Por incrível que pareça, e apesar de seguir esta banda há já uns bons 6 anos, nunca tinha conseguido ir ver um concerto deles. Ia sempre seguindo o site, atento às (poucas) datas dos concertos (sintomático da aposta que (não) é feita nas bandas nacionais) e cada vez que aparecia uma oportunidade, acabava logo esmagada pela minha impossibilidade por algum motivo. Por isso, foi com grande ansiedade que esperei por este concerto, que teve como motivação adicional o facto de ser o lançamento do novo EP da banda, denominado "Samurai". E tenho a dizer que esteve à altura das minhas expectactivas, deram um concerto bastante competente, e que entusiasmou as 170 pessoas entre fãs e amigos que lá foram conhecer o novo registo, que no fundo representa a 2ª parte de uma trilogia, iniciada com o álbum do ano passado, "La Résistance". A evolução da banda de terrenos no pós-rock de início de carreira para um indie rock psicadélico actualmente tem sido bem cimentada e no palco estão bastante à vontade em qualquer tema, tendo inclusivamente deixado para o final uma música para dançar (não fosse o facto de haver cadeiras e assim seria, vontade não faltou) ao som de "Paul Simon", música virada para o ritmo do cantor que dá nome à música. "Take Us All", "Money" e "Elephants" também foram momentos altos da noite, com a devida intensidade e bem acompanhados pelo trabalho de projecção de Miguel Lopes, que providenciou um bom ingrediente para acompanhar o concerto. Deixou vontade para os ver novamente, assim que a oportunidade surgir!
Os Ölga são uma banda portuguesa, já com 8 anos de existência, e lançam agora o seu segundo álbum de originais, "La Resistánce", após "What Is" de 2005, e um EP homónimo lançado em 2001.
A sonoridade inicial da banda situava-se no campo do pós-rock, o primeiro álbum tinha proximidades com uns Mogwai e uns Sigur Rós, mas neste "La Résistance" já os tempos e as vontades são outras. Não podemos dizer que esse campo foi abandonado, nada disso, mas sim aproveitado, transformado e incorporado numa onda mais revivalista de sonoridades dos anos 60 e 70, sempre com uma base rock.
O álbum abre logo com um excelente "Elephants", com uma cadência que nos faz pensar estar numa nuvem a levitar, contradizendo o peso do título da música. "It's Allright", o single extraído do álbum e que já tinha sido referido neste post, é o mais próximo que os Ölga estão de serem uma banda indie pop, com uma melodia muito condizente com um estado de espírito de conformidade. "Last Call" impressiona pelo fort arranque, talvez o mais forte de todas as músicas da banda, e vai mais tarde, aos poucos, retornando a um ritmo mais calmo, numa passagem subtil e que me parece o mote de passagem à música mais sonhadora do álbum, o excelente piano de "Neon". A partir daqui, e nas 5 músicas seguintes, "Mirror Bowling", "Take Us All", "Blue Poem", "Kiss the Fall" e "Magic Room" não ficam dúvidas sobre quem estamos a ouvir, uma vez que são bastante próximas dos anteriores álbuns, com psicadelismo, músicas em crescendo e introspecção como conceitos-chave. A fechar, um "Miss Booty" em ritmo circense e "Ben Hur" como conclusão anunciada a toques de trombone.
Penso ser um disco muito interessante e que demonstra um bom nível da maturidade da banda, que incorporou muito facilmente no seu som de referência novas peças (a nível de metais, percussão, cordas e voz) criando um belo ambiente sonoro.
Muita atenção a isto, porque vai finalmente ganhar a atenção merecida. Os Ölga, banda de Lisboa formada em 2001 e que desde então já conta com um EP, "Ö" (2004) e um álbum, "What Is" (2005), lançaram ontem o seu novo álbum, "La Résistance". Enquanto vou ali à Fnac comprar o CD deixo-vos com um aperitivo, o primeiro single, "It's Allright" e logo voltarei para uma análise completa ao álbum. Para descobrirem mais sobre a banda aconselho um pulinho ao site oficial e/ou ao myspace, onde podem ouvir músicas maravilhosas como "Kick Up Ron".