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21 abril 2011

Álbum de Estimação: "Backbeat OST" (1994)

O estimação de hoje é sobre um disco que ouvi vezes e vezes sem conta na altura que o comprei, por volta de 1997 ou 1998. Tinha visto o filme nessa altura e fiquei deliciado com as versões que tinham feito para esta película. Ora, este Backbeat, de 1994, realizado por Iain Softley, que não faria muito mais filmes de jeito, destacando-se apenas "The Wings of the Dove" e "K-Pax". O filme também não contava nas suas fileiras com actores de renome e as actuações também não foram nada de extraordinário, porém a banda sonora valeu por tudo. Essa tal banda sonora, não era nada menos do que versões de músicas que os Beatles tocaram ainda antes de serem "os" Beatles. A história do filme revolve à volta da figura de Stuart Sutcliffe, membro original da primeira formação da banda de Liverpool, composta ainda pelo baterista Pete Best. Stu era um péssimo músico, mas excelente pintor e o melhor amigo de Lennon. O seu coração não batia pelos ritmos do rock 'n roll como no resto da banda, o que levava McCartney ao desespero e à fúria em relação a Stu. Porém foi Stu que mais fez pelo visual Beatle. Através da recente paixão descoberta na Hamburgo alemã, Astrid. Esta fotógrafa inventou o conceito "cabelo à Beatle" e deu uma nova imagem à banda inglesa. Estes nunca mais largaram este visual até 1966, altura do psicadelismo. Em relação ao que realmente interessa, a banda sonora, esta revolvia à volta dos clássicos anos 50 que Lennon e companhia tocavam em bares de classe duvidosa no red light district de Hamburgo. Em relação à banda que tocou estes covers, foi acima de tudo uma surpresa pelos nomes que vi no "booklet" do cd. Senão vejamos: Dave Pirner dos Soul Asylum, Greg Dulli dos Afghan Whigs, Thurston Moore dos Sonic Youth, Dave Ghrol, Mike Mills dos R.E.M. e Don Fleming dos Gumball. Um verdadeiro "timaço" que pôs todo a sua alma de rock nestes clássicos, dando-lhes uma crueza e velocidade notáveis.
Enquanto o filme é mediano, valendo apenas pelo lado histórico, a banda sonora tem um valor inestimável...

14 abril 2011

Álbum de Estimação: Nick Drake - "Five Leaves Left" (1969)

Hoje escolhi um álbum sobre o qual é difícil escrever, e portanto não vou mesmo alongar-me muito. Só umas breves palavras para dar a conhecer um pouco da sua história a quem não o conhece e tentar, dentro do vocabulário que conheço, transmitir-vos uma ideia da minha impressão sobre o mesmo.
Five Leaves Left foi o primeiro dos três álbuns que Nick Drake deu ao mundo, numa curta carreira de 5 anos, que terminou com a morte do próprio, aos 26 anos. Isto até pode parecer um cliché, imagino que os que não conheçam já estejam a ver o filme de alguém que teve sucesso rápido e sucumbiu ao mundo das drogas e excessos próprios do meio. Nada mais longe da verdade. Os seus álbuns não venderam mais de 5000 cópias. Não gostava de dar concertos ao vivo nem entrevistas. Manteve-se sempre uma pessoa recatada, com os seus problemas tão patentes nas suas letras, tais como depressão, insónia entre outros. Até que uma overdose de anti-depressivos o levou. Permaneceu durante uns bons anos um tesouro escondido, tendo começado a ser redescoberto após ser citado como influência para alguns músicos nos anos 80, mas manteve-se sempre uma pérola para algumas franjas e um total desconhecido para as massas. Nem todos conseguem ver a beleza mesmo que ela esteja à frente dos seus olhos.
O facto de hoje estarmos a ouvir Nick Drake permite-nos confiar na selecção natural que o passar do tempo faz. E ter esperança que os nossos filhos e netos terão acesso a coisas que mesmo não tendo sido populares no seu tempo, serão guardadas e passadas de geração em geração de uma forma justa, medida pelo mérito dos artistas e não pelo número de discos vendidos.

31 março 2011

Álbum de Estimação: Belle & Sebastian - "Tigermilk" (1996)

E pensar que este álbum foi feito como um projecto de fim de curso do aluno Stuart Murdoch?

"Sebastian met Isabelle outside the Hillhead Underground Station, in Glasgow. Belle harrassed Sebastian, but it was lucky for him that she did. She was very nice and funny, and sang very sweetly. Sebastian was not to know this, however. Sebastian was melancholy.

He had placed an advert in the local supermarket. He was looking for musicians. Belle saw him do it. That’s why she wanted to meet him. She marched straight up to him unannounced and said, ‘Hey you!’ She asked him to teach her to play the guitar. Sebastian doubted he could teach her anything, but he admired her energy, so he said ‘Yes’.

It was strange. Sebastian had just decided to become a one-man band. It is always when you least expect it that something happens. Sebastian had befriended a fox because he didn’t expect to have any new friends for a while. He still loved the fox, although he had a new distraction. Suddenly he was writing many new songs. Sebastian wrote all of his best songs in 1995. In fact, most of his best songs have the words ‘Nineteen Ninety-five’ in them. It bothered him a little. What will happen in 1996?

They worked on the songs in Belle’s house. Belle lived with her parents, and they were rich enough to have a piano. It was in a room by itself at the back of the house, overlooking the garden. This was where Belle taught Sebastian to put on mascara. If Belle’s mum had known this, she would not have been happy. She was paying for the guitar lessons. The lessons gave Sebastian’s life some structure. He went to the barber’s to get a haircut.

Belle and Sebastian are not snogging. Sometimes they hold hands, but that is only a display of public solidarity. Sebastian thinks Belle ‘kicks with the other foot’. Sebastian is wrong, but then Sebastian can never see further than the next tragic ballad. It is lucky that Belle has a popular taste in music. She is the cheese to his dill pickle.

Belle and Sebastian do not care much for material goods. But then neither Belle nor Sebastian has ever had to worry about where the next meal is coming from. Belle’s most recent song is called Rag Day. Sebastian’s is called The Fox In The Snow. They once stayed in their favourite caf’ for three solid days to recruit a band. Have you ever seen The Magnificent Seven? It was like that, only more tedious. They gained a lot of weight, and made a few enemies of waitresses.

Belle is sitting highers in college. She didn’t listen the first time round. Sebastian is older than he looks. He is odder than he looks too. But he has a good heart. And he looks out for Belle, although she doesn’t need it. If he didn’t play music, he would be a bus driver or be unemployed. Probably unemployed. Belle could do anything. Good looks will always open doors for a girl."

17 março 2011

Álbum de Estimação: The Moody Blues - "Days of Future Passed" (1967)

Entre 1966 e 1968, aproximadamente, houve um fenómeno na música, mais concretamente na britânica, com a tentativa de juntar a pop com elementos clássicos. Uma tentativa de ver a música como um todo, um movimento que chegasse a todos e não se dividisse em grupos, os novos e velhos. A pop tentou tornar-se adulta, requintada, sofisticada e, se calhar, algo snob, até porque muitos elementos destas bandas pop, tinham tido instrução clássica, fazendo, desta feita, valer todos os minutos de aprendizagem árdua. Isso viu-se com os Beatles em Sgt. Pepper, Nirvana [UK] em Simon Simopath, os Zombies em Odessey & Oracle e Aphrodite's Child com 666, entre outros como este Days of Future Passed dos Moody Blues.
Rotulados, na altura, como uma das melhores bandas da invasão britânica nos USA, os Moody são, hoje em dia, conhecidos pelos seus álbuns de rasgo e inovação e tudo começou em 1967 com um certo golpe de sorte.
A sua produtora, Decca, queria uma versão Rock da Sinfonia do Novo Mundo, de Dvorak, para mostrar ao mundo a sua nova tecnologia stereo, no entanto, a História teceu o seu rumo, e um dos produtores conseguiu mudar tudo, juntando as músicas pop que os Moody andavam a desenvolver, juntando-os à London Festival Orchestra e conseguindo este resultado final, metendo a cabeça em água à Decca que não sabia como catalogar nem publicitar o resultado final, temendo um desastre em termos de vendas. O disco, dividido em sete músicas, fala de um dia completo desde o amanhecer até à noite escura em que cada música é um momento diário. Este psicadelismo barroco misturado com outros elementos clássicos não só acabou por ser bastante aceite, tornando a banda muito mais respeitada, como acabaria por ser um campeão de vendas para a Decca, muito por culpa da música final, "Nights in White Satin". Apesar de já ter este disco há uns bons anos, só há pouco tempo o ouvi de início ao fim, e foi o melhor que fiz, pois é daqueles que nos faz sorrir ligeiramente ao ouvir de início ao fim. Não é um disco de singles, embora "Nights" se destaque logo à partida. É um disco pensado para ser um disco e ser ouvido de início ao fim. E é isso que me faz tanto gostar dele. Recomendo vivamente.

10 março 2011

Álbum de Estimação: Candlebox - "Candlebox" (1993)

Já há algum tempo que o Altamont não tem aqui um álbum dos good old nineties. E eu como pessoa que cresceu a ouvir música nessa já tão longíqua década, preciso de, de tempos a tempos, exorcizar alguns fantasmas e aos nineties retornar. E retorno com uma banda que, apesar de ter sido integrada na onda do grunge (sim, eu também detesto este nome e este chavão, mas é a forma mais fácil de ilustrar o caso) nem foi muito conhecida na altura. Os Candlebox lançaram este seu álbum homónimo em 1993, já a procissão grunge ia no adro e talvez por isso tenham passado mais despercebido ao grande público. A mim valeu-me a atenção constante do meu colega Pereira que lá ia descobrindo estas coisas e partilhando com os demais colegas. Não consigo precisar um porquê, mas o que é certo é que músicas como "Cover Me", "You", "Far Behind" entre outras, permaneceram sempre na minha memória, sempre ligada a bons tempos de escola secundária, e volta e meia ainda hoje fazem uma aparição no shuffle. E sabe bem. A música também é isto, muitas vezes nada mais que um guilty pleasure.
Para já vou deixar-vos apenas uma música amostra do album e conto brevemente incluir aqui o grooveshark para poderem apreciar o álbum inteiro. Suponho que não vá acrescentar nada a quem nunca o ouviu, mas quiçá muito aos poucos que os conhecem dos bons velhos tempos. Either way, enjoy it!

03 março 2011

Álbum de Estimação: Pink Floyd - "The Final Cut" (1983)

O que dizer de mais um disco de uma banda sobejamente conhecida e apreciada e criticada por esse mundo fora ao longo destes anos todos? Bem, muito pouco, mas, não se tratando de um disco demasiado conhecido no universo Pink Floyd, tomei a liberdade de o trazer, até porque foi um disco que foi crescendo e melhorando com o tempo desde que comecei a ouvir Floyd...
Tido como o primeiro disco a solo de Roger Waters, apesar de ainda contar com David Gilmour e Nick Mason (Rick Wright fora despedido ainda antes da conclusão do disco anterior, The Wall), The Final Cut foi mesmo o fim da linha para a banda inglesa. O resto da história já é, por demais, conhecida. Gilmour  pegaria no nome da banda, tendo gravado dois discos (fracos) com uma pequena ajuda dos outros membros, Rick e Nick e daria centenas de concertos.
Mas voltemo-nos para o disco em questão. Para Waters, a angústia, dor e drama de Wall não tinha sido suficiente. As suas feridas interiores originadas pela guerra que matou o seu pai e consequente alienação não tinham sido curadas. A sequela viria em Final Cut. "Um requiem para o sonho do pós-guerra" por Roger Waters, dizia o disco. Se The Wall, pese embora fosse uma criação quase 100% de Waters, é uma obra à Pink Floyd, cheia de ornamento, efeitos e grandiosa, Final Cut mostra-nos um lado muito mais crú e vulnerável de Waters, chegando mesmo a ter momentos ternos no meio do lamento de tudo o que a guerra criou e trouxe. Mas a verdade é que, pese embora este seja um trabalho todo feito por e para Waters, à excepção de "Not Now John", parcialmente cantada por Gilmour, Final Cut é um disco que ganhou valor com o tempo, mais do que qualquer um dos primórdios psicadélicos. É um disco adulto, com uma mensagem ainda actual e com uma produção fantástica. Pena que a colaboração de Gilmour não tenha sido tão utilizada como se desejaria mas isso seria uma situação quase impossível dada a quase loucura de Waters com o seu trabalho. Não mais a dupla voltaria a tocar junta até 2005 por altura do Live 8. Deixo-vos com a audição desta semi-ópera rock sobre a guerra, por Roger Waters e cia.


17 fevereiro 2011

Álbum de Estimação: The Jesus and Mary Chain - "Darklands" (1987)

Corria o ano de 1987 quando este Darklands atingiu os escaparates (sempre gostei desta palavra - escaparates, e não tenho tantas oportunidades de a utilizar no dia-a-dia). Eu era um imberbe miúdo de 8, quase 9 anos (nessa altura o que gostávamos mesmo era de ter quase 9 anos, a milhas de distância de ter 8), a fazer traquinices no externato das freiras, pelo que não dei pelo acontecimento na altura. Nem nos anos subsequentes. Para ser mesmo verdadeiro, assim tipo honestidade acima de tudo, durante a minha adolescência, o movimento shoegaze sempre me pareceu uma coisa absurda, afinal de contas tínhamos 15 anos e quem, no seu perfeito juízo, com 15 anos, perderia o seu tempo a carpir mágoas, deprimido, a ouvir música com letras como “Life means nothing. All things end in nothing" ("Darklands")? Bem, a verdade é que o Kurt com os seu "I hate myself and I want to die" não andava muito longe, mas epá, ao menos a música era a abrir que era o que a malta queria na altura. Isto claro, antes de aparecerem as paixões platónicas, normais também nesta fase da vida, impossíveis de realizar e que requeriam por alguns períodos de introspecção. Mas também não foi aí que os Jesus entraram na minha história. Ainda foi preciso esperar mais uns anos, mais uns 10 anos para ser mais preciso, até a sra. Coppola se lembrar de acabar um dos seus filmes com uma música deles. Aí é que a coisa finalmente pegou, e este Darklands particularmente, de uma forma mais incisiva (neste momento já estou de orelhas vermelhas a ouvir malta a ler isto a dizer que sou uma vergonha por ter demorado tanto tempo, mas que hei-de fazer, cada um tem a sua história e comprometi-me ali acima à honestidade acima de tudo).
Darklands é de facto um álbum devastador no estilo romanticismo gótico, amor platónico impossível de atingir, com as suas letras impregnadas de sofrimento. “I would shed my skin for you, would break my back for you” ("Happy When it Rains"), “Nine million rainy days have swept across my eyes thinking of you, and this room becomes a shrine thinking of you, and as far as I can tell, I’m being dragged from here to hell.” ("Nine Million Rainy Days") são pequenos exemplos. E a música não lhe fica atrás, ajudando a criar este ambiente, esta redoma de vidro, da qual não se sai facilmente. Mesmo não sofrendo destas dores de amor, penso que tornam possível colocarmo-nos no lugar de quem as canta/toca, o que a meu ver é um mérito. Penso que isto é mesmo o as good as it gets do shoegaze.

10 fevereiro 2011

Álbum de Estimação: The Zutons - "Who Killed...The Zutons" (2004)

Aquando da ideia da fundação deste blog nos fins de 2004 (incrível como já passou tanto tempo...), este era dos discos que mais ouvia no momento. Era a altura dos Coral, Libertines, Franz Ferdinand, entre outros, e estes Zutons fizeram o seu papel nesse tempo. Não me recordando bem de como este disco chegou às minhas mãos, provavelmente alguma dica da "cor-de-rosa" NME, lembro-me perfeitamente de me ter dado prazer instantâneo. Um rock psicadélico mesclado de punk-rock, polvilhado aqui e ali com elementos mais folk, soul ou de tom mais groove, foi o suficiente para me manter agarrado a este disco durante uns bons meses, dando-me sempre um prazer especial quando o volto a ouvir de quando em vez passados estes anos todos. Não será nunca um daqueles 1001 discos essenciais que aparecem em livros especializados na matéria, mas também, não é essa a verdadeira razão porque realmente gostamos de música. Há sempre aquele disco que vos atinge mais aqui ou ali e poderá não dizer nada ao vizinho ao lado. Contundo é, certamente, impossível ficar indiferente ao groove de "Zuton Fever ou de  "You Will You Won't". Who Killed...The Zutons é, mais do que um disco essencial, é, sobretudo, uma colecção de boas músicas, algumas mais negras outras mais açucaradas, mas promete 40 minutos de tempo bem passado...

13 janeiro 2011

Álbum de Estimação: The Monks - "Black Monk Time" (1966)

E hoje no Altamont o tempo de antena vai todo para estes monges rockeiros que, seguramente, têm uma óptima história por e para contar.
Cinco soldados americanos em serviço numa base alemã decidem ficar por lá e criar uma banda de seu nome Torquays. Começaram por tocar covers de Chuck Berry, e por aí. Eram apenas mais uma dessas bandas que, à semelhança dos Beatles, tinham tentado a sua sorte por solo alemão, mais boémio e louco que outras partes do mundo ocidental. Apesar da história dos Monks não ser um mar de rosas, o seu futuro na música nesta altura estava traçado, Seriam engolidos como a maior parte das bandas desta altura que apenas tocavam covers. No entanto algo mudou na cabeça destes cinco rapazes americanos. A influência de uns "loucos" existencialistas alemães e a guerra do Vietname. Com isto veio também uma nova aproximação à música e mudança de nome para The Monks. Aquele que hoje podemos chamar de pré-punk ou um Pop destrutivo como lhe chamou Jack White. Equipados a rigor, ou seja, robes escuros e cabelo rapado no centro da cabeça, os Monks deixaram o público alemão completamente surpreendido com este kit, tanto visual como musical. Ao estilo rock de garagem, muito puro e agressivo, aliado às letras psicopatas de Dave Day, este grupo norte-americano criou um estilo que, até aí, não existia mas que se pode encontrar uns meses mais tarde com 13th Floor Elevators. Apesar de terem conseguido um contrato com uma discográfica alemã, os Monks não conseguiram entrar no mercado americano, muito devido às letras agressivas. E assim, tal como começaram, cedo o seu fim foi uma realidade, envolto numa confusão que até hoje não se conhece bem a causa da separação. Para a história ficou o seu único disco, "Black Monk Time, esquecido durante décadas, um autêntico tesouro escondido que o Altamont escavou para a vossa apreciação...

23 dezembro 2010

Álbum de Estimação: Josh Rouse - "1972" (2003)

Lembro-me muito bem de onde e como começou a minha relação com o Josh Rouse - foi na Fnac desse antro que é o Colombo, corria para aí o ano de 2005. Nunca tinha ouvido o nome dele. E aposto que ele também nunca tinha ouvido o meu, naturalmente, mas adiante. O que me levou a agarrar no CD e levá-lo comigo até ao auscultador mais próximo foi a capa que veêm aqui ao lado. Algo nesta imagem retro-seventies-soul-whatever estimulou-me e fui experimentar. E então fez-se magia - ouvi as duas primeiras músicas e decidi trazê-lo comigo para casa. São raros estes momentos, até porque hoje em dia as minhas compras de CD são na sua grande maioria pensadas, poucas são impulsos do momento, mas estes impulsos aqui e ali continuam a saber muito bem! Continuando a história, o Josh e este seu 1972 chegaram lá a casa e instalaram-se confortavelmente por todos os lados de onde fosse possível sair música. Estava rendido a este disco que irradia uma aura de tranquilidade, nostalgia, bem-estar e me acompanhou em boas tardes de primavera. Sei que falar em primavera nesta altura do campeonato parece maldoso, mas o que é facto é que é a próxima estação e 3 meses passam num instante. Se quiserem começar a ter um cheirinho comecem com "1972," música que abre o álbum e deixem-se levar até à encantadora "Rise" que o encerra. São uns meros 43 minutos que passam num abrir e fechar de olhos.

25 novembro 2010

Álbum de Estimação: Quicksilver Messenger Service - "Happy Trails" (1969)

Há muito, muito tempo, numa realidade bem distante, numa terra a alguns milhares de quilómetros de Lisboa, havia um movimento chamado de Rock psicadélico. Esse movimento, aparecido por volta do final de 1965 gerou um enorme número de bandas na Costa Leste dos Estados Unidos, principalmente em São Francisco. Desse movimento, mais conhecido como "West Coast Sound", surgiram bandas como Jefferson Airplane, Grateful Dead. Se estes conseguiram manter o seu nome, mais ou menos, gravado na pedra até aos dias de hoje, a verdade é que a maior das restantes bandas foi desaparecendo de cena à medida que o imaginário psicadélico começava a passar o efeito, leia-se LSD. No entanto, estes foram tempos gloriosos para a música, especialmente durante concertos. A inspiração, honestidade, criação e comunhão da música entre banda e público era de tal forma emotiva e vibrante que muito raramente uma banda conseguia passar este feeling para um disco gravado em estúdio. Daí que, bandas como os Quicksilver Messenger Service, gravavam, por vezes, os seu álbuns ao vivo e não em estúdio. Este Happy Trails é exemplo disso mesmo. Com o mote da primeira parte do disco gerada à volta da música "Who Do You Love?" de Bo Diddley, os QMS fazem, connosco, uma viagem pelos sentidos. Escolham uma altura do dia calma, de preferência de noite, numa sala pouco iluminada, acendam um pau de incenso ou outro gerador de bom cheiro para alma e mente, ponham o disco a tocar, e, durante cerca de uma hora vão sentir-se bem. Garanto-vos...



18 novembro 2010

Álbum de Estimação: Jerry Garcia - "Garcia" (1972)

Estou a cozer caranguejos vivos, oiço-os a espernearem-se dentro da panela.
     “tenho que pôr música para não me sentir um selvagem”, penso.
ligo o ipod – sim, sou rico – e o destino ou a mão leva-me a um dos álbuns que mais tenho ouvido nos últimos dois anos. leva folk leva blues leva rock quase que leva jazz é antigo é contemporâneo é avant-garde é psicadélico é alegre e triste e doente e é o primeiro a solo.

lembram-se do roy? que vivia comigo e que espancava a namorada e que me apresentou ao warren zevon? foi a 87 concertos de grateful dead e conhece quem tenha ido a 200. era como uma espécie de modo de vida lá pela terra dos hamburgueres nos anos 70, 80, 90. um dia pus este álbum a tocar e ele saiu disparado da casa de banho, espero que com o assunto terminado. abraçou-me e começou a cantar

Since it costs a lot to win, and even more to lose,
You and me bound to spend some time wond'rin' what to choose.
Goes to show, you don't ever know,
Watch each card you play and play it slow,
Wait until that deal come round,
Don't you let that deal go down, no, no.

e então no dia em que me disse
      “never trust’em ico, never trust a single woman in this goddamn world”
e se foi embora com o balde dos pickles debaixo do braço, eu pus no ar esta música e ele novamente se riu e novamente me abraçou e novamente cantou.

conclusão:
até com pessoas asquerosas é possível criar uma ligação 
(desde que a música seja boa).


P.S.: grooveshark? morreu? partilha-se na mesma.

11 novembro 2010

Álbum de Estimação: Portishead - "Roseland NYC Live" (1998)

Os Portishead são uma banda que dispensa apresentações para qualquer pessoa com um ouvido a funcionar bem que passou pelos anos 90, por isso não me vou alongar muito.
Banda de Bristol, onde juntamente com os Massive Attack se lançaram à conquista do mundo com o seu trip-hop, os Portishead basearam a sua estratégia de divulgação na qualidade artística dos seus videoclips. Antes até de lançarem o seu primeiro álbum realizaram uma curta-metragem, To Kill a Dead Man, mas foi a banda sonora criada para a mesma que atraiu atenções, e daí até terem Dummy no mercado foi um pequeno passo. Foi através de uma crescente rotação dos seus clips em programas como Alternative Nation ou Chill-Out Night, da MTV, que foram ganhando público, e no final de 1995 já eram agraciados com vários prémios da indústria da música. Não que isso interesse, naturalmente, mas de facto havia aqui qualquer coisa de diferente do britpop que reinava a solo nessa altura. A intensidade, o dramatismo das melodias, a voz de Gibbons, sempre acompanhadas com o sintetizador de Geoff Barrow e a guitarra de Adrian Utley são únicas.
Provavelmente vão apontar-me o dedo por meter aqui um álbum que não é um álbum de originais mas sim um concerto ao vivo. Pois bem, passo desde já a apresentar o meu argumento - andei durante 2 anos a debater-me se gostava mais do Dummy ou do Portishead. Não conseguindo chegar a uma conclusão definitiva, surgiu em 1999 este Roseland NYC Live que foi a única forma de resolver o problema - decidi que ficava este o meu favorito e pronto. E até hoje assim é. Já conheço melhor estas versões do que as versões originais. Heresia? Sim, admito que possa ser. Mas sigo na minha, herege e feliz com a Orquestra Filarmónica de Nova Iorque no fundo do ouvido a acompanhar o trio Barrow Gibbons e Utley em todo o seu esplendor.

04 novembro 2010

Álbum de Estimação: Black Merda - The Folk from the Mother's Mixer (2005)

Tive que ir aos arquivos para saber se já tinha falado deste álbum, merda, não tinha, há muito que queria fazê-lo. Black Merda. Muito bom. Durou pouco. Uns três aninhos entre 1970 e 1972. Se fosse um jornalista-de-rock-wannabe diria que o seu estilo se situaria entre o adjectivo tal da música do Jimi Hendrix e o adjectivo tal do outro adjectivo da música dos Funkadelic. E poria mais uns pozinhos de outra banda qualquer cujos membros seriam igualmente pretos igualmente de Detroit igualmente amigalhaços dos Black Panthers ou simplesmente da causa negra e igualmente com afros na cabeça e igualmente fumavam coisas ou igualmente usavam calças. É do tipo – só podia dar nisto!
Black Merda. Coitados, o que eles queriam é que o mundo os pronunciasse Murder, Black Murder. Imaginem-se negros americanos e tentem dizer Merda. Dá nisto. Sabiam lá eles que a música chegaria a um país em que Merda significasse Merda e não apenas Merda.
Uma grande merda no bom sentido da palavra – porque o há.
Só ficaram dois álbum, aqui juntos em cd. Visto que esta merda (farto de dizer asneiras) obviamente não estará disponível para venda em Portugal, saquem. É bom, não é nada de muito novo mas é muito bom, é alegre é triste é assim um pouco de tudo o que deveria ser, é azul e vermelho e tem riscas e facas com sangue, tem poeira do vinil e cheira a catinga e aqui em Moçambique tenho-me apercebido que a catinga é bem melhor que suor de taxista lisboeta – mesmo. Mas pessoal... MESMO.

P.S.: Este álbum é de 2005 apenas como compilação dos dois álbuns originais que remetem para 1970 e 1972.

28 outubro 2010

Álbum de Estimação: The Go! Team – "Thunder, Lightning, Strike" (2004)


No ano 2000 saía da cabeça, e dos dedos, de Ian Parton um projecto ao qual chamou The Go! Team. Nome irónico, porque na altura a equipa era só ele, e a sua maquinaria. Só em 2004 se formou banda, quando foi preciso tocar num festival e Ian Parton viu que precisava de mais gente para dar um concerto. Foi recrutando pessoas, algumas por anúncios no jornal, e assim formou o grupo, um sexteto.
O primeiro disco, Thunder Lightning Strike, é lançado em 2004, e entra de rompante na cena musical internacional, tão rompante como a música deste disco e como o próprio título indicia.
Este álbum entra na categoria dos incategorizáveis. Não pertence a nenhum género específico, não se cola a nenhuma época concreta. É antes um emaranhado de sons e vozes, que fazem deste um álbum de PresentePassadoFuturo. Tudo ao mesmo tempo.
O som dos Go! Team é uma manta de retalhos. Tudo começa num trabalhoso processo de corta e cola, com uma série de samples, dos mais variados possíveis, desde temas de anúncios da televisão dos anos 70, excertos de músicas de Dolly Parton a Quincy Jones, temas de filmes, e por aí em diante, até onde a imaginação levar. Com esta base, são depois introduzidos instrumentos – guitarras, secção rítmica, sopros, teclas – e vozes.
O resultado é uma salada sonora, com músicas anacrónicas, que representam exactamente todos os tempos verbais – são feitas no presente, com técnicas do futuro, e muitas vezes remetem para um passado (feito com muito soul e funk ). Cada música é uma construção que leva várias camadas de sons e outros elementos.
O tom é basicamente de festa, descarga de energia, instantânea, que sai de cada nota directamente para a cabeça e para o corpo. Músicas como “Huddle Formation” ou “Junior Kickstart” são dessas, frenéticas, que fazem os pés e as pernas abanar. Há no disco um ou outro momento mais calmo (“Feelgood by Numbers”), que serve para descansar o corpo, antes de voltar à algazarra dançante. Depois, é voltar ao início. Este é um disco para ouvir em repeat, com 11 músicas em pouco mais de 30 minutos.
Um primeiro disco é quase sempre um disco de estimação, ou porque os seguintes são bons, ou porque os seguintes são maus. Neste caso o seguinte é igualmente bom, mas menos ingénuo, e por isso guarda-se com estima esta primeira aventura.

21 outubro 2010

Álbum de Estimação: Beck - "Odelay" (1996)

Quando Beck apareceu com o seu "Loser" pareceu-me mais um one hit wonder lançado pela MTV para ser mastigado até à exaustão e depois regurgitado. Kurt Cobain tinha acabado de se suicidar e o mundo da música (especialmente os media que vivem às custas do mundo da música) abriram o recrutamento para a vaga deixada em aberto de centro das atenções. Beck tinha semelhanças físicas com Kurt e cantava com orgulho o facto de ser "Loser", que naquela altura era visto como topo de carreira. Nada mais fixe do que ser um "Loser" em 1994 e como tal a MTV decidiu dar-lhe airplay a rodos a ver se a coisa pegava. Mas a grande maioria desconfiou logo da brincadeira e não se deixou convencer. Na minha opinião, e fantasiando um pouco à volta do tema, o próprio Beck não gostou da brincadeira e, ressabiado por ter sido utilizado, decidiu mostrar do que era capaz. Assim se fez Odelay e a sua teia única e absurda de samples, arranjos, instrumentos e principalmente de emoções num mesmo álbum, e por vezes numa mesma música.
Olhemos por exemplo para "New Pollution" - começa em ritmo de música de Natal com efeitos sonoros de desenhos animados, passa bruscamente para uma forte batida de bateria e cheia de ritmo apelando à dança, entra depois um assustador sample de saxofone a acompanhar e aquilo tudo mistura-se num grande loop final, terminando ao som do saxofone sozinho. É apenas uma amostra do que é este disco, uma amálgama de momentos de diferentes estilos musicais que intrisicamente cosidos fazem sentido. Beck não passa de uma velhinha sentada na sua poltrona a fazer tricot com todo um universo musical. E o resultado é qualquer coisa de extraordinário.
Em jeito de conclusão (e de forma a poderem passar à audição se é que ainda não o fizeram) diria que poucos são os álbuns dos anos 90 que ouvidos hoje soam tão frescos como este Odelay, aposto que se eu lhe mudasse o nome e o colocasse na rubrica dos Álbuns Fresquinhos ninguém iria dar pela falcatrua. E pensar que já foi lançado há 14 anos...

14 outubro 2010

Álbum de Estimação: The Zombies - Odessey & Oracle (1968)

Ele há coisas assim. Por vezes, quando já não pomos pressão numa coisa porque sabemos que a partir daí seguiremos outro rumo, acontece exactamente o oposto do que se passaria se estivéssemos a dar o máximo. Este Odessey & Oracle é o exemplo disso mesmo. Gravado em 1967, em pleno "Verão do Amor" quando a banda já estava a fazer contas à vida por achar que não passava da cepa torta, pois tardava em afirmar-se ao nível de outras bandas, este disco surge como o canto do cisne desta banda inglesa que já estava praticamente separada quando o disco foi finalmente editado em 1968. Mas retomemos uns anos antes para recordar a histórida dos Zombies.
Formados em 1962, a banda de Hertfordshire cedo mostrou que não fazia parte da leva inglesa que invadiu os Estados Unidos dois anos mais tarde. É certo que foi metida no mesmo saco até porque alguns dos seus temas continham o tal Ritmo & Blues que a maior parte das bandas britânicas vinham a exibir. No entanto, o grupo, composto, principalmente, pelo vocalista Colin Blunstone e o teclista Rod Argent apresentavam uma bagagem musical muito mais clássica, o que, por vezes, até lhes deu imagem mais negativa, como se fossem uns "meninos", sem o rasgo que apresentavam os Stones, Kinks ou Who. Óbvio que cada banda deve jogar com o melhor que tem e, se calhar, as editoras nunca perceberam bem qual a linha desta banda e tentaram encaixá-la com outras bandas que não seriam bem o mesmo estilo. Isso fez com que os Zombies nunca fossem uma banda muito popular naqueles dias nem sequer tivessem singles que fossem muito comerciais nem "radio friendly". Isto numa altura em que os LPs não eram de grande importância e que um simples single poderia mudar a história de uma banda. Aparte do ligeiro sucesso com "She's Not There", isso não aconteceu com a banda de Argent e, passado alguns anos e sem mostrar provas de êxito financeiro, a editora Decca, resolveu não renovar contrato deixando-os à deriva. A CBS propôs um contrato para a gravação de um disco. A banda acedeu mas, farta de andar esta vida insegura, resolveram que seria o último. Alguns elementos da banda deixaram inclusive de tocar música. No entanto algo de muito positivo estava reservado para a gravação deste disco. Terá sido a despreocupação de já não ter de mostrar serviço ou o sentimento de que deveriam acabar em grande, ou apenas a conjugação de factores cósmicos, a verdade é que os Zombies deixaram uma obra prima para as gerações vindouras. Claro está que o disco aquando da sua edição falhou rotundamente, sobretudo em solo britânico. Nisto, os elementos da banda já seguiam o seu próprio caminho, sem olhar sequer para trás. Rod Argent fundou a sua própria banda com um registo mais Hard Rock, enquanto o vocalista Blunstone trabalhava em seguros. No entanto, vindo do nada, a edição de "Time of the Season", em 1969, deu aos Zombies, o seu hit single que tanto tinham procurado em "vida". Além disso, fez também ressurgir das trevas este disco escondido, mostrando ao mundo as pérolas escondidas em 12 músicas de ode ao melhor do psicadelismo e pop barroco britânico.
Este disco, com pouco mais de 30 minutos faz-nos mergulhar num som recheado de imensos instrumentos cada um com várias camadas assim como várias vozes e coros. Uma mistura de Pet Sounds, Yellow Submarine, Magical Mystery Tour ou Syd Barrett mas num tom muito mais clássico do habitual do rock psicadélico. A pop barroca no seu melhor.
Se o preço a pagar para este disco surgir teve que ser o desmembramento da banda, então Argent e companhia que me perdoem mas...valeu a pena...

07 outubro 2010

Álbum de Estimação: Five Faces of Manfred Mann - Manfred Mann (1964)

Corria o ano de 1964 quando os Manfred Mann se lançaram no mundo da música comercial gravada. O mundo neste altura vivia alguns momentos conturbados. JF Kennedy tinha sido assassinado um ano antes, a guerra fria começava a ser algo a ter em conta e os jovens americanos começavam a temer pelo seu futuro devido a uma guerra lá longe no meio da Ásia. Também agitado estava o mundo cultural. Kubrick estreava a comédia negra, "Dr. Strangelove" enquanto Clint Eastwood continuava triunfante no faroeste em "Um Punhado de Dólares". Na cena musical, os Beatles dominavam. A histérica Beatlemania chegara aos EUA e com ela uma data de bandas vieram por arrasto. Rolling Stones, The Kinks, os Them de Van Morrison, Zombies, Dave Clark 5, entre outras. "The British are Coming!" era a palavra de ordem da altura e o movimento ficou conhecido como The British Invasion. Uma dessas bandas a apanhar este comboio tinha o nome de Manfred Mann. Fundada por Manfred Lubowitz, originário da África do Sul, a banda cedo revelou as suas raízes mais artísticas ou jazzy o que não invalidava que não fossem considerados como um grupo bastante forte de Ritmos e Blues ao nível dos Stones ou Them. O look arty e a voz grave de Manfred davam um cunho muito próprio à banda, fazendo que não fossem apenas mais uma da mesma leva.
Five Faces of Manfred Mann, disco de estreia da banda em Inglaterra, prova isso mesmo. Uma mistura de originais com clássicos de outros artistas, sobretudo negros(como a quase totalidade das bandas fazia na altura), fazem dos quase 40 minutos que ocupam o disco, um verdadeiro prazer. "Smokestack Lightning" ou "I've Got My Mojo Working" são exemplos do que era realmente a invasão britânica naquela altura - Miúdos branquelas a tocar clássicos de negros como se fossem os seus próprios, no entanto nem todos o conseguiam como os Manfred Mann...