30 abril 2010

Free - Free Energy (2010)

Sonic Youth - Coliseu - 22.04.2010

A minha preparação para o tão aguardado concerto dos Sonic Youth foi a seguinte: injectaram-me lidocaína no abdómen como quem fura um bolo com um palito para ver se está "pronto" (gani que nem um cão), taparam-mo com um paninho verde garrido, lancetaram-me horizontalmente mesmo abaixo das costelas direitas e espremeram durante 5 minutos o tumor aí alojado, durante os quais apenas pude visualizar os esgares contorcidos do dermatologista (estaria de picha a pingar, acabadinho de comer a avantajada recepcionista de gengivas fumegantes?, pensei). Coseram-me as feridas (dois pontinhos de nylon), taparam-nas com um penso e cobraram-me 240 euros.
Bem melhor foram os caracóis (e coletas) na tasca dos Restauradores, em molho quase perfeito, devidamente acebolado, e com bichos escorregadios, não muito idosos. A fragrância de mofo foi aceite por todos como fazendo parte do preparado. Um empregado atrapalhado que perdeu a conta às imperiais. Uma discussão que opôs o capitalismo ao socialismo. Fulanos de barba e poucas gajas. Em resumo, Lisboa.

Entrou-se no recinto e atentou-se a uma banda portuguesa com boas intenções mas poucas ideias. Certifiquei-me de que o penso estava no sítio. Pausa. Lee Ranaldo chega ao palco. O público anima-se, alguns de nós tinham acabado de o ver ali tão perto na ZDB, com o prolífico Rafael Toral a martelar um bongo com os cuidados de um cirurgião de varizes, de resto, só lhe faltaram umas lupas de dentista para que tivéssemos todos a certeza da precisão milimétrica das pancadas (e garanto-vos que sem isso a coisa ficou um pouco nheh), e parecia tudo tão informal, como deve ser.
Depois os outros chegaram ao palco e, à semelhança do concerto de 2005, descarregaram ali o álbum mais recente, neste caso The Eternal, de uma maneira que diria limpinha. Canções com princípio meio e fim. Em duas delas introduziram um pouco da sua divagação sónica esperada pelos fãs. Mas algo ali começou a soar-me errado. Pelo meio meteram um Schizophrenia, que apenas aumentou a minha desconfiança em relação às outras músicas, por acção do contraste. Ao fim de pouco tempo, saíram do palco. Lembrei-me novamente do outro concerto, e da grandeza das composições do Murray Street. Esse álbum pode ser tocado em repeat durante um ano que não cansa quase ninguém e ao vivo tem algo de épico.
Mas não me mal-entendam: o The Eternal é um grande álbum pop/rock que dá, na minha opinião, dez a zero a quase tudo o que se mete aqui neste blog. Ouvi-lo pela primeira vez é como abrir a janela do quarto da minha avó. Segue o percurso mais recente que teve início no Nurse e que corre ao lado da viragem dos membros da banda para zonas alternativas enquanto artistas individuais. Os Sonic Youth tornam-se agora uma espécie de alívio da intelectualização.
Os encores que se seguiram sem grandes surpresas recaíram nos álbuns dos anos 80, belíssimamente com The Sprawl, Across the Breeze e sobretudo Death Valley 69, a música marada de que todos gostam.
Deu-me a sensação de que as músicas tiveram todas um ponto final. Tal como o concerto teve 3 parágrafos. Mas não foi isso que me fez fascinar com os Sonic Youth in the first place.
Alguém imagina daqui a 20 anos eles tocarem o Malibu Gas Station?

Táxi! Casal Ventoso, se faz favor!

Oub'lá qu'é que 'tás a fazer?
Quero é que tu te bás foder!
Qual é a tu'identidade?
Perdi-a'í p'la cidade!
P'ra qu'é que 'tás tod'à manière?
And'a ber se faç'uma mulher!

Rouba! Rouba! Rouba! Rouba!
Os que te querem bem!
Rouba! Rouba! Rouba! Rouba!
Os que te querem mal!

A triste notícia é que Mão Morta não chegou às novas gerações. Não havia assim tanta gente com menos de 25 anos no concerto de ontem no Coliseu. Não havia sequer tanta gente como eu esperaria. Erro de marketing ou "estou-me a borrifar para o marketing"?
Na minha opinião, a melhor banda de rock portuguesa, talvez a única séria, digo, verdadeiramente séria, digo, uma tentativa constante de  se superarem. Uma banda com um autor que sabe bem o que quer dizer, que é fiel à sua visão amargurada  e desperançada do mundo e das cidades e que usa as palavras como não é muito comum ver-se na atmosfera do rock, e sim com ardor e rouquidão.
Não foram feitos para o Coliseu, não foram feitos para a ribalta. Talvez por isso os adolescentes já não oiçam Mão Morta, estúpidos adolescentes, estúpidos. Talvez se cedessem músicas para telenovelas ou usassem pirotecnia nos concertos ou lançassem mais best of's ou deixassem de fazer álbuns conceptuais ou deixassem as letras negras sujas poeirentas, talvez assim os Mão Morta conquistassem as novas gerações.
Lançaram agora uma caixa com os quatro primeiros álbuns, custa menos de trinta euros, em baixo alguns exemplos. Está dito.

Na indecência da cidade
Fogaréus de mácula
Em cenários de fausto
Arrepiada nudez
De corpos contrafeitos
Dói-me a Alma
Dói-me a Alma
Dói-me a Alma
Dói-me a Alma

Port O'Brien - All We Could Do Was Sing (2008)

29 abril 2010

Obits - I Blame You (2009)

Obits! Nada a ver com os outros pequenos seres que habitavam ou habitam, segundo alguém que passou lá recentemente, a Terra Média. Estes Obits são duros, crús e muito mais agressivos que os pacholas de metro e meio do Shire. Apesar de serem de Brooklyn, eles não pertencem à tribo do Indie Rock. Para eles os tempos de ir tocar para a garagem do único tipo que tinha bateria e cujo pai não lhe ia chagar a cabeça a todo tempo não passaram. Chamam-lhe Garage Rock. Se é Revival ou puro é com vocês. O som é sempre a rasgar e não vos vai desiludir. I Blame You entrou-me logo e penso que o mesmo vai suceder com quem ouvir este disco. Ouve-se de início ao fim sempre de dedo em riste, ou dois. Não adianta referir esta ou aquela música, até porque ninguém quer saber disso. Oiçam o disco. É bom. Mesmo.

28 abril 2010

Surfer Blood - Astro Coat (2010)

Playlists Altamont

Não será novidade para os leitores que, com a chegada das festas Altamont, a actualização de playlists aqui no blog deixou de ser semanal. Com a possibilidade de fazermos a música chegar directamente aos leitores ao vivo e a cores, perde um pouco o impacto estarmos a criar playlists, preferimos guardar as músicas para as colocarmos nas festas, para vermos as reacções às mesmas. Assim sendo, e uma vez que queremos de alguma forma disponibilizar também alguma música aqui no blog, a nossa opção passou por passar a fazer playlists temáticas, de apenas uma hora. Todas as semanas, um tema novo, uma nova playlist. Para lançar a coisa, decidi criar uma playlist com o tema "Lost".

Asia – Omega (2010)

A idade vai apertando. O tempo dos grandes sucessos vai longe. O último disco de estúdio (“Phoenix” de 2008) foi uma desgraça. E ao vivo as vendas de bilhetes também não são famosas. Perante um “cenário tão negro” como este, qualquer boa alma já teria desistido…não sem antes fazer uma pergunta: “mas o que é que vocês ainda andam aqui a fazer?”.
Pelos vistos a vontade de tocar e de fazer música em conjunto é demasiado enorme para desistir. E assim, para estes quatro veteranos que constituem o grupo mais “Pop” do Rock Progressivo, “a saga continua”…
“Omega” é sem dúvida uma boa surpresa, não só porque vem de quem vem, como talvez seja o melhor disco em que John Wetton, Steve Howe, Carl Palmer e Geoff Downes participam em mais de 20 anos.
Aqui recupera-se a aptência para a escrita de boas e curtas canções que apesar de terem uma base algo comercial, vão beber muitas influências às bandas das quais eles emanam (Yes, King Crimsom e Emerson, Lake & Palmer). Desta forma, os Asia renascem das cinzas capazes de agradar não só aos fãs do Rock dos anos 80, como piscam o olho a todos os velhos apreciadores dos anos 70.
Destaque principal, para o vocalista/baixista John Wetton que neste disco parece que os anos não passaram por ele. A julgar pelas fotografias de promoção, uma simples dieta alimentar e o corte total da ração de alcóol devem ter feito maravilhas ao ex-King Crimson que soa uns anos mais novo.
Destaco aqui duas ou três grandes canções do calibre dos Asia dos primórdios. Primeiro “Finger on the Trigger”, uma das grandes canções de “Rock FM” do ano e que tenho a certeza que seria um sucesso caso eles mandassem uns putos fazer o teledisco por eles. Fica a sugestão. Entretanto cabe-me acrescentar que os solos de Steve Howe (numa postura muito mais “Rock” que nos Yes) e Gofff Downes são soberbos.
Seguem-se os épicos “Holy War” e End of the World” que apesar de soarem muito a “anos 80”, têem lá qualquer coisa de muito melódico capaz de prender a nossa atenção. Goste-se (ou não), é impossível dizer que os arranjos de “Through My Veins” ou da balada “There Was a Time” não estão bem escalonados ou executados. O único momento talvez mais fraco seja a faixa “Emily” que com aqueles sintetizadores celestiais soa um pouco a “azeitice”. De resto tudo em ordem.
Com “Omega” os Asia acertam na ordem e conseguem fazer um disco que embora não seja o seu melhor de sempre, ou até mesmo dos melhores de este ano, é pelo menos um retrato honesto e simples das boas capacidades de quatro músicos que aos 60 e tal anos ainda sabem tocar como ninguém. E se o fazem por “puro gozo”, sem preocupações de criticas ou vendas…ainda melhor!

MÃO MORTA - 5ª feira - 29 de Abril (Coliseu dos Recreios)

Quem não for.

24 abril 2010

Ramones - Ramones (1976)

Hey Ho! Let's Go! Obviamente que não poderia haver melhor maneira de começar este artigo. Nem outra coisa se poderia esperar até porque este mote acabaria por se tornar no espírito de vida desta banda norte americana. Sobejamente conhecidos e referidos por quase toda a gente que gosta de música, os Ramones, por vezes, são tidos como uma espécie de Guilty Pleasure dado a (muito) má qualidade musical dos seus membros. Três acordes básicos e sempre a abrir são o cartão de apresentação desta banda. Letras adolescentes e músicas que raramente passam os 2:30m não são propriamente sinais de uma banda de qualidade. Pois bem, a realidade é outra. Os Ramones são os Beach Boys do Punk-Rock. Em especial do período inicial da banda de Brian Wilson. Quem ouve este disco de 1976 de início ao fim, e é bastante fácil dado o seu curto tempo, não sai defraudado, bem pelo contrário. São 14 músicas sempre a rasgar, sempre na mesma onda, sempre com vontade de bater o pé direito e abanar a longa cabeleira (para quem a tiver, claro). Músicas como "Blitzkrieg Bop", "Beat on the Brat" ou "Judy is a Punk" dão sempre aquela energia seja em que momento for. Podiam ser péssimos músicos mas rockar era com eles!

Airbourne – No Guts, No Glory (2010)

Imaginem uns AC/DC uns trinta anos mais novos, com a velocidade vertiginosa de uns Motorhead e a vontade de ganhar a vida à moda de uns Motley Crue. Apresento-vos a nova coqueluche do rock “made in terra dos cangurus”: os Airbourne!
Surgidos há meia dúzia de anos no remoto estado de Victoria, numa terriola chamada Warrnambool (tudo muito no espirito “Crocodile Dundee”), não é dificil imaginarmos quatro putos alimentados a uma dieta de Hard Rock e Heavy Metal com ganas de sairem da Australia e tocarem por esse mundo fora espalhando o “gospel” criado pelos manos Young e o seu comparsa de aventuras, o malogrado Bon Scott.
Aliás se há banda que os Airbourne fazem lembrar é os AC/DC da fase de “Let There Be Rock” e “If You Want Blood”. Vê-se que estudaram bem a “cartilha toda” dos seus predecessores. São canções simples sobre temas ainda mais simples como “cars n´ girls” (“Blonde, Bad, Beatiful”), riffs monstruosos de guitarra (“No Way But the Hard Way”). Ou seja: rocalhadas à moda antiga direccionadas para queimarem os fusíveis do nosso cérebro enquanto levamos um bom soco no estômago de tão eficazes que são. Ou seja nada aqui é para pensar mais do que dois segundos. È puramente música para abanar o capacete, o que não tem mal nenhum. Todos nós devemos ter uma experiência de “estupidificação sonora” de tempo em tempos. Mas já que é para ter mais vale que seja com temas abrasivos como “Raise the Flag” (que grande malha de Rock n Roll); “Steel Town” (essa grande canção do cancionário dos AC/DC e que os manos Young nunca escreveram) ou “Born to Kill” (que faz lembrar quando os Motley Crue eram considerados “o futuro do Rock n Roll”).
Sem grandes contemplações, “No Guts. No Glory” é o resultado muito simples e directo de uma banda humilde (mas com “eles” no sitio) mas que podem aspirar a ter grandes ambições (la diz o ditado: “It´s a Long way to the top…if you want to rock n roll”). Pode não ser a coisa mais original á face da Terra, ou até mesmo sequer de Warrnambool, mas lá que sabe bem ouvir um rockzinho estupidificante (e viciante) destes…ah lá isso sabe!

23 abril 2010

Talvez Relacionado #45

Já tinha publicado o post abaixo, mas agora já temos video, portanto nada como actualizá-lo e deixar-vos os Harlem à distância de um click. Olhem que é coisa para apreciarem...



Sem muitas palavras porque não me apetece escrever. Harlem (nome banda). Austin, Texas (origem da banda). Hippies (nome do álbum lançado esta semana pela banda). "Friendly Ghost" (amostra do álbum lançado esta semana pela banda, clicar no link para ouvir a música). Myspace da banda. Bom som, mas ouçam vocês mesmos. Única forma de saberem se gostam ou não.

21 abril 2010

Jeff Beck – Emotion & Commotion (2010)

A par de Eric Clapton, Jimmy Page e Pete Townshend, Jeff Beck constitui uma das referências lendárias da guitarra “made in Britain” da sua geração (de 60). Com uma carreira que compreende quase 50 anos de actividade e onde se contam alguns grandes episódios do rock: primeiro com o Jeff Beck Group (entre 1968 e 1970 e que contava com os serviços de Rod Stewart e Ron Wood) , depois com o super-grupo Beck, Bogert & Appice (1972-1973) e mais tarde rumo a solo com algumas experiências bem sucedidas na área do jazz-rock (“Blow by Blow” e “Wired” de 1975 e 76 são essenciais à audição de qualquer aspirante a solista das cordas de aço).
Agora, com quase 66 anos de idade, e depois de uma montanha russa de registos pouco aprecidados ou até mesmo mediocres (nomeadamente na década de 80 e 90), Beck está de volta e atrevo-me a dizer com uma atitude jovem e revigorada. “Emotion & Commotion” é talvez o seu melhor disco desde “Guitar Shop” (editado em 1989).
Com a produção do mago de estúdio Trevor Horn, Beck guia-nos por “avenidas sónicas” que tanto vão beber à fonte do ” jazz-rock” (no qual ele é definitivamente um mestre) como entra de rompante pelos Blues , género que Jeff apadrinhou nos anos 60 quando tocou nos saudosos Yardbirds. Mas também há aqui espaço para umas” rocalhadas dos bons velhos tempos” (“There´s no Other Me” e “Hammerhead”) que confirmam o porquê de muitos lhe chamarem: o “guitarrista dos guitarristas”.
No geral temos aqui um disco maioritariamente instrumental, onde reina uma certa harmonia semi- “new age” saída dos solos da Fender Stratocaster Jeff Beck. Os melhores temas são sem dúvida as versões instrumentais dos standards: “Nessum Dorma” e “Over the Rainbow”.
Mas o disco não vive só das proezas do veterano guitarrista.A estrela de Joss Stone brilha mais alto no bluesy de “I Put a Spell on You” e Imelda May assina com “voz de ouro” o soturno ou melancólico “Lilac Wine”.
Um disco que se ouve muito bem do inicio ao fim, sem grandes preconceitos e que prima pelos arranjos cuidados da produção (até a orquestra soa bem). O que vem não só ajudar a revitalizar a carreira até então “meio-adormecidada” de Beck, como lhe permite lançá-lo de novo na corrida pelo titulo de melhor guitarrista Rock do mundo. A concorrência que se cuide…

Radiohead - Hail to The Thief (2003)

Como não é correcto para os leitores Altamont começar as coisas para as deixar a meio, vou aqui terminar aquilo que me propûs a fazer - a análise da carreira dos Radiohead álbum a álbum.
Após as tensas sessões de gravação para Kid A e Amnesiac, foi decidido pela banda dedicar menos tempo nesse processo ao novo álbum, de forma a evitar alguns conflitos ocorridos anteriormente, ao mesmo tempo que permitia aos membros já com filhos passarem mais tempo com as suas famílias. Yorke chegou a afirmar mais tarde que gostaria de ter passado mais tempo em estúdio, mas na minha opinião não valia a pena. Por vezes, o facto de manter as coisas mais simples traz ao de cima o melhor. E penso que assim terá ocorrido na gravação deste Hail to the Thief, cujo nome do álbum advém supostamente de uma variação de "Hail to the Chief", música entoada para o Presidente dos EUA, na altura George W. Bush, do qual Yorke sempre foi (mais) um acérrimo crítico.
Costuma-se dizer que não há como uma primeira impressão de algo. Pois bem, Hail to the Thief, ao contrário dos 2 álbuns anteriores dos Radiohead nos quais foram precisas mais atentas audições, conquistou-me à primeira audição. Nos primeiros segundos de cada música, uma a uma, conquistou-me. Vou tentar recriar aqui em palavras, na medida do possível, esse sentimento: Abre-se o package (é que não é uma caixa, não é um livro, não é uma embalagem... é mesmo um package, perdoem-me os mais aguerridos defensores da pureza da língua portuguesa, mas é mesmo um package lindo, fora do normal em tamanho e conteúdos, com um enorme mapa, as letras das músicas, extraordinário só por si), tira-se o CD, e mete-se no sistema de som. E começa "2+2=5.", uns sons de aquecimento, como que um ligar do sistema e música, apenas voz, piano e uma ligeira batida a acompanhar. Um manifesto de intenções, "Are you such a dreamer/ To put the world to rights?/ I'll stay home forever/ Where two and two always makes up five." Depois entra a guitarra, lentamente. Até que passados 2 minutos o ataque passa a ser frontal "You have not been payin' attention!" é-nos gritado ouvido dentro, acompanhado pela intensidade da guitarra, com um riff que estava pronto a sair da guitarra do Ed O'Brien ao tempo, bateria, ritmo forte. Uma clara demonstração que há algo aqui a que tomar atenção e foi o que fiz. Ouvidos ainda mais alerta. E volta a calmia patente no início do álbum com o começo de "Sit Down. Stand Up." Mas o ritmo em crescendo rapidamente nos mostra que é sol de pouca dura e aos 3 minutos a música atinge o auge com o início de uma batida demoníaca, com Yorke a repetir constantemente "The raindrops?". Neste momento já estou encostado à parede, rendido à intensidade que me foi colocada à frente e ainda só vamos na segunda música. Por isso, nada como acalmar as hostes, com uma balada, "Sail to The Moon." Há sempre uma nos álbuns dos Radiohead, e esta está ao nível delas todas. Já recuperei o fôlego, e continuo deslumbrado com cada momento vivdo até então. Next song: "Backdrifts". Reminiscências de Kid A e Amnesiac não poderiam faltar, como se dúvidas houvessem, esses álbuns não foram experiências isoladas, são na realidade elementos definitivamente integrados no som da banda. "Go to Sleep" também demonstra isso, fazendo lembrar "Knives Out", e reforçando o manifesto inicial "We don't want the loonies taking over/ Over my dead body!". Qualquer semelhança entre um loonie e Bush é mera coincidência...
"Where I End And You Begin" é mais um excelente momento do álbum, da qual realço o êxtase final, que desagua num regresso ao piano, acompanhado de palmas, em "We Suck Young Blood", mais uma música que nos convence que é calma e pacífica, e depois nos ataca inesperadamente para depois nos deixar novamente ao "abandono" das palmas e piano, sempre com a voz de Thom Yorke a envolver-nos totalmente. "The Gloaming" leva-nos de volta a Kid A, enquanto que "There There", primeiro single do álbum nos recebe a som de tambor e é mesmo um momento em que confluem todas a história dos Radiohead. Como que se conseguissem juntar numa música só tudo o que fizeram na sua carreira. Lembro-me perfeitamente que foi a música de abertura do concerto que deram em Lisboa antes do lançamento do álbum, que serviu para testarem as músicas ao vivo, e a estranheza que causou ver Ed O'Brien de baquetes em punho a bater no tambor. Mas estranheza, com os Radiohead, é um sentimento que passa depressa...
O arranque para a parte final do álbum dá-se com "I Will", calmo e tranquilo, seguido de "A Punch Up at a Wedding". Mas o grand finale, a que os Radiohead sempre nos habituaram, fica neste álbum a cargo de uma sequência de 3 músicas, "Myxomatosis", "Scatterbrain" e "Wolf at the Door". Totalmente distintas mas que resumem o que são os Radiohead. Pouco vou dizer sobre elas, porque pouco há mesmo a dizer. "Wolf at the Door" ficou no meu ouvido desde a primeira audição, durante o concerto no Coliseu em 2002, 1 ano antes do álum sair. E foi isso que disse aos elementos da banda quando tive a sorte de falar com eles no já longíquo dia 24 de Julho de 2002...

18 abril 2010

Onde estão as minhas fotos?

Por razões desconhecidas, nos últimos tempos, este vosso amigo de objectiva em riste vacilou, e não depositou aqui os seus relatos visuais de alguns concertos, que o merecem.
Não foi por mal. E para provar isso mesmo, vou publicar todos duma vez, não só com as fotografias, mas legenda.
Não volta a acontecer.

15 abril 2010

Relacionado #52

Aqui fica mais uma banda que pertence a este novo sub género, noise surf pop/rock. Crystal Stilts é o seu nome e deixo-vos com "Departed" com sonoridade muito colada a Joy Division.

14 abril 2010

Blood Red Shoes - Santiago Alquimista - 11.04.2010


Depois da boa recepção em Paredes de Coura, o duo britânico "Blood Red Shoes", voltou ao nosso país.
Na bagagem, tinham o novíssimo "Fire Like This", editado em Março, e desde já, um bom pretexto para me deslocar até ao bar concerto no cu de judas aka Santiago Alquimista.
Antes que apareçam criaturas estranhas como o meu amigo Cisto (que gosto muito), a ladrar a torto e a direito que a banda soa a nada de novo, fiquem sabendo que gosto da sonoridade desta banda. Injustamente comparados com outros duos rapaz-rapariga como os White Stripes ou The Kills, têm um flavour 90s bastante apetecível: Não foi por acaso que foram escolhidos pelas Breeders para uma tourné...
Apesar do duo ser ainda bastante novo, demostra ter uma maturidade musical como ficou provado em grandes malhas como Its Getting Boring By The Sea ou I Wish I Was Someone Better.
Steve Ansell é carismático na bateria, em constantes homages ao Keith Moon, e Laura-Mary - capaz de fazer uma erecção a um morto - tem unhas que cheguem para a sua stratocaster.
Estes garotos vão longe. Podes tocar à vontade na minha Stratocaster, Mary




13 abril 2010

Cartoon: Roll - Wes Anderson Style

Altamont Sounds Presents:

Como não me tem apetecido escrever, ainda não tinha aqui colocado isto. Mas como pedidos de fãs não se podem recusar, aqui vos vou deixar a playlist da Moonlight Drive Session, realizada no Miradouro de São Pedro de Alcântara no passado dia 2 de Abril. Agradeçam à P.! a motivação que me deu! Foi uma boa noite, houve várias pessoas a deslocarem-se até à mesa de som para se mostrarem agradados com a escolha musical, pelo que irão haver mais destas num futuro próximo, por isso há que aparecer, com o tempo a aquecer nada como um espaço ao ar livre para as noites de Primavera/Verão!

1. Finish Your Collapse And Stay For Breakfast - Broken Social Scene
2. Moonlight Drive - The Doors
3. Tell Me What Its Worth - Lightspeed Champion
4. Caring Is Creepy - The Shins
5. Two Weeks - Grizzly Bear
6. All is Love - Karen O and The Kids
7. The Sweetest Thing - Camera Obscura
8. Periodically Triple Or Double - Yo La Tengo
9. Everyone is Guilty - Akron Family
10. Luna - Fanfarlo
11. The Next Time Around - Little Joy
12. Paul Simon - Ölga
13. More Of This - Vetiver
14. Lust For Life - Girls
15. This Love Is Fucking Right! - The Pains Of Being Pure At Heart
16. Brass In Pocket - The Pretenders
17. Gloria - Patti Smith
18. Pulled Up - Talking Heads
19. Radio Free Europe - R.E.M.
20. Jumpin' Jack Flash - The Rolling Stones
21. Get Back - The Beatles
22. Sissyneck - Beck
23. Corner Of My Room - Turner Cody
24. Feel The Pain - Dinosaur Jr.
25. Evidence - Faith No More
26. Motorcycle Emptiness - Manic Street Preachers
27. Gigantic - Pixies
28. Trigger Cut / Wounded-Kite at :17 - Pavement
29. Today - Smashing Pumpkins
30. Long View - Green Day
31. I'll Stick Around - Foo Fighters
32. Drain You - Nirvana
33. Rearviewmirror - Pearl Jam
34. Going nowhere - Therapy?
35. Poison Arrow - Sonic Youth
36. The Rat - The Walkmen
37. Slow Hands - Interpol
38. Neighborhood #2 (Laika) - Arcade Fire
39. Mistaken For Strangers - The National
40. Someday - The Strokes
41. Slow Night, So Long - Kings Of Leon
42. Fluorescent Adolescent - Arctic Monkeys
43. Staring At The Sun - TV On The Radio
44. Disorder - Joy Division
45. Young Hearts Spark Fire - Japandroids
46. One Way Or Another - Blondie
47. Heads Will Roll - Yeah Yeah Yeahs
48. Cousins - Vampire Weekend
49. Saddest Summer - The Drums
50. Huddle Formation - The Go! Team
51. 1901 - Phoenix
52. Islands - The xx
53. Brother Sport - Animal Collective
54. A Call To Arms - Beirut
55. Nantes - Beirut
56. Anyone Else But You - The Moldy Peaches
57. God Only Knows - The Beach Boys

Enjoy!

12 abril 2010

Orphelia - Yuri's Night [IST] - 12.04.2010



Era uma vez um russo, Gagarine, que foi ao espaço a 12 de Abril de 1961. Depois disso, já numa era mais moderna, decidiu-se homenagear esta primeira ida de um humano ao espaço e mais além, e desde há uns anos, celebra-se no mundo todo a Yuri's Night. Este ano, e em Portugal, a Associação de Estudantes do Técnico promoveu conversas, debates e outras actividades, como música. Pediram a 2 bandas para comporem músicas, inspiradas na viagem espacial do sr. Gagarine.
Os Orphelia são uma banda de Lisboa, boa gente, com boas influências. Perante este convite, decidiram compor uma peça de 20 minutos, e que não podia ser mais adequada ao tema. Durante aqueles 20 minutos, estive bastante perto de Oberon, Miranda e Titania.
Um projecto a ter em conta nos próximos tempos.

11 abril 2010

MGMT - Congratulations (2010)

E a geração de Brooklyn volta a mostrar que o fenómeno que apareceu naquela zona de Nova Iorque não foi apenas um hype passageiro. Após a década de 2010 ter sido estreada com o último disco dos Vampire Weekend, Contra e também o recentemente lançado Odd Blood dos Yeasayer, os MGMT não quiseram ficar para trás e surgem dois anos após o êxito de Oracular Spectacular com Congratulations. Se o primeiro disco do duo Wyndgarden-Goldwasser primou pela sonoridade festiva e inocente expressa em músicas como "Time to Pretend", "Kids" ou "Electric Feel", este segundo trabalho é como um acordar para a realidade e exigências do mundo adulto e todas as suas dificuldades e dores. Congratulations é, essencialmente, um disco muito mais introspectivo mas não fugindo à essência psicadélica dos MGMT, porém agora engane-se quem quer dançar até cair ao ouvir as suas músicas. Este disco é para quem tem um gostinho especial por certas bandas psicadélicas britânicas dos anos 60, em especial os Zombies ou os Nirvana [UK]. A influência de Odessey and Oracle e de Simon Simopath é gritante. O disco abre com uma das melhores músicas do álbum, uma que vai ficar no ouvido durante anos. "It's Working" é o seu nome. "Song for Treacy" mantém o mesmo registo enquanto "Someone's Missing" confere alguma melancolia ao disco. O single que serve de apresentação ao álbum demonstra claramente o caminho que a banda começa a aparentar seguir. Um som psicadélico, meio explosivo e com alguma alienação. Quem não gostar (muitos odiaram) que se vire para outro lado. As experiências continuam no "opus" de 12 minutos de "Siberian Breaks" com constantes mudanças de tempo e ritmos. "Brian Eno", como o nome indica é uma música-homenagem a um dos grandes músicos e produtores de todos os tempos. A música não o irá desapontar, decerto.
Os MGMT estão de volta, e ainda bem, pois estão melhores. A festa foi boa enquanto durou com Oracular Spectacular mas agora é tempo de seguir em frente e Congratulations é, claramente, superior.

09 abril 2010

Talvez Relacionado #46

Titus Andronicus, "A More Perfect Union", single de apresentação do novo álbum, The Monitor.

Manifesto Pro-Drogas

Pedro Abrunhosa revela que nunca tomou drogas (excepto um resquício de um charro na adolescência) na vida e que não admite que os seus músicos o façam.

Fez-me lembrar o Hicks

08 abril 2010

Foge Foge Bandido - Aula Magna - 08.04.2010



O maior artista português da nossa geração.
Manel Cruz é um poço criativo, e canta bem. É um tipo relativamente humilde, meio bicho do mato, que se esconde (talvez demasiado) atrás da sua música e das máquinas com que fabrica o seu som.
Na Aula Magna, apresentou praticamente o disco todo - o duplo O Amor Dá-me Tesão/Não Fui Eu Que Estraguei. Cada um dos discos tem 40 faixas (embora nem todas sejam canções), e por isso o concerto tem de ser necessariamente comprido. Houve quem se queixasse de ser demasiado longo, mas na opinião deste escriba não foi aborrecido.
Ele já cá tinha estado, no ano passado, no São Jorge cinema, mas agora trouxe o espectáculo mais bem oleado, com uma banda versátil, com bons músicos, que foram capazes de tocar ao vivo as músicas, que no disco parecem ter sido preparadas em laboratório, com uma imensidão de sons meticulosamente sobrepostos. Talvez este tenha sido o melhor concerto do Bandido enquanto bandido, exactamente porque é difícil tocar ao vivo aquelas músicas, e elas foram tocadas, por instrumentos, e só raramente com samples, e desta vez tudo saíu de forma orgânica, não soou estranho toda aquela camada de sons e barulhos.
Em termos criativos, o Bandido continua a mostrar que sabe escrver letras como poucos. E põe esses poemas cá fora em forma de canções, que não se enquadram num estilo definido, antes, definem um estilo - o do Bandido.
Esta aparição do Manel Cruz em Lisboa volta a colocar na opinião pública (mais do que o PEC, o TGV ou a vinda do Papa) o regresso dos Ornatos Violeta.
O Manel Cruz não parece muito inclinado para esse lado - prefere estar sempre a olhar para a frente, a pensar em novos projectos, e nem se sabe se vai haver continuação do projecto Foge Foge Bandido, talvez apareça aí com outro projecto.
Mas é incontornável não pensar e desejar um regresso dos Ornatos. Foi agora anunciado que vai ser feito um documentário sobre eles, a estrear em 2011. Quando o Manel tocou, no concurso Termómetro, em Lisboa, no início do ano, mal tocou os primeiros 2 acordes de Capitão Romance, o público teve um orgasmo conjunto. Ninguém ficou satisfeito com o fim dos Ornatos, todos queremos ver e ouvir mais, e eles têm muito para dar. Não parece que voltem a juntar-se, nem tão pouco a criar coisas novas. Mas um concerto, num Coliseu dos Recreios, já saciava muitos apetites.

Midlake - The Bowery Ballroom - 07.04.2010

Não estando a escrever nas melhores condições psíquicas nem psicológicas nem muito menos sóbrias, o relato de hoje poderia ser tudo menos o verdadeiro. Não entanto não vos vou defraudar. O que presenciei hoje foi mais um exemplo do que a América ainda tem para nos oferecer. O som dos Midlake tal como foi referido há alguns meses, é absorvente. Não nos deixa indiferentes e cada música é uma espécie de capítulo numa longa história. Mas comecemos pelo prelúdio. Como primeira parte desde concerto surgiu um nome desconhecido. John Grant. Rapaz de barbas longas acompanhado pelo seu piano e por alguns amigos. Barbudos também. John e seus compinchas musicalmente são muito bons, liricamente Grant é um comediante. A sua música e letras são contradições que penso nunca ter assistido recentemente. Grandes músicos, grandes arranjos e letras relativamente patetas e cómicas conseguiram fazer aparecer reacções diferentes do público. Foi bom. Foi mau. "Queen of Denmark" é o nome do disco. Oiçam-no.
Os Midlake estavam logo ali a seguir. E foram tão ou melhores que na audição dos discos. Por eles os anos 80,90,00 e 10s não passaram. os setentas estão lá e que bem que estão. Não lhes tirem isto. Há coisas que a cultura americana tem de tão positivo que muita gente não percebe. Eles podem ter fórmulas para tudo mas a música contemporânea nasceu neste novo mundo e para este há de voltar sempre, mesmo que se refine no Reino Unido. A imagem que fica deste concerto é esta: Uma bateria, um baixo e 5 guitarras a ondular pelo folk-rock. Sete indivíduos a encher um palco e uma plateia. O público, novo e velho, agradece. Nós também.

06 abril 2010

Soulbizness - 2nd Shake (2010)

Lisa Germano e Phil Selway - CCB - 06.04.2010



O baterista dos Radiohead vai lançar um disco a solo. Escreveu uma data de canções, em que canta e toca guitarra. Tem a companhia de algusn amigos, nomeadamente Lisa Germano, e apresentou algumas músicas neste concerto. Lisa Germano também tocou alguns temas seus.
O concerto no Pequeno Auditório do CCB foi uma bela ocasião para levar uma caompanheira feminina, que se esteja a tentar engatar, mas nesta caso, não na esperança que rolassem beijinhos ou outros carinhos. Um homem apenas podia esperar que ela encostasse a cabeça no nosso ombro e dormisse uma sesta. Pouco mais.
O Phil Selway fará melhor se continuar só como O baterista dos Radiohead.

05 abril 2010

Agenda de Abril

Oh Abril que nos trazes Sonic Youth! A mítica banda que já leva 29 anos de existência está de regresso a Portugal para apresentar o 24 álbum da carreira, "The Eternal". Dois grandes concertos para encher os Coliseus de Lisboa e Porto, nos próximos dias 22 e 23. Sem dúvida que é o grande destaque do mês. Mas Abril já começou há alguns dias, e começou da melhor maneira com as Moonlight Drive Sessions, no passado dia 2. Decorreu no miradouro de São Pedro de Alcântara e foi imperdível.

Os grandes destaques para este mês, para além então de Sonic Youth, vão para a dupla Blood Red Shoes, The Horrors com Crystal Castles e os Hadouken! naquele que vai ser o 4º Secret Show organizado pela Optimus e o MySpace. Do lado nacional o grande destaque vai para Manuel Cruz e o seu projecto Foge Foge Bandido, a não perder.

6. Lisa Germano & Phil Selway - C.C.B., LX
7. Lisa Germano & Phil Selway - Casa da Música, Porto
8. Foge Foge Bandido - Aula Magna, Lx
9. David Fonseca - Coliseu, Lx
10. Hadouken! - Gossip, Lx
10. Dick Dale + The Sonics + Yacht - Casa da Música, Porto
10. Sebastian - LX Factory, Lx
11. Blood Red Shoes - Santiago Alquimista, Lx
12. Blood Red Shoes - Casa da Música, Porto
16. Tara Perdida - C.E.Operária, Lx
16. David Fonseca - Coliseu,Porto
16. Foge Foge Bandido -Teatro-Cine, Torres Vedras
17. The Horrors + Crystal Castles - Coliseu, Lx
21. Lee Ranaldo + Rafael Toral + Times New Vikings - Galeria ZdB, Lx
22. Sonic Youth - Coliseu, Lx
23. Sonic Youth - Coliseu, Porto
23. Patrice - Estádio Municipal de Aveiro
29. Mão Morta - Coliseu, Lx
29. Port O'Brien - Santiago Alquimista, Lx
30. Crookers - Teatro Sá da Bandeira, Porto



Mão Morta

Foi aproximadamente na altura em que li o Frederico dizer que finalmente a música portuguesa está a despertar para patamares de qualidade graças aos Flor Caveira e os Black Bombaim (neste momento podem rir-se à vontade, vá, isso, deitar cá para fora essas golfadas de ar, ok, podem relaxar agora, inspirar fundo, limpar a garganta, engolir, annnnd we're back!) que quase por acaso retropecei no Corações Felpudos dos Mão Morta (de 1990).
Ouvir Mão Morta, por mais antigo que seja o trabalho em si, é do mais revigorante que possa haver. Poucas bandas, nacionais ou internacionais, construíram uma identidade tão rica e variada como eles, do ponto de vista instrumental (músicos excelentes), lírico (a poesia de Adolfo não se encontra em mais lado algum) e experimentalista.

Mão Morta lançam novo álbum a 19 de Abril, tocam no Coliseu de Lisboa a 29 e proponho-me aqui a fazer uma retrospectiva da sua obra.

Abril sempre foi um bom mês.

Não Relacionado #11


Dillinger Escape Plan - Farewell Mona Lisa


The Joy Formidable - Popinjay


Class Actress - Journal of Ardency


Three Trapped Tigers - 11

02 abril 2010

Heavy Trash/Legendary Tigerman/Bloodshot Bill - Lux - 31.03.2010

Talvez devido ao facto de ser um music geek, são poucos os concertos que ainda me surpreendem.
No entanto, o dia muito pouco primaveril de 31 de Março foi ávido em boas surpresas: Depois de sair banzado do cinema com o filme "Tony Manero", uma quase obra prima, desloquei-me até ao Lux para uma noite de pura bonanza Rock Rolleira.
Nunca tinha visto Jon Spencer ao vivo, uma lacuna grave eu sei, e estava expectante em relação ao recente projecto do mentor dos grandes, dos enormes, dos orgásmicos "Jon Spencer Blues Explosion Band".
Passava pouco das dez da noite quando entra em palco a one band de Bloodshot Bill.
Eu cá gostei da onda old school rockabillie deste senhor, sempre a pentear a sua longa franja com gel, que manteve as minhas solas dos sapatos bem activas.
O senhor que se segue, Legendary Tiger Man, mostrou que vale a pena acreditar neste país periférico à beira mar plantado.
Destaco a música final "Big Black Boat", interpretada de forma superior, e onde houve lugar para de tudo um pouco: Rock apunkalhado, slide guitar e até noise guitar extravaganza "a la" Sonic Youth.
Finalmente, ainda antes da meia-noite, entraram em palco os Heavy Trash de Jon Spencer.
Spencer, um autêntico Elvis on Acid, deu o litro, para não dizer "litradas".
Rodeado por uma banda de exímios executantes - magistral o trabalho do contrabaixo e vozes de suporte -, levaram-nos até ao Mississippi com alguns momentos psicadélicos, experimentais e, por vezes, de energia punk.
A forma como Jon Spencer consegue agarrar as raízes do blues para as transformar, deixa-me de sorriso nos lábios.
Nesta noite tivemos de tudo um pouco: blues, rock, punk e uma entrega total de grandes e sinceros músicos.
O final foi apoteótico. Jon Spencer junta-se ao público e com todos sentados no chão discursa sobre a importância do rock e do amor.
Só mais uma coisa: O Nando, o amigo do Ico, devido à excitação do concerto, perdeu a carteira. Se alguém encontrou a carteira, por favor comunique ao altamont...

01 abril 2010

Relacionado #51

Esta é uma daquelas músicas que nos faz logo esquecer estes dias chuvosos e frios. Promete ser uma das mais ouvidas nestes meses. "Home" de Edward Sharpe & The Magnetic Zeros.