30 novembro 2010

Álbum Fresquinho: Les Savy Fav - "Root For Ruin"

Os Les Savy Fav são mais uma banda que andou escondida de meio mundo durante uns bons anos, uma vez que a banda formou-se no já longíquo ano de 1995. Tendo como inspiração inicial bandas como os Fugazi e Pixies, mais viradas para o garage rock, foram-se tornando cada vez mais macios, mais radio friendly. Isto, ao nível de discos, porque ao vivo são um portento de energia, assumindo o vocalista Tim Harrington o papel de cão raivoso, louco, insano, selvagem, caótico, o que lhe quiserem chamar. Já antes neste blog se falou disso mesmo neste post e neste. A grande dificuldade neste caso, é mesmo em conseguir transpôr toda esta energia gerada nos concertos para álbuns e ao mesmo tempo fazer com que as rádios os passassem. Penso que o terão conseguido no excelente Let's Stay Friends, tornando a tarefa do seguinte ainda mais difícil.
Chega-nos então Root For Ruin, passados que estão 3 anos e numa primeira impressão diria que não se safaram mal. Atacam logo de início, com as fortes "Appetites" e "Dirty Knails", deixando para depois coisas mais catchy, como exemplo o single "Let's Get Out of Here". Mas as guitarras fortes nunca nos abandonam, muitas vezes parece que estamos perante um duelo de titãs entre os dois guitarristas Seth Jabour e Andrew Reuland, sendo isto mais notório em músicas como "High and Unhinged" e "Excess Energies".
Em jeito de conclusão, temos um pouco mais do mesmo. O que como sabemos pode ser positivo ou negativo, dependendo da interpretação de cada um. Nada como ouvir e julgar por vocês mesmos.

Playlist Altamont: Plug in Baby 27-11-2010

Grande grande festa! Primeiro que tudo o Altamont quer agradecer ao mar de gente que largou a manta, o chá e o conforto do sofá e se lançou para uma noite fria, mas que depois aqueceu bastante com a mistura explosiva de álcool e boa música (modéstia à parte, claro)!
A Mercearia 73 foi mais uma vez o local escolhido e esteve a rebentar pelas costuras, o que muito nos motiva a continuar a organizar estes eventos, pelo que o próximo já começa a estar encaminhado! Mantenham-se atentos!

A playlist da festa, já aqui em baixo, ao clicar em "ler mais".

29 novembro 2010

Concertos da Semana - 29 a 5 de Dezembro

Agenda da semana:

- Eat Skull - Lounge 30 Nov
- Prince Rama + Vítor Lopes - ZDB 1 Dez
- Chromatics - Lux 2 Dez
- James - Campo Pequeno 3 Dez
- Radian + Jan Jelinek + Masayoshi Fujita - Maria Matos 3 Dez
- Fennesz, Brandlmayr & Dafeldecker + Ben Frost - Maria Matos 4 Dez
- Quantic - Musicbox 4 Dez
- Lower Dens - ZDB 5 Dez

Concertos destaque: The Divine Comedy - Maria Matos 29/30 Nov
Superbock em Stock - 3/4 Dez



Playlists: iFrod Playlist 29-11-2010

26 novembro 2010

Altamont Recomenda

É apenas 1:40 de música. Mas acho que merece cada segundo de atenção, esta "All Things This Way", dos Male Bonding.

25 novembro 2010

Álbum de Estimação: Quicksilver Messenger Service - "Happy Trails" (1969)

Há muito, muito tempo, numa realidade bem distante, numa terra a alguns milhares de quilómetros de Lisboa, havia um movimento chamado de Rock psicadélico. Esse movimento, aparecido por volta do final de 1965 gerou um enorme número de bandas na Costa Leste dos Estados Unidos, principalmente em São Francisco. Desse movimento, mais conhecido como "West Coast Sound", surgiram bandas como Jefferson Airplane, Grateful Dead. Se estes conseguiram manter o seu nome, mais ou menos, gravado na pedra até aos dias de hoje, a verdade é que a maior das restantes bandas foi desaparecendo de cena à medida que o imaginário psicadélico começava a passar o efeito, leia-se LSD. No entanto, estes foram tempos gloriosos para a música, especialmente durante concertos. A inspiração, honestidade, criação e comunhão da música entre banda e público era de tal forma emotiva e vibrante que muito raramente uma banda conseguia passar este feeling para um disco gravado em estúdio. Daí que, bandas como os Quicksilver Messenger Service, gravavam, por vezes, os seu álbuns ao vivo e não em estúdio. Este Happy Trails é exemplo disso mesmo. Com o mote da primeira parte do disco gerada à volta da música "Who Do You Love?" de Bo Diddley, os QMS fazem, connosco, uma viagem pelos sentidos. Escolham uma altura do dia calma, de preferência de noite, numa sala pouco iluminada, acendam um pau de incenso ou outro gerador de bom cheiro para alma e mente, ponham o disco a tocar, e, durante cerca de uma hora vão sentir-se bem. Garanto-vos...



24 novembro 2010

Duas mesas e eu na terceira: a vida no ultramar



malária blues:

Dó-Dó-Fá-Fá
Dó-Dó-Fá-Fá-Sol-Fá-Dó

Refrão:
Malaria Blues, Malaria Blues, Malaria Blues.

ai ai...

 

23 novembro 2010

Álbum Fresquinho: The Brian Jonestown Massacre - "Who Killed Stg. Pepper?"

Anton Newcombe vive em Berlim. Parece determinado a produzir música. Música. Talvez daí ter reduzido o seu website a isso mesmo. Para quem anda farto dos maricas Indies (vide último Fresquinhos), faça o download no iTunes do seu último trabalho. "Who Killed Stg. Pepper?" é duma frescura do caraças.
Para aqueles com ligação lenta, seja por viverem em Moçambique ou em Londres, ouçam apenas a Feel it.

22 novembro 2010

Playlists: iLex Transport 22-11-2010

As playlists estão de volta ao Altamont! Depois da re-imagem a que o blog foi sujeito tínhamos optado por retirá-las derivado do peso que traziam ao blog. No entanto, foi uma decisão que foi re-avaliada e como é um blog de música, música tem que haver. Teremos uma playlist nova por semana, cada vez de um contribuidor diferente. Fui o seleccionado para começar, pelo que aqui vos apresento a iLex Transport Playlist, uma listagem de músicas dedicas aos diferentes tipos de transporte nos quais nos movimentamos. Enjoy!

Concertos da Semana - 22 a 28 de Novembro

Agenda da semana:

- Jamie Lidell - Casino de Lisboa 22 Nov
- Minta & the Brook Trout - Glória 23 Nov
- Cacique'97 - São Jorge 24 Nov
- Róisin Murphy + Cassius - Lux 26 Nov
- Ena Pá 2000 - Maxime 27 Nov
- Imogen Heap - Aula Magna 28 Nov

Concerto destaque: The Divine Comedy - Maria Matos 29/30 Nov

18 novembro 2010

Álbum de Estimação: Jerry Garcia - "Garcia" (1972)

Estou a cozer caranguejos vivos, oiço-os a espernearem-se dentro da panela.
     “tenho que pôr música para não me sentir um selvagem”, penso.
ligo o ipod – sim, sou rico – e o destino ou a mão leva-me a um dos álbuns que mais tenho ouvido nos últimos dois anos. leva folk leva blues leva rock quase que leva jazz é antigo é contemporâneo é avant-garde é psicadélico é alegre e triste e doente e é o primeiro a solo.

lembram-se do roy? que vivia comigo e que espancava a namorada e que me apresentou ao warren zevon? foi a 87 concertos de grateful dead e conhece quem tenha ido a 200. era como uma espécie de modo de vida lá pela terra dos hamburgueres nos anos 70, 80, 90. um dia pus este álbum a tocar e ele saiu disparado da casa de banho, espero que com o assunto terminado. abraçou-me e começou a cantar

Since it costs a lot to win, and even more to lose,
You and me bound to spend some time wond'rin' what to choose.
Goes to show, you don't ever know,
Watch each card you play and play it slow,
Wait until that deal come round,
Don't you let that deal go down, no, no.

e então no dia em que me disse
      “never trust’em ico, never trust a single woman in this goddamn world”
e se foi embora com o balde dos pickles debaixo do braço, eu pus no ar esta música e ele novamente se riu e novamente me abraçou e novamente cantou.

conclusão:
até com pessoas asquerosas é possível criar uma ligação 
(desde que a música seja boa).


P.S.: grooveshark? morreu? partilha-se na mesma.

17 novembro 2010

Altamont Recomenda

Será que o Verão já acabou? A mim custa-me sempre esta fase de transição para o frio, para a chuva, para os dias curtos, pelo que nada como resistir enquanto posso. E o resistir, a meu ver passa muito pela música. Vai daí, trago aqui hoje The Young Friends, banda nova-iorquina na senda dos The Drums, com um indie pop solarengo. Lançaram este ano o EP Hella, de onde tirei este "South End". Enjoy!

Duas mesas e eu na terceira



-       Olá mamã, como vai isso?
-       Olá papá, aqui está tudo bem, e consigo?
-       Tudo nice, tudo nice.
-       O que vai ser, papá?
-       Queria um quilo de tomates, está a 35, 
certo?
-       Sim, papá.
-       E talvez dois pimentos e umas cenouras.
-       O pimento está a 5 cada e as cenoura é 10 
por três.
-       Por três? Mas são pequenas essas cenouras...
-       Está caro, patrão, a cenoura está cara...
-       Pronto, pode ser. Arranje lá umas rijinhas 
então...
-       Claro... Aqui está.
-       Obrigado, mamã.
-       Cebola, batata, aboborinha, piri-piri?
-       Não obrigado, por hoje é tudo...
-       Obrigado papá. Amanhã compra cebola?
-       Sim sim...


E saiu do mercado. O sol estaria quente de certeza, não fossem as nuvens a conferir um ambiente pesado àquela tarde. Desde manhã que a sombra dela pairava na sua cabeça como um casaco demasiado apertado, colarinho e capuz. A caminho de casa, num banco de rua uma criança chorava de mão dada ao irmão. Ao lado um alguidar com o lixo que teriam apanhado nas últimas horas. Merda, pensou. Não mais que isso. Ao chegar a casa já não se lembrava da sua manhã, nem das sombras, nem dela. “Não se pode estar deprimido quando há outras pessoas ainda mais emaranhadas nos azuis que eu.”

16 novembro 2010

Álbum Fresquinho: Kings of Leon - "Come Around Sundown"

Se na semana passada referi que a luz do  indie rock estava a apagar-se aos poucos, agora falo da luz de uma banda que completamente desapareceu e se tornou num monolito baço sem qualquer pinga de criatividade. Falo de uma das bandas que mais me deu prazer ouvir nos últimos anos e é com pena minha, aliás muita pena minha, que digo que daqui não esperem mais nada. O que é pena.
O que começou como uma banda de quatro miúdos, 3 irmãos e um primo, meio saloios, filhos de um pastor americano, a tocar o rock de camionista mas com muito peso e muita entrega acabou, infelizmente neste Come Around Sundown, álbum muito fraco onde apenas se aproveitam as seguintes músicas: "Radioactive", embora nada do outro mundo, tem aqui e ali algum do som crú que fazia parte da génese da banda. "Back Down South", a melhor música do disco, com uma slide guitar a soar verdadeira e despretensiosa. Simples mas boa. O resto, meus amigos, é pura e simplesmente, chato e desinteressante. Um disco a tentar ser "radio-friendly" mas sem apresentar argumentos de qualidade. Oiçam por vocês próprios. Os amantes de "Use Somebody" vão gostar, provavelmente...

15 novembro 2010

Fotoreportagem: The Walkmen - Coliseu: 14/11/2010

(clicar na imagem para mais fotos)

Mais um domingo, mais um grande concerto. E com grande não digo comprido, porque essa foi a meu ver a grande pecha - foi curto. Olhei à minha volta e todos estavam com vontade de mais quando terminou "We've Been Had", anunciada como última música, mas foi mesmo pela hora e meia que se ficou. De qualquer forma tinha sido hora e meia muito muito intensa. Olhem mais abaixo para o setlist e reparem nas 4 primeiras músicas - a calmia de "While I Shovel the Snow" de começo para depois logo de seguida partir a loiça toda com uma sequência infernal de "In The New Year", "Angela Surf City" e "The Rat". A voz de Hamilton Leithauser levada ao limite ali à nossa frente foi de arrepiar. A meu ver os The Walkmen têm na sua voz o elemento arrebatador, e ali ao vivo foi óbvio para toda a gente isso mesmo. Não que falte qualidade aos restantes elementos, pelo contrário, mostraram até versatilidade com várias trocas de instrumentos. Numa palavra, intensidade, intensidade, intensidade. É isso que define os The Walkmen.
Para Os Golpes fica um pedido de desculpas da minha parte por não ter conseguido chegar a tempo de ver a sua performance na íntegra e uma promessa que tentarei apanhá-los assim que possível. Das impressões que recolhi de pessoas que os assistiram recebi nota bastante positiva para eles.

Setlist:
While I Shovel The Snow; In The New Year; Angela Surf City; The Rat; Blue As Your Blood; Victory; On The Water; Everyone Who Pretended To Like Me Is Gone; Canadian Girl; Woe Is Me; Lisbon; All Hands And The Cook; Juveniles
Encore:
Donde Está La Playa; I Lost You; We've Been Had

Concertos da Semana - 15 a 21 de Novembro

Agenda da semana:

- Torche + Men Eater - Santiago Alquimista 17 Nov
- Fucked Up - ZDB 18 Nov
- Efterklang - Musicbox 19 Nov
- Os Capitães da Areia - Maxime 19 Nov

Concerto destaque: The Pains of Being Pure at Heart - Lux 16 Nov

Que se foda o fil colíns

Sou péssimo a tomar boas decisões. No outro dia comprei um livro chamado "como tomar boas decisões". Não ajudou. Continuo a hesitar e sou lançado para o abismo da decisão errada. Às vezes tudo me diz que é a errada mesmo antes de a escolher. Como quem penetra sem preservativo sem saber bem por quê. E o abismo ali tão perto.
O preço de uma casa não nos devia permitir oscilar entre o racional e o emocional, no entanto a maioria das pessoas compra-as com base em fundamentos emotivos (gostar-se do bairro, estar-se perto dos amigos ou família, lembranças de infância).
No dia em que assinei a escritura do meu apartamento estávamos em Setembro e em Lisboa. Havia sol, daquele que há e fica, mas não me recordo de suar. A manhã chegava ao fim e tinha de tratar do gás e água. Na minha mão um par de chaves. Tive a sensação de que ia olhar para a casa pela primeira vez. Tentei, mas não consegui imaginá-la, mais. Não sabia como era. Principiou-se uma ansiedade. Quando entrei estava vazia e eu sem saber o que fazer.
Decidi apanhar ar, vagueei até dar por mim sentado num banco perto do médico do Campo Santana.
Escolhi Boards of Canada e imaginei uma corda no meu pescoço.

12 novembro 2010

Altamont Recomenda

Um presentinho para o final da semana - o mais recente single do álbum Root for Ruin dos Les Savy Fav, denominado "Let's Get Out of Here".

11 novembro 2010

Álbum de Estimação: Portishead - "Roseland NYC Live" (1998)

Os Portishead são uma banda que dispensa apresentações para qualquer pessoa com um ouvido a funcionar bem que passou pelos anos 90, por isso não me vou alongar muito.
Banda de Bristol, onde juntamente com os Massive Attack se lançaram à conquista do mundo com o seu trip-hop, os Portishead basearam a sua estratégia de divulgação na qualidade artística dos seus videoclips. Antes até de lançarem o seu primeiro álbum realizaram uma curta-metragem, To Kill a Dead Man, mas foi a banda sonora criada para a mesma que atraiu atenções, e daí até terem Dummy no mercado foi um pequeno passo. Foi através de uma crescente rotação dos seus clips em programas como Alternative Nation ou Chill-Out Night, da MTV, que foram ganhando público, e no final de 1995 já eram agraciados com vários prémios da indústria da música. Não que isso interesse, naturalmente, mas de facto havia aqui qualquer coisa de diferente do britpop que reinava a solo nessa altura. A intensidade, o dramatismo das melodias, a voz de Gibbons, sempre acompanhadas com o sintetizador de Geoff Barrow e a guitarra de Adrian Utley são únicas.
Provavelmente vão apontar-me o dedo por meter aqui um álbum que não é um álbum de originais mas sim um concerto ao vivo. Pois bem, passo desde já a apresentar o meu argumento - andei durante 2 anos a debater-me se gostava mais do Dummy ou do Portishead. Não conseguindo chegar a uma conclusão definitiva, surgiu em 1999 este Roseland NYC Live que foi a única forma de resolver o problema - decidi que ficava este o meu favorito e pronto. E até hoje assim é. Já conheço melhor estas versões do que as versões originais. Heresia? Sim, admito que possa ser. Mas sigo na minha, herege e feliz com a Orquestra Filarmónica de Nova Iorque no fundo do ouvido a acompanhar o trio Barrow Gibbons e Utley em todo o seu esplendor.

10 novembro 2010

Altamont Recomenda

Não há muitas palavras a dizer sobre isto. São os The Good The Bad, banda dinamarquesa, com a música "030". Mas o videoclip vale por tudo. Just watch it.

Duas mesas e eu na terceira

She Took A Long Cool Look by Syd Barrett on Grooveshark


deixei-a na estação

deixei-a na estação
chovida, molhada
na insegurança dos seus passos trôpegos
de uma bebedeira insolúvel.
os olhos amargos da pior estação do ano
um copo que inclinava
e descaía,
descaía.
entrei na carruagem
e na altura parecia-me decidido,
mentira,
olhámo-nos com olhos sufocantes
estudando quem abandonaria quem
e porquê,
estáticos até o horizonte se transformar
em túnel.

foi triste,

infantil, fomos tão infantis.
perdidos.
abandonados.
         (já tinha dito?)
lá fora chovia e a cidade
matava os desprevenidos e escorraçava as pessoas
e limpava tudo
e ela era uma miúda
e eu deixara-a
entregue a um regresso injusto.
não interessa os passos mal dados,
lá fora chovia e era de noite,
não fizera nada, coitada
sou eu que não gosto de tudo
e pronto.
chegado a casa
deitei-me na cama.
olhei para o tecto
e o tecto olhava para mim.
um silêncio de mudos,
a culpa em mim, a verdade nele.
fumei um cigarro com os olhos, 
esperando o que ele tinha para me dizer:
“malvado,
agora é altura de te arrependeres.”

então aqui
estou
eu.

09 novembro 2010

Álbum Fresquinho: Interpol -"Interpol"

Há uns dias um velho comparsa meu atirou-me para a cara: "os Franz Ferdinand estão datados!". Como não estava à espera de uma intervenção assim fiquei meio estupefacto e tentei rebater a afirmação, ao qual ele me diz: "há quanto tempo não ouves um álbum de FF de início ao fim?". Desarmou-me. De facto, Franz Ferdinand, como o indie rock em geral está a ficar datado. Já são dez (10!) anos de boa música de um estilo que veio "salvar-nos" da mediocridade do pop/rock que vigorava no fim dos anos 90. Pois bem, em dez anos passam-se muitas coisas. O mundo muda, os estilos mudam. Os próprios Beatles nem dez anos duraram. É complicado a uma banda manter-se honesta e no "top of the game" por muito tempo. As pessoas cansam-se e é normal. O indie rock está a morrer aos poucos, lentamente e este último disco dos Interpol é uma das imagens desse falecimento. Tanto a nível estético como lírico.
Apenas intitulado "Interpol", algo que a maior parte das bandas o faz logo no primeiro disco, o que poderá querer significar que o ciclo fechou e a partir de agora ou se entra por outros caminhos ou se começa a apagar lentamente como uma fogueira a qual não alimentamos mais, ou porque não precisamos de mais calor ou porque não temos mais lenha (leia-se ideias). "Interpol", quarto disco de originais da banda nova-iorquina, liderada por Paul Banks, agora com menos um elemento, cheira apenas a competente, o que não é mau, mas não é bom. Não tem a melancolia e estranheza de Turn on the Bright Lights nem a pujança e velocidade de Antics nem sequer o lado mais apelativo de Our Love to Admire. Serve para entreter, para meter lá no meio dos bons mas sem sair muito da estante. O fogo está a apagar-se mas ainda lança algumas labaredas e nos queima como em "Success", "Lights" ou "Barricade" e ainda nos leva a alguma mais distante sombria na trilogia final com "Try It On", "All the Ways" e "The Undoing". Tudo somado não nos deixa desiludidos porque já não estamos mais à espera de muito. Tal como eles, crescemos, expandimos horizontes e já estamos prontos para o futuro pós indie-rock. Falta eles darem o próximo passo ou o fogo apagar-se-á para sempre...

Fotoreportagem: Broken Social Scene - Aula Magna: 07/11/2010

(clicar na imagem para mais fotos)

A expectactiva estava elevada para o passado domingo à noite - os Broken Social Scene vinham pela primeira vez a Lisboa (após já terem passado pelo palco indie por excelência Paredes de Coura em 2006) e escolheram, a meu ver, a sala perfeita para o efeito.

08 novembro 2010

Concertos da Semana - 8 a 14 de Novembro

Agenda (bem recheada) da semana:

- Broken Social Scene - Casa Música 8 Nov
- Black Rebel Motorcycle Club - Aula Magna 8 Nov, Hard Club 9 Nov
- !!! - Lux 9 Nov, Sá da Bandeira 10 Nov
- Vampire Weekend - Campo Pequeno 10 Nov
- The Drums - Lux 11 Nov
- These New Puritans - Musicbox 11 Nov
- Interpol + Surferblood - Campo Pequeno 12 Nov
- Márcia - Lux 12 Nov
- Daniel Higgs + David Maranha & Gabriel Ferrandini - ZDB 13 Nov

Concerto destaque: The Walkmen - Coliseu Recreios 14 Nov

06 novembro 2010

Que se foda o fil colíns

Reflectir acerca de space rock é uma actividade chata, pelo menos tão aborrecida como ouvir os riffs do David Gilmour ou vasculhar a dentição da Mrs Archer, bibliotecária de meia idade, com aspecto de ter envelhecido em simultâneo com o contraplacado encortiçado onde terá espetado já mais de um milhão de pioneses, lingua disforme, molares de chumbo, etc.
Quem me trouxe à reflexão foram os Don Caballero, rapazes de Pittsburgh que tocam música instrumental aceitável ao ouvido naqueles dias de Outono em que o grau de exigência esteja ao ponto de nos sentarmos no sofá a ver uma série de ficção americana género Lost.
Para ser sincero, a unica razão que me leva a ouvi-los no meu iPod de vez em quando prende-se com os nomes que dão às musicas, a lembrar a equipa de futebol que formamos no secundário (A Revolta Da Carne de Porco à Alentejana, nome que depois caiu na banalidade gracas ao idiótico Luis Borges e o seu A Revolta dos Pastéis de Nata). De qualquer modo, nomes como Haven't Lived Afro Pop, Details on How to Get ICEMAN on Your License Plate ou A Lot of People Tell Me I Have a Fake British Accent são irresistiveis. A música, em si, faz as delícias de qualquer americano indie cool que tenha tido pouco contacto com Jim O'Rourke, não chegando portanto aos calcanhares de uns Mogwai.
Deixo-vos um Groove com American Don e outros. Digam-me de quem gostam mais.

05 novembro 2010

Altamont Recomenda

As Warpaint são banda já formada em 2004, mas só no passado mês de Outubro lançaram o seu primeiro álbum, The Fool. Esta é uma (boa) primeira amostra do mesmo, "Undertow".

04 novembro 2010

Álbum de Estimação: Black Merda - The Folk from the Mother's Mixer (2005)

Tive que ir aos arquivos para saber se já tinha falado deste álbum, merda, não tinha, há muito que queria fazê-lo. Black Merda. Muito bom. Durou pouco. Uns três aninhos entre 1970 e 1972. Se fosse um jornalista-de-rock-wannabe diria que o seu estilo se situaria entre o adjectivo tal da música do Jimi Hendrix e o adjectivo tal do outro adjectivo da música dos Funkadelic. E poria mais uns pozinhos de outra banda qualquer cujos membros seriam igualmente pretos igualmente de Detroit igualmente amigalhaços dos Black Panthers ou simplesmente da causa negra e igualmente com afros na cabeça e igualmente fumavam coisas ou igualmente usavam calças. É do tipo – só podia dar nisto!
Black Merda. Coitados, o que eles queriam é que o mundo os pronunciasse Murder, Black Murder. Imaginem-se negros americanos e tentem dizer Merda. Dá nisto. Sabiam lá eles que a música chegaria a um país em que Merda significasse Merda e não apenas Merda.
Uma grande merda no bom sentido da palavra – porque o há.
Só ficaram dois álbum, aqui juntos em cd. Visto que esta merda (farto de dizer asneiras) obviamente não estará disponível para venda em Portugal, saquem. É bom, não é nada de muito novo mas é muito bom, é alegre é triste é assim um pouco de tudo o que deveria ser, é azul e vermelho e tem riscas e facas com sangue, tem poeira do vinil e cheira a catinga e aqui em Moçambique tenho-me apercebido que a catinga é bem melhor que suor de taxista lisboeta – mesmo. Mas pessoal... MESMO.

P.S.: Este álbum é de 2005 apenas como compilação dos dois álbuns originais que remetem para 1970 e 1972.

03 novembro 2010

Duas mesas e eu na terceira



As escadas têm sempre o mesmo cheiro


Saí de casa dela
deixando-a com os meus cheiros
e as minhas mágoas,
agora dela.
Talvez daqui a dois meses
nos voltemos a ver
desta forma,
num subir indeciso
por aquelas escadas de quatro da manhã.
E então tudo volta
tudo nos volta.
As carícias esquecidas, os movimentos
de corpos carentes
sob luas desaparecidas.
Agora afastamo-nos
“não te quero ver,
fazes-me sofrer”,
esperamos que o tempo nos resfrie
e nos cure um do outro
porque o tempo dói mas
cura.
E daqui a dois meses
um telefonema
“estás por aí?”
“sobe.”
“são quatro da manhã.”
“não faz mal.” – e tudo recomeça.

Fotoreportagem: Seu Jorge e Almaz - Coliseu dos Recreios: 29-10-2010

 (clicar na imagem para mais fotos do concerto)

Nova vida para a música brasileira.
Seu Jorge juntou 2 tipos da Nação Zumbi (um dos melhores grupos brasileiros dos últimos 20 anos) e fez uma nova banda. Com os Almaz, Seu Jorge deixa de lado o chorinho samba e bossa nova, e vai por caminhos mais próximos do rock, com cheiro a Copacabana. Mantém identidade brasileira, mas vai um bocado mais além do já conhecido. Têm algumas músicas originais e fazem versões, por exemplo, Michael Jackson e Kraftwerk (é sempre engraçado ouvir um brazuca a cantar inglês).
Boa banda, com excelentes músicos, que já têm mais músicas novas e por isso é de esperar novo disco.

02 novembro 2010

Álbum Fresquinho: Wolf Parade - "Expo 86"

Este não é um álbum tão fresquinho como outros que aqui já foram colocados (foi lançado já em Junho deste ano), mas como no iPod e na minha cabeça ainda soa a fresco, achei por bem dedicar-lhe algum tempo de antena aqui no Altamont.
Expo 86 é o terceiro álbum dos Wolf Parade, banda de Vancouver, Canadá, cujos membros são muito promíscuos em relação à música, dada a longa listagem de bandas em que cada um contribui ou já contribuiu no passado (onde se inclui Handsome Furs, Sunset Rubdown, Hot Hot Heat e mesmo Arcade Fire). Talvez toda esta promiscuidade seja factor decisivo para se reunirem como Wolf Parade e fazerem grandes discos de rock, e este Expo 86 é mais um, após os anteriores Apologies to Queen Mary e At Mount Zoomer.
Em relação a estes, este novo álbum parece muito mais cru. A banda admite que houve mudança na sua forma de trabalhar, deixando mais espaço ao improviso e menor trabalho de edição e produção final e isso nota-se, diria até que há momentos que parece estarmos num ensaio. Mas não se pense que com isto ficamos a perder, longe disso, a experiência que vão tendo já lhes permite um maior nível de risco e ousadia e é mantido o principal ingrediente da banda - a energia, que nos é entregue através de riffs, distorção, uivos e uma bateria persistente e por vezes insana. É também um álbum que preza pela regularidade, sempre mantendo um nível forte. Spencer Krug e Dan Boeckner revezam na voz e na composição de músicas e quase não se nota de onde vem cada uma.
Não tomo mais o vosso tempo e atenção, a não ser para enfatizar o poderio de "Cave-o-Sapien", música que, sendo a última, não se limita a fechar o disco, fá-lo de uma forma simplesmente arrasadora. É ouvir.

Concertos da Semana - 2 a 7 de Novembro

Chega Novembro e chegam também os grandes concertos. Infelizmente Arcade Fire foi cancelado mas nem esse grande rombo é capaz de retirar peso a este mês. Para começar a semana, após feriado, temos hoje, dia 2, o ex-Afghan Whigs, Greg Dulli, no Santiago Alquimista.

Numa onda electrónica, temos os Crystal Castles, no Porto, no teatro Sá da Bandeira, dia 4.

No dia seguinte, o aquário da ZDB apresenta uma proposta bastante interessante. Scout Niblett, Sun Araw e U.S. Girls tudo no mesmo dia. Sem dúvida a não perder.
Finalmente, o grande dia da semana chega a 7, na Aula Magna, com a entrada em cena dos Broken Social Scene.

01 novembro 2010

que se foda o fil colíns

Conheci a Colleen (verdadeiro nome Cécile Schott, não confundir, portanto, com o filantropo Fil Colíns) em Palmela no seu afamado Castelo que por tantas vezes se vê de Lisboa, por detrás de uma bruma, quando a há, em 2006. Do que dela sabia eram os dois primeiros albuns, The Gold Morning Breaks e o Everyone Alive Wants Answers (bom título, este, cuja tradução directa seria Todos Os Vivos Querem Respostas, mas o que me fica a martelar na cabeca eh Os Mortos Não Fazem Perguntas, e isso só poderá ser porque esses encontraram já todas as respostas). O que me agrada dos supra citados trabalhos é a delicadeza líquida intra-uterina das composições sem cair na lamechice que por vezes se encontra nalguns projectos nórdicos (Lau Nau, por exemplo, soa a adolescentes tranvestidos pining for the fjords). Os loops de Colleen parecem samplados duma forma antiga, tão antiga como caixas de música (apesar de não terem sido utilizados estes objectos musicais no processo de construção).
De facto era isso que diziam dela, música trazida de uma infância que nunca aconteceu and all that. Corridos esses dois muito aceitáveis discos, Cécile teve a brilhante ideia de começar a fazer musica com justamente caixas de musica - if it sounds like them, it has to have them. O concerto incluíu a participação dos Naja Orchestra - aos quais foi incumbida a tarefa de samplarem a Cécile por cima do que ela ia fazendo - no que acabou por ser uma desgraça do caralho.
Deixo-vos aqui o segundo e terceiro discos de Colleen, Everyone Alive Wants Answers e Colleen Et Les Boites A Musique para o caso de haver por aí algum leitor capaz de sobreviver à ideia de que musica electronica não é equivalente a bunz bunz bunz txiga-bunz bunz e que esteja num dia mais melancólico e num estado de espirito meio parolo, o que, entre vós, não há-de ser ser muito difícil ahahah.



PS: esta música é mais ao jeito de fechar a semana; para a começar sugeria o meu post anterior.