25 maio 2010

Hole - Nobody's Daughter (2010)

A seguir a Yoko Ono, o posto de “ maior triste viuvinha” do Rock n Roll vai inteirinho para Courtney Love. Uma das figuras mais controversas do “showbiz”, ninguém pode negar que ela sabe melhor do que ninguém como sobreviver neste “mundo cão”. Já esteve para morrer de overdose várias vezes, já enfrentou a bancarrota; viu membros da sua banda “irem desta para melhor”, perdeu a custódia da sua filha e viu-se abraços em vários processos litigiosos pelo catálogo dos Nirvana. Enfim, Love já viveu quase todas as vidas que tinha para viver, mas ainda lhe sobra uma de reserva. E cá está ela a dar-nos música novamente com a sua banda de sempre. Um regresso que põe fim a 8 anos de “travessia do deserto”.
Felizmente ainda há quem ainda gosta da “Rainha do Rock” e os amigos Billy Corgan (que assina um par de temas) e Linda Perry (a ex-4 Non Blondes que agora se dedica à produção) deram uma ajuda fundamental à construção deste “Nobody´s Daughter”. Uma espécie de regresso à forma (falsa): “Clean and Sober…”
Apesar de já existirem há quase 20 anos, este é apenas o quarto de longa duração das Hole. Digo “das” meramente por simpatia. Porque neste momento o colectivo é maioritariamente masculino (o guitarrista Micko Larkin; o baixista Shawn Dailey e o baterista Stu Fisher completam a formação) e nada tem a haver com a última formação que gravou o último disco (já lá vão 12 anos): “Celebrity Skin”.
Temos assim um disco, feito para Love brilhar e dar e abusar dos seus delírios femininos que se confundem sempre com as suas vivências pessoais. Oiça-se o tema homónimo, que abre o disco e escuta-se que ela está perfeitamente em casa. Grandes harmonias vocais, guitarras muito indie; bateria desfraldada e a eterna voz ” junkie” e ressacada de Courtney (que mais parece) acabada de sair de uma interminável boa noite de copos, drogas e sexo. È o que transparece em “Skinny Little Bitch”.
No entanto os anos passam, e a “Sra. Corbain” já não tem a mesma pedalada e por vezes lá vem uma baladazinha para acalmar um pouco hostes. A acústica “Honey” parece uma daquelas músicas talhadas para as estações “Rock FM” e que poderia ter sido composta a meias com o arqui-inimigo Dave Grohl! Bem mais eficaz são “Pacific Coast Highway” e “Samantha”, esta última poderá ser o single mais que certo para a MTV. No refrão nota-se bem a influência Pumpkininana de Corgan.
O “gás” definitivamente a meio do disco com mais baladas meio comerciais. “"Someone Else's Bed" poderia ser uma boa canção se Courtney não abusasse sempre dos mesmos truques meio Lou Reed, meio Trent Reznor. “For Onde in Your Life” é mais uma baladinha para americano consumir. “Letter to God” soa a lamechas. Felizmente existe a Punk Rocker “Loser Dust” que faz lembrar as Hole dos primeiros tempos. È disto que devia haver mais no disco. Infelizmente não é assim, e a toada morna regressa com os temas que fecham o disco “How Dirty Girls Get Clean” e “Never Go Hungry”. Soa demasiado a “Tom Petty de saias”!
Bem, o disco não é uma desgraça, mas acaba por desiludir depois de um inicio prometedor. Muitas baladas e alguma falta de pachorra para investir em temas mais Rock n Roll matam um pouco o espírito da banda (sé é que tal existe). Esperamos pelas rocalhadas e por mais “gás” na próxima. No entanto e atendendo às atenuantes, já não é mau ter Mrs. Cobain de volta…

24 maio 2010

Black Sabbath - Black Sabbath (1970)

Tudo tem um inicio. E se o género Heavy (“Bloody”) Metal tem um “inicio”, a sua “Fonte” vem directamente daqui. Do aço, do fogo, da poluição, das fábricas, dos céus cinzentos, da falta de melhores oportunidades, da frustração, da raiva das ruas de Birmingham…
Quatro jovens “operários”, fizeram-se à luta e fundaram os Earth em 1968, mais tarde conhecidos como Black Sabbath, após o baixista Geezer Butler ter visto no cinema um poster do filme de terror “Black Sabbath” com Boris Karloff. A ideia era, se as pessoas pagavam para se assustarem com filmes de terror…porque não fazer uma banda de Rock que tocasse música assustadora.
Após algumas experiências mal (ou bem, depende o ponto de vista se gosta de ver sombras escuras a passarem junto à cama durante a noite) sucedidas com o “Oculto”, os Sabbath gravaram o disco de estreia em apenas dois dias. O suficiente para terem o seu nome escrito na história da popular do século XX! È certo que já havia o som Hard-Rock dos Led Zeppelin, os solos histriónicos de Jimi Hendrix e que os americanos Blue Cheer ou os ingleses Edgar Broughton Band se aventuravam a praticar um som pré-industrial e até mesmo “stoner”, mas foram os Black Sabbath (neste capitulo) os primeiros a por os pés na “Lua de Metal”!
O grupo ia mais longe não só pela música, mas também pelo ambiente que a rodeava. Nunca as bruxas, os feiticeiros, a Igreja de Satã (de Anton Lavey) e mais o “diabo a quatro” tinham tido “algo” que pusesse em notas de música o imaginário do Oculto e da Magia Negra. Aliás nota-se no tema homónimo que aquele “riff”, que ficou conhecido como “do Diabo” e inventado pelo genial Tony Iommi faria “assustar” muito boa gente.
Quanto aos outros Sabbath, temos aqui um grande baterista capaz de rivalizar com o Zeppelin, John Bonham: Bill Ward. E também um jovem Ozzy Osbourne, ainda sem a voz esganiçada e que cantava todos os temas que nem um “Exorcista” a tentar expurgar as almas do Inferno!
Alias, desde cedo que Ozzy avisava que o objectivo do grupo era alertar contra os males de Satã e não defende-los. No entanto, os media e uma boa parte da indústria não entendia assim. Nos E.U.A., cada actuação do grupo era rodeada de fortes medidas de segurança dada a perseguição de alguns grupos Cristãos (maioritariamente Sulistas) mais fundamentalistas. Uma toada que se iria repetir ao longo de toda a história do Heavy Metal, desde os Iron Maiden, passando pelos Kiss, Motley Crue, até aos Judas Priest. Numa América deprimida pelo Vietname e à espera de um “Watergate”, este estilo pesado vinha mesmo a calhar.
Quanto ao disco de origem à maioria dos 300 estilos reconhecidos como ” Metal”, há a destacar além do tema título, o bluesy “The Wizard” (com uma excelente harmónica de Ozzy); o pesado “NIB” (que não quer dizer “Nativity in Black” como muitos pensam, mas que se refere ao estilo de barba usada por Ward) e uma curiosa cover de um grupo americano desconhecido – Crow – chamada “Evil Woman”.
Destaque para a foto da capa da autoria do artista “Keef” de uma casa situada em Mapledurham, ao pé do Rio Tamisa no condado de Oxfordshire. Até hoje ninguém sabe que é a figura de negro que está na capa. Estranho, mas nada fora do normal no mundo do negro Heavy Metal. O que fica para a história é que tudo isto foi como o ”canto do galo” do “Monstro”. Que por muito que queiram abater, ainda é o maior género sobrevivente da música do Rock...

22 maio 2010

Caravan – In The Land of The Grey and Pink (1971)

Quem disse que o Rock Progressivo não era capaz de soar melodiosamente e com alguma sensibilidade Pop, de certeza que nunca ouviu “In the Land of the Grey and Pink” dos Caravan. Uma obra imaculada que misturou na perfeição as tendências vanguardistas da herança do Psicadelismo, com algumas das fórmulas Pop (surrealista) desenvolvidas na década anterior por “gurus” como John Lennon, Brian Wilson ou Syd Barrett.
Talvez por virem da mais sossegada e acolhedora Canterbury, no sudeste de Inglaterra, os Caravan eram muito menos espalhafatosos que muitos dos grupos que provinham de Londres (Yes, King Crimson ou Emerson, Lake & Palmer). Formados “das cinzas” dos extintos Wilde Flowers em 1968 (que a um certo ponto contaram com os serviços de Robert Wyatt na voz além de outros futuros membros dos Soft Machine), os Caravan eram constituídos por Pye Hastings (guitarra e voz), Richard Coughlan (bateria) e os primos Dave (teclas) e Richard Sinclair (baixo e voz).
Apesar de nunca deixarem de ser “Progressivos”, a sua postura “campestre” transparecia nos discos uma calmaria e um sentido de amenidade que ainda hoje se conseguem suportar facilmente. Ou seja, os Caravan bem podiam ser a banda de Rock Sinfónico mais suportável pelos anti-fãs deste género de música que é no fundo uma mistura do Rock, Jazz e Folk Inglesa regado com algumas sensibilidades Pop que fazem de “In the Land of the Grey and Pink” algo muito mágico, cósmico e especial.
Se tiverem paciência, façam a experiência: oiçam este disco três vezes seguidas. Acredito que se conseguirem fazer isso, é sinal que ele vai ocupar um lagar muito especial na vossa colecção.
E tirando a longa suite “Nine Feet Undewrground”, o resto é muito fácil de escutar. E haverá melhor “single” que “Golf Girl” para começar um disco? Um tema que mais parece que a Alice no País das Maravilhas se transformou em ”Hippie” e foi jogar golfe com os jornalistas da BBC. Tudo muito “very british”…
Segue-se “Winter Wine” uma canção gentil e muito ao estilo dos contemporâneos Genesis, em que se vislumbra uma pareceria entre as teclas de Dave Sinclair e os ambientes mais acústicos criados pela guitarra de Hastings. Mas os Caravan não se esgotavam em devaneios acústicos ou jazzísticos. “Love You to Love You (and Tonight Pigs Might Fly)” poderia ter sido um ”hit-single” se tivesse sido criado por outro tipo de banda.
Mas os Caravan nunca foram o género de querem o sucesso a qualquer preço, álbuns comerciais ou groupies a adula-los. Aliás objectivos muito em comuns a qualquer banda do período áureo do “Prog-Rock” (1969 a 1976).
O épico “Nine Feet Underground” é a prova disso mesmo. Ficava bem em qualquer disco da época ter uma suite de vinte e tal minutos, dividida em oito partes e com muitos solos e secções musicais diferentes. Mas afinal de contas em 1971 tudo era possível. Nem as editoras mandavam nos grupos, nem estes se submetias às regras do mercado. Era “música pela música”. Algo audacioso e corajoso e que hoje só muito poucos conseguem almejar.
“In the Land of the Grey and Poink” é não só o melhor disco de sempre dos Caravan, como um dos melhores discos de Rock Sinfónico. E um dos poucos (do período) que funciona sempre como um bom vinho de “reserva especial”…quanto mais velho melhor!

21 maio 2010

The Velvet Underground - Loaded (1970)

É ou não uma sensação óptima quando no meio de um bom filme, aparece como banda sonora uma daquelas músicas de um daqueles álbuns que já não se ouve há imenso tempo e que, do nada, voltamos a ficar completamente viciados nele? É, claro! Isso aconteceu-me hoje enquanto via o "Away We Go" do Sam Mendes. Filme meio indie com boas interpretações e com uma banda sonora impecável. De Dylan a Harrison, passando pelos Velvet Underground com "Oh! Sweet Nuthin'", a qual me deixou com um ligeiro arrepio ao ouvi-la... Pois bem, pôs-me a ouvir outra vez o Loaded, um daqueles discos que se ouve uma vez e parece que foi nosso sempre. Tem a alegre "Who Loves the Sun", a historieca em "Sweet Jane", o significado de "Rock and Roll" e ainda há espaço para o "mellow", como alguém lhe chamou hoje, em "New Age", "I Found A Reason" e "Oh! Sweet Nuthin'". Os Velvet tiveram um período muito curto de existência, porém nenhum disco seu foi em vão. Mesmo a simplicidade com que faziam música de nada tinha simples. Há uns dias li no ípsilon que o Rock nunca foi adulto até aos National. Pois bem, há gente que precisa de tomar lições de história de música...

Peter Frampton – Thank You Mr. Churchill (2010)

Ora aí está mais um regresso de um dos grandes “desaparecidos em combate” do Rock: Mr. Peter Frampton! Com uma carreira que já conta com mais de 40 anos de actividade, 15 discos de estúdio, o grande salto para fama deu-se em 1976 quando o então jovem publicou o “ao vivo”, “Frampton, Comes Alive”, um dos discos seminais dos anos 70 e que por sua vez amaldiçoou para sempre a carreira do ex-Humble Pie.
15 Milhões de discos vendidos (6 milhões, só nos Estados Unidos), tornaram em Frampton (em 1976) numa “overnight sensation” que não foi capaz de capitalizar musicalmente os fabulosos ganhos desse monumental disco ao vivo. Sempre a descer em termos de vendas de discos e de popularidade, o guitarrista só voltou às luzes da ribalta quando aceitou o convite do amigo dos tempos de escola, um tal de David Bowie para fazer parte da banda de apoio da espalhafatosa “Glass Spider Tour”, em 1987.
Daí para cá, Frampton lá foi publicando um disco ou outro (sempre sem grande chama), feito uma tournée ou outra (com bastante sucesso no circuito de “golden oldies” ou rock clássico, nos E.U.A.). Enfim, os anos lá foram passando. À lustrosa cabeleira loira aos caracóis deu lugar a uma respeitável careca. No entanto, as qualidades de Frampton enquanto guitarrista mantiveram-se intactas. Um grande senhor das “seis cordas de aço” que infelizmente nunca foi valorizado nem pela crítica especializada, nem pelo público mais dado ao Rock.
Agora chega, “Thank You Mr. Churchill”, o décimo quarto de originais e com ele a vontade de recuperar algum do respeito perdido. Tirando o dispensável azeiteiro, “Vaudeville Nanna and the Banjolele é um disco em que Frampton “dispara em todas as direcções”. Desde os Blues-Rock (“I Want it Back” ou “Asleep at the Wheel”), passando pelo Pop-Rock, muito estilo do seu primeiro conjunto profissional os The Herd (1967 -1968) com “I´m Due To You” (uma excelente canção que não ficaria mal a Eric Clapton), à Soul com “Invisible Man”, até aos habituais instrumentais (“Suite Liberté”) “ditos normais” em discos cozinhados por “velhos feiticeiros da guitarra”. Mas melhor mesmo é postura Hard-Rock que essencialmente governa o disco. Estão aqui grandes malhas de fazer inveja não só aos Humble Pie (como “Solution”) como também aos anos perdidos e obscuros da carreira de Frampton. È o caso de “Road to the Sun”, cantado pelo filho Julian.
Parece mesmo que os maus tempos se foram embora e os dias ao Sol vieram para ficar! No entanto como já não resta muito tempo de actividade a Frampton, se este fosse o seu último de estúdio, já se podia reformar feliz e contente por ter voltado a “Rockar” como nos velhos tempos! “Frampton is still much Alive!”

20 maio 2010

Steve Hackett – Out of the Tunnel's Mouth (2009)

Se Peter Gabriel se virou mais para a “World Music”; se Tony Banks se dedicou à composição de álbuns orquestrais menores; se Mike Rutherford encetou por caminhos completamente comerciais e Phil Collins fez as porcarias baladeiras que fez…sobra alguém que se encarregue de salvar a “Honra do Convento” dos velhos Genesis? Felizmente, ainda existe esse “alguém”. Chama-se Steve Hackett e é o único dos ex-Genesis que ainda pratica aquilo que se pode chamar de “Rock Progressivo”. O último dos resistentes…
“Out of the Tunnel´s Mouth” é a última oferta de um guitarrista que aos 60 anos de idade ainda carrega consigo aqueles arranjos musicais audaciosos dignos da “velha guarda Prog”, bem como uma enorme capacidade de reinvenção e uma aptidão para compor temas minimamente inteligentes e ambiciosos.
O disco divide-se em oito temas onde Hackett explora ambientes tanto acústicos como eléctricos. Algo que sempre fez com mestria e precisão em todos os seus registos a solo (e já vão mais de vinte). O inaugural “Fire on the Moon” é um óptimo exemplo dessa maneira de estar em que nos vêm à memória grandes sons extraídos do catálogo dos Genesis como nos clássicos “Selling England By the Pound” ou “Trick of the Tail”. Como bónus temos sempre os seus solos precisos, meticulosos e celestiais (que só encontram rivalidade em Robert Fripp dos King Crimson ou David Gilmour dos Pink Floyd).
Segue-se o lindíssimo “Nomad”, uma homenagem aos ciganos em que o ex-Genesis volta a explorar as potencialidades da dicotomia entre “acusticalidade vs electricidade”, emprestando ao tema um cariz mágico em que se cruzam influências que vão do Flamenco passando pelo Jazz até ao Rock. Já “Emerald and Ash”, tem um ar “Vitoriano”, decididamente mais inglês, mais Genesis, em que poderiam surgir quatro ou cinco temas diferente da mesma canção. O solo eléctrico e corrosivo de Hackett nesta canção é aquilo a que poderemos chamar verdadeiramente progressivo.
Com “Tubehead”, Hackett volta-se para terrenos dignos de “Guitar Hero”. A sua destreza técnica não fica nada atrás de nenhum Eddie Van Halen ou Steve Vai deste mundo. Mas melhor mesmo, e talvez a obra que enche mais as medidas é “Sleepers”. Tem tudo aquilo que todo o velho fã de Genesis gostava. Começa como uma balada celestial que depois desemboca numa tempestade épica com grande sentido orquestral.
Depois do excelente instrumental, o pequeno “Ghost in the Glass”, chega-nos o tema mais pesado do disco: “Still Waters”. Mais uma lição de mestre de Hackett e com uma ambiência que não dista muito dos últimos registos dos King Crimson.
A fechar, surge o arábico e semi-cinematográfico – “Last Train to Istanbul” – um tema quente, exótico, mágico e pelo qual a guitarra solista de Hackett nos guia como se de uma câmara se tratasse.
No global este é um disco sólido e talvez o melhor que Hackett produziu desde o excelente “To Watch the Storms” (2002). Uma obra que esteve quase para não ver a luz do dia devido a complicações legais surgidas com o divórcio do ex-Genesis e a pintora brasileira Kim Poor (autora de muitas das capas do vasto catálogo do ex-marido). No final, o casamento foi à vida, mas pelo menos salvou-se este disco...

Gogol Bordello - Trans-Continental Hustle (2010)

Os Gogol Bordello estão de regresso com o seu novo álbum Trans-continental Hustle. Após o seu excelente sucesso do álbum Super Taranta (2007), tiveram nos últimos anos a conquistar fãs, nos melhores festivais de música à volta do globo. Marcando internacionalmente o seu conceito de música, o Gipsy Punk Rock.
Este trabalho contou com a produção de Rick Rubin, ex Dj dos Beastie Boys. Este produtor americano trabalhou com bandas como, Red Hot Chilli Peppers, Johnny Cash, The Cult, Metallica, AC/DC, U2, Jay Z, Run DMC, entre outras. O que veio dar origem a um álbum mais polido que os anteriores.
Para quem não conhece os Gogol Bordello, são um grupo composto por 9 elementos, formado por Eugene Hutz no bairro de Lower East Side de Manhattan, em 1999. São uma banda multi cultural e eclética, pois é composta por pessoas de todos os cantos do mundo, Ucrânia, Rússia, Etiópia, Equador, Israel, etc.
Este álbum tem uma menor influência punk rock, tem um som mais global, misturando vários tipos de música e linguagens. Influência brasileira, do leste europeu e latina. Estando mais presente uma universalidade popular, em relação ao típico gipsy punk rock, apresentado nos quatro álbuns anteriores.
Recomendo as seguintes faixas:
Pala Tute
Mi Compañera
Rebellious Love
Immingraniada
Uma Menina
Break the Spell
É um álbum divertido, puro e simples.
A não perder será o concerto que terá lugar no dia 10 de Julho no Optimus Alive 2010. Trata-se de um regresso, depois de terem estado em 2008 no mesmo festival. Veremos se a onda dos Balcãs virá para ficar em Portugal, como tem estado e marcado as noites por essa Europa fora.

Heroes Playlist

E estamos de voltas às playlists temáticas. Depois de "Lost" agora chega-nos a "Heroes".

The Kinks - Arthur (Or the Decline and Fall of the British Empire) (1969)

Numa destas tardes de passeata pela nossa bela Lisboa, que, com este bom tempo convida a ligeiros passeios, acompanhados de bons amigos, umas ginjinhas e umas imperiais, deparei-me com uma ligeira branca aquando da selecção de algo para ouvir no meu iFrod. Por vezes, a quantidade deixa-nos indecisos e periclitantes na escolha do som para o momento. Alguns clicks para cima e para baixo e parei neste álbum. Fiz play e segundos depois já estava a bater o pé ao som de "Victoria" enquanto aguardava o metro na estação do Areeiro. E, de repente, lembrei-me o porquê fiquei tão "amarrado" ao som dos Kinks. A estes Kinks, os do final dos anos 60 que se desprenderam da onda da British Invasion que os fez mais conhecidos. "All Day and All of the Night" ou "You Really Got Me" por muito que sejam grandes músicas ficam a léguas dos álbuns conceptuais mas muito britânicos feitos alguns anos depois. Aqui, em Arthur, os Kinks viajam pelos gloriosos anos do Império Britânico que estava presente nos quatro cantos do mundo. Mais uma vez, e, como é normal num álbum dito conceptual, a audição do mesmo tem que ser do início ao fim. De "Some Mother's Son", passando por "Australia", "Shangri-La" e acabando em "Arthur", os Kinks demonstram porque razão são tidos como uma das bandas que encorpou o verdadeiro sentido britânico. E nisto saí na estação do Rossio, bebi uma ginjinha e lá se passou mais dia...

19 maio 2010

Metallica - Pavilhão Atlântico - 18.05.2010

Os Metallica são uma instituição. Então em Portugal eles são quase uma religião. Ontem perante um Pavilhão Atlântico (transformado em “Catedral de Metal”) a transbordar pelas costuras, os” fieis“ metaleiros gritaram, cantaram, “mosharam” e veneraram todos os acordes, todos os riffs, todas as batidas, todos os solos e letras da maior banda de Heavy Metal do Mundo.
E não é caso para menos, desde a última vez que os vi ao vivo (há dois anos no Rock in Rio) a banda pareceu ganhar uma nova alma com este “Death Magnetic”. Uma espécie de regresso à forma dos velhos tempos e o primeiro bom disco desde o longínquo “Black Album” a reunir o consenso dos fãs mais ferrenhos.
E foi precisamente ao som de “That Was Just Your Life”( tema que abre este último disco) que os Metallica apareceram em palco. Eram 21 e 45 e o Pavilhão quase que ia abaixo. Não só com a reacção esfusiante do público, como pelo som carregado de decibéis (a mais) que arruinou o primeiro quarto de hora do concerto. È lamentável que as pessoas tenham que pagar para ver grandes bandas com um som tão sofrível como este.
Se a audição não era lá grande coisa (a voz de Hetfield parecia um eco gigantesco a deslizar pelo Atlântico, enquanto que as guitarradas eram abafadas pela bateria de Ulrich), visualmente o concerto era compensado por um palco 360º, muito usual nos concertos americanos dos Metallica, mas nunca visto em Portugal. Tudo para grande regozijo dos músicos (este formato dá-lhes maior amplitude de movimentos) que brindavam a plateia dos mais diversos ângulos.
Após mais uma demonstração “decibélica” com “The End of The Line”, Hetfield dirigiu-se pela primeira vez ao público Lisboeta anunciando um “clássico”: “Ride the Lightning”! Uma das melhores músicas da fase Trash (1983 – 1988) e que pôs os fãs mais “old School” ao mosh e com um sorriso na boca!
A viagem ao passado seguiu-se ao som de “Through the Never” do “Black Album”. Um tema que nos meus 6 concertos de Metallica, pouco me lembro de alguma vez o ter escutado ao vivo. Aliás, em abono da verdade o espectáculo de ontem deve ter sido o que mais me surpreendeu a nível do alinhamento, não só pelas músicas de “Death Magnetic” (as demolidoras “Broken, Beat and Scared” e “My Apocalypse”), como também pela escolha em tocarem “clássicos do baú” como “The Four Horsemen” ou “Phantom Lord” do primeiro LP: “Kill Em All”!
Apesar do ambiente de celebração e das condições sonoras terem melhorado à medida que o PA do grupo se instalava nos monitores, chegou a homenagem da noite. O ex-vocalista dos Black Sabbath, Ronnie James Dio, falecido no domingo passado não foi esquecido e o grupo dedicou-lhe “Fade to Black”. A frase “…But Now He´s Gone” fez tanto sentido naquele momento que chegou a arrepiar.
“Vocês querem Heavy”? Perguntava Hetfield antes de introduzir “Sad But True”, o primeiro de uma série imparável de clássicos e êxitos que levou o Atlântico à euforia. Lá vieram as as habituais explosões pirotécnicas do épico “One”; os coros magistrais de “Master of Puppets”; a fúria de “Battery”; a calmaria de “Nothing Else Matters” e o delírio comercial de “Enter Sandman”.
Para os encores, mais uma boa surpresa: a cover de “Stone Cold Crazy” dos Queen! A finalizar o habitual “Seek and Destroy”. Nesta altura voam balões, canta-se os parabéns ao filho de Hetfield, grita-se por Portugal e bebe-se muita cerveja. O recinto mais parece um baile de “Sto. António” do que o “Ritual” exibido duas horas antes. A banda agradece põe a bandeira de Portugal ao pescoço e Lars pergunta: “"should Metallica play in Portugal every year?” A resposta é um estrondoso sim, mas…não no Atlântico!

18 maio 2010

Metallica - Master of Puppets (1986)

Pode ter parecido há séculos, mas houve uma altura em que os Metallica eram provavelmente o porta-estandarte do “Heavy Metal”. Não só porque inventaram (acidentalmente) um género que ficou para a história como Trash Metal, bem como terem sido dos primeiros a levantar a voz contra os impostores do “Falso Metal”, ou seja as bandas Glam de L.A. (Motley; Poison ou Ratt) que dominavam o Rock e os Tops dos anos 80.
Vindos de mais a norte da Califórnia (da Bay Area de San Francisco), os Metallica assustaram muita gente quando publicaram o seu disco de estreia “Kill ´em All”. Um ritmo ultra rápido da bateria de Lars Ulrich; riffs e solos de guitarra a 200 à hora; um baixo virtuoso de Cliff Burton e a voz furiosa (contra tudo e contra todos) de James Hetfield eram receita suficiente para o grupo se afirmar (em inícios da década de 80) como o mais “barulhento e poderoso da América!
A cada disco os Metallica quebravam fronteiras e ganhavam novos adeptos do seu estilo demolidor. Já em “Ride the Lightning” (1984), parecia haver um amadurecimento do seu som Trash, incluindo nesse disco uma semi-balada (“Fade to Black”) que granjeou aos Metallica ainda mais fãs, que tinham perdido o barco ou andavam distraídos da primeira vez.
Mas é com “Master of Puppets”, gravado entre Setembro e Dezembro de 1985, na terra natal de Ulrich (i.e. Copenhaga), que esta “Metal Militia” atinge a maturidade. Sob a batuta do produtor Fleming Rasmunssen, os Metallica voltavam a por o pé no acelerador, reinventando um estilo que rapidamente contagiava outras bandas (Megadeth, Slayer ou Anthrax). Chamemos-lhe “Trash Metal Progressivo”. Porque era isso mesmo que os Metallica eram. Uma banda em constante evolução sonora, sem grandes paragens para contemplarem “os louros do sucesso”.
“A revolução” começa no uso de gentis guitarras acústicas utilizadas na introdução do brutal “Battery”. Como se fossem um pontinho de sol antes de a “embarcação” ir rumo à tempestade. Este efeito “Luz /Sombra”, também é utilizado no tema homónimo, embora aqui ornado com algumas harmonias de baixo saídas do cérebro efusivo de Burton.
Aliás, o último disco que o malogrado baixista grava com a banda tem a sua marca bem presente. O instrumental harmónico “Orion” é a prova viva que Burton podia encaixar as suas influências de Rock mais clássico numa canção trash.
Se Burton é o decorador destas canções, o seu Amo verdadeiro é Hetfield que tem aqui algumas das suas melhores letras sobre a guerra (que ia na sua cabeça): “Disposable Heroes” e uma nova semi-balada “Welcome Home (Sanatarium)”. Ambas um excelente tour de force para quem gosta de gastar um bilhete até a um “Inferno Sonoro”. Há também a versatilidade de “The Thing That Should Not Be”, com o grupo a introduzir um som mais limpo e algo indicativo daquilo que iria surgir na década seguinte.
A finalizar o álbum mais um clássico da banda – “Damage Inc.” – com ´Hetfield em plena fúria guerreira e Kirk Hammett (ainda não tínhamos falado dele) a rubricar um excelente solo de guitarra. Palmas também para Ulrich que tinha (à época) um pedal duplo diabólico!
“Master of Puppets” fica para a história como sendo não só o melhor disco dos Metallica, como também uma despedida “Gloriosa” de Burton que mal sabia que estaria morto um ano depois, num estúpido acidente de autocarro aquando de uma digressão pela Escandinávia. Era o fim de uma era…

16 maio 2010

The Unthanks - CC Olga Cadaval - 10.05.2010



Mazgani - Santiago Alquimista - 06.05.2010


Mais um bom disco português a sair em 2010.
O luso-iraniano Shahryar Mazgani lançou há pouco tempo Song of Distance, o segundo álbum, e apresentou-o ao vivo no Santiago Alquimista.
O disco foi gravado no campo, "entre caminhos de cabra e olivais", mas podia ter sido no Alabama, ou num estado norte americano do interior.
Este disco confirma Mazgani como um dos artistas nacionais mais conscientes do seu rumo e identidade - algo como Rock espiritual musculado. As músicas têm força, principalmente ao vivo - além de ser um frontman com atitude, Mazgani tem consigo grandes músicos.
E de megafone em riste, Mazgani espalha a mensagem.

12 maio 2010

Radiohead - In Rainbows (2007)

E chegamos então a 2007, ano de lançamento de In Rainbows, sétimo álbum da banda. 22 anos se tinham passado desde a data de formação da banda, e 15 desde o lançamento de "Creep", o single que os mostrou ao mundo. E como os Radiohead nunca foram banda de apenas implementar aquilo que a sociedade considera normal, este foi mais um lançamento em estilo. Findo que estava o contrato de seis álbuns com a EMI, os Radiohead optaram por um lançamento independente e inovador - o álbum ficou disponível para download no site da banda, e os compradores é que decidiam o preço a pagar pelo download do mesmo. A meu ver esta foi uma pedrado no charco da indústria da música, adormecida à sombra da bananeira perante a realidade actual e a combater com as armas erradas o acesso sem custos à música. Por falar em música, e sem mais rodeios, analisemos então um pouco melhor este In Rainbows.
O álbum inicia-se com um "15 Step" que é o mais perto que os Radiohead estiveram de ser uma banda de música electrónica, indo, a meu ver, até um pouco além de onde tinham ido em Kid A neste campo, entrando de seguida em "Bodysnatchers", com um poderoso baixo e riff de guitarra a servir de base a tudo o resto, que parece não mais que uma jam session, com entradas e saídas dos outros instrumentos, variações do ritmo e um final apoteótico quando já nada esperávamos. Importa realçar que antes de In Rainbows ver a luz do dia, já Thom Yorke tinha lançado um álbum a solo, The Eraser, onde expandiu toda a sua vontade de experimentação, chegando à produção de In Rainbows um Yorke diferente, menos tenso e mais aberto a ser apenas mais um elemento da banda. E penso que este "Bodysnatchers" carrega sobre si o peso de exhibit A, com todos os elementos da banda em plena utilização das suas capacidades. Vem depois "Nude", música já antiga, dos tempos pré-Kid A, mas que nunca tinha sido incluída em álbum e na qual nos é mostrado um lado doce dos Radiohead, que nos faz fechar os olhos e deixar ir. O mesmo acontece com "House of Cards", música inserida mais lá para a frente no álbum (ninguém vos disse que isto tinha de ser por ordem, nem que ia falar de todas as músicas...). Um sonho. Queria também destacar, a nível pessoal, as duas músicas que me deixam mais encostado no canto do ringue, prostrado, inerte, maravilhado - "Weird Fishes/Arpeggi" e "Jigsaw Falling Into Place". Bastante diferentes uma da outra, mas de uma intensidade bruta. E para acabar, "Videotape". O acabar um álbum é uma arte já demonstrada por A+B na qual os Radiohead são mestres. E como tal não há aqui espaço para desilusão, apenas confirmação.
In Rainbows é, se a minha opinião se pode ficar por uma palavra, brilhante. Sente-se o alívio da pressão a que sempre estiveram sujeitos para inovar e a coisa resulta num belo disco. Desde a inclusão de uma música que não tinha sido aceite pelos parâmetros de qualidade anteriormente impostos, a "House of Cards" onde ouvimos e sentimos uma sensação de relaxamento que nunca estivera presente, tudo neste álbum soa ao fechar de um ciclo aceite por todos e ao atingir de um objectivo que até então estiveram em constante (e incessante) procura.

11 maio 2010

Moonlight Drive Session II

Hey everybody! Venho aqui com o único e exclusivo objectivo de partilhar o setlist da segunda Moonlight Drive Session que ocorreu na passada 6ª feira no Miradouro de São Pedro de Alcântara. A noite ainda não estava de Verão, chegou até a cair uns pingos, e por isso quero dar um forte agradecimento aos que estóicamente se aguentaram por ali a ouvir o som que saía das colunas. Queria destacar também um pedido de um fã especial, que teve o trabalho de se deslocar à "cabine" de som a pedir raggaeton. A seguir a um rotundo não, insistiu com o pedido de uma "espanholada", ao que retribuí que era uma coisa contra a minha religião, e em vésperas da visita do Papa não queria correr riscos. Sem mais demoras, vamos então à lista:

1. Finish Your Collapse And Stay For Breakfast - Broken Social Scene
2. Moonlight Drive - The Doors
3. Femme Fatale - The Velvet Underground
4. Brown Eyed Girl - Van Morrison
5. Everyday - Vetiver
6. It's Alright - Olga
7. A Message To You Rudy - The Specials
8. Airplanes - Local Natives
9. Strange Vine - Delta Spirit
10. Always Like This - Bombay Bicycle Club
11. Floating Vibes - Surfer Blood
12. A Teenager In Love - The Pains of Being Pure at Heart
13. Actor Out Of Work - St. Vincent
14. Trick Pony - Charlotte Gainsbourg
15. Little Honda - Yo La Tengo
16. Vicious - Lou Reed
17. Substitute - The Who
18. Back In The USSR - The Beatles
19. 1969 - The Stooges
20. White riot - The Clash
21. Transmission - Joy Division
22. 1.2.X.U. - Wire
23. O Katrina! - Black Lips
24. A More Perfect Union - Titus Andronicus
25. Titus Andronicus Forever - Titus Andronicus
26. Abel - The National
27. Debaser - Pixies
28. I Wanna Be Sedated - The Offspring
29. She - Green Day
30. Muzzle - Smashing Pumpkins
31. No One Knows - Queens Of The Stone Age
32. Special K - Placebo
33. Cannonball - The Breeders
34. Dirty Boots - Sonic Youth
35. Last Exit - Pearl Jam
36. Aneurysm - Nirvana
37. Midlife Crisis - Faith No More
38. Red Right Hand (Cover) (Bonus) - Arctic Monkeys
39. In the New Year - The Walkmen
40. I Just Don't Know What To Do With Myself - The White Stripes
41. Halo - Bloc Party
42. Dancing Choose - TV On The Radio
43. Y Control - Yeah Yeah Yeahs
44. The Boys Are Leaving Town - Japandroids
45. Drowning Men - Fanfarlo
46. Brian Eno - MGMT
47. Lust For Life - Girls
48. Everybody's Got Something To Hide Except Me And My Monkey - The Feelies
49. Let's Go Surfing - The Drums
50. Friendly Ghost - Harlem
51. Holiday - Vampire Weekend
52. Lisztomania - Phoenix
53. Surprise Hotel - Fool's Gold
54. Saddest Summer - The Drums (a pedido)
55. Can't Stop Feeling - Franz Ferdinand
56. When It Started - The Strokes
57. Rebellion (Lies) - Arcade Fire
58. A Call To Arms - Beirut
59. Nantes - Beirut
60. Heads Will Roll - Yeah Yeah Yeahs

06 maio 2010

Fleetwood Mac - Rumours (1977)

Após terem passado metade da década de 70 (musicalmente) à deriva com inúmeras mudanças de formação, discos menores e uma “pedra no sapato” chamada “Peter Green”, os Fleetwood Mac foram apanhados de surpresa pelo sucesso do seu álbum homónimo de 1975.
Já com a dupla formada por Stevie Nicks / Lindsay Buckingham, que não só tinham as canções como também emprestavam ao grupo uma imagem mais “americanizada” e de “cara lavada”, o grupo conquistava um monstruoso sucesso que tantos anos tinham levado a alcançar após a saída do genial guitarrista Peter Green.
O problema é que os próprios Fleetwood Mac não estavam à espera que esse “estrondoso colosso” lhes virasse as suas vidas pessoais ao contrário. Buckingham e Nicks terminavam o seu namoro de anos; o casamento de Christine e John Mcvie também ia pelo cano abaixo e Mick Fleetwood, que para além de ter alimentado brevemente um relacionamento secreto com Nicks, descobriu que a sua mulher o andava a enganar com o seu melhor amigo.
Com as suas próprias vidas emocionalmente desfeitas, mais parecia que o destino da banda iria se desmoronar após a digressão de 1975/76. No entanto a companhia discográfica não se apercebendo do mau ambiente exigiu que a banda voltasse ao estúdio para gravar o sucessor de “Fleetwood Mac”.
Ainda ninguém sabe (nem eles) onde foram arranjar forças para se “olharem nos olhos”, “cara a cara”. O que fica para história é que o material que a banda gravou durante quase um ano deu para ser um dos maiores monumentos da música californiana do século XX. Um clássico não só dos anos 70, como da história do Rock.
No entanto, a inspiração não veio sem o seu preço. Foram centenas de horas de gravação divididas entre Miami, Los Angeles e Sausalito em que os Mac berraram, choraram, fizeram a guerra e a paz, embebedaram-se, drogaram-se e levaram os dois produtores Ken Cailllat e Richard Dashut aos limites da sanidade. Inclusive há um episódio em que as “masters” foram apagadas e as gravações tiveram de começar do zero. Para grande tristeza (seguida de deboche) de todos…
Musicalmente falando o disco continua na linha do seu predecessor: um rock descontraído e tipicamente californiano, misturado com muita sensibilidade feminina (são sobretudo as vozes e as canções de Stevie e Christine quem mais brilham aqui) e alguma tendência para exorcizarem nas canções os retratos dos próprios fantasmas derivado do final das suas relações.
Os destaques vão sobretudo para a canção tipicamente encantadora ou sonhadora de Nicks (“Dreams”); o roqueiro “Go Your Own Way” com grande prestação de Lindsay Buckingham nas guitarras e o imparável “Don´t Stop” que foi o melhor remédio que eles tiveram para seguir em frente.
Depois há o misterioso, hipnótico “Gold Dust Woman” com Nicks a transformar-se de princesa em bruxa e que contém uma excelente produção de guitarras do seu “ex”. Mas curiosamente a melhor faixa do disco é assinada pelo grupo inteiro. “The Chain” é tal como eles cantam aquilo que os “mantêm unidos”. Ninguém sabe de onde vem essa “corrente”, o que é certo é que passados quase 35 anos os Fleetwood Mac não só continuam por aí (embora menos vezes), como produziram um disco quase “imortal” que soube capitalizar na perfeição o turbilhão de emoções e experiências vividos pelos músicos. Há males que vêm por bem…

04 maio 2010

Especial Festival Isle of Wight - Part. I

A Ilha de Wight fica situada no sul de Inglaterra, tem cerca de 380 km2 e a forma de um diamante. É aqui que se realiza agora, anualmente, um dos míticos festivais da Europa.

A sua primeira edição decorreu no ano de 1968. Cerca de 10.000 pessoas assistiram a um único dia de Festival, em que os cabeças de cartaz foram os Jefferson Airplane, antecedidos de Arthur Brown, The Move, Tyrannosaurus Rex, Plastic Penny e dos Pretty Things. No ano seguinte, a organização do Festival foi mais arrojada. Primeiro, alargou o evento para 2 dias e convidou para actuar Bob Dylan, naquele que foi o primeiro concerto após um acidente de mota, numa altura em que muitos duvidavam do regresso de Dylan aos palcos, The Who, que na altura apresentavam no set o seu espectáculo intitulado Tommy, Joe Cocker, The Moody Blues, entre outros. Numa edição mais preparada, estiveram presentes cerca de 150.000 pessoas entre as quais John Lennon e Yoko Ono, Ringo Starr, George Harrison, Keith Richards, Syd Barrett ou Eric Clapton.

Mas ao terceiro ano, em 1970, o festival explodiu com uma audiência impressionante de cerca de 600.000 espectadores (e há quem diga que tenha mesmo chegado às 800.000 pessoas). Este sucesso deveu-se sobretudo a Jimi Hendrix. Não só pelo músico que era, como pelo que representava, como também pelos artistas que facilmente atraiu a aceitarem tocar no Isle of Wight, tais como os Chicago, The Doors, The Who, Joan Baez ou os Free, que não pensaram duas vezes em tocar ao lado do mítico Hendrix. E acabou mesmo por ser o último concerto que Hendrix deu. Contudo 600.000 pessoas num Festival a decorrer numa ilha que tinha apenas 100.000 habitantes não podia correr às mil maravilhas. A Ilha de Wight era conhecida como destino chique de férias e uma invasão de 600 mil hippies não foi bem vista e o Festival deixou de se realizar até 2002.


Jimi Hendrix

The Doors

02 maio 2010

Agenda de Maio

Em mês de Semanas Académicas começamos por destacar uns surpreendentes Franz Ferdinand na Queima do Porto. Provavelmente a maior confirmação até hoje em Semanas Académicas o que prova uma maior aposta neste tipo de eventos. Para além de FF, as Semanas Académicas do País trazem-nos outros artistas como Shaggy, CSS, Gentlemen, Guano Apes ou Mad Caddies. Não está mau. Mas Maio, mês que já cheira a verão, já oferece muita variedade. Rufus Wainwright, Metallica, Au Revoir Simone, The xx são apenas alguns dos bons concertos a que poderemos assistir. Contudo o destaque natural vai para Grizzly Bear, um dos concertos mais aguardados do ano, com primeira parte assegurada por Cibelle. Em Maio decorre igualmente nova edição do Rock in Rio. Deste mediático evento podemos destacar Muse e 2 Many Dj's e pouco mais. Maio já cheira a festa.

Agenda

2. Juana Molina - Santiago Alquimista, Lx
3. Franz Ferdinand - Parque da Cidade, Porto
4. The Horrors + Crystal Castles + Youthless - Coliseu, Lx
6. Shaggy - Faro
6. Aeroplane - Lux, Lx
6. Rufus Wainwright - Coliseu, Porto
7. Rufus Wainwright - Aula Magna, Lx
7. Gotan Project - Coliseu, Lx
8. Gentlemen - Faro
8. Cansei Ser Sexy - Estádio do Restelo, Lx
8. Gotan Project - Coliseu, Porto
10. The Unthanks - Olga Cadaval, Sintra
13. Emir Kusturika & No Smoking Orchestra - Braga
13. A Silent Film - Aula Magna, Lx
14. Guano Apes - Coimbra
14. La Roux - Lux, Lx
18. Metallica - Pav. Atlântico, Lx
19. Metallica - Pav. Atlântico, Lx
20. Digitalism - Lux, Lx
20. Lou Rhodes - Museu do Oriente, Lx
20. Au Revoir Simone - Olga Cadaval, Sintra
21. Au Revoir Simone - Alcobaça
21. Foge Foge Bandido - Parque da Cidade, Porto
22. Lou Rhodes - Braga
22. Au Revoir Simone - Guimarães
25. The xx - Aula Magna, Lx
25. Santana - Pav.Atlântico, Lx
26. Grizzly Bear + Cibelle - Coliseu, Lx
26. The xx - Casa da Música, Porto
27. Muse - Rock in Rio, Lx
27. No Age - Galeria ZdB, Lx
27. Grizzly Bear + Cibelle - Coliseu, Porto
28. Os Pontos Negros - São Jorge, Lx