31 dezembro 2009

Relacionado #17

Aqui fica a minha banda sonora para este fim de ano, os Iron Butterfly com In - A - Gadda - Da - Vida de 1968.

30 dezembro 2009

Álbuns da Década: #1

Fleet Foxes - Fleet Foxes (2008)





Eis que chegamos ao último álbum da década (versão cronológica) e esse teria que ficar a cabo de uma das grandes revelações desta década, os Fleet Foxes. A banda originária de Seattle conseguiu, neste seu primeiro disco, chamar a atenção de todos. Os adeptos da Folk ( Influências de Dylan), os do Country-Rock (Byrds, Neil Young ou The Band), Prog Rock (My Morning Jacket), até da Sunshine Pop (Beach Boys) com os seus coros cristalinos como um qualquer rio que atravesse o norte dos Estados Unidos. O disco abre com "Sun It Rises" como a descrever os primeiros raios de sol num domingo de chuva. "White Winter Hymnal" é, sem dúvida, uma das músicas desta década. Uma verdadeira delícia. Para uma banda que apenas tinha editado um EP (Sun Giant) os Foxes revelam-se como uma banda madura como se estivesse cá há muitos anos. "Ragged Wood" vai do Country-Rock ao Folk e ainda ao semi-psicadélico. Uma variedade de estilos que se torna a imagem de marca desta banda norte-americana. O disco, praticamente todo na mesma bitola de qualidade com especial destaque a "Your Protector" a piscar um olho ao lado mais místico de Led Zeppelin. Com a maturidade demonstrada neste seu primeiro disco esperamos que a bitola se mantenha sempre neste nível.

Talvez Relacionado #30

Aqui fica uma primeira amostra de "Romance is Boring", o álbum que sairá em 2010 dos Los Campesinos!. Parece-me que estão a caminhar numa boa direcção, a assentar bem a energia toda da juventude que marcou os seus álbuns anteriores. Mas só com uma música é cedo para tecer comentários. Deixo-vos com "The Sea is a Good Place to Think of the Future".



Enjoy!

Talvez Relacionado #29

Epá, raios me partam se esta música não é umas das melhores que se fizeram em rock nesta década que passou! "The Rat", dos The Walkmen. E tenho dito!

26 dezembro 2009

Vic Chesnutt

Vic Chesnutt deixou-nos no dia de natal.Músico independente, homenageado em 1996 na colectânea Sweet Relief II por músicos como REM, Madonna e Smashing Pumpkins, editou vários álbum a solo e com o projecto Brute.

23 dezembro 2009

Living Colour@Santiago Alquimista - 22/12/2009

Devo começar por dizer que não sou o maior conhecedor de Living Colour. Mas comprei o Stain em 1994, com 13 anos, e continua a ser um dos grandes discos dos anos 90.
Existe uma febre recorrente em relação à década de 80, e os dez anos seguintes tendem a ser menosprezados em termos de modas e gostos. Pensa-se nos anos 90 apenas como o período no qual se afirmaram tanto o grunge como as boybands, tal como a popularização da dance music. Mas eu creio que é redutor.
Na primeira metade dos anos 90, a par do conhecido slackerismo e do heroin chic, conviviam muitas expressões de vanguarda na arte, acompanhadas de um cepticismo urbano de cariz pós-moderno, uma espécie de auto-sarcasmo. Decorrente do crescimento económico nos anos 80, este foi também um período de excessos e de alguns traços barrocos – e como não podia deixar de ser, tinha equivalentes musicais. E os Living Colour espelhavam isso perfeitamente.
Pertencem, a meu ver, a um grupo selecto de bandas: bandas extremamente criativas e compostas de virtuosos, mas com traços pop que permitiam aos grupos ter considerável popularidade e êxitos, também com alguma dose de ironia.

Escrevi, até agora, a maior parte desta crónica no passado, mas não é justo para a banda. O concerto de hoje provou que estão em forma, talvez como nunca tenham estado. O preço do bilhete, a proximidade das festas e a noite de temporal seriam vários factores para desmotivar uma ida, mas sabia que iria arrepender-me se não fosse. E valeu mais a pena do que imaginava.

Um breve apontamento para expressar a pena que tenho em que nem toda a gente possa ter presenciado o concerto. Mesmo para quem não é tocado por este tipo de música, qualquer humano ficaria impressionado e/ou convencido pelo que teria visto e ouvido. E, nestes anos em que a produção musical dá espaço a toda a gente, é curioso como ninguém se interessa e como talvez fosse eu o mais novo de entre todos os presentes. É uma pena que se vá a concertos principalmente por moda.

Para o Santiago Alquimista, palco de estreia destes norte-americanos em Portugal, 100 a 150 pessoas é um copo meio cheio, mas chegou – e tornou a experiência mais pessoal. Estamos também a falar de uma banda cujo pico de popularidade já passou e que felizmente regressou ao activo.

Este foi o último concerto da digressão, no qual a banda tocou uma mistura equilibrada entre canções antigas e recentes, algumas do álbum The Chair In The Doorway, acabado de sair. Os Living Colour mantêm o mesmo estilo, as novas canções são frescas, enquanto que não destoam das anteriores. E o público aplaudiu a banda de forma sincera. Estavam ali para ouvir música, fosse ela antiga ou não. No fim, a banda comprometeu-se a autografar qualquer coisa que lhes fosse trazida (em termos de memorabilia, trouxe uma setlist e 4 fotografias com a banda). Devo ainda dizer que tocaram com um backline adequado a um concerto de estádio, o que se reflectiu no volume, altíssimo. But hey, it's rock n' roll. E o equipamento do lendário guitarrista Vernon Reid parecia um puzzle de 15 mil peças.

O alinhamento, com quase duas horas e meia de duração, deu espaço aos desempenhos a solo na guitarra do virtuoso Vernon Reid – ainda andava o Tom Morello a brincar com ele próprio e já o Vernon Reid desbravava caminhos semelhantes –, uma incursão pelo público pelo baixista Doug Wimbish (com solo simultâneo), apontamentos impressionantes do vocalista Corey Glover e, last but not least, um solo de bateria inacreditável por parte de Will Calhoun. Estes momentos podem não dizer nada a muita gente, e bem vos entendo; mas estamos a falar de solos que mexem com emoções e não apenas espalhafato técnico.

Escuso-me de fazer considerações acerca da qualidade da música composta pelos Living Colour. Talvez nem os exemplos que aqui deixo em vídeo sejam os melhores. A nota que dou é, na minha opinião, dada objectivamente pela qualidade do concerto. E esse foi perfeito.






Álbum da década

Só para dizer, na sequência do post ali do colega Alex, que pertenço àquele grupo de pessoas que acha que o álbum da década é o Is This It, dos Strokes. Creio que nenhum outro álbum marcou da mesma forma cultural, estetica e historicamente a música dos anos 2000 como o primeiro dos Strokes. Popularizou o lo-fi, abriu portas a milhares de bandas e deu o mote para uma década que foi, acima de tudo, retro - para além de ser o grande disco que é.

22 dezembro 2009

Talvez Relacionado #28

And now, for something completely different. Já tinha falado do álbum dos Girls neste post, e agora deixo o muito práfrentex videoclip de "Lust for Life", para mim a música mais solarenga da estação.


Oh, I wish I had a boyfriend
I wish I had a loving man in my life
I wish I had a father
Maybe then I would've turned out right
But now I'm just crazy, I'm totally mad
Yeah I'm just crazy, I'm fucked in the head
And maybe if I really tried with all of my heart
Then I could make a brand new start in love with you

Oh, I wish I had a suntan
Oh, I wish I had a pizza and a bottle of wine
Oh, I wish I had a beach house
Then we could make a big fire every night
Instead I'm just crazy, I'm totally mad
Yeah I'm just crazy, I'm fucked in the head
And maybe if I really tried with all of my heart
Then I could make a brand new start in love with you

Talvez Relacionado #27

E agora mais algum tempo de antena dedicado à música portuguesa (fora da esfera Flor Caveira, que parece ter adormecido tudo e todos com os seus baladeiros, de tal forma que muitas pessoas se estão a esquecer que já existia, existe e existirá sempre música portuguesa sem ser a deles). Hoje partilho aqui Minta, nome artístico/alter-ego como lhe queiram chamar, de Francisca Cortesão. Lançou este ano o seu primeiro álbum, "Minta & The Brook Trout", e pelo que tenho ouvido no myspace, é algo que tenho de adicionar rapidamente à minha biblioteca. São músicas cativantes, daquelas que caem tão bem em dias de Inverno como o de hoje, em que só apetece deixar-nos ficar em casa com uma mantinha e uma bebida quente na mão. Porque a música também serve para aquecer, e este é um bom exemplo disso mesmo. Fica o videoclip lançado recentemente de "A Song To Celebrate Our Love".

Enjoy!

21 dezembro 2009

Curiosidade : New Moon Soundtrack - 2009

A minha dúvida é a seguinte: Como é que um filme tão calino consegue parir uma banda sonora destas:

Faixas

  1. "Meet Me on the Equinox" (Death Cab for Cutie) – 3:44
  2. "Friends" (Band of Skulls) – 3:09
  3. "Hearing Damage" (Thom Yorke) – 5:04
  4. "Possibility" (Lykke Li) – 5:06
  5. "A White Demon Love Song" (The Killers) – 3:34
  6. "Satellite Heart" (Anya Marina) – 3:33
  7. "I Belong to You" [New Moon Remix] (Muse) – 3:12
  8. "Rosyln" (Bon Iver e St. Vincent) – 4:49
  9. "Done All Wrong" (Black Rebel Motorcycle Club) – 2:49
  10. "Monsters" (Hurricane Bells) – 3:16
  11. "The Violet Hour" (Sea Wolf) – 3:32
  12. "Shooting the Moon" (OK Go) – 3:18
  13. "Slow Life" (Grizzly Bear feat. Victoria Legrand)[18] – 4:21
  14. "No Sound But the Wind" (Editors) – 3:48
  15. "New Moon (The Meadow)" (Alexandre Desplat) – 4:09[19]

Talvez Relacionado #26

A de hoje é esta - os Silversun Pickups, com "Substitution". Dizem as estatísticas que o movimento no blog dispara quando há gajas boas metidas ao barulho. Vamos lá testar as estatísticas.


(o vídeo está a demorar um pouco a carregar mas não consigo encontrar um melhor, pelo que sugiro que cliquem play e depois pause, deixem carregar até ao fim e depois sim vejam o vídeo. Um apelo à vossa paciência, acho que vale a pena e podem ir fazendo outras coisas enquanto o vídeo carrega)

Álbuns Década: #1

Arcade Fire - Funeral (2004)

E pronto é este. Não havia muito que pensar, "Funeral", é O álbum que marca definitivamente a década, tal como os Arcade Fire são A banda que marca definitivamente a década. Não tendo sido uma década muito forte em termos de História da Música, a meu ver, muito causado pela constante chegada de coisas novas, a tomada da indústria pela internet, novas formas de ouvir música, há que destacar quem merece. E este é um caso exemplar de quem merece, o grupo canadiano faz música carregada de emoções (não só neste "Funeral", mas também no seguinte "Neon Bible"), dá concertos extasiantes (falhei o histórico em Paredes de Coura, mas não faltei ao do SBSR em 2007), e desaparece das notícias quando não há noticias para fazer. It's all about the music, e isso nota-se em todos os momentos vividos desta banda.

"Funeral" em si, é cheio de energia, sentimento, que tanto pode ser servido de uma forma animada, ritmada (em "Neighborhood #2 (Laika)", "Neighborhood #3 (Power Out)) e noutras mais introspectivas ("In the Backseat", "Haiti"). E depois há aquelas que não dá para descrever em palavras, como "Rebellion (Lies)" e "Wake Up", apenas que nos dá vontade de sair a cantá-las em plenos pulmões rua fora. E aquele final do "Un Anée Sans Lumiére"? E a transição da calmia inicial para a insanidade em "Crown of Love"? Não sei, não há mesmo palavras. É ouvir. E degustar.

19 dezembro 2009

Os Tornados@Santiago Alquimista - 18/12/09


Chamem-lhes os novos Ekos, chamem-lhes os novos Shadows, chamem-lhes os novos Animals ou os novos Monks. Chamem o que quiserem, a verdade é que Os Tornados são, seguramente uma das melhores bandas a tocar em Portugal. Musicalmente são quase perfeitos. Eles sabem o que tocam, quando tocam e quando não devem tocar. Seis elementos constituem esta banda nortenha de cariz retro. Porém aqui não nos deparamos com os anos oitenta. O dito Indie Rock que bebe dos anos 80. Não. Os Tornados vão mais atrás, vão ao início da bela história que foi os anos sessenta. Imaginem o período de tempo entre 1964 e 1966. Os Tornados seriam, se fossem da altura, uma das melhores bandas, certamente.

18 dezembro 2009

Álbuns da Década: #6

Arctic Monkeys - Whatever People Say I Am, That's Why I'm Not (2006)




Já muito se disse sobre os Arctic Monkeys e o modo como se tornaram num grande fenómeno mundial. O boca a boca e a internet serviram para difundir uma banda sem editora que acabou por tomar conta de toda os meios de comunicação social. Se muitos pensavam que seria só mais um hype provocado por uma banda de garotos imberbes, Whatever..., primeiro disco da banda de Sheffield provou o contrário. Mostrou pujança, força, rigor e muita maturidade para quem vinha do nada. Provavelmente desde o Definitely Maybe dos Oasis que o mercado inglês e, mais tarde, americano, não sentiam uma vibração tão grande. Alex Turner, guitarrista, vocalista e compositor, demonstra ser um novo Paul Weller. As suas letras são pessoais e falam do dia a dia da pessoa normal. Um novo Working Class Hero. As músicas essas falam por si. "The View From the Afternoon", "I Bet You Look Good on the Dancefloor" ou "A Certain Romance" são hinos para uma juventude à procura de um novo líder do Rock. Heroí pícaro mais que Deus do Rock, Alex Turner entrou definitivamente para essa lista exclusiva dos grandes heroís do Rock...

The Doors - L.A. Woman (1971)

Há algo de tão triste mas no entanto tão belo quando o melhor álbum de uma banda é o último. Chamemos-lhe o canto do cisne, o pôr do sol, etc, mas há algo que nos atinge quando realmente nos apercebemos que a partir dali não virá mais nada e, se calhar, ainda bem. Quem aqui poderá discordar desta afirmação quando temos Abbey Road, L.A. Woman ou In Utero como exemplos? O último disco gravado pelos Beatles é, provavelmente, o seu melhor. O modo como as guerras internas deram lugar a um disco tão solarengo e tão cheio de energia é de facto notável. Provavelmente nenhum dos quatro elementos se virou um para o outro e disse: é desta, é o último. Mas isso sente-se em todo o disco. É a despedida, ao menos que seja em grande. Saltando 25 anos no tempo deparamo-nos com outra situação. A fragilidade psicológica de Kurt Cobain. Ninguém no seu perfeito juízo imaginaria um futuro na banda de Seattle. O suicídio, embora nunca admitido, era algo com que muitas pessoas já começavam a adivinhar num futuro um pouco mais distante. Aconteceu pouco depois do último disco ter sido lançado. No entanto, o que nos ficou foi, claramente, a procura da honestidade musical do último grande ídolo do Rock. In Utero não é um Nevermind, não é de fácil digestão e ainda bem. In Utero é Kurt despido e o mais honesto possível face ao monstro que o começava a engolir. O fim estava mesmo ali à porta.
O que nos leva outra vez à pressão que os media e fãs podem exercer em alguém. Jim Morrison sempre foi uma personagem à parte. Um "damaged good" como dizem os anglo-saxónicos. Alguém que adorava a honestidade mas também chocar. Jim foi sempre um "heavy drinker". Era o que o fazia sair da realidade chata com que se deparava dia após dia. Era preciso romper com a normalidade com que as pessoas viviam e Jim era o escape. L.A. Woman surge após Morrison Hotel, o regresso à forma dos Doors com o próprio Jim Morrison a tornar-se mais responsável e empenhado. No entanto, cada vez mais agastado com a mediatização com que se via envolvido, Morrison queria sair, fugir, partir para outros sítios, dedicar-se à poesia e viver outra vida com Pamela Courson. A despedida, nunca oficial, e irreversível após noite fatídica em Paris em 71, surge com este L.A. Woman, onde Jim e os restantes Doors se despedem como grupo a 4 com um dos melhores álbuns de sempre. As constantes deambulações de Jim pelo universo americano e a suas origens estão sempre presentes. "L.A. Woman" leva-nos a uma viagem de carro nocturna pela louca Los Angeles, com os seus clubes bóemios e de strip, enquanto "Riders on the Storm" traz-nos o obscurantismo que tanto agradava a Morrison. Aparte da mais comercial "Love Her Madly", todo o resto do álbum é um misto de blues ("Car Hiss By My Window" e "Hyancith House") e Rock embebido em Bourbon e alucinogénicos como "L'America", "Crawling King Snake", "The Changeling" ou "The Wasp". Após este disco e a consequentemente morte de Jim, os restantes Doors, Ray Manzarek, Robbie Krieger e John Densmore, tentaram, em vão, continuar uma carreira sem Jim. Era impossível. O Rock Poet estava morto, não havia nem haverá substituto...

15 dezembro 2009

Paul Lytton and Nate Wooley@Culturgest - 15/12/2009

e lá me fiquei,
empurrado contra o meu assento,
num mundo em que entre o silêncio e a trovoada,
nada resta.

(não encontrei nada deles os dois na internet)

Álbuns da Década: #2

Vampire Weekend - Vampire Weekend (2008)




A música é, por diversas vezes, mais do que ela apenas representa. Por vezes transcende o conceito de banda ou disco e começa a falar-se de movimentos, de "cenas" que estão a acontecer. Exemplos como Liverpool no início da década de 60 com o Mersey Beat, de São Francisco em 1966-67 com o Rock Psicadélico, os anos loucos da "Madchester" e mais recentemente Seattle com o Grunge, são o que se pode chamar de movimentos que surgem quase como geração espontânea. No entanto nada mais estará longe da realidade. Estes movimentos surgem devido, principalmente, a causas sociais. Os Working Class Heroes de Liverpool como os Beatles, Hollies ou Herman's Hermits, surgiram com o vaivém do porto da cidade nortenha, onde os marinheiros traziam discos vindos do outro lado do Atlântico. Discos americanos. Em São Francisco, milhares de miúdos, aborrecidos com o bonitinho American Way of Life, fugiam para casas vitorianas e georgianas que os ricos iam abandonando com receio de derrocada com um futuro tremor de terra. Aí, e com o aparecimento do LSD, fez-se uma comunhão entre artistas. Músicos, escritores, dramaturgos, filósofos, etc. O resultado foi o que se viu. Geração Hippie and all that jazz... Em Manchester viviam-se os anos loucos de rave com os Primal Scream, Happy Mondays. No final dos anos 80, agastados com o som Pop FM que se ouvia, o Punk Rock começou a ser o lema de revolta. A angústia criada numa cidade fria como Seattle revelou as bandas catalogadas como Grunge, Nirvana, Pearl Jam, etc... A razão da utilização das camisas de flanela era realmente o frio.
A história mostra-se pródiga em exemplos destes, portanto, mais tarde ou mais cedo, mais um movimento teria que surgir algures. Ora, isso acabaria por despontar numa das zonas mais podres de Nova Iorque, Brooklyn. Com a especulação de preços de casas em Manhattan, muitos jovens artistas começaram a piscar o olho a Brooklyn, mais concretamente Williamsburg. Maioritariamente ocupada por minorias, Brooklyn começou a tornar-se naquilo que agora chamamos de Hip ou Trendy. Hordas de jovens rejuvenesceram um outrora feio e perigoso borough de NY dando-lhe aquilo que também acontecera em São Francisco. Um jorrar de interesses multiculturais fizeram brotar anos mais tarde dezenas de artistas. No caso particular da música temos os TV on the Radio, Yeasayer, MGMT, entre outros e, obviamente, os Vampire Weekend. A banda nova-iorquina pegou no melhor de Paul Simon, fase Graceland, e transportou-o para o século XXI. O indie rock ganhava agora ritmos africanos. Os elementos da banda apenas disseram: "Queremos que as nossas músicas sejam como a banda sonora de um filme do Wes Anderson". E isso notou-se tanto a nível musical como a nível de videoclips. Até porque o baterista também escreve guiões de filmes. Os Vampire Weekend são uma banda que transpira conhecimento musical além rock e isso nota-se na música que fazem como "Mansard Roof", "Cape Cod Kwassa Kwassa", "M79" ou "Walcott". Sem dúvida uma das grandes surpresas da década, a liderar o caminho nesta nova fase do indie rock, Brooklyn style.

14 dezembro 2009

Desrelacionado #2

Álbuns Década: #15 - #2

À medida que nos aproximamos do final da década, vem chegando ao fim a listagem que dos "Álbuns da Década". Assim sendo, e uma vez que já só falta mesmo publicar o número 1, o para mim topo da música que foi feita nos últimos 10 anos, importa rever entretanto a listagem do nº15 ao nº2, com links aos respectivos posts.

Alex:
15 - Radiohead - Hail to the Thief
14 - Maxïmo Park - A Certain Trigger
13 - The Killers - Hot Fuss
12 - The White Stripes - Elephant
11 - LCD Soundsystem - Sound of Silver
10 - Muse - Origin of Symmetry
09 - Interpol - Antics
08 - TV on the Radio - Dear Science
07 - Bloc Party - Silent Alarm
06 - Clap Your Hands Say Yeah! - Clap Your Hands Say Yeah!
05 - Beirut - The Flying Club Cup
04 - Franz Ferdinand - Franz Ferdinand
03 - The National - Boxer
02 - The Strokes - Is This It?

Fred (Ordem Cronológica):
15 - The Strokes - Is This It?
14 - Kings of Leon - Youth & Young Manhood
13 - Franz Ferdinand - Franz Ferdinand
12 - Arcade Fire - Funeral
11 - Green Day - American Idiot
10 - Interpol - Antics
09 - Brian Wilson - Smile
08 - Humanos - Humanos
07 - Bloc Party - Silent Alarm
06 - Arctic Monkeys - Whatever People Say I Am, That's What I'm Not
05 - Beirut - The Flying Club Cup
04 - Devendra Banhart - Cripple Crow
03 - The Killers - Sam's Town
02 - Vampire Weekend - Vampire Weekend

Segunda feira da próxima semana aí estará o tão aguardado número 1!

Enjoy!

Pearl Jam - No Code (1996)

Corria o ano de 1996. Após 3 anos em que foi a grande força motora do mainstream (1992-1994), MTV e afins, e mais dois pós-morte do Kurt Cobain em que foi definhando aos poucos, a cena musical rotulada de "grunge" estava definitivamente morta. Os Alice in Chains deram neste ano o seu último concerto, os Soundgarden e os Screaming Trees lançavam os seus últimos álbuns (Down on the Upside e Dust, respectivamente) e a coisa ia mesmo ficar por ali. Restavam apenas uns Melvins e Mudhoney, que se mantiveram, de livre e espontânea vontade, afastados da luz dos dólares dos grandes estúdios e souberam vencer na sua maneira própria e claro, os Pearl Jam. Os resistentes Pearl Jam, que já tinham denotado os sinais de mudança no seu terceiro álbum, "Vitalogy", muito influenciado pela morte de Kurt Cobain, decidiram cortar o mal pela raiz e fazer um álbum diferente. Um álbum que os afastasse da atenção dos media, que os afastasse dos fãs mainstream que tinha ganho às custas das suas aparições na MTV. E foi assim que foi concebido "No Code", com uma dose certa de novas experiências, mais introspectivo, nalguns pontos espiritual mesmo, para o qual em muito contribuiu a entrada de um novo baterista, Jack Irons. Pode-se dizer que foi uma missão cumprida para a banda - o álbum entrou em número um da Billboard mas rapidamente caiu. Houve quem o rotulasse como world music, o que no mercado americano é o mesmo que assassinar o álbum (o que mostra a limitação da grande maioria de habitantes desse país...). E de facto, era o que se pretendia e foi assim que a própria banda o encarnou - o álbum da mudança. Certo é que, por trás de toda esta história, foi concebido um álbum maravilhoso e poucas pessoas se apercebem disto.

Começa com um calminho e bastante espiritual "Sometimes", a abrir caminho para logo a seguir dar-nos uma das músicas mais fortes da banda, "Hail, Hail", sobre as dificuldades de um casal em manter-se junto. Logo de seguida duas músicas bastante influenciadas por ritmos de Leste Europeu, "Who You Are?", que foi escolhido como single de lançamento (mesmo por ser uma música difícil diria eu...) e "In My Tree", música totalmente introspectiva e muito intensa. Por falar em intensidade, o que dizer de "Smile"? Os versos "I miss you already, I miss you all day" ecoam na nossa cabeça com uma força pungente, sentidos até ao limite dos nossos corpos. De seguida uma harmonia muito subtil, "Off He Goes", retratando uma relação de Vedder com um qualquer amigo, à qual se segue um arranque brutal, um riff muito poderoso que estilhaça a calmia da música anterior em apenas 2 segundos e a substitui por uma raiva incontrolável contra a droga e os seus efeitos perversos ("Habit"). Voltamos às influências mais europeias de leste com o excelente "Red Mosquito", ao qual se segue o minuto mais a abrir de toda a carreira da banda. Duvido que Vedder conseguisse esticar a sua voz mais um minuto que fosse neste registo punk rock forte à la Ramones conhecido como "Lukin". Ao aproximarmo-nos do fim do álbum volta a calmia, a introspecção em "Present Tense". Mensagem simples e directa: "Makes much more sense, to live in the present tense". Alguém tem dúvidas quanto a isto? Com "Mankind", faixa 11, chega uma grande novidade - Stone Gossard assume a parte vocal da sua própria música, algo inédito. E para concluir o álbum, "I'm Open", que consiste na leitura de uma história com alguns sons de fundo e "Around The Bend", uma excelente lullaby que serviu para Jack Irons cantar para adormecer o seu filho. E é uma maravilha de música.

A registar ainda, a excelente embalagem do álbum, de cartão, e contendo em cada CD/vinyl, 9 cartões com letras de uma música de um lado e uma foto em formato polaroid noutro. Diferentes em todos os Cd's. Um excelente packaging para um excelente álbum.

Álbuns Década: #2

The Strokes - Is This It? (2001)


Para mim é um facto inquestionável - "Is This It?" foi um pedrada no charco. Apareceu numa altura que o rock estava morto, praticamente não apareciam bandas novas rock e reinavam os tempos das trevas do nu-metal. Apesar de, só por este papel de "salvador" já merecer um lugar muito importante na História da música, o que é facto é que "Is This It?" atingiu-me a mim e a uma camada de pessoas ávidas pelo regresso do rock directamente no estômago, deixando-nos com uma resposta clara à pergunta tema do álbum: "This is definitely it!". E apesar de, agora à distância, haver por aí muitos a desvalorizarem-nos, a chamá-los one hit wonders por causa do tão rodado "Last Nite", eu continuo fã da banda e gosto dos seus restantes álbuns. Não tenho dúvidas que este álbum tem para mim muito mais sumo que "Last Nite", músicas como "Someday", "Barely Legal", "Hard to Explain" e "New York City Cops" ("When it Started" nome alternativo da mesma música) marcaram-me e continuam a soar muito fresco, rock puro e despreocupado. Já lá vão 8 anos desde que foi lançado e sabe sempre bem ouvi-lo de uma ponta a outra.


13 dezembro 2009

A Colecção do ROLL - Jimi Hendrix - Electric Ladyland (1968)

CLIQUE PARA VER MAIOR

Texto do Roll (Tinha erros à fartazana mas eu corrigi alguns)

Arre porra, garotos! Este é daqueles que todos vocês deviam ter.
Este álbum do Jimi Hendrix, lançado em 1968, durante o auge da época dourada da música, é dos melhores de sempre.
Mesmo se fores um gajo bestialmente deficiente mental, como um gajo que eu cá sei, vais gostar desta maravilha. Está cientificamente provado por uns gajos da Nasa ou de uma cena parecida. Está no wikipedia, caraças.
Gostava de destacar as seguintes faixas:
1- Crosstown Traffic - Banda sonora ideal para todos aqueles que guiam um buick dos clássicos quando estão parados no trânsito de Nova Iorque num dia de verão: Apesar no calor, a guitarra do mestre, refresca-nos . Não tenho um Buick mas gostava de ter.
2- Voodoo Child - Que riff, com mil diabos! Com fortes influências tribais, o pedal wah do mestre leva-nos para uma dimensão nunca antes alcançada.
3- Long Summer Night - Arre porra, outra vez! Um gajo depois de levar porrada supersónica com a Voodoo Child, inchamos ainda mais dos punhos mágicos do Deus da guitarra, incansável como um coelhinho fodilhão, em "Long Summer Night". Está carregada de soul, funk e amor pelo próximo.
4- Gypsy Eyes - Uma das mais psicadélicas do álbum, tem efeitos de voz de outro planeta e acordes inovadores e distorcidos para a época. Dava um dedo para ter ouvido isto no Woodstock 69.
5- All Long The Watchtower - Este original do Bob Dylan é tão bem recriado - sim , ouviram bem - RECRIADO: Deuses: recriam, Copistas: Copiam - que o cantor folk fez questão de oferecer a música ao Jimi.
Segundo reza a lenda, o autor de Foxy Lady agradeceu e acabaram os dois na cavaqueira a fumarem ganzas.
Tudo foi pensado com a ousadia dos deuses, até a excitante capa, cheia de raparigas de voluptuosos seios, onde vemos em lugar de destaque, o mestre, o guru, o deus - JIMI MOTHA FUCK#N HENDRIX!
Aposto que as comeu todas com o seu membro avantajado.
Portanto, além de ficarem extasiados com as sonoridades do mestre, sempre podem usar a capa do disco para se masturbarem.
Apesar de estas faixas serem as minhas preferidas, o álbum está recheado de momentos mágicos. São dezasseis faixas que fizeram história: Jimi não tocava guitarra eléctrica. Jimi era a guitarra eléctrica!

Cláudia Zafre

Está muito em voga em Lisboa a tentativa de fazer Folk Music com sabor a sardinha assada e galo de Barcelos. Tentativa quanto a mim absurda, em termos conceituais, e definitivamente falhada. A razão pela qual não existe, nunca existiu nem nunca existirá Rock cantado em português é porque o Rock and Roll por definição é anglo-saxónico, da mesma forma que o Folk (que se pretende imitar) é americano. Se querem música tradicional portuguesa, ouçam fado ou, melhor ainda, ouçam Carlos Paredes.

Mas se se pretende enaltecer jovens talentos portugueses que se destacam nessa espécie de registo indie sugiro-vos que ouçam a Cláudia Zafre em vez de imitadores pseudo-intelectuais metrosexuais como os da Flor Caveira. Uma songwriter excepcional com um potencial inacreditável. Para quem não a conhece, garanto-vos que é uma mistura de Chan Marshall com Tom Waits: a voz delicada da primeira com a bebedeira do segundo. Na verdade, ouvi-la faz-me lembrar a minha Lisboa à noite, um corpo meio imóvel descaído numa esquina qualquer da escadaria de Santo António, onde se encontram beatas e restos de filtros de papel no entrecortado da calçada, húmida de cerveja e mijo.
Canções como "Eu Não Queria Dizer Nada Mas Tens Um Pau Espetado No Cu" ou "Portugal Chupa" têm mais autenticidade do que qualquer peido do Bernardo Fachada.
A Cláudia Zafre canta a sua geração como ninguém. Chequem o seu My Space e estejam atentos a próximos concertos.



12 dezembro 2009

Golden Skans, um som, várias interpretações

A semana passada passei pela Fnac e comprei a compilação 3 pistas Vol 2. Tinha gostado muito do Vol 1, desta compilação promovida pela Antena 3, de apoio a artistas nacionais. Como tal, não hesitei. Ainda não passei da primeira faixa, onde temos os Clã, a interpretar Golden Skans dos Klaxons. Muito bom.

Qual destas versões é a melhor?








Diabo na Cruz@Musicbox - 11/12/2009


Há os supergrupos como os Cream ou Blind Faith, CSNY ou os Traveling Wilburys. Há ainda os Audioslave ou ainda mais recentemente os Raconteurs e os Them Crooked Vultures. A nível nacional houve, entre outros, os Resistência e os Humanos. No dia de hoje celebrou-se o aparecimento de mais um um "supergrupo". Exageros à parte, dado que obviamente que não estamos na presença de nenhum consagrado na música, nem nenhum virtuoso ou génio musical, aquilo que se ouviu hoje em pleno Musicbox foi o que já não se sentia desde, pelo menos, a digressão (infelizmente única) dos Humanos. A Portugalidade no seu melhor. Orgulho em estar a ouvir cantar em português. A métrica das letras não soa mal, não é desajustada, não é foleira. Entretém e apraz. O som medieval misturado com o rock faz todo o sentido. E ainda bem. Diabo na Cruz, mais uma banda lançada pela editora de Tiago Guilul, Flor-Caveira, é, provavelmente, uma das melhores apostas desta editora nacional. Jorge Cruz criou os Diabo na Cruz chamando o Barata dos Feromona, o Gil dos V.Economics, o Pinheiro dos TV Rural e o B. Fachada. Juntos eles transformam o Rock em Roque ou Folc'roque. Com um Musicbox à pinha como há muito já não se via, como referiu Bernardo Fachada, algo ou muito alterado (cuidado com as sobredosagens), o público assistiu a um bom momento de uma banda que poderá entreter muito durante o próximo ano. Músicas corriqueiras e "catchy" dão o mote ao álbum que acabou de ser lançado agora, "Virou!", que tem tudo para ser um sucesso, ou quase, ao nível dos Humanos. "Dona Ligeirinha" e "Os Loucos Estão Certos" são, claramente, músicas para ficar. Um bom projecto nacional, sim senhor!

11 dezembro 2009

Álbuns da Década: #3

The Killers - Sam's Town (2006)




A Estreia dos Killers no mundo da música surge em 2004 com Hot Fuss e, em tudo teve a ver com a sua cidade natal, Las Vegas. Músicas muito flashy, cheias de côr e movimento mas ao fim e ao cabo sem muito sumo para se extrair. Apenas e só um bom divertimento, como costuma ser o resultado final em qualquer casino do estado do Nevada. No entanto, dois anos se passaram e algo aconteceu à banda de Brandon Flowers. O look mais bonitinho e fashion deu lugar a um visual muito à americano sulista. Cabelos grandes e barbas ou bigodes fartos, Flowers incluído. Marketing de imagem disseram uns; maturação adiantaram outros. Imagens à parte porque o que realmente mais interessa é a música em si e nisso os Killers estiveram em grande. Apesar das suas letras serem, por vezes, do mais piroso possível, Brandon Flowers consegue transmitir e emocionar como os U2 faziam quando realmente gostavam de música. A parte instrumental essa subiu vários pontos acima do disco anterior, daí se ter falado num amadurecimento da banda. Exemplos disso são "Sam's Town", "When You Were Young", "For Reasons Unknown" ou "Read My Mind". A partir de Sam's Town o destino estava traçado. Já sabiamos que iriamos perder os Killers para o grande público FM como acabaria por acontecer com o último disco, Day and Age...

10 dezembro 2009

The Legendary Tigerman - Femina (2009)


O concerto no Super Bock em Stock, não me encantou, tanto a nível de som, como na excessiva postura de rockstar do artista, mas deixou-me curiosidade para ouvir melhor o seu último álbum. Apesar de não apreciar a capa do mesmo, o conteúdo é bom.
Paulo Furtado AKA The Legendary Tigerman, lançou Femina no presente ano. O seu 5º álbum conta com a participação de várias artistas.
O seu primeiro single “Life Ain´t Enough for You” entra facilmente na cabeça. No vídeo temos a voz e a presença da actriz italiana Asia Argento, disfarçada de Rita Redshoes…
“These Boots Are Made for Walking”, letra escrita por Lee Hazlewood, conta com uma surpreendente representação de Maria de Medeiros, no papel de Nancy Sinatra. A mostrar que tem voz, para além do cinema.
“She's a Hellcat” é das minhas preferidas, um típico rock blues com o excelente apoio de Peaches. Trata-se de um som mais agressivo que rompe com a faixas anteriores.
“No Way to Leave on a Sunday Night”, é um género de balada com a companhia da excelente voz e guitarra de Becky Lee.
Na faixa número 5, Furtado e Rita Redshoes pegam no êxito de Baker Knight, “Lonesome Town” para um som melancólico, demasiado… Tornando-se cansativo.
“Radio & Tv Blues” corta com as baladas anteriores, obrigando o nosso “one man show” a puxar por si. Contando com o coro de Cais do Sodré Cabaret.
Gosto muito de “The Saddest Thing to Say”, onde Lisa Kekaula dá a sua excelente voz. Para interpretar um bom tema. Com uma boa batida e uma boa guitarrada.
“My Stomach Is The Most Violent of All of Italy”, começa com a voz sexy de Asia Argento. Com a guitarra de fundo, temos um monólogo delirante da actriz italiana.
“Light Me Up Twice”, conta com a presença de Cláudia Efe. Gosto muito da parte instrumental, mas falta qualquer coisa para a tornar numa excelente faixa.
“& Then Came The Pain”, trata-se de um diálogo entre Paulo Furtado e Phoebe Killdeer. Bastante acelerado e ritmado.
"I Justa Wanna Know", conta com a colaboração da brasileira Cibelle. Gosto muito de a ouvir cantar em português. No entanto, não gosto da sua voz nesta faixa. Tal como, na música escrita por Daniel Johnston, "True Love Will Find You In The End". Desculpa lá Cibelle, prefiro ver-te a viver no Samba.
“Old Fashioned Man”, soa a um típico American Blues, com a voz, guitarra e foot stomping de Becky Lee & Drunkfoot.
“Hey, Sister Ray” é um som calmo, onde o casal Paulo Furtado e Rita Redshoes canta tendo o som do piano como fundo.
“Thirteen”, é uma letra de Glenn Danzig, onde a voz de Paulo Furtado é acompanhada pelo violino de Mafalda Nascimento.
Nota mais para Femina!
Para quem gosta de música de Natal, no dia 25 pode contar com o Legendary Tigerman na galeria Zé dos Bois, o título do cartaz é Fuck Christmas, I Got the Blues.

George Harrison - All Things Must Pass (1970)

"Uff..." deve ter dito George Harrison no dia que acabou de gravar All Things Must Pass. 23 músicas, uma delas cover de Dylan "If Not For You", onde George dá um toque muito mais emotivo do que o próprio Bob Dylan, são o resultado de anos de tampão ao serviço dos Beatles onde George apenas poderia colaborar com 2/3 músicas por álbum. A dupla Lennon/McCartney exigia respeito e não cedia por dá aquela palha. Para cada colaboração de Harrison para um disco de Beatles, ensaiavam-se 10 de Paul e John, muitas inferiores ao denominado "Quiet Beatle". Porém, a verdade é esta, George começou apenas por ser o guitarrista dos Beatles, o homem da guitarra principal, o homem dos solos. Não escrevia, apenas ajudava, cantando aqui e ali músicas covers ("Roll Over Beethoven", "Chains") ou originais de Lennon e McCartney ("Do You Want To Know A Secret"). A primeira música a solo surge logo no segundo disco With The Beatles com "Don't Bother Me", um razoável cartão de visita para o que faria poucos anos depois, pois com a crescente Beatlemania, George escondeu-se só voltando a aparecer em Help!, desta feita com duas colaborações, "I Need You" e "You Like Me Too Much", mais duas músicas que em nada faziam à força que já era a dupla supra citada. A partir deste momento o resto é história, George começa a interessar-se pela cultura oriental, em especial a indiana, toma contacto com a meditação e Ravi Shankar e, também, com psictrópicos. "If I Needed Someone", "Taxman", "Within Without You", "While My Guitar Gently Weeps", "Something" e "Here Comes The Sun" são dos melhores exemplos do que este tinha para oferecer à que foi considerada a melhor banda de todos os tempos mas nem isto seria capaz de antecipar o que George faria no mesmo ano que os Beatles fecharam a loja para nunca mais a abrirem. O resultado está à vista num álbum triplo onde George revela toda a sua espiritualidade, humanidade e como diriam os anglo-saxónicos "awareness". Ajudado pelo mesmo produtor que conseguiu unir o que parecia impossível para aquilo que se tornou conhecido como Let It Be, Phil Spector construiu aquilo que denominou como "Wall of Sound", musculando as músicas com uma ambiência não antes vista. O resultado é, para muitos, considerado um dos melhores discos de sempre. Os temas são os recorrentes de Harrison: Espiritualidade em "My Sweet Lord", "Art of Dying" e "Hear Me Lord"; Amor em "I'd Have You Anytime", "What Is Life" ou "I Dig Love", enquanto "Isn't It a Pity", "Beware of Darkness" e "All Things Must Pass" revelam um George maturo e conselheiro no que toca às relações amorosas ou agruras da vida em geral. Até tempo houve para uma bicada em Paul com "Wah Wah". Pena que este talento tenha estado tão escondido debaixo da sombra de Paul e John...

09 dezembro 2009

Talvez Relacionado #25

Hoje a rubrica Talvez Relacionado traz aos leitores do Altamont o tema "In the NA", dos The Hidden Cameras.

Trata-se do single de apresentação do mais recente álbum da banda (já o quinto), "Origin:Orphan", lançado no passado mês de Setembro e trata-de de um indie pop interessante, que dá uma ligeira vontade de dar algum movimento ao corpo. Care to try?

All I Want For X-mas Is You

De todas as divas da musica aquela que mais animosidade me gera é a Mariah Carey. Voz agradável e uma tranca impressionante. Abandonou o aspecto de cachorrinho grunge do inicio dos anos oitenta, quando tinha juventude, e começou lá para o final dessa década e depois em grande intensidade no novo milénio a abandonar as camisolas largas de lã e penteados estilo tia-avó com a preocupação una do elogio à tranca. Se há coxas a que se aplicam esta expressão - g'anda tranca - são as da Mariah. Meio gordas, dirão uns, só la vão com os óleos com que as besunta, murmuram outros. Talvez. Mas o show biz é isso mesmo: uma piscina de óleo onde malta género Robert Plant ou Mariah Carey se besuntam até à exaustão seborreica.

Mas se as coxas da mulher podem ser alvo de discussão, parece-me unânime que a melhor musica de Natal de sempre é dela: All I Want For X-mas Is You.

A propósito, proponho o seguinte snippet da semana:

Lynyrd Skynyrd - Gimme Back My Bullets (1976)

“I’m not tryin’ to put down no big cities
But the things they write about us is just a bore
Well you can take a boy out of ol’Dixieland
But you’ll never take ol’ Dixie from a boy”
Ronnie Van Zant, “All I Can Do Is Write About It”

Em 1976, os Ramones editam o “Ramones”, os Aerosmith o “Rocks”, os Queen o “A Day At the Races”, os Kiss o “Destroyer”, os Led Zeppelin o “Presence” os AC/DC o “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”. É tempo de rock punk, operático, duro ou mesmo um poucochinho piroso (o dos Kiss, obviamente). Não era um bom ano para purismos ou coisas simples e directas. Não era um bom ano para os Lynyrd Skynyrd. E acabou mesmo por não ser um bom ano para eles. Em 1976, os rapazinhos sulistas de cabelo comprido e de bandeiras de confederação estampadas nas pickups lançaram o quarto álbum em outros tantos anos. Depois de “Pronounced… (1973)”, “Second Helping (1974)” e “Nuthin’ Fancy (1975)”, chegava o “Gimme Back My Bullets”. E a crítica arrasou-os de cima a baixo, porque, consideravam os analistas, faltava-lhe peso – não havia duelos nem solos de guitarra sobrepostos. Era mais leve. E por isso, vendeu menos. Bom, o “Gimme Back My Bullets” não chega, mesmo, para o primeiro de todos. Toda a gente esperava hinos desde a “Free Bird” mas músicas dessas não aparecem quando um homem quer. Mas honra seja feita a Ronnie Van Zant por manter-se fiel aos seus princípios: o tipo nasceu no Sul, gostava do Sul e cantava o Sul. Contra a corrente urbana, contou histórias da terrinha dele com a alma de sempre. Sim, o “Gimme…” é mais fraco que os outros trabalhos anteriores. Mas não deixa de ser bonzinho. Principalmente a “All I Can Do Is Write About It”, em que Van Zant volta a atirar-se aos meninos da cidade e a quem critica os hillbilly como ele – já o fizera na “Sweet Home Alabama” contra Neil Young. Nos finais da Guerra do Vietname, em que se cantavam “protest songs” e de consciência social, Van Zant preferia descrever as paisagens do Tennessee. Eram opções. Honestas. E mesmo assim, o “Gimme…” chegou ao Ouro. Depois viria o acidente de avião que tornou os Lynyrd numa convenção sulista mítica, sem fim aparente. E ainda bem que alguém canta coisas simples. Para mim, a música ou é boa ou é má. Independentemente da produção, dos arranjos ou de ser ou não ser vanguardista. Sou pelo rock progressivo dos Pink Floyd mas também oiço Cash. Que é sempre igual.

The Brian Jonestown Massacre - Their Satanic Majesties's Second Request (1996)

Misturando o nome do mítico guitarrista dos Rolling Stones, Brian Jones, encontrado morto na piscina de sua casa em 1969, e os suicídios de Jonestown, na Guiana, os Brian Jonestown Massacre surgem, em meados dos anos 90, a par com os seus compinchas, Dandy Warhols, como uma das bandas que ainda carregava, e ainda o faz, a bandeira do psicadelismo, denominado de Shoegaze nos anos 90, dado os elementos das bandas estarem constantemente a olhar para o chão durante as suas longas músicas. Their Satanic Majestie's Second Request, 2º álbum da banda e inspirado pelo Their Satanic Majesties Request dos Stones, é como uma sequela, quase 30 depois, do único disco na totalidade psicadélico de Mick Jagger e Keith Richards. Não é, então, de estranhar que estes Brian Jonestown Massacre sejam de uma das cidades, senão mesmo a cidade, que mais influência teve na contra-cultura e na divulgação do psicadelismo e da cultura oriental, São Francisco. E isso é bem visível neste disco a começar logo pela música que abre e acaba o álbum, "All Aroud You". "In India You" podia bem ser uma música de George Harrison naqueles tempos de Sgt Pepper. Ao todo são 18 músicas de influência oriental, espacial, psicadélica, onde se consegue sentir perfeitamente o cheiro a incenso ou mesmo a erva, misturado com muito LSD. É uma viagem dos sentidos, seja interior ou espacial, onde a variedade de instrumentos faz-se sentir, transportando-nos 40 anos atrás e 4000 à frente...

08 dezembro 2009

Black Rebel Motorcycle Club - Howl (2004)

Há alturas na vida de uma banda que, por vezes, só apetece fazer algo diferente. Sair do registo, esquecer o que foi feito para trás e partir para um novo horizonte. Há quem mude drasticamente, para melhor ou pior, e há quem mude minimamente. Há quem procure sons mais futuristas, há quem volte atrás, às "roots". Howl, disco de 2004 dos BRMC é um exemplo disso. Onde antes a distorção era a palavra de ordem e a cidade urbana como pano de fundo, aqui o que se sente são os campos de algodão, os vastos campos de milho e o entardecer na pradaria. "Time won't save our souls" cantam os norte americanos em "Shuffle Your Feet" como antecipando um destino certo. O rock alternativo, muito influenciado por bandas como os Jesus & Mary Chain ou os Primal Scream, dá agora lugar ao folk/rock na senda de uns The Band ou Byrds, embora a voz lacónica e arrastada de Peter Heys continue lá como nos discos anteriores. A diferença está tanto nos instrumentos aqui utilizados, tanto guitarras acústicas ou orgãos, como na maneira em que a música é feita. Não é forçada, parece saída de um estúdio modesto no meio do Sul dos estados Unidos. "Devil's Waiting" ou "Ain't no Easy Way" não parecem em nada saídas deste século. Se o primeiro disco, B.R.M.C., os trouxe para a ribalta como uma nova esperança do rock alternativo, Howl faz-nos crêr que temos uma banda mais completa do aquilo que se pensava. Uma banda adulta por um caminho que não será fácil mas com quem podemos contar...

07 dezembro 2009

Álbuns da Década: #4

Devendra Banhart - Cripple Crow (2005)




E de repente o freak que tocava sozinho aliado à sua guitarra e aos seus sons inspirados pelos Tyranossaurus Rex de Marc Bolan deu o passo seguinte. Arranjou uma banda, descobriu novos sons e tudo mudou na vida de Devendra Banhart. Nascido no Texas, criado em Caracas e mais tarde Los Angeles, Devendra só se descobriu após a sua passagem pelo instituto de artes de São Francisco. Interessado por todo o tipo de artes, da música à pintura, o hippie ou freak, cedo começou a gravar sons seus em pequenos gravadores de pouca qualidade apenas para sua própria recreação e não para divulgar ao mundo. No entanto, encorajado por amigos, Banhart partiu pelo mundo tocando aqui e ali à procura de algo que só surgiu em L.A. e que lhe proporcionou a gravação do seu primeiro disco Oh Me Oh My.... Recebido com grande entusiasmo, Banhart continuou na sua senda intimista, ele e a sua guitarra, deambulando por um número ínfimo de canções pelos álbuns seguintes: Rejoicing in the Hands e Niño Rojo. Talvez por achar que uma mudança seria necessária ou apenas porque acontece, Banhart reuniu-se com um grupo de amigos, saindo em digressões com uma banda completa, musculando o seu som, dando-lhe outras componentes. O resultado em Cripple Crow é uma delícia. 23 músicas que vão desde o folk ao folk-rock, passando pelo rock psicadélico. Mensagens de paz, amor e alegria são constantes e cada música tem a sua própria textura bem vívida, sentindo-se perfeitamente o divertimento e união dos músicos na feitura deste disco. Até uma referência a Portugal é feita com "Santa Maria da Feira". Um disco essencial na discografia de Banhart.

Frankie Chavez

Já tinha ouvido falar, mas só no Super Bock em Stock vi ao vivo Frankie Chavez. O projecto a solo de Francisco Chaves. Munido das suas guitarras teve uma boa actuação no La Caffe.
O seu som é influenciado por Robert Johnson, Jimi Hendrix, Kely Joe Phelps e Ry Cooder. O que veio dar origem a um Jack Johnson ou Donovan Frankenreiter, acompanhado do som da guitarra portuguesa.
O tema mais conhecido é “The Search”, música oficial do Rip Curl Pro Search, que teve lugar este ano em Peniche. Destaco também a faixa “Time Machine”.
Veremos até onde vai chegar a qualidade do trabalho do Frankie. Promete!

Álbuns Década: #3

The National - Boxer (2007)

"Boxer" foi o álbum que me fez descobrir os The National. Bem sei que foi mais tarde do que poderia ter sido, uma vez que é o quarto álbum da banda e o seu antecessor, "Alligator" já tinha tido algum tempo de antena por aí. Mas eu comecei pelo "Boxer". E que bom começo foi... É um daqueles álbuns que nos vai conquistando aos poucos, música após música, e que quando damos por nós encontramo-nos rendidos, sem saber explicar muito bem o que se passou. E depois aconteceu um maravilhoso concerto destes senhores na Aula Magna, que serviu como confirmação (como se necessária fosse), que estava perante um caso bicudo de música deveras agradável. Tentando uma análise racional da coisa temos a voz fora do tempo que seria "normal" em "Fake Empire"; a intensidade crescente em "Brainy" e em "Apartment Story"; a crueldade de "Start a War", na qual se ameaça alguém mas de uma forma tão doce que não dá para nos apercebermos de que é uma música ameaçadora; o sentimento de esperança em "Slow Show". Entre muitos outros. Mas o melhor mesmo é carregarem no play aqui abaixo e deixarem-se levar pela voz de Matt Berninger.


iFrod Shuffle 07-12-09