco fazem bandas sonoras de filmes franceses. Estes tipos são finlandeses, um país que não é lá muito conhecido por dar ao mundo grandes vultos da música (tirando talvez no mundo do Doom-Metal), o que por si só já é um extra, e têm este álbum, "Imaginary Future", que é altamente recomendável.

Historiando um pouco, os French Films juntaram-se em 2010 e lançaram um primeiro EP, de seu nome "Golden Sea", tendo recebido boas críticas. Decidiram avançar para um longa duração e em boa hora o fizeram. Claro que podem os críticos dizer que é mais uma banda indie, mais do mesmo, mas na verdade este "Imaginary Future" é um grupo de óptimas canções que fazem lembrar o melhor dos anos 80, numa rotação actual. Talvez os possamos agrupar a bandas como os The Drums, The Bravery e por aí em diante, mas isso não é mau, antes pelo contrário, é muito bom. É muito difícil ficar quieto e não dançar ao som de "Golden Sea" (que reaparece também neste LP), "Pretty in Decandence", "Convict" ou "This Dead Town".

French Films by Francisco Pereira on Grooveshark

13 março 2012

Álbum No Ouvido: The Dodos - "No Color" (2011)

Já ando para escrever umas palavras sobre este álbum há algum tempo, mas por esta, aquela, ou mesmo por aqueloutra razão não deu, não escrevi, e a verdade é que o momento parece já ter passado um bocado. Mas se juntarmos à equação o facto de andar bastante arredado das novidades que vão aparecendo nos últimos tempos, para mim este No Color, apesar de já com 1 ano em cima, até parece um fresquinho.
O principal motivo que me leva a falar deste álbum é sentir que foi injustamente ignorado por uma larga maioria de melómanos. Ao não o ver em nenhuma lista dos melhores álbuns do ano que muitos se prestam a fazer, fiquei a pensar cá comigo - será que não o ouviram ou ouviram e ignoraram? Porque para mim foi mesmo um excelente comeback por parte desta banda, que depois de um vigoroso segundo álbum Visiter foram-se abaixo com Time to Die e quiçá por isso muita gente lhes colocou uma cruz em cima logo aí. E agora deve custar a admitir o erro, suponho, pelo que olha, se ninguém falar pode ser que passe despercebido. Grande erro de quem o fez, No Color é um grande grande álbum, o duo Meric Long e Logan Kroeber esmerou-se para mostrar que o álbum anterior mais não tinha sido que um percalço e voltaram à sua energética performance de conjugação de riffs de guitarra com uma sempre forte percussão a acompanhar, dando um ritmo intenso a toda a melodia, que umas vezes é puxado pela guitarra e tem uma percussão a acompanhar e noutra é a percussão que puxa a guitarra. Não fosse o mundo injusto e depois deste álbum os Dodos teriam a mesma atenção que uns Arcade Fire. E com esta me vou.

The Dodos - No Color by A P on Grooveshark

16 fevereiro 2012

Lusophonia: Os Passos em Volta

The Kids Are Allright!
Recorro aos The Who, para anunciar que a juventude portuguesa está bem. Bastante bem, no que à música diz respeito.
A sustentar estas palavras, trago à conversa a malta da Cafetra Records. Esta é mais uma editora, criada recentemente, por gente nova - neste caso, muito nova mesmo.
A Cafetra começou a ser desenhada em 2008, e nessa altura, alguns dos envolvidos tinham 15 anos.
Nesta altura, a Cafetra já pôs cá fora o seu primeiro disco (Até Morrer d'Os Passos em Volta), e outros estão na calha, para este ano de 2012.
A Cafetra é uma editora comunitária - cada um dos elementos desempenha várias funções, entre elas, tocar numa banda.

Nesta primeira abordagem à Cafetra, começo por falar do primeiro disco - Até Morrer d'Os Passos em Volta.
São 2 raparigas e 3 rapazes, guitarras, baixo, bateria, algumas teclas. E um gosto pelo rock sujo de baixa fidelidade. Já que falo deste conceito, começo por apresentá-los, dizendo que os Passos, na sua curta existência, já fizeram a primeira parte dum concerto de R. Stevie Moore, o pai fundador do lo-fi.
Os Passos em Volta fazem música de forma completamente despreocupada - com 20 anos, não há muitas razões para preocupações. Cantam sobre as festas dos Santos Populares, sobre o filme que viram ontem à noite, ou sobre comer a minha irmã, por trás - e acompanham essas palavras maioritariamente com guitarradas desbragadas e ritmos do punk rock dos anos 90, tudo ao molho, vozes umas por cima das outras, dando a sensação de terem sido gravadas live em estúdio (não sei se foram, mas parece. E isso é bom). Mas este disco não é só "barulho juvenil". Uma das músicas diz-lo logo no título - Acustiquinha. Além deste tema, há outros momentos mais calmos e melodiosos, talvez para descansar os ouvidos, por alguns minutos, antes de voltarem a disparar a sua puerilidade rockeira.

Os Passos em Volta, que foram buscar o nome a um livro de Herberto Hélder, não estão cá para salvar a música portuguesa, nem a música independente, nem a música de baixa fidelidade (expressão portuguesa para lo-fi, usado pelos saxões). Estão cá, para se divertirem, e para nos divertirem a nós, enquanto ouvintes e espectadores dos concerto.
Estão os Passos em Volta, como estão todos os companheiros da Cafetra Records (Kimo Ameba, Pega Monstro, Go Suck a Fuck, 100 Leio, Éme).
Juventude, energia e frescura. E vontade de fazer. Nesta altura, a Cafetra ainda só editou 2 discos, físicos, mas ao longo deste ano, esta barriga lisboeta há de dar à luz mais alguns discos, e dar a conhecer mais novas bandas portuguesas.

Os últimos anos têm visto nascer inúmeras bandas nacionais, filhas, por exemplo, da Amor Fúria, Flor Caveira, Chifre. Não sabemos o que será feito destas bandas daqui a 10 anos, mas se em cada 10 que aparecem, nos lembrarmos de uma, não será mau. E pelo menos, poderemos sempre olhar para os anos 10 do século XXI e lembrar este período fértil e criativo do velho Portugal Musical.

14 fevereiro 2012

No Ouvido: Cage The Elephant - "Thank You, Happy Birthday" (2011)

Como provavelmente a maioria das pessoas, conheci os Cage The Elephant a partir dos singles "Shake Me Down" e "Aberdeen", duas músicas interessantes, que ficam no ouvido mas que, convenhamos, não serão dois portentos da nova música actual. Demorei por isso a pegar no seu último album, "Thank You, Happy Birthday", de onde se extraem estas duas canções. Mas em boa hora os Cage The Elephant reentraram no meu ipod.

Este meninos de Kentucky não andam a virar frangos há muitos anos (este "Thank You, Happy Birthday" é apenas o segundo registo da banda) mas apresentam um som bem interessante! O primeiro disco destes americanos é de 2008, tem nome homónimo e foi bastante bem recebido pela crítica, tanto nos States como na Europa, mas é já com o segundo álbum que os CTE saltam para a ribalta. A sonoridade que apresentam não é inovadora, podemos até dizer que se tratam de uns novos Arctic Monkeys, embora mais fraquinhos (nem todos podem ter o talento de Alex Turner...) mas dentro do género, do rock post-punk são mais uma excelente opção para figurarem num cartaz festivaleiro deste próximo verão.

cage the elephant - thank you by Frederico Figueiredo on Grooveshark

08 fevereiro 2012

Lusophonia: You Can't Win, Charlie Brown


Para falar dos You Can’t Win, Charlie Brown começo por falar dos Grizzly Bear. No princípio de 2010 foi anunciado que os Grizzly Bear vinham a Portugal, tocar no Coliseu de Lisboa, e nessa altura tinha pensado escrever aqui um artigo sobre esta banda. Por dificuldades de agenda, acabei por não escrever esse artigo, mas tinha pensado sobre o que ia escrever – e ia escrever que eles eram sublimes. (Para mais esclarecimentos, ouvir o disco Veckatimest). E este adjectivo traz-nos aos You Can’t Win, Charlie Brown. Estes jovens lisboetas começaram há relativamente pouco tempo, mas já tocaram em vários países – e por ocasião de uns concertos em Londres, a revista francesa Les Inrockuptibles acusou-os de serem sublimes. Esse mesmo adjectivo que eu tinha encontrado para definir os Grizzly Bear, e que pode ajudar a definir os YCWCB. O adjectivo sublime significa, por exemplo, encantador. Ou grandioso. E estas são palavras que rimam bem com a música dos YCWCB. A estrutura das músicas deste sexteto baseia-se na guitarra acústica, pianos e órgãos – as pinceladas de cor são dadas com instrumentos como o metalofone, omnichord ou glockenspiel. As vozes são repartidas – há dois vocalistas principais, mas depois há coros prolongados, e aqui e ali, outro vocalista.

Altamont Recomenda:

Para quem gosta do estilo dos Horrors, o Altamont dá-vos uma prenda melhor. Estes TOY (Não confundir com o nosso cantor popular) vão buscar mais melodia, a meu ver, do que os companheiros ingleses. Com Krautrock, Punk escola Nova-Iorquina e um pouco de Britpop psicadélica à mistura, estes meninos prometem rivalizar com os Tame Impala pelo melhor som do novo psicadelismo.

07 fevereiro 2012

Altamont Recomenda:

Michael Kiwanuka, promessa folk-soul para 2012. Descendente de refugiados ugandeses em Londres, Kiwanuka é fortemente influenciado pela soul de Otis Redding mas vai beber de magos da guitarra folk como Paul Simon ou Bill Withers. O disco "Home Again" é editado em Março e conta com esta música que dá nome ao mesmo.

http://michaelkiwanuka.com/

08 novembro 2011

Álbum Fresquinho: Capitão Fausto – “Gazela”

Surpreendente!
É uma das primeiras palavras que me sai da boca, ao ouvir os Capitão Fausto.
São 5 rapazes de Lisboa, miúdos, não terão muito mais que 24 anos. Fazem música há mais ou menos 3 anos, e já tinham lançado um EP, e agora estreiam-se com um álbum.
E estreiam-se muitíssimo bem!
Ouvi Capitão Fausto pela primeira vez ao vivo, na festa de apresentação da editora onde agora lançam este disco, no MusicBox (http://www.photoblog.com/olhovivo/2011/07/22/chifre--musicbox.html).Tocaram umas 5 músicas, e fiquei logo embasbacado. Fiquei surpreendido com, sendo eles tão jovenzinhos, mostrarem tanta maturidade, na música e na atitude em palco. Este sábado, a dose repetiu-se, também no MusicBox, mas agora na apresentação oficial do disco. E ainda mais fiquei a achar que estes putos são a melhor revelação deste ano!
A música é coerente, e vai buscar quase todas as referências que importam, de Air a Santana. Tem sempre uma tónica de boa-disposição, de celebração. Há momentos mais introspectos em que os instrumentos sobressaem, há coros e melodias que dificilmente nos saem da cabeça, há teclas vibrantes, momentos ska, solos de prog rock.. Os músicos parecem ser executantes mui competentes, têm a escola certa, e trazem acima de tudo frescura. A música é refrescante, como há algum tempo não se ouvia na música pop(ular) portuguesa. Talvez por serem novos, têm uma abordagem interessante da Música, e parece-me que têm todas as condições para seguir em frente, e seguir bem longe na história musical deste país.
Ao vivo, têm uma força e vitalidade enormes, e enchem a sala com boa energia, e dão um belo espectáculo em palco.
O concerto deste sábado está decerto entre um dos melhores deste 2011.
E o disco Gazela com que se dão a conhecer os Capitão Fausto está concerteza entre os melhores discos do ano. Ganha pelo menos o prémio “Ainda Bem Que Apareceram”!

20 outubro 2011

Álbum no Ouvido: Alex Turner - "Submarine" (2011)

Este álbum quase que poderia ser um fresquinho mas como no momento é o disco que me está mais no ouvido, é mesmo nesta secção que ele entra. Disponível desde março, este mini disco (EP) da autoria do líder dos Arctic Monkeys, Alex Turner, é uma brisa suave e delicada nos ouvidos que contrabalança na perfeição com as guitarras mais ofensivas dos discos dos Monkeys, embora Turner já começasse a criar estes ambientes mais íntimos em Humbug mas mais especificamente neste último Suck It and See. Composto por seis músicas, Submarine serve de banda sonora para o filme do mesmo nome, realizado por Richard Ayoade, o qual recomendo veemente, especialmente para quem é fã do género marcado por Wes Anderson. O filme conta a história de um adolescente de 15 anos durante um período conturbado da sua vida. Por um lado conhece o seu primeiro verdadeiro amor e, por outro, assiste ao ruir do casamento dos seus pais. Como fio condutor e ligando todas as partes do filme temos as músicas acústicas deste menino/senhor Alex Turner, que pode já ser considerado um dos melhores músicos da sua geração. Uma simbiose perfeita entre filme e música. Completamente recomendável.

PS: O garoto da capa não é o próprio Alex Turner. É o actor do filme, bastante parecido, por acaso...




18 outubro 2011

Álbum Fresquinho: Youth Lagoon - "The Year of Hibernation"

Confesso que ultimamente tenho andado arredado de novos sons. Por este ou aquele motivo, ou mesmo aquele outro, não tenho andado com a devida atenção ao que tem chegado ao mercado. Ainda nem sequer tenho os novos álbuns de Feist ou St. Vincent ou Bonnie "Prince" Billy, por exemplo. Daí este ser um fresquinho assumidamente um pouco à pressão, afinal de contas quem manda é o editor e há que postar hoje. Assim sendo, fui ver a lista dos álbuns recentes, cruzei com algumas referências por essa internet, e fui ouvir o que daí saiu. E o que saiu foi o sentimento de ter sido conquistado pelo ambiente inóspito criado por Trevon Powers, miúdo de 22 anos que sob o nome de Youth Lagoon gravou na sua casita em Boise, Idaho (não sabem onde é vão procurar no mapa) este "The Year of Hibernation".
Senti-me transportado para tão longe que nem sei como é que de lá voltei para vir aqui escrever qualquer coisa. Por momentos revi-me naquele tempo em que, sozinho no meu quarto, sonhava com o que havia para conhecer, o mundo que havia por desbravar. Carregar no play abaixo é embarcar numa espécie de viagem nostálgica, pelo que façam-no com o devido cuidado, porque podem não conseguir parar.

11 outubro 2011

Álbum Fresquinho: Thurston Moore - "Demolished Thoughts"

Passados que estão 5 meses do lançamento deste álbum já é com dificuldade que se pode enquadrar na classe dos fresquinhos, mas dado que poderá haver muita gente que não o apanhou por uma ou outra razão e também por eu achar que merece destaque, hoje é este o fresquinho - Demolished Thoughts, terceiro álbum a solo de Thurston Moore.
A primeira palavra vai para aqueles que esperavam que este álbum a solo fosse uma continuação do seu trabalho nos Sonic Youth - para essas a surpresa será constante. Em vez do noise rock experimental temos um álbum onde se potencia mais a canção do que o improviso. Mas a mudança chave está mesmo nos arranjos.
Toda a instrumentação é diferente do que é a imagem de marca dos Sonic Youth, com uma ênfase maior nas guitarras acústicas e outras cordas. Moore explora uma palete de sons mais suave de forma entusiástica, mas sempre sem perder o seu lado conceptual. É um álbum que cheira a folk, mas não é só folk, é um folk à maneira muito própria de Moore que mesmo quando dedicado a um estilo diferente não descura um constante explorar dos instrumentos que tem à sua disposição e neste caso temos harpa, violinos, baixo e a conjugação de todos soa-nos familiar e ao mesmo tempo único. Há que salientar também o importante papel que tem Beck, produtor do álbum, no produto final - fico com a sensação que é dele a responsabilidade de não deixar Thurston Moore perder-se no seu experimentalismo, controlando-o sem chicote, dando até talvez uma maior ambição ao projecto mas sem que tal pareça forçado.
Parece-me que com este álbum há claramente um salto em frente neste seu side-project que é a carreira a solo, deixando de ser apenas um entretém nos tempos livres para algo mais consistente. Deixo a música à vossa consideração. São apenas 9 temas e começa com um arrepiante "Benediction". Enjoy!

04 outubro 2011

Álbum Fresquinho: Wild Flag - "Wild Flag"

Constituído por quatro mulheres rockeiras, os Wild Flag não são propriamente uma banda de miúdas novas que se juntaram para tocar rock por ser uma cena indie uma mulher de guitarra. Não. Estas rockgirls já cá andam há muito porém por caminhos separados. Carrie Brownstein e Jane Weiss fazem parte das Sleater-Kinney, Rebeca Cole é baterista dos Minders enquanto Mary Timony era a figura dos Helium. As suas carreiras começaram já em meados dos 90 mas só no início deste século é que começaram a privar entre elas, fosse em parcerias ou em tournées. Em 2010 resolveram começar um projecto que se viria a chamar de Wild Flag que resultou neste disco homónimo editado agora. E que bem que fizeram estas senhoras (Todas com mais de 40 anos) ao gravarem juntas pois Wild Flag é, certamente, um dos melhores discos editados este ano. Uma espécie de punk-rock com pinceladas de psicadelismo, funk e indie. São 40 minutos divididos em 10 músicas que se ouvem de uma ponta à outra relembrando o melhor de um passado que começa nos Clash, um bocadinho de Talking Heads, passa por Patti Smith (óbvio) e dá uma piscadela a Pixies mas sem esquecer nunca o presente onde vivem. Uma das boas surpresas deste ano.
Se todos os ditos "supergrupos" fossem tão consistentes...




27 setembro 2011

Álbum Fresquinho: Clap Your Hands Say Yeah - "Hysterical"

O fresquinho desta semana vai para uma banda que foi uma das grandes revelações dos anos 2000. Uma banda que ameaçou estremecer com as fundações das editoras discográficas ao gravar, lançar, publicitar o seu primeiro disco, chegando mesmo a lamber os próprios envelopes. A (boa) questão aqui é que o disco, de nome homónimo à banda (Clap Your Hands Say Yeah) provou que se podia realmente fazer boa música à margem da indústria clássica sem dar o mínimo cavaco aos tubarões das editoras. Lançado em 2005, no auge do indie rock, o primeiro disco da banda trazia alguma fogosidade das guitarras mas também o pop carnavalesco meio à imagem de uns indie DIY (Do It Yourself) Talking Heads. A sua performance no festival Super Bock Super Rock (um dos melhores cartazes au courant que passaram por Portugal) mostrou que estava ali uma banda que poderia de alguma forma mostrar o caminho para esta nova geração, pois não se tratava apenas de uma banda que jorrava guitarradas e sintetizadores. No entanto a realidade foi outra. Quem "mandou" nisto foram os Strokes, Arcade Fire, Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, entre outros e os Clap Your Hands Say Yeah  foram ficando para trás esquecidos. O seu segundo disco, editado em 2007, Some Loud Thunder, nunca chegou a pegar e eu, sinceramente, não me recordo de lhe ter dado uma segunda audição. Este ano, para meu espanto pois julgava-os extintos, vi o anúncio de um terceiro disco numa revista da especialidade. Como sempre lhes nutri algum carinho e apreço, quis saber o que nos tinham a dizer passados mais de quatro anos desde o seu último trabalho. Ora Hysterical começa com um misto de sentimentos. Sinto que já ouvi isto antes e gostei mas hoje em dia diz-me pouco, muito pouco. Este som demasiado perto dos Killers não é bem o que esperava quando uma banda decide fazer um hiato de quatro anos e meio. Depois do agri-doce em "Same Mistake", segue-se o mesmo erro (no pun intended) em "Hysterical". Muito sintetizador, muita guitarrada, alguma emoção mas a mesma matriz de "For Reasons Unknown". Muita parra, pouca uva. Em "Misspent Youth" a colagem agora faz-se aos James mas sem grande proveito. A música não chega a descolar, mais ou menos como o resto do disco. Os momentos altos deste disco são "Into Your Alien Arms" que começa com um clima mais atmosférico para em seguida explodir numa guitarrada desenfreada mas que faz sentido, "The Witness's Dull Surprise" que faz lembrar alguns bons momentos do primeiro disco e "Adams Plane" com o seu final algo inesperado a fazer sobressair.
No entanto, faz parecer que, depois deste tempo fora, a banda de brooklyn começa por pôr o pé na água a ver como é que isto está hoje em dia para saber que caminho seguir. Ora o meu conselho é este: rapaziada, assim como está, não vai dar...

20 setembro 2011

Álbum Fresquinho: Beirut - "The Rip Tide"

Informação prévia antes de irmos ao álbum em si - Zach Condon, ou simplesmente Zach para os amigos, o senhor por trás da capa Beirut nasceu em 1986. Sabem, o ano em que Portugal juntou-se à CEE, em que Maradona ganhou o Mundial de Futebol, em que o Challenger se desfez à frente dos nossos olhos, no qual a cidade de Chernobyl passou a constar do mapa e de tantas outras coisas que nos lembramos tão bem de ver acontecer. Onde quero chegar com isto? Simples - levar-vos a debruçar sobre o facto de Zach ter 25 anos e ter acabado de lançar o seu terceiro álbum, com mais cinco EP's pelo meio, o que a mim me parece deveras impressionante. E o que impressiona ainda mais - ter um americano a fazer música que é uma mistura do vaudeville francês dos anos 20 com ritmos das balcãs, Bregovic, Kusturicas e afins. Nada como viajar para libertar o espírito.

Ora bem, fast forward então para o início de 2011 onde encontramos Zach numa bifurcação com dois caminhos possíveis pela frente - ir atrás de uns Arcade Fire na tentativa de alargar ao máximo o seu público; ir atrás de um Sufjan Stevens e desbravar novas sonoridades. O último EP, o duplo March of the Zapotec/Holland contém algumas experiências que poderia indiciar o segundo caminho. Mas The Rip Tide não é nem um nem outro, é um seguir em frente, com as mesmas armas de sempre. O próprio Zach numa entrevista confessa que andou em tempo a experimentar um instrumento novo por mês, mas que para este álbum preferiu concentrar-se novamente no triângulo piano-ukulele-trompete, no fundo a fórmula secreta dos Beirut. Temos portanto um Zach amadurecido, com mais bagagem (e mais viagens) no arcaboiço a servir-nos a sua fórmula de sucesso. O que mais poderíamos pedir? Apenas mais tempo do que uns curtos 33 minutos que parecem voar...

23 agosto 2011

Álbum No Ouvido: Junip - "Fields" (2010)

A propósito de uma discussão sobre a qualidade, ou falta dela, de José González, um dos trunfos que usei para sublinhar a dita qualidade deste músico sueco com raízes argentinas, foi o da sua banda, Junip. Banda essa que recentemente descobri ter sido anterior ao seu primeiro disco, Veneer, editado em 2003. Parece, então, que González começou a sua carreira em 2000, ao lado de Elias Araya e Tobias Winterkorn que juntos formaram os Junip. Gravaram um single, lançado pela sua própria editora e cada um seguiu a sua vida. Elias passou a cursar Arte e Winterkorn a dar aulas numa escola, enquanto González arriscou numa carreira a solo com os resultados já conhecidos. Porém, quase seis anos depois, os três companheiros juntaram-se para gravar novamente. No entanto, o resultado final ainda não seria um disco completo. Black Refuge, composto por apenas cinco músicas, uma das quais uma cover de Bruce Springsteen, "The Ghost of Tom Joad", seria apenas um cheirinho do que viria quatro anos mais tarde com este Fields. Aliando a calma e suavidade da voz e guitarra de González com o som mais etéreo dos restantes membros, o resultado final deixa-nos com um sentimento de leveza e vontade de ouvir este disco vezes sem conta. O folk aqui tocado tem pinceladas de progressivo mas com muita calma e leveza, funcionando na perfeição durante o momento de lusco-fusco aquando do festival Super Bock Super Rock no Meco. Ele há coisas assim...

09 agosto 2011

Álbum Fresquinho: Marcelo Camelo - "Toque Dela"

Instigado pelo concerto dado no passado sábado, no espaço TMN Ao Vivo, achei por bem aqui colocar o mais recente álbum do Marcelo Camelo, Toque Dela. Depois de 10 anos como uma das forças motoras dos Los Hermanos, e do lançamento de uma carreira a solo com o álbum Sou, de 2008, podemos dizer que Marcelo Camelo não tinha entre mãos uma tarefa fácil, dado o peso da sua herança, o peso de muitos verem nele a grande esperança de continuidade na música brasileira de nomes como Chico, Caetano, Gil. Mas nada como lidar com isso da única forma que ele sabe - com simplicidade e sinceridade acima de tudo. E a meu ver é isso este Toque Dela, um álbum belo de tão simples e sincero, denotando um de ritmo que poderá advir de uma maior influência da vida paulista num carioca de gema, com menos samba e arranjos mais estruturados. Já não se sente a "Copacabana" por perto, música do álbum anterior de êxtase puro, impossível de ouvir sem mexer, agora reina a tranquilidade de um "Pra te acalmar", a segurança de que "Meu Amor é Teu", música que encerra o álbum. Mas pelo meio temos a alegria de "Acostumar, a leveza de "Pretinha, o convite à dança em "Ô ô". E deixo para o fim, por ser para mim a maior demonstração da conjugação do binómio beleza/simplicidade a "Três Dias":

Se faltar carinho, ninho
Se tiver insônia, sonha
Se faltar a paz
Se faltar a paz, Minas Gerais

19 julho 2011

Álbum Fresquinho: Destroyer - "Kaputt"

No meio da velocidade constante do conhecimento a que a internet nos submeteu, os 6 meses que se passaram desde o lançamento deste álbum até o dia de hoje parecem séculos. Mas achei que era mais que merecido este álbum ser destacado aqui no Altamont, tendo também em conta que talvez nem toda a gente deu pela sua chegada.
Kaputt é já o nono (!) álbum de Destroyer, nome de guerra do projecto pessoal de Dan Bejar, também conhecido por ser membro dos The New Pornographers e dos Swan Lake. É portanto um homem de vários ofícios e que não tem receio de experimentar, inovar, arriscar e demonstra isso mesmo neste Kaputt, criando um corte relativamente aos seus anteriores álbuns e atirando-se de cabeça ao lado mais electrónico piscando o olho ao jazz dos anos 80. O próprio Bejar admite ter ouvido muitas coisas de Roxy Music, David Sylvian, Pet Shop Boys, Brian Eno, Prefab Sprout. E depois junta à lista os carismáticos Miles Davis e John Coltrane. É desta mescla de artistas que surge a sonoridade de Kaputt, uma excelente colecção de canções (da qual não queria deixar de destacar "Savage Night at the Opera") que nos deixa a sonhar, que nos retira do carro, casa, escritório, o local que seja em que estamos a ouvi-lo e nos leva para longe. E não será este o poder supremo da música, o conseguir agarrar-nos e fazer-nos viajar?



PS: Agora uma coisa que não entendo e gostava que alguém me conseguisse explicar - o que está este senhor a fazer no cartaz do sudoeste, junto do david guetta e dos scissor sisters e kanye west? Anyone?